Define The Relationship (Novel) - Capítulo 18
Capítulo 18
Karlyle estava com uma viagem de negócios agendada para Vancouver e estava particularmente ansioso por ela, já que seria a primeira vez que Kyle se juntaria a ele em uma viagem ao Canadá.
O propósito da viagem era finalizar um contrato de desenvolvimento para o lado leste do rio Fraser, uma área de propriedade da família Frost. O itinerário incluía apresentações de grandes empresas de desenvolvimento e atualizações sobre as atividades comerciais que haviam ocorrido durante a ausência de Karlyle. A viagem duraria quatro dias, incluindo o fim de semana, para acomodar o tempo de deslocamento.
Em outras palavras, Karlyle não seria capaz de ver Ash este fim de semana.
— Consigo ver algumas mudanças em você desde a última vez que o vi, há algumas semanas, Karlyle — Luther notou ao entrar na sala. Karlyle, que estava perdido em pensamentos, desviou o olhar apenas depois que Luther falou. Luther sentou-se à frente dele.
— Acredito que isso seja improvável. — O cabelo preto-acinzentado de Karlyle estava penteado para trás, exibindo sua testa, e ele estava completamente vestido de terno, com abotoaduras e tudo, como de costume. Seu peso e sua rotina de exercícios também não haviam mudado, então, exteriormente, nada deveria parecer diferente.
Diante da resposta de Karlyle, Luther abriu uma pasta, que provavelmente continha os registros de suas consultas e exames anteriores.
— Você parece estar de bom humor, para começar.
— …? — Karlyle piscou, suas mãos descansando sobre os joelhos, movendo-se uma fração de segundo. Recentemente, ele vinha se sentindo mais abalado emocionalmente. Se tivesse que categorizar seu humor, no entanto, não era nem bom nem mau — talvez tendendo um pouco para o lado negativo, na verdade.
…Porque ele não veria Ash este fim de semana.
Mas não havia nada que pudesse fazer. Endireitando as costas, Karlyle permaneceu em silêncio.
Sem obter resposta, Luther passou suavemente para o próximo tópico, como se já estivesse acostumado com tal situação.
— Bem, então, diga-me, como está a sua saúde de um tempo para cá?
O tom casual de Luther suavizou o desconforto do assunto. Karlyle esfregou o joelho, tirando um momento para organizar seus pensamentos antes de responder. Mesmo para fins médicos, discutir os múltiplos orgasmos que sentira enquanto era possuído por um alfa exigia certa preparação mental. Era um pouco patético, mas real.
No passado, ele teria sentido apenas auto aversão e vergonha nessa situação. Mas agora as coisas estavam um pouco diferentes.
Karlyle não detestava mais a prescrição em si. É claro que isso não significava que ele havia se acostumado com ela. Provavelmente nunca se acostumaria pelo resto de sua vida. A frase “Pelo resto da vida” o fez franzir a testa brevemente — era um termo amplo demais. Ele não se acostumaria com aquilo, mesmo nos cinco encontros restantes que teria com Ash, para ser exato. A semana passada também havia sido a primeira vez que eles realmente tinham chegado à penetração completa.
Inacreditavelmente, ele havia experimentado prazer e clímax ao ser penetrado, mas ainda não tinha processado como aquilo o havia mudado.
— Eu diria que a prescrição tem sido eficaz — Karlyle finalmente disse.
— Você quer dizer que não houve problemas em alcançar a ejaculação através do orgasmo? — Luther esclareceu.
— Correto.
Se serve de consolo, tinha sido fácil demais. Karlyle colocou a mão no queixo, pensativo. Fazia sentido que estimular a próstata durante a penetração levasse à ejaculação. Mas… e quanto àquela vez em que sentira prazer apenas ao roçarem os membros um no outro no chuveiro? Karlyle estava perplexo.
— No entanto… — Karlyle deixou a frase no ar.
— Sim? — Luther o encorajou, cruzando as mãos em um gesto que convidava Karlyle a continuar. Karlyle passou a mão pelo cabelo, um sinal de leve nervosismo.
— Eu fui capaz de chegar ao clímax sem a penetração.
— Você quer dizer que experimentou um orgasmo apenas através das preliminares?
Karlyle deu um aceno quase imperceptível com a cabeça.
— Como discutimos em nossa última consulta, seu distúrbio orgásmico é causado pela pressão que você sente em relação ao ato sexual em si. O fato de o parceiro e as circunstâncias serem diferentes da sua rotina habitual, e de você ter sido exposto a novos tipos de estímulos, provavelmente levou a esse resultado mesmo sem a penetração — Luther explicou.
Essa revelação fez Karlyle se perguntar se o afeto que sentia por Ash também havia influenciado sua mudança. Ash abalava Karlyle profundamente por vários motivos, mas ele perdia o controle sobre si mesmo de forma particular toda vez que estavam fisicamente próximos.
— Nesse caso — Karlyle começou. — Uma pessoa pode desenvolver…
Ele pausou, e Luther esperou pacientemente. Karlyle não tinha dúvidas de que ele registraria todas as conversas deles.
Karlyle afastou o cabelo para trás mais uma vez. Ash era um alfa. Apesar de seus sentimentos atuais, nada de significativo resultaria do relacionamento deles. Portanto, aquela pergunta servia unicamente para compreender melhor o que estava vivenciando.
— …um apego ao parceiro por meio dessas interações?
Karlyle já havia estado com muitos ômegas, então aquela pergunta não era exclusivamente sobre Ash, mesmo que só tivesse sentido apego por ele.
Um breve silêncio pairou no ar antes de Luther falar, sua expressão quase sorridente, como se a resposta fosse óbvia.
— Sim, muitas substâncias químicas são liberadas durante a atividade sexual. A vasopressina, em particular, pode promover o apego a um parceiro sexual. Curiosamente, esse hormônio também pode induzir sentimentos de antagonismo em relação a outros alfas.
A confirmação de Luther trouxe a Karlyle uma mistura estranha de alívio e decepção.
— O sexo também aumenta os níveis de dopamina e norepinefrina, enquanto suprime os níveis de serotonina. É por isso que o sexo e o amor têm andado intimamente ligados ao longo da história e da cultura humana. Embora a luxúria e o amor não sejam a mesma coisa, a luxúria certamente pode agir como um catalisador para o amor.
A palavra amor interrompeu todos os seus pensamentos naquele instante, enviando uma corrente elétrica por suas veias que eriçou suas terminações nervosas. Os lábios de Karlyle se fecharam em uma linha firme e reta.
Para Karlyle, o amor sempre fora o mais inútil dos valores. Seu avô, embora estivesse disposto a discutir o amor na literatura, desprezava o romance na realidade. Como Karlyle precisava se esforçar meramente para atender às expectativas de seu avô, ele nunca havia cogitado a ideia de se apaixonar, algo que era considerado uma perda de tempo.
Não era que Karlyle não entendesse o amor. Ele amava profundamente sua família e, especialmente, adorava seu irmão mais novo. Aquilo era o suficiente.
Para ser mais preciso, o que Karlyle sentia por Ash muito provavelmente não era amor. Era simplesmente seu primeiro afeto e interesse em relação a outra pessoa. Nem todos os afetos levavam ao amor.
Karlyle já não podia mais negar seus sentimentos por Ash, mas tentava convencer a si mesmo de que eles estavam dentro de uma margem controlável.
É claro que ele queria ver mais de Ash. Se as circunstâncias permitissem, ele desejava vê-lo além daquelas cinco vezes… apenas um pouco mais. Mas ele reconhecia que esse desejo era puro egoísmo de sua parte. Ash não tinha motivos para continuar se encontrando com Karlyle. No entanto, se por acaso Ash o permitisse entrar em sua vida, então talvez houvesse uma possibilidade.
Seus pensamentos flutuavam, recusando-se a manter o curso pretendido e seguindo repetidamente esperanças fúteis. Embora estivesse dolorosamente ciente do fim inevitável, a expectativa persistia.
— Obrigado pelo seu esclarecimento — Karlyle falou finalmente.
— Seu parceiro deve ser uma boa pessoa — Luther comentou. — Você disse que o nome dele é Sr. Ash Jones?
Karlyle imaginou Ash em sua mente — seus cachos macios, o nariz reto, os lábios que estavam perpetuamente curvados em um sorriso caloroso e aqueles olhos lindos. O homem mais gentil que se tornava perigoso na cama, pressionando Karlyle com seu peso. Quando a imagem de Ash na cama veio à sua mente sem ser convidada, Karlyle estremeceu, com o baixo ventre subitamente tenso. Ele mordeu o lábio e depois o soltou antes de falar novamente.
— …Você está certo.
— É bom ouvir isso. O que você planeja fazer durante o seu rut na próxima semana? — A pergunta de Luther trouxe Karlyle de volta ao presente, diminuindo a sutil excitação que havia surgido com os pensamentos sobre Ash. Seu rut estava se aproximando, e a menção a isso o encheu de uma sensação de pressão.
Karlyle imaginou um ômega sem nome, seguido pela imagem de si mesmo abrindo as pernas dessa pessoa e se enterrando nela, movido apenas pelo seu desejo primordial de buscar o alívio sexual. O pensamento lhe causou náuseas.
Observando o desconforto de Karlyle, Luther sugeriu: — Se o Sr. Jones estiver aberto a isso, que tal você passar o seu rut com com ele?
O ânimo de Karlyle, que havia despencado com a menção ao seu rut, gradualmente voltou ao nível habitual com o pensamento em Ash. Ele olhou para Luther confuso. Luther estava anotando algo antes de fechar a pasta.
— Você se tornou menos resistente em relação ao sexo em si, então mudar a forma como passa o seu rut pode ser benéfico — disse Luther.
— Você está dizendo que um alfa pode passar o seu rut com outro alfa? — Karlyle perguntou.
— Isso não vai resolver suas necessidades completamente, mas é possível. Afinal, atualmente você está achando difícil gerenciar seu rut com um ômega.
Karlyle esfregou a testa, sentindo-se incerto. No entanto, os conselhos de Luther sempre foram baseados em argumentos sólidos, e Karlyle nunca fora de desconsiderar as orientações de seu médico principal. E o parceiro em questão não era outro senão Ash.
No final, só havia uma resposta que Karlyle poderia dar.
— Entendido.
— Ótimo — disse Luther, sorrindo com aprovação enquanto se levantava. Karlyle, que o observava, ergueu-se da cadeira também. Ele empurrou a cadeira ligeiramente deslocada de volta ao lugar e deu a Luther um breve aceno com a cabeça. Luther retribuiu o gesto.
Justo antes de Karlyle deixar o consultório, Luther acrescentou:
— Pessoalmente, espero que você faça escolhas que reflitam o que você quer para si mesmo.
Fora algo bastante inesperado. Karlyle parou no meio do caminho e olhou para Luther. As palavras de seu avô ecoaram em sua mente: “Não se pode viver perseguindo apenas o que se quer, Karlyle.”
Seu avô sempre enfatizara que esse era um princípio especialmente pertinente para aqueles que nasciam com privilégios. Isso incluía as conveniências, as vantagens financeiras e tudo o que Karlyle desfrutava naturalmente. Seu avô falava de responsabilidade.
Uma responsabilidade atada à sua linhagem e a esses privilégios.
Karlyle não disse nada em resposta. Ele apenas girou a maçaneta e abriu a porta que dava para o lado de fora.
Karlyle se viu com uma tarde inesperadamente livre. Ainda faltavam mais de duas horas para o momento em que precisaria levar Kyle ao Aeroporto de Heathrow. No momento, Kyle estava fora, comprando produtos de bebê com Nicholas e a família dele.
Um mês atrás, Karlyle havia topado com Nicholas e Kyle após o seu diagnóstico, e esse fora o motivo de eles estarem no consultório de Luther: Nicholas estava grávida. Desde então, Kyle exibia um sorriso constante, pelo menos na presença de Nicholas e Karlyle. Ver o irmão tão feliz trazia alegria a Karlyle, e ele sempre fora grato pela presença de Nicholas na vida de Kyle.
Naturalmente, seus pensamentos se voltaram para Ash. Refletindo sobre o relacionamento complicado deles, Karlyle percebeu que Ash não havia mencionado Nicholas desde o primeiro encontro. Se Ash esquecera Nicholas por completo ou não, era um mistério. Essa incerteza gradualmente abateu o ânimo de Karlyle.
Com uma expressão vazia, Karlyle pegou o telefone. A tela estava cheia de mensagens de trabalho. Mensagens pessoais eram escassas, e ele só respondia às essenciais. Esse hábito vinha desde os seus dias em Eton e na universidade. Ele só se dava ao luxo de atividades de lazer quando havia um propósito claro. Se esses luxos sequer contavam como lazer era algo questionável.
Após um longo momento apenas segurando o aparelho, Karlyle o desbloqueou. Correndo pelas mensagens, encontrou o nome de Ash. Havia apenas alguns textos trocados sob o nome “Jones”, todos discutindo logística, como hora e lugar. Ash parecia profissional nas mensagens, mas, pessoalmente, ele derretia Karlyle com seus sorrisos doces, toques e beijos.
Karlyle hesitou ao tocar no campo de entrada de texto. Para seguir o conselho de Luther, ele precisava discutir o rut que se aproximava. Aquilo não era uma mensagem frívola; tinha um propósito, então não seria uma inconveniência. Após muita deliberação, ele finalmente digitou algumas palavras.
Boa tarde.
Era uma saudação padrão, mas pareceu incrivelmente desajeitada. Karlyle acabou apagando tudo, sem saber ao certo como abordar o assunto.
Sr. Jones.
A segunda tentativa pareceu rígida e desprovida de calor, mesmo para Karlyle, que tinha fama de extrema formalidade. Tratá-lo pelo primeiro nome parecia indevidamente íntimo, mas Karlyle apagou a mensagem anterior e digitou Ash.
Encarando a tela por um tempo, Karlyle balançou a cabeça para si mesmo. Seria melhor ligar ou discutir o assunto pessoalmente mais tarde. Foi precisamente quando seu dedo se moveu para apagar o texto novamente que alguém passando quase esbarrou nele. Karlyle estava, de forma totalmente incomum para seus hábitos, caminhando enquanto olhava para o celular. Reflexivamente, ele protegeu o aparelho com a palma da mão e deu um passo para o lado.
Foi nesse exato momento que a mensagem foi enviada.
Quando Karlyle olhou de volta para o telefone, era tarde demais. O problema não era apenas o fato de a mensagem conter apenas o nome de Ash. O nome vinha seguido de xx. Até mesmo Karlyle sabia o que aquilo significava. Ele também sabia que a quantidade de x implicava graus variados de afeto, tipicamente trocados entre namorados ou amantes.
Karlyle congelou. Seu coração despencou, e uma onda de humilhação o invadiu. Será que ele já havia experimentado um constrangimento tão intenso antes? Para alguém que conseguia contar seus erros nos dedos de uma única mão, aquilo era inaceitável. Que tolice monumental!
Ele esqueceu momentaneamente de respirar, pensando freneticamente em maneiras de cancelar a mensagem antes que Ash pudesse vê-la. Contratar um hacker ou entrar em contato com a empresa de telecomunicações levaria tempo. Mas ainda poderia ser plausível. Eram duas horas da tarde de um dia útil, então Ash provavelmente estava trabalhando. Se esse fosse o caso…
Em meio aos pensamentos vertiginosos que rodavam em sua mente, a mão de alguém tocou a parte inferior das costas de Karlyle. A sensação desconhecida fez Karlyle se virar, mas ele foi recebido por um aroma familiar. Em seguida, reconheceu a linha do maxilar e o nariz do estranho. Seus olhares se cruzaram.
— Olá. — Cílios longos tremularam suavemente sobre os olhos, um cinzento e o outro azul. Eram os olhos de Ash. — Karlyle.
A saudação, acompanhada por um leve sorriso, foi seguida por um beijo em sua bochecha. O contato leve espalhou calor por sua pele, e a respiração de Ash fez cócegas em seu ouvido.
O coração de Karlyle acelerou com o encontro inesperado. A surpresa foi tão deliciosa que ele esqueceu momentaneamente o embaraço intenso que sentira segundos antes.
Seus dedos se apertaram ao redor do telefone. Karlyle lembrou a si mesmo de que estavam em público, mas não afastou Ash de sua proximidade.
— Que mensagem fofa você enviou. — A voz grave e agradável de Ash ecoou.
— Sr. Jones. — A menção ao texto trouxe o constrangimento de volta a Karlyle, fazendo-o desviar o olhar por um breve instante. No entanto, ele se recompôs para cumprimentar Ash adequadamente, sustentando o olhar. — Boa tarde.
— É uma boa tarde, Karlyle. Você já almoçou? — Ash colocou as duas mãos na cintura de Karlyle enquanto perguntava. As mãos firmes e grandes envolvendo a parte inferior de suas costas e sua cintura apertaram a garganta de Karlyle.
— Ainda não. E você, Sr. Jones?
— Eu estava no meu caminho de volta depois de almoçar com um cliente.
Ash puxou Karlyle para mais perto. O aroma suave o envolveu, e seus corpos se tocaram. Ash vestia uma calça de algodão bege que deixava um pouco dos tornozelos à mostra e uma camisa azul-marinho. Através do tecido fino da camisa, Karlyle conseguia sentir os músculos firmes de Ash. Seu corpo, ou melhor, sua consciência, lembrava-se da sensação daqueles músculos. Ele também recordou a expressão de Ash quando o pressionava na cama. Karlyle mordeu o lábio inferior involuntariamente.
Ash, percebendo isso, libertou o lábio inferior do outro com o dedo e perguntou: — No que você está pensando? — A pressão sutil exercida por seu dedo fez Karlyle entreabrir os lábios de leve.
Karlyle sobressaltou-se e tentou dar um passo para trás, mas a outra mão de Ash em sua cintura o manteve firmemente no lugar. Àquele ritmo, Karlyle temeu que pudessem causar uma cena no meio da rua.
Ele ergueu a mão para empurrar o peito de Ash. A ação trouxe à mente outras atividades semelhantes que haviam compartilhado na cama, quase o excitando, mas ele conseguiu manter a compostura.
— A mensagem que você mencionou, foi enviada por engano… — Karlyle explicou.
— Você digitou meu nome por engano? — Ash riu baixo, com a voz provocativa. Karlyle ficou sem saber como responder a um tom tão afetuoso.
Todos os comportamentos e atitudes que Karlyle havia cultivado meticulosamente em sua vida pareciam sem sentido diante de Ash. Ele não sabia que expressão usar ou que tom adotar com alguém de quem gostava.
Tratar Ash como trataria Kyle era inadequado; eles simplesmente não eram tão próximos. Além disso, Ash era um alfa, e Karlyle não tinha experiência em conquistar um alfa fora de um contexto de negócios.
— O que o traz à Trafalgar Square? — Karlyle tentou direcionar a conversa para outro rumo.
Ash sorriu, sabendo exatamente o que ele estava fazendo.
— Você está sem jeito?
Claramente, Ash não tinha a menor intenção de deixar o assunto de lado. Karlyle conteve um suspiro e repetiu sua desculpa.
— Foi um erro.
— Um erro com beijos no final?
Karlyle genuinamente queria condenar o porquê de as pessoas modernas atribuírem a letra x a um beijo. Na verdade, Karlyle detestava abreviações como um todo. Apesar de saber o significado delas, ele nunca as havia utilizado, o que tornava difícil adivinhar como Ash interpretara sua mensagem.
— Nem mesmo um, mas dois?
— Deve ter ocorrido um mau funcionamento no meu telefone — Karlyle arranjou outra desculpa. Ash riu novamente e se inclinou mais perto, seus lábios roçando a orelha de Karlyle. Aquela proximidade era tudo menos casual, e tirou o fôlego de Karlyle.
— Achei que estivesse me convidando para te beijar — Ash sussurrou de forma sedutora. — Certo? Você gosta de beijar.
Incapaz de suportar aquilo por mais tempo, Karlyle deu um passo para trás, colocando três passos de distância entre eles.
— Eu… — Ele quase disse que precisava ir embora, mas engoliu as palavras. Ele tinha tempo livre e não veria Ash neste fim de semana. A ideia de encurtar aquele encontro casual o encheu de arrependimento. Ash estava simplesmente sorrindo, sem avançar mais.
— O senhor não respondeu à minha pergunta anterior, Sr. Jones.
Na segunda tentativa de Karlyle de desviar o rumo da conversa, Ash decidiu deixar o assunto de lado com uma risada curta. Ele virou a cabeça em direção a um edifício próximo.
— Vim dar uma olhada em uma exposição. Meu estúdio frequentemente faz projetos para exposições na Tate e em outras galerias, então pensei em dar uma olhada no BP Portrait Award também.
Karlyle seguiu o olhar dele. O prêmio de retratos da British Petroleum na National Portrait Gallery de fato havia começado dois meses atrás.
A família Frost mantivera um bom relacionamento com a BP até que a explosão da plataforma de petróleo causou perdas significativas de ações, interrompendo as negociações por um tempo. Após a retomada dos investimentos em desenvolvimento de novas energias no ano passado, Karlyle fora convidado para diversos eventos patrocinados pela BP. Embora estivesse ciente do BP Portrait Award, ele não tivera tempo para visitá-lo.
— O senhor frequenta exposições com regularidade?
— Suponho que sim — disse Ash enquanto verificava o relógio de pulso. O couro, de um tom marrom-avermelhado profundo, era de excelente qualidade, e os ponteiros simples do relógio adicionavam um toque de elegância. O Vacheron Constantin em seu pulso liso, que se estreitava a partir de seu antebraço firme, combinava perfeitamente com ele.
Sentindo o olhar de Karlyle, Ash perguntou:
— Você está ocupado, Karlyle?
Após um breve silêncio, ele respondeu:
— Não no momento, não.
— Sério? — Ash pausou, pensando por um instante, e então curvou os olhos com um sorriso. — Gostaria de ver a exposição juntos, então?
Dessa vez, Karlyle imediatamente deu um aceno silencioso. No entanto, quando Ash estendeu a mão, Karlyle hesitou novamente.
— Ah, desculpe — disse Ash com uma risada. — Força do hábito. — Ele recolheu a mão antes que Karlyle pudesse segurá-la.
— Vamos? — Ash virou-se primeiro. Karlyle pausou por um momento, fitando a mão de Ash antes de segui-lo. Ele cerrou e depois relaxou a mão direita, que permaneceu vazia.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr