Define The Relationship (Novel) - Capítulo 31
Capítulo 31
Apesar de sua afirmação de que seria um jantar simples, Ash preparou uma massa com frutos do mar incrivelmente deliciosa em um molho cremoso. Ele também abriu uma garrafa de um Syrah seco para Karlyle, e até enrolou a massa em um garfo para oferecê-la a Karlyle.
Karlyle evitou o contato visual enquanto tentava recusar educadamente aquele gesto um pouco constrangedor, mas, no fim das contas, rendeu-se aos sorrisos e à insistência de Ash. Ash colocou a massa na boca hesitante e aberta de Karlyle. Karlyle mastigou deliberadamente devagar antes de engolir, enquanto sua nuca esquentava e seu corpo se enrigidecia.
Talvez ainda se sentindo culpado por ter feito Karlyle chorar mais cedo, Ash continuou extraordinariamente atencioso, com o olhar firme em Karlyle. Ash era naturalmente considerado, mas esta noite parecia que ele só tinha olhos para Karlyle.
Depois que terminaram o jantar, Ash sugeriu que assistissem a um filme. Eles arrumaram a cozinha, e ele diminuiu as luzes da sala de estar adjacente e pediu para Karlyle escolher um filme. Havia muitos que Karlyle não tinha assistido antes.
— Já escolheu um? — Ash perguntou, abraçando Karlyle por trás enquanto este examinava os Blu-rays e DVDs cuidadosamente organizados no armário de vidro. Os lábios de Ash roçaram a nuca de Karlyle. A temperatura corporal de Karlyle, que havia subido desde o beijo deles na banheira, não mostrava nenhuma inclinação para esfriar. Seu coração também continuava a acelerar incansavelmente.
Era como se eles tivessem realmente se tornado amantes.
— O que você gostaria de assistir, Ash…? —
— Quero assistir a algo que você não tenha visto antes — Ash insistiu.
— Não tenho uma preferência específica.
— Mas você me disse que não gosta de filmes de zumbi. — Ash deu uma risada abafada, seus lábios fazendo cócegas na nuca de Karlyle.
Embora já fizesse algum tempo desde a conversa deles em Southbank, Ash se lembrava. Alegria e entusiasmo surgiram dentro de Karlyle. Apesar de ter tido relações sexuais apenas algumas horas antes, ele sentiu uma agitação de excitação mais uma vez.
Karlyle tentou se concentrar nos filmes que Ash tinha em sua coleção, mas nada realmente capturava seu interesse. No entanto, havia algo que ele queria ver.
— …Eu gostaria de assistir a algo que você goste. — Karlyle havia reformulado suas palavras anteriores. Ele queria assistir a um filme de que Ash gostasse, para aprender o que Ash gostava e apreciava.
— Sério? — Ash sorriu amplamente, os olhos se enrugando enquanto olhava para Karlyle. Então, ainda segurando Karlyle por trás, ele estendeu a mão em direção ao armário de vidro. — Você também gosta de filmes tristes?
Não importava, desde que fosse algo de que Ash gostasse. — Eu não me importo com eles.
Para falar a verdade, Karlyle geralmente não conseguia ter muita empatia com filmes. Mesmo ao assistir a filmes que retratavam um amor comovente, ele encarava isso como a vida de outra pessoa. Nunca aconteceria em sua própria vida.
— Então vamos assistir a este — Ash decidiu, selecionando um filme.
O filme era sobre um homem que perdeu seu amante em um acidente e tentou protegê-lo através de repetidos loops temporais. Karlyle assistia ao filme de forma serena, sentado ereto ao lado de Ash, que se aconchegava no sofá. Suas coxas estavam se tocando.
Ao contrário de quando estavam no BFI, Ash permaneceu quieto, completamente absorto no filme. Karlyle ocasionalmente dava olhadas furtivas para o perfil de Ash. Na escuridão profunda, a luz do projetor tingia o rosto de Ash.
Karlyle estava tenso com essa reviravolta desconhecida e emocionante nos acontecimentos. Ele estava usando a camisa de Ash, um pouco larga demais nos ombros, e passando a noite daquela forma na casa de Ash. Conhecer alguém por quem se importava, ou passar uma noite assim com essa pessoa, poderia ser algo comum para os outros, mas era uma primeira vez preciosa para Karlyle.
Mesmo enquanto acompanhava o enredo do filme, ele não conseguia resistir a imaginar como eles deveriam parecer para os outros naquele momento.
Foi nesse momento que algo tocou seu ombro. Sobressaltado, Karlyle olhou para baixo. O cabelo macio de Ash preencheu sua visão enquanto ele apoiava a cabeça no ombro de Karlyle.
Ash inclinou levemente a cabeça para cima para encontrar os olhos de Karlyle. — Estou com um pouco de sono — Ash murmurou com uma voz sonolenta.
Esse lado íntimo e fofo de Ash fez as pontas dos dedos de Karlyle formigarem. — Você gostaria de ir para a cama?
— Quando o filme terminar. Eu gosto da cena final — Ash respondeu.
Karlyle forçou seu olhar para longe. Por mais que ele quisesse continuar observando Ash, que estava apoiando a cabeça contra o ombro de Karlyle, pareceria estranho. Além disso, a menção de Ash à sua cena favorita despertou o interesse de Karlyle.
O enredo e a premissa do filme eram comuns, mas, para Karlyle, não pareciam racionais. Conforme o final se aproximava, o protagonista se sacrificou por seu amante.
Enquanto Karlyle assistia a isso com uma expressão neutra, Ash falou baixinho ao seu lado, sua voz baixa e contemplativa.
— Karlyle, o que você faria se fosse colocado nessa situação?
— Você quer dizer uma situação em que meu amante morreria? — Karlyle perguntou enquanto olhava para os créditos subindo.
— Sim, especificamente se a escolha ficasse entre você ou ele.
Por um momento, a mente de Karlyle ficou em branco. Seu primeiro pensamento foi lógico: a pessoa com mais responsabilidades ou dependentes deveria ser a única a sobreviver. Mas então, naturalmente, ele imaginou tal cenário envolvendo a si mesmo e Ash.
— Eu imagino que me comportaria de forma muito parecida com o protagonista. — A resposta veio a ele imediatamente.
Não era porque ele tinha empatia pelo protagonista. Mas se algo assim acontecesse com Ash diante de seus olhos… Ele não conseguia sequer se permitir imaginar isso.
— Você realmente pensa assim?
— …Sim.
Embora fosse apenas uma hipótese, Karlyle concluiu resolutamente. Se um deles tivesse que morrer, seria melhor para o mundo se fosse ele mesmo. Fazia sentido. Um mundo onde Ash continuasse vivo seria muito mais bonito do que um com Karlyle.
Eles nem sequer estavam em um relacionamento de verdade, mas Karlyle não conseguia imaginar viver em um mundo sem Ash. Por outro lado, Ash provavelmente seria capaz de continuar vivendo como tinha feito sem Karlyle. O coração de Karlyle apertou, mas era a verdade.
— Não tenho certeza do que eu faria — disse Ash, sentando-se ereto. O silêncio se adensou.
— Se eu tivesse que viver sozinho após perder alguém que amasse… — Ash virou a cabeça para olhar para Karlyle, sua mão se movendo do sofá para repousar na coxa de Karlyle. — Eu preferiria morrer com essa pessoa.
Karlyle piscou.
O leve farfalhar de insetos entrava pelas portas de vidro do chão ao teto que estavam abertas para o jardim e preenchia o silêncio, enquanto a luz alaranjada de além dos muros do jardim banhava tenuemente o cômodo.
Mesmo que Ash não estivesse direcionando suas palavras a Karlyle, mesmo sabendo que a pessoa que Ash amava não era ele, isso deixou Karlyle tonto. Seu coração estava batendo tão forte que ele ficou com medo de que Ash pudesse ouvir.
— …Você não tem medo da morte? — Karlyle fez uma pergunta prática.
Ash pausou para olhá-lo antes de sorrir serenamente. — Em outros casos, sim, eu teria. Mas… — Ele olhou pela janela antes de se virar de volta e ficar de pé. Ele estendeu a mão na direção de Karlyle. — Alguns amores são tão profundos que até a morte parece insignificante.
Karlyle pegou a mão dele. Seus dedos se entrelaçaram firmemente. Ash o puxou para que ficasse de pé. Como sempre, apesar do puxão gentil, Karlyle deu por si tropeçando desamparadamente em direção a Ash. Juntos, eles subiram as escadas cobertas pela escuridão, e Karlyle não pôde deixar de se perguntar se as palavras de Ash eram de fato verdadeiras.
Depois de se prepararem para dormir, Ash puxou as cobertas e fez um gesto para que Karlyle se juntasse a nole. Os acordes suaves da voz de Julie London flutuavam pela porta entreaberta.
— Vai desligar sozinho daqui a pouco — disse Ash, logo antes de apagar o abajur da cabeceira.
— Eu não me importo — respondeu Karlyle. Embora raramente dormisse profundamente, como alguém capaz de pegar no sono em quase qualquer ambiente, o som fraco da música não era um problema para Karlyle. Se ele não conseguisse dormir esta noite, seria exclusivamente pelo fato de Ash estar ao seu lado.
Durante o seu rut, tinha sido difícil até de pensar de forma coerente, então ele nem sequer havia se sentido nervoso ao pegar no sono com Ash. Mas agora, o corpo de Karlyle se enrigideceu como um tronco só de estar deitado na cama ao lado de Ash, depois de passarem uma noite pacífica juntos. Karlyle agora se preocupava se o seu rosto dormindo pareceria peculiar.
Ash deu uma risada abafada. O som dele se acomodando na cama foi incomumente alto. Karlyle deitou-se de costas em uma postura correta, abafando silenciosamente a própria respiração enquanto fechava os olhos.
— Você costuma dormir bem, Karlyle? — Ash perguntou, e em seguida respondeu à sua própria pergunta. — Você parecia dormir profundamente durante o seu rut.
A tentativa de Karlyle de organizar seus pensamentos de olhos fechados falhou imediatamente. — …Eu parecia?
— Sim, embora eu ache que possa ter sido também porque te cansei demais. Mas você tem uma mania de sono.
O coração de Karlyle disparou quando seus olhos se abriram abruptamente. Ele se sentou de leve, uma onda de constrangimento o invadindo.
Até onde ele sabia, não tinha nenhuma mania de sono específica. Os ômegas com quem ele já havia dormido nunca tinham mencionado nada…
— Você ficava chutando o edredom para fora — Ash provocou.
— E-Eu fiz isso? — Karlyle gaguejou, sua voz tensa de ansiedade.
Ash soltou uma risada abafada.
Justo quando tinha começado a se sentir mais à vontade, essa crítica repentina aos seus defeitos fez Karlyle querer desesperadamente fugir. Não, fugir não resolveria nada. Ainda assim, isso era realmente…
— Ah, Karlyle — Ash murmurou, estendendo a mão para puxá-lo para perto.
Karlyle deu por si deitado de volta contra os travesseiros fofos, envolvido pelos braços de Ash. Ash o segurava facilmente em um abraço firme, apesar de terem portes físicos semelhantes.
— Eu realmente não deveria provocar você. — Ash continuou rindo baixinho.
Ao ouvir que era apenas uma provocação, Karlyle começou a se acalmar, seu coração que batia desordenadamente finalmente voltando ao lugar, mas deixando-o mais tonto do que quando havia caído de um cavalo.
— Você parecia adorável, até mesmo o seu rosto dormindo — Ash acrescentou, pressionando um beijo na testa de Karlyle. Seus olhos se encontraram, e eles deram por si deitados de lado, rosto a rosto. Karlyle piscou.
— Então não se preocupe. Tenha um sono bom e revigorante, não deixe nem mesmo um sonho interromper você — os lábios macios de Ash murmuraram as palavras gentilmente.
— Boa noite, Karlyle — os lábios de Ash então roçaram as pálpebras de Karlyle. — Me desculpe por hoje.
Enquanto ouvia a respiração de Ash se tornar gradualmente mais profunda, os olhos de Karlyle se fecharam naturalmente conforme ele adormecia lentamente.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr