Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 77
Capítulo 77
— Qual é o tipo daquele bastardo? — Grayson perguntou, ainda com um sorriso de canto no rosto.
Seus olhos estreitos transbordavam desagrado, mas Ezra, talvez por já estar meio alto por causa da bebida, não percebeu.
— Bom, pelo menos não alguém tão gigante quanto você… O Dane é tão grande que eu nunca vi ninguém maior que ele. Então, tecnicamente, quem não fizesse o tipo dele simplesmente não existia. Mas você é um pouco, bem, massivo demais.
Ezra, depois de dar uma olhada significativa de cima a baixo em Grayson, acrescentou com um sorriso amarelo:
— Eu conheço a posição do Dane, e você pode acabar tendo problemas.
Grayson virou sua cerveja em silêncio, sem que o álcool lhe fizesse o menor efeito. Ele se sentia inexplicavelmente irritado. Dane havia dito a mesma coisa uma vez. Ele já não tinha se sentido particularmente bem naquela época, mas por que estava com tanta raiva agora? Sem perceber, Grayson acabou deixando escapar seus verdadeiros sentimentos:
— Você nem sequer conhece o Dane direito…
— Hã? O que você disse? — Ezra perguntou, piscando os olhos.
Felizmente, o barulho do bar engoliu as palavras de Grayson. Ele aproveitou a oportunidade, sorriu e mudou de assunto rapidamente:
— Como ele acabou criando aquele gatinho? Eu não consigo imaginar o Dane cuidando de ninguém.
— Bom, isso é verdade. Ele não cuida de pessoas, aquele bastardo — Ezra concordou prontamente, completando em seguida: — Mas com animais é diferente.
— Ele gosta de animais?
—…Se ele gosta? — Ezra inclinou a cabeça novamente e continuou: — Não é como se ele ficasse todo derretido por qualquer animal. Na maior parte do tempo, ele só olha para eles com indiferença. Mas, bem, a verdade é que ele não consegue simplesmente dar as costas se encontrar um bicho abandonado ou ferido.
Em resumo, ele só intervinha quando a ajuda era estritamente necessária. Então, aquele gatinho era um desses casos?
— Tipo o Darling?
— Ah, sim.
Quando Grayson perguntou timidamente, Ezra assentiu logo em seguida:
— Foi o único gatinho que sobrou em um prédio onde ele foi atender uma ocorrência. Estava escondido em um canto e tinha ferimentos graves. Com o tempo, ele acabou ficando cego e surdo. Ia ser sacrificado porque as despesas médicas eram altas demais, mas o Dane pagou todo o tratamento do próprio bolso e o adotou.
Após a longa explicação, Ezra soltou uma gargalhada calorosa:
— Ele chegou a fazer hora extra por dois meses seguidos, sem um único dia de folga, para pagar as contas do hospital. Quase não dormia e ficou tão sensível que ninguém conseguia falar com ele; ele te xingava se você ousasse dar um bom dia.
— Caramba — Ezra disse, balançando a cabeça.
Grayson sabia, racionalmente, que deveria rir junto, mas, por alguma razão, seus lábios se recusavam a curvar para cima.
— Você não disse que o Dane gosta de dinheiro?
A maioria das pessoas assim são avarentas. Mas ele não apenas pagou as contas do hospital do gato sozinho, como também se matou de fazer hora extra para conseguir o dinheiro? Não fazia sentido. Ezra forneceu uma resposta imediata para as dúvidas de Grayson:
— Sim, o Dane não economiza um centavo quando o assunto é o Darling. Ou com as pessoas com quem ele transa. — Ezra então abriu um sorriso estranho. — Eu ouvi falar que ele compra bebidas bem caras para as pessoas de quem gosta e até faz o café da manhã para elas.
Diante das palavras de Ezra, Grayson franziu o cenho e lançou um olhar desconfiado:
— Você por acaso também já dormiu com o Dane?
Como ele sabia daquilo? Grayson perguntou, com bastante espaço para desconfiança, e Ezra imediatamente mudou de expressão, ficando sério, e balançou a cabeça:
— Não viaja, eu tenho esposa e três filhos! Isso não é algo que eu experimentei, é só o que as más línguas dizem.
— Como assim? — Grayson ainda não havia descartado suas dúvidas e pressionou.
Ezra olhou para ele com uma cara de óbvio e rebateu:
— Você quer me dizer que nenhuma das mulheres com quem você já transou também já dormiu com o Dane?
— Você está dizendo que há colegas no quartel de bombeiros com quem você já deitou?
— É, mas nem todos são que nem você, claro — Ezra pontuou de forma direta e, em seguida, suavizou o tom, acrescentando: — Claro, tinha uma quantidade considerável de mulheres que queriam namorar o Dane. Mas o Dane topa transar com qualquer uma, só que ele não quer nada sério. Ele é um homem mau.
Ele pronunciou as últimas palavras com um sorriso amargo. Grayson dedilhou a garrafa de cerveja em silêncio. Quanto mais ele descobria, menos ele compreendia.
Que tipo de homem era Dane Striker, afinal?
Ele tentava encontrar uma pista, mas tudo parecia ficar ainda mais emaranhado. Grayson virou sua cerveja com um sentimento sombrio no peito.
Naomi, que havia terminado o ioga e estava recuperando o fôlego enquanto relaxava, franziu as sobrancelhas ao som do telefone tocando, perturbando o momento mais pacífico do seu dia. Com um suspiro inevitável, ela finalmente abriu os olhos e esticou o braço para alcançar o celular que havia deixado na mesa de canto. No entanto, no instante em que viu quem estava ligando, a irritação por ter sido interrompida desapareceu sem deixar vestígios. Após reconfirmar o nome na tela — Grayson Miller —, ela atendeu a chamada com uma expressão radiante.
— Ei, Grayson! O que manda?
Isso mesmo, o que estava acontecendo? Será que você finalmente o encontrou? E acabou levando um fora? Está miserável e triste agora? Não está arrependido de ter vivido a vida do jeito errado e chorando as pitangas? Me diz onde você está, eu vou correndo aí agora mesmo! Anda logo, me deixa ver o seu estado deplorável!
Enquanto pensava em estender um lenço de bom grado para Grayson, ela apurou os ouvidos, e a voz do homem que ela tanto esperava fluiu do outro lado da linha:
— A coisa que você cria é um cachorro, não é?
Diante da pergunta inesperada, Naomi piscou os olhos algumas vezes. Ela afastou o celular do ouvido e olhou para a tela uma vez, depois voltou a encostá-lo na orelha e perguntou:
— É, você quer ver uma foto?
— Não, não precisa.
Um pequeno murmúrio retornou à oferta que ela havia feito de forma tão gentil:
— Realmente inútil.
Era claramente um monólogo, mas foi o suficiente para deixar Naomi virada no avesso. O que tornou tudo ainda mais enfurecedor foi o fato de Grayson ter dito apenas aquilo e desligado o telefone na cara dela.
— O que… esse… mas o que…
Naomi cerrou os punhos de raiva, respirando com dificuldade. Ainda incapaz de conter a fúria, ela finalmente explodiu com o ressentimento subindo do fundo do peito:
— Que tipo de bastardo é esse?!
Grayson estava sentado à mesa de chá, imerso em pensamentos com uma expressão séria. Depois de encerrar várias ligações inúteis, ele foi dominado por uma sensação de vazio e constrangimento, sem conseguir pensar no que fazer a seguir.
Como ele tinha feito até hoje?
Agradar a outra pessoa era fácil. Depois de passarem um tempo juntos, o que elas queriam se revelava em suas expressões ou no olhar. Ele tinha dinheiro de sobra e tempo de sobra. Fosse um presente sincero ou um evento grandioso regado a dinheiro, ele fazia o que quer que elas desejassem. As reações que recebia em troca sempre correspondiam às suas expectativas, então ele nunca tinha passado por apuros. Ele tinha certeza de que conseguiria ter sucesso da mesma forma desta vez.
O problema era que era impossível passar um tempo sozinho com o Dane.
Como ele poderia criar uma situação dessas com um homem que nem sequer sabia o que era um encontro? Ele ainda tinha uma chance restante, mas não queria desperdiçá-la desse jeito. Dane Striker com certeza colocaria um ponto final em tudo sem olhar para trás uma vez que o encontro ao qual fora forçado terminasse de forma vaga.
Será que não havia outra maneira de descobrir mais sobre ele?
…Gatinho e dinheiro.
Grayson franziu a testa e adotou uma fisionomia compenetrada. Esses eram os dois únicos métodos que ele podia usar agora. E um deles era algo que Grayson tinha em abundância.
Tendo mal encontrado uma saída, Grayson imediatamente pegou o celular e fez uma ligação. O outro lado atendeu prontamente, sem precisar de muitos toques. Grayson fez uma solicitação ao chefe do escritório de assessoria, que cuidava de várias tarefas domésticas para a família:
— Descubra tudo sobre suprimentos para gatinhos agora mesmo.
— Como disse? Gatinho? O senhor comprou um gatinho…?
O chefe do escritório perguntou, surpreso com as palavras repentinas. Grayson não deu uma longa explicação ao homem confuso e respondeu brevemente:
— Vou dar de presente, então encontre algo apropriado, algo que qualquer dono de gatinho gostaria.
— Ah, perfeitamente. — O chefe, que havia respondido de prontidão, acrescentou em voz baixa, como se estivesse revelando um segredo: — Para fins de esclarecimento, as pessoas que criam gatinhos são chamadas de servos, não de donos.
— O quê?
Grayson franziu o cenho, mas o chefe apenas se despediu brevemente e desligou o telefone. Ele ficou encarando o celular mudo por um tempo, completamente boquiaberto.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello