Define The Relationship (Novel) - Capítulo 44
Capítulo 44
Embora a festa ainda não tivesse começado oficialmente, o espaço já estava movimentado de pessoas. Organizadores de eventos, ao lado de inúmeros garçons, barmans e chefs, corriam de um lado para o outro, garantindo que o cenário estivesse pronto para a noite. O salão, adornado com arranjos de flores frescas, estava banhado pelo brilho âmbar caloroso do lustre antigo que enfeitava o teto alto.
Na luz fraca do início da noite, o salão de festas brilhava. Mesas de vidro longas e retangulares estavam alinhadas com canapés requintados e, perto das janelas, mesas menores ladeavam cadeiras de madeira intrincadamente esculpidas.
Depois que Nicholas pediu licença para ligar para Kyle para localizá-lo, Ash vagou lentamente mais para o fundo do salão. Enquanto examinava os rostos daqueles ao seu redor, ele ensaiava mentalmente o que diria quando visse Karlyle.
Primeiro, ele queria perguntar como Karlyle estava passando. Desde que ouvira que Karlyle tinha chorado, a imagem de seu rosto manchado de lágrimas não saía da mente de Ash. Ele queria perguntar se ele vinha se alimentando direito, se ele tinha ficado muito aborrecido. Mas, acima de tudo, ele queria reiniciar o relacionamento deles, que tinha sido uma bagunça desde o início, e defini-lo adequadamente…
…Karlyle?
Em meio ao turbilhão de pensamentos, Ash avistou um rosto familiar. Um perfil marcante se destacava na multidão, e seus pés pararam. Seus olhos se arregalaram, e seu coração, momentaneamente congelado, voltou a funcionar, batendo em um ritmo assustador.
Era inconfundivelmente Karlyle.
Com o coração martelando dolorosamente no peito e o sangue correndo por suas veias, Ash deu um passo à frente, com seus sapatos sociais raspando no chão. Bem naquele momento, Karlyle virou a cabeça.
Seus olhos cinzentos e frios encararam diretamente Ash. Mesmo à distância, Ash conseguia ver seu rosto claramente.
Algo que Ash havia reprimido profundamente dentro de si explodiu. Grandes ondas de um anseio doloroso e alegria avassaladora colidiram contra ele de uma só vez.
— Kar…
Seus lábios se moveram; o nome que vinha pairando na ponta de sua língua finalmente encontrou seu destinatário. Um sorriso se espalhou pelo rosto de Ash, embora ele nem sequer estivesse ciente disso. Mas ele nunca teve a chance de terminar de chamar o nome de Karlyle.
O contato visual deles se quebrou.
Após fixar seu olhar frio e indiferente em Ash, Karlyle virou o rosto para o lado. Sua expressão permaneceu impassível, como se ele não tivesse visto nada além do vazio.
Virando o corpo, Karlyle retomou a conversa com a mulher ao seu lado, muito provavelmente uma organizadora de eventos, enquanto caminhavam em direção à saída. Ash piscou, incapaz de processar o que tinha acabado de acontecer.
Ah…
Sua mente ficou em branco. Ele não esperava por essa reação. A dor que queimava seu interior era pior do que quando havia encontrado a casa de Karlyle vazia.
Sorrindo de maneira rígida, Ash passou a mão pelos lábios e desceu pelo pescoço.
— Ash?
A voz de Nicholas o chamou por trás, mas Ash mal a registrou. Distraído, ele soltou uma resposta sem se virar.
— Com licença, Nick. —
Sem esperar por uma resposta, Ash começou a andar. Seu passo acelerou, as coxas se contraindo e, logo, ele estava quase correndo. Seus punhos se fechavam e se abriam enquanto suas passadas longas cobriam o espaço, cruzando o salão de festas em um piscar de olhos. Impaciente e desesperadamente, ele perseguiu Karlyle. Ele temia que, se não o fizesse, o perderia para sempre.
Karlyle não tinha ido longe. A mulher com quem ele estava conversando havia se voltado para trás, olhando brevemente para o rosto de Ash enquanto passava por ele, mas Ash nem sequer registrou isso. Ele só conseguia ver Karlyle. Cada fibra do seu ser, até as profundezas do seu subconsciente, ansiava por ele.
Assim que o viu, com as costas voltadas para ele e se afastando, Ash foi mais uma vez atingido por uma série de verdades inegáveis. Como aquela figura havia cavado seu caminho no coração dele. Como sentia falta daquela silhueta elegante. Como ele ansiava pelos dias em que podia envolver aquela cintura com os braços como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ele não havia percebido, quando ainda podia, o quão extraordinário privilégio era tocá-lo tão livremente.
Como ele desejava poder fazer isso agora.
Ash parou, à beira das lágrimas. — Karlyle.
Sua voz ecoou pelo corredor, de outro modo vazio. O homem que caminhava calmamente à frente pausou no meio do passo sem se virar. O bater compassado de seus sapatos sociais também cessou. Vários segundos se passaram, arrastando-se como a passagem de uma eternidade. No silêncio sufocante, Karlyle lentamente se virou.
Uma máscara sem expressão cumprimentou Ash, em nada diferente de antes.
— Karlyle — Ash repetiu. Sua voz ficou presa em sua garganta dolorosamente, como se algo seco e áspero tivesse sido empurrado por sua traqueia, sufocando-o. As palavras que deveriam ter saído facilmente, em vez disso, dissiparam-se no nada.
Era inesperadamente difícil pronunciar até mesmo uma única frase. Isso era tão diferente do Ash habitual; o homem que outrora fora descontraído e confiante agora lutava para manter essa fachada.
— Quanto tempo — ele conseguiu dizer suavemente.
Em resposta, os olhos de Karlyle o encararam de forma impassível. Embora houvesse deparado com mal três passos entre eles, Karlyle parecia distante.
Mais uma vez, um silêncio pesado caiu. Nem um suspiro permeava o ar. Aqueles olhos cinzentos indecifráveis encararam diretamente Ash até que finalmente, após uma longa pausa, Karlyle falou.
— Já faz bastante tempo, Sr. Jones.
Sua voz era rígida e fria. As palavras educadas e o tratamento formal, estabelecendo uma distância, perfuraram os ouvidos de Ash. A boca de Ash se contorceu em um sorriso.
Ele se lembrou da época em que havia pedido a Karlyle para usar seu nome e da voz hesitante repleta de constrangimento enquanto o homem corrigia a forma de tratá-lo. Foram necessários dois longos meses para que Karlyle o chamasse pelo nome.
A regressão o magoou.
— Como você tem passado? — Ash perguntou em uma voz gentil. Ele deu um pequeno passo para mais perto de Karlyle, que permaneceu imóvel. Os olhos de Karlyle, brevemente atraídos para os sapatos de Ash diminuindo a distância, voltaram para encontrar seu olhar.
Ignorando a pergunta de Ash, respondeu com uma de suas próprias perguntas em vez disso.
— Posso perguntar o que o traz aqui?
A expressão de Karlyle permaneceu inalterada, tão implacável quanto uma parede. Seu tom profissional e distante rasgou o coração de Ash enquanto ele procurava uma maneira de responder. Ash não tinha como saber como Karlyle se comportava antes de conhecê-lo. Mas, se era assim que ele tratava os outros, então ficava claro que Ash havia sido estimado, outro privilégio raro que ele não havia reconhecido na época.
— Eu vim porque tenho algo para te dizer — Ash disse com firmeza. Ele deu mais um passo em direção a Karlyle, com um sorriso agridoce brincando em seus lábios. Um último passo era tudo o que os separava.
O olhar de Karlyle caiu novamente, detendo-se na distância cada vez menor entre eles.
— Por favor, aceite minhas desculpas — ele disse com uma voz seca —, mas não tenho tempo para ouvir.
Com um tom que deixava inconfundivelmente claro que não tinha intenção de ouvi-lo, Karlyle recuou com um, depois outro bater de seus sapatos de sola firme, recuperando os dois passos que Ash havia dado. Ele então cortou o fio da conversa deles.
— Por favor, faça uma boa viagem de volta para casa.
Sem esperar por uma resposta, Karlyle virou as costas friamente. Instintivamente, Ash estendeu a mão, exatamente como daquela vez em que havia confundido a silhueta de um estranho com a de Karlyle.
Seus dedos roçaram o pulso de Karlyle.
Gentil, mas fervorosamente, ele fechou o aperto ao redor dele. O frescor do pulso de Karlyle pele infiltrou-se por todo o ser de Ash, acalmando sua sede ardente.
— Só preciso de alguns segundos — Ash implorou.
Karlyle congelou, com o rosto inalterado. No entanto, Ash pressionou, sem se deixar abater.
— Aquele dia, o que você queria me dizer?
Sem sequer dar tempo para Karlyle responder, Ash continuou.
— Eu pensei sobre isso de novo e de novo. Você me disse que tinha algo para me contar. Algo que você queria tanto dizer que até se deu ao trabalho de ir me buscar. — Ash encontrou o olhar de Karlyle diretamente. Imaginando o sorriso oculto de Karlyle em vez de sua fachada agora estoica, ele declarou com uma voz firme: — Não acredito que era para dizer que deveríamos encerrar nossos encontros. Se era alguma coisa, acho que era o oposto.
Com olhos doloridos, Ash sorriu. Quando falou novamente, foi em um sussurro tingido de culpa e arrependimento. — Eu cometi um erro naquele dia? Eu te magoei de alguma forma sem perceber?
“Se magoei, Karlyle, o quão profundamente te feri?”
Engolindo as palavras, ele perguntou: — É por isso que…
— Sr. Jones.
Embora Karlyle tivesse deixado a declaração de Ash fluir livremente até ali, sua voz permaneceu inalterada, tão gélida e implacável como sempre. Sua mão roçou contra as costas da mão de Ash, começando a soltar os dedos de seu pulso, um por um. Quando até mesmo o dedo indicador de Ash foi desalojado, Karlyle recuperou sua mão. A mão de Ash caiu no vazio.
— Você está desperdiçando meu tempo —.
Sua voz era firme, como se ele considerasse qualquer discussão adicional indigna de atenção. Essas palavras o magoaram ainda mais. Ash lutou para não demonstrar a dor e se esforçou para manter um sorriso.
Ele não conseguia ler de forma alguma os verdadeiros pensamentos de Karlyle. A percepção desorientou Ash com uma sensação de desespero. Era como se ele estivesse encurralado, encaixotado por todos os lados por paredes impenetráveis, sem porta e sem chave. Já tinha sido tão difícil assim antes? Ele já havia lutado tanto para entender os sentimentos de alguém?
Mas então Ash rapidamente se lembrou da pintura nas mãos de Kyle. Ele se recordou dos tons deslumbrantemente vivos de azul-escuro e roxo, e da imagem de uma figura sorridente oculta na sombra. Ele se lembrou de que fora Karlyle quem encontrara aquela pintura. A pessoa que fizera tanto esforço para recuperar a lembrança de sua mãe não poderia tê-lo esquecido tão facilmente.
É claro que algumas pessoas vivenciavam o amor como algo que explodia como um incêndio repentino e consumia suas almas, apenas para murchar rapidamente em cinzas. Ash também já fora uma delas no passado. Mas o homem parado diante dele, o homem que havia investido tanto tempo e esforço para encontrar uma pintura para ele — alguém com quem ele nem sequer estava namorando —, não era uma delas. Esse homem só abria seu coração com muita cautela. Foram necessários dois meses inteiros apenas para ver Karlyle sorrir e ouvi-lo chamar Ash pelo nome. Por isso, Ash queria acreditar que Karlyle ainda se importava, e não se importava com mais ninguém a não ser Ash.
Com olhos resignados, Ash balançou a cabeça. O sorriso que ele vinha mantendo desapareceu.
— Desculpe incomodar você — ele disse suavemente. — Mas eu não consigo evitar.
Quaisquer que fossem os erros que qualquer um deles pudesse ter cometido, quaisquer que fossem as boas intenções por trás deles, nada disso importava mais. O que importava era a emoção inegável que Ash havia passado a perceber.
— Porque quando as pessoas se apaixonam, elas fazem coisas estúpidas.
Porque Ash amava Karlyle.
— Você se esqueceu? Nós ainda temos um encontro restante.
Quaisquer que fossem as feridas que Karlyle pudesse infringir, Ash as suportaria de bom grado.
— Um contrato é um contrato. E eu nunca considerei você o tipo de pessoa que ignora tais coisas. Você é, Karlyle?
O amor era uma série de colisões — encontrar outra pessoa de frente, suportando a dor causada por suas arestas afiadas enquanto tentavam se encaixar. Se Karlyle estivesse eriçado com centenas de espinhos, Ash seria voluntariamente perfurado centenas de vezes para ficar ao seu lado.
— Vamos nos encontrar mais uma vez — Ash murmurou, com a voz terna de uma maneira que nunca havia sido antes. Suas palavras espalharam-se suavemente por todo o corredor, pairando no ar.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr