Autobahn Romance (Novel) - Capítulo 05
Autobahn Romance Vol 2 — P5
Para ser sincera, a senhora Lee achava Gong Pyeonghwa consideravelmente insolente. Quando descobriu que ele havia seduzido o seu filho inocente que não sabia de nada e o fez passar pela gravidez e pelo parto, sentiu tanta insolência que teve vontade de pegar uma vara para castigá-lo.
— Por favorzinho, sogra. Sim? Sim? Sim? Sim?
Mas continuando a olhar para ele, via que ele não passava dos limites com as brincadeiras e parecia ser secretamente atencioso… Sinceramente, ele causava uma boa impressão.
E parecia crueldade demais o pai do bebê não poder falar com o próprio filho. Estava na fase mais linda, crescendo a olhos vistos a cada dia, e não poder ver o rosto dele parecia excessivo.
— Tudo bem, então se acalme um pouco…
— Isso aí. É o mesmo que eu ter ganhado. Ligue logo para ele.
Mesmo se perdesse, Gong Pyeonghwa sairia no lucro. Mesmo se devolvesse o cartão do sogro, pretendia ver o Saebyeok e a Isul hoje mesmo se possível, ou amanhã o mais tardar!
Ele demonstraria que o homem pode ser fraco, mas o marido é forte, o pai é forte!
— Ligar por causa desse tipo de coisa em pleno horário de reuniões é um pouco…
— Basta enviar uma única mensagem, não tem problema.
Na verdade, a senhora Lee nunca havia entrado em contato com o marido sem um motivo aparente. Achava que seria ignorada por ser uma mensagem sem grande significado, e se sentia com medo de ficar magoada se fosse ignorada.
— Deixa! Me dá aqui. Eu envio.
Quando Gong Pyeonghwa estendeu as duas mãos educadamente, a senhora Lee entregou o celular após hesitar.
Gong Pyeonghwa fingiu enviar a mensagem e rolou a tela para baixo.
Entre as poucas salas de conversa, destacava-se uma notificação com um número expressivo.
[Grupo: 6 pessoas]
Olha só. Eles tinham até um grupo de conversa? Se são seis pessoas, vejamos…
Sogro, sogra, papai, mamãe, Gong Jeong, Gong Sarang. Exatamente seis? E o Gong Jeong e a Gong Sarang também estavam incluídos? Gong Pyeonghwa curvou o canto da boca de lado.
Em vez de espiar o grupo, enviou uma mensagem audaciosa para o sogro.
[O que vamos comer no almoço hoje?]
Para ser sincero, o sogro era extremamente taciturno, então ele não tinha grandes expectativas. Se fosse o nosso Saebyeok, a resposta viria na hora…
— Caramba.
A ligação veio imediatamente.
Como se o celular fosse uma batata doce fervendo, ele o jogou para cima assustado por um instante.
— S-Sogra, tem uma ligação.
A sogra ficou igualmente assustada e atendeu o telefone às pressas.
— Sim, sim? Aconteceu alguma coisa?
— Não, precisa ter acontecido algo para eu ligar…
Sogra, dá para ouvir a voz toda daqui. Devo fingir que não ouvi…
Gong Pyeonghwa ficou parado sem jeito.
— Bem, hum. Hoje o dia está quente como há muito não se via, que tal comermos aquela massa fria de que você gosta?
— Ah…
Olha só. O sogro sabia. Fingia ser indiferente, mas tinha os seus detalhes. Olha só.
Gong Pyeonghwa assobiou mentalmente como um malandro e vasculhou a memória. Fazia mais de oito anos que não atualizava as informações, mas um restaurante famoso de massa fria. Massa fria. Massa fria.
— É… uma boa ideia. Entendi. Vou fazer isso. Desculpe ligar por uma bobagem quando você deve estar muito ocupado. Vou desli…
— Não é uma bobagem.
— …
— Pode ligar a hora que quiser. Não estou tão ocupado assim.
O sogro diz que não está ocupado, mas por que o meu pai vive ocupado?
— Bom apetite e até mais tarde.
— Entendi. …Bem, bom trabalho e volte com cuidado.
A senhora Lee desligou o telefone de forma desajeitada.
Para a sogra cujo rosto estava completamente corado, Gong Pyeonghwa exibiu um sorriso benevolente digno de um Buda e estendeu as duas palmas das mãos educadamente.
— Sogra, eu ganhei.
Gong Pyeonghwa pegou o celular de volta no mesmo instante.
Gong Pyeonghwa deu as costas à sogra que estava com o coração disparado como uma adolescente e vasculhou o celular rapidamente.
Aviso!
Este é o grupo de conversa do Projeto Vivendo com a Sogra 101. Seguem as orientações a serem seguidas. (Ver mais)
Olha só? Era um verdadeiro espetáculo.
Gong Sonhwan
A caminho do trabalho
(Foto)
Almoço: arroz com tartare de carne bovina, sopa de carne com nabo
(Foto)
Latte de algodão-doce sabor creme
O papai comendo coisas gostosas sozinho.
Kang Seong-ah
(Vídeo)
Isul bocejando
Ah, Isul! O papai está aqui! O papai está preso na casa do vovô materno agora! Isul! Chore logo e diga para a vovó e para o vovô que está com saudades do papai!
Gong Sarang
(Foto)
Selfie com a princesa e a princesinha >.<
Será que aquela gorila da montanha enlouqueceu.
— Sogra, não dê corda para o que a Gong Sarang faz. O papai já estragou os modos dela e ela acha que é uma princesa de verdade…
— Sabe, genro Gong. Mas se é apenas uma chance de contato, não há necessidade de eu te entregar o celular, há?
Ué, ela já recuperou a razão? Tão rápido assim?
Se fosse o Gong Pyeonghwa, ele ficaria sorrindo à toa por trinta minutos, então a sogra recuperar a razão em menos de cinco minutos pareceu admirável.
Tendo que devolver o celular sem choro nem vela, Gong Pyeonghwa recebeu a permissão para uma chamada de vídeo com a Isul pouco depois e acenou com a mão contendo as lágrimas.
— Iseeeul! É o papai!
Mas Isul não estava interessada.
— Isul. Isul! Isul, aqui, aqui, tem que prestar atenção aqui? Ei? Ei, dew!
Normalmente Isul conseguia ouvir e interagir, mas estava tão distraída com o passeio frenético ao lado da avó e da tia que não conseguiu olhar para o papai preso na tela do celular.
— Parece que a Isul não precisa do papai. Vou desligar. Beijinho.
Aquela desgraçada da Gong Sarang…
Olhando para a chamada de vídeo que foi encerrada de forma frustrante, Gong Pyeonghwa recitou o Sutra do Coração por dentro.
— …A Isul está passando… muito bem, com saúde. Sim… Ah, que alegria.
Não parecia alegre.
— Então vamos fazer a nossa refeição também.
O pai da Isul já sentia o nariz arder só de pensar em comer uma massa fria banhada em lágrimas.
—
O escritório para onde retornou após o almoço estava tão impregnado de aroma de café que era difícil distinguir se era um escritório ou uma cafeteria.
Para vencer a sonolência pós-prandial, havia copos de café sobre as mesas de todas as pessoas do setor.
Os que voltavam de fumar um cigarro também traziam café nas mãos.
Assim que o horário confuso do almoço terminou e o expediente retornou, as pessoas do escritório, que antes pareciam relaxadas, concentraram-se no trabalho como se nada tivesse acontecido.
Shin Saebyeok também se concentrou no monitor a ponto de ficar com o rosto vermelho.
— Vamos encerrar o expediente.
Enquanto trabalhava daquela forma, o horário de saída chegou em um piscar de olhos.
Dizer que ele trabalhou de verdade o tempo todo?
Trabalhou de verdade o tempo todo.
Só então sentiu os ombros rígidos e os olhos ardendo. Pensou em olhar um pouco mais, hesitando em tirar a mão do mouse, quando a luz do mensageiro piscou.
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Hora de ir embora, hora de ir embora, hora de ir embora]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Sair pontualmente, sair pontualmente, sair pontualmente]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Sopa de frango com ginseng]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Qual é o setor que ainda não organizou o computador? Haha Será a equipe 1 de vendas internacionais? Haha]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Haha Talvez precise de uma bronca~]
Shin Saebyeok organizou o seu espaço sem hesitação e saiu do escritório.
Olhando para o estagiário Shin Saebyeok que fez o presidente esperar por longos três minutos, todos começaram a fofocar.
"Ele nem tenta disfarçar que é indicação."
"Nossa, família real."
"Nossa."
Era da família real, mas da família de outra casa. O estagiário originário da linhagem principal da empresa concorrente entrou no banco traseiro que o diretor executivo abriu para ele, sem poder dar nenhuma explicação.
Shin Saebyeok ficou sem saber como agir diante de tamanha honra, mas, do ponto de vista de Gong Jeong, ele apenas havia repassado a bomba por não querer se sentar ao lado do próprio pai.
— Hum. Sim. O trabalho correu bem hoje?
— Quem faz alguma tarefa no primeiro dia de trabalho. Ele deve ter instalado o mensageiro da empresa e configurado o computador. Por que alguém que conhece a dinâmica pergunta isso?
— Esse moleque.
Shin Saebyeok apenas deu um sorriso sem graça, sem saber o que dizer.
— Hoje foi o primeiro dia, então deve ter sido confuso, mas a partir de amanhã as coisas vão ficar movimentadas. Não fique piando como um pintinho e dê o seu melhor por conta própria. Embora tenha entrado como novato, eu não considero você um novato.
— Com um chefe desses, eu não conseguiria pedir demissão.
— O que disse, moleque?
Ele pensou em um título perfeito como [Sou novato e não me deram treinamento, nem me ensinaram o trabalho, e o presidente da empresa disse para eu me virar sozinho e que, embora tenha me contratado como novato, não me considera um novato. Será que isso é um sinal para eu pedir demissão? As outras empresas também são assim? ㅠㅠ], mas Gong Jeong proferiu uma declaração de filho dedicado, dizendo que jamais postaria aquilo em uma comunidade de trabalhadores para não magoar o pai.
— Pai, eu sou um filho ingrato.
— Então você sabe.
— Ah… Para fazer o pai viver bastante, eu deveria postar na internet para fazer você levar bronca, mas como não tenho coragem de fazer isso, quem seria o filho ingrato senão eu.
Era uma declaração digna do maior dos filhos ingratos.
O presidente Gong apontou o dedo dizendo para ele não falar mais nada porque aquilo o irritava, e Gong Jeong fez o gesto de fechar um zíper na boca.
Era o Gong Pyeonghwa com um tom de voz mais formal.
Preso entre o pai e o filho que batiam boca, Saebyeok apenas observava a situação.
— Ah. Pensando bem, aquele sujeito começa a trabalhar na sede a partir de amanhã, certo?
Aquele sujeito?
— O líder de equipe Dok?
Líder de equipe Dok?
— Aquele sujeito pode não ter tato, mas tem inteligência para o trabalho, então aprenda bem com ele.
— Sim. Entendi.
Saebyeok tinha uma personalidade adaptável e obediente, então fazia tudo muito bem conforme lhe era ordenado. O presidente Gong, que gostou bastante daquela resposta bem-educada e do tom mansa, que eram diferentes dos de seus filhos, deu pontos positivos por dentro.
Não demorou muito para o carro parar, e o presidente Gong desceu sem olhar para trás.
Saebyeok e Gong Jeong também desceram do carro. No entanto, não puderam entrar imediatamente como o presidente Gong.
Porque Gong Jeong chamou a atenção de Saebyeok.
Gong Jeong mexia os cantos da boca de um lado para o outro. Ele sorria, mas não era um sorriso de quem achava graça de verdade, parecia um rosto um tanto preocupado.
— Existe um líder de equipe chamado Dok.
— Ah, sim.
— Não é porque a personalidade dele seja venenosa ou algo assim, não, pensando bem, será que ele é um pouco severo? Enfim, é porque o sobrenome dele é Dokgo. A personalidade dele é um pouco de lobo solitário, mas não é uma pessoa ruim, só que ele costuma invadir o espaço pessoal com frequência? E tem uma tendência a ignorar as regras implícitas da sociedade? Enfim, ele não tem tato e às vezes falta com a educação, mas…
Olhando pelo que você diz, parece ser alguém composto puramente por defeitos.
— Ele não faz isso por maldade, então não fique muito chateado e absorva o que for bom no trabalho. Ele trabalha bem. É só que as personalidades quietas não batem muito com o líder de equipe Dok.
— Ah, obrigado pela preocupação. Vou me dedicar ao máximo.
Shin Saebyeok tinha uma personalidade quieta, mas aquilo não significava que a sua estrutura mental fosse fraca.
Mesmo se o líder de equipe Dok disparasse ofensas na sua cara, ele tinha confiança de que aquilo não o afetaria.
Se fosse o Gong Pyeonghwa dizendo palavras duras na sua cara, ele poderia sofrer um grande impacto e ficar de cama, mas aquilo seria porque se tratava de Gong Pyeonghwa.
Com exceção dele, sinceramente não se importava com o que os outros fizessem.
— Cheguei.
Saebyeok cumprimentou o sogro e lavou as mãos rapidamente.
— Isul, o papai chegou.
— Papai-mamãe. Papa. Sague-tang.
— Samgye-tang.
Saebyeok corrigiu a pronúncia e tocou levemente no nariz macio da Isul, sem machucar.
Como bolhas de sabão estourando, a risada da Isul também explodiu.
— Ela está dizendo que gostou que o papai chegou.
— Vá trocar de roupa logo para jantarmos. Preparamos um frango caipira inteiro.
Saebyeok curvou-se repetidas vezes sem saber como agir. O presidente Gong, que já havia trocado de roupa por um traje caseiro confortável, colocou as mãos para trás demonstrando descontentamento e soltou comentários secos.
— Chega, o que ele tem de tão especial para preparar um frango cozido inteiro?
— Tem toda razão, sogro. O que eu tenho de tão especial. Eu ficaria agradecido mesmo se me dessem apenas arroz puro. Mesmo se me expulsassem agora mesmo, eu…
— E-Eu não disse tanto!
O sogro é mesmo fofo.
Ele pretendia demonstrar uma certa sagacidade bem-humorada para se adequar à atmosfera da casa, mas o seu tom de voz era naturalmente tão sério e pausado que pareceu uma declaração sincera, o que gerou o problema.
O sogro e a sogra ficaram sem graça e, na dinâmica de um frango cozido por pessoa, cada um rasgou a coxa do seu respectivo frango e a colocou na tigela de barro de Saebyeok.
— Olha. É um frango Hidra.
Olhando para o frango cozido que tinha quatro coxas, Shin Saebyeok suou frio diante da pressão de ter que comer tudo aquilo.
Eu consigo. Eu consigo.
Será que eu consigo? Por ser um frango caipira, o tamanho já era diferenciado.
Com um pouco de exagero, parecia não ter muita diferença em relação a um peru. Será que ele conseguiria dar conta daquilo?
— V-Vou comer bem.
A sensação era de que, por mais que comesse, a quantidade não diminuía. A família Gong agia como se o frango caipira fosse um inimigo mortal, esquartejando-o com crueldade.
A única culpa do frango caipira deve ter sido o fato de ter nascido, mas acabou capturado pela família Gong e não restaram nem os ossos para contar a história.
Saebyeok mastigou continuamente, mastigou e mastigou de novo. No meio disso, a textura da carne estava fantástica.
O sabor estava bom, mas a quantidade excessiva trazia sofrimento. No momento em que começou a pensar que preferia que o mandassem trabalhar, a dedicada Isul declarou uma salvação.
— Sague-tang! Dá! Dá!
Saebyeok desfiou a carne pura e deu para Isul, e ela, que havia feito cinco refeições hoje excluindo os lanches, aceitou a carne abrindo a boca como um bebê que não tivesse jantado.
Porém, por mais que os dois se dedicassem, terminar um frango caipira robusto inteiro e mais duas coxas era impossível.
A boa Isul, por algum motivo que não lhe agradou, segurou a toalha de mesa com as mãozinhas e começou a chorar copiosamente do nada.
Isul raramente chorava copiosamente. O Saebyeok, assustado, levantou-se no mesmo instante e a balançou nos braços para acalmá-la, e só então as lágrimas cessaram.
No entanto, no instante em que voltou a sentar-se à mesa, ela chorou como se o céu estivesse desabando.
Após algumas repetições, Saebyeok desistiu da refeição, e a família Gong também desistiu.
— A criança começou a estranhar as pessoas de repente.
Eles gostariam de acalmar a Isul para que Saebyeok pudesse terminar a refeição se possível, mas Isul começou a estranhar o ambiente de repente e fez um verdadeiro escândalo.
— Não tem jeito, né.
Embora dissesse que não havia jeito, Saebyeok sentiu um alívio imenso por dentro.
"A minha filha é mesmo dedicada."
Não conseguia pensar em outra coisa além disso.
—
Gong Pyeonghwa fez uma refeição excessivamente farta com a sogra em um restaurante famoso de massa fria absurdamente saborosa e, para fazer a digestão, também fez compras de forma fantástica.
Passou o dia inteiro passando o cartão, sem dar um único segundo de descanso ao cartão do sogro.
A sogra, que antes hesitava sem jeito, pareceu se divertir com aquele passeio descontraído e, por volta do anoitecer, chegou a perguntar primeiro para Gong Pyeonghwa com animação se queria que comprasse isto ou aquilo.
Eles retornaram a Isul apenas quando o sol havia se posto completamente e a lua começava a surgir.
— Ah, foi divertido. Não é verdade, sogra? Nós não poderíamos comer trouxinhas de massa recheadas amanhã? Trouxinhas. Trouxinhas. Trouxinhas. Trouxinhas.
Ficar sem comer as trouxinhas de massa porque a loja fechou cedo devido ao término dos ingredientes virou um lamento para Gong Pyeonghwa, que insistiu com a sogra.
Como o seu próprio marido também gostava daquilo, a sogra concordou prontamente com a cabeça.
— Isso aí. Então vou conduzi-la em segurança até em casa.
O excelente motorista Gong Pyeonghwa dirigiu com suavidade, observando os arredores com cuidado.
Demonstrando uma cautela como se estivesse transportando o presidente da república e não a sogra, os olhos de Gong Pyeonghwa captaram algo no horizonte.
"Ué? O que é aquilo? O que é aquilo ali?"
Como Gong Pyeonghwa, que não parava de falar um segundo sequer feito um taxista veterano, ficou silencioso, a sogra buscou o olhar dele para ver se havia acontecido algo.
— …É! Verdade! Sogra?
— Ah, o-o quê?
— Aquele, o que é mesmo? Aquele, como se chama? Aquele ali. Aquele.
O que seria aquele ali. A sogra tentou adivinhar de qualquer jeito.
— As trouxinhas de massa?
— Não, não é isso.
— A lula desfiada temperada? Waffle? Meias? O uniforme escolar do Saebyeok?
— Não, não é isso… quê? O que a senhora disse agora? O uniforme escolar do Saebyeok?
Foi uma palavra lançada ao acaso para escapar da situação, mas o uniforme escolar de Shin Saebyeok surgiu na conversa.
— Sim?
— Exatamente. Acho que eu ia falar sobre o uniforme do Saebyeok. Caramba. A sogra realmente entende o que eu quero dizer mesmo quando falo de forma confusa. Incrível.
Gong Pyeonghwa ficou sinceramente feliz.
O dia de hoje foi produtivo demais. Ir passear de carro com a sogra foi bom, mas gastar sem dó o cartão do sogro que parecia uma montanha fez com que ele saqueasse a despensa da família Shin, mesmo que de forma ínfima, causando um prejuízo financeiro de cerca de 0,0001 nanograma, e ele ainda ganharia o uniforme que Shin Saebyeok usou. Só isso já fazia o dia valer a pena, e talvez ele pudesse conseguir uma aliada.
— Então vou acelerar só um pooouquinho, mantendo o respeito às leis de trânsito.
Gong Pyeonghwa pisou no acelerador com um sorriso radiante.
—
O presidente Shin entrou na casa completamente vazia e ficou mexendo apenas no celular.
A casa, onde a sua esposa sempre estava presente independentemente do horário em que ele entrasse, hoje parecia totalmente deserta.
E o paradeiro de sua esposa podia ser deduzido através das mensagens de texto do celular.
[Restaurante XX Massa Fria – 98.000 wons]
O que os dois comeram para aquela massa fria atingir esse preço.
E o valor que varreu a seção de lojas de luxo de uma vez, isso tudo bem. O que preocupava era o que vinha a seguir.
[Waffle XX – 15.800 wons]
[Bolinho de Noz X – 22.000 wons]
[Loja de Conveniência XX – 4.400 wons]
[Food Truck – 17.000 wons]
[Loja de Conveniência YY – 6.700 wons]
[Loja de Conveniência CC – 10.000 wons]
[Padaria J – 38.800 wons]
[Pães Z – 57.600 wons]
[Pão Maravilhoso G – 65.520 wons]
O que esse sujeito está dando para a minha esposa comer.
Como a sua esposa não conseguia dizer coisas desagradáveis com facilidade, ela poderia estar comendo a comida à força por não conseguir recusar.
Será que esse sujeito só sabe comer? Pensando bem, ele não parecia alguém sem tato, então não a teria forçado a comer, certo? Então quer dizer que ele comeu tudo aquilo sozinho? Achou que fosse um humano, mas seria um porco? Mas por que ele ainda não voltou? Será que aconteceu algum acidente?
O presidente Shin andava em círculos pelo mesmo lugar, tomado pela ansiedade. No instante em que finalmente perdeu a paciência e ia ligar para a esposa, o porco, não, o sujeito insolente que engravidou o seu filho apareceu carregando uma infinidade de sacolas nas mãos, usando óculos de sol ridículos.
— Oh. Sogro! Você voltou mais cedo do que eu imaginava! Já jantou? Nós compramos pães, quer um pouco?
— …
Oferecer-me os pães comprados com o meu próprio dinheiro como se estivesse me fazendo um favor? O presidente Shin achava simplesmente tudo depreciativo.
No momento em que ele ia arrumar um pretexto para reclamar de alguma coisa, a senhora Lee ajeitou o cabelo sem graça com um sorriso tímido.
— Vocês voltaram rápido. Como disse que jantaria fora, achei que demoraria bastante.
— Sogro, sogro. A sogra não deveria trabalhar como modelo mesmo agora? Sabe, o caimento das roupas nela fica melhor do que em um manequim. Isso aqui é simplesmente uma grande perda para o mundo da moda, não acha?
O rosto corado de sua esposa que parecia tão feliz estava realmente muito lindo. O presidente Shin, que pretendia arrumar um pretexto em Gong Pyeonghwa para dar uma bronca, fechou a boca porque nenhuma outra palavra além de que ela estava linda conseguia sair.
— …Onde está a Noeul?
— Ela disse que jantaria fora com um amigo antes de voltar.
— Que horas são.
Para o presidente Shin cujo semblante demonstrava claro descontentamento, Gong Pyeonghwa disparava comentários descontraídos continuamente.
— Nessa idade, os amigos são tudo.
Mas as coisas não devem ser bem assim, né? O amigo pode não ser apenas um amigo, né? Gong Pyeonghwa deu um sorriso contido por dentro e soltou palavras que não correspondiam ao que sentia.
— No meu caso, sempre que as aulas terminavam eu ia jogar futebol e basquete com os moleques, e o dia acabava depois de comermos.
Gong Pyeonghwa, que costumava abandonar os amigos que o chamavam para jogar futebol para ficar escondido de mãos dadas e trocando beijos com o Saebyeok na biblioteca, mentiu sem nem piscar.
— É que o dia fica curto por ser inverno, mas acabou de passar das oito horas, ela logo deve che… olha, acabou de chegar.
— Cheguei… ?
Diante do fato de que a pessoa usando óculos de sol ridículos não era apenas uma, mas sim duas, e de que uma delas era a sua própria mãe, Shin Noeul parou no meio do gesto de tirar os sapatos e congelou.
— Cunhadinha? Senhorita? Seja bem-vinda. O jantar com o amigo estava gostoso?
Gong Pyeonghwa tirou os óculos de sol com um sorriso. Mas como aquele sorriso não era o sorriso frívolo de sempre e sim um sorriso enigmático, Shin Noeul sentiu um calafrio no fundo do coração.
— Sogro, amanhã nós vamos comer trouxinhas de massa. Trouxinhas. Trouxinhas. Trouxinhas.
— Isso dá muito trabalho.
Gong Pyeonghwa pensou se aquilo era um comentário sincero. Não havia uma única comida que subisse à mesa daquela casa que não desse trabalho para fazer.
— Mas você gosta.
O presidente Shin, sem conseguir dizer mais nada, apenas pigarreou sem motivo.
Gong Pyeonghwa entrou na cozinha sozinho, exausto de observar o presidente Shin, que parecia a personificação de uma preguiça, e a senhora Lee.
Shin Noeul também se curvou educadamente e subiu para o seu quarto.
Organizando os pães e selecionando os que serviriam de sobremesa para comer agora, Gong Pyeonghwa sentiu um cansaço interno ao olhar para seu sogro e sogra, que ainda estavam parados no mesmo estado.
‘Ainda bem que Saebyeok não herdou esse jeito deles.’
Saebyeok também não era do tipo que elogiava muito, mas não chegava àquele ponto.
Gong Pyeonghwa subiu para o quarto de Shin Noeul com os pães.
Toc-toc. Com uma batida honesta, a porta logo se abriu e Shin Noeul, que era tímido, exibiu um rosto sem jeito.
— Não pode ficar com o açúcar baixo enquanto estuda, então coma isso enquanto faz.
— Ah, isso… obrigado…
Parece tão tímido e comportado.
— Mas aquele homem alto que estava de mãos dadas com você mais cedo, é seu namorado?
É igualzinho ao Saebyeok.
—
A gata comportada, Shin Noeul, enfrentou o maior problema da sua vida.
Como ele sabia? Quando? Como? Será que viu? Ele viu mesmo? Onde viu? Fui descoberta? Ou não? Será?
— Eu… não sei do que você está falando.
— Então é verdade?
— Não, não é não! Eu estava estudando com um amigo!
Talvez ele tenha visto a pessoa errada. Não, a probabilidade disso era alta. Vamos negar até o fim.
— Sim, sim. Eu também era assim com o Saebyeok. Ficávamos de mãos dadas estudando e nos beijávamos na hora do intervalo.
— Nós ainda não…!
Shin Noeul ficou surpreso com o que disse e deu um tapinha na própria boca.
‘Será que o histórico familiar de Saebyeok é o de não saber mentir?’
Gong Pyeonghwa olhou com pena para Shin Noeul, que tinha um rosto que gritava para qualquer um: ‘Estou escondendo algo’, ‘Estou mentindo’ e ‘E esta é a primeira vez que minto’.
— Entendi, então ainda não se beijaram.
— A-ah, não…!
— De qualquer forma, é segredo para os seus pais, né?
Como a maioria das pessoas, ninguém quer contar abertamente sobre sua vida amorosa para os pais.
Especialmente se a atmosfera da casa for conservadora.
— Ah. E se eu acabar falando inconscientemente? Eu sou muito falastrão.
— Parece que é mesmo.
— …
Não sou, não! Não sou! Eu sou muito discreto! Gong Pyeonghwa quase retrucou de forma infantil, mas se conterou usando todas as forças.
— Eu sou um pouco falastrão, mas também sou leal, então acho que podemos ter um ganha-ganha se você me fizer um favor. O que nossa senhorita acha?
— Só consigo pensar que você parece um golpista.
Ele realmente não sabe mentir. Não, será que ele simplesmente não mente? Gong Pyeonghwa ficou desconfiado, mas decidiu deixar passar.
— … Qual é o favor?
Shin Noeul perguntou com o sentimento de quem engole sapo, apenas para ouvir o que era.
— Poderia entrar em contato com aquele orangotango, não, com o Gong Sarang?
— … O que devo dizer?
— Diga a ele para… não, diga para instalar persianas se o Saebyeok estiver ficando no meu quarto, para providenciar equipamentos que mantenham a umidade em 50% sempre, e para trocar o travesseiro por um mais baixo que o que eu usava.
— …
Saebyeok era sensível e ficava estressado facilmente com qualquer mudança no ambiente. Ele mesmo parecia não perceber, mas sua ingestão de comida diminuía ou sua temperatura subia rapidamente.
Certamente, a essa altura, ele deve estar com fadiga acumulada por não conseguir dormir direito.
Gong Pyeonghwa pediu a transferência de responsabilidade com lágrimas nos olhos, algo que ele queria fazer há muito tempo.
‘Meu irmão era uma princesa e a ervilha?’
Não, não seria pior que a princesa e a ervilha? Noeul, que estava retrucando as palavras de Gong Pyeonghwa, parou o dedo por um momento diante de tanta superproteção.
Parecia muito repentino e indelicado enviar isso exatamente como estava.
Noeul enviou uma mensagem privada para Gong Sarang e depois repassou as exigências de Gong Pyeonghwa.
Veio uma resposta rápida dizendo que entendeu, e quando ele mostrou a tela, Gong Pyeonghwa parecia satisfeito.
— Já chega, certo?
— Obrigado. E mais um favor.
— … O que é?
— Me empreste seu celular por um momento.
Gong Pyeonghwa piscou de forma maliciosa.
— Isso… não pode! É contra as regras, e também…
— Quer que eu te deixe encontrar seu namorado agora? Sem ser pega? Legalmente? Sem deixar rastro?
— …
Secretamente, o sangue de um apaixonado corria nesta família. O sogro, que ele pensava ser um ciborgue com corrente elétrica no lugar de sangue, também travava diante do amor, e Shin Saebyeok, que só sabia estudar, não hesitava em se desviar do caminho enquanto namorava.
Deve ser o sangue de um terrível romântico correndo nesta casa.
— Como isso seria possível…
— Ha, esse cunha… seu cunhado tem um plano. Não confia no seu cunhado?
Como ainda não tinha descoberto um lado confiável, Noeul não podia ter confiança.
— Adolescentes podem brincar até as 10 da noite, não podem? Não é uma pena voltar às 8 horas? Mesmo que você não se importe, o namorado vai ficar muito chateado.
— … Eu também fico, sabia?
— A casa do namorado também é rígida?
— Não…
Então é só chamar que ele virá correndo alegremente.
— Vamos facilitar as coisas, senhorita. Hein? Cunhadinha? Hein? Hein? Hein?
—
Para. Meu eterno e adorável Saebyeok
—
O que será que eu estarei fazendo quando você ler este e-mail?
Estou preso na prisão que é a casa da família da minha esposa, cumprindo a pena do meu casamento, esperando o dia em que serei libertado enquanto sinto sua falta. Significa que estou vivendo bem, exceto pelo fato de você não estar aqui.
Como está o gosto da comida da minha casa? Eles não estão te alimentando demais? Gong Sarang não está sendo irritante? Lee Isul está bem? Será que você está dormindo bem? O tempo está meio instável, espero que não pegue um resfriado. Duvido que eles te tratem com frieza, mas se você se sentir assim, me avise. Vou chamar a polícia.
Não se preocupe comigo. Minha sogra é uma pessoa maravilhosa, e meu sogro só trava na frente dela. Em breve, pretendo conquistá-lo com meu charme!!!! Hahaha!!!!
Claro, como fizemos algo errado, agora sou um prisioneiro obediente, mas como não posso viver sem te ver por 101 dias, pretendo escapar em breve.
Essa proatividade não é uma das minhas qualidades?
Espero que você veja este e-mail, por hoje é só.
Estou com tanta saudade, meu amor ㅠ3ㅠ)♥♥♥♥
—
— Onde você vai?
— Ah, quero comer frango, mas é entediante ir sozinho, então vamos juntos para nos enturmarmos. Né?
Noeul balançou o pescoço rígido para cima e para baixo.
— Precisa de alguma coisa? Eu trago para você.
— Hum, não. Se comer tarde da noite, não vai digerir bem…
Era uma fala de preocupação, mas sua expressão não condizia com isso.
Era um rosto cansado que dizia: ‘Você não comeu tanto o dia todo, e até acabou de comer um éclair? O que mais vai caber aí?’.
— Onde você vai sair tarde da noite?
Diferente da senhora Lee, o presidente Shin demonstrou claramente seu desprazer.
— Estranho, né? Achei que você fosse gostar.
Claro, ele queria expulsá-los de casa dezenas de vezes ao dia, mas expulsá-los para quem?
— Se eu e Noeul não estivermos aqui, vocês dois vão… é… sabe?
O que os dois… Com um sorriso malicioso, o presidente Shin, que entendeu o significado das palavras de Gong Pyeonghwa ao ver as mãos formando um coração, levantou-se de um salto e gritou.
— Seu moleque!
— Kaha-ha. Já volto!
Gong Pyeonghwa riu como um moleque e saiu de casa arrastando Noeul.
— Ligue logo para o seu namorado e diga que vai comprar frango para ele. Ele vai sair correndo de alegria.
Foi assim comigo. Gong Pyeonghwa cantarolava alegremente enquanto ligava o carro.
Noeul, ao entrar no banco do passageiro, olhava alternadamente para o celular e para a mansão com um rosto inquieto.
— Como é seu namorado? Não, não tem nenhum significado especial. Mas já que os deixarei se encontrar a uma hora dessas, preciso saber quem ele é. Ele é do tipo que sai muito?
Se for assim, não pode. Perguntei esperando que ele fosse um amante puro.
Felizmente, Noeul, embora estivesse corando de vergonha, deu a resposta que Gong Pyeonghwa queria.
— Ele é apenas… gentil.
—
Ele disse que era gentil.
O rosto dele não é nada gentil.
Noeul, você… está saindo com um gângster?
Com um rosto rebelde e um olhar um pouco estranho, de qualquer forma, não era uma boa impressão.
— Quem é aquele tio ali?
Tio? Tiooo? É. Eu sou um tio mesmo. Um tio que até tem filho, é verdade! Se você se casar com ela mais tarde, terá que me chamar de hyung, sabia?
— Hum, prazer. O namorado da nossa senhorita tem uma impressão marcante.
— É um capacho?
O quê, moleque?
— Perguntei se é um mordomo ou algo assim. É um alfa?
Em seguida, ele exalava abertamente um feromônio de que não gostava de mim. Gong Pyeonghwa também estava um pouco irritado com o feromônio sem educação e tentou reprimi-lo…
— Não é isso, é… por uma questão de tratamento, ele é meu cunhado.
Cunhado.
Cunhado…
Era um tratamento que desanimava um pouco.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna