Define The Relationship (Novel) - Capítulo 09
Assim que terminou de falar, sua mão pousou suavemente na bochecha de Karlyle. Antes que ele percebesse, Ash penetrou entre os lábios de Karlyle que se separaram sem perceber.
As palavras de Ash pareciam contraditórias.
Ele não dava a Karlyle sequer um momento para recuperar o fôlego. Como se tudo o que Karlyle exalava lhe pertencesse, Ash absorvia cada som e cada respiração que escapavam dele.
O estímulo provocado pela proximidade de seus corpos e pelas mãos que acariciavam suavemente suas costas e sua orelha fez Karlyle pensar que poderia perder a sanidade.
Os movimentos de Ash eram gentis e cuidadosos, mas não deixavam espaço para fuga.
Karlyle tinha certeza de que poderia afastá-lo se usasse força suficiente. No entanto, a intensidade das sensações — diferente de qualquer coisa que já tivesse experimentado em beijos anteriores — o deixava incapaz de decidir o que fazer.
Seus olhos, aquecidos demais, ardiam e doíam.
A parte superior de seu corpo continuava se inclinando para trás por causa do calor que parecia subir à sua cabeça.
E Ash o puxava de volta para si sem o menor esforço.
Karlyle tinha certeza de que alguém os veria. Para ele, que raramente sequer dava as mãos em público, beijar em um lugar aberto era algo simplesmente inimaginável. Na sua visão, uma atitude dessas era uma falta de consideração com os outros. De acordo com a etiqueta que valorizava a discrição, aquilo era, sem dúvida, uma demonstração vergonhosa.
No entanto, pensamentos como esses se despedaçavam toda vez que sua língua era envolvida pela de Ash. Qualquer pensamento coerente que tentasse formular desaparecia instantaneamente ao toque dele. Somente depois que a saliva compartilhada foi engolida e suas costas começaram a latejar de forma insuportável foi que Ash finalmente o soltou.
Embora tenha conseguido recuperar algumas respirações, Karlyle praticamente havia prendido o fôlego durante todo o tempo. Quando finalmente foi libertado, passou a respirar pesadamente, puxando o ar com força. Quando voltou a si, percebeu que estava quase inclinado para trás sobre o balcão do bar.
—Você é mais sensível do que eu imaginava, Karlyle.
O beijo intenso e prolongado, que quase parecia um assédio, havia deixado seu corpo excessivamente sensível. Arrepios cobriam sua pele, que reagia de forma aguda a qualquer toque. Os dedos de Ash deslizaram pelas costas musculosas de Karlyle sob a fina camisa social. O movimento, acariciando levemente sua coluna apenas com as pontas dos dedos, fez Karlyle contrair o rosto e soltar um gemido.
—Hmn.
O som escapou antes que ele pudesse pensar em contê-lo. Karlyle fechou a boca logo em seguida. Controlou a respiração, tentando não emitir outro som. Seu peito subiu e desceu de forma acentuada antes de finalmente se acalmar.
Aquilo era realmente constrangedor.
—Eu preferiria que você evitasse fazer esse tipo de… coisa em público.
Sem saber como responder ao comentário sobre sua sensibilidade, Karlyle disse a primeira coisa que lhe veio à mente para recuperar a compostura.
Ash arqueou uma sobrancelha e então exibiu um sorriso brincalhão. Seus lábios, curvados em um sorriso, estavam agora avermelhados e úmidos, uma evidência óbvia do beijo apaixonado que haviam trocado.
Provavelmente, os lábios de Karlyle estavam da mesma cor.
Pela sensação que tinha, estavam inchados e queimavam intensamente. Quase levou a mão até eles por reflexo, mas a abaixou, fechou o punho e depois o relaxou.
—O que quer dizer com “este tipo de coisa”, Karlyle? —perguntou Ash.
—Quero dizer…
—Não importa o que seja, contanto que não seja em publico?
Karlyle soltou um leve suspiro e piscou.
—Por favor, dê um exemplo.
—Bem…
Ash esfregou o queixo antes de levar a mão até os lábios de Karlyle. O toque de seus dedos fez Karlyle estremecer, exatamente como havia acontecido após o último beijo.
—Se você olhar para mim de forma tão sedutora quanto olhou mais cedo…
Ash interrompeu a frase por um instante.
—Eu vou querer beijá-lo ainda mais…
Os dedos de Ash deslizaram sobre os lábios ainda úmidos de Karlyle antes de subirem lentamente até sua bochecha. O caminho percorrido por seus dedos parecia deixar um rastro em brasa.
—Mesmo assim, já que você não gosta disso, vou me controlar.
Algo dentro de Karlyle foi atingido de forma abrupta, assim como da última vez. Seu peito se apertou, como se algo dentro dele estivesse sendo comprimido, e ele franziu levemente a testa.
“Por quê? Por que me sinto assim?”
Toda vez que ouvia certos tipos de palavras vindas de Ash, uma emoção desconhecida surgia dentro dele.
Uma relação com um fim já determinado.
Uma relação que deixaria de existir após dois meses.
Ainda assim, Ash falava como se continuaria fazendo coisas por Karlyle.
Ash, que o chamava de namorado.
Tudo era confuso demais.
Talvez percebendo a emoção de Karlyle, Ash moveu a mão que estava acariciando seus lábios para sua testa. Com delicadeza, afastou algumas mechas do cabelo levemente desalinhado de Karlyle.
Todas as atitudes de Ash eram assim. Seu tom de voz, seu rosto sorridente, seus gestos atenciosos, seus toques sutis — tudo nele era simplesmente gentil.
—Karlyle.
—…Pode falar.
—Então, vamos nos encontrar amanhã?
Karlyle ficou sem palavras por um momento. Ele esperava que o que estava acontecendo entre eles evoluísse para algo mais naquela noite, mas Ash mencionou “amanhã”. Karlyle sentiu uma mistura de dois sentimentos completamente diferentes: esperança e decepção.
—Claro, se for conveniente para você, Karlyle —acrescentou Ash.
—…Parece que você tem planos para esta noite.
Já era tarde, mas não tão tarde assim. Era sábado, e o dia seguinte ainda fazia parte do fim de semana.
—Não tenho, mas…
Ash interrompeu a própria frase. Karlyle aguardou atentamente.
—Se eu levar você para algum lugar agora, não acho que vou conseguir me controlar.
A frase “não acho que vou conseguir me controlar” provocou uma pontada estranha entre as costelas de Karlyle.
—Isso…é um problema?
Esse tratamento lhe parecia estranho.
Karlyle era um alfa com mais de um metro e oitenta de altura. Quando o assunto era sexo, normalmente era ele quem precisava exercer autocontrole. Para evitar levar um ômega ao limite durante os períodos de rut, Karlyle sempre procurava manter a calma até o fim.
E, ainda assim, ali estava um homem falando dele como se fosse alguém que precisasse ser tratado com cuidado.
—Karlyle, essa será a sua primeira vez.
Ele se lembrou de um fato que havia momentaneamente esquecido.
Ash provavelmente presumia que, se eles tivessem relações sexuais, seria ele quem assumiria o papel dominante. Luther também havia sugerido a mesma coisa. Embora Karlyle nunca tivesse considerado a ideia de forma concreta, ela já havia passado por sua mente.
—Estou acostumado com sexo.
—É mesmo?
A mão de Ash, que estava acariciando a parte inferior das costas de Karlyle, deslizou lentamente para baixo.
Karlyle ficou imóvel.
A mão desceu sem dificuldade até seus quadris.
Uma onda de calor percorreu seu corpo.
—Então…
Ash apertou levemente um de seus quadris.
—Quer dizer que já deixou alguém fazer isso com você antes?
Aplicando um pouco mais de força, Ash apertou sua bunda antes de soltá-lo como se nada tivesse acontecido.
—Não foi isso que eu quis dizer.
Ash soltou uma risada baixa. Seus olhos, que observavam Karlyle como se ele fosse adorável, se curvaram suavemente.
Logo depois, seus lábios tocaram brevemente a testa de Karlyle antes de se afastarem. Ash separou seus corpos, que estavam tão próximos, e endireitou a postura.
—Então nos vemos amanhã.
Karlyle, que permanecia rígido, ficou em silêncio por um momento.
Parecia melhor recusar.
Ainda não era tarde. Assim como havia adiado o encontro de hoje, ele poderia simplesmente…
—De acordo.
Mas as palavras que saíram de sua boca foram diferentes daquelas que sua mente racional havia planejado dizer.
Ash ergueu a mão para ajeitar a gola da camisa de Karlyle.
—Que horas devemos nos encontrar?
—Qualquer horário que for mais conveniente para você, Sr. Jones.
Karlyle tinha uma partida de tênis todos os domingos. Ainda assim, respondeu como se não tivesse nenhum compromisso.
—Certo, então.
Ash assentiu.
—Vou lhe mandar uma mensagem quando chegar em casa.
—Tenha uma boa volta para casa.
Com um sorriso caloroso, Ash se virou e foi embora sem hesitar.
Sozinho outra vez, Karlyle finalmente conseguiu fechar os olhos com força.
“Droga.”
Ele murmurou mentalmente um palavrão grosseiro, algo completamente incomum para ele.
O som da música voltou gradualmente aos seus ouvidos.
Por um momento, não conseguiu pensar em nada.
Frustração, confusão, vergonha e a sensação de que algo estava escapando de seu controle — um emaranhado de emoções girava em sua mente.
Inconscientemente, ergueu uma das mãos até a testa.
Esfregou o local onde os lábios de Ash o haviam tocado e então abaixou a mão.
Em seguida, virou o corpo e seguiu na direção oposta àquela por onde Ash havia partido.
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Ash sugeriu que se encontrassem às quatro da tarde. Não era um horário adequado para nenhuma ocasião específica — nem almoço, nem jantar. Era um pouco tarde até mesmo para um chá da tarde, e Karlyle teve dificuldade em entender a escolha.
Considerando que era Karlyle quem estava em dívida com Ash naquela relação, ele não tinha a intenção de impor a ele a responsabilidade de escolher o local.
O encontro precisava acontecer em um ambiente fechado — se as suposições de Karlyle sobre o que poderia acontecer estivessem corretas — e ele escolheu um hotel em vez de sua própria residência. Isso porque jamais havia levado alguém para sua mansão além dos funcionários da casa e dele mesmo, e a propriedade costumava permanecer vazia durante metade do ano.
Karlyle reservou uma das suítes cobertura de sua mãe e, após resolver alguns assuntos de trabalho, chegou ao Connaught a tempo para o encontro.
Como antes, Ash já estava lá.
Vestindo uma camisa social leve e calças pretas, ele parecia elegante sem esforço. Um homem alto e atraente parado no lobby atraía muitos olhares. Por causa do local, ninguém se aproximava para conversar com ele como havia acontecido em outras ocasiões, mas Karlyle percebeu que os funcionários da recepção continuavam lançando olhares discretos para Ash.
Por algum motivo, isso o incomodou.
Ele deu cinco passos firmes e parou diante dele.
Ash, que estava lendo a revista Time Out, ergueu o olhar em sua direção.
—Olá.
Os olhos de Ash se curvaram em um sorriso. O hábito de sorrir tornou mais profundo o arco de seus lábios.
—A viagem até aqui não foi muito incômoda? —perguntou Karlyle.
—Nem um pouco —respondeu Ash, fechando a revista enquanto falava.
Karlyle lançou um breve olhar para a capa da revista antes de permanecer em silêncio. Uma tensão inexplicável deixava sua garganta seca.
Ash se afastou da parede na qual estava apoiado e colocou uma mão na cintura de Karlyle. O braço que o envolveu tocou suas costas. Os olhos de Ash se estreitaram de forma brincalhona, e seus lábios roçaram a orelha de Karlyle.
—Então, vamos?
Depois de abrir e fechar a boca como se quisesse dizer algo, Karlyle apenas assentiu.
Ansiedade e uma estranha sensação de nervosismo, semelhante à que sentia antes de assinar um acordo importante, corroíam seu interior. Mantendo uma expressão neutra, caminhou em direção ao elevador.
No instante em que Ash estava prestes a falar novamente, as portas do elevador se abriram.
Infelizmente, havia um rosto familiar lá dentro: Aiden Haywood.
Como Aiden administrava os negócios hoteleiros da família Haywood, não era surpreendente encontrá-lo ali.
Mas precisava ser justamente hoje?
—Karlyle?
Aiden franziu levemente a testa ao olhar para ele. Seu olhar naturalmente se deslocou para Ash.
O ar ficou tenso, aquela espécie de tensão que normalmente surgia quando alfas se encontravam.
—…Aiden —disse Karlyle.
—O que você está fazendo aqui? Você até faltou ao encontro de hoje.
Ao ouvir aquilo, Ash lançou um breve olhar para Karlyle.
Sem alterar a expressão, Karlyle respondeu de forma direta:
—É um assunto pessoal.
Ash soltou uma risada baixa.
Em seguida, estendeu a mão para Aiden.
—Prazer em conhecê-lo. Meu nome é Ash Jones.
Aiden apertou sua mão de má vontade e se apresentou:
—Aiden Haywood.
Logo depois, os dois soltaram as mãos.
Embora não tanto quanto Ash, Aiden também costumava ser visto sorrindo. Desta vez, porém, observava Ash sem esconder sua curiosidade.
—Se já terminaram, poderiam sair da frente? —perguntou Karlyle.
—Então agora você tem um assunto pessoal com outro alfa?
Aiden conhecia Karlyle bem demais, sem necessidade alguma.
Como era típico de alfas que não gostavam muito da companhia de outros alfas, tanto Karlyle quanto Aiden costumavam se cercar de ômegas ou betas. Além disso, Karlyle geralmente evitava encontrar qualquer pessoa fora de compromissos de trabalho.
—Eu preferiria que você não tornasse isso ainda mais desagradável —advertiu Karlyle, sem alterar a expressão.
Isso levou Aiden a lançar mais um olhar para Ash.
Então ele deu de ombros.
—Que mal-humorado.
—Nós não somos o que você está pensando, e isso não é da sua conta. Já estamos de saída.
Para evitar Aiden, que ainda ocupava o elevador, Karlyle se virou para apertar o botão de outro elevador.
Aiden o interrompeu.
—Tudo bem, tudo bem. Vou deixar vocês em paz.
Karlyle não respondeu.
Lançando um último olhar para Ash, Aiden sorriu friamente e se despediu.
—Bem, até mais.
—Até mais.
Ash devolveu a despedida com um sorriso indecifrável.
Após a confusão inesperada, o elevador ficou em silêncio.
Quando as portas se fecharam, Ash perguntou:
—Vocês são próximos?
—Nos conhecemos há muito tempo.
A resposta também deixava claro que isso não significava necessariamente que fossem próximos.
Enquanto acariciava a parte inferior das costas de Karlyle, Ash olhou para a frente e disse:
—Da próxima vez, deveríamos nos encontrar na sua casa ou na minha.
—…Posso perguntar o motivo?
—Eu não me importo, mas…
Karlyle voltou o olhar para Ash.
Ash não estava olhando para ele.
—Estou preocupado que, se surgirem mal-entendidos, isso possa colocá-lo em uma situação difícil, Karlyle.
Era verdade.
Londres era uma cidade enorme e, ao mesmo tempo, pequena, cheia de olhos curiosos.
Embora normalmente não se importasse com a opinião dos outros…
Seus pensamentos se dispersaram sem chegar a uma conclusão.
Ainda assim, encontrar-se em particular seria melhor para evitar comentários e rumores desnecessários.
—Tudo bem —respondeu Karlyle.
As portas do elevador se abriram. Ash estendeu a mão para segurá-las abertas. Sentindo o olhar dele sobre si, Karlyle virou a cabeça.
—Primeiro você —ofereceu Ash.
Karlyle hesitou por um instante, o olhar repousando sobre o gesto cavalheiresco, antes de sair do elevador.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr