Define The Relationship (Novel) - Capítulo 46
Capítulo 46
Conforme a festa começava, uma procissão de carros se alinhava na entrada principal. Os convidados começaram a chegar um a um, cerca de quarenta pessoas no total. Era uma reunião exclusiva, frequentada apenas por associados próximos, e com o discurso de abertura de Alice, o evento começou com um ar sofisticado.
Para aqueles que terminaram de jantar cedo, o andar superior foi preparado com distrações: mesas de pôquer e xadrez para apostas, junto com charutos e uma seleção de finos licores. Após inspecionar cada detalhe para garantir que tudo estava em ordem, Karlyle colocou um sorriso educado e começou a cumprimentar os membros da família Stewart à medida que chegavam. Quando Joel finalmente entrou, seus olhos se cruzaram, e Karlyle estendeu a mão em cumprimento. Um aroma doce e perfumado flutuou em sua direção: os feromônios de um ômega destinados a atrair um alfa. Sem dúvida, seu próprio aroma transmitiria uma atração semelhante para Joel.
Mas no momento em que Karlyle inalou aquele aroma, uma imagem vívida de seu futuro se materializou diante dele: ele acariciando Joel com ternura, dedicando-se a realizar seus desejos e, inevitavelmente, gerando uma família para dar continuidade à linhagem. Era uma vida inteira dedicada obedientemente a Joel e ao futuro deles juntos.
Fios de razão se emaranharam e se romperam na mente de Karlyle, enviando-o a um estado de pânico. A pressão sufocante e a aversão que ele sentia cada vez que dormia com um ômega laceravam seu cérebro como lâminas serrilhadas. Ele não conseguia fazer amor com Joel. Ele não conseguia se forçar a dormir com alguém que não amava. Ele simplesmente não conseguia.
Mantendo seu sorriso ensaiado, Karlyle mal conseguiu acompanhar os Stewarts até o salão de banquetes. Ele não devia parecer inadequado na frente dos convidados. Se ele conseguisse apenas ganhar um pouco mais de tempo, conseguiria se recompor.
Engolindo secretamente a náusea que subia por sua garganta, Karlyle pediu licença com uma compostura impecável. Ele nem sequer registrou os olhares preocupados de Alice e Jonathan queimando em suas costas enquanto saía.
Sua pele havia empalidecido, seu corpo estava frio e acinzentado como se o sangue tivesse congelado em suas veias. Pressionando uma mão contra a boca, Karlyle apressou-se pelo corredor, tremendo enquanto o suor frio se apegava à sua pele.
Seu estômago se contorceu em uma dor insuportável, como se suas entranhas estivessem sendo espremidas. Essa agonia indescritível e visceral, totalmente distante da dor de um corte ou de um osso quebrado, fez com que ele parasse.
Sua mão trêmula tateou em direção às costelas, pressionando firmemente abaixo da caixa torácica. Um grito ameaçou escapar, mas ele o sufocou. Ele se curvou, as pernas vacilando enquanto a tontura o dominava.
Só um momento… Se eu puder apenas descansar…
Enquanto estendia a mão em busca de algo para se apoiar, sua mão agarrou o vento. Sem nada para estabilizá-lo, seu corpo vacilante desabou. Ao mesmo tempo, uma voz chamou seu nome por trás. Algo sólido, alguém, o segurou antes que ele atingisse o chão. Ouvindo uma cacofonia de vozes, Karlyle sentiu sua visão girar descontroladamente. Então, seus olhos se fecharam.
Como uma lâmpada queimada piscando de volta à vida, a visão de Karlyle tremeluziu. Fragmentos de sua memória desconexa retornaram de uma só vez. Ele lutou para erguer suas pálpebras pesadas. Uma pontada de dor o atingiu por dentro, mas não era insuportável.
Virando a cabeça lentamente para avaliar os arredores, Karlyle exalou profundamente. Ele estava em um cômodo; uma sala de estar. Conforme mudou o corpo de posição, percebeu que estava deitado em um sofá.
— Karlyle.
Enquanto a voz suave chamava seu nome, uma sombra caiu sobre ele. Mesmo em seu torpor, ele reconheceu a silhueta imediatamente.
Era Ash.
A situação era difícil de processar. Karlyle sentiu uma pontada de desconforto. Inacreditavelmente, parecia que ele havia desmaiado.
Karlyle era tão inigualável em resistência quanto era em taciturnidade. O pensamento de que havia desabado não por uma doença grave, mas simplesmente por não conseguir controlar seu estresse, parecia humilhante.
Contudo, sua autocensura foi temporária, ofuscada pelo choque da presença de Ash no cômodo. Ele se lembrou de que alguém o havia segurado antes que caísse.
“Teria o sido Ash?”
Se sim, ele lhe devia agradecimentos, não importava o quanto tivesse tentado se distanciar e afastar Ash.
O som de passos o trouxe de volta aos seus sentidos. Um par de pernas longas surgiu à vista enquanto Ash se aproximava, puxando uma cadeira antes de se sentar calmamente.
Karlyle piscou, sua visão ficando mais nítida. Assim que ele reconheceu que era tarde demais para se retirar da situação, um leve desejo despertou dentro dele. Embora estivesse em pânico extremo antes, ele queria aproveitar esta oportunidade para contemplar Ash, para observar seu rosto mais um pouco antes de deixá-lo ir.
— Você está acordado agora? — Ash perguntou calmamente. Sua expressão estava contida, e seus olhos sérios pareciam um tanto sombrios.
Karlyle percebeu tardiamente que aquela era a sua primeira vez vendo Ash em trajes formais. O terno preto, de corte preciso e elegante, vestia perfeitamente bem, realçando seus traços que já eram impressionantes. No entanto, seu cabelo estava ligeiramente desalinhado.
Os feromônios sutis que pairavam no ar começaram a acalmar o estômago perturbado de Karlyle. Embora sua mente permanecesse uma bagunça emaranhada, seu corpo estava gradualmente se acalmando. Seu corpo, que havia ansiado infinitamente por Ash, acolheu os feromônios de alfa, que se dane o instinto natural.
À medida que seus sentidos retornavam lentamente, Karlyle percebeu vozes abafadas do lado de fora do cômodo. Ele as reconheceu como as de Luther e de sua mãe.
Quanto tempo havia se passado? Seus pensamentos lentamente se reorientaram para o presente.
O que estava acontecendo com o banquete? O que tinha acontecido com as negociações com os Stewarts? Quem o tinha visto desabar?
A ansiedade trouxe uma nova onda de dor ao seu estômago. Karlyle contraiu o rosto de leve, franzindo as sobrancelhas.
Ash percebeu imediatamente.
— Dói?
Sua voz estava cheia de preocupação e desamparo. O coração de Karlyle despencou, depois saltou rapidamente antes que sua mente pudesse intervir. Um calor cocego se espalhou pela nuca.
— …Estou bem — Karlyle respondeu com a voz rouca. Ouvindo-o finalmente responder, Ash soltou um suspiro silencioso de alívio. Ele olhou para ele com ternura, tão ternamente que Karlyle ficou em silêncio.
Assim que a tensão em seu corpo diminuiu brevemente, Karlyle sentiu cada fibra de seu ser ansiar por Ash. Foi preciso toda a sua força de vontade para fortalecer seu coração que amolecia, para forçar sua mente de volta à realidade.
— Quanto tempo fiquei inconsciente? — Karlyle perguntou.
— Cerca de trinta minutos — Ash respondeu, com os olhos nunca deixando o rosto de Karlyle. Karlyle notou uma leve contração nos dedos de Ash enquanto eles descansavam em seu colo, mas antes que Karlyle pudesse dizer qualquer outra coisa, Ash falou novamente.
0— Isso acontece com frequência?
Karlyle permaneceu em silêncio. Ele não tinha obrigação de responder às perguntas de Ash, mas o pensamento de ser cruel com Ash lhe causava uma dor visceral. Seu estômago se contraiu novamente, forçando-o a responder rudemente:
— Não. Peço desculpas por incomodar você.
Ash continuava tão atencioso como sempre. Sempre infalivelmente atencioso. Aquele que sempre falhava em corresponder às expectativas, que inclusive havia feito comentários duros mais cedo, era Karlyle. Uma corrente oculta de exaustão e aversão a si mesmo o sobrecarregava. Ele estava exausto. Ele não queria pensar.
— Por favor, não fique mal quando eu não estiver aqui — Ash disse suavemente.
Por um momento, a mente de Karlyle ficou em branco. No entanto, era impossível permanecer alheio. Ele se lembrou da afirmação anterior de Ash; de que as pessoas agem tolamente quando estão apaixonadas; bem como Ash que lhe tinha dito que tinha algo a dizer, o Ash que havia aberto a boca como se fosse se confessar para ele.
— Eu só… não quero que você se machuque. O pensamento faz meu coração doer. — A mão de Ash, que estava apoiada sobre os joelhos, estendeu-se em direção a Karlyle. Ela pausou pouco antes de poder tocar sua bochecha e recuou. Os olhos de Ash se encheram de lágrimas contidas enquanto ele perguntava timidamente:
— Posso tocar em você?
O pedido, feito com uma voz tão desesperada, ressoou com uma sinceridade tão crua que Karlyle foi dominado pelo surgimento de suas próprias emoções. Sua visão embaçou.
— Só uma vez — sussurrou Ash. — Por favor, deixe-me tocar em você só uma vez.
“Por que ele está fazendo isso?”
“Por que agora…?”
A garganta de Karlyle se fechou. Ele era quem buscava o toque de Ash; ele ansiava pela mão de Ash em sua cintura, pelo carinho da palma da mão de Ash contra sua bochecha, pelos braços de Ash que uma vez envolveram firmemente seu torso, pela pressão suave dos lábios de Ash…
Como Karlyle permaneceu em silêncio, a mão de Ash se aproximou de seu rosto, mas pouco antes de fazer contato, Karlyle recuou, inclinando-se para trás. A loucura teria sido mais fácil de suportar do que isso. Balançando a cabeça, Karlyle lutou contra a tentação esmagadora, sabendo com certeza que ele certamente desmoronaria no momento em que Ash o tocasse.
Ash recolheu a mão, um sorriso doloroso surgindo em seu rosto. Suprimindo o desejo selvagem de beijar os dedos longos de Ash com as pontas das unhas limpas e arredondadas, Karlyle estabilizou sua expressão de volta à neutralidade. — Por que… — ele perguntou, pausando por um momento antes de continuar. — Por que você está fazendo isso comigo?
Como não podia tocar Karlyle, Ash em vez disso colocou sua mão silenciosamente no sofá onde Karlyle estava deitado. Ele olhou para ele de cima, inabalável.
— Você vai ouvir se eu lhe disser? — A voz de Ash estava extremamente baixa.
“Eu admito. Talvez Ash…”
— Estou fazendo isso porque eu…
“… Ele realmente …”
— Eu amo você, Karlyle.
Karlyle inspirou bruscamente, sua compostura se fragmentando. Como uma pessoa atingida por um raio, ele mordeu o lábio com força, seus olhos se arregalando em choque. Aquilo não era um mal-entendido. Inacreditavelmente, Ash tinha acabado de dizer que o amava.
No momento em que ele compreendeu, uma enxurrada de emoções surgiu dentro dele. A primeira a atingi-lo foi a alegria; uma alegria profunda e avassaladora. Essa simples declaração de amor, uma frase que outros poderiam trocar casualmente, era de um valor incomensurável para Karlyle.
Mas essa alegria foi rapidamente ofuscada pela tristeza. Karlyle já havia expressado sua intenção de prosseguir com o noivado. Ele não podia, em sã consciência, romper esse plano e trazer desonra para sua família, nem mesmo por amor. Em meio à tristeza, um leve ressentimento se infiltrou nele.
Por que agora? Se isso tivesse acontecido um mês atrás, quando ele estava tolamente se entregando a sonhos de romance doces como açúcar, sem saber da dor e da perda que o aguardavam, Karlyle poderia ter sorrido em resposta à confissão de Ash. Ele teria sido incapaz de esconder sua felicidade avassaladora e teria aberto o mesmo sorriso espontâneo que Ash uma vez havia despertado nele.
Mas agora Karlyle conhecia a agonia da perda.
Sua determinação não havia vacilado. O amor de Ash era simplesmente volúvel demais. Ash era uma joia admirada e amada por muitos, um prêmio inalcançável para ele mesmo agora. As separações sempre vinham sem aviso, atingindo quando menos se esperava. Ele já podia sentir o peso monumental de uma decepção amorosa prestes a ricochetear.
Karlyle precisava de certeza absoluta de que Ash o amava como ele amava Ash. Ele já havia recebido a confissão, e as ações de Ash apoiavam essa afirmação, parecendo sinceras até mesmo para Karlyle, que sabia pouco sobre o amor. E, no entanto, ele não podia ter certeza. Karlyle havia presumido incorretamente inúmeras vezes antes, interpretando mal os pequenos atos de gentileza de Ash como algo muito mais doce. Por isso, temia estar julgando mal desta vez também.
Mesmo que as palavras de Ash fossem genuínas, mesmo que ele realmente estivesse falando sério, Karlyle não sentia que Ash o amava da maneira que Karlyle amava Ash.
O comportamento passado do homem perturbava Karlyle. Por que ele havia ignorado suas ligações? Por que havia afirmado que eles não eram nada um para o outro? E por que, só depois de um mês inteiro de silêncio, ele havia aparecido de repente com essa confissão? Suas perguntas eram intermináveis.
— Se você está simplesmente procurando alguém para… brincar por um curto período… — Karlyle hesitou. — Receio não ser um candidato adequado para esse tipo de acordo.
Era uma suposição absurda, mas talvez essa insistência fosse porque Ash havia gostado de dormir com ele. Não era implausível; Ash havia, às vezes, expressado atração física por ele. Ash olhou de volta para ele com olhos feridos.
— Não é isso que você significa para mim, Karlyle.
Percebendo a mágoa na voz de Ash, Karlyle estremeceu, fechando a boca para mal conseguir se impedir de pedir desculpas. Alguma parte dele, consumida pelo desespero, desejava que Ash se cansasse dele, que o afeto dele por Karlyle desaparecesse.
Mas Ash ainda não foi embora.
— Eu entendo que isso possa ser difícil de acreditar, mas eu realmente, sinceramente amo você, Karlyle.
Karlyle fechou os olhos. Ele achava sua situação tão deplorável que não conseguia sequer aceitar essa confissão. Pela primeira vez, um ressentimento por sua própria vida surgiu dentro dele. Como ele invejava uma vida na qual pudesse abraçar o amor de Ash sem hesitação.
Após um momento de silêncio, Karlyle abriu os olhos e encontrou o olhar de Ash. Os sussurros vindos de fora do cômodo haviam silenciado; agora, apenas suas respirações abafadas preenchiam a sala.
— Eu… — Erguendo uma mão até o rosto, Karlyle cobriu os olhos brevemente antes de deslizá-la para baixo com um suspiro. Não havia para onde fugir, nem restava qualquer força em seu corpo cansado para sequer tentar. Tanto sua mente quanto seu corpo estavam completamente exaustos. Em vez de recuar para o silêncio ou recorrer à evasão, Karlyle decidiu, finalmente, compartilhar uma fração de verdade com Ash. Foi uma escolha nascida da necessidade. Nada mais do que isso.
— Não estou em uma posição onde possa facilmente buscar um relacionamento com alguém — disse ele.
Infelizmente, essa era a realidade.
— Esta recepção de hoje à noite está sendo realizada para decidir meu futuro noivo. Se eu fosse… — Ele hesitou, seus lábios tremendo enquanto se forçava a continuar. — Aceitar sua confissão seria abandonar minhas obrigações, traindo a vida que vivi até agora.
Karlyle sabia que a maioria das pessoas não abordava relacionamentos dessa maneira, não os pesava contra o dever e a expectativa como ele fazia. A maioria simplesmente seguia seus corações, conhecia e amava e depois se separava. Mas Karlyle não era como a maioria das pessoas. Ele nunca tinha sido capaz de se tornar esse tipo de pessoa.
— Fazer isso, deixar tudo de lado para amar você…
Mesmo enquanto Karlyle falava, ele não conseguia se imaginar livre das correntes da obrigação. A coleira metafórica permanecia em seu pescoço, mas mesmo que fosse solta, ele não fugiria. Ele havia sido criado dessa forma, treinado para uma vida de submissão. Isso o fazia se sentir patético.
— Não acredito que seus sentimentos por mim sejam… tão profundos, Sr. Jones. Mesmo se os sentimentos de Ash fossem verdadeiros, Karlyle não acreditava que fosse digno de tais sentimentos. Se tanto, Ash já havia suportado provações demais por causa dele — lidando com Kyle, sendo reduzido a servir como um parceiro sexual temporário para alguém como Karlyle… Ash deve ter sofrido imensamente. Karlyle foi atingido mais uma vez por quão egoístas suas ações tinham sido desde que começara a se encontrar com Ash. E mesmo que eles levassem isso adiante, seu avô nunca…
— Isso não é verdade — respondeu Ash, sua voz firme permanecendo gentil e amorosa enquanto ele se recusava a ir embora mais uma vez.
Karlyle soltou uma risada baixa, seu rosto desprovido de qualquer humor.
— É mesmo?
— É. Eu entendo o quão importante o dia de hoje é. Eu sei que estou atrasado e que estou apenas incomodando você, mas, Karlyle… — A expressão de Ash suavizou. — Você está feliz?
Karlyle ficou em silêncio.
— Eu não estou — disse Ash com firmeza. — Sem você, Karlyle, eu não sou feliz. Eu vim aqui porque, se eu perder você assim, se eu estiver muito atrasado, vou me arrepender pelo resto da minha vida.
Mas as pessoas não podiam ser perpetuamente felizes. Assim como não podiam obter tudo, o mesmo se aplicava à felicidade.
— Não se pode ter tudo — murmurou Karlyle.
— Mas eu acredito que devemos fazer tudo o que pudermos para obter o que é mais precioso — respondeu Ash resolutamente. Mesmo em um momento como este, ele era deslumbrante.
Karlyle percebeu mais uma vez porque Ash era alguém destinado a ser amado. Ele era uma pessoa linda.
— Você acha que ainda me verá como seu mais amado, mesmo depois de muitos anos se passarem? — perguntou Karlyle.
Ash não sabia realmente o quão falho e inadequado Karlyle era como pessoa. Assim como Karlyle não entendia totalmente Ash, Ash não podia possivelmente entendê-lo. Tudo o que ele conseguia imaginar era Ash ficando desencantado com suas falhas à medida que se conhecessem melhor.
Ele ainda não podia ter certeza. Não podia ter certeza de que Ash ficaria ao seu lado para sempre. Karlyle sabia quão absurdo era esperar tais garantias sem um noivado formal, esperar um compromisso para a vida toda antes mesmo de um relacionamento ter começado. Era repugnante.
Ele sabia de tudo isso. E ainda assim… sem essa certeza, ele não conseguia se forçar a aceitar Ash sob nenhuma circunstância.
— Sim, Karlyle. — A voz de Ash era firme e inabalável.
Mais uma vez, Karlyle balançou a cabeça. Lentamente, ele se apoiou contra o sofá e se sentou, evitando deliberadamente o olhar de Ash.
— Acho isso difícil de acreditar.
— O que posso fazer para convencer você?
Se ele ao menos soubesse a resposta.
— Eu não sei — Karlyle admitiu. Seus sentimentos eram complexos demais. Ele se desprezava por ser incapaz de simplesmente dizer se gostava ou não das coisas pelas quais genuinamente se importava ou não. Era exaustivo.
— Há convidados esperando por mim. Eu me ausentei por muito tempo, então preciso voltar agora. Quanto à sua ajuda de mais cedo… Obrigado.
— Karlyle.
Ele balançou a cabeça firmemente.
— Eu preferiria não continuar esta conversa hoje.
— Então tudo bem se conversarmos na próxima vez?
Karlyle se levantou do sofá. Olhando para baixo em direção a Ash, ele deixou seus olhos se demorarem nele por um longo momento.
— Não acho que haverá uma próxima vez — disse ele, seu tom calmo, mas resoluto.
Agora Karlyle voltaria para o salão de banquetes. Assim que as discussões sobre o noivado estivessem finalizadas, não haveria mais volta, e ele nunca mais veria Ash. Ele tinha que evitar qualquer chance de outro encontro, não importava o que fosse preciso. Talvez fosse difícil no começo, mas em um ano, em dois anos, ou talvez antes de morrer, Karlyle poderia finalmente esquecer Ash.
Ash sorriu silenciosamente, seus olhos tingidos de tristeza enquanto fitava Karlyle. Então, com um leve balançar de cabeça, ele se levantou. A respiração de Karlyle falhou diante de sua aparência resignada.
Dado que era isso o que Karlyle pretendia, tal fim era apenas o esperado. Ainda assim, ele não conseguia evitar, perguntando se aquela era realmente a extensão dos sentimentos de Ash. O pensamento o entristeceu profundamente.
— Eu vou embora agora, como você deseja, Karlyle — disse Ash. Mas sua expressão não permaneceu triste. Seus olhos melancólicos começaram a brilhar e, logo, um sorriso radiante se espalhou por seu rosto.
— Mas nós nos veremos novamente. Agora eu entendo com o que você está tão preocupado. Obrigado por me contar.
“Obrigado? Pelo que havia de se agradecer?”
— Nos veremos novamente em breve, então cuide-se e não fique doente.
Uma mão se estendeu como se fosse tocar o cabelo dele, mas, assim como antes, hesitou e depois abaixou-se. Sorrindo suavemente, Ash sustentou o olhar de Karlyle por mais alguns segundos antes de caminhar em direção à porta. Karlyle virou-se subconscientemente, seus olhos seguindo a silhueta em retirada de Ash.
Pouco antes de abrir a porta, Ash olhou para trás; seus olhos se encontraram. Um calor acendeu dentro dele. Ash sorriu, encantado por capturar o olhar de Karlyle.
— Eu amo você — repetiu Ash.
Com essas palavras, ele abriu a porta e saiu.
Enquanto Karlyle assistia às costas de Ash desaparecerem pelo vão da porta, ele moveu a mão sem perceber para pressioná-la contra o lado de seu peito, onde a dor torturante em seus ossos persistia. Ele ficou parado, atordoado, por algum tempo antes de morder o lábio para se recompor. Agora não era o momento de perder o foco. Passando a mão pelo cabelo, ele tentou se recompor. Ele não podia se dar ao luxo de travar novamente quando enfrentasse Joel. Ele já havia causado ofensa suficiente. Ele voltaria agora e…
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr