Define The Relationship (Novel) - Capítulo 06
Enquanto caminhavam pelo corredor, que cheirava a tapetes empoeirados, pessoas saíam de outra sessão e passavam por eles. Karlyle se aproximou da parede, e Ash deslocou discretamente o corpo para protegê-lo dos transeuntes*. Seus olhos, voltados para Karlyle, sorriam.
(*N/T: Transeunte é a pessoa que passa ou está de passagem por um determinado lugar; um pedestre ou caminhante.)
Quando o pequeno fluxo de pessoas passou, o corredor voltou a ficar vazio, e a quietude tornou a envolver o ambiente.
—Eu lhe devo um pedido de desculpas —disse Ash de repente.
Karlyle ergueu o olhar para ele. Sem perceber que estava parado como se estivesse encurralado entre Ash e a parede, perguntou:
—Por que está pedindo desculpas?
—Por ter escolhido um filme tão entediante.
Karlyle, que não tinha como julgar o valor de entretenimento de um filme cujo conteúdo sequer conhecia, entreabriu os lábios.
—Foi bom.
Sua consciência o incomodou ao dar uma resposta que mal se diferenciava de uma mentira. Silêncio e falsidade eram coisas distintas; embora seu silêncio já tivesse levado outras pessoas a interpretações equivocadas antes, ele raramente mentia de forma direta. Por algum motivo, aquela resposta parecia uma transgressão significativa.
—Da próxima vez, vou escolher algo mais interessante.
Karlyle estremeceu ao ouvir as palavras próxima vez. Perdido nos olhos de Ash, baixou os cílios.
—Você não precisa se incomodar.
Foi isso que Karlyle disse, em vez de dizer que não haveria uma próxima vez.
Ash soltou uma risada suave e inclinou-se para a frente, alinhando seus olhares.
—Você realmente parecia o tipo de pessoa que assistiria até o final.
—De qualquer forma…
Karlyle interrompeu a própria frase quando seus rostos se aproximaram até que seus narizes quase se tocassem. Seus olhos pousaram nos lábios de Ash; o contorno perfeitamente definido do lábio superior e do inferior, ambos tingidos por um tom suave de vermelho, foi gradualmente entrando em foco.
—Ash.
Percebendo uma atmosfera estranha entre eles, Karlyle chamou seu nome. Ash respondeu com um sorriso nos olhos.
Hesitante, Karlyle colocou as mãos sobre os ombros de Ash e fez uma leve pressão, como se tentasse afastá-lo.
—Em um lugar público, fazer algo assim é…
—Algo assim? —perguntou Ash.
O tom inocente da pergunta deixou Karlyle desconcertado. A nuca dele queimou de vergonha. Ash ainda não tinha feito nada de fato, e ali estava Karlyle, aparentemente antecipando alguma coisa.
—Que tipo de coisa você quer dizer, Karlyle?
—Quero dizer…
—Você quer dizer algo assim?
Depois de terminar a frase, Ash roçou os lábios nos de Karlyle, sem desviar os olhos dele nem por um instante. Suave como uma pena, o toque foi tão rápido quanto breve.
O aperto de Karlyle nos ombros de Ash se intensificou. Por um momento, passou por sua mente que talvez estivesse apertando com força demais, mas então se lembrou de que Ash era um alfa. Embora o contato tivesse sido leve e passageiro, seu corpo ainda assim ficou tenso.
—Ou talvez algo assim?
Antes que Karlyle pudesse impedi-lo, Ash capturou o lábio inferior dele com os próprios lábios. O toque durou apenas um instante, mas foi suficiente para fazer Karlyle prender a respiração.
—Ash, alguém pode ver…
A expressão impassível de Karlyle vacilou. Sem perceber, ele soltou um longo suspiro.
Os olhos de Ash escureceram ao ouvir aquela respiração escapar quase como um arquejo. Uma grande mão pousou em sua bochecha. Um braço envolveu sua cintura. Seus corpos se aproximaram, e seus lábios se encontraram novamente.
—Ah…
O som breve desapareceu entre eles. Karlyle sentiu o coração acelerar enquanto Ash o mantinha próximo. O calor do contato e a proximidade repentina fizeram seu corpo inteiro se enrijecer.
Inconscientemente, Karlyle semicerrou os olhos. Seus dedos se fecharam com força sobre o ombro de Ash até sua mão começar a doer.
Ao mesmo tempo, uma sensação de calor percorreu seu corpo.
Ah, espere.
Alarmes soaram dentro de sua mente.
Algo estava errado; aquilo era…
Antes que Karlyle pudesse reagir, suas línguas se entrelaçaram. Uma sensação como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés envolveu Karlyle. Sua audição ficou abafada, e ele não conseguia ouvir nada além do eco de suas línguas se encontrando dentro de sua boca.
A saliva dos dois se misturou. Ele já havia trocado inúmeros beijos antes, mas aquele parecia diferente. Seu corpo estava à beira de ceder. Se não fossem os braços de Ash sustentando-o com firmeza, talvez tivesse desabado de maneira vergonhosa. Esse homem… ele beijava de um jeito tão…
Justamente quando começou a desejar mais, Ash se afastou e rompeu o contato entre seus lábios. A língua que antes o explorava com intensidade recuou sem hesitação.
—Parece que essa era a resposta.
Ash sussurrou com uma expressão despreocupada e radiante, como se nada tivesse acontecido.
Karlyle soltou uma respiração leve. Seus lábios formigavam, e sua língua estava entorpecida, embora não tivesse sido submetida a nada brusco. Acima de tudo, sentia como se não tivesse sido suficiente. Ele franziu a testa, confuso com os próprios pensamentos inesperados.
Percebendo a expressão dele, Ash soltou uma risada baixa.
—Desculpe se assustei você.
A mão que estava acariciando sua bochecha se afastou. O polegar de Ash deslizou suavemente por seus lábios. A saliva, cuja origem ele não conseguia distinguir, ficou em seu dedo.
—Eu não consegui prestar atenção ao filme porque ficava pensando que isso seria muito mais divertido do que assisti-lo.
Ao perceber o tom sugestivo em sua voz, Karlyle sentiu um arrepio percorrer suas costas novamente. Talvez estivesse excitado. Não podia deixar isso transparecer.
Pelo menos não agora.
— Então você… achou divertido? — Karlyle perguntou.
— Sim — Ash respondeu com satisfação. Em seguida, ele soltou Karlyle.
— Foi o mais divertido que tive nos últimos tempos. Com o polegar que havia roçado os lábios de Karlyle, Ash tocou os próprios lábios. Eles estavam notavelmente mais vermelhos do que alguns minutos atrás e capturaram o olhar de Karlyle.
Por um momento, ele sentiu como se o aroma de Ash tivesse se derramado sobre ele intensamente. Sobrecarregado pela tontura, Karlyle afastou Ash. Ash moveu-se para trás sem resistência.
Sentindo como se tivesse cruzado para um território proibido, ele deu alguns passos para trás e, então, encarando Ash, falou.
— Há algo…
Uma desculpa absurda e constrangedora.
— …que preciso resolver. Então, por favor, me dê licença.
Deixando Ash com uma expressão confusa, Karlyle virou-se rapidamente. O baixo ventre dele latejava persistentemente. Tentando ignorar a natureza daquela sensação de aperto, ele limpou a boca com as costas da mão. Seus lábios queimavam. Este homem é perigoso. Seus instintos o estavam alertando.
Karlyle saiu do cinema a passos rápidos e caminhou por bastante tempo. De repente, olhou por cima do ombro.
Ash não estava seguindo-o.
Aliviado e, ao mesmo tempo, incomodado com esse fato, Karlyle passou os dedos pelos cabelos, com uma expressão abatida.
Esse não era o Karlyle de sempre.
Depois de apenas dois, não, três encontros, ele já estava perdendo a compostura.
Precisava revisar seus planos.
Fitando rigidamente o dorso da própria mão, ainda manchado de saliva, Karlyle refletiu sobre qual deveria ser sua próxima abordagem.
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr