Define The Relationship (Novel) - Capítulo 36
Capítulo 36
Um letreiro que dizia “Unexpected” em uma fonte elegante o recebeu. O prédio que o estúdio de Ash usava era bastante grande, estendendo-se por quatro andares, e, como muitos escritórios em Londres, ostentava uma parede feita inteiramente de vidro. O saguão era decorado com cores vibrantes, e vários pôsteres cobriam as paredes.
Karlyle sentiu um frisson de excitação com a expectativa de estar entrando em mais um dos espaços pessoais de Ash, assim como sua casa. Ele estava curioso sobre todo tipo de coisa, desde como Ash era no escritório até quais expressões ele faria ao se concentrar no trabalho.
Visivelmente tenso, Karlyle entrou no saguão e foi direcionado para uma sala de espera. Quando lhe perguntaram se tinha hora marcada, Karlyle mencionou o nome de Ash. Os olhos da recepcionista se arregalaram brevemente antes de ela pedir licença, com a expressão transbordando de curiosidade.
Ignorando os sussurros agitados e distantes, Karlyle sentou-se calmamente, observando todo o saguão. Ele examinou os troféus amarelos em forma de lápis do Design and Art Direction em exibição, e os vários prêmios e distinções emoldurados ao longo das paredes. No entanto, mesmo com todas essas distrações, o tempo passava arrastado.
Nesse momento, ele ouviu a voz de Ash.
— Um visitante?
Sem perceber, Karlyle se levantou, com o coração batendo forte enquanto a expectativa surgia dentro dele.
A próxima voz que ele ouviu foi a da recepcionista.
— Sim, um cavalheiro muito bonito. Ele disse que tem uma reunião com o senhor, Diretor.
Outra voz feminina disse:
— Oh, acho que sei de quem você está falando! Não é aquele que você encontrou estação no outro dia?
— Eu também o vi. Qual é a história entre vocês dois? — uma nova voz interveio com entusiasmo. — Toda a equipe de vídeo e eu vimos vocês dois caminhando de mãos dadas!
As vozes animadas ecoaram pelo saguão. Karlyle, que estava prestes a caminhar em direção a Ash, parou. Era difícil ter certeza apenas com base na descrição vaga, mas, considerando o contexto, parecia que estavam falando dele.
Karlyle analisou os arredores. A sala de espera só podia ser alcançada passando pela área da recepção e, devido à disposição do saguão, era preciso sair para o corredor e dobrar uma esquina, de modo que as vozes chegaram até ele primeiro.
— Sr. Frost? — a voz de Ash oscilou com diversão, embora estivesse confusa com uma leve ponta de constrangimento. Karlyle congelou completamente, sentindo que aparecer agora só tornaria a situação mais desconfortável.
Um lampejo de impaciência agitou-se dentro dele. Ele estava ansioso para ver Ash, para finalmente dizer as palavras que esperava para dizer há vários dias. Mas as vozes continuaram, sem dar sinais de conceder o seu desejo.
— Como pode o nome dele ser tão bonito quanto o rosto dele? Vocês dois estão namorando, certo?
— Pensando bem, você não está solteiro há quase um ano, Diretor?
À medida que continuavam, mais detalhes da vida de Ash que Karlyle não conhecia vinham à tona. Com a palavra namorando, seu coração acelerou mais rápido. Sua garganta se apertou e as palmas de suas mãos secaram enquanto uma onda de ansiedade inexplicável o invadiu. Ele cerrou e descerrou os punhos, esperando pela resposta de Ash. É claro que Ash negaria, mas…
— Nós não somos assim.
Era de se esperar. Karlyle esfregou as mãos agora geladas enquanto molhava os lábios. …Não ainda, eles não estavam nessa fase ainda.
— Sério? Mesmo vocês estando de mãos dadas e tudo mais?
— Mikayla, se esse fosse o caso, então todo mundo com quem o diretor já saiu em um encontro teria sido o parceiro dele.
— Bem, isso é verdade.
Uma voz aguda e uma voz rouca continuaram em tom de conspiração, revelando mais informações. Não foi difícil para Karlyle inferir que as pessoas no escritório frequentemente tinham testemunhado Ash com outra pessoa.
Isso também não era surpreendente, é claro. Desde o início, Karlyle sabia que Ash era experiente. Dar as mãos provavelmente surgia naturalmente para Ash, assim como os outros o verem daquela forma…
— O que vocês dois são, então? Não estão namorando ainda, mas planejam em breve? — a recepcionista perguntou, rindo.
A curiosidade e o interesse sem filtros eram direcionados a Ash, indicando que as pessoas que perguntavam eram próximas a ele. O som de passos continuou a ecoar pelo espaço.
— O Sr. Frost e eu… — A diversão permaneceu na voz de Ash, mas agora soava mais tensa.
Karlyle prendeu a respiração, mas não intencionalmente; ele simplesmente não conseguia respirar.
— …não somos nada.
Oh.
Karlyle sentiu seu coração despencar, atingido por uma dor aguda e repentina. Suas entranhas se contraíram intensamente, como se seu estômago estivesse sendo retorcido. Karlyle pressionou a mão contra o peito, esfregando o esterno com os dedos trêmulos. Seus pulmões se contraíram, seu coração batendo tão forte que doía. Suas mãos frias congelaram completamente, entorpecidas de qualquer sensação.
Não consigo… respirar…
— Então, por favor, não comece rumores desnecessários, Julie — disse Ash.
Meu coração também está…
— Você consegue ser tão rígido com coisas assim, Diretor.
— Então você poderia nos apresentar a ele?
Karlyle mal conseguia distinguir as palavras, abafadas em seus próprios ouvidos. Ele queria fugir. Um pavor frio escorreu por sua espinha.
— Mikayla. — A voz de Ash era gentil como sempre, contudo soou especialmente fria para Karlyle. — Nós não somos nada um do outro, então como eu poderia apresentá-lo a alguém?
Talvez… todos os pensamentos que estavam na minha mente…
— Mas vocês pareciam tão próximos! — alguém protestou.
— Isso é um assunto separado — disse Ash com firmeza.
Será que eram todos…
— Oh, que pena — resmungou Mikayla.
— Na verdade, um bom número de pessoas, como a Olivia do RH, vai se sentir aliviada ao ouvir que o diretor está solteiro — ofereceu Julie em tom consolador.
— Acho que esse é o melhor resultado para todos, então.
Nada além de ilusões?
— Certo, por que vocês todos não vão andando agora? — Ash os conduziu.
O som de passos finalmente cessou. Karlyle olhou para frente, os olhos piscando pesadamente. Ash, o seu Ash surgiu à vista, sorrindo, exatamente como sempre.
— Karlyle?
Seu nome foi chamado. Os três pares de olhos ao lado de Ash se voltaram para ele, os olhares perfurando-o. Embora fossem apenas os olhares curiosos de três pessoas, Karlyle sentiu-se tonto como se estivesse diante de uma multidão de milhares. Ele sentiu como se seus assuntos privados e constrangedores tivessem sido expostos, totalmente mortificado e envergonhado.
— Você estava esperando?
Seus lábios se recusaram a se mover. Ele piscou, a cabeça girando, resistindo ao impulso de tocar o próprio pescoço, como se esperasse encontrá-lo tenso, mas não estava. Era apenas ele mesmo, simplesmente incapaz de se mover. Porque até mesmo o menor movimento o faria desabar.
As pessoas que estavam encarando o mudo Karlyle se viraram para falar com Ash.
— Hum, então nós já vamos indo.
— Até segunda-feira!
Ele observou enquanto Ash aceitava abraços com familiaridade, como se fosse algo totalmente natural. Karlyle fixou o olhar em uma mão que tocou Ash antes de se afastar. Ele reprimiu silenciosamente o ciúme que fervilhava tolamente, sem que ele compreendesse a situação.
Em uma reflexão mais profunda, os sorrisos charmosos e gentis de Ash para Karlyle não eram de forma alguma tão especiais para Ash ou exclusivamente para Karlyle. O que ele pensava que sabia agora parecia totalmente desconhecido.
— Karlyle? — Ash caminhou em direção a ele com uma expressão intrigada.
O aroma de Ash, que ele amava profundamente, o envolveu suavemente. O corpo de Karlyle, condicionado pelo tempo que passaram juntos, respondeu aos feromônios de alfa com uma sutil afeição, em vez da rejeição tipicamente esperada entre dois alfas. Era ridículo. Com essa percepção, ele caiu em um desespero ainda maior.
Cada parte de seu corpo, cada fibra de sua alma, tudo o que compunha Karlyle respondia dessa forma a Ash. Será que ele… seria capaz de continuar sem Ash?
— Por que você está aí parado? Tem algo errado? — A expressão de Ash tornou-se preocupada enquanto ele diminuía a distância entre eles em poucos passos. Ele examinou Karlyle com olhos cuidadosos. Karlyle retribuiu o olhar, estudando o rosto de Ash como se estivesse procurando por algo novo.
Nada havia mudado. Ash ainda olhava para ele da mesma forma — sorria, falava com gentileza e era atencioso — de maneira nenhuma diferente de como tratava qualquer outra pessoa.
Karlyle baixou o olhar para o chão sob seus pés. Ele estava pisando em solo firme. Isso não era um sonho. O peso esmagador da gravidade provava que aquilo era a realidade.
Karlyle estava simplesmente sonhando acordado.
— Agora há pouco… — Ele mal conseguiu falar. — Eu ouvi o que você disse.
— Ouviu? — Ash respondeu, sem parecer surpreso nem perturbado. Ele sorriu, inclinando levemente a cabeça. Um nó ardente de angústia bloqueou a garganta de Karlyle. Essa não era a expressão que ele queria ver.
— Seus colegas pareciam… curiosos sobre o nosso relacionamento. — Ele perguntou como se buscasse uma confirmação, rezando desesperadamente para que o que ele e Ash tinham compartilhado e suas suposições não fossem nada além de um sonho. Ele não queria acordar, não queria ouvir que eles não eram nada um para o outro. Ele queria acreditar que o tempo que passaram juntos tinha um significado.
— Meus colegas tendem a ser um pouco interessados demais nos meus assuntos — disse Ash enquanto sorria em tom de desculpa. — Só por garantia, vou dizer a eles novamente quando os vir na segunda-feira.
As palavras que eu ansiava ouvir eram…
— Que nós realmente não somos nada um do outro.
…não estas.
O silêncio se instalou entre eles como um grito abafado.
Os lábios de Karlyle se abriram e depois se fecharam repetidamente, como se ele tivesse perdido a voz. A dor em seu peito era tão excruciante que ele queria se encolher como uma bola, mas Karlyle suportou isso também.
O que ele deveria fazer agora? Ele estava totalmente perdido. Sua cabeça girava e sua visão escureceu. Tudo o que ele havia planejado e esperado desmoronou em um instante, pois tudo havia sido construído sobre uma base defeituosa.
A pintura veio à sua mente. O rosto de Ash iluminando-se de alegria ao recebê-la agora estava borrado com tinta preta. Ninguém gostaria de receber um presente como aquele de alguém que não significava nada para si.
Ash provavelmente esteve tolerando o afeto e o comportamento desajeitados de Karlyle durante todo esse tempo. Não, era certo que ele esteve suportando isso. Desde o início, Karlyle havia atraído a ira de Ash. Quantas vezes ele havia irritado esse homem que raramente parecia inclinado à raiva?
Contudo, Karlyle havia confundido a cortesia e a paciência de Ash com afeto verdadeiro. Ele foi totalmente tolo, ignorante e estúpido. Não admira que o Avô o considerasse inadequado. Quão frustrado ele devia estar por ter que usar alguém tão sem noção quanto Karlyle como substituto de Kyle.
Karlyle agarrou-se desesperadamente aos restos enterrados e enferrujados de sua razão. Apegando-se a isso, ele se forçou a falar.
— Não haverá necessidade disso.
— Hum? — Ash olhou para ele confuso.
— Pois o que eu queria te dizer hoje é…
Karlyle continuou falando, mal conseguindo juntar seus pensamentos em seu cérebro agora entorpecido, o que parecia não muito diferente de mover suas mãos congeladas pelo gelo.
— …que não há necessidade…
Uma tempestade de raiva, tristeza e dor girou em seu peito. Ele sofria tanto que isso era tudo o que conseguia dizer.
— …de continuarmos com os nossos encontros.
Não era isso que Karlyle queria dizer. Em noites de insônia, Karlyle havia moldado inúmeras frases em sua mente.
Na verdade, ele queria perguntar a Ash se ele poderia permitir que alguém tão indigno quanto Karlyle amasse Ash. Ele queria perguntar se Ash poderia deixar o coração insignificante de Karlyle florescer em algo extremamente precioso através de Ash.
— …Isso é tudo o que eu queria dizer.
Seu sangue, correndo vagarosamente por suas veias, parou, como se seu coração partido tivesse parado de bombear. Tendo mal terminado sua frase, Karlyle olhou para Ash, sem certeza de qual expressão ele próprio estava demonstrando.
Ash permaneceu em silêncio, ainda olhando para Karlyle com um sorriso fixo. Seus longos cílios tremularam brevemente antes de se erguerem novamente, calmos e ilegíveis.
— É mesmo? — Ash finalmente perguntou, sua resposta curta e comedida. Desta vez, Karlyle ficou em silêncio.
— Eu estava me perguntando o que era que você queria me dizer. — A voz de Ash permaneceu calma e terna, como sempre fora, como se nada tivesse mudado. Essa também não era a reação que Karlyle esperava. Sua dor, tristeza e frustração foram ofuscadas por seu anseio persistente, imaginando uma resposta diferente.
Talvez Ash estivesse tão surpreso quanto. Talvez ele dissesse que era um mal-entendido, que não queria acabar com os encontros deles. Talvez, apenas talvez, ele segurasse Karlyle, provando que tudo o que haviam compartilhado não era apenas um sonho passageiro.
— Mas eu não esperava isso de jeito nenhum — continuou Ash, um leve tom amargo surgindo em sua voz, sutil, mas o suficiente para reacender um lampejo de esperança em Karlyle. Talvez…
— Karlyle, você realmente é… um mistério para mim.
Se ele negasse a despedida de Karlyle, se ele quisesse continuar a vê-lo, talvez ainda pudesse haver uma chance.
— Entendido — disse Ash.
No entanto, os sonhos tinham uma maneira de terminar nos momentos mais inesperados.
— Eu respeito a sua decisão.
E Karlyle não era exceção.
Ash cruzou os braços, o rosto impassível enquanto olhava para Karlyle. Karlyle soltou uma respiração trêmula, incapaz de emitir um som.
Um silêncio surreal e estranho ficou suspenso entre eles, como se tivessem retornado ao início. Não, era pior do que onde haviam começado. A realidade começou a se impor.
Karlyle tinha acabado de declarar o fim do relacionamento deles, e Ash tinha acabado de aceitar.
— Obrigado… — Karlyle engoliu o nó que subia em sua garganta e forçou as palavras para fora.
— …Por tudo o que você fez. — Assim que Karlyle pronunciou essas palavras, uma onda de tontura o atingiu. Ele não conseguia mais aguentar. Se ficasse, temia acabar perguntando a Ash, de forma tola e desesperada, todas as perguntas que o corroíam — se eles realmente não eram nada um para o outro, se Ash não tinha absolutamente nenhum afeto por ele, ou por que ele havia dito tais coisas.
Os olhos de Ash vacilaram por uma fração.
Karlyle não tinha mais forças ou vontade para continuar a conversa. Expressar gratidão ou oferecer qualquer coisa em troca de seus encontros estava além de sua capacidade no momento. Sua mente estava completamente em branco. Forçando suas pernas instáveis, Karlyle passou por Ash, com os olhos fixos à frente.
Ninguém segurou suas mãos e pulsos perigosamente trêmulos. Então ele saiu do saguão, sem interrupções.
Mesmo depois de deixar o saguão, Karlyle continuou caminhando sem rumo. Só depois de bastante tempo, ele finalmente parou. Ele se viu olhando fixamente para a frente enquanto se aproximava da Trafalgar Square, tendo há muito tempo passado por Covent Garden. Karlyle virou-se lentamente para olhar para trás.
Não havia ninguém à vista. Ash não o havia seguido ou tentado impedi-lo. Não houve ligação, nem mensagem — nada.
Tudo o que restava na rua vazia era um homem tolo que havia sido despertado de um sonho devastadoramente feliz.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr