Define The Relationship (Novel) - Capítulo 16
Capítulo 16
— O que você gostaria de comer? — Ash perguntou, quando Karlyle emergiu do banheiro de roupão, um pouco mais tarde do que ele. Ash havia tirado os lençóis da cama e os recolhidos aos pés dela, já estando impecavelmente vestido.
Karlyle achou difícil olhar Ash diretamente nos olhos por causa do que haviam acabado de fazer no banheiro. Na verdade, todas as últimas horas tinham sido estimulantes demais. O fato de estar envergonhado demais para encarar seu parceiro após o sexo era prova disso.
Karlyle lembrou-se da primeiríssima vez em que compartilhara a cama com um ômega. Mesmo naquela época, ele seguira seus ensinamentos rigidamente, cuidando do ômega após alcançar o clímax nervoso. Nem uma única vez exibira um traço de rubor ou vergonha ao longo de todo o processo.
De qualquer forma, a pergunta de Ash fez Karlyle perceber que estava com fome. Era natural após gastar tantas calorias. Ash estava sugerindo que jantassem juntos? O pensamento elevou um pouco o ânimo de Karlyle.
— Se houver algo que você gostaria, Sr. Jones…
Ash riu do tratamento formal.
— Voltamos para “Sr. Jones”?
— …Ash.
— Qualquer um dos dois está bom. Gosto do som de ambos.
Exatamente como Ash mencionara, Karlyle dava-se conta de que, sem perceber, chamava-o pelo primeiro nome em certas situações. Mesmo com Aiden, a quem conhecia há anos, Karlyle referia-se a ele com mais frequência pelo sobrenome, Haywood. Ash era o único nome que havia deslizado facilmente por seus lábios em um período de tempo tão curto.
Tudo o que havia ocorrido nos últimos vinte e um dias entre Karlyle e Ash fora uma sucessão de primeiras vezes para Karlyle. Tanto que chamar cada uma delas de a primeira de seu tipo seria quase uma redundância.
— Se houver algo que você queira, eu chamarei o chef.
— Não precisa. Eu vou cozinhar para você — Ash disse, dando um passo à frente de Karlyle. Ele olhou para as clavículas úmidas de Karlyle e, em seguida, estendeu a mão para fechar o roupão dele. — Agora, você poderia se trocar?
Karlyle mexeu a sobrancelha uma fração de segundo. Ele realmente parecia um pouco desalinhado. — Minhas desculpas. Se você quiser descer primeiro…
— Se você continuar vestido assim, talvez eu não consiga manter minhas mãos longe de você. — Ash pressionou um beijo leve acima da sobrancelha de Karlyle. Karlyle ficou em silêncio. — Meu autocontrole parece desaparecer sempre que estou perto de você, Karlyle. — Os lábios sussurrantes de Ash formigaram a pele acima das sobrancelhas de Karlyle.
Uma onda de emoções ensurdecedoras varreu Karlyle. Por que diabos Ash estava sussurrando daquela maneira? As ações de Ash levaram Karlyle a um pensamento esperançoso: talvez, apenas talvez, Ash estivesse começando a deixá-lo ultrapassar suas barreiras.
— Só para você saber, o menu da sobremesa já está decidido — Ash piscou, o gesto brincalhão sendo charmoso e adorável. — Vai ser uma torta de limão com merengue.
— Você quer dizer que planeja fazer o merengue você mesmo?
— Sim, se tivermos os ingredientes.
A perspectiva de Ash ficar por mais tempo e cozinhar para ele preencheu Karlyle com uma antecipação incontrolável.
— Você não desgosta, gosta?
— Não, não sou exigente.
A sobremesa era realmente apenas uma formalidade para Karlyle. Para começo de conversa, ele mal era exigente com o que comia. Embora evitasse ingredientes de má qualidade, de resto não tinha grandes preferências ou aversões.
— Que tal canela?
— Não tenho preferências com sobremesa.
— Que generoso. Podemos nos dar bem, então.
O coração de Karlyle acelerou em um frenesi.
— Porque eu sou bastante particular em relação às minhas sobremesas. — O tom brincalhão, porém firme, de Ash preencheu o quarto. — Leve o tempo que precisar para descer — ele acrescentou, dando o primeiro passo em direção ao corredor.
Karlyle permaneceu imóvel no quarto agora silencioso, olhando para a cama. Os lençóis estavam repletos de memórias compartilhadas, e o ar estava denso com o aroma de dois alfas. Um formigamento agitou-se em algum lugar perto de seu coração. Inconscientemente, ele mordeu o lábio e pressionou as costelas com firmeza com uma das mãos através da abertura de seu roupão.
Passando pelos lençóis amarrotados na beirada da cama, Karlyle se vestiu. Ele olhou para o espelho, mas seu olhar parou em seu pescoço. Ali, uma marca de mordida clara se destacava, cercada por chupões avermelhados. O formigamento dentro dele tornou-se quase insuportável, com a sensação de algo invisível roendo seus ossos.
Quando Karlyle mudou para roupas leves e desceu para a cozinha, o olhar de Ash o acompanhou, muito parecido com o de um cão leal esperando por seu dono. O sorriso em seu rosto gentil se aprofundou. Sem perceber, Karlyle acelerou o passo enquanto Ash vinha ao seu encontro.
— Esqueci de te perguntar uma coisa — disse Ash.
Uma música tocava suavemente na cozinha. Enquanto Karlyle olhava ao redor para verificar se o sistema de áudio estava ligado, percebeu que a música vinha do telefone de Ash. Era jazz, com o estalido fraco de um disco de vinil. Karlyle buscou nos recessos de sua memória. A canção era de Al Bowlly.
— Sim?
— Está tudo bem eu tomar tanto do seu tempo?
— Sim, não é um problema — Karlyle negou tão rapidamente que surpreendeu até a si mesmo.
— Eu costumo manter minha agenda livre nos dias em que nos encontramos, mas achei que você pudesse estar ocupado.
Ash estava certo. No entanto, não era apenas Karlyle que tinha uma agenda cheia. Pelo que Karlyle havia investigado, o estúdio de design de Ash era um dos mais renomados, disputando o posto de melhor estúdio de Londres.
Como diretor geral, Ash era o líder real responsável pelo estúdio, gerenciando-o efetivamente no lugar do fundador, Mackenzie Arne, e ele próprio era um designer altamente aclamado. Inúmeros artigos creditavam à direção de Ash os prêmios D&AD (Design and Art Direction) recebidos. Alguém com tanto talento e realizações estaria, sem dúvida, muito ocupado.
— Sr. Jones, eu…
“…gosto de estar com você mais do que de qualquer outra coisa”. Karlyle começou a frase com a intenção de dizer isso, mas depois mudou de ideia. Não havia necessidade de revelar seus sentimentos de forma tão aberta. Não era do seu feitio, nem combinava com ele. Além disso, Ash provavelmente não estaria interessado em saber de tais detalhes. Ele ponderou brevemente sobre qual seria a resposta certa.
— Eu também faço questão de deixar minha agenda relativamente livre quando me encontro com você. — A resposta que finalmente deu foi perfeitamente neutra. Ash assentiu e, em seguida, sorriu.
— Por que não decidimos o prato principal, então? — Ash perguntou, olhando ao redor da cozinha.
Essa pergunta era mais fácil de responder.
— Que tal *confit de canard? — Karlyle sugeriu, acrescentando antes que Ash pudesse responder:
(*N/T: confit de canard (Confit de pato) é um prato clássico da culinária francesa. Trata-se de uma coxa e sobrecoxa de pato curada no sal e cozida lentamente na própria gordura a baixas temperaturas)
— Eu mesmo vou preparar.
— Você vai?
Ash parecia agradavelmente surpreso, apoiando-se contra a geladeira com uma expressão encantada.
— Você realmente não tem nada que não saiba fazer.
— Bem… acredito que o mesmo possa ser dito sobre você, Sr. Jones.
— Há um monte de coisas que eu não sei fazer. Não sei tocar nenhum instrumento e sou péssimo em dirigir com segurança. Ah, também não consigo comer nada quente demais.
Ash listou tudo isso como se fossem falhas significativas, contando nos dedos com um gesto inocente, como o de uma criança. De fato, Karlyle não tinha nada em que fosse particularmente ruim, mas também não era excepcionalmente brilhante como um alfa dominante. No entanto, esses pensamentos pareciam sem sentido na presença de Ash, e ele sentiu-se grato por isso.
— De qualquer forma, eu amo confit de canard. Minha mãe fazia de vez em quando. — Ash mencionou a mãe no passado, fazendo Karlyle sobressaltar-se. Apesar disso, Karlyle decidiu não estender o assunto, e Ash naturalmente passou para o próximo tópico.
— Enquanto você cozinha, eu vou trabalhar na massa.
Com isso, os papéis deles foram definidos.
Karlyle tinha dezesseis anos quando aprendera a cozinhar pela primeira vez.
Ele começara a aprender porque queria ajudar seu irmão mais novo, cujo apetite havia reduzido significativamente após retornar do sequestro. Também fora por sua mãe, Alice, que sofria silenciosamente enquanto não deixava que suas preocupações transparecessem para os outros.
Embora Mariam e o restante dos funcionários fossem muito superiores nas artes culinárias, Karlyle queria fazer algo por sua família. Com as habilidades que adquiriu sem que ninguém soubesse, Karlyle cozinhou confit de canard, um prato que sua mãe costumava saborear com frequência.
Conforme o confit era servido na reunião de família, Karlyle prendeu a respiração. Ele baixou os olhos e, por ainda não ser totalmente mestre em ocultar suas emoções, demonstrou um resquício de nervosismo.
Alice cortou a carne em seu prato. Um pedaço deslizou silenciosamente por entre seus lábios carmesins. Karlyle esperou ansiosamente pelo veredito dela.
Elogiar as refeições era simplesmente uma recompensa devida aos esforços diários, embora isso só fosse permissível dentro do próprio lar. Elogiar a comida em um jantar nobre não era considerado uma etiqueta adequada, já que muitas vezes era visto como enaltecer alguém de status inferior.
No entanto, Alice sempre dava um leve feedback sobre a comida quando estava em casa, e aquele dia não foi diferente.
— Está muito bom — Alice pontuou após dar uma mordida no confit.
Mariam, que havia auxiliado Karlyle no preparo, sorriu e sussurrou:
— Na verdade, o prato de hoje foi feito pelo jovem mestre. — Ela acrescentou: — Ele não é simplesmente notável, senhora? Realmente não há nada que ele não saiba fazer.
Diante disso, a expressão de Alice endureceu, e o sorriso tênue que ela ostentava sumiu instantaneamente. Ela voltou seu olhar para Karlyle.
— Foi você, Karlyle?
Karlyle respondeu com um brilho de entusiasmo nos olhos:
— Sim, mãe.
Do outro lado da mesa, Kyle observava Karlyle.
— Você se saiu muito bem. No entanto, não há necessidade de se dar a esse trabalho no futuro — disse Alice.
Não fora um elogio. A sutil empolgação desapareceu por completo de seu rosto, substituída por uma profunda decepção. Ele mal conseguiu ocultar a expressão rapidamente.
— Não desperdice seu tempo precioso com coisas como esta.
Com isso, Alice desviou sua atenção. Jonathan observou a troca de palavras entre Alice e Karlyle em silêncio e retomou sua refeição. Alice retirou-se logo em seguida, com seu confit mal tocado.
Ao longo de toda a refeição, o confit inacabado permaneceu na mente de Karlyle. Jonathan terminou de comer abruptamente para atender a um telefonema. Apenas Kyle permaneceu à mesa, falando suavemente com Karlyle.
— Está uma delícia, Karlyle.
Karlyle olhou silenciosamente para ele. Kyle, com seu rosto pálido e gentil, sorriu de forma carinhosa para ele.
— Obrigado por fazer o prato — disse ele.
Kyle fora o único que terminara a refeição naquele dia. No entanto, como havia comido demais apesar de não ter recuperado totalmente a saúde, acabou tendo uma indisposição estomacal.
Exatamente como Alice dissera, Karlyle de fato havia desperdiçado seu tempo.
Daquele dia em diante, ele nunca mais cozinhara. Em vez disso, dedicara toda a sua energia a se tornar o alfa nobre que seu avô esperava que ele fosse.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr