Define The Relationship (Novel) - Capítulo 07
—Karlyle, eu não esperava encontrar você aqui.
Ao ouvir a voz familiar, Karlyle se virou. Diante dele estava Aiden Haywood, alguém que conhecia desde que ambos fizeram sua estreia na sociedade quando eram jovens. Karlyle observou seus cabelos loiros — presos em um penteado meio preso, meio solto — e o sorriso astuto abaixo deles, antes de responder com indiferença:
—Só estou aqui para resolver uma coisa.
—Você? De todas as pessoas?
A surpresa de Aiden não era totalmente injustificada. Eles estavam em uma festa exclusiva organizada pela McLaren. Essas festas geralmente eram divididas em duas partes, e Karlyle costumava participar apenas da primeira — um encontro noturno destinado a interações sociais formais entre investidores — antes de ir embora.
Isso porque a segunda parte tinha uma natureza diferente.
Essa etapa posterior da festa, que começava mais tarde na noite, também contava com a presença de modelos publicitários, pilotos de corrida e outras pessoas relacionadas ao setor. Muitos compareciam para aproveitar uma noite privada. O objetivo deles era ampliar suas redes de contatos e encontrar patrocinadores.
Consequentemente, a atmosfera também era diferente: a iluminação tinha um tom arroxeado, a música era mais alta e demonstrações casuais de afeto aconteciam por toda parte.
E Karlyle estava justamente em uma festa desse tipo naquele momento.
—Por que você não volta para sua mesa em vez de desperdiçar seu tempo?
—Por que está de tão mau humor? —perguntou Aiden.
Depois de passar muito tempo com Karlyle — até mais do que Kyle —, Aiden havia desenvolvido a habilidade de perceber o estado emocional dele apenas pelo tom de voz.
Atrás de Aiden estava seu acompanhante, um ômega de olhos felinos. Considerando a frequência com que Aiden trocava de parceiro, era provável que aquela fosse a última vez que Karlyle o veria.
—Aiden.
Quando Karlyle pronunciou seu nome em voz baixa, Aiden ergueu ambas as mãos em sinal de rendição.
—Tudo bem, tudo bem.
Estalando a língua, Aiden deu um passo para trás.
Karlyle conteve um suspiro e observou o ambiente com uma expressão fria. Com uma taça de martíni na mão, dedicou algum tempo a observar as pessoas ao seu redor.
Os aromas misturados de ômegas e alfas impregnavam o ar de forma intensa.
Karlyle não sentia qualquer empolgação.
Ainda assim, sentia algo toda vez que captava o aroma de Ash.
Após aquele beijo indecoroso em público, o senso de cautela de Karlyle se intensificou. Ele decidiu que continuar encontrando Ash não era a escolha certa.
No dia seguinte, visitou Luther. Embora tivesse ficado vergonhosamente excitado durante o beijo com Ash, também havia sentido um impulso estranho, o que o levou a acreditar, com esperança, que talvez sua condição tivesse melhorado.
No entanto, depois de perguntar sobre o progresso de Karlyle, Luther respondeu com um sorriso indecifrável e um firme não. Como Karlyle não podia contestar de forma deselegante a avaliação de um médico, não teve escolha a não ser aceitar suas palavras.
O que fez em seguida foi adiar o encontro que tinha marcado com Ash para o sábado seguinte. Ash respondeu sem fazer perguntas, apenas reconhecendo a mudança e desejando a Karlyle um bom fim de semana.
Karlyle se pegou acariciando os próprios lábios inconscientemente e rapidamente baixou a mão.
“Será que o problema era o beijo?”
Se a falta de preliminares suficientes em suas atividades sexuais estivesse causando os sintomas atuais de Karlyle, resolver apenas essa questão poderia aliviar sua condição. Caso sua saúde melhorasse, ele poderia encerrar os encontros com Ash da forma como estavam agora. Isso provavelmente também seria melhor para Ash. Afinal, fazer sexo com alguém que não amava dificilmente poderia ser agradável para ele.
“Foi a coisa mais divertida que fiz ultimamente.”
De repente, Karlyle se lembrou de algo que Ash havia dito enquanto seus olhares se encontravam e seus dedos percorriam seus lábios. Sua mente estava um caos. Talvez aquilo não fosse totalmente desprovido de prazer para ele. Era uma possibilidade.
Diferentemente de Karlyle, Ash parecia completamente à vontade com esse tipo de comportamento — dar as mãos, encostar os corpos, trocar beijos e coisas do gênero. Provavelmente, para Ash, tudo aquilo era apenas uma forma de diversão.
Quanto mais Karlyle pensava nisso, mais confusa sua mente ficava, incapaz de encontrar uma resposta.
Forçando-se a afastar os pensamentos sobre Ash, Karlyle avançou em direção ao centro do grande salão da festa. Seus sapatos sociais pretos, refletindo as luzes ao redor, produziam um som ritmado ao tocar o chão.
Pouco depois, esbarrou de leve em alguém — um homem de cabelos castanhos, visivelmente menor que ele.
—Oh, me desculpe —disse o homem.
Um ômega.
Por hábito, Karlyle amparou a figura cambaleante. Enquanto segurava suas costas para ajudá-lo a recuperar o equilíbrio, o homem apoiou uma das mãos sobre o peito de Karlyle.
Erguendo o olhar para ele, havia um par de olhos castanhos.
O homem piscou algumas vezes e, logo em seguida, um rubor se espalhou por seu rosto.
Havia um leve cheiro de álcool no ar.
—Eu fiz você derramar sua bebida? —perguntou ele, lançando um olhar para a taça de martíni que Karlyle segurava.
Karlyle o observou com uma expressão impassível. Os traços delicados daquele rosto pequeno e esguio lembravam um filhote de cervo frágil. Depois de observar seu pescoço claro, respondeu:
—Não, não fez.
Ele não se deu ao trabalho de retirar a mão das costas do homem. O homem também não se afastou de Karlyle. Os feromônios do ômega se intensificaram sutilmente, um sinal evidente de interesse. Avaliando-o com olhos frios, Karlyle voltou a falar:
—Se não se importar, posso lhe oferecer algo como pedido de desculpas por ter esbarrado em você?
Depois de piscar algumas vezes diante de seu modo formal de falar, com as consoantes bem marcadas, o homem sorriu suavemente.
—Claro, eu gostaria disso.
A voz dele era suave.
A mão de Karlyle deslizou das costas do homem para seu ombro. Enquanto o guiava gentilmente em direção ao balcão do bar, o homem aproximou ainda mais o corpo do dele e seguiu sua condução.
Seguiu-se uma conversa trivial.
Karlyle curvou os lábios em um leve sorriso enquanto escutava o que o homem dizia. Sentado em um banco alto, o homem deixava o joelho roçar ocasionalmente o de Karlyle. De pé, com o corpo voltado em sua direção, Karlyle observava-o de cima. Não demorou para que se cansasse da situação.
Não era interessante.
Isso não era algo incomum.
As interações que tivera com ômegas ao longo da vida não haviam sido diferentes daquela. Não importava quão eloquente fosse a pessoa ou quão agradável fosse a conversa, ele nunca conseguia desenvolver um sentimento que ultrapassasse um interesse moderado.
No início, reprimir as próprias emoções havia sido difícil, mas, à medida que envelheceu, tornou-se mais fácil. Quando apagava sua expressão, as emoções também desapareciam.
Quando se sentia abalado demais para manter o controle, pensava em outras coisas, como lembranças ou deveres.
A imagem de seus pais tentando esconder o sofrimento após o sequestro de seu irmão.
O corredor escuro onde ecos de soluços ressoavam.
Os dez dias em que viveu acreditando que seu irmão poderia estar morto.
O dever de Karlyle de cumprir seu próprio papel de forma impecável para que seu irmão pudesse viver como desejasse.
A pessoa destinada a liderar a empresa e a família não podia se permitir ter fraquezas.
Além disso, ele não queria atrair a ira de seu avô nem causar qualquer problema para sua mãe…
Recordar essas coisas esfriava seu coração de forma eficaz.
Ainda assim, às vezes, ele não conseguia evitar a dúvida. Será que algum dia seria capaz de sentir algo ao encontrar alguém a quem pudesse entregar seu coração?
—Sr. Frost, o senhor disse que tem ligação com os anfitriões?
A pergunta do homem interrompeu seus pensamentos. Havia uma intenção clara por trás dela.
—Sim.
—Isso é impressionante! Então o senhor frequenta festas como esta com frequência?
Karlyle baixou o olhar.
—Com bastante frequência. Parece que você gosta de festas.
—Sim. É a minha primeira vez em uma festa assim, e tem sido muito divertido. Até conheci alguém como o senhor, Sr. Frost.
O homem sorriu, revelando covinhas, enquanto tocava o braço de Karlyle.
Mais algumas palavras e eles poderiam facilmente acabar passando a noite juntos. Se isso acontecesse, seria a primeira aventura de uma noite de Karlyle; normalmente, ele se relacionava com ômegas que conhecia por questões profissionais ou durante seus períodos de rut…
Foi justamente quando esse pensamento lhe ocorreu que alguém disse:
—O que você está fazendo aqui?
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr