Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 78
Capítulo 78
— Me convide para ir à sua casa.
Diante do pedido repentino, Dane, que estava prestes a tirar a camisa, parou e olhou para Grayson. Como ele apenas o encarava em silêncio, Grayson falou novamente:
— Eu tenho uma coisa para te dar. Para ser mais exato, para o Darling.
— Você tem uma coisa para dar para o Darling?
Só então Dane voltou a se mover enquanto perguntava. O fato de o olhar dele estar fixo em si, mesmo enquanto colocava devagar a camisa que havia tirado dentro da bolsa e puxava uma nova, deixou Grayson bastante satisfeito. Grayson, que estava encostado no armário, inclinou a cabeça para o lado, percebeu que sua altura era muito superior à do móvel e endireitou a postura novamente.
— É, então eu preciso ir à sua casa.
Dane ainda olhava para Grayson, desenrolando a camisa sobre o peito e puxando-a para baixo. Grayson ficou momentaneamente hipnotizado enquanto os peitos firmes desapareciam sob o tecido, mas logo recuperou os sentidos e voltou os olhos para o rosto de Dane.
— O que é?
Como esperado, Dane demonstrou interesse. Grayson respondeu calmamente, como se não fosse nada demais:
— Uma torre para gatos.
— Uma torre para gatos? — Dane franziu o cenho e repetiu a mesma palavra.
Em vez de explicar, Grayson pegou o celular e lhe mostrou a foto da torre que havia preparado. Dane ficou olhando fixamente para a estrutura enorme na tela e abriu a boca em um tom vagaroso:
— Uma coisa desse tamanho não vai caber na minha casa.
— Nós podemos reduzir o tamanho — Grayson disse rapidamente, apontando para um dos lados da foto. — Você não precisa montar este lado aqui. Pode excluir esta parte também. Se a altura for um problema, tudo bem montar só até aqui.
Dane ficou em silêncio por um instante enquanto ele apontava para cada lugar com o dedo.
“Então ela fica desse tamanho.”
Na verdade, aquele modelo era exatamente o que Dane vinha namorando visualmente. Esse bastardo estava oferecendo como presente algo para o qual ele teria que economizar dinheiro por meses.
Ele se sentiu um tanto incomodado, mas era um homem extremamente realista. Deixou suas emoções de lado e calculou rapidamente com a razão. Se ganhasse aquilo, poderia fazer outra coisa pelo Darling com o dinheiro que havia poupado. Ok, nada mal.
— E aí?
— O quê? — Grayson pausou quando Dane, que havia chegado a uma conclusão, perguntou.
Dane refez a pergunta:
— O que você quer, o meu peito?
Ao ver Dane menear o corpo para tirar a camisa, Grayson abriu a boca e logo soltou um suspiro. Desta vez, Dane hesitou diante da reação inesperada. Grayson falou com Dane como se estivesse tentando convencê-lo:
— Não é bom tentar resolver tudo com o seu peito.
— O quê?
Dane ficou boquiaberto e distorceu o rosto. O que ele estava dizendo, esse tarado por peitos…?
Grayson continuou a falar calmamente com o homem que estava sem ação à sua frente:
— Eu já te disse, me convide para ir à sua casa. E acrescentou antes que Dane pudesse protestar: — Eu quero ver o Darling.
Dane o encarou sem dizer uma palavra. Como se tentasse decifrar que tipo de palhaçada era aquela. Grayson, logicamente, continuou a falar:
— Você mesmo disse que não se deve tirar gatos de casa, não foi? Ainda mais que não faz muito tempo que ele recebeu alta do hospital, então é mais um motivo. Sendo assim, haveria outra forma além de eu ir até a sua casa?
Ao vê-lo dar de ombros de propósito, Dane parou por um momento, pensativo. Não havia nenhuma brecha nas palavras dele. Era tão perfeito que parecia que ele tinha arquitetado a resposta de antemão.
“É claro que ele pensou nisso.”
Dane ainda não abriu mão de sua desconfiança e perguntou novamente:
— Por que você quer tanto ver o Darling?
Essa era a cartada final que Grayson havia preparado. Ele exibiu um sorriso familiar e abriu bem as mãos:
— Eu sou um “fã” do Darling.
A reação de Dane veio com um tempo de atraso:
— O quê?
Grayson apenas sorriu e o encarou, enquanto o outro exibia um rosto pesadamente franzido.
A casa de Dane ficava localizada em uma área residencial calma e isolada. Era uma casa pequena, situada bem na última esquina daquela região. Grayson estacionou seu carro na rua em frente à residência e pegou a sacola de compras que havia deixado no banco de trás. Obviamente, aquilo também tinha sido preparado pelo chefe de assessoria.
Um garoto que jogava bola na casa vizinha parou e o encarou com olhos surpresos diante da visão de um carro esportivo chamativo, algo difícil de se ver naquele bairro. Grayson sorriu e caminhou em direção à porta da frente de Dane com passos leves.
*Plim-plom*, o som do sino pequeno e delicado da campainha pareceu ecoar direto no coração de Grayson. Ele pôde ouvir alguém lá dentro e, após alguns instantes, a porta se abriu de supetão. Conforme esperado, Dane estava parado ali, olhando para ele.
— Ei. Obrigado por me convidar.
Grayson sorriu e entregou a sacola de compras junto com o cumprimento. Ele não tinha exatamente o convidado, mas Dane não se deu ao trabalho de corrigi-lo; apenas pegou a sacola e virou-se primeiro. Após notar que o dono da casa estava descalço, Grayson tirou os sapatos na entrada e calçou os chinelos extras que estavam ali.
A casa era inesperadamente aconchegante e confortável. O tom geral do ambiente também era claro e alegre, de modo que, se você se sentasse no sofá da sala com a luz do sol entrando pela janela, segurando um gatinho e tomando um chá, não haveria cena mais pacífica do que aquela. E se você passasse pela despensa no lado esquerdo da sala assim que entrava, havia uma pequena escada que levava ao segundo andar. Ao lado dos degraus, era possível ver uma segunda sala que dava para a garagem e, se você descesse três pequenos degraus a partir da primeira sala, havia uma pequena sala de jantar conectada à cozinha e a uma terceira sala de estar.
Não levou nem um minuto para correr os olhos pela casa inteira. Grayson ficou parado feito estátua diante daquelas dimensões reduzidas, onde dava para ver praticamente tudo com apenas alguns passos.
Dane estava colocando a sacola de compras sobre a mesa e checando o que Grayson havia trazido. Ao ver que estava cheia das latinhas de luxo mais caras entre as rações úmidas à venda, do tipo que ele não tinha condições de comprar com frequência, pensou que tinha feito bem em dar ouvidos a Grayson.
A esse ritmo, ele conseguiria alimentar o gato fartamente por um ano.
Ele estava intimamente satisfeito e prestes a recolher as latinhas para guardá-las no armário onde mantinha os petiscos e suprimentos do Darling, quando de repente seus olhos captaram Grayson. Ao vê-lo parado sozinho em um canto da sala, franziu o cenho involuntariamente. O que ele estava fazendo?
Como se seus pensamentos tivessem sido transmitidos, Grayson voltou o olhar para ele. Quando seus olhos se encontraram, Dane acenou levemente com a cabeça em direção a um dos lados. Grayson acompanhou o movimento e direcionou os olhos para onde ficava a torre dos gatos.
— O Darling está ali, bem no topo.
— Ah……
Ele havia esquecido brevemente que tinha vindo ali sob o pretexto de querer ver o gatinho. Grayson rapidamente adotou uma expressão afetuosa e se aproximou do animal. Darling estava deitado de bruços com os olhos fechados no último andar da torre. Grayson encarou atentamente o felino, que balançava a cauda devagar de um lado para o outro, perguntando-se se ele estaria dormindo.
Era um gatinho feio, mesmo olhando para ele mais uma vez. Ele não conseguia compreender como Dane podia mimar tanto um bicho daqueles. Além disso, ele não enxergava nem ouvia, então como eles se comunicavam? Por mais que seja um animal, ele já tinha ouvido falar que eles se comunicam com as pessoas quando são criados desde pequenos, mas será que conseguem estabelecer comunicação mesmo com essas deficiências?
Ele estava observando o gato com pura curiosidade quando o animal, que estava deitado tranquilamente com os olhos fechados, de repente deu um sobressalto. A forma como ele inflou as narinas e farejou aqui e ali foi o suficiente para Grayson, que era leigo no assunto, notar que ele estava inquieto. Por que ele estava agindo assim?
— Tira os feromônios.
No momento de pânico, Dane, que havia se aproximado de repente, disse em voz baixa. E então, ele pegou Darling gentilmente no colo, beijou o rostinho dele como se soubesse exatamente o que estava acontecendo e fez um estalido suave com a boca, um som sibilante como quem tenta acalmá-lo. “Ele não é surdo de qualquer forma?”, Grayson pensou, mas Dane não parou por aí.
……Ah.
Grayson também reconheceu o aroma que começava a se espalhar sutilmente pelo ambiente. Dane estava liberando seus feromônios para o gatinho. Os feromônios de um Ômega Dominante, quando usados na medida certa, faziam com que o outro se sentisse confortável, suprimiam qualquer hostilidade e podiam até despertar sentimentos de afeição. Será que isso se aplicava a animais também? Ou era apenas porque Darling já estava acostumado com o cheiro de Dane?
Ele não sabia a razão, mas o gatinho logo começou a ronronar, como se estivesse aliviado.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello