Define The Relationship (Novel) - Capítulo 38
Capítulo 38
— Em vez de solicitar um conjunto da Filarmônica, acredito que seria mais adequado estender um convite a um vocalista nesta ocasião. Ouvi dizer que o Sr. Milato e o Sr. Rahal gostam muito de jazz — disse Kyle, que estava sentado ao lado do pai deles, Jonathan. Karlyle estava de frente para ele. Os três estavam tomando chá no pátio externo do jardim de Karlyle. Kyle estava explicando o conceito de uma festa que estava organizando. Era uma reunião para potenciais investidores no projeto de desenvolvimento de Fraser River, em Vancouver, que estava agendada para dali a alguns dias.
Enquanto profissionais cuidavam dos detalhes mais refinados e dos preparativos, Karlyle e Jonathan acharam benéfico que Kyle passasse pela experiência de decidir o tema e supervisionar o progresso. Afinal, organizar reuniões sociais memoráveis fazia parte da educação cultural de alguém.
— Sim, o Sr. Rahal gosta particularmente de Julie London e Chet Baker — disse Jonathan, balançando levemente a cabeça em sinal de concordância. Karlyle, que estivera manuseando sua xícara de chá de forma distraída, congelou por um instante.
— Então a música está decidida… — A voz de Kyle sumiu para os ouvidos de Karlyle, apesar de sua proximidade. De repente, como se tivesse sido sacudido pela lembrança, a imagem de Ash deitado ao seu lado, desfrutando dos sons de Julie London, veio à sua mente. Enquanto a voz sedutora dela tocava ao fundo, um rosto bonito sorriu para ele antes de apagarem as luzes para passar a noite.
Reflexivamente, Karlyle ergueu a mão para esfregar as pálpebras, tentando banir a imagem, mas ela permaneceu ali obstinadamente. Conforme seu coração acelerava, uma dor lancinante o atravessou, como se estilhaços de vidro estivessem correndo por sua corrente sanguínea.
— …Karlyle?
A voz de Kyle, agora distinguível, arrastou Karlyle de volta à realidade.
— Você está… — Kyle, com uma expressão atipicamente perturbada, olhou fixamente para o irmão. O olhar surpreso de Jonathan também estava fixo nele.
Uma quietude pesada os cercou.
Conforme Karlyle afastava a mão de seus olhos, ele sentiu algo escorrendo por sua bochecha. Ele piscou, olhando para o céu. *Deve estar para chover*, ele pensou. Pesada de água, uma nuvem pairava sobre ele, sua tonalidade cinzenta espelhando o olhar sem cor de seu pai. Estranhamente, no entanto, a chuva molhava apenas os cantos dos olhos de Karlyle, em vez de cair sobre a mesa, seus ombros ou em qualquer outro lugar. Quando ele piscou, novas gotículas correram por sua bochecha sem emitir um som.
Com a expressão impassível como de costume, Karlyle ergueu a mão para enxugar as gotas de umidade de seu rosto e, em seguida, limpou silenciosamente o molhado das pontas dos dedos. Desdobrando o guardanapo sobre a mesa, ele removeu os vestígios restantes de água antes de encontrar os olhares dos dois pares de olhos fixos nele.
— Minhas desculpas — disse ele.
Os lábios de Jonathan se abriram para falar, mas logo se fecharam novamente. Ainda sem saber o que dizer, Kyle continuou a olhar para o irmão. Tentando dissipar a atmosfera sufocante, Karlyle mudou de assunto.
— Há… algo que eu preciso discutir com vocês. Ignorando o silêncio, Karlyle apresentou a decisão a que havia chegado ao longo dos últimos dias.
— Estou considerando colocar esta mansão à venda. Estou ciente de que ela não é de minha propriedade exclusiva, portanto isso está, naturalmente, sujeito à permissão de vocês.
Karlyle ergueu sua xícara de chá enquanto aguardava o consentimento de seu pai. Nenhuma outra gotícula escorreu por suas bochechas, então devia ter parado de chover. Com uma expressão grave, Jonathan estudou Karlyle antes de lentamente abrir a boca novamente.
— Você poderia me dizer o porquê? — Sua voz estava cheia de preocupação, algo que Karlyle nunca havia ouvido de seu pai. Ele levou a xícara de chá aos lábios, mas a colocou de volta na mesa, percebendo-se incapaz de engolir.
— Não há uma razão específica.
Kyle também abriu a boca como se tivesse algo a dizer, mas Karlyle foi mais rápido.
— Decidi-me por um parceiro de casamento adequado, por isso seria mais prudente vender esta propriedade e iniciar a busca por uma residência conjugal para compartilharmos.
Sua felicidade passageira havia passado; agora era hora de retornar à realidade.
— Karlyle — disse Kyle em descrença, fazendo com que Jonathan se voltasse para ele. Mas a expressão de Karlyle permaneceu em branco enquanto ele ignorava o irmão e, em vez disso, reiterava a pergunta ao pai.
— Você me concederá a sua permissão?
Com um suspiro pesado, Jonathan esfregou a testa.
— Então você escolheu um noivo.
— Sim. Eu os selecionei a partir dos candidatos que o Avô havia pré-selecionado. Eu já conhecia alguns — relatou Karlyle, como se estivesse lidando com um acordo comercial.
Jonathan o examinou detalhadamente, sentindo que algo havia dado terrivelmente errado.
— Vamos discutir esse assunto mais tarde.
— Pretendo informar o Avô sobre a minha decisão quando for visitá-lo na próxima semana.
Jonathan fez uma pausa por um momento antes de responder em um tom que transmitia profunda preocupação:
— Em relação à mansão, faça como desejar.
Karlyle sabia que seu pai não se oporia categoricamente à sua decisão. Nem Jonathan nem Alice haviam, em momento algum, questionado ou expressado preocupação com a conformidade de Karlyle com os desejos de seu avô.
— Muito obrigado.
Independentemente de a mansão ser vendida ou não, Karlyle já havia praticamente concluído seus preparativos para deixar este lugar. Mencionando a necessidade de fazer uma rápida ligação telefônica, Karlyle pediu licença, com a intenção de instruir o agente imobiliário da família a prosseguir como planejado. Kyle o seguiu de perto.
— Karlyle, podemos conversar por um momento? — Kyle agarrou Karlyle pelo pulso. Essa foi a primeira vez que ele o conteve dessa forma.
Karlyle olhou para ele.
— Prossiga.
— O que você quer dizer com está ficando noivo? E quanto a Ash Jones? Era a pergunta que Karlyle já esperava e, sabendo o quão doloroso seria ouvi-la, ele havia se retirado de propósito. Mas Kyle era persistente. Karlyle gentilmente soltou seu pulso e se virou de costas.
— Vincular o meu noivado a alguém de cuja hospitalidade eu apenas me impus temporariamente estaria longe de ser apropriado. Vou enviar uma lembrança de agradecimento a Nicholas e transmitir minha gratidão ao Sr. Jones através de uma forma diferente de compensa…
— Você não estava planejando namorar com ele? Você gosta dele, não gosta?
Parado imóvei na sala de estar, Karlyle olhou para o seu pulso contido, preocupado com o pensamento de que deveria instruir sua secretária a providenciar um novo número de telefone após encerrar a ligação com o agente imobiliário.
— Kyle.
Karlyle estava determinado a apagar tudo associado a Ash.
— Isso não é da sua conta — disse ele friamente, puxando sua mão para se libertar em um movimento mais brusco e enfático do que antes. Para Ash, Karlyle não seria nada mais do que uma lembrança desagradável de um alfa arrogante e tolo que havia se comportado de maneira absurda.
Karlyle não servia para cortejar Ash. O mesmo poderia ter sido dito desde o início. Eles viviam em mundos inteiramente diferentes. Por um breve momento, Karlyle havia esquecido o seu lugar e se permitido um sonho que não lhe pertencia. Agora, ambos precisavam retornar aos seus respectivos lugares.
— Então… e quanto à pintura?
Karlyle voltou seu olhar para a pintura selada sobre a mesa, que de outra forma estaria sem uso. O olhar de Kyle o acompanhou.
— É uma bela obra — disse Karlyle calmamente. — E já que você também teve tanto trabalho para adquiri-la…
*E já que a pessoa a quem eu tanto queria dá-la não está mais ao meu lado…*
— …acho que seria melhor você ficar com ela.
Kyle e Nicholas apreciariam o valor da pintura.
— Mas você já tinha um destinatário em mente, não tinha? Você deveria presenteá-lo, Karlyle — disse Kyle em objeção.
— Kyle.
Parecia que seu querido irmão queria uma resposta clara.
— Acabou.
Embora Karlyle tivesse pronunciado as palavras com firmeza, sua expressão se contraiu, sua compostura rachando conforme ele se esfaqueava com suas próprias palavras. Kyle estivera prestes a abrir a boca novamente, mas Karlyle balançou a cabeça, silenciando-o enquanto desviava o olhar da pintura.
— Não toque mais nesse assunto.
A estação estava mudando. A vida de Karlyle sempre incorporara o outono e o inverno. Ele estava acostumado com o frio, as cores foscas, a quietude silenciosa e o ar gélido. Conforme seu coração retornava a essas estações familiares, ele afundava de volta na paisagem fria e desolada — a forma da solidão à qual Karlyle tinha que se acostumar mais uma vez.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr