Define The Relationship (Novel) - Capítulo 13
Diferente de quando se encontraram no hotel, Ash desejava explorar o interior da mansão. Quando Ash perguntou se Karlyle o levaria para dar uma volta, Karlyle assentiu, segurando um buquê de rosas vermelhas em pleno desabrochar em seus braços.
— Se você não gostar de flores, me desculpe. Pode jogá-las fora depois que eu for embora — disse Ash.
Estar com Ash trazia muitas primeiras vezes para Karlyle. Embora já tivesse comprado flores muitas vezes antes, ele geralmente pedia para outra pessoa encomendá-las para ele. Recebê-las era ainda mais raro. Fora em cinco cerimônias de formatura, ele não tinha lembrança de ter recebido flores.
Além disso, esta era a primeira vez que recebia flores pessoalmente. O buquê parecia estranhamente pesado em seus braços.
— …Eu não desgosto delas — respondeu Karlyle.
Ele não pensava muito sobre isso, mas sentia que gostava delas. Por que outro motivo seus olhos continuariam se desviando para as rosas que Ash havia lhe dado? Talvez ele gostasse de flores. Na primavera, o jardim de Karlyle ficava cheio de peônias de várias cores. Apesar de a casa ficar vazia com o mestre fora na maior parte do tempo, o jardineiro e Mariam cuidavam do jardim diligentemente.
Talvez fosse bom mostrar o jardim a Ash. Pensando no jardim nos fundos da mansão, Karlyle ponderou por onde começar o passeio.
— Fico feliz — disse Ash, parecendo contente. — Eu também as amo.
Ao ouvir a palavra amo, Karlyle interrompeu abruptamente os passos na sala de estar. Embora tudo o que tivesse ouvido fosse que Ash gostava de flores, aquilo conjurou uma cena inesperada na mente de Karlyle.
Ash, que caminhava ao lado dele, olhou para ele com curiosidade. — Karlyle?
Será que Ash declararia seus sentimentos por alguém daquela forma? Oferecendo flores e dizendo “eu te amo” com uma voz cheia de esperança? O pensamento, tendo surgido inconscientemente, o assustou e o envergonhou.
— Peço perdão. Me distraí por um momento — Karlyle se desculpou.
— Talvez eu esteja interrompendo você? Tem algo para resolver?
— Não, de jeito nenhum.
Ash olhou de relance entre Karlyle e as rosas que ele segurava, então sorriu com deleite. — Elas combinam com você.
— …Posso perguntar qual é a sua flor favorita, Sr. Jones? — Karlyle desviou a conversa. Os elogios de Ash muitas vezes pareciam distantes, e era difícil para Karlyle responder. Felizmente, Ash não pareceu se importar muito.
— Rosas. Na cor que você está segurando agora.
— Você não as acha comuns demais?
— A imagem romântica das rosas vermelhas pode não ser mais especial… — Ash inclinou a cabeça, olhando para Karlyle com olhos que pretendiam capturá-lo neles. — Mas é exatamente por isso que acho que elas são o maior símbolo do amor.
Com a menção ao amor, Karlyle ficou em silêncio. Era um assunto muito distante de sua vida. — Você parece gostar de contos românticos.
— Eu gosto — afirmou Ash.
Ele então estendeu a mão, que veio a pousar na parte inferior das costas de Karlyle. Embora tivessem se encontrado apenas algumas vezes, o gesto já parecia familiar. Enquanto puxava Karlyle para mais perto, Ash baixou os cílios.
— Você acha isso meio bobo, Karlyle?
— Eu… — Ele ficou sem palavras. Honestamente, ele achava.
— Tudo bem ser honesto. Eu costumo ser provocado por ser ingênuo de qualquer forma.
— Todo mundo tem valores diferentes.
— Com certeza o mundo precisa de alguém como eu para equilibrar as coisas, você não acha?
Enquanto conversavam, eles continuaram o passeio. Depois de mostrar a cozinha e a sala de estar para Ash, Karlyle o conduziu para o andar de cima, dando uma breve visão geral da casa. Ash mostrou interesse especial pelo escritório e pela sala de cinema, um forte contraste com sua indiferença ao interior opulento do hotel.
Quando passaram pela mesa de sinuca, Ash perguntou se Karlyle já a tinha usado para outros propósitos. Não entendendo o que Ash quis dizer, Karlyle simplesmente respondeu que não, o que arrancou um sorriso cúmplice de Ash.
Voltando para a sala de estar, Ash parou em frente ao piano. — Você toca, Karlyle?
O piano, embora estivesse sempre em seu lugar, não era tocado há muito tempo.
Karlyle acompanhou o olhar de Ash e respondeu: — Eu costumava tocar ocasionalmente.
— Isso significa que não toca mais?
— Não tenho para quem tocar.
Karlyle nunca encontrava tempo para tocar piano para seu próprio prazer, muito menos para praticar. Cada minuto de seu dia estava sempre alocado para outra coisa. Até mesmo este momento de conversa fiada com Ash era uma parte de sua agenda sob o pretexto de tratamento, embora com algumas exceções.
— Você tem alguém bem aqui. — Ash apontou para si mesmo e sorriu calorosamente. Karlyle fechou a boca. Ash o puxou para mais perto, e Karlyle se viu envolvido nos braços de Ash com as rosas entre eles. O perfume sutil, porém profundo, de Ash misturava-se à fragrância das rosas, fazendo Karlyle se sentir tonto. Seu pulso firme começou a acelerar.
— Você toca para mim, Karlyle? — Ash pediu em um murmúrio suave. O tom dele era doce, um apelo verdadeiramente cativante. — Eu adoraria ouvir você tocar.
O leve constrangimento desapareceu por completo com as palavras de Ash. Karlyle, que estava em silêncio, respirou fundo.
— Tudo bem.
— Sério? — O rosto de Ash se iluminou de alegria.
Por algo que não poderia ser mais insignificante.
Ash vinha ficando inexplicavelmente feliz com as menores coisas desde o primeiro encontro deles. Isso mexia com algo dentro de Karlyle todas as vezes. Evitando a enxurrada de emoções que surgia, Karlyle puxou a banqueta do piano de cauda. Apesar do uso infrequente, ele passava por manutenção regular, então devia estar afinado.
Karlyle falou com Ash, que ainda sorria.
— Minhas habilidades são modestas, mas espero que goste.
Ash assentiu levemente em reconhecimento às suas palavras humildes. Os lábios dele fizeram contato com a bochecha de Karlyle.
— Obrigado, Karlyle.
O beijo inesperado fez Karlyle baixar os olhos. Seu coração batia tão intensamente e bombeava tão forte que machucava seu peito. O calor em suas bochechas era, sem dúvida, também um resultado daquilo.
O único talento de Karlyle que não ficava para trás em comparação aos alfas dominantes era sua memória. Ele se lembrava de muitas coisas.
Não apenas da partitura da música que estava prestes a tocar, mas também do cheiro da laranja que havia comido na manhã em que seu irmão fora sequestrado, da expressão de seu avô na noite em que Karlyle havia estreado na alta sociedade no lugar de seu irmão, e da cor da camisa que Ash estava usando na primeira vez que se beijaram.
Algumas memórias se recusavam a desaparecer contra a sua vontade, enquanto outras eram guardadas porque ele desejava que fossem.
No entanto, a razão para a memória de seu primeiro encontro com Ash permanecia ambígua. Era algo que ele retinha por escolha, ou era simplesmente indelével? Karlyle divagava em tais pensamentos enquanto selecionava mentalmente uma música para tocar. Ash sentava-se silenciosamente ao lado dele, observando-o. A respiração de ambos preenchia o quarto em harmonia. Karlyle finalmente escolheu uma música. Não era excepcionalmente complexa, mas era uma com a qual ele se sentia mais confortável. Ou melhor, era uma música que ele pensou que Ash poderia gostar.
Karlyle afastou o pensamento inconsciente e posicionou as mãos sobre as teclas. Seus dedos, rígidos pela falta de prática, seriam menos responsivos do que antes. Uma leve tensão se acumulou nas pontas dos dedos. Após um momento de hesitação, ele começou a movê-los lentamente.
Seus dedos eram pálidos e longos, nem muito grossos, nem muito finos — perfeitamente equilibrados. A melodia serena e elegante ganhou ritmo gradualmente.
Aos poucos.
Só mais um pouco.
Finalmente, com rapidez.
Algo agitou-se dentro dele, quase lhe causando náuseas. À medida que a música acelerava, ele se sentia arrebatado além de seu controle. Nunca antes Karlyle havia experimentado tal sensação enquanto tocava piano. Cada vez que o olhar de Ash pousava em seu rosto de forma mais aberta, a agitação se intensificava.
Karlyle soltou uma respiração superficial que não tinha percebido que estava segurando. A música desacelerou, e seus dedos pararam acima das teclas. A melodia suave desapareceu por completo, deixando-o com a sensação de estar submergindo na água.
— …Não tenho certeza se foi do seu agrado — disse ele finalmente, o breve silêncio apertando sua garganta. Era uma emoção que ele não experimentava há muito tempo, uma que lembrava sua infância, quando ansiava pelo elogio de seu avô.
Ele não conseguia virar a cabeça. Objetivamente, sua performance não fora ruim. Apesar de não tocar há muito tempo, sua técnica e ritmo foram precisos. No entanto, não havia garantia de que Ash apreciaria…
— Karlyle. — A mão de Ash virou delicadamente o rosto de Karlyle, que estava olhando para baixo em direção às teclas, para si. Os cílios dele tremeram brevemente. Mascarando sua turbulência passageira, Karlyle recompôs sua expressão, como de costume.
— Essa foi a performance mais linda que já ouvi — continuou Ash. — Eu realmente amei.
Ash repetiu a palavra amei. Embora fosse tão sem significado quanto dizer que gostava das rosas, Karlyle se viu congelando exatamente como antes. Apesar disso, sua mente racional permaneceu funcional.
— Isso é mais do que mereço.
— Já escutei muitas performances, mas nenhuma foi tão emocionante quanto está. — Ash perguntou, com os dedos acariciando cuidadosamente a bochecha dele: — Qual é o título da música?
Os olhos que encontraram os de Karlyle estavam indescritivelmente radiantes, contemplando Karlyle de forma brilhante.
— Chama-se Liebestraum.
— Alemão? — O sorriso de Ash se intensificou.
— … Sim.
— Eu não sabia que você falava alemão.
— Só sei falar o necessário.
— Isso ainda é sexy. Se você tivesse sido meu professor de alemão no ensino médio, eu teria estudado a língua.
Karlyle piscou, contendo-se para não morder o lábio inferior. Seu corpo ficou tenso, incapaz de escapar da mão que estava apenas pousada de leve em sua bochecha.
— Então, o que significa o título, professor? — Ash sussurrou de forma brincalhona, aproximando-se até que seus narizes quase se tocassem. Ash olhou para ele, sua respiração roçando os lábios de Karlyle. A brisa delicada provocou uma sede dentro dele. Sua garganta parecia seca.
Eram apenas três palavras. Nada mais. No entanto, ele não conseguia se forçar a dizê-las.
— Vamos, me conte.
— …Significa… — Eram apenas palavras. Karlyle rompeu sua hesitação, e as palavras finalmente escaparam de seus lábios com a voz baixa. — …Um Sonho de Amor.
— Sério? — perguntou Ash, com seus olhos inocentes fixos unicamente em Karlyle. Quando os próprios olhos de Karlyle os encontraram, uma náusea o envolveu.
“Por que… Ash sorri assim? Isso também é apenas um hábito dele?”
— Eu gosto do significado.
Algo surgiu dentro dele e correu por suas veias. Uma sensação calorosa e formigante se espalhou por todo o seu corpo. Isso provavelmente acontecera porque seu palpite, que ele pensara que pudesse estar errado, estava correto. Ash gostou do nome da música.
A sede tornou-se mais notável, agravada por uma agitação em seus vasos sanguíneos. Ash se aproximou e mordeu seu lábio superior suavemente. Ele o sugou de leve antes de soltá-lo. Karlyle reuniu forças para afastar os ombros de Ash, virando a cabeça. Seu coração estava batendo rápido demais, e aquilo doía.
— Você gostaria de um chá? — Karlyle então percebeu que nem sequer havia oferecido uma hospitalidade básica.
Ash, com um sorriso indecifrável, balançou a cabeça levemente. — Na verdade, Karlyle… — Uma risada baixa se seguiu. — Acho que eu gostaria de provar outra coisa.
Como Karlyle estava sentado ereto na banqueta do piano, uma mão quente pousou em sua coxa. A palma macia pressionou firmemente a parte interna de sua coxa. Karlyle franziu as sobrancelhas.
— Vamos nos refrescar, Karlyle?
O lóbulo da orelha de Karlyle foi mordiscado suavemente. Após um breve silêncio, os lábios de Karlyle se abriram.
— …Claro.
Ash perguntou a Karlyle se ele gostaria de tomar banho juntos. Karlyle recusou a oferta de forma tão ríspida que pareceu quase fria, até mesmo para os seus próprios ouvidos. Ele nunca havia compartilhado o banho com ninguém antes e suspeitava que algo imprevisível pudesse acontecer com Ash. Rindo, Ash disse que entendia.
O banho demorou muito mais do que o habitual. Talvez fossem os nervos. O fato de estar ansioso com algo assim piorava seu humor, deixando-o mais nervoso. Esse padrão continuava se repetindo.
Seus dedos roçando sua área íntima sob o fluxo de água faziam a mente de Karlyle correr de volta para os dedos de Ash explorando aquele lugar. Relembrar o prazer originado das pontas daqueles dedos o afogava em auto-aversão.
A dúvida permanecia obstinadamente. Karlyle ainda não conseguia discernir o que mudaria ao fazer isso. Tudo o que ele havia alcançado nas últimas três semanas foi aprender que um alfa podia, de fato, ter relações sexuais com outro alfa, e descobrir como era o beijo de Ash…
Quando seus pensamentos atingiram esse ponto, Karlyle desligou o chuveiro. Sua mente era uma bagunça, como bolinhas de gude chacoalhando dentro de uma caixa.
Era melhor não pensar mais. Tentando recuperar a compostura, Karlyle saiu do banheiro. Ash estaria tomando banho no quarto de hóspedes bem ao lado do quarto de Karlyle.
Karlyle entrou no quarto de hóspedes e congelou diante do aroma sutil de grama. Entre as duas janelas na parede ficava uma porta dupla que levava ao terraço, a qual estava aberta. Ash estava parado entre essas portas abertas.
Seus ombros largos e as costas lisas estavam visíveis. Seus músculos, que eram difíceis de discernir apenas pela silhueta, eram belamente definidos. Com um arco perfeito, suas costas curvavam-se até uma cintura firme e forte.
O olhar de Karlyle derivou para baixo. A parte inferior do corpo dele estava parcialmente coberta por uma toalha. Naquele momento, Karlyle rapidamente desviou os olhos. Fechando os olhos involuntariamente, Karlyle falou, um pouco envergonhado. — Deixei você esperando?
Ash se virou. Seu cabelo molhado, com cachos macios, estava penteado para trás para mostrar a testa. Sob o cabelo que parecia um tom mais escuro do que o habitual, seu rosto parecia de alguma forma diferente. Seu rosto, que costumava dar uma impressão gentil, agora carregava uma sensualidade distinta.
— O jardim é adorável, Karlyle — Ash elogiou em um tom uniforme. Ele caminhou em direção a Karlyle, gotas de água escorrendo por seu peito. Suas clavículas formavam uma linha reta, e os músculos de seu peito eram densamente compactados como os de suas costas. Apesar de seu rosto habitualmente bondoso e suave, com o físico tonificado, Ash parecia quase uma pessoa diferente.
— Sinto muito por entrar sem permissão.
— Tudo bem. — Ash se aproximou para ficar em frente a Karlyle, seu olhar caindo sobre a figura vestida com o roupão de banho diante dele. Seus olhos sorriam enquanto estudavam Karlyle, enviando um formigamento por sua pele onde quer que permanecessem.
Finalmente, o olhar de Ash desceu abaixo da cintura de Karlyle, e Ash abriu um sorriso largo.
— Quer que eu te seque?
— Não há necessidade de…
— Você vai pegar um resfriado.
Karlyle não pegava nem sequer um resfriado leve desde que se tornara adulto. Antes que pudesse relatar esse fato, Ash o guiou até a cama e o fez se sentar.
— Eu consigo fazer isso sozinho — insistiu Karlyle.
Com uma expressão inocente, Ash se ajoelhou na frente dele.
— Ash, eu estou realmente be…! — as palavras de Karlyle falharam quando uma mão quente desceu até o seu pé, segurando a sola e a erguendo. Ash abaixou a cabeça, e seus lábios tocaram o osso saliente e convidativo do tornozelo.
Espere, o que ele quis dizer com secar era…
Enquanto Karlyle ficava zonzo, Ash lambeu logo abaixo do osso do tornozelo. A sucção na pele fez seu pé se contrair, enviando um formigamento por seu corpo. Assustado, Karlyle recuou. Ash baixou os olhos.
— Ash, isso é…
O protesto de Karlyle foi interrompido quando a língua de Ash traçou um caminho subindo entre o tendão de Aquiles e o osso, fazendo Karlyle estremecer. Ash lentamente afastou as pernas de Karlyle, distribuindo beijos primeiro em sua panturrilha, depois na carne macia atrás de seu joelho e subindo por sua coxa…
Karlyle logo se viu com as pernas bem abertas, e seu roupão havia escorregado de seus ombros largos. O ar que tocava sua pele nua estava frio.
Arrepios surgiram em sua pele. Ash se posicionou entre as coxas de Karlyle e segurou seus joelhos. Os carinhos continuaram, os lábios de Ash fazendo contato com todos os pontos sensíveis ao longo da parte interna das coxas de Karlyle. Antes que ele percebesse, estava totalmente excitado, seu membro latejando. Notando o movimento, Ash olhou para cima e encontrou os olhos de Karlyle.
Então Ash pressionou a bochecha contra o pênis de Karlyle.
Karlyle tensionou a parte inferior do corpo diante daquela sedução descarada. Um desejo instintivo brotou dentro dele, um desejo de empurrar seu pênis na boca daquele homem que esfregava o rosto contra ele de forma provocante. Era uma vontade primitiva que acompanhava um alfa.
Ash olhou para Karlyle com um sorriso provocador, os olhos brilhando com malícia. Ele colocou a ponta do pênis na boca, arrancando um gemido agudo de Karlyle. Ash lambeu ao longo do comprimento como se estivesse saboreando algo doce, então baixou os olhos. Seus lábios perfeitamente desenhados se abriram e acolheram o pênis mais profundamente.
— Haah. — Karlyle exalou uma respiração quente, as sobrancelhas franzindo levemente enquanto fechava os olhos. Ele puxou o ar e mordeu o lábio. Seus músculos tonificados, semelhantes aos de Ash, arfavam visivelmente.
O som molhado de lambidas preencheu o ar. Por um momento, Karlyle não conseguiu pensar em nada além do prazer que se espalhava lá de baixo. Foi só depois de alguns minutos que ele percebeu que algo estava errado.
Karlyle estava agora deitado de costas, com os joelhos dobrados e as pernas bem abertas.
Ofegante, Karlyle abriu os olhos e piscou. Ash estava olhando para ele. — …Ash?
— Karlyle — Ash sussurrou, com uma expressão perigosa. — Me prometa que vai ficar parado a partir de agora. — A voz dele estava tensa de controle, e Karlyle, incapaz de pensar com clareza, assentiu. A lógica lhe escapava enquanto um calor caótico dominava seus sentidos; além disso, a rouquidão na voz de Ash, um tom que Karlyle ouvia pela primeira vez, era irresistivelmente sexy.
— Bom garoto — Ash murmurou, e empurrou suavemente a parte de trás dos joelhos dele. As pernas de Karlyle foram escancaradas e depois empurradas para cima. Enquanto Karlyle estremecia com a sensação estranha que a posição causava, Ash se inclinou mais perto.
A pergunta foi respondida quase imediatamente, quando uma sensação estranha veio de um lugar inesperado.
— Espere, o que você está…! — Karlyle gaguejou.
— Haaht. — Um suspiro incomum escapou de Karlyle. Seus olhos se arregalaram, e seus músculos abdominais se contraíram de surpresa. Por reflexo, ele se apoiou até a metade, lutando para compreender o que estava acontecendo com ele. Quando conseguiu olhar para baixo, prendeu a respiração diante da visão que o recebeu.
Ash estava lambendo seu ânus.
O choque da cena fez o estômago de Karlyle revirar. O suor se acumulou na curva de suas costas. Mesmo durante o sexo no passado com ômegas, ele nunca havia feito sexo oral anal. Ele havia se envolvido em todas as outras formas de preliminares, mas evitava especificamente essa por achá-la vulgar demais. No entanto, lá estava ele, recebendo aquilo.
— Ash, es, pe, ha uhg…!
A língua de Ash traçava cautelosamente as dobras firmemente contraídas. A ponta afilada de sua língua cutucava os pontos sensíveis. A bunda de Karlyle ficou tensa.
— Ash, é anti-higiênico Uhg, por favor, pare.
Ash não parou.
Conforme finalmente caiu a ficha para Karlyle do porquê lhe tinham dito para ficar parado, sua cabeça girou.
Karlyle, logo ele, estava sendo lambido atrás como um ômega.
A entrada firmemente fechada umedeceu gradualmente. Um prazer bizarro emanava da pele delicada e fina, fazendo o pé de Karlyle arquear. Algo começou a se desdobrar dentro dele enquanto ele recebia prazer de uma área que acreditava que deveria permanecer intocada. E aquilo estava levando Karlyle à beira da loucura.
— Ash, talvez, em vez disso… ungh…!
Decidindo que não conseguia mais suportar aquilo, Karlyle apoiou totalmente o tronco para cima, trancando os dentes e agarrando os lençóis.
Apesar disso, a língua de Ash abriu caminho através da entrada estreita. Ele tentou se esquivar, mas Ash segurou os joelhos de Karlyle com firmeza, mantendo-o no lugar. Até agora, Ash sempre o havia manuseado com um cuidado gentil, como se ele fosse algo delicado. Esta era a primeira vez que Ash usava a força para prendê-lo, e esse próprio fato enviou um frisson* inesperado pelas veias de Karlyle.
(N/T: Frisson é um termo de origem francesa que se refere a uma sensação repentina e intensa de excitação, euforia ou arrepio no corpo)
— Hnn, ngh… — Lamentos escapavam pelos dentes cerrados de Karlyle enquanto a língua de Ash sondava e se movia dentro dele, umedecendo o revestimento sensível. Karlyle estremeceu.
O choque de ver a língua de Ash explorando uma área que ele considerava imprópria misturava-se de forma estranha com as ondas de deleite que irradiavam de seu interior.
“Como, de que maneira, estou sentindo prazer por ali?”
Para um alfa como Karlyle, que sempre acreditara que a gratificação sexual era um domínio exclusivo de seu próprio pênis, aquela era uma revelação avassaladora. Ele estava experimentando o prazer sem qualquer penetração ativa de sua parte.
A língua de Ash banhava o ânus de Karlyle, fazendo-o sentir como se pudesse perder o juízo, completamente derretido de dentro para fora. Os sons molhados ecoavam de forma vívida entre suas coxas. Estirado na cama, Karlyle entregou-se às sensações avassaladoras. Seu pênis totalmente ereto latejava, roçando contra seu próprio abdômen e espalhando o líquido seminal sobre a pele.
A sensação intensificou-se lentamente, com a língua de Ash movendo-se para a frente e para trás em um movimento que simulava uma penetração, ocasionalmente afundando mais, para depois provocar ao longo das dobras externas. Karlyle sentiu-se oscilando à beira do ápice. Mas, como um alfa, ele não podia se permitir chegar ao orgasmo enquanto tinha a sua bunda devorada. A própria ideia era totalmente fora de cogitação.
Os lábios de Karlyle tremeram quando um sinal de alerta ecoou dentro dele. Exatamente quando ele estava prestes a implorar, Ash finalmente se afastou. Conforme a língua de Ash se retirava, a retaguarda de Karlyle se contraiu em resposta, uma onda de vazio e anseio lavando seu corpo. Ele engoliu um xingamento.
“Me sinto vazio.”
Ash se levantou e observou Karlyle com os olhos escurecidos. Afastando o cabelo meio seco da testa, Ash sorriu suavemente.
— Você parece lindamente encharcado, Karlyle — Ash sussurrou, contemplando o pênis de Karlyle que estava vazando. Seu rosto ainda mantinha um traço de seu sorriso habitual, mas sua voz estava mais rouca, mais contida do que antes.
Ele estendeu a mão e acariciou gentilmente a entrada de Karlyle, provocando uma onda aguda de prazer que o fez arquear as costas trêmulas.
— E aqui também. — Os dedos de Ash traçaram provocativamente o caminho a partir do ânus de Karlyle, seguindo pelo períneo.
Eles se demoraram no baixo ventre de Karlyle, depois deslizaram pela superfície brilhante, que estava escorregadia com o líquido seminal, fazendo Karlyle tremer com o toque. A umidade era uma evidência inconfundível de sua excitação, óbvia demais até para ser negada.
— Você gostou tanto assim? — Ash perguntou.
— É só que… — As palavras de Karlyle sumiram, sua mente subitamente em branco. Sem perceber, ele recuou com seu corpo agora libertado.
No entanto, Ash não permitiu. Suas mãos agarraram os tornozelos de Karlyle, puxando-o para perto. Seus corpos se pressionaram firmemente um contra o outro. Algo quente e substancial, muito mais do que quaisquer dedos, fez contato com sua entrada lubrificada. Karlyle não precisava olhar para baixo para saber o que era.
Seu coração batia dolorosamente, correndo em um ritmo alucinante como se estivesse prestes a explodir. Tensão, uma estranha exaltação e relutância se emaranhavam dentro dele. Aquilo seria um mundo totalmente diferente dos toques e lambidas de antes. Instintivamente, o corpo de Karlyle resistiu aos feromônios de outro alfa.
— Eu olhei antes… — Ash fixou seu olhar no de Karlyle. Seus olhos profundos mantinham Karlyle cativo, deixando-o sem meios de escapar. Hipnotizado, Karlyle encarou aqueles olhos de cores diferentes que transbordavam de um desejo flagrante. A luxúria era tão crua que não havia como confundi-la.
Considerando como ele havia retirado as mãos sem um pingo de hesitação na semana passada, Karlyle não esperava por isso. A euforia se apoderou dele.
Até mesmo seu corpo, que antes resistira aos feromônios do alfa, agora estava paralisado quando a ficha caiu — Ash Jones estava desejando Karlyle Frost. Esse próprio fato acendeu uma excitação inexplicável no fundo de seu ser. Seu pênis, já totalmente ereto e tenso, pulsou com um fervor renovado. Sua mente girou com o impacto.
— …mas não parecia haver nenhum lubrificante no quarto.
Esse de fato era o caso. Tendo estado apenas com ômegas que ficavam naturalmente molhados com a excitação, Karlyle nunca tivera a necessidade de manter tais itens em seu quarto.
Os pensamentos de Karlyle se dispersaram quando a cabeça rombuda do pênis de Ash se esfregou em círculos, como se estivesse alisando as dobras da entrada de Karlyle. O prazer correu por Karlyle. Apenas o ato de ser esfregado quase o levou ao limite.
A carne rígida logo encontrou habilmente o caminho para a abertura de Karlyle e penetrou, preenchendo o espaço estreito que já estava se fechando após a retirada da língua de Ash.
— Eu relaxei o suficiente, mas ainda assim… — Ash deixou a frase no ar.
À medida que o comprimento espesso do pênis de Ash esticava a entrada estreita de Karlyle, seus lábios se abriram em um suspiro suave. Sua respiração ficou presa na garganta como se algo a estivesse bloqueando. Ele não tinha visto a ereção completa de Ash adequadamente, então não conseguia avaliar o tamanho. E agora aquilo empurrava mais fundo, afastando o interior macio até o seu limite.
— Vai doer. — Assim que Ash terminou a frase, ele se inclinou ainda mais para a frente, mudando o peso do corpo e alargando a abertura de forma mais decisiva.
— Ah, hmn, ugh…!
Dominado por uma resistência instintiva, uma pressão inacreditável e uma dor dilacerante, Karlyle cerrou os dentes com força. Sua mandíbula tremeu. A excitação remanescente misturou-se com a dor, transformando-se em uma sensação indescritível.
— Karlyle, olhe para mim.
Karlyle não conseguia sequer se lembrar de como respirar. Quando o pênis que havia entrado parcialmente recuou, a súbita sensação de vazio o forçou a expelir o ar de uma vez, quase como uma tosse. Uma mão acariciou ternamente seu rosto pálido.
— Por favor, Karlyle?
Atraído pela voz reconfortante de Ash, suave como se o estivesse derretendo, Karlyle conseguiu erguer o olhar. Uma palma acariciou com ternura sua bochecha, agora úmida de suor, aliviando um pouco da tensão.
— É demais para você? — Ash perguntou.
Karlyle fez uma careta, ainda ofegante por ar. Enquanto isso, Ash estocou para a frente mais uma vez, mais rápido e mais fundo do que antes. Aquilo fez Karlyle se perguntar o quão profunda tinha sido a penetração anterior. Apegando-se às bordas esfarrapadas de sua consciência, ele soltou uma resposta rouca.
— Não, não é…
— Sério?
— Eu consigo aguentar… ugh…!
O pênis empurrava através da passagem que o abraçava apertado, depois recuava, apenas para estocar e puxar de volta repetidamente. Gotas de suor frio se formaram na testa de Karlyle.
No momento, Karlyle não tinha capacidade para considerar o fato de que estava se entregando a outro alfa ou experimentando a penetração como um ômega. Tudo o que ocupava sua mente era o tamanho formidável do membro de Ash. Lágrimas começaram a se acumular nos cantos de seus olhos. Cerrando os dentes, ele fechou os olhos com força e balançou a cabeça.
— Shh, você está indo bem. Está quase todo dentro.
Era uma mentira. O pênis de Ash ainda estava se aprofundando dentro dele. O fim parecia impossivelmente distante. Karlyle percebeu que só conseguia recuperar o fôlego quando Ash recuava, quase como se tivesse esquecido completamente como respirar.
— Ash… Você é… grande demais, ugh… hm. — Apesar de saber que discutir o tamanho do pênis entre homens alfas, ou na verdade entre quaisquer homens, estava ligado a um senso de orgulho frágil, Karlyle acabou dando voz a isso de qualquer maneira.
— Respire, Karlyle.
Ele balançou a cabeça novamente, trancando os dentes enquanto sua mandíbula tremia. Não havia como ele saber como respirar enquanto era penetrado daquela forma…!
— Você é… inacreditável.
Diante daquelas palavras, Karlyle puxou o ar abruptamente. Piscando para afastar a umidade, ele lutou para abrir os olhos. Ash o olhava como antes, com uma expressão terna, como se contemplasse alguém amado. Sua mão o acariciava com afeição.
— Pode me deixar entrar mais, por favor? — Então Ash acrescentou em um sussurro: — Eu tenho feito o meu melhor para ser paciente, sabe?
Karlyle prolongou sua exalação, com as emoções inflando dentro de si. Aproveitando o momento, Ash estocou para a frente, cravando seu pênis espesso e aparentemente interminável por completo no abraço apertado. Finalmente, ele estava todo engolido.
— …Ah, haa…! — Um suspiro trêmulo escapou de Karlyle. Franzindo as sobrancelhas, ele ficou rígido pelo desconforto. Uma dor surda se espalhou em seu interior, como se as entranhas do seu baixo ventre tivessem sido golpeadas. Apesar de lubrificado, seu fundo parecia seco e dolorido. Era doloroso — intensamente doloroso, e ainda assim…
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr