Define The Relationship (Novel) - Capítulo 28
Capítulo 28
Maravilhado com aquela situação onírica, Karlyle atendeu a ligação. Ele se preocupou brevemente se sua voz conseguiria sair de forma adequada.
— Karlyle? — disse Ash.
— … Ash? Você não está no trabalho? — Karlyle perguntou, confuso.
— Você acabou de me chamar de Ash, Karlyle — Ash disse com uma voz baixa e suave, e soltou uma risada abafada.
Conforme a voz doce fluía em seu ouvido, Karlyle mordeu o lábio e depois o soltou. Suas sobrancelhas se franziram com indecisão.
— … É porque você… me disse para fazer isso.
— Sim, eu gosto disso. — Ash continuou rindo, aparentemente achando algo altamente divertido.
Karlyle, que agora passeava sob as árvores, segurou o celular com firmeza.
— Você já jantou?
— Ainda não. Ainda tenho um pouco de trabalho restante. Obrigado por atender minha ligação repentina, Karlyle.
— Não, de forma alguma. Eu é que deveria pedir desculpas por enviar uma mensagem de texto do nada.
— Não peça desculpas. Eu estava esperando por ela.
Karlyle sentiu como se estivesse flutuando no ar. “Por que Ash diria coisas assim? De novo e de novo”
—Eu senti que tinha que fazer algo, depois de ver sua mensagem, Karlyle
Ash fazia Karlyle ter esperanças.
— … Eu cometi um erro?
— Você está com saudades de mim, Karlyle?
Ele realmente sentia falta de Ash. Sentia tanto a falta dele que seria capaz de correr ao seu encontro num piscar de olhos, se Ash assim desejasse.
— … Me desculpe — no entanto, em vez de negar ou dar uma resposta honesta como “sim”, Karlyle pediu desculpas. Ele estava envergonhado demais para demonstrar tamanha imaturidade, contudo ele realmente sentia a falta de Ash.
Ash riu suavemente, como se entendesse exatamente o que Karlyle queria dizer. — Hahahah não se desculpe, apenas me diga.
Ash instigou Karlyle a dar voz às palavras, como se dizê-las em voz alta o fizesse reconhecer isso por si mesmo, ainda que de má vontade. E Karlyle, sempre condescendente demais diante de Ash, não conseguiu recusar.
— … Eu sinto sua falta.
Como ele poderia dizer não a alguém que adorava? Ele não sabia como fazer isso. Apesar de ter aprendido tanto ao longo de toda a sua vida, seu relacionamento com Ash era repleto de coisas sobre as quais Karlyle não tinha a menor pista.
— Então venha me ver.
As palavras seguintes de Ash foram ainda mais inacreditáveis. Os olhos de Karlyle se arregalaram, sua mão apertou o celular com mais firmeza e seu pulso acelerou.
— Que tal nos encontrarmos um dia antes? — Ash sussurrou uma doce proposta.
Tudo parecia surreal. Ele sentia-se à beira de perder o controle; as rédeas que segurava com firmeza para manter a compostura começavam a escapar de suas mãos. Ash continuava a puxar o nó que restringia os desejos de Karlyle. Mesmo com um puxão suave, Karlyle via-se sendo atraído para fora com extrema facilidade.
— … Você está sugerindo esta noite?
— Sim, isso mesmo.
Ao fundo da voz de Ash, Karlyle podia ouvir várias pessoas chamando por ele. A atmosfera animada e movimentada ao redor de Ash fazia parecer que ele era alguém de um mundo diferente, mais distante do que as duas horas de distância física que os separavam.
Uma ansiedade atingiu o âmago de Karlyle. Os eventos agendados para a noite passaram por sua mente. Logo ele teria que comparecer ao jantar e conhecer os candidatos para o seu casamento arranjado.
— Seria… tudo bem se eu fizesse isso?
Mas ele não queria comparecer ao jantar. Ele queria ir até Ash, que estava pedindo para vê-lo.
— Se você vier me ver esta noite — a voz de Ash trazia o tom de um sorriso —, eu vou te dar algo delicioso.
Karlyle baixou o olhar, mordendo levemente o lábio. Racionalmente, ele sabia que deveria recusar. Havia um cronograma pré-estabelecido a cumprir, e ele estava em Bath, que ficava a mais de duas horas de distância de Londres. Retornar após ter passado pouco mais de uma hora ali não era apenas ineficiente; era tolice.
— Algo delicioso… — No entanto, em vez de dizer não, Karlyle estendeu a conversa. A antecipação cresceu dentro dele. Ele se imaginou encontrando Ash em poucas horas.
— O que você acha que é?
Embora Ash estivesse falando sobre comida, quando perguntou do que Karlyle gostava, Karlyle pensou no próprio Ash. Suas orelhas ficaram quentes.
— … Não tenho certeza.
— É algo que você gosta, Karlyle. Ainda não sabe? Então acho que terei que te dar uma pista.
A maneira adorável como Ash falou sobre dar pistas suavizou os olhos de Karlyle em um leve sorriso, o mesmo que Kyle havia notado no carro.
— Por favor, diga-me.
— Bem, é comprido.
Karlyle pensou silenciosamente em comidas que fossem compridas. A única coisa que lhe veio à mente foram éclairs, mas ele não conseguia se lembrar de jamais ter mencionado isso a Ash.
— Receio que isso não seja muito específico.
— Eu imaginei. — Ash caiu na gargalhada. Sua voz rouca, grave e baixa, era incrivelmente sedutora. Ash tinha muitos tipos diferentes de riso. Ele havia rido daquela mesma forma quando chamou Karlyle de inocente, com os olhos gentilmente semicerrados de um jeito hipnotizante.
— Então você terá apenas que vir e ver por si mesmo.
Karlyle hesitou diante da pressuposição do encontro deles.
— Vou te dar o meu endereço — continuou Ash, alheio ao turbilhão interno de Karlyle. — Venha até a minha casa.
Karlyle esqueceu-se de respirar, piscando em silêncio.
— Tudo bem? — Ash murmurou em um tom caloroso e afetuoso. — Vejo você em breve, Karlyle.
Com uma nota de despedida que soava como a de dois amantes, Ash desligou. Karlyle manteve o celular junto ao ouvido por alguns momentos, mesmo após a ligação ter terminado. O fôlego que ele estivera prendendo sem perceber liberou-se lentamente por seus lábios. Abaixando a mão, Karlyle olhou para a tela e para a duração da chamada: dez minutos.
Apesar da expressão perturbada em seu rosto, os olhos de Karlyle ainda guardavam o leve vestígio de um sorriso.
Após ouvir as palavras expectantes de Ash, Karlyle não queria comparecer ao jantar, cujo único propósito seria a seleção de um cônjuge. Embora estar presente em eventos sociais fosse uma de suas obrigações, ele não conseguia, ao menos hoje, forçar-se a cumpri-la.
Ele nunca havia negligenciado seus deveres dessa forma antes, marcando mais uma “primeira vez” em sua vida. Estava rapidamente se tornando uma regra que, com Ash, tudo era ou uma primeira vez ou uma exceção. E não parava por aí. Para eximir-se da obrigação, Karlyle inventou uma mentira como desculpa pela primeira vez em sua vida também.
Ele informou a Kyle primeiro. Kyle, que ainda estava aprendendo sobre as negociações comerciais dos Frosts fora do Reino Unido, não questionou a afirmação de Karlyle de que precisava comparecer a uma reunião “urgente” recém-agendada. Embora, estranhamente, Kyle tenha analisado Karlyle por um momento antes de se oferecer para passar a mensagem ao avô em nome do irmão.
Karlyle achava Arthur intimidador, mas lidava com ele há muito tempo. Por outro lado, Kyle era o favorito dele desde a infância, mas tinha pouca experiência em interagir com ele. Mesmo assim, Kyle sugeriu que Karlyle cuidasse imediatamente do assunto “urgente”, deixando o resto sob sua responsabilidade.
Apesar de tudo, Karlyle hesitou, com o coração pesado diante da ideia de abandonar suas responsabilidades. Uma pontada passageira de culpa, que ele vinha tentando ignorar, agarrava-se teimosamente aos seus calcanhares. Percebendo a indecisão de Karlyle, Kyle resolveu a situação chamando um motorista.
Após duas horas e meia, com o trajeto atrasado pelo trânsito nos arredores de Londres, Karlyle finalmente chegou a Notting Hill, onde ficava a casa de Ash. Ele se lembrou de que o segundo encontro deles — isto é, o segundo encontro de Ash com ele — também havia sido em Notting Hill. O coração de Karlyle batia acelerado com uma emoção inexplicável.
A rua tranquila era ladeada por casas construídas com paredes de gesso e tijolos. Depois de chegar ao endereço que Ash havia enviado por mensagem de texto, Karlyle hesitou diante da porta, ansioso.
A caminho de Londres, Karlyle ruminou sobre o que trazer de presente. Ele estava sempre no lado receptor com Ash, e Ash havia trazido rosas quando visitou a casa de Karlyle da última vez.
Considerando a personalidade de Ash, ele não aceitaria nada muito caro, então o presente havia sido reduzido a algo modesto, e a escolha provou ser uma tarefa desafiadora. Claro, havia inúmeras coisas que Karlyle queria dar a Ash — relógios, carteiras, carros, tudo e qualquer coisa que Ash desejasse —, mas isso não daria certo.
Refletindo bem, Ash nunca havia ficado particularmente impressionado ou surpreso com a riqueza de Karlyle, o que o fazia se sentir mais perplexo sobre o que presentear. Após muita deliberação, Karlyle providenciou um buquê de flores e uma garrafa de vinho, os quais ele coletou a caminho da casa de Ash.
Karlyle olhou para baixo mais uma vez para as flores roxas em seus braços. Por uma razão que ele não conseguia precisar, pensar em Ash evocava a cor roxa. Uma fragrância delicada emanava do buquê artisticamente arranjado de rosas dolcetto, lilases, cáspia e anêmonas. Embora estivesse nervoso pela incerteza se Ash gostaria daquilo, Karlyle respirou fundo resolutamente e, em seguida, bateu à porta. Após alguns momentos de silêncio, a porta se abriu.
— Você chegou — disse Ash, abrindo a porta como se estivesse esperando, contudo com um ar de certeza de que sabia que Karlyle viria. Karlyle apertou o buquê com mais firmeza. Ele ficou abalado com a maneira como Ash o recebeu, como se estivesse ansiando profundamente por sua chegada.
Ash estava vestido com um cardigã cinza fino jogado sobre uma camisa branca. Seu cabelo escuro, que caía sobre seu rosto claro, estava úmido. Seus olhos gentilmente curvados guardavam um fascínio misterioso sob as mechas de cabelo molhadas.
— Boa noite — disse Karlyle.
— Boa noite, Karlyle — Ash ecoou, baixando o olhar para o buquê nos braços de Karlyle. Seus olhos se enrugaram, derretendo-se em um sorriso. — Isso é para mim? — Ash perguntou.
As pontas dos dedos de Karlyle formigaram. Lutando para conter sua respiração agitada, ele manteve uma expressão o mais neutra possível enquanto apresentava o buquê da maneira mais silenciosa, porém cavalheiresca. Ash aninhou o buquê em seus braços e, em seguida, abaixou a cabeça para sentir o perfume.
— São lindas.
Sob a testa, enquanto ele se inclinava levemente para a frente, a ponte de seu nariz esculpido se destacava. Ele enterrou a curva perfeita de seu nariz nas flores roxas. Seus cílios baixos agitaram-se gentilmente e, então, Ash olhou para cima com um sorriso adornando os lábios.
— Tão lindas quanto você, Karlyle. — Ash estendeu a mão e pegou a mão de Karlyle. Karlyle olhou para os dedos que envolviam levemente os seus e, em seguida, enlaçou cuidadosamente seus dedos aos de Ash enquanto dava um passo para dentro da casa.
A casa de Ash era espaçosa, organizada e sofisticada. A casa alta estendia-se por três andares, incluindo um porão. Embora não fosse tão grandiosa ou repleta de tantos cômodos quanto a mansão de Karlyle, havia espaço de sobra.
Em frente à entrada, uma parede de vidro proporcionava uma excelente vista para um pequeno jardim nos fundos da casa. O interior apresentava pisos de madeira em tom bege-claro e paredes brancas, com acabamentos em preto e madeira escura como destaque.
Ash conduziu Karlyle até a cozinha. Soltando brevemente a mão de Karlyle, Ash pegou um vaso em uma prateleira da cozinha. Depois de encher o vaso de vidro cilíndrico com água, Ash observou o buquê.
— Quanto mais olho para elas, mais encantadoras ficam. Talvez porque as flores me lembram você, Karlyle.
— Eu… achei que a cor combinava com você, Sr. Jones — disse Karlyle.
Diante do tratamento formal, Ash mudou seu olhar para ele.
Karlyle hesitou antes de se corrigir. — … Ash.
— Assim está melhor — disse Ash, soando satisfeito enquanto colhia uma rosa dolcetto do buquê. — É a primeira vez que alguém me diz que roxo combina comigo. As pessoas geralmente dizem rosa-claro.
Isso implicava que Karlyle não era o primeiro a dar flores a Ash. Embora fosse um fato previsível, ainda assim deixou Karlyle estranhamente desapontado, e ele baixou os olhos de leve. No entanto, ele teve que erguer a cabeça logo em seguida, quando Ash roçou a rosa contra sua bochecha.
— Você se interessa pela linguagem das flores? — Ash perguntou.
— Eu entendo um pouco, mas não é algo que eu tenha estudado. — Karlyle sabia os significados literários de algumas flores famosas, mas nunca havia se intrigado particularmente por eles, achando-os sentimentais demais.
— Eu gosto bastante delas — continuou Ash. Em retrospecto, Ash já havia falado sobre seu apreço por símbolos românticos. — E, pela minha avaliação, todas as flores que você escolheu ganham nota máxima nesse aspecto.
Enquanto Ash retirava a rosa e a colocava de volta entre as outras flores com cuidado, Karlyle a acompanhou com os olhos. Ash, então, segurou gentilmente a mão de Karlyle de novo.
— Isso também é para mim? — Ash apontou para a garrafa de vinho que Karlyle segurava em sua mão livre. Karlyle assentiu, sentindo-se um pouco tímido e, ao mesmo tempo, grato pela percepção dele.
— Você mencionou que gosta de coisas doces… então eu preparei isto — explicou Karlyle.
— Deve ser o meu aniversário hoje — Ash brincou, inclinando-se para a frente. Seus lábios roçaram a bochecha de Karlyle. Embora esse beijo leve fosse agora um cumprimento comum entre eles, ainda fazia o coração de Karlyle acelerar; quase chegava a doer. Ele virou a cabeça ligeiramente, envergonhado.
Se o rosto de Karlyle ficasse vermelho com facilidade ou se ele não conseguisse manter a compostura com destreza, ele se faria de bobo muitas e muitas vezes. Esse pensamento lhe dava náuseas. Ele já havia agido de forma desajeitada o suficiente na frente de Ash.
— Obrigado pelo convite — disse Karlyle com atraso, mas cortesmente.
Ash inclinou a cabeça, observando-o com um sorriso brincalhão.
— Você está feliz em me ver? — Ash perguntou do nada, e Karlyle congelou. Os olhos distintos de Ash, em tons de cinza e azul, dançavam com travessura enquanto se concentravam em Karlyle. Karlyle apertou o aperto na garrafa, mal resistindo ao impulso de dar um passo para trás.
Os lábios de Karlyle se abriram minimamente. Com os olhos agitados, ele acabou desviando o olhar e buscou outro assunto.
— Você já jantou?
— Não, você disse que queria me ver, então esperei por você, Karlyle.
Ash estendeu a mão e envolveu seus braços fortes firmemente ao redor da cintura de Karlyle. Seus corpos se pressionaram um contra o outro, impedindo qualquer fuga. Ash pegou a garrafa de vinho da mão de Karlyle e a colocou ao lado das flores no balcão.
Inclinando-se para perto, ele sussurrou:
— Qual é a sua resposta?
“Por que Ash quer me ouvir dizer isso?” Karlyle suspeitava de que estava sendo provocado. Não significava que ele não gostasse; ele estava apenas desorientado. Preso no abraço de Ash, Karlyle colocou a mão no peito dele. Sentir os músculos firmes sob a palma de sua mão acendeu seu corpo.
Ash olhou para baixo diante do leve empurrão de Karlyle e sorriu de forma brincalhona como antes. — A cada segundo que você hesita… — A mão de Ash, que estivera acariciando a cintura de Karlyle, deslizou lentamente pelas costas dele. Os lábios de Ash aproximaram-se mais dos de Karlyle. — Eu vou te beijar.
O tom de advertência de Ash contrastava com seu rosto sorridente, e seus lábios macios colidiram com os de Karlyle. Ash sugou levemente o lábio superior de Karlyle, sobressaltando-o.
— Já se passaram três segundos — Ash sussurrou, e beliscou o lábio inferior de Karlyle dessa vez. O lábio de Karlyle esticou-se docilmente diante da sucção, enviando um calafrio de prazer por todo o seu ser. Ele apertou o aperto no peito de Ash.
A língua de Ash provocou o interior da boca de Karlyle, arrancando-lhe um suspiro baixo e sensual. Com os olhos semicerrados, Karlyle inadvertidamente abriu mais os lábios, permitindo que a língua de Ash explorasse a abertura rosada com mais liberdade.
Incluindo o primeiro beijo deles, Karlyle havia sido mais ou menos passivo até então. Mas agora ele começou a retribuir o beijo com avidez, impaciente com o ritmo lânguido de Ash.
A mão confortante de Ash acariciou as costas de Karlyle por cima do paletó antes de deslizar para baixo. Enquanto isso, o beijo se aprofundava, com suas línguas entrelaçando-se uma contra a outra.
Ash, que costumava arrebatar Karlyle até a beira da loucura, agora se continha, deixando Karlyle absorver cada sensação em seu próprio ritmo. Esse compasso desconhecido fazia o interior de Karlyle arder e sua respiração tremer.
A mão de Ash deslizou para baixo, penetrando por sob o paletó de Karlyle. Simultaneamente, Ash mudou os movimentos de sua língua pontiaguda, lambendo o céu da boca de Karlyle. Conforme o estojo de cócegas se difundia, Karlyle fechou os olhos com força e abriu ainda mais os lábios.
— Hgh, uhhn… — Karlyle moveu a cabeça enquanto seus narizes se roçavam. Os feromônios penetrantes de Ash começaram a banhar Karlyle. A parte inferior de seus corpos pressionava-se uma contra a outra, com seus membros endurecidos roçando-se mutuamente. A região lombar de Karlyle formigou, e seus suspiros tornaram-se mais doces.
Aproveitando a oportunidade, Ash puxou a camisa de Karlyle. Ele deslizou a mão para o interior e acariciou as costas nuas de Karlyle. Karlyle estremeceu quando os dedos abertos traçaram sua espinha, dolorosamente excitado pela estimulação que se irradiava das costas por todo o seu corpo sensível. Karlyle inclinou a cabeça para trás abruptamente, com a mão agarrando o cardigã de Ash.
— Ash, ngh, pare — implorou Karlyle, lutando contra o insuportável prazer que lhe causava cócegas. Ele enterrou o rosto no ombro de Ash, balançando a cabeça.
— O que você quer que eu pare?
Os dedos de Ash, que vinham acariciando as curvas da espinha de Karlyle, agora desciam. A palma de Ash esfregou a região lombar de Karlyle e, em seguida, aventurou-se por dentro das calças dele.
Ash apertou as nádegas firmes de Karlyle e perguntou: — Isso? —, arrancando uma respiração aguda de Karlyle. A outra mão de Ash escorregou para dentro das calças de Karlyle, juntando-se à mão que o apertava. Com uma mão em cada nádega, ele as afastou. Ash sorriu de forma voraz. — Ou é isso?
Conforme sua retaguarda era exposta, uma onda de excitação avassaladora tomou conta de Karlyle. Ele inclinou a cabeça para trás mais uma vez, com os olhos ardendo de calor. Os feromônios de Karlyle inflamaram-se ferozmente, correspondendo aos de Ash.
Karlyle mordeu o lábio enquanto as mãos de Ash amassavam sua carne arredondada de maneira cuidadosa, porém provocante. Encontrando os olhos de Karlyle vítreos de desejo, Ash retirou as mãos e pressionou os lábios contra o ouvido dele. — Há algo que eu gostaria de saborear antes do jantar… — Ash sussurrou. — Você me permite?
A voz profundamente excitada de Ash roçou o ouvido de Karlyle, enviando um calafrio por sua espinha. Após um breve momento, ele consentiu com um aceno de cabeça.
Enquanto Ash conduzia Karlyle escada acima em direção ao seu quarto, com a mão de Karlyle entrelaçada à sua, Karlyle observava em silêncio as costas largas de Ash.
O primeiro andar tinha uma disposição diferente da do térreo. Do topo da escada, havia um cômodo diretamente em frente. Havia o que parecia ser um escritório atrás do primeiro cômodo, assim como um banheiro e um quarto de hóspedes. Semelhante ao térreo, o primeiro andar tinha acabamento em madeira de tom claro e pintura branca, decorado com móveis e tecidos em tons de cinza.
Olhando ao redor, Karlyle tentou acalmar seus nervos. Seria a primeira vez que fariam sexo desde o seu rut duas semanas atrás. Embora Karlyle estivesse cheio de antecipação, ele também temia o momento, assombrado pelas memórias de seu próprio comportamento obsceno durante o rut.
Até agora, Karlyle tinha tentado evitar se lembrar de qualquer um dos encontros sexuais deles em detalhes. Isso se devia em parte ao fato de a intensidade ser sempre superior ao que ele conseguia processar, e também porque lembrar-se deles o deixava excitado e desesperado para ver Ash novamente. Pelas mesmas razões, Karlyle havia reprimido os pensamentos sobre o seu último rut.
Apesar de seus esforços, cada detalhe daquele dia despertava medo. O prazer que sentira pouco antes de gozar, o nó com o membro de Ash dentro dele — não importa como ele pensasse a respeito, tinha sido…
— Vamos tomar banho juntos?
Karlyle estremeceu diante do convite de Ash.
— Parece que você já tomou banho, então isso não será necessário — Karlyle recusou educadamente. Embora tenha entregado sua resposta de maneira calma, na verdade, tomar banho com Ash ainda era um território desconhecido, e ele estava nervoso com a possibilidade de as coisas tomarem uma proporção maior no banheiro, assim como havia acontecido da última vez. Ele precisava de tempo para se recompor.
Ash inclinou a cabeça de leve e sorriu. — Tem certeza?
— … Sim, tenho — respondeu Karlyle, embora não sem hesitação.
— Eu faria um bom trabalho te ajudando, no entanto. Não vai me deixar fazer isso? — Os olhos de Ash encontraram os de Karlyle. Os cantos caídos de seus olhos pareciam tão desolados que fizeram Karlyle se sentir uma pessoa insensível, como se estivesse recusando o apelo de um adorável filhote de cachorro gigante para brincar. Era de partir o coração.
— … Poderia me emprestar uma toalha?
No entanto, Karlyle esquivou-se da pergunta solicitando outra coisa em vez disso, mantendo-se firme em sua posição. Ele estava mais focado em não demonstrar nenhuma indecência na frente de Ash hoje.
Ash murmurou, fitando Karlyle por um momento antes de se inclinar em direção à curva do pescoço dele. Então, uma dor aguda e inesperada perfurou sua pele.
— Ah! — Karlyle soltou um ganido com os olhos arregalados e agarrou o ombro de Ash.
Ash havia mordido o pescoço de Karlyle como se fosse uma punição pela recusa. Ele lambeu o rastro fresco da mordida de qualquer jeito uma vez e se afastou. Karlyle cobriu o pescoço mordido inconscientemente, e os olhos de Ash faiscaram com um deleite travesso e sedutor.
— As toalhas estão na prateleira do banheiro. Use quantas quiser — disse Ash e, em seguida, caminhou em direção ao seu quarto, deixando a porta entreaberta. Karlyle estacou por um momento antes de se dirigir ao banheiro. Ele tentava acalmar seu coração tumultuado.
Karlyle levou algum tempo para se despir. Ele removeu o paletó e a camisa, desfez os botões da gravata e da camisa e, em seguida, colocou as vestes, dobradas, de forma organizada sobre uma prateleira. Ele já esperava que algo assim pudesse acontecer; no entanto, não havia trazido uma muda de roupa. Ele ponderou brevemente se deveria providenciar para que alguém lhe trouxesse roupas novas, mas logo se viu distraído pelo interior do banheiro em vez disso.
Apesar de já ter visto inúmeras mansões magníficas e belas, sua atenção continuava sendo atraída pelos cantos e recantos da casa de Ash por algum motivo. A linha limpa do espelho circular, os azulejos de madeira envernizada que conferiam calor e as paredes de mármore com acabamento em um padrão único de colmeia chamaram sua atenção.
Aquele era um lugar repleto de vestígios de Ash. Karlyle queria guardar cada detalhe na memória. Muito provavelmente, hoje seria a primeira e última vez que veria a casa de Ash.
Mesmo assim, ele não conseguia evitar se imaginar visitando aquele lugar novamente. À medida que os encontros deles continuavam, Ash vinha fazendo comentários cada vez mais ambíguos, especialmente desde a semana passada. Embora Karlyle se repreendesse para não presumir nada, seu coração inquieto continuava buscando possibilidades nas palavras e ações de Ash.
Ele se molhou com a água morna e jogou o cabelo para trás. Absorveu em silêncio a visão do sabonete líquido, do xampu e do condicionador que encontrou no boxe. Ver os itens que faziam parte da vida cotidiana de Ash, e que estavam imbuídos de seu perfume, era ao mesmo tempo delicioso e emocionante. Cada objeto que Ash possuía despertava o interesse de Karlyle.
Enquanto Karlyle se lavava com o sabonete líquido com aroma de cidra, ele se lembrou de como Ash carregava essa exata fragrância quando abriu a porta da frente. Quando Karlyle terminasse o banho, ele naturalmente teria o mesmo cheiro que Ash. O pensamento o excitou um pouco demais, e ele reduziu a temperatura da água para se acalmar.
À medida que suas mãos ensaboavam seu corpo tonificado, elas pararam em sua bunda, um lugar que ele achava estranho toda vez que o lavava desde que conhecera Ash. Seus dedos aventuraram-se hesitantes mais a fundo entre as nádegas. Diante da sensação indescritível, Karlyle pausou por um momento antes de retomar. Ele traçou os dedos mais profundamente ao longo da fenda, eventualmente alcançando as pregas firmemente fechadas da pequena abertura. Com um leve franzir de testa, Karlyle morde o lábio antes de empurrar lentamente um dedo para dentro.
Estava quente e úmido. Karlyle soltou um gemido abafado enquanto apoiava a testa contra a parede do banheiro, com o cabelo úmido pinicando seus olhos. Ele continuou a ir mais fundo com o dedo. Desde que começara a fazer sexo com Ash, ele havia incluído essa parte em sua rotina de banho, mas, mesmo assim, lutava para se acostumar com isso.
Seu dedo finalmente conseguiu passar pelo anel apertado de músculo. A tensão acumulou-se em seus órgãos genitais. Enquanto soltava uma respiração longa e aquecida, Karlyle fechou os olhos, pensando em Ash logo estando dentro dele…
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr