Deflower Me If You Can (Novel) - Extra 02
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 02
Saindo da sala de café da manhã, Bliss, de mãos dadas com Cassian, dirigiu-se diretamente ao quarto das crianças. Naquele lugar repleto de presentes recebidos das duas famílias e de coisas que os dois compraram pessoalmente, não faltava nada. Exceto as crianças que seriam os donos do quarto.
— Pronto, senta aí.
Bliss, que subiu primeiro no sofá fofinho que escolhera depois de testar deitando-se nele, bateu de leve no assento ao seu lado. Cassian, que se sentou ao lado conforme ordenado, logo foi puxado pelo ombro em direção a Bliss. Sem entender nada, ele se entregou, e sua cabeça já estava sobre a coxa de Bliss. Cassian engoliu a curiosidade e se deitou obedientemente no sofá, olhando para Bliss de baixo para cima.
— Agora está bom.
Bliss sorriu abertamente, olhando para ele de cima, que ainda não compreendia a situação.
— Vamos, bebê. Chame o daddy.
2.
Um silêncio constrangedor se instalou. Cassian fitou Bliss sem nem piscar. Que situação é essa agora? Será que ele está querendo organizar uma festa surpresa? Não sei qual é o objetivo da festa, mas se for Bliss, ele teria inventado qualquer desculpa.
Mas de lugar nenhum se ouvia som de fogos ou gritos de comemoração. Na sala repleta de silêncio, Cassian, deitado sobre a coxa de Bliss, rolou os olhos para o lado e os fixou novamente em Bliss.
— …Não estou entendendo.
Ele forçou um sorriso ao dizer isso, mas a expressão de Bliss, que ria tanto, logo se endureceu em mau humor.
— Eu disse que precisamos praticar, ainda não entendeu?
Não, será que… Ele pensou que não seria possível.
Mas o rosto severo dizia que ele precisava aceitar a realidade que negava com todas as forças. Por fim, Cassian abriu a boca a contragosto.
— Tá, mas por que eu sou o bebê? Podíamos praticar com uma boneca.
Não é natural pensar assim? Mas o fato é que quem estava deitado ali era o próprio Cassian.
Se fosse Bliss, ele poderia pensar assim.
Cassian, que aceitou isso naturalmente, logo caiu em si e negou o fato.
Não, não posso pensar assim.
Ele tentou corrigir a situação enquanto havia tempo, mas o pensamento de Bliss era diferente.
— Bonecas não reagem. Tem que ser de verdade para a prática funcionar.
Diante da atitude firme, Cassian ficou sem palavras de tão incrédulo. Abriu e fechou a boca várias vezes, mas acabou se calando, sem intenção de aceitar a situação de bom grado. Tentou corrigir naquele momento, mas antes que pudesse reagir, a prática já havia começado.
— Vamos, bebê. Nana neném.
Com a mão acariciando o peito e as palavras para acalmar a criança, Cassian se assustou.
— Espera, Bliss, para.
— Deita.
Ele tentou se levantar às pressas, mas Bliss o pressionou. Cassian imediatamente afastou aquela mão e se sentou rapidamente no sofá. Recebendo invariavelmente o olhar de censura, ele falou com a voz o mais calma possível.
— Bliss, isso… não é um método muito bom.
Cassian precisou de uma pausa para encontrar outra expressão em vez da palavra “idiota”. Continuou persuadindo com o tom mais eufêmico possível, voltado para Bliss, que ainda arregalava os olhos.
— Vamos contratar alguém com experiência para cuidar do bebê. Podemos aprender aos poucos na hora, não é tarde, Bliss. Nem precisa aprender, você só precisa amar o bebê, isso basta. Não precisa ficar tão ansioso desde já, entendeu?
— Precisa, com certeza.
Apesar da explicação tão paciente, a teimosia de Bliss não se quebrou. Vendo o rosto inflado sem sinal de recuar, um suspiro escapou naturalmente. Cassian fechou a boca com força, respirou fundo e perguntou, com um compasso de atraso.
— Por que você começou a pensar assim? De repente.
Ao lançar a pergunta fundamental, Bliss tensionou a mandíbula. Vendo os olhos rolando de leve, sentiu uma sensação estranha. Era claramente uma reação de quem escondia algo, mas Cassian não deixou passar.
— Bliss.
Chamando o nome, segurou sua mão suavemente. Ele se assustou e virou os olhos para o rosto de Cassian, que sorriu com carinho ao encontrar seu olhar.
— Me conta, está tudo bem.
Cassian, que beijou as costas da mão como se encorajasse, sorriu suavemente de novo. Então a expressão teimosa desapareceu e só restou um rosto meio vazio. Nos grandes olhos, Cassian, sorrindo afetuosamente, estava totalmente refletido.
Bliss, que ficou olhando para aquela imagem por um tempo, absorto, voltou a si com um “ah” e rolou os olhos nervosamente. A resposta não saiu facilmente, mas Cassian esperou em silêncio. Bliss, que hesitou por um longo tempo com a cabeça baixa, finalmente soltou um suspiro e abriu a boca.
— Eu… quero ser um bom pai como o daddy e o papai.
Então essa tal prática… Não fazia sentido, mas era uma ideia típica de Bliss, e Cassian aceitou com leveza.
— Você vai ser, nem precisa praticar.
Mesmo assim, o rosto amuado não mudou nada. Só então Cassian percebeu que a situação era mais séria do que pensava.
— Tem alguma coisa te preocupando?
Diante da nova pergunta, Bliss espiou Cassian como se hesitasse. Depois de muito relutar e olhar de soslaio, finalmente desabafou sua preocupação.
— E se os bebês ficarem burros porque puxaram a mim?
Cassian hesitou. Bliss continuou murmurando com a voz toda desanimada.
— Não posso nascer assim, não é? Vão precisar herdar o condado, então têm que ser inteligentes. Senão o duque e a duquesa também vão se decepcionar…
O papai e o daddy provavelmente não se importariam, acrescentou baixinho, e Cassian o olhou de cima com um sentimento complexo.
Então Bliss estava com esse tipo de preocupação.
Ele sempre pensou que Bliss vivia alegremente sem pensar em nada, mas era algo que nunca imaginou. Talvez esse tipo de preocupação de Bliss fosse natural. Tanto vir para a Inglaterra quanto ter um bebê eram coisas totalmente novas e assustadoras, e ele não considerou nem um pouco esses sentimentos, apenas julgou que Bliss estava vivendo bem, sem pensar em nada.
A culpa é minha.
Ele reconheceu prontamente seu erro. Bliss acabou de se tornar adulto. Um sujeito que só cresceu em idade sem saber nada do mundo, que até engravidou, e ainda teve que deixar o país onde nasceu e cresceu para se adaptar a um ambiente estranho — quantas preocupações ele não teve?
Elogiando a si mesmo por ter sido realmente sábio em não usar a palavra “idiota” antes, ele observou Bliss com cuidado. Vendo-o suspirar fundo e ficar abatido, não teve escolha senão falar com cautela.
— Bliss, você não é burro. Você só é excêntrico… Muito… Um pouquinho.
Escolheu as palavras com cuidado, mas a cabeça de Bliss ainda não se levantou. Cassian quebrou a cabeça mais do que nunca para encontrar palavras para consolá-lo, mas simplesmente nada lhe vinha à mente. O que fazer, o que dizer? Uma história que agradasse Bliss, um assunto que melhorasse o humor de Bliss, Bliss…
É isso.
Com o pensamento que lhe veio de repente, seus dois olhos brilharam. Houve uma breve hesitação antes de passar à ação, mas não foi longa. Diante do Bliss à sua frente, seu orgulho parecia totalmente inútil.
E ele, sem mais delongas, deitou a cabeça de repente na coxa de Bliss.
— Ca-Cassian? O que é isso?
Bliss gritou, surpreso com a ação inesperada. Para ele, que o olhava de cima com os olhos arregalados, Cassian respondeu com um sorriso tranquilo.
— Você tem razão, vamos praticar.
Bliss apenas continuou olhando para ele com os olhos bem abertos. Olhando para ele de baixo para cima, Cassian continuou calmamente.
— Temos que ser bons papais e daddies para os bebês. Nós dois não temos experiência, então praticar vai ajudar, não é?
Ao acrescentar um sorriso como se confirmasse, as duas bochechas de Bliss, que o olhava fixamente, foram se corando lentamente. Só com essa reação, Cassian teve certeza de que seu julgamento estava certo. A resposta que ele encontrou para animar Bliss foi esta.
Acompanhar o nível de Bliss, não, o pensamento de Bliss.
Como se provasse essa convicção, Bliss assentiu com o rosto corado, dizendo “hum”.
— Hehe.
Vendo o rosto que logo se animou, sem saber o que fazer de tão feliz, um sorriso surgiu naturalmente nos lábios de Cassian. Ver alguém que expressa suas emoções com sinceridade faz perceber o que é ser adorável. Junto com o pensamento de que, por Bliss, ele poderia facilmente arrancar o próprio coração.
Imitar um bebê é nojento, mas não é muito mais fácil do que arrancar o coração?
Basta controlar o estômago, é simples. Com o coração firme, Cassian falou.
— Então, como faço? Só preciso ficar deitado?
A ordem que voltou foi firme.
— Chame-me de daddy.
Talvez fosse melhor arrancar o coração, Cassian considerou seriamente por um breve momento.
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello