Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 14
Capítulo 14
— Haaaaa.
O diretor agarrou o peito e respirou fundo. Neste mundo, nada é de graça. Se você quer algo, há sempre um preço a pagar. E agora, o preço que ele devia pagar era Grayson Miller.
“Só preciso aguentar um ano.”
Ele repetiu para si mesmo inúmeras vezes. Um ano passa rápido. Se suportarem com firmeza, Grayson Miller desaparecerá. O problema era que esse pesadelo estava apenas começando. Com passos arrastados e o coração afundado diante de um futuro desolador, o diretor dirigiu-se cambaleando ao seu escritório. Assim, sob esse presságio sombrio, o sol se pôs e, finalmente, começou a festa de boas-vindas que ele tanto havia preparado.
*
Quando ocorria algo digno de celebração na estação de bombeiros, era costume todos se reunirem no bar que costumavam frequentar. Naquele dia, chegaram bastante cedo e, na hora que o chefe havia indicado, já havia vários funcionários visivelmente embriagados. Por todos os lados explodiam risadas e gritos de alegria, misturados ao som de copos se chocando.
— Já chegou, chefe?
— Aqui estamos, já começamos sem o senhor.
Quando o chefe apareceu na entrada, os funcionários que haviam chegado primeiro o saudaram com frases casuais, como se fosse a coisa mais normal do mundo. O chefe assentiu, devolveu as saudações brevemente e deu uma olhada para ver quem estava presente.
— E o Miller? Ainda não chegou?
Um homem que estava apoiado no balcão, bebendo uma cerveja, respondeu ao notar que o protagonista do dia ainda não aparecia:
— Não, ainda não. Que não venha de jeito nenhum.
— hahahaha
Um dos companheiros soltou uma gargalhada diante do comentário indiferente do homem. O chefe sentiu vontade de perguntar o que era tão engraçado, mas sabia que discutir com alguém já bêbado era perda de tempo. Em silêncio, sentou-se no balcão e pediu uma cerveja. Afinal, o álcool sempre ajudava a melhorar o ambiente entre as pessoas. Quem dera todos pudessem se dar bem e esquecer os problemas do dia.
Embora, claro, assim que o efeito do álcool passasse, tudo voltaria a ser como antes. O chefe suspirou profundamente, imaginando o futuro sombrio que os esperava.
— Já chegou.
De repente, alguém falou e o ambiente no lugar mudou completamente. Os funcionários, que até então riam e conversavam, calaram-se um a um, e uma tensão fria se apoderou do ar. A única coisa que se ouvia era a música estridente que tocava no bar. A causa era, obviamente, a que todos esperavam: Grayson Miller havia entrado.
Ele vestia uma camisa com uma jaqueta por cima, um traje bastante comum. No entanto, comparado aos homens que usavam camisetas desgastadas e jeans velhos, parecia extremamente elegante. Com sua jaqueta creme, calças de algodão e três botões da camisa abertos, ele parecia relaxado e confiante. Seu caminhar, nem lento nem apressado, lembrava o de um grande felino. Apesar dos olhares carregados de hostilidade e mal-estar, avançou sem se abalar, cruzando o bar como se nada fosse.
“De onde vem esse descaramento?”
Os presentes no bar o olharam com uma mistura de incredulidade e assombro. Qualquer pessoa normal teria fugido diante de semelhante ambiente, mas Grayson Miller era o oposto. Talvez pensasse: “E o que vocês poderiam fazer, mesmo que tentassem?”. Embora isso fosse verdade, eles não podiam evitar o nó no estômago. Grayson aproximou-se do centro do balcão, nem rápido nem lento, com uma calma inquietante. Todos no bar o seguiram com o olhar, virando a cabeça sem disfarçar, como se estivessem traçando o rastro de um animal perigoso.
“Caia fora! Desapareça!”
O silêncio do bar encheu-se de uma hostilidade tão densa que quase podia ser tocada. Mas Grayson, como se estivesse acostumado a isso, nem sequer se alterou. Em sua vida, tanto a amabilidade quanto o ódio haviam sido algo comum, algo que transbordava sem cessar.
— Boa noite, chefe. Uma noite maravilhosa, não acha?
Grayson foi o primeiro a saudar o chefe, com um sorriso amplo e radiante que não deixava margem para dúvidas. No entanto, o chefe sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Fez um esforço para ocultar seu incômodo e assentiu com a cabeça, fingindo naturalidade.
— Entre, entre. Todos estávamos esperando por você.
Ao devolver a saudação, Grayson aproximou-se dele, como se estivesse esperando por esse momento.
— Obrigado por organizar esta festa em minha honra. Estou realmente comovido.
Com uma mão sobre o peito e uma expressão de genuína “emoção”, Grayson tornou-se o centro de todos os olhares. Apesar da atenção concentrada nele, seu foco estava posto em apenas uma coisa. O chefe, sentindo um incômodo indescritível, começou a suar frio.
— Bom, você sabe… contanto que faça um bom trabalho…
— Já estamos todos aqui?
Sem sequer deixar que terminassem de falar, Grayson cortou abruptamente a conversa e deu uma olhada ao seu redor. Mais uma vez, todos franziram a testa diante de seu comportamento. “Que diabos há com esse cara?”. Enquanto sentimentos e pensamentos similares cruzavam o ar, o chefe também o olhou, desconcertado.
— Ah… talvez? Não conferi a lista de presença…
— Então podem chegar mais, entendo.
De novo, Grayson interrompeu sem cerimônias e percorreu a sala com o olhar. Ou melhor, esquadrinhou um por um os rostos de quem estava no bar. Aqueles que o olhavam com desdém sobressaltavam-se cada vez que seus olhos se encontravam com os de Grayson, desviando o olhar ou, em um ato de desafio, devolvendo o olhar. Para eles, era como uma espécie de provocação, mas, na realidade, Grayson tinha outros motivos. Seu comportamento deixou o chefe tão atônito que ele piscou várias vezes antes de reagir e dirigir-se ao bartender.
— Ei, serve uma cerveja para o Miller também? O que todos estão bebendo? Vamos brindar juntos. Bem-vindo, Miller.
— Obrigado. Fico muito feliz que me deem uma recepção tão calorosa.
Quando o chefe levantou seu copo, os demais o seguiram a contragosto. Grayson, com uma expressão de emoção digna de um ator vencedor do Oscar, mudou a direção de seu brinde para o ar.
— Vamos, todos, bebam. Você, continue jogando sinuca. Isso.
O chefe fez um gesto para os funcionários, tentando aliviar o ambiente incômodo. Os funcionários, que haviam passado o tempo franzindo a testa enquanto olhavam para Grayson, finalmente desviaram o olhar e voltaram ao que estavam fazendo. Quando os olhares se dispersaram um pouco, o chefe suspirou e esvaziou seu copo. A tensão no ar continuava palpável, e era por causa de Grayson, que estava bem ao seu lado. Embora tenha tentado ignorá-lo, no final não aguentou mais e foi ele quem rompeu o silêncio.
— É admirável que tenha decidido se tornar bombeiro. Como teve essa ideia?
Pensou que era uma pergunta comum, mas ao ouvi-la, os olhos de Grayson brilharam de repente. O chefe, sem querer, encolheu-se um pouco, surpreso, enquanto a voz de Grayson se enchia de entusiasmo.
— Estou procurando alguém.
— Procurando alguém? Alguém em nossa equipe?
Diante da resposta inesperada, o chefe não pôde evitar perguntar, embora não gostasse da direção que a conversa estava tomando. Grayson assentiu e continuou:
— Estou procurando alguém que me salvou no passado. Quero agradecer pessoalmente.
— Ah, isso… não poderia simplesmente perguntar? Não precisava se juntar à equipe para isso…
O chefe ocultou seus verdadeiros pensamentos, desviando o final de sua frase. “Ele tinha mesmo que vir desestabilizar nossa equipe desta maneira?”, pensou. Enquanto observava o rosto impecável de Grayson, que agora sorria e escutava com atenção após ter interrompido sem cerimônias antes, o chefe sentiu a irritação ferver por dentro. Em vez de soltar um suspiro, bebeu a cerveja de um gole só e voltou a falar:
— Bom, o que aconteceu exatamente? Conte-me, para ver se posso ajudá-lo a encontrar essa pessoa.
Pensando que era melhor resolver esse assunto incômodo o mais rápido possível, o chefe agitou uma mão como se estivesse abanando o ar, instando-o a continuar. Grayson, sem perder o sorriso, respondeu:
— Obrigado. Há alguns dias houve um incêndio na festa do Mendez. Com certeza alguns dos bombeiros que foram estão aqui.
— Mendez? Ah… aquela festa de feromônios?
— Exato.
Aquele dia tinha sido um verdadeiro caos. Claro, todos os incêndios são trágicos e para as vítimas são um desastre que marca suas vidas, mas ver todos aqueles afetados saindo correndo nus, bêbados e enfumaçados, com lágrimas e ranho por todo lado, era algo que nem ele via todo dia. Além disso, embora mencionassem por baixo, havia aqueles gêmeos que agiram como loucos…
Enquanto o chefe refletia, Grayson acrescentou mais detalhes:
— Não me refiro a todos. Houve um bombeiro em particular que chegou até onde eu estava e me resgatou. É a ele que quero encontrar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna