Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 33
Capítulo 33
Ao se lembrar das palavras da pessoa que o levara a se meter nessa enrascada ridícula, uma risada debochada escapou de seus lábios. Não era nada demais. Os xamãs sempre enganam as pessoas com idiotices.
— Fogo… Não estava totalmente errado.
Grayson estreitou os olhos e refletiu. “Vou reduzir aquele adivinho a cinzas”, pensou.
*
Ao chegarem à cena, uma espessa coluna de fumaça preta subia em direção ao céu, cobrindo-o por completo. Assim que o veículo parou, eles desceram rapidamente para avaliar a situação com os próprios olhos.
— Caramba, que merda.
Alguém soltou um xingamento que pareceu mais um suspiro frustrado. E não era para menos: o incêndio tinha tomado proporções muito maiores do que o relatado inicialmente. A casa onde o fogo começara já estava completamente consumida, e as chamas haviam se espalhado para mais três casas de cada lado. Wilkins gritou para as pessoas que, a certa distância, observavam as chamas preocupadas:
— Tem algum dono destas casas aqui? Não tem ninguém?
Era provável que a maioria estivesse no trabalho àquela hora, deixando as casas vazias. Ao ver que ninguém respondia, Wilkins apressou-se a inspecionar a cena do incêndio. Enquanto isso, os bombeiros sob o seu comando moviam-se com precisão militar, pegando e preparando os equipamentos antes de correrem em direção às chamas. Grayson observava tudo como se fosse um espectador alheio, porque, na verdade, ele era. Não tinha a menor intenção de se envolver e correr feito um idiota.
— Miller, ei! Vem cá!
Wilkins, que já tinha avaliado a situação e estava distribuindo ordens a torto e a direito, de repente chamou Grayson. No meio do vaivém das pessoas, ele continuava parado tranquilamente, sem se abalar com o chamado.
— O que foi?
Wilkins sentiu a raiva ferver por dentro, mas se conteve. Apagar o fogo era a prioridade.
— Temos que criar uma linha de contenção para evitar que as chamas se propaguem. Você vai cuidar desta área, daqui até aqui.
Em vez de responder, Grayson franziu o cenho. “Criar uma linha de contenção…” Ele nem sequer tinha ouvido esse termo antes. Ao vê-lo ficar parado, olhando sem fazer nada, Wilkins soltou um suspiro profundo em vez de se enfurecer. Em seguida, pegou Grayson pelo braço e o levou de volta ao local.
— Olha, daqui até aqui, você deve remover tudo o que possa propagar o fogo. Isso inclui eletrodomésticos ou qualquer objeto perigoso. Entendeu?
Wilkins, explicando com palavras tão simples como se estivesse falando com uma criança pequena, olhou diretamente nos olhos de Grayson e fez a pergunta. Até aquele momento, Grayson tinha permanecido em silêncio. Ele olhou primeiro para o lado, depois para o chão, coçou a nuca e, finalmente, soltou um suspiro de tédio. Felizmente, sem dizer nada, começou a se mexer. Wilkins, ao vê-lo, sentiu-se um pouco aliviado. Em uma situação onde toda ajuda era necessária, aquilo era um pequeno consolo. Logo depois, Wilkins virou-se para avaliar a cena.
Por todos os lados ecoavam os barulhos de casas desabando, o estrépito da água caindo, o burburinho da multidão e o zumbido irritante de vários equipamentos. Ele passou por DeAndre, que segurava uma motosserra e cortava a porta de uma garagem, e dirigiu-se rapidamente para a próxima casa em chamas. Enquanto caminhava, gritava ordens sem parar:
— Sobe! Levanta a mangueira mais alto! Joga a água para cima! Mais alto, mais!
— O segundo andar já foi consumido? Ah, não, o teto está completamente queimado.
— Quem entrou lá dentro? … Certo, ninguém foi encontrado ainda? Muito bem, continuem procurando.
Às vezes apontava coisas que precisavam ser corrigidas, outras vezes oferecia palavras de incentivo, comandando a cena com firmeza. Depois de dar uma volta, retornou para perto de Grayson.
— Oh.
Para sua surpresa, Grayson tinha completado a tarefa com perfeição. Embora pudesse parecer algo tão simples quanto mover e organizar coisas, como costuma acontecer, a primeira vez que alguém faz raramente dá certo. Por isso, Wilkins estava preparado para o pior, mas, ao ver a linha de contenção perfeitamente organizada, sua opinião sobre o homem mudou um pouco.
— Bom trabalho, você não é nada mau nisso.
Ele deu uns tapinhas no braço dele e fez menção de sair, mas, naquele momento, viu um funcionário tentando entrar na casa. Instantaneamente, franziu o cenho.
— Dane! Dane Striker!
Ao ouvir seu nome, Dane, que carregava uma mangueira e se dirigia para o interior, parou e o olhou. Wilkins aproximou-se rapidamente e perguntou:
— Você vai entrar sozinho? Não tem mais ninguém com você?
— Como pode ver, não.
Ele respondeu com a mesma indiferença de sempre. No meio de um incêndio daquele tamanho, todos estavam no limite de suas forças, esforçando-se ao máximo nas tarefas designadas.
— Logo vai chegar o reforço de outro quartel de bombeiros. Entraremos juntos, está bem? É perigoso entrar sozinho…
Foi bem nesse momento.
— Aaah! Aaah!
De repente, um homem gritou desesperado e tentou correr em direção à casa em chamas. Dane o segurou rapidamente, mas o homem, sem se importar, continuou debatendo-se.
— Não, Charlie! Charlie!
Chorando aos prantos e repetindo aquele nome várias vezes, sua expressão desesperada fez com que Wilkins se apressasse em perguntar:
— O que está acontecendo? O senhor é o dono desta casa?
Com um tom calmo, mas urgente, o homem assentiu entre lágrimas. Wilkins continuou interrogando:
— Meu nome é Darius Wilkins. Como o senhor se chama? … Muito bem, George Wright. O senhor mora sozinho? Não tem mais familiares?
— O Charlie, o Charlie está lá dentro, o Charlie…
— Acalme-se, nós vamos ajudar… Quem é o Charlie? Ele está dentro da casa agora?
O homem, soluçando, assentiu repetidamente.
— O Charlie sempre me espera sozinho, e agora mesmo ele deve estar lá dentro, me esperando. Me solta, me deixa ir! Eu tenho que salvar o Charlie! Charlie!
— Entendido, entendido! Eu disse para se acalmar!
Wilkins o conteve com uma voz mais firme do que antes. Observou por um momento o homem que, dominado pela impotência, apenas chorava. Depois, voltou a perguntar:
— Quantos anos o Charlie tem? É sua esposa? Ou seu parceiro?
— Doze… doze anos… loiro, muito lindo…
— Ah, é o seu filho.
O homem, sufocado pelo choro, não conseguia articular bem as palavras, então Wilkins interveio para ajudá-lo. Entre soluços, o homem balançou a cabeça negativamente.
— É um cachorro… O Charlie é um cachorro…
Dane e Wilkins trocaram um olhar rápido. Logo souberam que Charlie era um golden retriever.
— E mais alguma coisa? Existe a possibilidade de ter mais alguém lá dentro?
O homem voltou a balançar la cabeça negativamente.
— O Charlie é a minha única família. Por favor, salvem ele… Ele é tudo o que eu tenho… Por favor…
O homem desabou no chão, chorando desconsoladamente. Wilkins deu uns tapinhas no ombro dele, tentando confortá-lo, e rapidamente deu uma olhada ao redor. Ainda não se via nenhum funcionário livre por perto. Só estava Grayson Miller, que parecia não servir para nada.
Quando Grayson e Wilkins cruzaram olhares, Grayson esboçou um sorriso. Era um sorriso vazio, um gesto mecânico, sem nenhum significado real. Wilkins franziu o cenho e desviou o olhar imediatamente. Voltou a procurar outra pessoa para entrar, mas não encontrou ninguém adequado.
— Isso é um problema… Não posso entrar sozinho.
As chamas já estavam grandes demais. Se ele inalasse fumaça ou algo desse errado, seria perigoso demais entrar sem alguém para lhe dar cobertura.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna