Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 13
Capítulo 13
No interior da estação de bombeiros, agora convertida em um caos, desceu um silêncio inesperado. Dane percorreu com o olhar os seus companheiros, dispersos pelo chão, que gemiam de dor. Alguns jaziam empapados de suor, enquanto outros tentavam se levantar, apenas para cair novamente.
“Que diabos aconteceu?”
Era impossível entender a situação. Ele não podia acreditar que seus companheiros, sempre tão fortes e resistentes, estivessem agora jogados, derrotados. Embora estivesse vendo com seus próprios olhos, custava-lhe assimilar.
Mas o que mais lhe custava acreditar era que aquele homem estivesse na sua frente agora mesmo. Dane franziu a testa e olhou-o fixamente. Era o mesmo cara que tinha visto naquela festa de feromônios de Alfa Dominante uns dias atrás. O mesmo que, em meio ao caos, tinha liberado uma nuvem densa de feromônios, fazendo com que dois Ômegas perdessem o controle enquanto ria como um louco.
“É sério que esse cara é o Grayson Miller?”
Sempre pensou que seria um encontro casual, algo sem importância, e o tinha nocauteado sem dar maior relevância. Nunca imaginou que voltariam a se cruzar. Não houve tempo para reflexões mais profundas. Os olhos roxos do homem escureceram ainda mais e, em um instante, ele brandiu a barra de ferro que segurava. O som pesado do metal cortando o ar ressoou em seus ouvidos.
— Uf!
Dane se abaixou por reflexo, esquivando da barra por muito pouco. Rapidamente, agarrou algo que tinha preparado ao seu lado e o levantou.
Fuushhh!
— Ugh, ah!
Um jato de pó comprimido saiu disparado com força implacável. O pó branco, expulso com uma pressão tão intensa que parecia devorar o ar, dispersou-se em todas as direções, levado por uma lufada de vento. O recinto encheu-se de uma névoa espessa, tão densa que era impossível ver a um palmo de distância.
Da boca de Grayson escapou um rosnado gutural. O pó fino aderiu à sua pele, invadindo em um instante o nariz, a boca e a garganta. Dane, com uma expressão indiferente, continuou apontando o extintor para ele, liberando o pó sem piedade. Finalmente, o homem que estivera causando estragos perdeu a sua ferocidade e começou a tossir sem controle. Dane parou o jato, mas a tosse de Grayson não cessou. Quando finalmente pôde respirar, olhou para ele com olhos injetados de sangue, cerrando os dentes com raiva.
— Você tem ideia do que acabou de fazer?
A voz de Grayson soava como se estivesse reprimindo a duras penas a sua fúria, mas era evidente para qualquer um que estava prestes a explodir. Os homens espalhados pelo chão, pálidos e desconcertados, não sabiam como reagir. No entanto, Dane, o principal envolvido nesta confrontação com Grayson, parecia completamente indiferente.
— Eu só estava parando uma briga — disse com despreocupação.
Essas palavras frias fizeram com que a ira contida de Grayson estourasse.
— Você está louco? Não sabe que não se pode rociar alguém com um extintor? E ainda menos sendo um bombeiro!
Apesar da ferocidade no tom de Grayson, Dane olhou para ele com uma expressão entediada.
— Você é um alfa dominante, não é? Drogas não deveriam te afetar, deveriam?
— Maldito seja, isso não é uma droga! Como lhe ocorre dizer isso? Você está fazendo de propósito, não está? Hein?
Grayson continuava gritando, perdendo completamente a compostura que sempre o caracterizava. Parecia um louco fora de controle, e sua atitude era tão ameaçadora que parecia prestes a estrangular alguém. Dane, imperturbável, respondeu com a mesma indiferença:
— Ah, é? Bom, suponho que você tenha razão.
Nesse momento, o último fio de sanidade que sustentava Grayson rompeu-se por completo.
— Maldito bastardo! Eu vou te matar!
Com um rugido dilacerante, Grayson lançou-se sobre Dane, pronto para quebrar o seu pescoço. Mas Dane, com uma expressão que dizia “isso me dá preguiça demais”, simplesmente ajustou o seu aperto no extintor e preparou-se para golpear Grayson na cabeça. Justo nesse instante, uma voz ressoou:
— Que diabos vocês estão fazendo?!
O chefe da estação, com voz grave, fez com que ambos parassem subitamente. Grayson, com a barra de ferro levantada para golpear Dane, e Dane, pronto para esmagar o extintor contra a cabeça de Grayson, congelaram. O chefe percorreu a cena com o olhar: os funcionários jogados pelo chão, o lugar destruído, os móveis feitos em pedaços. Soltou um suspiro de exasperação, claramente sobrecarregado pelo absurdo da situação. Mas rapidamente recuperou a compostura e cravou um olhar furioso no principal responsável por todo aquele desastre.
— Que demônios está acontecendo aqui? Por que estão brigando? Eu lhes permiti ficar um ano mais, nunca dei permissão para que causassem este tipo de caos!
As palavras do diretor eram tão óbvias quanto inevitáveis. Quando excepcionalmente se permitia uma contratação, ela vinha sempre acompanhada de várias condições. Desta vez não foi diferente: ele insistiu repetidas vezes que tudo se mantivesse em silêncio, sem causar incômodo ao restante do pessoal. Tinha pensado que, pelo menos, aguentariam um mês, mas, surpresa!, nem sequer passou meio dia antes que este desastre estourasse. E não foi só isso.
Sua reprimenda dirigiu-se diretamente a Dane.
— Dane, largue isso imediatamente! Em que cabeça cabe golpear alguém com um equipamento, hein? Eu nem disse nada quando você me disse que estava na delegacia, e até lhe mandei um advogado! Até entendi que chegasse tarde hoje, mas isto é demais! Como pode me decepcionar assim? Hein?
Diante do diretor, que bufava de fúria, os funcionários não disseram uma palavra, desviando os olhares. Dane, a contragosto, soltou o extintor. Grayson jogou a barra de ferro. Enquanto todos observavam cautelosamente o diretor, ele afundou-se em um profundo dilema. “Deveria simplesmente jogar a toalha com as doações e tudo o mais?” Ver os seus subordinados naquele estado lamentável o fez questionar para que servia trocar o equipamento ou os carros. Não era preciso perguntar quem tinha iniciado toda esta confusão. As possibilidades de Grayson Miller, que tinha chegado até ali usando a influência do seu pai, causar semelhante escândalo no seu primeiro dia eram praticamente nulas. Isso significava que os seus preciosos funcionários tinham provocado este desastre, e claro que ele não esperava que a resistência deles fosse tão feroz.
Tinha sido especialmente insistente em adverti-los.
Mas agora era impossível culpar Grayson Miller e demiti-lo. Afinal de contas, tratava-se de Ashley Miller. Se ele tinha recorrido a métodos pouco ortodoxos para que contratassem o seu filho e depois ele o demitisse injustamente, quem sabe o que ele poderia fazer. Poderiam exigir-lhe uma compensação exorbitante, ou até idealizar mil formas criativas e impensáveis de tornar as suas vidas impossíveis. E se ele descobrisse que o seu filho tinha terminado em semelhante estado…
“Poderiam me sentar em uma cadeira elétrica.”
— Ugh.
Preso em seus pensamentos horríveis, o diretor não pôde evitar deixar escapar um gemido. Fechou os olhos, moveu a cabeça de um lado para o outro e depois, com uma expressão sombria, olhou fixamente para aqueles homens incompetentes.
— Pedi que aguentassem em silêncio apenas um ano. Sério que não podem fazer isso? Onde diabos deixaram o cérebro?! Se o tivessem, usariam para pensar!
No fundo, desejava golpear sem piedade esses grandalhões incompetentes, mas agora não era o momento. O primeiro passo era colocar ordem neste caos. Sim, começando por Grayson Miller.
— …Você está bem? Ei, você não se machucou…?
O fato de ter de agir com tanta submissão partia-lhe o coração mais uma vez, mas já era tarde demais. Desde que aceitou a proposta de Ashley Miller, o seu futuro estava selado. Durante o próximo ano, esta situação repetir-se-ia sem fim. Após engolir vários suspiros seguidos, observou Grayson, mas tudo o que sentiu foi desespero.
— Ugh — o diretor voltou a gemer, mas finalmente armou-se de coragem e olhou para aqueles homens já levantados que o rodeavam.
— Todos, dispersem! Vocês, vão se lavar nos chuveiros dali, e vocês, entrem para tratar os seus ferimentos. Dane, você encarrega-se de limpar isto! Vemo-nos todos na festa de boas-vindas esta noite. Entendido? Isto nunca aconteceu, e começamos de novo a partir daí. Chega de criancices, comportem-se como adultos!
Apontando em todas as direções, o diretor conseguiu separar os causadores do desastre. Só quando viu aqueles homens adultos, cheios de ressentimento, murmurando enquanto se dispersavam, pôde finalmente soltar um suspiro de alívio. Tal como tinha previsto.
Depois, com o rosto pálido, recordou: sabia que Grayson Miller arruinaria a paz da sua estação de bombeiros. Sabia!
Enquanto agarrava os poucos cabelos que lhe restavam, angustiado, diante dos seus olhos apareceram visões dos modernos caminhões de bombeiros e novos trajes *ignífugos. Tinha planejado substituir os machados velhos, comprar pelo menos cinco extintores novos e adquirir respiradores adicionais…
*São materiais ou substâncias projetados para resistir ou retardar a propagação do fogo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna