Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 75
Capítulo 75
Bum, outro estrondo ecoou. Dane olhou para cima, ansioso, na direção da fumaça. Fosse uma bomba detonando dentro do prédio ou não, a segunda coluna de fumaça subia exatamente do mesmo edifício. Pessoas que trabalhavam ali, não muito longe da rua movimentada, foram vistas correndo para fora, cobrindo a boca com lenços ou agasalhos. Dane ligou imediatamente para o corpo de bombeiros.
— Há explosivos aqui, por favor, enviem socorro imediatamente. O endereço é…
Em seguida, ele solicitou o envio de um esquadrão especializado em desativação de artefatos explosivos, prevendo a possibilidade de haver mais bombas, e desligou o telefone logo em seguida. Ele estava prestes a correr para dentro do prédio quando, de repente, alguém agarrou seu braço por trás. Pego de surpresa por aquela força bruta, Dane tropeçou e foi arrastado. Ele virou a cabeça, com o rosto se contorcendo. Um homem de rosto pálido respirava pesadamente enquanto olhava para ele de cima.
— O que você está fazendo? Ficou maluco?
Dane franziu o cenho ao encarar o rosto de Grayson Miller. O que diabos aquele homem pensava que estava fazendo?
— Me solta.
Ele tentou puxar o braço para se livrar da mão que o segurava, mas não adiantou. Após golpear o ar com o braço várias vezes sem sucesso, Dane não conseguiu esconder a irritação e cuspiu as palavras com rispidez:
— Eu mandei soltar! O que você está fazendo?
— O que você está fazendo! — Grayson gritou. Dane estacou, com os ouvidos zumbindo por um instante. Esse moleque maluco…? Bem quando estava prestes a abrir a boca, desacreditado, Grayson continuou rapidamente: — Tem explosivos ali dentro, você não sabe o que pode acontecer se entrar agora! O que você tem na cabeça?
O rosto dele estava mortalmente pálido, como se Dane estivesse prestes a ser pego por uma explosão e despedaçado bem diante de seus olhos.
Dane, que vinha observando Grayson em silêncio, abriu a boca:
— Alguém tem que fazer isso.
— Por que você tem que fazer isso? Um especialista em explosivos vai chegar logo, você só precisa esperar…
— Eu preciso ir. — Dane cortou as palavras de Grayson, que saíam em uma enxurrada rápida. Grayson pausou por um momento.
— O quê?
Após um instante de silêncio, Dane abriu a boca em resposta à pergunta:
— Eu também já lidei com desativação de explosivos. Fiz isso várias vezes quando estava no exército. Então me solta, é o meu trabalho.
Ele tentou puxar a mão daquela vez, mas Grayson apertou seu braço com ainda mais força. O rosto de Dane se contorceu de dor, fazendo Grayson hesitar por um segundo, mas ele não afrouxou o aperto.
— Por que tem que ser você?
Ele não conseguia entender aquilo de jeito nenhum. Como poderia? Mesmo agora, explosões ainda podiam ser ouvidas e as chamas estavam subindo, e ele ia entrar lá de mãos vazias? Sozinho?
— Por que tem que ser você? Você pode morrer! — ele repetiu, mas não houve nenhuma mudança na expressão de Dane. Grayson sentiu-se um tanto derrotado pelo olhar que simplesmente o encarava, como se perguntasse o que ele estava tentando dizer. — Você não tem medo de morrer?
Dane respondeu calmamente à pergunta hesitante:
— Eu tenho.
— Mas por que…!
Grayson, que estava prestes a pressioná-lo de novo, cobriu o rosto com a mão livre, soltando um suspiro. Ele não sabia o que estava acontecendo. Dane, que estivera observando o Grayson confuso em silêncio, abriu a boca:
— Você tem uma família grande, não tem?
—…Seis irmãos — Grayson respondeu, relutante. Qual era o sentido daquela pergunta? O rosto de Dane entrou em seu campo de visão enquanto ele refletia. Um sorriso muito sutil surgiu na fisionomia dele, que parecera tão apática até então. Dane sussurrou para Grayson, que estava estupefato e o encarava surpreso: — Estou fazendo isso porque alguém como você não deve morrer.
Grayson não conseguia nem piscar agora. Dane removeu gentilmente a mão dele, que havia ficado rígida como se sua alma tivesse deixado o corpo. Desta vez, Dane se libertou da mão dele facilmente e sorriu. Um sorriso pacífico que Grayson nunca vira antes. Ele acrescentou uma última coisa para Grayson, que ainda estava em transe:
— Está tudo bem, porque eu sou sozinho.
— Da…
Grayson tentou chamar o nome dele tardiamente, mas ele já havia se virado. Grayson não conseguiu mais segurar Dane, que desapareceu para dentro do edifício em um piscar de olhos.
Explosões continuavam a ser ouvidas. Era impossível distinguir o que era o som de uma bomba detonando e o que era o som do prédio desabando. Grayson apenas ficou ali parado, chocado, ouvindo o rugido sinistro misturado aos gritos das pessoas.
O que tinha acontecido?
Ele tentou organizar seus pensamentos, mas era impossível. Sua mente estava uma confusão generalizada, e ele não conseguia fazer um julgamento adequado. O céu, borrado pela fumaça, tornava a passagem do tempo incerta. Ele sequer sabia dizer por quanto tempo tinha ficado ali parado. Estava apenas assistindo. Pessoas de uniforme correndo de um lado para o outro com urgência, pessoas gritando enquanto iam e vinham.
…E Dane Striker, que ainda não havia saído.
Como ele conseguia fazer uma coisa dessas?
Não importava o quanto pensasse a respeito, ele não conseguia compreender. Ele sabia que podia morrer, mas entrou mesmo assim? Voluntariamente?
Além do mais, ele nem estava de plantão. Não era uma situação em que ele fosse obrigado a entrar por causa do trabalho, e ele estava arriscando a vida daquela forma por nada? Por quê?
Essa era a segunda vez que ele presenciava algo assim. Joshua Bailey havia arriscado a vida pelo irmão mais novo de Grayson, Chase. Mesmo sem haver nenhuma garantia.
Mas eles eram amantes. Se eles estavam dispostos a dar a vida um pelo outro, exatamente como o amor que Grayson havia imaginado, era possível aceitar, mesmo que fosse um exagero. Claro, isso não significava que ele compreendia.
Mas o caso de Dane era completamente diferente. Não havia nenhum amante de Dane lá dentro. Nem mesmo alguém que ele conhecesse. Ele estava entrando naquele prédio por um completo estranho? Arriscando a própria vida?
“Isso é ridículo, não pode ser…”
Grayson continuava confuso e apenas observava o prédio em chamas. A fumaça preta transformou-se em uma enorme nuvem escura, cobrindo o céu inteiro.
Foi mais ou menos algumas horas mais tarde que Dane saiu do edifício. Ele estava coberto de fuligem preta e seus cabelos estavam até chamuscados; ele arfava enquanto era ajudado a sair por outro bombeiro, mas, felizmente, estava ileso.
— Ainda bem que não havia mais bombas — Ezra disse em um tom de leve bronca. — O que você tinha na cabeça para sair correndo para lá de uma vez? O que você podia fazer de mãos vazias?
Dane respondeu à pergunta óbvia com indiferença:
— Há escritórios ali, então eu podia achar um estilete ou outras ferramentas e, se tudo desse errado, eu podia ajudar dizendo a eles a localização da bomba.
— Para de fazer coisas perigosas. — Ezra deu um tapa barulhento nas costas dele, colocou Dane na parte de trás da ambulância e voltou correndo. Dane, deixado sozinho, tossia de vez em quando e bebia a água que o paramédico lhe dera. Sentou-se ali, hidratando constantemente a garganta ressecada. Ele terminou uma garrafa e estava prestes a abrir a próxima quando uma sombra caiu sobre sua cabeça. Dane olhou para cima e soltou uma risadinha abafada:
— Você ainda não foi embora?
Grayson olhava para Dane de cima com o rosto sem expressão. Era uma reação muito estranha, considerando que ele estava sempre sorrindo de forma ridícula. Grayson, que estivera em silêncio por um tempo, abriu a boca devagar para Dane, que piscava intrigado:
—…Você estragou o meu encontro.
Dane sentiu algo estranho com aquela voz baixa, que era tão diferente dos gritos ásperos que ouvira mais cedo.
— Ah, é. Foi mal. — Ele pediu desculpas prontamente, como sempre, e depois sorriu com desdém. — Vamos marcar de novo. Quando a gente faz isso?
Grayson ficou em silêncio novamente. O que ele estava pensando? Dane de repente se deu conta. Será que Grayson Miller era um homem tão indecifrável assim?
—…Depois — Grayson abriu a boca após um longo tempo. — Depois, quando eu quiser.
Não era uma promessa difícil de se fazer. Dane deu de ombros e respondeu:
— Como você quiser.
Grayson encarou Dane de cima por um tempo e, em seguida, deu as costas. Ele se afastou, caminhando a passos lentos e pesados. Dane observou a silhueta dele se distanciar com um olhar vago, depois desviou os olhos e bebeu a água. O sol estava se pondo além da fumaça preta.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello