Define The Relationship (Novel) - Capítulo 33
Semana 7 – Parte 1
Capítulo 33
Música animada preenchia o salão, somando-se à atmosfera agradável do ambiente. Apesar da hora tardia da noite, o céu além das amplas janelas ainda estava pintado de um azul-pálido. Era realmente o auge do verão.
O sol, que diminuiria rapidamente de intensidade com a aproximação do outono, banhava tudo abaixo com sua luz gloriosa, como se tentasse capturar o encanto do verão antes que ele murchasse.
Por isso, as festas durante essa época do ano eram sempre opulentas. Sejam salões, caçadas ou espetáculos esportivos, os eventos sociais ostentavam o máximo de entretenimento no verão. Embora, para falar a verdade, os anfitriões gastassem generosamente nos eventos, não importando a estação.
O salão que Karlyle estava frequentando hoje marcava uma noite especial, mesmo em meio ao epítome da moda, já que o anfitrião, Lord Philip Gordon, o Marquês de Hertford, raramente aparecia na alta sociedade. Suas atividades oficiais limitavam-se a sediar um salão uma ou duas vezes por ano.
Apesar de suas aparições escassas, seus salões eram sempre frequentados pela elite. E mesmo aqueles que não o conheciam faziam esforços consideráveis para conseguir um convite — tudo por causa de suas conexões.
O Marquês de Hertford tinha uma presença incomparável na era moderna da nobreza, especialmente com laços geracionais com o Duque de Devonshire e relacionamentos de longa data com nobres influentes na esfera política.
Os participantes buscavam cultivar uma amizade com Lord Gordon e ganhar seu favor, na esperança de que tal amizade eventualmente levasse a uma conexão com o duque, que era notoriamente difícil até de se conhecer. Por isso, Lord Gordon era sempre popular.
Lord Frost, como o Marquês de Bath, também havia cruzado o caminho de Lord Gordon em múltiplas ocasiões, mas, devido à natureza reclusiva de Lord Gordon, as interações deles nunca haviam resultado em nada substancial.
Mesmo para Karlyle, que tinha conexões com quase todas as pessoas de importância, hoje era apenas a sua terceira vez frequentando o salão de Lord Gordon. Karlyle estivera ocupado, mas, mais do que isso, a lista de convidados para os salões de Lord Gordon sempre fora muito exclusiva.
E Karlyle devia o convite de hoje a Aiden. A família Haywood administrava um negócio de exposições e leilões, além da rede de hotéis, e mantinha uma conexão estreita com Lord Gordon, cujo interesse estava na arte. Aiden fora o primeiro a fazer uma proposta, sabendo da decisão repentina de Karlyle de frequentar o salão de Lord Gordon.
Os termos da proposta de Aiden eram simples: Karlyle tinha que passar a noite inteira com ele no salão. Era uma condição tediosa, mas Karlyle havia aceitado. Teria sido menos pesado se Aiden tivesse pedido algo mais transacional ou relacionado a negócios, mas Aiden não queria mais nada.
— É assim que vai ser? — Aiden fez beicinho.
— Devo dizer, manter suas habilidades inalteradas por dez anos é uma grande façanha. — Karlyle olhou de relance para as cartas de pôquer dispostas sobre a mesa. Sua mão era um *straight flush com valete alto.
(*N/T: consiste em cinco cartas do mesmo naipe em sequência. Se você tiver um straight flush e ele for a mão de maior valor no jogo, você ganha)
— Eu não deveria ser a atração principal de hoje? Você deveria me deixar vencer — Aiden lamentou-se sinceramente, nunca tendo derrotado Karlyle no pôquer desde que começaram a jogar aos dezesseis anos de idade.
Mas não era inteiramente uma questão de habilidade de Aiden. Karlyle era notoriamente inexpressivo e, por isso, tinha uma vantagem significativa no jogo. O termo poker face bem que poderia ter sido cunhado para ele.
— Se você quer que eu te deixe vencer, é melhor sugerir condições diferentes para o nosso acordo — Karlyle disse enquanto franzia levemente as sobrancelhas. Embora não demonstrasse, ele estava exasperado. Ele havia passado quase toda aquela noite no salão ao lado de Aiden.
Aiden era tagarela — embora isso fosse de acordo com o padrão pessoal de Karlyle — e exigia certo esforço para ouvir e responder a tudo o que ele dizia.
Além disso, Karlyle por acaso conheceu pessoas envolvidas nos negócios de Aiden, todos os quais eram membros do Parlamento que nutriam ressentimento em relação à proibição da caça à raposa. Karlyle havia passado cerca de uma hora ouvindo os planos deles para revogar a proibição e suas queixas sobre os grupos de proteção animal que realizavam protestos. E aquela tinha sido, por uma grande margem, a hora mais inútil de sua vida.
— Sério? Eu estava prestes a ir ver Lord Gordon, mas se você vai se comportar assim… — Aiden disse com um dar de ombros indiferente, sua atitude faceta apenas somando-se à fadiga de Karlyle.
Aiden era uma das poucas pessoas que Karlyle podia chamar de amigo e, ao contrário de outros nobres, ele tinha um toque de humanidade em si, mas as personalidades deles não se encaixavam bem. Era uma pena, considerando o quanto Aiden procurava por Karlyle, mas, como em qualquer relacionamento, era necessário mais do que o interesse de apenas uma pessoa para dar certo — muito parecido com o caso de Ash e Karlyle.
À medida que seus pensamentos se desviavam para Ash, Karlyle pressionou os lábios um contra o outro para suprimir um frio no coração. Ultimamente, seus sintomas haviam piorado a ponto de o simples fato de pensar no nome de Ash fazer as borboletas em seu estômago voarem e seu humor se elevar incontrolavelmente. Até mesmo seus dedos tremiam involuntariamente.
Karlyle tentava arduamente não pensar em Ash, embora ele fosse o motivo de Karlyle ter vindo ao salão esta noite: para obter uma pintura de Phillip Whitewood. De acordo com o que Karlyle havia descoberto, a pintura tinha passado por dois donos antes de chegar a Lord Gordon.
Kyle havia confirmado isso de forma conclusiva, e Karlyle havia pesquisado os interesses recentes do marquês para preparar várias propostas atraentes com termos favoráveis em troca da pintura Landscape in a Lavender Field.
Se a transação fosse bem-sucedida, Karlyle seria capaz de dá-la de presente a Ash neste fim de semana.
Após passar a última sexta-feira à noite na casa de Ash e ficar com ele até a manhã de sábado, Karlyle vinha lutando para acalmar seu coração acelerado. A voz de Ash, chamando-o de exceção, sussurrava em seu ouvido incessantemente.
Ao longo da semana, ele repassou incontáveis vezes as memórias de Ash — chamando o sorriso sem jeito de Karlyle de lindo, voltando para buscar Karlyle na estação de Covent Garden e dando a Karlyle o cartão Oyster especial —, perguntando-se sobre o significado de todas aquelas interações
e o que elas poderiam significar para o relacionamento deles.
Agora eles estavam se aproximando do oitavo e último encontro. Depois desta semana, seria realmente o fim.
Karlyle havia dedicado um tempo considerável pensando em Ash, em suas próprias emoções e no relacionamento deles. Indo tão longe a ponto de deixar de lado seus sentimentos transbordantes, ele primeiro considerou se poderia continuar com os encontros deles.
A razão o alertava persistentemente para organizar seus sentimentos e retornar ao seu papel original, mas, em determinado momento, uma emoção além da razão o levou a uma conclusão diferente.
Ele não queria se encontrar com mais ninguém além de Ash. Ele queria ficar com Ash. Ele queria segurar a mão de Ash, beijar seus lábios e fazer amor com ele. Ele queria ver o rosto sorridente de Ash por toda a eternidade.
Ele tentou conter sua desfaçatez e tolice, mas mesmo depois de acalmar esses pensamentos, restou-lhe o simples desejo de ver Ash por apenas mais um pouco.
Então, qual era a solução? Um desejo impreciso que vinha surgindo dentro dele há algum tempo agora estava florescendo, mudando Karlyle pouco a pouco. Ele queria contar a Ash, confessar os sentimentos que mal conseguia guardar mais em seu interior, fazer uma proposta com a qual nunca havia sequer sonhado em sua vida.
Mesmo enquanto alimentava a possibilidade fantasiosa de que Ash pudesse sentir algo mais do que apenas carinho por ele,
Karlyle sabia que não era provável que Ash fizesse tal sugestão primeiro.
Nesse caso, a única solução era Karlyle sugerir que eles ficassem em um relacionamento. E, se o fizesse, ele queria fazer isso da maneira tradicional — dando a Ash um símbolo de seu afeto ao propor.
— …Eu fui insensível — disse Karlyle a Aiden.
Para obter aquele símbolo, Karlyle poderia pelo menos agradar a Aiden mais um pouco.
— Que tal apenas um “Sinto muito, Aiden”? — Aiden respondeu de bom humor, claramente sugerindo que Karlyle repetisse o que ele disse.
Embora não sem relutância, Karlyle reiterou como Aiden queria:
— Sinto muito.
— E o meu nome?
Karlyle olhou sem palavras para Aiden, cujos olhos verde-brilhantes cintilavam com travessura. Com um sorriso de orelha a orelha, Aiden estendeu a mão para tocar a bochecha de Karlyle, mas Karlyle afastou a mão dele com um tapa. Ele sabia exatamente o que Aiden estava tentando fazer.
— Achei que você tivesse largado essa mania — Karlyle disse asperamente.
— É só porque você nunca sorri.
Aiden vinha sendo significativamente obcecado pelo sorriso de Karlyle desde que eram jovens, e um dos comportamentos que decorriam dessa obsessão doentia era levantar os cantos da boca de Karlyle com os dedos, em uma tentativa de forçar a boca de Karlyle a sorrir.
Karlyle havia tolerado isso algumas vezes, mas Aiden ainda tentava o mesmo truque mesmo na idade atual deles. Quando Karlyle se levantou de seu assento como se não tivesse mais nada a discutir, Aiden o seguiu.
— Tudo bem, eu me contento apenas com Aiden — ele murmurou como se estivesse sendo generoso, ao que Karlyle calmamente atendeu.
— Aiden.
— Seria ótimo se você me ouvisse com mais frequência — Aiden suspirou antes de fazer um gesto para Karlyle enquanto saíam da sala e se direcionavam para as escadas. Karlyle preferiu permanecer em silêncio.
A mansão de Lord Gordon, uma casa de estilo georgiano com um subsolo ampliado localizada em Kensington, servia como sua residência exclusiva. Devido a restrições em modificações internas, expandir o subsolo era uma escolha comum entre a classe alta que possuía casas vitorianas ou georgianas.
— Mas por que raios você está atrás dessa pintura? Ela não pode ser tão conhecida se eu nunca sequer ouvi falar dela — Aiden perguntou curioso, sendo bem versado em peças de investimento.
— Não é algo com que você precise se preocupar — Karlyle respondeu francamente.
O som de seus passos subindo ecoou na escadaria. Após um momento de silêncio, Aiden falou novamente.
— Não estou baseando isso em nenhuma evidência substancial, mas… — Ele pausou no corredor do quarto andar, onde a música estava mais abafada. — Isso é por causa daquele alfa que vi daquela vez?
Karlyle ergueu ligeiramente uma sobrancelha. Era compreensível que Kyle, que estava sempre ao seu lado, notasse, mas era inesperado que Aiden também percebesse.
— Por que você acha isso? — Karlyle perguntou.
Aiden o esquadrinhou com uma expressão um tanto séria, estudando-o com olhos verdes serenos, na mesma altura dos de Karlyle.
— Bem, para começar, você tem agido fora do seu normal desde então.
Aiden claramente havia notado as ausências recentes de Karlyle dos encontros sociais que ele costumava liberar seus fins de semana para comparecer. Talvez ele já tivesse uma suspeita, e vê-lo com Ash no hotel a tivesse solidificado. Karlyle baixou o olhar para organizar seus pensamentos.
Não havia necessidade de revelar um comportamento que atrairia censura. Ele estava bem ciente de quão rapidamente os boatos de que ele estava se encontrando com um alfa circulariam na sociedade.
Como um exemplo pessoal, sua mãe, Alice, havia causado um grande alvoroço quando se casou com Jonathan, outro alfa. Karlyle havia sabido da situação daquela época por meio de seu avô.
Se Alice não tivesse engravidado, seu avô provavelmente teria ordenado que ela e Jonathan se divorciassem. No entanto, contra as probabilidades de 5% quase impossíveis de uma mulher alfa conceber, sua mãe havia dado à luz Karlyle e Kyle com sucesso.
Esta era provavelmente a razão pela qual o avô de Karlyle era especialmente intransigente sobre Karlyle e Kyle se encontrarem com ômegas. Ele não queria que eles seguissem os exemplos da mãe. Claro, o casamento em si teria sido impossível para começo de conversa se Jonathan não possuísse uma vasta empresa de investimentos em uma idade tão jovem.
— Entendo — Karlyle pontuou.
Se sua ligação com Ash se tornasse algo definido de forma diferente do que era agora, Karlyle não queria esconder. Ash era inegavelmente lindo e charmoso, e se Karlyle pudesse namorá-lo…
Ao mero pensamento daquela palavra, “namorar”, uma onda de timidez tomou conta de Karlyle, levando-o a abandonar maiores reflexões. Só de imaginar essa palavra já era avassalador, e ele não conseguia nem começar a imaginar como seria se eles estivessem realmente juntos. Por enquanto, sua prioridade era obter a pintura.
Exatamente quando Aiden estava prestes a falar novamente, uma porta no fim do corredor se abriu. O som da porta se abrindo ecoou pelo corredor silencioso, atraindo a atenção tanto de Karlyle quanto de Aiden.
— Eu estava me perguntando o que era aquela conversa animada acontecendo atrás da minha porta. Vejo que temos convidados. — disse um barítono profundo e afável enquanto um homem de meia-idade emergia do quarto, alto e com uma fisionomia gentil. Seus olhos eram azuis. Embora seu cabelo escuro estivesse salpicado de fios grisalhos, ele parecia mais jovem do que sua idade real, que seria dois anos mais velho que Alice, talvez devido ao seu comportamento aristocrático.
Os olhos de Aiden se arregalaram. Ele se aproximou dele trazendo Karlyle logo atrás e ofereceu sua saudação:
— Lord Gordon.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr