Define The Relationship (Novel) - Capítulo 34
Capítulo 34
De perto, Karlyle notou que a altura do olhar de Lord Gordon era de certa forma familiar, apenas um pouco mais alta que a de Karlyle. Então ele percebeu que ele e Ash tinham exatamente a mesma diferença na altura do olhar.
Lord Gordon sorriu amplamente para Karlyle e estendeu a mão. — Você deve ser o cavalheiro que o Sr. Haywood mencionou.
— Prazer em conhecê-lo, Lord Gordon. Eu sou Karlyle Frost.
Suas mãos se uniram para um breve aperto antes de se separarem. Como era comum entre aqueles com títulos, o homem era um alfa dominante.
Embora se dissesse que os alfas dominantes estavam diminuindo em número, Karlyle encontrava alfas dominantes com mais frequência do que alfas não dominantes em seus próprios círculos. Apesar de Lord Gordon ser um alfa dominante, talvez devido ao seu comportamento gentil, Karlyle não se sentiu muito intimidado por ele.
— Eu já me encontrei com Lord Frost várias vezes, Sr. Frost — Lord Gordon observou, e então gesticulou em direção à porta. — Por favor, entre.
Aiden, apesar de sua tendência de se meter desnecessariamente nos assuntos de Karlyle às vezes, sabia quando dar um passo atrás. Com uma desculpa educada, ele se retirou.
— Eu entendo que você está interessado em adquirir uma pintura do Sr. Whitewood e que tinha alguém em mente para presentear — embora eu possa não estar me lembrando disso totalmente de forma correta —, disse Lord Gordon enquanto entravam na sala. Sua franqueza, tão diferente das típicas amabilidades que costumavam preceder as conversas entre aqueles de sua classe, fez Karlyle hesitar.
Lord Gordon conduziu Karlyle até uma mesa onde o chá havia sido preparado, convidando-o a se sentar.
Karlyle lentamente abriu a boca. — Antes de tudo, obrigado por dispor de seu tempo valioso para se encontrar comigo.
Lord Gordon acenou com a mão graciosamente enquanto se sentava. Suas maneiras casuais eram diferentes de qualquer um dos nobres que Karlyle já havia encontrado.
— Embora faça parte da minha coleção, fiquei intrigado ao saber que alguém estava procurando por aquela pintura em particular. Então você poderia dizer que arranjei tempo por satisfação pessoal. — Com isso, Lord Gordon ergueu sua xícara de chá.
Karlyle, após observá-lo por um momento, pegou a pequena jarra de leite e adicionou leite ao seu chá. Após dar um gole em seu chá, Lord Gordon olhou para Karlyle pensativamente.
— Como o senhor mencionou, Lord Gordon, eu de fato tenho procurado por essa mesma peça. Caso esteja disposto a considerar minha proposta… eu ficaria imensamente grato se pudesse me deixar saber o que desejaria em troca.
Lord Gordon virou seu olhar para o lado, na direção de uma tela pendurada no centro de uma parede revestida de estantes de livros. Sem precisar de nenhuma explicação adicional, Karlyle soube que aquela era a pintura que Ash havia descrito.
Ash havia descrito a pintura em detalhes vívidos, e esta correspondia perfeitamente à descrição.
Sob o brilho etéreo da luz branca do luar, surgia uma interação de violeta e índigo, preenchendo a tela com uma radiância luminosa. A silhueta, parcialmente envolta em sombras, permanecia deliberadamente elusiva, mas pulsava com uma vitalidade quase tangível.
Apenas a curva delicada de um nariz pequeno e o mais leve vislumbre de um sorriso eram discerníveis no perfil da figura.
Karlyle já havia visto incontáveis pinturas, algumas das quais eram obras-primas inestimáveis, e algumas tinham até sido daquelas que o público geral se consideraria afortunado por ter a oportunidade de ver uma vez na vida. No entanto, ele nunca havia sido genuinamente tocado por uma obra de arte.
Mas essa pintura tinha um afeto comovente que arrebatava o espectador. O amor do artista pelo retratado, beirando a reverência, era palpável. Karlyle não sabia dizer se estava se sentindo assim porque a pintura era verdadeiramente extraordinária ou porque gostar de Ash havia provocado essa mudança nele.
Uma coisa era certa — qualquer que fosse a razão, no fim das contas estava relacionada a Ash. Ele havia se sentido da mesma forma naquela noite em que imaginou aqueles cenários enquanto assistiam ao filme romântico, um tipo de entretenimento que ele só havia considerado com indiferença até então.
— Qual é a sua impressão? — Lord Gordon perguntou enquanto ambos admiravam a pintura.
Karlyle, arrebatado pelas emoções desconhecidas, porém ternas, levou um momento para escolher suas palavras com cuidado.
Ele não tinha talento para comentar sobre arte. Ele era habilidoso em explicar situações com precisão, conduzir negociações a seu favor e identificar falhas com exatidão, mas expressar seus sentimentos era algo que ele mal havia feito até onde conseguia se lembrar.
Após muita contemplação, uma única frase finalmente escapou dos lábios de Karlyle. — …Eu sinto que essa pessoa foi profundamente amada. E isso ressoa através da pintura.
Diante disso, Lord Gordon voltou seu olhar para Karlyle, que permanecia focado na pintura.
— O artista deve ter realmente amado alguém.
Para Karlyle, o amor sempre fora uma emoção encontrada apenas em contos de fadas — algo que existia para inspirar esperança e ensinar lições, mas que era inalcançável na realidade. Embora amasse sua família, ele sabia que o amor familiar era diferente do sentimento intenso e profundamente tocante retratado na literatura e nos filmes. Ele nunca havia vivenciado o tipo romântico de amor.
Mas agora ele entendia. Todas as frases que ele antes considerava banais e clichês ressoavam nele. Os testemunhos sobre o amor, que ele havia descartado como ficção exagerada, tocavam seu coração.
Então, uma percepção repentina o atingiu — seus sentimentos por Ash não podiam ser descritos adequadamente pela palavra gostar. Esse anseio doloroso que fervilhava como lava derretida, desmanchando-o repetidamente até várias vezes ao dia, não podia ser apenas uma paixão passageira.
Se os humanos realmente possuíssem almas — assim como se emoções intangíveis existissem —, então a alma de Karlyle estava, sem dúvida, agora tingida com os traços de Ash. Sendo assim, Karlyle nunca mais poderia voltar a ser a pessoa que fora antes de amar Ash.
— Nesse caso, Sr. Frost, você é digno desta pintura — disse Lord Gordon. Isso afastou o olhar de Karlyle da pintura para Lord Gordon, a surpresa espalhando-se pelo rosto de Karlyle.
Lord Gordon estava sorrindo. — O trabalho do Sr. Whitewood não é especialmente notável em termos de técnica ou composição. No entanto, ele carrega uma qualidade singular que o diferencia.
Lord Gordon levantou-se e caminhou até a pintura. Ele traçou as bordas da moldura com dedos melancólicos que carregavam remorso pelos anos passados. — Apenas aqueles que verdadeiramente amaram podem sentir algo a partir desta pintura. Aqueles que não amaram não encontrarão nenhuma emoção profunda nela.
Lord Gordon olhou para a pintura com olhos tristes antes de se virar de volta, gesticulando para que Karlyle se juntasse a ele. Karlyle levantou-se silenciosamente de seu assento. A pintura não era muito grande. Era surpreendente que uma emoção tão intensa pudesse ser capturada em uma tela de apenas quinze polegadas de comprimento.
Lord Gordon continuou: — Chagall disse uma vez que, se existe uma única cor que dá significado à vida e à arte, ela deve ser a cor do amor.
O coração de Karlyle pulsou forte. Quanto mais eles conversavam, mais ele sentia falta de Ash; parecia que fazia anos desde a última vez que o tinha visto.
A brisa de verão, o aroma de vinho viajando pelo ar, um olhar ligeiramente abaixado para encontrar o seu próprio — cada pequena e ordinária coisa o lembrava de Ash.
— É exatamente por isso que gosto tanto desta pintura. Toda vez que olho para ela, traz de volta memórias daqueles velhos tempos — comentou Lord Gordon com um sorriso.
— Se o senhor gosta tanto desta pintura, então por que… — reprimindo o turbilhão em seu peito, Karlyle sentiu uma insinuação implícita nas palavras enigmáticas de Lord Gordon. Mas antes que pudesse terminar, Lord Gordon balançou a cabeça.
— Porque sinto que chegou o momento certo de desapegar dela — disse ele, olhando para Karlyle com uma gentileza que era incomum para um nobre, não importa como se olhasse. Mesmo o avô, que conhecia Karlyle por toda a sua vida, nunca havia olhado para ele daquela maneira.
— Eu tenho apenas uma condição para passar a pintura para você. O preço não importa muito. O artista também não queria que ela fosse vendida por um preço alto.
— No entanto, Lord Gordon, é natural pagar o preço apropriado pelo valor dela — disse Karlyle, perplexo.
— O pagamento não precisa ser sempre em forma de dinheiro. Pelo menos, não para mim. Estou bastante confortável financeiramente. A triste verdade é que aqueles que já têm muito podem adquirir ainda mais com pouco esforço. Eu vivi em um mundo assim, então nunca dei muita importância ao dinheiro.
Karlyle ficou sem palavras. Na verdade, não havia ninguém em seu círculo social que carecesse de dinheiro. No entanto, todos eles buscavam constantemente mais riqueza, tirando e sendo tirados no processo. Karlyle não era diferente, mesmo que não fosse algo que ele tivesse desejado.
— Em vez disso, um dia, quando eu precisar de um favor, você me atenderá? Garanto que não será um pedido irracional, Sr. Frost.
— Certamente apenas isso não seria suficiente. Seria adequado apenas pagar um preço que reflita o verdadeiro valor da obra.
— Para mim, este é o preço justo. Mas se você está preocupado… — Lord Gordon falou suavemente, e um silêncio confortável se estabeleceu entre eles. — Se você pudesse me falar sobre a pessoa que ama, eu aceitarei isso como um pagamento adicional.
— Perdão?
— Pois histórias de amor sempre servem de grande inspiração para os artistas.
Karlyle lembrou-se de que Lord Gordon tinha um profundo interesse em arte. Ele não tinha certeza do que exatamente Lord Gordon fazia, mas os funcionários da mansão haviam mencionado que ele estava envolvido em vários empreendimentos artísticos.
Diante de outra pergunta difícil de Lord Gordon, Karlyle sentiu-se momentaneamente sem palavras. No entanto, não era uma sensação desagradável. — O Sr. Jones é…
— Esse é o nome dele?
Karlyle havia mencionado o sobrenome de Ash sem querer, e hesitou antes de balançar a cabeça positivamente. Lord Gordon sorriu calorosamente. A visão dos fios grisalhos salpicados em seus cabelos e sobrancelhas pretas o fazia parecer ainda mais benevolente.
— É um nome maravilhoso.
Mesmo sendo um elogio vindo de alguém que nunca havia conhecido Ash, Karlyle sentiu seu rosto corar intensamente, como se tivesse ouvido algo particularmente encantador.
Aos poucos, os pensamentos vieram à mente. Ash era uma pessoa difícil de definir de uma só maneira. Embora parecesse gentil, havia momentos em que era audacioso, mas no fim, ele era inacreditavelmente bondoso, quase cruelmente. Até mesmo os aspectos de Ash que magoavam Karlyle eram coisas que ele se sentia atraído, coisas que ele não conseguia evitar a não ser gostar — porque tudo isso compunha a pessoa que era Ash.
— O Sr. Jones é… uma pessoa muito boa.
A palavra “boa” carregava inúmeros significados. Karlyle gostava imensamente de Ash, e Ash estava associado a todas as coisas boas nas memórias de Karlyle. Assim, Ash era, literalmente, uma pessoa boa. Embora não estivesse claro se Lord Gordon entendia isso ou não, ele sorriu suavemente como se entendesse.
— Então… — Com uma mão que mostrava as rugas finas da idade, Lord Gordon removeu cuidadosamente a moldura da pintura da parede. — Tenho certeza de que ele ficará imensamente encantado com o seu presente, Sr. Frost.
A pintura, com suas cores agonizantemente lindas, foi entregue a Karlyle. Após receber o quadro em suas mãos, Karlyle olhou silenciosamente para ele por um longo tempo antes de erguer a cabeça. Ao olhar de volta para Lord Gordon, os olhos de Karlyle brilharam levemente com alegria.
— Obrigado… de verdade.
E, como se reconhecesse a felicidade de Karlyle, Lord Gordon sorriu profundamente por Karlyle.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr