Define The Relationship (Novel) - Capítulo 30
Capítulo 30
Ash inclinou-se, aproximando o rosto do de Karlyle. Karlyle fechou os olhos com força e depois os abriu novamente. Exatamente como Ash havia adivinhado, ele estava à beira de outro orgasmo.
O problema era que esses orgasmos intensos não eram acompanhados de ejaculação. Karlyle nunca tinha ouvido falar ou visto casos como esse, mas essa já era a terceira vez que acontecia com ele.
Ash detectava com precisão sempre que Karlyle estava “gozando”, com sua entrada se contraindo e sofrendo espasmos ao redor de seu membro. Mas por que diabos…
— Aah, mais d-devagar, por favor, aah! — Karlyle suplicou, mas Ash apenas aumentou o ritmo, não dando a Karlyle tempo algum para pensar.
Karlyle gritou quando Ash atingiu o ponto mais sensível dentro dele, impulsionando-o para outro orgasmo. Seus dedos do pés encolhidos enrijeceram enquanto seu corpo entrava em convulsão.
— Eu nunca vi ninguém tão sensível assim — Ash comentou em um tom perigosamente sedutor enquanto continuava a estocar. Ele sequer parou por Karlyle, cujo corpo estava hipersensível devido ao clímax.
— Um corpo como este — murmurou Ash, investindo com ainda mais força, enquanto o som de suas carnes batendo ecoava —, deixaria qualquer um louco.
Karlyle notou que algo estava errado; ele não conseguia parar o orgasmo. Sua ereção continuava corada de vermelho, sem dar sinais de diminuir enquanto ele arfava, chutando os lençóis com os pés em uma tentativa fútil de se libertar de Ash.
— Ash, espere, tem algo errado, ah, espere.
O baixo ventre de Karlyle contraiu-se com uma vontade crescente de urinar. Um terror absoluto o dominou. Ele precisava — não, tinha que — parar aquilo. Ele precisava se retirar antes de sucumbir a um ato inominável.
Sorrindo os punhos, Karlyle tentou desesperadamente puxar o membro de Ash para fora.
— Não, pare, por favor, nós precisamos…!
No entanto, Ash o ancorou entre seus braços e sussurrou com a voz baixa:
— Não apenas eu…
Karlyle fechou os olhos com força enquanto pairava no limiar de liberar algo.
— …, mas qualquer outro alfa adoraria isso.
Conforme o membro de Ash o penetrava até o talo, preenchendo-o até as suas profundezas mais íntimas, Karlyle pensou delirantemente que ele poderia estar alcançando sua garganta.
Eles atingiram o orgasmo como um só.
O corpo de Karlyle despedaçou-se diante da ferocidade sem precedentes do orgasmo. À medida que seu corpo ficava rígido, seu membro contraiu-se e jorrou sêmen. O fluido branco e alcalino acumulou-se em seu umbigo e, seguindo as gotas de sêmen, um líquido límpido esguichou para fora. Ele derramou-se por seu abdômen tenso. O som de água correndo preencheu o quarto.
O choque atingiu a mente de Karlyle como um golpe. Suas vias aéreas se contraíram. Ele baixou os olhos, cambaleando em horror e descrença diante do que acabara de fazer.
“Que diabos estou fazendo?!”
Contudo, não era apenas a vergonha pelo que havia acontecido; as últimas palavras de Ash ecoavam em seus ouvidos.
Ele disse mesmo… qualquer outro alfa?.
Seus olhos arderam. Ele sentiu seu corpo fraquejar à medida que uma maré de emoções o dominava. A humilhação de mostrar um vislumbre tão vergonhoso, o fato de a pessoa que testemunhara aquilo ser ninguém menos que Ash, e os comentários de Ash sobre ele estar com outros alfas… Tudo se uniu em um nó quente e doloroso alojado em seu coração.
Karlyle empurrou Ash com todas as forças que lhe restavam e cambaleou para fora da cama. Suas respirações eram trêmulas enquanto ele tentava suprimir os soluços que subiam por sua garganta.
— Karlyle? — Ash chamou com uma voz perplexa enquanto se sentava.
No entanto, Karlyle não se virou para olhar para ele, com a voz contida e tensa ao declarar:
— … Eu deveria ir embora agora.
— O que você quer dizer com isso? — Ash perguntou, ainda confuso.
Karlyle não respondeu. Seus lábios estavam firmemente pressionados um contra o outro. Conforme seus olhos de bordas avermelhadas se enchiam de lágrimas, ele acelerou o passo. Os fluidos que antes haviam se acumulado em seu torso agora escorriam por suas pernas — a evidência sórdida de sua humilhação.
Pouco antes de ele alcançar a porta, Ash o alcançou e agarrou seu braço.
— Karlyle, você está bem?
Não, ele não estava bem. Ele havia sido exposto da maneira mais vulnerável e humilhante possível para a pessoa que amava. Tinha feito algo ultrajante que nem mesmo uma criança faria, e… Ash continuava mencionando…
— Me solte. — Karlyle arrancou o braço do aperto de Ash. Seu maxilar estava cerrado enquanto ele se virava de costas para Ash. Ele não se sentia capaz de encarar o rosto de Ash. Não queria. O pensamento de como Ash poderia estar julgando-o, ou talvez nem se importando, era insuportável. Uma onda de tristeza e raiva o envolveu, direcionada tanto à situação quanto a si mesmo.
— Karlyle, olhe para mim.
Ash o seguiu e, desta vez, segurou seu ombro. Ele se moveu rapidamente para ficar de frente para Karlyle, que mantinha a cabeça virada, mordendo os lábios. A expressão de Ash mudou, seus olhos se arregalaram quando ele finalmente viu o rosto de Karlyle.
— Karlyle, você está… chorando?
Ash estendeu a mão em direção a Karlyle. No entanto, Karlyle virou a cabeça na outra direção, em uma recusa. Com uma feição pesarosa, Ash girou gentilmente a cabeça de Karlyle em sua direção e, em seguida, acariciou sua bochecha, tentando confortá-lo.
— Karlyle, por favor, olhe para mim, por favor? — Ash suplicou suavemente, com sua gentileza habitual. Sem dizer uma palavra, Karlyle voltou seu olhar para ele, respirando de forma lenta e profunda. O forte desejo de ir embora foi atenuado pelo tom de Ash.
— Me desculpe. Por favor, não chore. — Ash franziu as sobrancelhas em um gesto de desculpa e enxugou as lágrimas dos olhos de Karlyle.
Karlyle apenas então percebeu que estava chorando. Ele não conseguia se lembrar da última vez que havia derramado lágrimas. Mesmo quando quebrou um osso enquanto aprendia a andar a cavalo quando menino, ele não chorou, querendo parecer forte e digno para seus pais. Agora, como adulto, ele tinha ainda menos motivos para chorar.
Ao pensar que não havia feito nada que justificasse o choro, sentiu seu peito se esvaziar. Ele parecia tão vergonhoso diante de Ash, a quem queria mostrar apenas seus lados bons.
Ele conseguia entender por que Ash continuava mencionando outros alfas. Não, na verdade, ele não conseguia. Por que Ash continuava trazendo à tona outros alfas? Ele havia acreditado que, pelo menos um pouco, as coisas estavam mudando entre eles. Apesar de saber que provavelmente estava tudo em sua cabeça, ele havia se apegado a essa esperança.
Mas, como esperado, era tudo uma ilusão. Ash apenas pensava nele como uma pessoa que nunca mais veria após o término do acordo de ambos.
— … Eu lhe mostrei algo desagradável. Por favor, me solte — disse Karlyle com a voz desanimada. Tudo o que ele queria fazer era se limpar e depois recuar para casa. Seu eu de antes, que estivera animado ao ver Ash pela primeira vez em algum tempo, parecia ainda mais tolo.
— Eu não sabia que isso te deixaria tão chateado. Me desculpe — disse Ash, com a voz sincera e arrependida, ainda sem soltar Karlyle.
Karlyle evitou o olhar dele, concentrando-se, em vez disso, nos pés e tornozelos bem desenhados de Ash, lutando para estabilizar a respiração. Uma tempestade de emoções complexas o açoitava por dentro.
— Sinto muito. Por favor, me perdoe, Karlyle. — Ash acariciou o braço de Karlyle. Ele se inclinou, pressionando os lábios contra a testa de Karlyle. O calor do beijo e a voz terna, assim como a expressão genuinamente arrependida, suavizaram a queimação no coração em carne viva de Karlyle. Em vez disso, ele engasgou com lágrimas inexplicáveis.
— Por que… você… — a voz de Karlyle embargou. Mesmo pensando que não deveria dizer aquilo, as palavras presas em sua garganta transbordaram.
— Eu não entendo por que você continua mencionando… outros alfas — disse Karlyle em um tom pouco acima de um sussurro, que Ash precisou se esforçar para ouvir. Em seguida, Karlyle se afastou de Ash, que ficou piscando diante do comentário.
Karlyle estava verdadeiramente abalado. Ele quisera perguntar se era alguém totalmente insignificante para Ash, mas agora que havia soltado seus sentimentos mais íntimos, achava difícil reconciliar-se consigo mesmo. Nunca haveria outro dia como este em que se permitiria parecer tão desestruturado. A exaustão o dominou.
Ash seguiu Karlyle até o banheiro. Ele abraçou a cintura de Karlyle por trás e disse:
— Karlyle, por favor, me escute por um momento.
Karlyle hesitou. — … Eu gostaria de me lavar.
— Você não gostou que eu mencionasse outros alfas?
Karlyle fez uma pausa quando Ash o virou para que ficassem de frente um para o outro e seus olhares se cruzassem. Karlyle rapidamente olhou para baixo para escapar dos olhos de Ash.
Karlyle havia se tornado consciente de como perdia sua postura habitualmente controlada quando estava perto de Ash. Apesar de seus esforços para manter o controle, era difícil fazê-lo e, em um canto de seu coração, ele ansiava silenciosamente por baixar a guarda.
Considerando isso, Karlyle finalmente abriu a boca, embora soubesse que seria mais sensato ir embora sem dizer nada.
— … Não, não gostei.
Ash estendeu a mão e afastou o cabelo desalinhado da testa de Karlyle antes de segurar seu queixo e erguê-lo.
— Eu não quis dizer daquela forma — disse Ash, encarando os olhos de Karlyle diretamente com uma expressão um tanto desconcertada.
Karlyle piscou, sentindo o ardor de suas lágrimas que secavam. Ele tentou conter a respiração instável enquanto olhava para Ash. Ash suspirou e, em seguida, sorriu de forma triste enquanto balançava a cabeça.
— Era para ser apenas uma “conversa suja”.
Karlyle franziu a testa, sem compreender o que acabara de ouvir. Com uma expressão que dizia que já esperava por isso, Ash alisou os dedos pela testa de Karlyle, e o toque gentil ajudou a acalmá-lo.
— Algumas pessoas ficam excitadas com esse tipo de conversa… Eu só estava testando para ver como você reagiria — explicou Ash, com os dedos limpando a umidade dos cílios de Karlyle.
— Eu não quis dizer aquilo de verdade. Por favor, acredite em mim. — Ash fitou Karlyle em silêncio, com uma expressão enigmática. Diante de suas palavras, a tensão que estava nodosa dentro de Karlyle afrouxou pouco a pouco, sendo gradualmente substituída por uma onda de constrangimento. Os olhos de Ash, observando cuidadosamente cada canto do rosto de Karlyle, deixavam rastros quentes.
Ele olhou brevemente para baixo e, em seguida, concentrou seu olhar de volta em Ash. — … Eu entendo — Karlyle finalmente cedeu.
— Se você não gosta, eu nunca mais direi essas coisas. Prometo — Ash o tranquilizou.
Um breve silêncio se seguiu. Karlyle sentiu uma leve sensação de alívio, mas agora o problema era como ele deveria reagir dali em diante. Além disso, aquilo não apagava a realidade mortificante de que Karlyle havia urinado na frente de Ash.
— … Eu também gostaria de me desculpar — murmurou Karlyle.
Ash olhou para ele com curiosidade:
— Pelo quê?
Karlyle mordeu o lábio ao se virar. Ele queria se lavar. Mesmo que voltassem a conversar mais tarde, pensou que seria melhor se limpar e ir embora por enquanto.
— Por favor, me diga, por favor? — Ash insistiu, seguindo atrás de Karlyle.
Geralmente, Ash era rápido em recuar, mas hoje parecia determinado a permanecer perto do eu desajeitado de Karlyle. Karlyle sentiu uma pontada de irritação, mas, na verdade, a persistência de Ash fazia cócegas em seu interior, arrancando um riso silencioso diante do absurdo de seu próprio coração.
— Que eu-eu s-sujei a cama — gaguejou Karlyle relutantemente, sabendo que não podia simplesmente evitar o assunto. Cometer erros e depois ignorá-los não era algo aceitável para um adulto.
Ash piscou, aparentemente pego de surpresa, mas logo abriu um sorriso ofuscantemente radiante e abraçou Karlyle com força, fluidos e tudo. Karlyle instintivamente tentou se afastar, preocupado em sujar Ash, mas Ash não o soltou. A pele de Karlyle formigou.
— Por que você está se desculpando por isso? — Ash perguntou.
— Eu sujei os lençóis da cama… Me desculpe. — A voz de Karlyle era carregada de autorreprovação.
— Não é sujeira, Karlyle — Ash insistiu de forma reconfortante. Por mais gentil que Ash estivesse sendo, aquilo era uma mentira óbvia demais. Karlyle não conseguia fingir que acreditava nele.
Como algo expelido pela abertura da uretra poderia não ser sujeira? Para ser exato, até mesmo a relação sexual de ambos envolvia partes do corpo que não eram puramente limpas, mas o que havia acontecido agora há pouco era…
— É o tipo de coisa que pode acontecer com qualquer um no calor do momento — explicou Ash com naturalidade e plantou um beijo leve em sua bochecha com um pequeno sorriso, como se achasse Karlyle adorável. — É porque você é tão sexy e sensível, Karlyle.
Karlyle ficou em silêncio; no entanto, precisava reconhecer as palavras de Ash, mesmo que não pudesse aceitá-las por completo. — … Entendo.
— Você não acredita em mim, acredita? — Ash perguntou. Só ele para ser tão perspicaz em momentos como este.
Karlyle mudou de assunto. — … Estou bem agora. Se não se importar, eu gostaria de me lavar antes de ir embora.
— Ir embora? — Ash repetiu com surpresa.
Karlyle hesitou. Embora tivessem começado a fazer sexo quase assim que ele havia chegado à casa de Ash, aproximadamente duas horas se passaram. Considerando que Karlyle havia chegado bem depois da hora do jantar, a noite estava avançando.
— Está ficando tarde. Você não deveria descansar um pouco?
Ash olhou para ele em silêncio por um momento e depois balançou a cabeça. — Durma aqui, Karlyle.
Karlyle piscou, pego de surpresa pela oferta inesperada. Ele se viu abrindo e fechando a boca tolamente antes de perguntar:
— … Me desculpe, mas você poderia repetir isso?
— Onde você pensa que vai depois de chorar? Eu não aguentaria deixar você ir embora desse jeito. Isso me deixaria acordado a noite toda.
A expressão de Ash era sincera enquanto ele, mais uma vez, pressionava os lábios contra a testa de Karlyle, fazendo o coração de Karlyle acelerar por um motivo diferente desta vez.
— Você quis dizer mesmo… que quer que eu passe a noite?
— Sim, se você puder, passe a noite. Eu gostaria muito disso. — Ash segurou a mão de Karlyle e o conduziu até a banheira. Ele ligou a água e, conforme a banheira redonda e branca se enchia, uma brisa quente de início de noite entrava pela pequena janela ao lado.
— Eu fiz você chorar, então, por favor, me deixe compensar isso? — Ash acariciou a bochecha de Karlyle.
Tentando acalmar seu pulso acelerado, Karlyle assentiu após muita deliberação. Para dizer a verdade, ele já sabia a resposta desde o momento em que ouviu o convite de Ash.
— … Tudo bem — ele concordou.
Diante de suas palavras, os olhos de Ash se curvaram em um sorriso.
A banheira era grande o suficiente para acomodar confortavelmente dois homens adultos e robustos. Depois de acomodar Karlyle na água morna, Ash voltou com uma garrafa de vinho, colocando-a junto com duas taças ao lado da banheira. Uma música ecoava suavemente de além da porta aberta do banheiro.
— Está se sentindo um pouco melhor agora? — Ash pousou na borda da banheira e olhou para baixo, encarando Karlyle.
Karlyle, como qualquer pessoa que acabou de se expor de uma maneira humilhante, sentiu uma vergonha avassaladora diante da preocupação bem-intencionada de Ash. E, no entanto, ele gostava daquilo. Afinal, Ash estava preocupado com ele — era isso o que importava.
— Não há necessidade de você se preocupar.
— Hmm, isso pode ser difícil. — Ash abriu um sorriso terno e, de forma travessa, segurou o nariz de Karlyle antes de soltá-lo logo em seguida. O gesto íntimo fez Karlyle congelar. Sua pele, já corada pelo vapor, ficou ainda mais quente; ele estava sentindo um calor um tanto excessivo.
— Pensando bem, nós não comemos nada — comentou Ash.
Embora não estivesse particularmente com fome, Karlyle perguntou por preocupação com Ash: — Se você estiver faminto, eu posso pedir para alguém—
— Ahaha, não precisa disso. — Ash dispensou a sugestão com uma risada bem-humorada.
Ash esticou-se com destreza para pegar o vinho e girou a tampa da garrafa para abri-la. Fitando o vinho tinto-escuro preencher as taças, Karlyle ponderou em silêncio.
Agora que a tempestade dentro dele havia se acalmado, fora substituída por uma emoção diferente: a surpresa. Surpresa ao descobrir que podia ser tão profundamente afetado por alguém. Ash continuava enviando ondas gigantescas para as águas outrora tranquilas de suas emoções.
— Mas já que está um pouco tarde, uma massa simples serve? — Ash sugeriu.
— Não precisa se incomodar — garantiu Karlyle.
— Como poderia ser um incômodo se é para você? — Ash respondeu gentilmente, embora tamanha ternura parecesse desnecessária para Karlyle. Depois de encher as taças, Ash deslizou para dentro da banheira, fazendo a água ondular. Sob a água transparente que os envolvia, Ash envolveu a cintura de Karlyle com os braços.
— Venha aqui para cima — disse Ash, gesticulando em direção ao seu colo. Karlyle hesitou. Parecia estranho sentar-se assim quando não estavam fazendo sexo, embora a sensação não fosse muito diferente de quando estavam.
Ash puxou a cintura reticente de Karlyle, aproximando os corpos de ambos até que Karlyle estivesse sentado sobre as coxas firmes de Ash. O coração de Karlyle parou de bater com força. Enquanto ele se apoiava desajeitadamente nos ombros de Ash, Ash inclinou-se para trás contra a banheira, trazendo Karlyle ainda mais para perto.
— Em vez disso, vou preparar algo delicioso para o café da manhã de amanhã — murmurou Ash, roçando levemente os dedos ao redor dos olhos de Karlyle.
Karlyle notou que Ash estava cobrindo seus olhos de atenção particularmente desde antes, e seus cílios tremularam. Era difícil saber para onde olhar. De repente, Karlyle sentiu algo estranho e virou a cabeça de leve.
— O que foi? — Ash perguntou.
Karlyle franziu as sobrancelhas de leve, com um olhar intrigado. Ele percebeu que o objeto rígido que pressionava contra si era a ereção de Ash.
— Oh. — Ash riu baixinho, um som contido e envergonhado, e então seus dedos voltaram a acariciar a têmpora de Karlyle.
— Apenas ignore — disse Ash com indiferença, mas o tamanho e a proximidade eram impossíveis de ignorar. A ideia de sentar-se diretamente sobre aquilo fez Karlyle se sentir quente e desconcertado. Ele não sabia como se posicionar.
— … Se você quiser, nós podemos — Karlyle ofereceu hesitante.
— Está tudo bem. É que você ficou tão lindo quando chorou que eu não pude evitar ficar duro — disse Ash, com a voz tão calma e de cavalheiro como se estivesse conversando sobre o clima.
— O que você acabou de…? — Karlyle questionou se havia ouvido corretamente.
— Oh, eu não quis dizer que gosto de ver você chorar — Ash o tranquilizou, puxando Karlyle para mais perto para beijar suas pálpebras. Karlyle fechou os olhos pela metade em reação e se aninhou no ombro de Ash. Era uma sensação estranha — agradável, mas ao mesmo tempo constrangedora.
— Mas você fica tão adorável quando chora — Ash baixou a voz para um sussurro. — Então, por favor, ignore isso, sim? — Ele entregou a Karlyle uma taça de vinho.
— Obrigado — disse Karlyle baixinho, concentrando-se na taça em vez de no assunto.
Ele beijou a bochecha de Karlyle com um sorriso brincalhão. — Você aceita elogios muito bem.
…Ele não tinha querido agradecer pelo comentário sobre o choro bonito. Karlyle desviou o olhar e deu um gole no vinho que ele mesmo havia trazido — um ice wine. Enquanto saboreava o gosto, buscou uma maneira de mudar de assunto, olhando ao redor até encontrar algo para discutir.
— … Esta é a música que você costuma curtir? — perguntou ele, referindo-se à melodia de fundo.
Ash, que o observava com um olhar cúmplice, finalmente soltou o rosto de Karlyle e pegou sua própria taça.
— Você quer dizer Julie London? Sim. Minha mãe costumava ouvir muito as músicas dela, então acabei pegando gosto também.
Pensando bem, Ash mencionava sua mãe de vez em quando, como quando disse que seu amor por confit de pato vinha do fato de ela costumar preparar isso para ele.
— Você aprendeu a cozinhar com ela também?
— Sim, acho que herdei muitos dos gostos dela.
O humor de Karlyle iluminou-se ao aprender esses detalhes simples, mas significativos sobre Ash, sentindo como se isso os aproximasse.
Como alguém pego por uma correnteza, o estado de espírito de Karlyle agora estava inteiramente à mercê de Ash. Ele tinha consciência disso, mas não tinha certeza se seria capaz de corrigir seu eu tão tolo.
— Ela deve ter sido uma pessoa gentil — disse Karlyle, sem perceber que falava do fundo de seu coração.
Ash inclinou ligeiramente a cabeça e olhou para Karlyle. Ele pousou a taça e acariciou gentilmente as costas de Karlyle.
— Obrigado.
Um silêncio pacífico instalou-se entre eles.
Através da janela aberta, o aroma de uma noite de verão vinha na brisa fresca. A água morna ondulava ao seu redor enquanto a voz suave de Julie London preenchia o ar. A doçura do vinho permanecia agradavelmente em sua língua. De cada parte de seu corpo em contato com Ash, uma alegria silenciosa florescia.
— Obrigado por dizer isso — murmurou Ash, e a mão que antes alisava as costas de Karlyle agora o puxava com gentileza.
Karlyle, já um pouco familiarizado com a intenção por trás desse gesto, inclinou-se na direção de Ash. Uma gota de água caiu do cabelo molhado de Karlyle na bochecha de Ash. Seus lábios se encontraram em um beijo doce, do tipo suave e aveludado. Enquanto suas línguas se entrelaçavam lenta e ternamente, Karlyle pensou em quão feliz seria se estivesse em um relacionamento de verdade com Ash.
Mesmo pensando nisso, ele não ousava imaginar. Os carinhos gentis de Ash introduziam uma gota de cor no coração de Karlyle. Algo cheio de expectativa e inebriante começava a colori-lo por dentro.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr