Define The Relationship (Novel) - Capítulo 32
Capítulo 32
A luz do sol branca e brilhante filtrando-se por suas pálpebras acordou Karlyle. Ele conseguia ouvir vagamente pássaros cantando ao longe. O ar do quarto parecia agradavelmente revigorante, resfriado pelo zumbido silencioso do ar-condicionado. Uma satisfação lânguida cobria todo o seu corpo. Essa era a segunda vez que ele acordava assim. A primeira vez tinha sido quando ele havia desmaiado e acordado sozinho após o seu cio.
Quando Karlyle começou a se levantar prontamente por hábito, ele sentiu um braço envolvido ao seu redor e paralisou. Prendendo a respiração, ele olhou para cima lentamente. O rosto de Ash estava tão perto que os cílios deles quase se tocavam. Os olhos de Ash continuavam fechados.
O rosto adormecido de Ash banhado pela luz morna do sol dava uma impressão diferente de quando ele estava acordado. As pontas curvadas de seus lábios davam um toque de sorriso, mas a linha surpreendentemente reta formada por sua boca fechada causava uma impressão incomum.
Preocupado de que o som de sua respiração pudesse acordar Ash, Karlyle prendeu o fôlego e o observou de perto. Era fascinante, até mesmo maravilhoso, que mesmo o seu rosto dormindo pudesse parecer tão cativante e bonito.
Karlyle levantou a mão hesitantemente após o que pareceu uma eternidade de deliberação. As pontas de seus dedos tremeram enquanto acariciavam a bochecha macia de Ash. Com extrema gentileza, ele traçou a ponte reta do nariz de Ash. Era igualmente aveludada, embora mais firme por baixo. Seus dedos então serpentearam pelo canto do olho de Ash. Qualquer sonolência remanescente já havia desaparecido há muito tempo. Embora se preocupasse em acordar Ash, Karlyle não conseguia parar com seus toques secretos. Ele achava difícil acreditar que um ser vivo assim pudesse existir.
“Como seria a sensação de acordar ao lado de Ash todas as manhãs?”
Dormirem juntos na casa de Ash, ou fazer com que Ash dormisse na dele, assistir a filmes como haviam feito na noite anterior, cozinharem juntos, compartilharem os detalhes mundanos da vida cotidiana…
Seus pensamentos circularam de volta para os antigos amantes de Ash. Ash sem dúvida já havia estado com muitas pessoas. Talvez, entre elas, tivessem existido relacionamentos curtos, e então poderia ter havido alguém com quem ele “preferiria morrer”. No entanto, Karlyle não pertencia a nenhuma das duas categorias.
A raiva inflamou diante dessas pessoas sem nome e sem rosto. Ela borbulhava e crescia em seu interior de forma insuportável. Karlyle começou a perceber que esse sentimento intrigante que estava vivenciando poderia ser ciúme. Em direção a todos que haviam conhecido esse lado desarmado de Ash, desde o seu passado e de sua vida presente; ele estava tolamente com ciúmes de todos eles. Inconscientemente, as pontas dos dedos de Karlyle pressionaram com mais força. Os cílios sob suas mãos tremeram, e os olhos de Ash se abriram preguiçosamente. Karlyle retirou a mão.
Ash piscou, franzindo a testa levemente para a luz brilhante que entrava. Karlyle nunca tinha visto Ash fazer essa expressão antes.
— …Bom dia — Ash finalmente murmurou, sua voz rouca impregnada de sensualidade.
— …Você está acordado? — Karlyle perguntou hesitantemente.
— Mmm… Ainda não. — Ash franziu a testa novamente antes de fechar os olhos e se aconchegar no abraço de Karlyle. — Ainda estou acordando.
Por alguns minutos, Ash não disse mais nada. Karlyle sentiu o roçar dos cílios trêmulos de Ash contra o seu pescoço. Isso fez sua pele arrepiar. Então Ash levantou a cabeça.
— Você dormiu bem? — ele perguntou, seu rosto inexpressivo tornando-se gradualmente mais animado, embora ainda não com o seu sorriso radiante habitual. Uma minúscula curva enfeitou os lábios de Ash enquanto ele se sentava lentamente e o edredom escorregava para revelar os ombros e o peito esculpidos de Ash. Karlyle olhou fixamente para as costas musculosas dele enquanto também se sentava ereto. As expressões anteriores de Ash permaneciam em sua mente.
— A cama estava confortável — Karlyle respondeu.
— Que bom. — Ash passou a mão pelo cabelo, olhando para Karlyle com olhos sérios. Ele inclinou a cabeça levemente e soltou um suspiro baixo.
— Você está bem?
Os lábios de Ash se curvaram em um sorriso, e então ele assentiu.
— Só fico um pouco letárgico pelas manhãs. Não é que eu esteja de mau humor… — Ash deixou a frase incompleta, com o olhar demorando-se em Karlyle. Seus dedos, que estavam esfregando seu próprio queixo, moveram-se lentamente para afastar o cabelo de Karlyle para trás.
— Então você dormiu bem? — Karlyle perguntou.
— …Sim. — Ash pausou como se estivesse um pouco perplexo. — Inesperadamente bem, na verdade.
Havia algo estranho em seu tom. Karlyle indagou:
— O que você quer dizer com isso?
— Hmm. — A mão de Ash, que estivera passando pelo cabelo de Karlyle, desceu para acariciar sua orelha. Fez um pouco de cócegas, então Karlyle involuntariamente fechou os olhos.
— Normalmente… — O olhar de Ash nunca deixava Karlyle, como se ele estivesse tentando entender alguma coisa. — Eu não consigo dormir bem se houver alguém ao meu lado.
As sobrancelhas de Ash se franziram, e ele inclinou a cabeça pensativamente. Karlyle olhou para baixo em direção ao edredom branco, tentando processar as palavras de Ash. Ele havia decidido repetidamente consigo mesmo não interpretar mal ou tirar conclusões precipitadas…
— Mas você deve ser uma exceção, Karlyle.
“Uma exceção.”
A palavra cativou Karlyle.
Suas emoções desenfreadas agora ameaçavam despedaçar as comportas que ele havia construído meticulosamente. Fazer suposições erradas e falhar em entender as intenções de alguém, sem dúvida, deveriam ser evitados. No entanto, se Karlyle fosse a exceção de Ash… Agora totalmente acordado, Ash abriu um sorriso de tirar o fôlego e inclinou-se para frente para beijar a bochecha de Karlyle.
— Bom dia, Karlyle.
Enquanto observava Ash se afastar, Karlyle entreabriu os lábios de leve, seus olhos se arregalando à medida que lentamente se suavizavam.
“E se”
— …Bom dia, Ash.
” o meu mal-entendido de que Ash possa se importar comigo não for, na verdade, um mal-entendido?”
Seu sangue ferveu em suas veias. Só de ouvir a única palavra, “exceção”, seu coração havia derretido como se tivesse recebido uma declaração.
Todo o ciúme mesquinho que ele havia alimentado em relação aos antigos amantes de Ash, todo o constrangimento pelas aparências desagradáveis que havia mostrado na frente de Ash, foram varridos em um instante.
O que restou foi uma emoção avassaladora e consumidora, direcionada inteiramente a Ash. E, com ela, a frágil esperança de que, quem sabe, o que ele estava sentindo não fosse unilateral.
As emoções e desejos que Karlyle havia se esforçado tanto para conter finalmente se libertaram; como pétalas desabrochando à luz do sol, eles silenciosamente se abriram e floresceram.
A luz brilhante da manhã iluminava seus lábios delicadamente curvados e seus olhos suavemente enrugados. Um sorriso sutil floresceu em seu rosto bonito diante dos olhos de Ash. Ash ficou em silêncio, seu sorriso sumindo enquanto olhava para Karlyle, hipnotizado. Ele estendeu a mão, segurando a bochecha de Karlyle, e pressionou seus lábios contra os de Karlyle, que ostentavam um precioso pequeno sorriso. Ash deitou Karlyle de volta na cama e acomodou-se sobre ele. A rapidez da manobra encheu Karlyle com uma alegria avassaladora ao perceber que Ash também o queria.
— Você sabe? — Ash perguntou.
Karlyle encontrou os olhos de Ash de forma questionadora.
— Esta é a primeira vez que vejo você sorrir — disse Ash, com seu olhar fixo no rosto de Karlyle de um jeito diferente do habitual.
— Por que você esteve escondendo… — Havia algo mais profundo, mais intenso, contido no olhar de Ash. — …algo tão lindo por tanto tempo?
Os beijos leves como plumas de Ash roçaram a mandíbula, o nariz, as bochechas, os olhos e, finalmente, seus lábios novamente. O sorriso de Karlyle vacilou, desaparecendo e depois reaparecendo outra vez. Ele se sentia tonto de felicidade, mas também tímido.
Karlyle segurou os ombros de Ash. Um sentimento de posse irreprimível surgiu dentro dele.
Esse homem, Ash, aquele que o havia chamado de exceção.
— Você estava escondendo isso só de mim? — Ash perguntou.
Karlyle queria amá-lo abertamente.
— Não — Karlyle sussurrou.
— Mentiroso. — Ash sorriu abertamente, puxando o edredom mais para baixo. Suas mãos percorreram o corpo de Karlyle com intenção clara, atiçando o desejo dentro dele.
— Realmente… Eu não estava. — Ele queria dizer a Ash que aquela era a primeira vez que ele sorria assim — a primeira vez que se sentia tão feliz, a primeira vez que havia chorado tanto tolamente, segurado tanto a mão de alguém, beijado tão profundamente, compartilhado o calor de outro — nunca, até agora.
— Bem, eu vou acreditar em você, seu lindo. — Ash pressionou os lábios no pescoço de Karlyle. Karlyle baixou os olhos, envolvendo seus braços ao redor de Ash. As palavras em seu coração ameaçavam explodir para fora. Ele queria dizer aquilo. Ele nunca havia querido tanto dizer algo em toda a sua vida.
“Se estou sorrindo, é apenas porque…”
“…eu gosto tanto de você.”
Escondendo o rosto no ombro de Ash, Karlyle sussurrou silenciosamente para si mesmo, gravando as palavras mudas na própria pele de Ash.
Karlyle soube então. Que ele não conseguiria mais manter esse sentimento escondido por dentro.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr