Define The Relationship (Novel) - Capítulo 24
Capítulo 24
Semana 5
Os dias gradualmente tornaram-se mais quentes. Conforme a tarde caía, a luz solar ardente pintava Londres de laranja, e a brisa fresca ocasional animava os becos estreitos do Soho. Na verdade, o verão na Inglaterra tipicamente era animado assim, não importava qual cidade se visitasse.
Embora fosse um dever básico de um cavalheiro permanecer inalterado pela atmosfera, em momentos como esse, era inevitável que o coração de alguém naturalmente ficasse mais leve.
Karlyle atribuiu sua mente atipicamente agitada a esta alta temporada. Caso contrário, ele não conseguiria explicar por que sentia mais falta de Ash a cada dia que passava.
As multidões que inundavam as ruas pareciam alegres, fossem turistas ou moradores locais. Amantes de mãos dadas eram visíveis por toda parte para onde se olhasse. Talvez as emoções fossem contagiosas, porque Karlyle deu por si relembrando o momento em que havia segurado a mão de Ash.
Dado que a maioria das memórias felizes de Karlyle estava associada a Ash, naturalmente ele não podia evitar pensar nele. Esse fenômeno também era evidente em outros aspectos da vida diária de Karlyle.
Embora Ash tivesse visitado a casa de Karlyle apenas duas vezes, memórias do tempo que passaram juntos vinham à tona sempre que ele vagava por seu lar. Com cada passo que dava, o afeto preenchia o chão como água, lambendo suavemente os tornozelos de Karlyle.
Karlyle não cozinhava, contudo seu olhar continuava se desviando de volta para a cozinha sempre que passava por perto. O gosto azedo da torta de merengue de limão permanecia em sua língua e, sempre que se lembrava desse gosto, ele queria um beijo.
Talvez porque toda vez que se encontravam, Ash apoiava a mão na parte inferior das costas de Karlyle ou o segurava por perto, a temperatura e o toque da palma da mão de Ash estavam vivos em sua mente também.
Karlyle sentia falta de Ash dessas maneiras. Ele não tinha ideia de como acalmar essas emoções crescentes, anteriormente desconhecidas para ele.
Enquanto fazia uma lista dos eventos e festas de verão na Europa que planejava comparecer, enquanto finalizava o cronograma de desenvolvimento para o primeiro semestre do próximo ano e mesmo enquanto executava o itinerário apertado montado por sua secretária, o anseio em seu coração ameaçava transbordar a qualquer momento.
Ele repetidamente pegava e largava o telefone, ansiando entrar em contato com Ash. Sempre que tinha um momento sozinho, o sorriso de Ash surgia em sua mente. Pensamentos como se Ash havia pensado nele ao menos um pouco, o que ele queria dizer com Karlyle ser um mistério, se Ash iniciaria o contato, ocupavam completamente seus pensamentos.
Karlyle perseverou, já que nunca havia contatado ninguém por motivos pessoais, e a natureza do relacionamento deles não o permitia contatar Ash livremente. Apesar de sua agenda lotada, os dias pareciam arrastar-se lentamente, fazendo parecer uma eternidade até que o fim de semana finalmente chegasse.
Portanto, quando o fim de semana finalmente chegou, Karlyle, de forma constrangedora, não conseguiu conter sua empolgação. Ele acordou um pouco mais cedo do que o habitual, antes das 5h00. Ele completou seus exercícios matinais e tomou um café da manhã leve antes de Mariam chegar, às 6h00. Ela sugeriu que ele deveria dormir um pouco mais, já que era fim de semana, mas ele não conseguia dormir.
Ele se encontraria com Ash às duas da tarde. Ash havia entrado em contato primeiro. Três dias atrás, Karlyle havia recebido uma mensagem perguntando se ele poderia ir ao escritório de Ash em Covent Garden, pois ele tinha um projeto que precisava terminar naquela semana.
Karlyle só pôde responder duas horas após a chegada da mensagem de Ash porque estivera em uma reunião. Depois de responder para confirmar o encontro, Karlyle reservou um momento para enviar outra mensagem agradecendo-lhe pela refeição e dizendo que havia gostado do ratatouille.
Ash respondeu gentilmente: — Que bom que você gostou —, seguido por um símbolo e uma letra:
=D
Inicialmente confuso com isso, Karlyle havia pesquisado discretamente o seu significado em seu celular. Havia se revelado um rosto sorridente.
Quanto mais ele pensava a respeito, mais cativante o conteúdo da mensagem se tornava. Então Karlyle pegava o telefone e olhava para a mensagem repetidamente, sempre que tinha um momento. Embora mal parecesse um sorriso, ele gostava de como aquilo elevava seu espírito e instantaneamente trazia pensamentos de Ash à mente.
Hoje Karlyle leu essa mensagem uma vez pela manhã e novamente antes das 14h00. Enquanto isso, o tempo passava tão lentamente.
Depois de ler vários jornais internacionais e discutir com Kyle a agenda relacionada à viagem de negócios da semana anterior a Vancouver, mal passava do meio-dia. Devido à pressa sem nenhum motivo específico, Karlyle chegou trinta minutos antes do horário combinado a Covent Garden.
Ash havia sugerido o encontro na estação de metrô Underground. Durante o verão, Covent Garden ficava particularmente movimentada, especialmente em um sábado na hora do almoço. Pessoas fluíam incessantemente para dentro e para fora de várias lojas, incluindo Marks and Spencer, Boots e a Apple Store em frente à estação.
Karlyle, desacostumado a ambientes tão cheios e animados, uniu os lábios e ficou em um canto comparativamente mais calmo. Ele não entrou para esperar porque não tinha certeza da direção de onde Ash viria. Embora soubesse que Ash, sem dúvida, ligaria se eles não conseguissem se avistar, Karlyle preferiu não se mover. Ele queria ver Ash nem que fosse um momento antes.
Enquanto permanecia ereto checando seu relógio, inúmeros transeuntes tentaram iniciar conversas com ele. No entanto, Karlyle recusou suas investidas, afastando quaisquer interações incômodas ao lançar-lhes um olhar vago em silêncio. Aqueles trinta minutos pareceram se estender interminavelmente.
Precisamente às 14h00, Ash apareceu diante de Karlyle. Ele usava uma camisa verde-escura com as mangas dobradas, calças amarelas suaves e um relógio que adornava seu pulso, tudo isso contrastando nitidamente com seu cinto e sapatos marrom-escuros. Era um traje elegante.
Assim que Karlyle notou Ash, Ash também olhou na direção de Karlyle. No entanto, sua expressão parecia um pouco diferente do habitual.
— Karlyle. — Ash caminhou a passos largos para parar na frente de Karlyle.
Enquanto Karlyle olhava para cima e seus olhos se encontravam, ele sentiu uma onda de deleite e lutou para conter sua excitação. No entanto, ele notou que a expressão de Ash estava preocupada, e a ansiedade o atingiu. — …Você está bem, Sr. Jones?
— Ah — pronunciou Ash. Sorrindo com pesar, ele usou as mãos para fazer sombra no rosto de Karlyle porque ele estava sob o sol sem óculos escuros. — É tão óbvio assim?
— Parece que você está preocupado com algo.
— Mmm, sim. — Ash franziu a testa, sua expressão ambígua. — Algo urgente surgiu. Recebi uma ligação bem no momento em que estava saindo do trabalho… Acho que pode ser difícil passarmos um tempo juntos hoje.
Então Ash adicionou em uma voz sincera: — Sinto muito.
Karlyle baixou os olhos calmamente. Como sua ansiedade provou ser uma premonição precisa, Karlyle foi instantaneamente submerso em uma onda de desapontamento impotente.
Apesar disso, ele não devia demonstrar. É claro que tais situações poderiam surgir, e os encontros deles só eram possíveis quando as agendas de ambos se alinhavam.
— É algo em que posso ajudá-lo? — Karlyle perguntou.
— Agradeço a sua oferta, mas não é esse tipo de trabalho.
Ash sorriu gentilmente e mexeu inquieto nas mãos de Karlyle. Naquele breve contato, os batimentos cardíacos de Karlyle saltaram antes desacelerando conforme sua mão era solta. Ele ansiava por mais.
— Sinto muito por não poder ajudar.
— Não, não sinta. Eu é quem peço desculpas. Você até veio todo esse caminho — Ash respondeu apressadamente.
Karlyle se viu sem palavras. A única palavra apropriada que ele conseguia dizer agora parecia ser adeus. Talvez tenha sido por isso que ele se viu incapaz de dizer absolutamente nada.
Ele sentira uma saudade imensa de Ash, e o fato de ter que se afastar de Ash após vê-lo por menos de cinco minutos era tanto perturbador quanto doloroso.
— Eu deveria ir andando. — Ainda exibindo uma expressão de desculpas, Ash se inclinou para frente. Seus lábios roçaram a bochecha de Karlyle, depois se retiraram.
O coração de Karlyle, que havia se retorcido dolorosamente, relaxou e depois se contraiu novamente. Karlyle abriu a boca com dificuldade. — Cuide-se.
— Você também — Ash respondeu antes de olhar para baixo para Karlyle uma última vez. Então Ash se virou e se afastou. Karlyle não se moveu. Ele simplesmente observou a figura de Ash se distanciando com olhos abatidos.
Eles não haviam marcado uma data para o próximo encontro. Karlyle não sabia se veria Ash amanhã ou se teria que aguentar mais uma semana interminável de espera. Embora adiar o próximo encontro significasse adiar a eventual separação deles, ele não pôde evitar deixar a tristeza vencê-lo.
Incapaz de se mover sequer um centímetro, Karlyle permaneceu imóvel, simplesmente observando as costas de Ash se afastarem. Ash havia partido sem hesitação. Embora isso já fosse esperado, já que Ash sempre ia embora sem olhar para trás. Hoje não foi exceção.
Foi nesse momento que, de repente, Ash parou abruptamente. Suas costas altas e largas pausaram, e então ele se virou.
Seus olhares se fixaram.
Apesar da distância considerável entre eles, Karlyle conseguia ver claramente a expressão de Ash. Suas sobrancelhas escuras e bem delineadas se ergueram, e os olhos de Ash se estreitaram.
Ash se virou completamente e jogou o cabelo para trás, um gesto que Karlyle reconheceu como um de seus hábitos. Ash o fitava com uma expressão preocupada, mordendo levemente o lábio. Karlyle não conseguia desviar os olhos do rosto de Ash, observando as mudanças sutis em sua expressão, quase se esquecendo de respirar.
Ash logo retomou a caminhada. Não na direção em que estava indo, mas na direção de Karlyle. Suas pernas longas pareciam marchar com certa impaciência.
Com uma expressão de lábios cerrados e sem sorrir, Ash se aproximou rapidamente de Karlyle. Sua sombra alta engoliu Karlyle. Antes que Karlyle pudesse pronunciar uma palavra, Ash segurou seu pulso.
— Como eu deveria ir embora — Ash murmurou em uma voz profunda e rouca —, se você está olhando para mim desse jeito?
A mão que segurava o pulso de Karlyle apertou mais forte, o osso firme do pulso cercado por uma mão forte.
Karlyle ficou perplexo. — …Sr. Jones?
— Você já fez planos? — Ash perguntou, sua voz ainda baixa.
Karlyle piscou. Embora não conseguisse compreender o que tinha acabado de acontecer, uma sensação de formigamento se agitou em seu coração. A felicidade floresceu dentro dele.
— …Não fiz.
— Sério?
— Sim.
— Então venha comigo.
Seu pulso foi solto. Inconscientemente, Karlyle buscou a mão de Ash enquanto ela começava a se afastar, as pontas de seus dedos roçando levemente nas de Ash. Seus dedos se entrelaçaram de leve; nem totalmente presos, nem soltos. Um calor se espalhou pela pele que se tocava. Ash observou isso em silêncio antes de juntar suavemente as mãos deles.
— Provavelmente não seremos capazes de fazer sexo. Tudo bem por você? — Ash perguntou. Ele estava esclarecendo que o que estava prestes a acontecer seria completamente sem relação com o propósito dos encontros de Karlyle e Ash. O antigo Karlyle teria evitado tais encontros desnecessários.
— Tudo bem. — No entanto, Karlyle só podia fazer uma escolha. Ele estava feliz em fazer qualquer coisa, desde que pudesse estar com Ash.
— Pode ser um trabalho difícil — Ash disse misteriosamente, enquanto balançava a cabeça levemente e suspirava. Então ele riu. — Estou te avisando.
Eu me pergunto sobre o que ele está me avisando. Karlyle franziu a testa ligeiramente.
Ash estendeu a outra mão para suavizar o cenho franzido de Karlyle. — Você não pode reclamar depois.
Tendo dado apenas uma dica enigmática sem compartilhar qual era o assunto urgente, Ash puxou Karlyle. Karlyle o seguiu facilmente apesar do puxão leve.
Ash conduziu Karlyle através da extremamente apertada estação Covent Garden.
Karlyle perguntou a Ash em um tom intrigado: — Para onde estamos indo agora?
— Estamos indo para Knightsbridge, mas em um dia como este, pegar o metrô é o mais rápido. Chegaremos lá em breve via linha Piccadilly.
Com essas palavras, Ash tirou a carteira. Ao contrário de outras estações de metrô, as passagens acima do solo de Covent Garden eram notavelmente estreitas, resultando em longas filas. Karlyle tinha certeza de que não compreendia totalmente o que estava acontecendo.
Notando Karlyle parado, Ash parou antes de passar pela catraca depois de passar automaticamente o seu cartão e perguntou: — Karlyle, você não carrega um cartão Oyster por aí, carrega?
Cartão Oyster. Karlyle sabia o que era. Era algo que a maioria das pessoas usava para andar no metrô ou de ônibus. Claro, libras esterlinas eram aceitas, mas a maioria das pessoas optava por bilhetes únicos ou recarregava seus cartões Oyster ou Travelcards.
— …Não.
— Eu te arrastei para uma enrascada, não foi? — Ash disse com uma risada abafada enquanto guiava Karlyle até as máquinas de bilhetes.
— Deixe-me comprar um para você.
— Não, por favor, não se preocupe.
Isso estava fora de questão. Karlyle recusou firmemente, conseguindo deter Ash com sucesso até que ele parasse em frente à máquina.
O problema era o que vinha a seguir.
Karlyle ergueu o dedo. Na tela azul, várias bandeiras de países eram exibidas ao longo da parte inferior, acompanhadas por múltiplos botões. Diante da situação, parecia que Karlyle precisava comprar um cartão novo. Ele pressionou hesitantemente o botão “novo cartão”.
— Karlyle — disse Ash após observá-lo em silêncio. Ele abraçou Karlyle por trás, seus braços envolvendo a cintura de Karlyle e uma das mãos alcançando seu ventre. — Não me diga que… você nunca comprou um bilhete de metrô antes?
Karlyle estremeceu quando a respiração de Ash roçou sua nuca, enviando uma espiral de calor que formigou por todo o seu corpo. Em um momento no qual Karlyle precisava se concentrar, a constatação de Ash sobre sua falta de experiência estava se provando uma grande distração.
— …Seria mais fácil se… você tirasse as mãos.
— Mas ambas as suas mãos estão livres, Karlyle.
Ciente da fila crescente atrás deles, Ash se virou e pediu desculpas aos que esperavam. Ele falou educadamente, seus olhos se arqueando docemente de uma maneira charmosa.
— Sentimos muito, mas por favor, poderiam esperar um pouco mais?
As duas mulheres, que pareciam ser turistas europeias, arregalaram os olhos e balançaram a cabeça freneticamente em concordância. Ao presenciar essa cena, Karlyle sentiu seu humor afundar um pouco. Sua determinação de comprar um cartão desapareceu. Em vez de aguentar o transporte público apertado e anti-higiênico, ele decidiu que seria melhor pegar um táxi.
— Precisamos mesmo pegar o metrô?
— Acho que você realmente nunca comprou um antes.
— Simplesmente não havia necessidade de andar nele antes.
Ash deu uma risada abafada. Os braços ao redor de Karlyle o apertaram, e os lábios de Ash roçaram contra a sua nuca.
— Você nunca sequer andou nele antes? Meu Deus.
Ash tirou sua carteira de couro preto, retirou outro cartão Oyster e o encostou no leitor de cartão amarelo para recarregá-lo.
— Eu tenho um reserva, então vou dar este para você.
Ash pressionou rapidamente os botões para concluir a recarga. Sentindo-se um tanto atordoado, Karlyle deixou Ash guiá-lo até a catraca, onde ele aproximou o cartão, e depois em direção aos elevadores onde uma multidão havia se reunido. Ash colocou o cartão azul na mão de Karlyle.
— É um presente para comemorar sua primeira viagem de metrô, Karlyle.
Karlyle observou o cartão em sua palma. Ao contrário de outros cartões, este era decorado com várias ilustrações. Embora parecessem rabiscos, retratavam de forma intrincada guardas reais coloridos, navios e coisas do gênero.
— É algo que eu estimava — Ash provocou, sua voz tingida de travessura. — Porque é um Oyster do Jubileu de Diamante.
— …Você tem certeza de que quer me dar algo tão precioso? — Karlyle perguntou com seriedade ao ouvir que era um item estimado. Ash soltou uma risada genuína e assentiu.
Mais uma vez, Karlyle recebeu algo de Ash. Embora ele estivesse procurando pela pintura, um desejo repentino de dar algo em troca surgiu dentro dele.
— Você é tão… inocente às vezes — Ash comentou.
— Como eu disse antes, você não parece levar jeito para metáforas — Karlyle ironizou.
— Você acha? — Ash disse, o riso ainda persistindo em sua voz. — Tudo o que você disse está certo, Karlyle.
Como Ash sorriu de forma tão alegre, Karlyle virou a cabeça sem dizer uma palavra. Ele mal percebeu que seus próprios lábios rigidamente cerrados haviam relaxado.
Para pessoas altas como Karlyle e Ash, o metrô não era o meio de transporte público mais confortável. Ao contrário das modernas linhas Jubilee e Circle, as estações da linha Piccadilly eram pequenas e apertadas.
Ash teve que viajar com a cabeça baixa, e Karlyle não estava muito diferente. Embora fossem apenas dez minutos, era difícil fingir que estavam confortáveis, dada a multidão de pessoas preenchendo o espaço com cheiros desagradáveis e feromônios.
No entanto, no metrô lotado, Ash se posicionou entre Karlyle e os outros passageiros, olhando para baixo como se o estivesse protegendo. Graças a isso, Karlyle permaneceu dentro do abraço protetor de Ash e pôde evitar colidir com qualquer outra pessoa.
Em vez disso, seu corpo estava em contato próximo com o de Ash. Dessa proximidade, ele conseguia captar o sutil aroma amadeirado de Ash. Era um perfume delicioso que o tentava a enterrar o nariz no abraço de Ash e inspirar profundamente.
O olhar de Karlyle se demorou nos olhos de duas cores diferentes de Ash, que retribuiu o olhar. Foi apenas porque não havia espaço para desviar os olhos, não porque ele queria ficar olhando para o rosto de Ash de maneira rude, Karlyle disse a si mesmo.
Diante da atenção fixa de Karlyle, os olhos de Ash se curvaram em um sorriso enquanto ele sussurrava em seu ouvido.
— Vou ficar sem jeito se você continuar olhando para mim desse jeito. — Uma voz que não demonstrava nenhum constrangimento tocou seu ouvido docemente.
Karlyle se assustou. Sua expressão não mudou; no entanto, ele baixou um pouco o olhar e pediu desculpas a Ash. — …Eu causei algum incômodo a você? Peço desculpas.
— Quem disse isso?
Ash segurou gentilmente a bochecha de Karlyle com a mão em concha enquanto olhava para baixo. Passou brevemente pela mente de Karlyle que tais gestos poderiam ser considerados inadequados para ambientes públicos, mas ele se lembrou de que havia estabelecido limites apenas contra beijos e prontamente fechou a boca. O constrangimento vinha mais da falta de familiaridade e de uma sensação de impropriedade, não porque ele não gostasse.
Ash baixou o olhar para encontrar o nível dos olhos de Karlyle e sussurrou suavemente: — Eu gosto de me sentir sem jeito. — Ash inclinou a cabeça e sorriu. — Então continue olhando, está bem?
Eles estavam parados tão perto que as pontas de seus narizes quase se tocavam, perto o suficiente para que, aos olhos dos espectadores, pudesse parecer que estavam se beijando. Karlyle prendeu a respiração e piscou rapidamente.
Ele pressionou a mão levemente contra o peito de Ash, hesitando por um momento, sem saber se devia empurrá-lo. No final das contas, ele a deixou cair impotente ao lado do corpo.
Será que estamos prestes a nos beijar?
Esse pensamento cruzou sua mente. Era verdade que ele queria muito beijar, já que não conseguia tocar em Ash há quase seis dias. Ash estava sorrindo com olhos.
Justo quando a tensão se tornou quase sufocante, uma voz feminina anunciou a estação em voz alta. Conforme a voz repetia “Estação Knightsbridge”, Ash se empertigou.
— Nós vamos descer aqui. — Ash puxou as mãos deles firmemente entrelaçadas e habilmente os conduziu para fora da multidão. Como os transeuntes ficavam cativados pela expressão de desculpas de Ash, abrindo caminho para eles, ele e Karlyle conseguiram sair da estação de metrô facilmente.
— Então, como foi sua primeira viagem de metrô? — Ash perguntou enquanto eles subiam as escadas.
Embora tivesse sido uma experiência desagradável, Karlyle gostou de estar perto de Ash. Ele optou por não expressar esses pensamentos diretamente e, em vez disso, respondeu:
— Eu estaria aberto a andar nele mais uma vez.
“…apenas com a condição de que seja com Ash novamente.”
Ash riu inocentemente, sem saber dos pensamentos ocultos de Karlyle.
Eles emergiram acima do solo onde a luz do sol seca e quente os banhava. Knightsbridge, situada ao lado do vasto Hyde Park, destacava-se como uma das áreas ricas de South Kensington e era um bairro que Karlyle também frequentava.
Ash os conduziu em direção ao parque, passando pelos ônibus vermelhos de dois andares e pelas fileiras de bicicletários da Barclay.
— Você vai ao Hyde Park com frequência? — Ash perguntou.
— Eu costumo ir apenas quando sou convidado para os concertos do BBC Proms.
— Então isso significa que você não esteve lá para se divertir?
— Até onde me lembro.
Lugares como Hampstead Heath e Richmond Park eram perto da casa de Karlyle e costumavam ser mais calmos. Por isso, ele não tinha motivos para visitar o Hyde Park com frequência.
— Acho que tem Hampstead Heath perto da sua casa. Eu gosto de lá também. O cenário que se revela do topo é lindo.
Karlyle pausou. Ele se sentiu enjoado quando ouviu que Ash gostava daquele lugar. Seu interior se agitou como se ele estivesse prestes a deixar escapar algo desenfreado. Era porque ele tinha algo que queria perguntar a Ash.
Se você algum dia passar pela área, espero que me avise. Você poderia me ceder um tempinho… para dar uma caminhada comigo?
Sua cabeça rodava com o desejo de expressar essa sugestão e desejo egoísta. A ideia de caminhar pelo parque com Ash parecia incrivelmente agradável. O anseio de passar mais tempo com Ash roía suas costelas.
No entanto, Karlyle se conteve com dificuldade. Ele lembrou a si mesmo que não estava em posição de fazer tal pedido a Ash, e não tinha certeza de como Ash responderia. Ele nunca havia expressado um desejo tão trivial e pessoal a ninguém antes, então ele suportou, cerrando os punhos para manter o controle.
— Então você não deve ter visto a estátua do Sr. Darcy na Serpentine — disse Ash.
Karlyle franziu a testa ligeiramente. — Você diz aquela coisa horrenda?
— Então você conhece? Isso é inesperado. — Ash explodiu em uma risada surpresa e parou de caminhar.
Embora tivesse acontecido há bastante tempo, Karlyle se lembrava de ter ido ao Hyde Park no dia em que ela foi erguida, tendo sido importunado por Aiden, e de ter avistado a estátua. — Eu já vai, infelizmente.
— Você acha que é horrenda? — Ash refletiu sobre a descrição de Karlyle e deu uma risada abafada. Ele estendeu a mão e acariciou a bochecha de Karlyle, como se o achasse adorável.
— Você não gosta desse tipo de coisa?
— Não é um gosto que eu consiga compreender.
— Com uma reação tão forte, acho que você deve ter odiado mesmo. Isso é fofo.
Lutando para digerir ser chamado de fofo, Karlyle olhou para frente e apertou as mãos entrelaçadas deles.
— Ah — Ash pronunciou antes de continuar a caminhada. — Eu me lembro de ser perseguido por um bando de cisnes quando fui ver a estátua com meus amigos.
— Parecem ser aves sem modos — Karlyle franziu a testa ao fazer um comentário depreciativo sobre a propriedade da Rainha. Era uma verdade universalmente reconhecida que os cisnes tinham mau temperamento. Saber que eles haviam chateado Ash apenas aprofundou seu desagrado.
— Não é? Foi assustador porque tinha um monte me perseguindo. Estou contando com você para me proteger na próxima vez que os ver, Karlyle — disse Ash de brincadeira, acariciando as costas da mão de Karlyle.
Conforme entraram em um bairro calmo e rico, apenas as vozes deles ecoavam suavemente ao redor.
— …Você tem a minha palavra. — Quando Karlyle respondeu com sinceridade inconsciente, Ash sorriu calorosamente para ele. Dessa vez, Ash apertou a mão de Karlyle com firmeza. O sangue de Karlyle se aqueceu com a sensação de ser segurado com força.
— Às vezes, Karlyle — Ash disse com a voz rouca, olhando para frente, seu tom contrastando com seu rosto sorridente —, você é tão adorável que eu fico desconcertado.
Karlyle parou abruptamente, a confusão se espalhando por suas feições com a palavra adorável. Recentemente, Ash costumava dizer coisas que o assustavam. Palavras às quais ele havia tentado não dar muita importância agora estavam se misturando, inundando sua mente.
A afirmação de que Karlyle era um mistério, a expressão de que Karlyle o confundia, a promessa de uma próxima vez, e depois a descrição de que Karlyle era adorável. Tudo isso levou Karlyle a um possível mal-entendido.
Apesar de testemunhar com seus próprios olhos que Ash sem dúvida ainda nutria sentimentos por Nicholas, um vislumbre de esperança brotou em Karlyle. Uma esperança de que talvez, mesmo que só um pouco, Ash pudesse… ter sentimentos por ele.
A atitude de Ash em relação a Karlyle claramente havia mudado desde que se conheceram. O peso do cartão Oyster em sua carteira pressionava pesadamente contra o seu peito.
Mesmo sabendo que deveria ter cuidado com interpretações errôneas, sua razão continuava fazendo julgamentos inúteis e esperançosos, balançado pelas emoções inebriantes, porém doces, que ele estava experimentando pela primeira vez. Ele queria perguntar por que Ash estava dizendo tais coisas.
No entanto, antes que Karlyle pudesse perguntar, Ash parou e ficou imóvel. Ele chamou por alguém parado em frente a uma casa branca em uma rua aconchegante e silenciosa, alinhada com casas semelhantes.
— Natalie. Você estava esperando lá fora?
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr