Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 15
Capítulo 15
— Ah, é? Ei, Wilkins! Wilkins! Sim, você. Venha aqui um momento.
O chefe, que estivera inclinando a cabeça com curiosidade, chamou um dos que estavam bebendo e lhe fez um sinal. Wilkins, que compartilhava uma cerveja com seus companheiros, aproximou-se arrastando os pés, com uma expressão de claro desinteresse e seu copo na mão.
— Sim, chefe. O que houve?
Wilkins lançou um olhar de desaprovação para Grayson antes de o chefe continuar:
— Miller está procurando por alguém daqui. Você foi quem liderou a equipe dentro da mansão naquele dia, certo?
O chefe apresentou Wilkins a Grayson.
— Este é Darius Wilkins. Wilkins, você já sabe quem é Grayson Miller. A partir de agora, ele trabalhará na sua equipe. Grayson, ele é o capitão da equipe em que você ficará.
O rosto de Wilkins se contorceu instantaneamente. Ele olhou para o chefe com os braços abertos, como se estivesse gritando: “Que diabos é isso?”. Apesar de sua evidente rejeição, Grayson, sem se abalar, agarrou a mão dele e a apertou com firmeza.
— Um prazer conhecê-lo. Espero que trabalhemos bem juntos.
Wilkins, ainda mais desconcertado, apontou para Grayson com a mão livre e deu de ombros, como se dissesse: “Sério?”. O chefe, ignorando deliberadamente o olhar de protesto de Wilkins, deu uns tapinhas no braço deles.
— Façam uma boa equipe. Wilkins é um excelente capitão, então siga as ordens dele, entendido, Miller?
— Com certeza, assim o farei.
Grayson respondeu com naturalidade, mas Wilkins não parecia convencido em absoluto. Sacudindo a mão como se tivesse tocado em algo sujo, lançou um olhar fulminante para Grayson e depois dirigiu-se ao chefe:
— Então, já terminamos? Vou voltar para a minha equipe.
— Espere, um momento.
O chefe deteve Wilkins, que já estava se virando para ir embora. Com relutância, Wilkins olhou para trás, e o chefe apontou para Grayson.
— Leve-o com você.
Wilkins abriu a boca como se estivesse prestes a gritar: “O quê?”. Voltou a abrir os braços e os deixou cair, exasperado. O chefe o repreendeu com severidade.
— É uma boa oportunidade. Que ele se apresente à equipe e se familiarize com todos. É para isso que serve esta reunião.
Ele não estava errado. Wilkins suspirou para o ar e finalmente se virou. O chefe empurrou suavemente Grayson e acrescentou:
— Vá com ele. São seus futuros companheiros, então apresente-se…
— Então essa foi a equipe que entrou na mansão naquele dia?
Mais uma vez, Grayson interrompeu o chefe. Sua atitude, como se seu interesse já estivesse em outro lugar, fez o chefe assentir com resignação, como se já tivesse se acostumado.
— Sim, vá e pergunte. Com certeza descobrirá quem é…
Mas antes que o chefe terminasse de falar, Grayson já havia ido. O chefe, ficando sozinho, terminou sua frase com desânimo e soltou um suspiro.
* Quando o capitão da equipe se foi após a chamada do chefe, ele estava sozinho. Mas quando retornou, já não estava. Trazia consigo uma “cauda” indesejada, e os membros da equipe, que bebiam ao redor de uma mesa alta enquanto o esperavam, olharam-no com desconforto. Wilkins fez uma careta, como se dissesse: “Eu sei, não tenho escolha”. Os companheiros, naturalmente, fixaram seus olhares em Grayson, que se aproximara da mesa e ocupara um lugar com uma expressão de claro incômodo.
— Olá, olá, olá.
Grayson assentiu levemente com a cabeça, cumprimentando cada um com um amplo sorriso, mas ninguém retribuiu o gesto. Em uma situação dessas, qualquer um teria se sentido desconfortável e retraído, mas, lamentavelmente, estavam lidando com Grayson Miller. Era difícil entender como alguém podia ter a “cara de pau” tão grande. Esse homem desavergonhado não mostrava nem um pingo de vergonha. Pelo contrário, sorria amplamente e até oferecia a mão para um aperto, o que deixou os membros da equipe tão exasperados que perderam toda a motivação para continuar. Com expressões vazias, limitaram-se a beber suas cervejas em silêncio. Foi Grayson quem quebrou o gelo.
— Da última vez que houve um incêndio na mansão de Méndez, esta equipe entrou para resgatar as pessoas, certo?
— Méndez?
— Sim, aquela festa de feromônios.
Um dos membros, sem perceber, perguntou, e outro lhe deu um cutucão enquanto explicava.
— Você sabe, aquela onde os alfas dominantes se juntaram para liberar feromônios. “Vamos disparar sêmen! Brrrrrr. Aaaaah! Meus feromônios estão indo embora! Meu cérebro também está escapando!”
O homem balançou-se exageradamente para frente e para trás, imitando os convidados da festa com gritos exagerados, o que provocou uma gargalhada geral entre os presentes. Era uma zombaria claramente dirigida a Grayson, o que tornava a situação ainda mais “divertida” para eles. No entanto, quando viram que Grayson ria às gargalhadas igual a eles, a risada parou subitamente.
“Que diabos? Ele está louco ou o quê?”
Todos tiveram pensamentos semelhantes. Um a um, suas expressões desapareceram e eles o olharam desconcertados. Até Grayson, que estivera rindo às gargalhadas em silêncio, parou. Quando seu rosto tornou-se inexpressivo como uma máscara, todos passaram da vergonha ao espanto.
“Quem demônios é esse cara?”
— O que houve? Continuem. Eu estava me divertindo.
— …
— Já terminaram? Bom, está bem.
Grayson deu de ombros com descaramento.
— De qualquer forma, acontece que eu estava naquela mansão por acaso. Como sou um alfa dominante, pensei em extrair um pouco de feromônios. Mas o incêndio estragou tudo e não cheguei a completar o processo, então pelo menos não perdi a cabeça.
À medida que Grayson continuava falando, os rostos dos presentes escureciam cada vez mais. Podiam sentir na pele que não estavam lidando com alguém comum. Se fosse apenas um cara grosseiro ou de má índole, poderiam ter resolvido as coisas no soco. Mas, desde os tempos antigos, a resposta certa para lidar com loucos era não se misturar com eles.
— Eh, eu… tenho algo para fazer.
O homem que havia zombado de Grayson tentou abandonar o lugar rapidamente, e os demais seguiram seu exemplo. Mas antes que pudessem dar um passo, Grayson os deteve.
— Alto.
Uma única palavra, fria como o gelo, paralisou-os no ato. A contragosto, eles se viraram e viram Grayson, ainda com aquele rosto impassível, falando como se desse uma ordem.
— Tenho algo a perguntar a vocês, então voltem a se reunir. Vamos.
— …
— Agora mesmo, aqui.
Ele bateu na mesa com o dedo indicador, como se estivesse marcando o ritmo de sua autoridade. Sem opção, eles retornaram arrastando os pés. Em um silêncio incômodo, olharam-se entre si, trocando olhares de cumplicidade até que Grayson, após esquadrinhá-los um por um, quebrou o gelo.
— Estão todos os que entraram na mansão naquele dia?
O tom frio e diferente do habitual de Grayson deixou os membros da equipe desconcertados, piscando sem entender. Por alguma razão, o ambiente tornara-se tão tenso quanto um interrogatório, e ninguém se atrevia a falar. Foi Wilkins quem quebrou o silêncio primeiro.
— Por que pergunta de repente? O que isso tem de tão importante?
Diante do tom brusco de Wilkins, Grayson esboçou um sorriso. De novo, os membros da equipe sentiram uma estranha sensação. Era o momento adequado para sorrir? Sorrir para suavizar a hostilidade do outro era algo que qualquer um faria no dia a dia, mas o sorriso desse homem tinha algo inquietante. O que era? Enquanto tentavam decifrar, Grayson abriu a boca.
— Quero encontrar a pessoa que me salvou daquela vez. Não lembro como perdi a consciência, mas quando acordei, estava em um quarto de hospital. Se essa pessoa não tivesse me resgatado, provavelmente eu estaria morto.
Com uma expressão de profunda emoção, colocou a mão sobre o peito e soltou um suspiro.
— Graças a essa pessoa, estou vivo, e quero agradecer. Ao menos, gostaria de dizer obrigado. Alguém sabe quem foi?
Diante de suas palavras, Wilkins olhou para o resto da equipe, como perguntando se alguém sabia de algo. Então, Ezra, sempre rápido, deu um passo à frente e perguntou em voz alta:
— Bom, naquele momento estávamos todos tão exaustos que não lembro bem. Alguém mais se lembra?
Os outros membros negaram com a cabeça repetidas vezes que não sabiam. Grayson semicerrou os olhos, franziu a testa, mas as respostas não mudaram. Lentamente, passou a mão pelo cabelo e murmurou, em um tom que todos puderam ouvir, como se falasse consigo mesmo:
— Quero agradecer, mas todos dizem que não sabem…
Depois, esboçou um sorriso e acrescentou:
— Então não me restará outra opção senão encontrá-lo por conta própria.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna