Define The Relationship (Novel) - Capítulo 19
Capítulo 19
Antes de entrarem na galeria, Ash conversou com um representante. Enquanto isso, Karlyle, tendo feito uma doação e obtido os ingressos, esperava por Ash com uma expressão escrutinadora.
Durante esse tempo, uma estranha série de eventos o levou a juntar itens derrubados por quatro visitantes diferentes. Por alguma razão, as pessoas constantemente deixavam cair seus pertences bem na frente dele. Os dois homens e duas mulheres tinham uma coisa em comum — todos eram ômegas.
Nesta era moderna, onde o termo nobre era visto como ultrapassado e até ridicularizado às vezes, a etiqueta da nobreza variava dependendo da situação. Karlyle adotava o cavalheirismo, amplamente reconhecido em todo o país, como sua etiqueta base.
Segurar portas para os outros ou ajudar aqueles em dificuldades eram comportamentos arraigados nele desde a infância. Consequentemente, ele habitualmente recolhia carteiras, chapéus e outros itens que caíam diante de si para devolvê-los aos seus donos.
Cada destinatário de sua ajuda, ao receber seus pertences e notar sua conduta e postura de cavalheiro, demorava-se para tentar puxar assunto.
Hoje não foi diferente. No entanto, Karlyle prestou pouca atenção a eles; mesmo que tivesse tempo, não daria importância. Seu foco estava inteiramente em Ash, que estava engajado em uma conversa animada com uma mulher alfa. A linguagem corporal dela demonstrava interesse — evidente na proximidade com que se mantinha de Ash e em seus toques ocasionais no braço dele. Karlyle achou aquele comportamento irritante.
Ash continuou a conversa por mais uns dez minutos. A mulher o abraçou e chegou a lhe dar um beijo leve na bochecha antes de se despedir. Quando Ash retornou, o aroma de outro alfa misturava-se sutilmente ao dele, provocando uma onda de irritação inexplicável dentro de Karlyle. Seu maxilar se contraiu com força.
— Desculpe fazê-lo esperar — Ash desculpou-se.
Karlyle virou a cabeça, lutando contra o ciúme mesquinho e a possessividade que surgiam dentro de si. Como um indivíduo racional, ele sabia que não podia demonstrar essas emoções a Ash, já que eram meramente parceiros sexuais temporários.
— Não, de modo algum — Karlyle respondeu.
Karlyle entregou-lhe o ingresso. Ash olhou brevemente para o papel antes de se aproximar, agradecendo-lhe. Bem no momento em que os lábios de Ash estavam prestes a tocar sua bochecha, Karlyle deu um passo para trás. Ele estava descontente com o aroma de outro alfa em Ash. A ideia do perfume de outra pessoa impregnado nele o perturbava.
Aquela foi a primeira vez, no último mês, que Karlyle rejeitou um beijo de Ash. Ash, que costumava ser perceptivo em relação ao desconforto de Karlyle, notou imediatamente dessa vez também.
— Há algo de errado?
— Não — Karlyle respondeu.
Mas Ash não se deu por convencido. Diante do olhar firme dele, Karlyle acrescentou de forma seca:
— É apenas que acho o aroma de outro alfa desconfortável. Por favor, não ligue para isso.
— Outro alfa? — Ash piscou antes de se aproximar novamente, dessa vez sem dar a Karlyle a chance de recuar. Os olhos de Ash se estreitaram, um brilho provocador surgindo enquanto ele sussurrava de maneira brincalhona:
— Você não gosta disso?
— Não é exatamente agradável — Karlyle admitiu. Alfas eram naturalmente possessivos, afinal de contas.
— Então cubra-o com o seu, Karlyle — Ash murmurou suavemente, como se compartilhasse um segredo, seus dedos se entrelaçando com os de Karlyle. O toque derreteu o descontentamento do outro. Ele olhou nos olhos de Ash, ciente de que seus próprios feromônios se intensificavam e de que o ar ao redor deles ficava mais denso.
— Você também está com aromas de ômegas em você — Ash disse, provavelmente referindo-se aos quatro ômegas pelos quais Karlyle passara. Ash ergueu as mãos unidas e beijou as costas dos dedos de Karlyle.
— Eu também não gosto disso — Ash continuou. — O aroma que deixei em você sumiu quase por completo. — Ele roçou o nariz na curva do pescoço de Karlyle, seus cabelos escovando contra a pele dele.
Karlyle não compreendeu o que Ash estava sugerindo a princípio. Ele também se viu incapaz de se mover, apesar de estar ciente dos olhares alheios, tudo porque Ash o estava tocando.
— Eu não deixei muito aroma porque não queria assustar você. Mas, da próxima vez, farei questão de deixar bastante em você — Ash explicou.
Ash estava falando sobre feromônios, provavelmente referindo-se ao rastro deixado pelo sexo recente deles.
— Acredito que o Sr. Jones não precisa… ir tão longe — disse Karlyle.
— Então se Karlyle o fizer, outros alfas não deixariam o aroma deles em mim, certo? — Ash rebateu. Karlyle ficou em silêncio diante daquilo. Ash riu baixo e deu um passo para trás, ainda segurando a mão de Karlyle, o que lhe trouxe uma sensação de alívio.
— Sabe de uma coisa, Karlyle — Ash disse, mantendo o contato visual. — Você é um grande mistério para mim.
O comentário enigmático de Ash deixou Karlyle intrigado. No entanto, não houve tempo para responder, pois Ash conduziu Karlyle para dentro da galeria, apresentando o ingresso.
O BP Portrait Award selecionava e celebrava o que havia de melhor na pintura de retratos de artistas de todo o mundo. Ash disse que já havia comprado algumas peças que chamaram sua atenção no passado.
Enquanto caminhavam pelas exibições, suas mãos permaneciam firmemente entrelaçadas, o calor crescente em suas palmas contrastando com o frescor do ar-condicionado.
Conforme andavam pela galeria, conversavam sobre seus pintores favoritos. Karlyle não apresentou uma preferência clara; embora compreendesse as técnicas, o contexto histórico e o valor das pinturas, ele não considerava outros aspectos importantes. Ash, por outro lado, tinha muitos favoritos.
— Eu gosto de Leyendecker e Waterhouse — Ash disse.
A menção a Waterhouse fez Karlyle pensar nas rosas vermelhas que Ash lhe dera, o que trouxe uma pintura específica à mente.
— O senhor deve gostar de The Soul of the Rose — Karlyle comentou.
— Como você soube? Eu amo tanto essa obra que lamento não ter sido capaz de torná-la minha — Ash respondeu com um sorriso radiante. O olhar de Karlyle demorou-se em Ash por algum tempo antes de ele desviar os olhos.
Ash mencionou que estava procurando por uma pintura de um artista chamado Michel Whitewood. Não era uma pintura premiada, mas Ash estava feliz com isso, pois suspeitava que a obra ainda não havia sido vendida por essa razão. Karlyle finalmente encontrou a pintura em um canto da galeria.
— Ash.
— Sim, Karlyle? — Ash respondeu suavemente, virando-se para ele.
Karlyle apontou para a pintura.
— Acredito que esta seja a peça que o Sr. Jones estava procurando.
— Oh, você encontrou? — Ash caminhou em direção a ela, puxando Karlyle naturalmente pelas mãos entrelaçadas.
— Você tem olhos atentos, Karlyle. Obrigado.
Apesar do fato de que eles teriam encontrado a obra de qualquer forma enquanto passavam pela galeria, o elogio de Ash deixou Karlyle intrigado sobre a maneira de pensar dele.
— Não foi nada.
— Já que você a encontrou para mim, agora preciso comprá-la — Ash disse. Em seguida, ele estudou a pintura antes de falar novamente. — Eu nunca conheci Michel, mas ele é filho de Philip Whitewood. A minha favorita das peças de Philip é Landscape in a Lavender Field.
Philip Whitewood não era um nome que Karlyle já tivesse ouvido antes. Ele escutou atentamente as palavras de Ash.
— Eu esperava que Michel pudesse ter herdado a técnica de Philip, e parece que eu estava certo.
Karlyle olhou para o retrato diante deles. As pinceladas eram brutas, mas as cores eram oníricas e vívidas. As emoções capturadas nas feições faciais eram difíceis de definir.
— O senhor possui Landscape in a Lavender Field? — Karlyle perguntou.
— Não. As únicas duas pinturas de Philip foram vendidas há muito tempo. Ele nunca mais pintou depois disso. São impossíveis de comprar. Mais do que o preço, é uma questão dos atuais proprietários, porque ninguém sabe quem as possui — Ash respondeu.
Sua voz carregava um toque de amargura. Era um lado de Ash que Karlyle não tinha visto antes. Ele conteve o impulso de dizer: “Posso ajudar”, sabendo que seria uma intromissão.
— Estou curioso para ver como ela é — Karlyle disse em vez disso.
— Você nem mesmo a encontrará online. — Ash virou-se para Karlyle e propôs: — Que tal se eu a descrevesse para você, então?
Enquanto Ash conduzia Karlyle para fora da galeria, ele descreveu a pintura em detalhes.
No centro de um campo infinito de lavanda roxa e azul-escura estava uma figura, o gênero da pessoa de cabelos curtos era indiscernível. A lua, quase tão luminosa quanto o sol à luz do dia, banhava o vasto campo em um brilho branco. O perfil da figura meio voltada estava imbuído do olhar transbordante de afeto do pintor direcionado a alguém profundamente querido. Era o tipo de olhar que poderia fazer até mesmo o espectador se apaixonar através de seus olhos.
Ash concluiu dizendo que nunca mais tinha visto uma pintura que transmitisse emoções tão profundas.
O tempo voou como uma flecha enquanto Karlyle estava com Ash. Enquanto Ash acertava a compra da pintura com o representante da galeria, Karlyle recebeu uma ligação de Kyle. — Você está esperando há muito tempo, Karlyle?
— Kyle. — A expressão de Karlyle relaxou um pouco. — Não, de modo algum.
— Estou voltando agora. Onde você está?
— Estou perto da Trafalgar Square. Não precisa correr.
— Você já almoçou?
— Já — Karlyle mentiu, não querendo preocupá-lo.
À distância, a voz de Nicholas ecoou. Kyle riu baixo e encerrou a ligação dizendo que chegaria logo.
— Quem era? — Ash perguntou enquanto se aproximava, tendo terminado os seus negócios.
Karlyle hesitou brevemente. Ele sabia que Kyle e Ash não se davam exatamente bem, mas também não havia razão para esconder. — Era o meu irmão.
— O Sr.Kyle? — Ash perguntou, ainda sorrindo. A expressão dele aliviou um pouco a tensão de Karlyle.
— Sim.
— Vocês dois conversam com frequência?
Karlyle relembrou o primeiro encontro deles — aquele que Ash lembrava como o primeiro, não o que Karlyle lembrava. Ele havia falado de forma dura, interpretando mal que Nicholas estava se encontrando com Ash pelas costas de Kyle. Ele estava ansioso sobre se Ash estaria se recordando disso bem naquele momento.
— Eu não diria que é frequente. É por causa da viagem de negócios que mencionei.
— Ele vai com você?
— Vai.
— Espero que tenham uma boa viagem — Ash disse em um tom gentil. — Isso significa que você precisa ir agora?
Karlyle verificou as horas. Kyle estava em uma loja em Chelsea, então levaria cerca de vinte minutos para ele chegar.
— Kyle está vindo da Daisy Cot em Chelsea, então eu ainda tenho um pouco de tempo.
Ash piscou, e um silêncio inesperado caiu entre eles, fazendo Karlyle olhá-lo com curiosidade.
— Daisy Cot? — Ash repetiu. Um silêncio sufocante repentino se seguiu. Ash ergueu a mão para esfregar a testa, depois sorriu de leve, com um leve franzir de testa no rosto.
— O Nick está… grávido?
A pergunta de Ash deixou Karlyle desanimado. Ele não esperava que Ash conhecesse a Daisy Cot ou, melhor dizendo, que ele não soubesse da gravidez de Nicholas. Quando Nicholas havia apresentado Karlyle a Ash, ele já sabia que estava grávido. Olhando para trás, no entanto, ele não tinha nenhuma razão específica para contar isso a Ash.
Afinal de contas, eles não eram nada um para o outro.
Pelo menos não para Nicholas.
A mente de Karlyle corria enquanto ele tentava invocar as palavras certas. Um aperto dominou seu coração, pontuado por uma dor aguda. Ash parecia magoado, sorrindo de uma maneira que Karlyle nunca tinha visto antes. Embora o conhecimento mútuo deles se estendesse por apenas algumas semanas, aquela era uma expressão sem precedentes.
— Você poderia parabenizá-lo por mim, Karlyle? — Ash perguntou, sua mão roçando os lábios, que mantinham um sorriso. A curva retorcida e dolorosa sugeria que ele estava desmoronando por dentro, o que dilacerou o coração de Karlyle também. Ele experimentou uma mistura de compaixão e ressentimento, embora estivesse incerto sobre a que o ressentimento era direcionado.
— Eu… — Karlyle perdeu o fio da meada, sua expressão endurecendo.
Tinha sido oito meses. Nicholas e Ash haviam se conhecido por menos de dois meses. O que quer que tivesse acontecido entre eles estava no passado. E ainda assim Ash não conseguia esquecer alguém que já era casado com outra pessoa.
Karlyle não conseguia entender por que Ash ainda guardava Nicholas em seu coração.
— Receio não poder transmitir a mensagem.
Karlyle sentia-se vazio por dentro, como se tudo tivesse sido arrancado. Aquilo não estava certo; Nicholas tinha Kyle. Para Kyle, Nicholas era o seu tudo. Karlyle desejava que nenhum obstáculo surgisse entre eles.
Diante de suas palavras, o sorriso no rosto de Ash fraquejou. Os dois olhos gentis, cheios de tristeza, fitaram Karlyle.
— Porque, Sr. Jones, o senhor… não está em nenhum relacionamento com Nicholas.
Cada palavra esfaqueava a garganta de Karlyle conforme saía. Ele não queria mais que Ash se machucasse por causa de Nicholas. Ele queria que ele seguisse em frente, que esquecesse Nicholas e que fosse feliz novamente.
— Não é algo com o qual o senhor precise se preocupar — Karlyle concluiu friamente. Sua própria voz soou tão dura que despertou uma onda de auto-aversão dentro dele.
Ash fitou Karlyle silenciosamente. Seus lábios belos, com os cantos geralmente curvados para cima, estavam resolutamente selados. Cada segundo se estendia até a eternidade. Karlyle imaginou Ash ficando zangado, como naquele dia, e o pensamento o magoou profundamente.
No entanto, Ash não ficou zangado nem o culpou. Ele simplesmente aceitou em uma voz apática. — Você tem razão. — O tom contido carregava lágrimas invisíveis. Karlyle se desesperou com a profundidade da emoção dele.
— Eu me excedi. — Ash desviou o olhar brevemente antes de se voltar novamente para Karlyle. Ele manteve a mesma fisionomia, sorrindo calorosamente, mas seu tom era ao mesmo tempo gentil e distante.
— Eu fui presunçoso. Vou indo na frente, se me der licença.
Com isso, Ash passou por Karlyle. Sem hesitação, ele se direcionou para a saída.
Karlyle foi deixado sozinho. No murmúrio calmo e tranquilo que preenchia a galeria, ele estava completamente sozinho.
Karlyle queria perguntar sobre Ash e ele mesmo.
Ele queria perguntar o que era o relacionamento deles.
Ele sabia que eram parceiros sexuais. Ele também estava ciente de que Ash estava se encontrando com ele apenas como um favor para Nicholas.
Mas.
Mas…
Mas se essa era a única razão pela qual Ash estava se encontrando com ele, por que Ash era tão gentil com ele? Por que Ash o olhava e o tocava de forma tão afetuosa? Por que era que Karlyle não conseguia tirar os olhos dele?
Se não houvesse significado por trás do comportamento de Ash…
Se a sua existência não pudesse sequer se comparar à de Nicholas…
Seria, insuportavelmente, triste.
Karlyle baixou o olhar. Ele fitou a mão que havia segurado a de Ash por um longo tempo. Primeiro olhou para a palma aberta, depois a virou para ver as costas dos dedos onde os lábios de Ash haviam tocado. O calor restante era apenas o seu próprio agora. Karlyle ergueu a mão e silenciosamente pressionou os lábios no lugar que Ash havia beijado.
Ali, ainda restava o aroma de Ash.
O adorável aroma que Ash havia deixado nele.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr