Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 76
Capítulo 76
— Direita, é na direita!
— Espera, não entra ainda!
— Tem certeza de que tem alguém lá dentro? Já foi confirmado?
Enquanto lançavam água continuamente contra as chamas que subiam ferozes, os bombeiros gritavam sem parar. Em meio àquele clamor barulhento, quem deu um passo à frente já vestindo o capacete foi, como esperado, Dane Striker.
— Que porra, isso é um saco.
Grayson o observava de cenho franzido enquanto ele resmungava, claramente irritado. Ele sabia muito bem, por experiência própria, que mesmo que Dane dissesse aquilo, na verdade ele seria o primeiro a entrar no lugar mais perigoso.
Havia aprendido com a vivência que as pessoas costumavam dizer coisas diferentes do que realmente sentiam. Especialmente no caso de Dane Striker, ele havia se dado conta disso ainda mais nos últimos tempos.
Como previsto, Dane adentrou as chamas antes mesmo de terminar de ajustar a máscara. Grayson Miller refletiu enquanto observava as costas de Dane desaparecerem primeiro.
“Eu sabia, tinha certeza de que ele faria isso.”
Ele franziu a testa e fixou o olhar na direção por onde Dane havia sumido. Desde aquele dia, houve vários chamados. Em cada um deles, Grayson passava pela mesma experiência. Dane sempre ia para o lugar mais perigoso primeiro e saía por último. Essa situação se repetia todas as vezes. Dane sempre se voluntariava para a função mais arriscada como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas o que enfurecia Grayson era outra coisa: o fato de todos os outros bombeiros agirem como se aquilo fosse uma obrigação dele. Eles se enchiam de dedos para falar sobre serem colegas que arriscavam a vida juntos, mas a pessoa que sempre ficava exposta ao maior perigo era única e exclusivamente Dane Striker. Era isso o que chamavam de “colegas”?
Uma raiva desconhecida borbulhou dentro dele. *Bastardos inúteis…!*
Contudo, Grayson também permaneceu ali parado, imóvel. Ele simplesmente não conseguia se forçar a se lançar naquelas chamas enfurecidas. Só lhe restava esperar ansiosamente para que Dane saísse, torcendo para que ele retornasse são e salvo.
— Dane!
— Bem-vindo de volta, bom trabalho!
— Você está bem? Tinha alguma coisa de especial lá dentro?
— Afinal, foi só um alarme falso?
Finalmente, quando Dane retornou do meio do fogo, todos o acolheram e começaram a bombardeá-lo com perguntas. Grayson, logo atrás deles, soltou um longo suspiro de alívio. Dane, após explicar brevemente a situação ao Chefe de Equipe, tirou o capacete e bagunçou os cabelos como se estivesse com muito calor. Foi nesse momento que ele fez contato visual com Grayson. Ao vê-lo ainda parado ali com uma cara de tacho, Dane abriu a boca:
— O que foi, seu moleque maluco do caralho.
Ele cuspiu o xingamento com a maior naturalidade, mas, em vez de encará-lo com fúria como antes, repuxou os cantos dos lábios e deu um sorriso de canto. E então, Dane se virou e correu em direção ao próximo ponto onde era necessário. Grayson só pôde continuar acompanhando aquela silhueta se distanciar com o olhar.
— Ah, Miller.
Bem nessa hora, Ezra, que estava passando, chamou seu nome. Desviando o olhar a contragosto, Grayson viu Ezra sorrindo ao dizer:
— Este lado aqui já era, então você pode dar uma limpada ali agora? Só um rescaldo do fogo que sobrou.
O trabalho destinado a Grayson ainda se resumia a pequenas tarefas secundárias. Grayson não queria fazer nada além daquilo de qualquer forma, então não se importou. O interesse dele estava em um lugar totalmente diferente.
— Ezra.
Ao ser chamado, Ezra virou a cabeça. Grayson permaneceu onde estava e abriu a boca:
— Tem uma coisa que eu queria te perguntar.
— O que é?
Ezra piscou, parecendo confuso. Grayson sorriu para ele, daquela forma que a maioria das pessoas faria em uma situação assim.
Sentado de frente para Ezra no bar de sempre, Grayson observou os olhos do colega se arregalarem ao receber o presente.
— I-Isso aqui… não é de verdade, é?
Ao vê-lo gaguejar de surpresa, Grayson disse outra coisa em vez de responder:
— Me desculpa por não ter conseguido ir à festa de aniversário da sua filha. Senti que devia te dar um presente.
— Não, se você teve seus imprevistos, não tinha jeito… Mas mais do que isso, isso é real? Um diamante de verdade?
Ezra segurava a pulseira na mão, virando-a de um lado para o outro contra a luz, quase sem fôlego. Era como se ele nunca tivesse visto uma joia daquelas na vida.
Atendendo a um pedido de Grayson para conversarem um pouco, eles tinham ido juntos ao bar após o expediente. Lá, Grayson entregou o urso de pelúcia e a pulseira que havia preparado da outra vez.
Quando Ezra viu o urso de pelúcia primeiro, soltou uma gargalhada calorosa e o aceitou alegremente, mas ao abrir a caixinha que o urso segurava, ficou tão chocado que perdeu o ar por um instante. Ele respirava de forma acelerada, como se estivesse tendo dificuldades para se acalmar. Só depois de esvaziar uma garrafa inteira de cerveja é que ele pareceu recuperar a compostura para falar com o homem à sua frente.
— C-Como você pôde, c-como pôde comprar uma c-coisa tão c-cara?
— Está tudo bem, custou 49 dólares.
— O quê?
Ezra, que vinha gaguejando como se estivesse prestes a desmaiar, pausou diante da voz calma de Grayson. Grayson apontou para a caixinha com um sorriso gentil. Só então Ezra checou o recibo lá dentro. Após confirmar o comprovante que dizia 49 dólares, exatamente como Grayson havia dito, ele finalmente pareceu aliviado, massageou o próprio peito e riu como de costume: — Alguém me belisca, hahahaha!
— Eu sabia, levei um baita susto. Eu sabia, ahaha.
Ezra repetia as mesmas palavras enquanto ria. Seu rosto mostrava alívio misturado a uma ponta de amargura. No exato momento em que ele se sentia aliviado e decepcionado ao mesmo tempo, Grayson disse:
— Parabéns pelo aniversário da sua filha.
— Obrigado.
Eles ergueram levemente as cervejas recém-pedidas para um brinde antes de tomarem um gole. Conforme a atmosfera ficava mais descontraída com conversas fiadas sem importância, Grayson tocou no assunto principal.
— Como é a família do Dane?
— Do Dane? — Ezra, repetindo o que Grayson dissera, inclinou a cabeça. — Eu não sei, ele não fala sobre si mesmo.
“Que droga”, Grayson lamentou internamente. Ele achou que esse cara teria muitas informações, mas será que estava errado?
No entanto, ele não tinha a menor intenção de desistir logo de cara. Havia uma infinidade de outros detalhes que Ezra talvez estivesse disposto a compartilhar.
— Você sabe por que ele se tornou bombeiro?
— Salário. — Ezra respondeu assim que a pergunta foi feita. “Sério?”, Grayson comentou, e logo emendou outra pergunta: — E o que mais?
— Seguro de vida. — Desta vez também, Ezra respondeu prontamente. — Eu já ouvi ele dizer antes que gosta de ser bombeiro porque é um emprego estável e paga bem.
Ezra, que havia fornecido uma informação bastante plausível, logo soltou uma gargalhada calorosa:
— O Dane sempre diz que odeia qualquer coisa que venha de graça.
Esperava-se que Grayson risse junto, mas ele não o fez. Ezra parou de rir e piscou diante da reação de Grayson, que o encarava com uma expressão fria e impassível, quase como uma máscara.
— Miller? O que foi?
Quando Ezra chamou seu nome, confuso, Grayson de repente abriu um sorriso. Como se nada tivesse acontecido.
— Entendi. Então o Dane gosta de dinheiro?
— Bom, dá para dizer que sim… — Após responder, Ezra coçou o queixo e refletiu por um momento, murmurando para si mesmo: — E talvez do Darling.
Grayson, que conseguiu pescar aquelas palavras em meio ao barulho do bar, franziu o cenho.
— Darling? Aquele gatinho feio?
Ezra pareceu surpreso com a pergunta de Grayson.
— Você viu o Darling? Como? O Dane não leva ninguém para a casa dele a menos que vá transar com a pessoa…
Logo em seguida, ele exibiu uma expressão de quem estava meio desconfiado, meio incrédulo. Imediatamente, Grayson balançou a cabeça e negou:
— Eu só vi por acaso. Não foi nada disso.
Ezra semifechou os olhos, desconfiado, e encarou Grayson. Grayson repetiu com um rosto sério:
— Não, com certeza não foi.
Apenas os dois sabiam que Grayson já havia transado com Dane. Ele não tinha a menor intenção de revelar isso a ninguém, e jamais o faria. E era verdade que Grayson nunca tinha pisado na casa de Dane.
Ezra, que ficou fitando Grayson sem dizer uma palavra diante das repetidas negações, de repente desviou o olhar.
— É, até porque você não faz nem um pouco o tipo do Dane. — Ezra riu enquanto levava a cerveja aos lábios. Grayson também devolveu o sorriso, mas seus olhos continuavam rigidamente frios.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello