Deflower Me If You Can (Novel) - Extra 01
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 01
Bliss voltou.
Depois de encerrar a ligação com a mãe, Cassian desligou o telefone e conferiu novamente sua imagem no espelho. Por um momento, ele ficou parado ali sem se mover. Não, talvez fosse mais preciso dizer que não conseguia se mover. E não era à toa: o reflexo no espelho era ao mesmo tempo igual ao que ele via há mais de vinte anos e completamente diferente.
Olhos roxos. Cassian fechou os olhos lentamente e os abriu de novo. Mas nada mudou.
Foi então que um aroma estranho lhe atingiu a ponta do nariz.
Será que isso é feromônio? Era difícil de acreditar, mas a única pessoa no banheiro era Cassian. Ele precisava aceitar o fato de que tanto a imagem estranha no espelho quanto o dono daquele aroma que sentia pela primeira vez eram dele mesmo. Mesmo que ainda não sentisse a menor sensação de realidade.
Mas não havia tempo para se afundar em tal confusão. O sono voltou a cair sobre ele outra vez. Cassian cambaleou de volta para a cama e logo adormeceu como se tivesse desmaiado.
Depois de repetir várias vezes o ciclo de adormecer e acordar, seus olhos voltaram à cor original e o aroma de feromônio também desapareceu. Porém, as mudanças que ocorreram em seu corpo não sumiram.
A altura que ele achava que já tinha atingido seu máximo de repente aumentou 10 cm, e sua resistência física melhorou consideravelmente. Mesmo passando o dia inteiro cavalgando, dificilmente se cansava, e por mais que se esforçasse demais ou fosse submetido a ambientes severos, nunca pegava nem um resfriado comum. Mesmo bebendo a noite inteira, não ficava embriagado, e mesmo passando várias noites em claro por causa dos exames, não sentia fadiga.
Era a ponto de parecer que o próprio corpo havia evoluído um nível.
E como preço disso, terríveis dores de cabeça e insônia o atingiram.
· · ·
De algum lugar vem o canto dos pássaros. É o som que anuncia a manhã.
Cassian soltou um gemido prazeroso e se virou na cama, mas de repente parou. Um peso familiar se fez sentir na parte interna de seu braço. É claro que ele já sabia o que era. Com um sorriso leve, abriu os olhos e, como esperado, a cena prevista entrou em seu campo de visão.
“Grrh, grrhh.”
Bliss roncava, aninhado nos braços de Cassian. A presença do pequeno amante que passara a noite dormindo sobre seu braço fez seus lábios se desfazerem em um sorriso involuntário. Não havia mais a dolorosa dor de cabeça nem a insônia. Agora, ao seu lado, estava Bliss.
Observar aquele rosto adormecido por um tempo fez com que uma coceira tomasse conta dele. Cassian acabou não resistindo e sussurrou baixinho no ouvido de Bliss:
— Bliss, acorde.
— Grrh. Grrhh.
O que voltou foi apenas o som dos roncos. Deu-lhe vontade de fazer uma travessura só por fazer. Levantou a mão e apertou de leve o narizinho, e de repente tudo ao redor ficou silencioso. O som dos roncos cessou de repente, mas a paz não durou muito.
— Grhk.
Bliss soltou um som alto e jogou a cabeça bruscamente para trás. Com o rosto todo franzido, rangendo os dentes, ele voltou a mergulhar em sono profundo pouco depois. Ao ver aquilo, Cassian soltou um risinho abafado. Queria apreciar à vontade aquele rosto adormecido, mas não era fácil. As bochechas redondas e adoráveis, os lábios vermelhos entreabertos, o narizinho e até o pescoço longo — eram tantos pontos que atraíam seu olhar. Por fim, ele não resistiu e depositou beijos.
Estalando beijos, cobriu de beijos as bochechas, os lábios, o nariz e o queixo em sequência, e Bliss franziu as sobrancelhas novamente.
— Não faça isso.
Resmungou com a voz ainda cheia de sono, mas Cassian não deu atenção e continuou beijando.
— Falei para não fazer.
Com a pronúncia mais clara que antes, Bliss expressou sua recusa e se virou, agitando os braços. Mas Cassian não era do tipo que desistiria ali. Abraçando-o pela cintura por trás, ele alternou beijos entre a nuca, o pescoço e os ombros, e por fim toda a pouca paciência de Bliss se esgotou completamente.
— Ah, sério.
Quando ele se virou de repente com irritação, Cassian não perdeu a oportunidade e uniu seus lábios aos dele. Da boca que se abrira toda para protestar, em vez de palavras, escapou um som suave de fricção. Com os olhos já fechados, Bliss gemeu baixinho e respondeu ao beijo com empenho.
Aquela visão era tão, tão adorável que Cassian acabou o apertando com força.
— Uuun.
Bliss soltou um gemido de desconforto. Só então Cassian se assustou e afrouxou a força dos braços, mas não o soltou completamente do abraço. Segurando frouxamente aquele corpo quente e aquecido pelo sono, ele beijou-o suavemente de novo e pensou:
Uma manhã perfeita.
· · ·
— Não é suficiente.
Diante da declaração de Bliss, que falava com o rosto todo inchado, Penelope, que estava baixando a xícara, virou-se surpresa para ele, e Cassian, que tomava chá, também parou seu movimento e fitou Bliss. Mesmo recebendo dois pares de olhares sobre si, a reação de Bliss não mudou em nada. Pelo contrário, com as bochechas ainda mais infladas, como se a insatisfação tivesse aumentado, Cassian baixou silenciosamente a xícara que levava à boca.
— O que é?
Diante da pergunta calma que se seguiu, Penelope, sem saber o que fazer, observava os dois com o olhar. Deveria parar de servir o café da manhã aqui e se retirar para que o casal de senhores tivesse uma conversa séria? Sem dar atenção à Penelope, que rolava os olhos sem parar tentando captar o clima, Bliss respondeu:
— Não é suficiente. Sério.
Como a resposta ainda não esclarecia nada, a testa de Cassian se franziu levemente.
— Então o que é?
Olhando diretamente para Cassian, que perguntava novamente, Bliss finalmente deu sua resposta:
— Não estamos nem um pouco preparados para receber um bebê.
Diante dessas palavras, Cassian ficou pensativo por um momento com o rosto sério. As montanhas de presentes enviados pelo casal ducal, a quantidade enorme de coisas vindas da família Miller, e ainda todo tipo de quinquilharias que ele e Bliss compraram pessoalmente. Depois de contar tudo mentalmente, um por um, Cassian abriu a boca lentamente.
— Parece que ainda havia algo que não compramos.
Dito isso, ele pensou que já era como se tivessem comprado uma cidade inteira para a criança, mas se Bliss dizia que era insuficiente, então era.
— Certo, vamos sair à tarde para comprar.
Pensou que isso resolveria, mas estava completamente errado. As bochechas de Bliss se inflaram novamente e ele finalmente explodiu sua insatisfação, como se estivesse sufocado.
— Não é isso, não é! Estou dizendo que nós não estamos preparados!
Só então os olhos de Cassian se arregalaram e ele levantou uma das mãos. Diante do sinal silencioso para se retirar, Penelope rapidamente se afastou. Com a porta fechada e os dois sozinhos, Cassian abriu a boca:
— Certo, Bliss. Agora me diga. O que mais precisamos fazer?
Era um tom mais baixo e calmo que o habitual. Só depois de confirmar que Cassian estava levando suas palavras a sério é que os olhos de Bliss brilharam. Era algo sobre o qual ele havia pensado e repensado durante os últimos dias.
— Papai, precisamos praticar para ser o daddy.
Cassian não entendeu aquilo de início. Depois de alguns segundos de silêncio, uma sobrancelha se ergueu lentamente.
— Praticar?
— Isso.
Bliss assentiu com força.
— Para sermos um bom papai e um bom daddy, precisamos praticar. Nem você nem eu temos experiência, certo?
Ao dizer isso, Bliss de repente se assustou e arregalou os olhos.
— Será que você…
— Não se preocupe. Não tenho filhos escondidos, Bliss.
Cassian, que agora já conseguia ler razoavelmente os pensamentos de Bliss, interrompeu calmamente, e Bliss soltou um suspiro de alívio. Então não havia mais problema.
Ele olhou para Cassian novamente com uma expressão determinada.
— Precisamos praticar.
Cassian entrelaçou as mãos e as apoiou confortavelmente sobre a barriga, recostando-se no encosto.
— Certo, como?
Assim que a pergunta silenciosa caiu, a boca de Bliss se abriu num sorriso largo. Hahaha, com aquele rosto maligno sorrindo, Cassian hesitou por um instante.
— Já pensei em tudo.
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello