Define The Relationship (Novel) - Capítulo 42
Capítulo 42
Sem tempo de sobra para responder, ele saiu apressado do prédio. Depois de deslizar para o banco do motorista de sua Range Rover preta, ele deu partida no motor, pisou no acelerador e correu em direção à casa de Karlyle.
Quando ele chegou à propriedade em Hampstead Heath, o lugar estava vazio. Karlyle não estava lá. Em vez disso, ele foi recebido por uma grande placa de “VENDIDO”. Diminuindo a velocidade do carro até parar completo, ele encarou o nome e o número do corretor de imóveis.
Por um momento, ele não conseguia pensar. Sua cabeça latejava como se tivesse sido golpeada no crânio.
Ele não esperava que as coisas chegassem a esse ponto.
Sentado no carro estacionado, Ash segurou o volante. Suas mãos se apertaram com mais força, seus dedos longos enrijecendo conforme as veias saltavam de suas articulações até os pulsos. Enquanto olhava fixamente para a frente, ele piscou lentamente. Outra risada baixa escapou dele.
— Ha. — Passando a mão pelo cabelo, Ash fechou os olhos brevemente antes de abri-los novamente. Ele continuou a olhar para o espaço à sua frente, atordoado, como se não pudesse acreditar no que estava vendo.
Algo fervia dentro dele, queimando suas entranhas até a garganta. Talvez raiva, quem sabe confusão — ele não tinha certeza de como chamar, mas com isso veio uma sensação esmagadora de perda.
Havia uma diferença gritante entre não entrar em contato com alguém e ser incapaz de encontrá-lo. Uma tristeza sufocante o invadiu, reminiscente do dia em que percebeu que nunca mais veria sua mãe, embora não considerasse sua ligação com Karlyle nem de longe tão profunda.
Pensando bem, Karlyle sempre fora imprevisível. A maneira como seus olhos ficavam marejados, a maneira como ele perguntara silenciosamente Ash para ficar, a maneira como ele tinha ficado parado enquanto observava silenciosamente Ash ir embora — Ash não tinha previsto nenhuma dessas coisas. Ele achava que estava conhecendo Karlyle, mas, na verdade, Ash Jones não sabia absolutamente nada sobre Karlyle Frost. Irronicamente, a afirmação de Ash, de que eles não eram “nada” um para o outro, provou-se dolorosamente precisa no final. Ele estava completamente perdido quando se tratava de Karlyle.
Mas… ele sabia de uma coisa.
Sim, ele já sabia que achava Karlyle adorável. Não importava que tipo de pessoa Karlyle fosse, esse fato não tinha mudado, tendo ficado permanentemente gravado na mente de Ash.
Ele queria saber mais sobre Karlyle. Queria perguntar todas as coisas que não tinha perguntado porque achava que não era o seu lugar. Queria entender o que Karlyle estava pensando, por que olhava para ele daquela forma, por que se comportava daquela maneira. Ele estava disposto a esperar pacientemente até ter as respostas, até que Karlyle estivesse pronto para compartilhar o que estava em seu coração.
Ash tinha tratado Karlyle como se gostasse sinceramente dele, mas suas ações nem sempre tinham se alinhado com esses sentimentos. Fora o próprio Ash quem tinha lançado o relacionamento deles na ambiguidade, pois Karlyle era diferente de qualquer pessoa que Ash já tivesse conhecido antes, a única exceção na vida de Ash.
Ash bateu os dedos contra o volante, semicerrando os lábios enquanto olhava preocupado para a frente. Ele conhecia maneiras de encontrar Karlyle, mas a questão era — Karlyle queria ser encontrado?
Ash tipicamente se abstinha de coisas que deixavam os outros desconfortáveis; ele não desejava se tornar o tipo de pessoa que impunha seus próprios sentimentos aos outros. Se Karlyle queria vê-lo agora era algo de que ele não podia ter certeza, algo que só poderia ser resolvido confirmando com o próprio Karlyle.
O tom alaranjado suave do céu escureceu enquanto Ash deliberava, sua expressão desprovida de seu sorriso habitual. Eventualmente, ele ergueu o telefone.
Ash lembrou-se de como Karlyle havia olhado para trás em Covent Garden — Karlyle, que estava sozinho no meio de uma multidão rindo de pessoas, sob a luz deslumbrante do sol, fitando Ash. Aquele rosto composto, mas de alguma forma solitário, que havia compelido Ash a retornar, ainda o assombrava. Seu peito se apertou amargamente.
Franzindo as sobrancelhas levemente, Ash deixou sua hesitação de lado. Depois de revirar seu bolso interno, ele puxou a carteira. Com os lábios pressionados, ele selecionou alguns cartões de visita. O de Nicholas estava entre eles.
Parecia estranho entrar em contato com alguém com quem ele achara que nunca mais falaria. O telefone mal tocou antes que a pessoa atendesse.
— Nicholas White falando… Ash?
— Nick. — Depois de exalar profundamente, Ash continuou com firmeza. — Preciso te perguntar uma coisa.
Nicholas hesitou por um momento antes de responder. — Estou ouvindo.
— Você poderia me ajudar a ver o Karlyle mais uma vez?
— Hum. — A voz de Nicholas denunciava seu conflito interno enquanto ele ponderava, e então caiu para um sussurro furtivo, como se estivesse compartilhando um segredo. — Pode ser difícil para mim pedir a ele para se encontrar com você. As coisas estão um pouco complicadas. Mas acho que, se eu falar com o Kyle, talvez seja possível…
— Por favor, Nick.
— Eu sou o responsável por apresentar vocês dois, então gostaria de ajudar, mas… — Nicholas pausou por um momento antes de continuar, como se tivesse tomado uma decisão. — Você se lembra da minha casa?
— Aquela perto de Russell Square?
— Sim, essa mesma. Venha para cá agora.
Ash esfregou a testa. Ele se lembrava de ter recebido o endereço por mensagem de texto, mas o havia deletado em algum momento. Ele se perguntou quando tinha deletado a mensagem que guardara com tanto carinho por mais de seis meses.
— Nesse caso, você poderia me mandar o endereço por mensagem mais uma vez? Eu me lembro vagamente do caminho, mas prefiro não arriscar.
— Claro.
Deve ter sido naquele dia, o dia em que Karlyle falara de forma tão gélida, cortando friamente a conexão entre Ash e Nicholas. Ash havia deletado as mensagens de Nicholas, apagado tudo. Ele não tinha a intenção de guardar o cartão de visita, mas foi fortuito que ele tivesse se esquecido dele até agora.
Depois de desligar, Ash finalmente sentiu como se mal conseguisse respirar de novo. Seu coração doía com um anseio intenso de ver Karlyle imediatamente.
A imagem do homem de pé, sozinho, não desaparecia de sua mente — só estava se tornando mais vívida.
Lançando um último olhar para a casa agora vazia, Ash deu partida no carro.
Quando Ash tocou a campainha na residência dos White, o primeiro a recebê-lo foi Kyle Frost. Assim que a porta se abriu, Ash foi imediatamente confrontado por um olhar azul glacial. A expressão inicialmente calorosa no deslumbrante rosto pálido de Kyle esfriou em um instante, como se o acolhimento nunca tivesse existido ali.
— O que você está fazendo aqui? — Kyle perguntou em um tom abertamente hostil.
Bem nesse momento, Nicholas apareceu atrás dele. — Kyle, quando os convidados chegam, você deve cumprimentá-los primeiro. — Ele se voltou para Ash. — Espero que não tenha tido problemas para encontrar o lugar.
— Nick… — A surpresa passou pelo rosto frio de Kyle antes de ele relutantemente cumprimentar Ash, ainda lançando um olhar feio. — …Olá. — Então, sem perder o ritmo, acrescentou: — Então, por que você está aqui?
— Eu o convidei — Nicholas interveio, envolvendo Kyle com os braços por trás para contê-lo. A força intangível dos feromônios de Kyle pesava intensamente no ambiente, como era de se esperar de um raro alfa dominante.
Ash também não achava Kyle amigável, mas a leve semelhança que o homem compartilhava com Karlyle suavizou seu humor, para sua própria surpresa.
— Mas Nick… por quê? — Kyle perguntou.
— Ele quer ver o seu irmão.
Kyle ficou rígido quando a informação tocou em uma ferida, mas continuou a encarar Ash, embora mantendo-se atento a Nicholas. — Achei que tivesse acabado.
— Não, não acabou ainda. — Ash seguiu Nicholas para dentro. Apesar de contrariado, Kyle foi atrás deles, com seus lábios rosados pressionados firmemente um contra o outro.
Pelo fato de Nicholas lançar um olhar para Kyle sempre que a tensão parecia aumentar, Kyle estava se contendo. Pensando bem, a dinâmica deles sempre fora assim, mesmo antes de começarem a namorar oficialmente. Parecia que, mesmo se Kyle não tivesse tomado a iniciativa, teria sido apenas uma questão de tempo até que acabassem juntos.
Ash percebeu que estava pensando sobre Kyle e Nicholas com uma surpreendente sensação de indiferença. Até poucos meses atrás, eles ocupavam um espaço em seus pensamentos, mas vê-los agora não despertava nenhuma emoção em particular. Em vez disso, parecia o mesmo que esbarrar em rostos conhecidos de longa data.
— O que você quer dizer com não acabou? — Kyle retrucou asperamente.
— Nós ainda tínhamos um último encontro planejado — Ash explicou enquanto entravam na sala de estar. — Como ambos concordamos com isso, acredito que tenho o direito de vê-lo mais uma vez, pelo menos.
Kyle rebateu imediatamente. — Já faz mais de um mês. Não entendo por que você está dizendo isso agora.
Ele estava certo.
Ash sorriu penalizado. Toda aquela situação era estranha, até mesmo para ele. Inicialmente, ele tinha honestamente pensado que tudo ficaria bem. Mas não ficara. A angústia de perder Karlyle só havia crescido a cada dia que passava, aumentando até que ele tardiamente percebeu isso.
Como o relacionamento deles havia começado com base em um favor, Ash pensou que seria correto respeitar os desejos de Karlyle — se ele quisesse acabar com aquilo, Ash aceitaria sua decisão. Embora fosse verdade que ele estivera tão ocupado a ponto de nem ter tido tempo para refletir sobre o assunto, se ele realmente quisesse entrar em contato, poderia ter arranjado tempo. Mas a razão pela qual não o fizera por tanto tempo era que não tinha certeza; não tinha certeza se gostava de Karlyle o suficiente para se apegar a ele.
— Eu precisei de tempo para pensar — Ash disse por fim.
Kyle não disse nada a princípio, depois respondeu decisivamente. — Você está atrasado demais.
— Não acredito que seja esse o caso.
— Não, porque… — Kyle passou a mão pelo cabelo de forma agitada, seus feromônios instáveis tornando o ar mais denso. Embora Ash estivesse desconfortável, ele suportou aquilo silenciosamente. — Você sabe o quanto Karlyle tem sofrido por sua causa?
Ash encarou Kyle sem se mover. Ele sentiu uma pontada aguda, lembrando-se do rosto choroso de Karlyle, que havia visto apenas uma vez. — Não.
— Karlyle raramente sorri. Consigo contar nos dedos de uma mão as vezes que o vi sorrir, e eu sou a família dele.
Nicholas, que estava acenando em concordância por trás, articulou em silêncio com os lábios: — Eu nunca vi. Não consigo nem imaginar, honestamente.
— E chorar? Menos ainda. Nem eu, nem o nosso pai… — A voz de Kyle sumiu. Nicholas voltou-se para Kyle com olhos incrédulos.
— Ele… chorou? — A voz de Ash fraquejou, e ele mordeu o lábio inferior, com o rosto se contraindo. Parecia que seu corpo inteiro estava cheio de concreto, um peso sufocante que se instalou em suas entranhas e esmagou seu coração.
Kyle, que estava prestes a retrucar rispidamente, fechou a boca rapidamente ao ver a expressão de Ash.
Ash já havia se sentido mal o suficiente, mas ouvir que Karlyle tinha chorado partiu seu coração. Ele se sentia atormentado, como se seu estômago estivesse dando nós. A ideia de Karlyle chorando em algum lugar sem ele era inaceitável. Ash não pôde deixar de se perguntar se Kyle ou o pai deles tinham estado lá para confortá-lo, para enxugar suas lágrimas, para abraçá-lo e para beijar sua bochecha. Karlyle merecia isso — pelo menos, Ash certamente achava que sim.
Kyle quebrou o silêncio pesado. — Ele lutou tanto para seguir em frente, então não quero ver você voltando para ele sem convicção.
Ele não estava totalmente errado. No entanto, Ash não tinha intenção de deixar Karlyle ir assim, senão passaria o resto da vida preso no mesmo estado em que estivera nas últimas semanas — não, talvez em um ainda pior. Seus sintomas o invadiram novamente como uma onda que arrebenta; se isso continuasse, iria submergi-lo continuamente até que, eventualmente, ele se pegasse lutando por ar.
Finalmente, Ash falou. — Sr. Frost, tenho certeza de que você já sabe… Karlyle não fala muito. Pelo menos, foi o que notei. — Os olhos azuis de Kyle permaneceram fixos nele.
Ash esboçou um sorriso sem jeito, mas doloroso. — Ele nunca disse nada, então eu não sabia que ele estava sofrendo tanto… Eu não sabia o que ele pensava de mim ou o que passava pela cabeça dele. Só porque sou perceptivo não significa que posso ler mentes. — Ele passou a mão pelo cabelo, com a boca seca. — Então, obrigado por me contar.
A hostilidade de Kyle era apenas natural. Ash tinha magoado o irmão dele. O que mais importava para Ash era a informação escondida nas palavras de Kyle.
— Tem muita coisa que eu ainda não disse. Eu percebi um pouco tarde.
Kyle lhe direcionou um olhar cético, com a desconfiança evidente em seu tom de voz. — Não me lembro de você ser assim quando se tratava do Nick…
Enquanto a conversa desviava para o passado desconfortável deles, Nicholas abraçou Kyle novamente, puxando-o para perto. — As pessoas têm abordagens diferentes com pessoas diferentes, Kyle.
— …Até você, Nick? — Kyle murmurou.
— Não, eu só amei você em toda a minha vida, então só sei como abordar você — Nicholas respondeu docemente. Tendo acalmado Kyle com destreza, Nicholas voltou-se para Ash com um sorriso aberto. — Você deveria ir à festa conosco neste fim de semana.
— Nick! — Kyle exclamou, virando a cabeça abruptamente para encarar Nicholas.
Ignorando a surpresa de Kyle, Nicholas acrescentou: — É a festa de noivado do Karlyle.
Ash piscou, lutando para entender o que tinha acabado de ouvir. — Noivado…?
Ele realmente acabou de dizer isso?
— Mais precisamente, ouvi dizer que é uma festa coorganizada por ele e seu futuro noivo, certo? — Nicholas direcionou a pergunta a Kyle, que por sua vez olhou de relance para Ash para avaliar sua reação. Ash conseguia ver que a postura antes gélida de Kyle agora estava marcada pela piedade.
Ao contrário de seu eu visivelmente sem expressão quando estava com Ash, Kyle exibia uma variedade de emoções quando estava com Nicholas. Ash não pôde deixar de ver vislumbres de Karlyle neste Kyle, seu rosto geralmente estoico se aquecendo com um leve sorriso ou ficando marejado de lágrimas.
— Nick… eu adoro sua audácia, mas… isso não seria um pouco precipitado?
— Se tudo der certo no final, qual é o problema? Não é isso que você queria também?
— Isso ainda não é definitivo. Além disso, a minha opinião não importa muito… — Kyle suspirou e fechou os olhos brevemente antes de reabri-los. Considerando o primeiro encontro hostil deles, a variedade de expressões de Kyle deveria ter sido surpreendente, mas Ash permaneceu alheio a elas. Desde que ouvira a palavra “noivado”, Ash havia ficado totalmente fixado nela. Sua mente estava inundada de pensamentos, perguntando-se se isso havia sido planejado desde o início e até mesmo desenterrando memórias de sua mãe.
Algo que ele havia imaginado vagamente quando soube pela primeira vez sobre a origem aristocrática de Karlyle agora estava se tornando uma realidade nua e crua. Seu coração estava em turbulência, enquanto o pensamento de perder Karlyle para sempre colidia com sua incerteza sobre se ele sequer tinha o direito de interferir. A devastação o estava afundando.
Será que estou atrasado demais?
Apenas alguns minutos atrás, ele havia garantido a Kyle com confiança que não estava acabado, mas agora uma profunda sensação de desamparo se infiltrava nele, fazendo sua autoconfiança anterior parecer tola. Ao mesmo tempo, ele foi tomado pelo medo de poder destruir a vida perfeitamente ordenada de outra pessoa. Sua incerteza logo deu lugar a uma raiva irracional, direcionada a essa pessoa sem rosto que estava prestes a levar Karlyle embora. Era ciúme, puro e simples. Mas a última coisa que Ash queria era arruinar a vida de Karlyle, já que sabia muito bem, pela experiência de sua mãe, sobre a turbulência sem fim que vinha com o rompimento de um noivado.
Enquanto lutava para chegar a uma decisão, Ash ficou desorientado, como se estivesse aprisionado em um abismo escuro. Kyle, que estivera encarando a expressão agora vazia de Ash, falou calmamente. — Tem algo que Karlyle queria que você ficasse.
Antes que Ash pudesse sequer responder, Kyle deu meia-volta. Enquanto ele caminhava em direção à sala de estar, o olhar de Ash o seguiu. Então, algo surgiu na visão de Ash, algo tão surpreendentemente belo que era estranho ele não ter notado até agora.
Era a pintura de Philip Whitewood.
O tempo pareceu parar. Os sons ao seu redor ecoavam em seus ouvidos lentamente, como se abafados sob forte pressão. Até piscar parecia tedioso e prolongado. Ele não conseguia compreender totalmente a realidade de finalmente ver aquela lembrança de sua mãe, a imagem pela qual ele havia ansiado por toda a sua vida.
Era tão deslumbrante quanto ele se lembrava. Dentro daquela pintura, que era mais vibrante e radiante do que a de qualquer outro artista, estava sua mãe, sorrindo gentilmente como costumava sorrir para Ash. O rosto que ele havia começado a esquecer agora se tornava claro novamente, e uma dor dolorosa, mas calorosa, cresceu em seu peito.
— Meu irmão procurou por quase um mês antes de conseguir adquirir isso para te dar — Kyle explicou.
Ash registrou a frase com um instante de atraso. De repente, como se sua cabeça tivesse quebrado a superfície da água, Ash sentiu seus sentidos retornarem correndo, tornando-se tão vivos e alertas que ele conseguia ouvir seu coração batendo forte. As palavras de Kyle ficaram gravadas em sua mente como uma tatuagem.
Ash encarou a pintura que Kyle estava estendendo para ele. Seus olhos arderam sob os cílios baixos enquanto ele acalmava seus lábios trêmulos, mal conseguindo recompor sua expressão em um vislumbre de sorriso. Se não o fizesse, teria derramado lágrimas, pois o coração depositado na aquisição daquela pintura era precioso demais. Ash não conseguia nem mesmo mensurar a profundidade das emoções por trás de Karlyle encontrar e presentear a pintura pela qual Ash havia buscado por tanto tempo. Seu coração rachou, estilhaçando-se em pedaços infinitos.
Perguntas inundaram sua mente. Ele queria perguntar a Karlyle o que ele estivera pensando quando decidira dar aquilo de presente para Ash, o quanto havia magoado Karlyle quando ele dissera a Ash que não deveriam se encontrar novamente, como Karlyle se sentira quando chorara sem Ash ao seu lado. Cada pergunta que se acumulava em sua mente se tornava uma agulha afiada que perfurava seu coração.
Com as mãos trêmulas, ele estendeu o braço para tocar a moldura da pintura.
O miasma escuro que havia nublado sua visão momentos antes começou a clarear. Agora ele tinha certeza.
Karlyle amava Ash, sem qualquer sombra de dúvida.
Aquilo não era uma questão de dinheiro. O tempo e o esforço que Karlyle havia dedicado para obter aquela pintura provavam isso. Ali estava a prova inequívoca.
— Obrigado — Ash murmurou, passando os dedos ao longo da moldura. Mas, depois de morder o lábio várias vezes, ele resolutamente a devolveu. Kyle lhe deu um olhar estranho. — Você poderia cuidar disso por um tempo?
— Por quê? — Kyle perguntou.
— Já que Karlyle queria me dar isso, eu gostaria de receber do próprio Karlyle.
Ele queria dizer a Karlyle que quaisquer sentimentos que ele tivesse não eram unilaterais. Ash sentia o mesmo. Ele queria dizer a Karlyle que o desejava de uma maneira que nunca havia sentido antes, de uma maneira que nunca havia desejado mais ninguém em sua vida.
Kyle franziu a testa levemente antes de soltar um suspiro resignado. — Presumo que você esteja ciente do código de vestimenta. Você vai precisar de um convite, então o colocarei como meu convidado. — Pegando a pintura de volta, ele acrescentou: — Esteja aqui às cinco da tarde.
— Eu estarei.
Bem quando Ash estava prestes a reiterar seus agradecimentos, Nicholas falou. — Realmente não há necessidade de nos agradecer, Ash. Eu apresentei vocês dois, então isso é minha responsabilidade… e Kyle é meu parceiro, então ele está nisso também.
— É por isso que sou grato — Ash sorriu, com a expressão mais leve do que antes — por me dar a chance de conhecer Karlyle.
Nicholas parecia não ter entendido muito bem, mas isso não importava. Pelo contrário, saber que ninguém mais conhecia Karlyle verdadeiramente da maneira que ele conhecia deixava Ash feliz. Bastava que apenas uma pessoa no mundo, ele sozinho, soubesse o quão belo e adorável aquele homem era. Ele não queria compartilhá-lo com mais ninguém.
E para garantir isso, Ash precisava agir.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr