Autobahn Romance (Novel) - Capítulo 04
Autobahn Romance Vol 2 — P4
Gong Pyeonghwa abriu a janela. Ao colocar a cabeça para fora e olhar para baixo, pareceu ainda mais alto do que quando olhava do jardim mais cedo.
Você se pergunta se não bastava apenas abrir a porta e sair andando? Não dava. Havia câmeras de segurança demais dentro da casa e, assim que o horário do jantar terminou, guardas surgiram do nada. Estão brincando comigo.
Acham que vou desistir por causa disso?
— Eu consigo.
Gong Pyeonghwa acabou cometendo um ato digno de receber um aviso de “※ Crianças e adultos, não tentem isso em casa.”
—
Shin Noeul achou aquela atmosfera alegre estranha, mas ver a sua mãe parecer confortável a fez pensar que o que é bom, é bom.
A pessoa de quem o seu irmão gostava parecia ser, sem dúvida, alguém peculiar.
Sem dar muita importância, Shin Noeul sentou-se à escrivaninha e abriu o livro didático.
Enquanto revisava a matéria, um som estranho vindo de algum lugar chamou sua atenção.
Shin Noeul moveu-se em busca da origem do som. Vinha de fora. Como o som vinha do lado de fora, ela se aproximou da janela. Algo escuro podia ser visto do outro lado do vidro.
“O que é aquilo?”
No instante em que confirmou o vulto escuro, Shin Noeul levou a mão à boca, assustada. Por pouco não soltou um grito. Aquele vulto escuro era…
— Ah, haha… Cunhadinha, está estudando?
Era o seu novo cunhado, pendurado na janela demonstrando todo o seu descaramento.
—
— Consegui! Hahaha!
Deu ruim…
Fuga fracassada.
A parede era mais lisa do que ele imaginava. Foi o reIsultado de uma investigação prévia absurdamente insuficiente.
Vou analisar a causa da derrota de hoje e com certeza terei sucesso amanhã. Amanhã, enquanto estiver fazendo compras, preciso comprar magnésio. Gong Pyeonghwa fez uma promessa a si mesmo, já adicionando o item à lista de compras de amanhã.
Reflexão e verificação dos pontos de melhoria concluídas. Agora o problema era…
“Como posso cair sentindo menos dor?”
E, naquele exato momento, seus olhos se cruzaram com os de Shin Noeul.
Gong Pyeonghwa soltou um palavrão por dentro, mas manteve uma expressão simpática no rosto.
— Ah, haha… Cunhadinha, está estudando?
— O que… o que… o que… o que você está fazendo?
Não está vendo? Eu estava tentando me encontrar com o seu irmão sem uma passarela de cordas, falhei e agora estou me preparando para despencar a qualquer momento.
— Você conhece o extreme pull-up?
— N-Não…?
— É uma modalidade que está na moda nos Estados Unidos ultimamente.
A força nos braços já estava começando a falhar. Gong Pyeonghwa, deixando a etiqueta de lado, falou com a cunhada mantendo o rosto simpático.
— Posso entrar um instantinho?
— Ah… sim, sim.
Shin Noeul abriu a janela. Gong Pyeonghwa reuniu as forças que lhe restavam nos músculos, escalou as grades de proteção e entrou no quarto de Shin Noeul, no segundo andar.
Olhando para o novo cunhado que entrou em seu quarto girando os ombros, Shin Noeul sentiu a mente mais do que confusa; estava atordoada.
— Sabe, originalmente eu não sou alguém sem preparo físico assim, é que a minha mão escorregou. Cunhadinha, por acaso você teria giz ou carbonato de magnésio por aí?
— Não tenho, né. Geralmente as pessoas não têm isso.
— Que estranho, na minha época todos os jovens andavam com isso. Seria isso o choque de gerações?
Gong Pyeonghwa, que disparou aquele absurdo com a maior naturalidade sem nem mudar a cor do rosto, desejou boa sorte nos estudos com um gesto fofo de torcida e saiu do quarto com passos naturais.
Projeto Vivendo com a Sogra 101, o primeiro dia do aspirante a fugitivo Gong Pyeonghwa terminou de forma frustrante.
—
Shin Saebyeok achou que a noite passada com a família Gong não tinha sido tão ruim quanto imaginava.
Não sabia se era porque a família era naturalmente descontraída ou se era por causa da presença de Isul, mas ninguém o maltratou ou o fez se sentir acuado.
Embora o cardápio estivesse estritamente focado em carne, o que o deixou um pouco pesado, ainda assim estava saboroso e a atmosfera alegre era agradável.
— Cunhado, o que você viu no nosso irmão para chegar a se casar com ele?
— …Bem, eu gosto de tudo nele.
Como assim, de tudo o que há nele. Gong Sarang achava aquilo simplesmente fascinante.
— O Pyeonghwa puxou a mim, então a aparência dele é realmente excelente.
— Ah, sim. A mamãe tem toda a razão.
Gong Jeong e Gong Sarang concordaram com uma ponta de relutância.
Aquela expressão e o tom de voz faziam Saebyeok lembrar de Gong Pyeonghwa, o que o fazia sorrir com frequência.
Mesmo sorrindo, uma sensação amarga surgia. Encontrar os vestígios de Pyeonghwa na família era bom, mas o próprio Gong Pyeonghwa não estava ao seu lado.
A percepção temporal parecia indicar que já havia se passado um mês, mas na verdade apenas um dia tinha corrido. Significava que ainda restavam noventa e nove dias para poder ver Gong Pyeonghwa.
Desde o segundo ano do colégio, eles se viam todos os dias sem falta, e agora teriam que passar noventa e nove dias separados.
Além disso, viveram sob o mesmo teto e na mesma cama por oito anos seguidos.
Pensando bem, aquela era a primeira vez que se separava de verdade de Gong Pyeonghwa. Shin Saebyeok, que havia despertado como um autêntico romântico, sentia uma falta imensa de Gong Pyeonghwa.
Alguém poderia apontar o dedo dizendo que era um exagero absurdo por causa de apenas um dia sem se verem, mas não havia o que fazer.
Os pais de Isul sentiam muita falta um do outro, e os noventa e nove dias restantes pareciam cruéis demais para Shin Saebyeok.
— Vamos para o trabalho. Você vem comigo.
— Sim. Estou indo. Tchau, Isul, o papai já vai.
Tenha um bom trabalhooo. Como Gong Sarang e a senhora Kang foram até a sapateira se despedir imitando vozes fofas, Saebyeok curvou-se repetidas vezes em agradecimento antes de entrar no carro.
Sentado entre o presidente Gong e Gong Jeong, ele apenas movia os olhos de um lado para o outro.
— Você é um estagiário a partir de hoje, e se eu te pegar enrolando ou brincando, não vou perdoar. Ninguém sabe que você entrou por indicação, então nem pense em deixar transparecer.
— Com certeza.
Vou transformar esse vazio e essa solidão em capacidade de trabalho.
Vou mostrar o que é ser um workaholic.
Vou provar pessoalmente com que tipo de homem talentoso o seu filho se casou.
Shin Saebyeok firmou uma determinação um pouco diferente da de Gong Pyeonghwa.
No entanto, aquela determinação fraquejou ligeiramente assim que chegou à empresa.
— O estagiário chegou.
Assim que recebeu a designação do setor e entrou, o subgerente o cumprimentou e o gerente puxou a cadeira para ele.
“Parece que o mundo inteiro sabe que eu entrei por indicação.”
Na verdade, não tinha como não saber.
Embora as aparências não fossem parecidas, dizia-se que o segundo filho do presidente tinha cerca de vinte e oito anos, e receber um estagiário de repente logo após o término do período de contratação pública indicava claramente que se tratava de alguém da família do proprietário ou uma indicação equivalente.
E, acima de tudo, ele havia descido do carro em que o presidente e o diretor executivo vieram.
“É indicação.”
“Com certeza é indicação.”
“Nesse nível, não é nem paraquedas, é uma asa-delta.”
O herdeiro da empresa concorrente, Shin Saebyeok, suspirou por dentro, cumprimentou o seu supervisor e acessou a intranet da empresa para verificar o diário de trabalho detalhadamente.
Como parecia óbvio que não lhe dariam tarefas, ele precisava procurá-las por conta própria.
Depois de entender a dinâmica do trabalho, já era hora do almoço.
A fome era um fator, mas enquanto arrumava a mesa pensando em quão saboroso seria o restaurante interno da empresa concorrente, a luz do mensageiro interno piscou.
[Diretor Executivo – Gong Jeong: Vamos almoçar juntos ^^~]
[Diretor Executivo – Gong Jeong: O presidente está chamando para irmos juntos ^^~]
Será que o meu sogro não sabe o significado de manter uma indicação em segredo?
—
— Cof. O que vamos comer no almoço hoje?
— Esse tipo de coisa geralmente quem escolhe é o mais novo.
O presidente Gong e Gong Jeong atacaram passivamente, fixando os olhos abertamente em Saebyeok.
— Decidir o cardápio do almoço não é tarefa do mais novo?
— Sendo estagiário, pode-se dizer que ele está na base mais baixa da hierarquia.
A mente de Shin Saebyeok trabalhou em alta velocidade.
“Certo, eles não estão esperando nenhum reIsultado profissional de mim, eles querem avaliar a minha integridade humana. É isso. Se quisessem reIsultados, teriam me dado um cargo alto em vez de uma vaga de estagiário.”
Sendo assim, que tipo de cardápio ele deveria escolher?
A faixa de preço? O tamanho do restaurante? Mesas com cadeiras? Mesas no chão? Qual comida seria adequada para o almoço? Qual atmosfera o sogro preferia? Que tipo de comida o sogro gostaria?
Havia pouquíssima informação disponível. E, mesmo neste exato momento, o tempo do almoço estava diminuindo.
Comida coreana? Chinesa? Japonesa? Ocidental? Risque a ocidental. Tirando a ocidental, sobra coreana? Chinesa? Japonesa? Os restaurantes coreanos por aqui são basicamente de sopas com arroz ou pratos comerciais simples. O chinês fica cheio demais. O japonês parecia que não deixaria uma boa impressão.
“Pyeonghwa, me ajude.”
E então, como um milagre, a voz de Gong Pyeonghwa ecoou em sua mente.
“Querido, vamos lá quando a gente voltar para o país. O arroz com tartare de carne bovina e a sopa de carne com nabo de lá são incríveis. O tempero do tartare também é limpo, então acho que você vai gostar. Arroz com tartare. Arroz com tartare. Arroz com tartare. Vamos comer arroz com tartare. Hein? Hein? Hein? Vamos comer arroz com tartare, vai.”
A voz de Gong Pyeonghwa estava barulhenta. Já entendi, então se acalme.
Não fazia ideia da preferência do sogro ou do cunhado, mas Gong Pyeonghwa parecia estar com vontade de comer arroz com tartare de carne bovina.
— O que acham de arroz com tartare de carne bovina?
—
— Sogra. Sogra.
— Sim?
— Isso aqui é o meu coração.
Gong Pyeonghwa tirou um estalo de dedos em formato de coração do bolso. Diante daquele coraçãozinho simples, a senhora Lee sorriu como uma adolescente e gostou.
Gong Pyeonghwa gostava da sogra. A forma mansa de falar lembrava Shin Saebyeok. E, acima de tudo, porque enquanto descascavam as frutas ontem, ela aceitou o seu pedido de comer kimchi de broto de couve em vez do kimchi de acelga comum hoje.
A mesa do café da manhã acompanhada de uma aromática sopa de pasta de soja, o kimchi de broto de couve fresco, um omelete enrolado espesso, carne bovina cozida em soja, folhas de gergelim temperadas, anchovas jovens fritas nutritivas, algas temperadas, batata em tiras refogada e até alga marinha tostada foi emocionante demais.
Independentemente de Gong Pyeonghwa disparar corações generosos ou não, o presidente Shin estava consideravelmente aborrecido.
“Esse moleque fica jogando corações para a mulher dos outros?”
Era de uma leviandade sem tamanho. Parecia ter uma forte inclinação para o flerte. Para um sujeito do tipo gigolô como aquele, o seu filho era areia demais para o caminhão dele.
Porém, chamar a atenção dele no meio da refeição perguntando por que ele ficava fazendo corações com os dedos era um pouco indelicado.
— Muito obrigado! Vou comer muito bem!
Se sentisse alguma segunda intenção ele teria dado uma bronca daquelas, mas parecia ser puramente porque estavam lhe dando comida gostosa…
Comer duas tigelas poderia ser uma atuação para parecer bem-educado, mas esvaziar quatro tigelas demonstrava, sem dúvida, autenticidade.
“Será que ela gostava de pessoas que comiam bem?”
O presidente Shin, não querendo perder para Gong Pyeonghwa, esvaziou sua tigela em silêncio.
Ele comeu mais do que o habitual, o que o deixou com a sensação de estômago pesado. Mesmo assim, vendo que sua esposa parecia feliz, o presidente Shin terminou de se preparar para o trabalho com orgulho interno e partiu para o escritório hoje também.
Ou melhor, pretendia partir.
— Sogro!
Em vez do seu próprio filho, que ele não acharia ruim mesmo se o colocasse nos olhos, o maldito moleque da família Gong disse com um sorriso radiante.
Estendendo as palmas das mãos largas e grossas de um jeito que tentava parecer fofo, ele pediu com a maior cara de pau:
— Me dá o cartão, por favorzinho.
— …
— Sabe, o sogro disse que me daria o cartão para as despesas da casa, mas ainda não me deu?
Por que esse sujeito conseguia ser tão irritante? Certamente por ser um filho da família Gong?
O presidente Shin, com o rosto hesitante, tirou um cartão da carteira e o entregou. Era o cartão com o menor limite entre os que possuía.
— Sogra! Sogra! Eu consegui o cartão do sogro! Vamos fazer compras mais tarde!
O que ele disse. O presidente Shin vasculhou a carteira novamente, tirou um cartão de crédito com limite alto e o trocou pelo cartão que estava na mão de Gong Pyeonghwa.
— Cada vez que você usar o cartão, o extrato chega por mensagem de texto para mim, então nem pense em fazer bobagens.
— Ah, com certeza. Com certeza.
Gong Pyeonghwa fez o maior espalhafato segurando o cartão de crédito.
“O sogro é mesmo… fo-fo.”
Gong Pyeonghwa achava que começava a entender quem Shin Saebyeok puxou.
“O nosso Saebyeok é o reIsultado de misturar o sogro e a sogra na proporção áurea. Incrível!”
Gong Pyeonghwa se despediu do sogro e passou um tempo agradável com a sogra.
Como hoje era o dia em que o instrutor de ioga vinha, eles fizeram ioga juntos na sala de ginástica do quarto andar.
— Nossa, senhora. É alguém que nunca vi antes por aqui. É o seu filho?
— Não é meu filho… é o meu genro.
O meu… genro? Existiria uma palavra que fizesse o coração apertar mais do que essa. Declaro esta como a segunda palavra mais emocionante do ano escolhida pela Gong-Picks.
— Você ganhou um genro! Meus parabéns.
— Sim, eu sou justamente o primeiro genro da senhora Lee Yunseol. Estou muito feliz por poder receber os seus ensinamentos, instrutor.
Na aula que se seguiu, embora o instrutor continuasse exigindo posturas impossíveis, Gong Pyeonghwa seguiu o ritmo o máximo que o seu corpo permitia.
— Sogra, a senhora é realmente uma gênia da ioga. Uau. O toque da mão da sogra vinha da sua flexibilidade, então.
— O que você quer dizer com…
Sempre que Gong Pyeonghwa soltava um absurdo sincero, a expressão que surgia no rosto da sogra era muito parecida com a de Saebyeok quando parecia dizer “o que ele está falando…”. De repente, Gong Pyeonghwa sentiu uma saudade imensa de Shin Saebyeok.
Queria ver o rosto, ouvir a voz, ou ao menos ver a sombra dele.
Hoje eu vou fugir de qualquer jeito. Gong Pyeonghwa firmou um compromisso interno.
—
O arroz com tartare de carne bovina foi um sucesso.
Graças ao preço elevado para um almoço de trabalhadores, o restaurante não estava barulhento e o sabor era refinado.
No momento em que o sogro comentou que a sopa de nabo estava revigorante, ele cerrou o punho por baixo da mesa sem perceber.
Exceto pelo erro involuntário de empurrar a comida para Gong Jeong, que estava sentado ao seu lado, ele achou que não havia cometido nenhuma grande falha que justificasse uma perda de pontos.
— Havia tempo que eu não comia com tanto gosto. Não é verdade, pai?
— No ambiente de trabalho, exijo que me chame de presidente.
— Que isso, em pleno horário de almoço que nem conta nas horas de trabalho. Ai, ai. Não posso nem chamar de pai. Que tristeza, que tristeza.
— Chega! Nenhum desses filhos me agrada!
O presidente Gong soltou um resmungo contínuo e entregou o cartão para Gong Jeong.
— Vá comprar uns cafés.
— E o meu?
— Compre com o seu próprio dinheiro, moleque.
— Não posso chamar de pai, mas na hora de rachar a conta ele aceita. Que humilhação.
Aquele sujeito não seria o Gong Pyeonghwa mais velho? O tom de voz era mais formal, mas olhando os comentários que ele soltava, era a cópia cuspida e escarrada de Gong Pyeonghwa.
— Ei, estagiário Shin, vamos comprar o café?
— Sim.
Atrás dele, podia-se ouvir a voz do presidente Gong resmungando que onde já se viu chamar um estagiário em pleno horário de almoço que nem contava nas horas de trabalho. Dizendo que aquilo era pura hipocrisia.
Gong Jeong entrou na cafeteria rindo abertamente. Saebyeok o seguiu logo atrás.
— O que vai querer? Escolha o mais caro. Peça com calda de chocolate tripla, adicione sorvete, adicione raspas de chocolate, adicione amêndoas e adicione uma dose extra de café também. É assim que a gente tira o couro do sogro.
Gong Jeong, que acrescentou todo tipo de opcional a um único café transformando-o em uma bebida de 14.700 wons para tirar o couro do próprio pai, achou que aquilo não bastava e escolheu de forma proveitosa madeleines, macarons e os doces que estavam expostos na vitrine.
— Está meio perdido por ser o primeiro dia, né? Bem, mais do que perdido, você deve estar sem graça porque está fácil demais.
— Um pouco.
— O meu pai também é uma piada. Diz que a indicação é segredo, mas a gente chega e sai junto e ainda chamo você para almoçar separado, como é que isso não vai ser indicação? Ele está praticamente fazendo um anúncio publicitário da indicação.
Exatamente o que eu penso.
— Então não fique com vergonha e gaste o cartão sem dó. Compre tudo o que tiver vontade de comer. Nossa casa pode ter seus defeitos, mas não somos pão-duros com comida.
Na verdade, Saebyeok já estava com o estômago excessivamente cheio para conseguir empurrar uma sobremesa.
Mesmo assim, com medo de perder pontos se ficasse beliscando a comida, ele a empurrou para dentro meio que à força. A comida estava saborosa, mas a quantidade era o problema.
Como Gong Pyeonghwa comia duas porções e meia sempre que ele comia meia porção, ele nunca precisava comer além da conta, mas a ausência de Gong Pyeonghwa fez o seu estômago sofrer.
Saebyeok achou que deveria pedir apenas um americano gelado simples e falou com naturalidade:
— Um americano gelado e…Pyeonghwa ama aquele sorvete com favo de mel… ah.
— Entendi. O Gong Pyeonghwa costuma comer sorvete de sobremesa sempre depois das refeições, né. Então foi por isso? Aquele momento em que você separou a comida para mim mais cedo.
O calor subiu intensamente pelo seu rosto.
Não foi por querer, mas como era algo tão habitual, acabou acontecendo de forma inconsciente.
Sempre que comia com Gong Pyeonghwa, era necessário um processo de verificar o que ele iria comer e se havia algo que ele ainda não tinha provado e gostaria de tentar, e como Gong Pyeonghwa sempre se sentava ao seu lado, era natural cuidar da pessoa ao lado.
— Que éeeepoca boa.
— …
Ele se perguntou se aquela era a sensação de olhar para o Gong Pyeonghwa no primeiro ano do colégio. Sentia como se o cunhado tivesse um certo… talento para deixar as pessoas irritadas.
— De qualquer forma, boa sorte no turno da tarde também, estagiário Shin.
—
— Sogra, sogra. Quais acompanhamentos a senhora vai comprar para o jantar hoje?
— Bem…
Gong Pyeonghwa perguntou enquanto dirigia. Por favor, carne hoje no jantar. Carne. Carne. Carne.
— Nós não poderíamos comer lula desidratada desfiada com tempero apimentado e sopa de algas com carne bovina hoje no jantar? Ou então carne cozida em soja, ou lula com barriga de porco grelhada…
— Pode ser.
Gong Pyeonghwa gostava demais da sogra. Ela temperou o broto de couve sem hesitar e agora disse que faria a lula desfiada com tempero apimentado também. Disse que faria a carne cozida em soja e a lula com barriga de porco grelhada também!
— A senhora é a melhor, sogra. Eu nem consigo desfranzir a testa sempre que como. De tão gostoso que está.
— Quanto exagero.
— Não, não é exagero, é sério. Está gostoso de verdade. Sinto culpa e alegria ao mesmo tempo toda vez que como.
Dava para entender a alegria, mas por que sentiria culpa? Antes que a senhora Lee pudesse perguntar, Gong Pyeonghwa segurou o cenho de forma mesquinha com o polegar e o indicador e disse:
— Ah. Fico comovido com o amor profundo ao pensar que o Saebyeok comeu esse tipo de comida maravilhosa a vida inteira e, mesmo assim, aceitou comer o que eu preparava… mas aí penso que eu dava aquele tipo de coisa para ele comer… Quão terrível deve ter sido… Sinto culpa pelo Saebyeok ter renunciado ao paladar por causa do amor.
Aquele descaramento natural era engraçado, mas o afeto pelo seu filho que transbordava nas palavras do genro a deixou tranquila.
— Você sempre preparava as refeições sozinho?
— Geralmente nós fazíamos juntos, mas durante o heat do Saebyeok ou quando ele estava grávido, é claro que eu tinha que fazer tudo. O corpo já estava exausto, e ele ainda tinha a tese, os projetos, a mente já estava um caos, como ele daria conta das tarefas domésticas além disso.
Sendo o mesmo processo, certamente Gong Pyeonghwa também teve que escrever sua tese e assumir projetos…
Quando a senhora Lee perguntou, Gong Pyeonghwa falou sem dar muita importância.
— Mas contratar um ajudante seria… como a senhora sabe, o Saebyeok é, bem, muito tímido, né? Hehe. E como eu sou um alfa, fico perfeitamente bem mesmo sem dormir por uns quatro dias. Começa a ficar um pouco difícil se passar de uma semana, mas…
— Mesmo assim, deve ter sido cansativo para os dois da mesma forma.
Ela ficou preocupada pensando se o seu filho não teria causado transtornos. Se não contrataram um ajudante, com certeza foi por causa do Saebyeok… O coração da senhora Lee ficou pesado.
— Eu não tenho nenhuma reação adversa grave, então basta tomar o supressor antes do rut chegar, mas o Saebyeok tem uma certa reação de rejeição a medicamentos, sabe? É melhor eu acalmá-lo com os meus feromônios enquanto cuido das tarefas de casa de uma vez, do que fazê-lo tomar remédios. Quando a frustração bate, o melhor mesmo é movimentar o corpo…
Era melhor passar o aspirador de pó ou dobrar as roupas do que ficar aguentando o desejo cravando as unhas na coxa.
Gong Pyeonghwa falou sem pensar muito por ser algo habitual para ele, mas a senhora Lee não pôde receber aquilo sem pensar muito.
— Reação de rejeição a medicamentos?
Era a primeira vez na vida que ouvia falar sobre aquilo.
— Ah…? A senhora não… sabia? Ah, bem, não é nada de outro mundo, é só que o remédio dava um pouco de sono nele e a eficiência do trabalho caía… algo desse tipo.
Gong Pyeonghwa, que tinha um bom faro, reduziu a gravidade da história. Sabia perfeitamente que se contasse tudo tintim por tintim, ela apenas ficaria preocupada e se culpando.
— …Eu não sabia. Ele nunca me disse…
Ela parecia estar bastante chocada mesmo agora. Gong Pyeonghwa continuou a conversa com naturalidade.
— Ah, mas bem, não tinha como ele contar. Desde a época do colégio ele parou com os remédios e comigo, cof, cof, feromônios, cof. Enfim, cof, nós cortamos os remédios. Ele precisava fingir que tomava os remédios para podermos esconder o nosso relacionamento. É normal a senhora não saber.
A senhora Lee aceitou as palavras de Gong Pyeonghwa, mas ficou chocada novamente.
— Desde a época do colégio?
— Naquela época era estritamente platônico. De verdade. Nós dávamos uns beijinhos, mas juro que nunca tivemos relações físicas. Foi só depois que ficamos adultos… nos Estados Unidos… De verdade…
É claro que houve momentos em que quase cruzamos a linha, momentos em que tive vontade de cruzar! Mas não tive coragem de cruzar.
— Como foi que vocês dois começaram a namorar?
Gong Pyeonghwa narrou a história de amor dele e de Shin Saebyeok até chegarem ao shopping.
A primeira impressão na infância, a história de como desenvolveu um certo complexo de inferioridade por estarem no mesmo distrito escolar depois disso, o fato de Saebyeok ter puxado assunto primeiro quando entraram no colégio, o momento em que desfizeram os mal-entendidos e começaram a sentir atração mútua, até finalmente começarem a namorar.
— Ficou surpresa por ser mais saudável do que parecia, né?
— …
A senhora Lee apenas pigarreou em silêncio. Olhou para o celular por vergonha e, contrastando com o constrangimento, ficou melancólica.
Gong Pyeonghwa, que estava estacionando, percebeu aquela mudança imediatamente.
— Aconteceu alguma coisa? Por acaso disseram que houve algo com o nosso Saebyeok? Ou com a Isul? Será que a Isul não quer comer porque está sem o papai?
Surpreendentemente, Isul estava comendo ainda melhor do que o habitual.
— Não, não é isso… É que o meu marido e a Noeul disseram que vão jantar fora hoje antes de voltar.
O dono da casa tentava fazer as refeições em casa o máximo possível, mas mesmo o cargo de diretor executivo trazia horas extras inevitáveis de vez em quando.
A sua filha Noeul também passou a jantar fora com os amigos com muito mais frequência, fazendo com que a senhora Lee tivesse que fazer suas refeições sozinha com bastante regularidade.
Sempre que comia sozinha a comida que preparava naquela casa enorme, sentia um vazio e uma solidão.
Pensou que hoje seria mais um daqueles dias.
— Mentira! Mentira. Que sorte. Então vamos comer fora. Vamos comer fora. Vamos comer fora. O que a senhora gosta, sogra? O que a senhora não come? Vamos comer algo gostoso, algo gostoso! Vamos comer comida feita pelos outros! Nossa. O que tem de gostoso por aqui? Tem algo que a senhora queira comer?
Como alguém conseguia ser tão agitado!
— Sogra. Sogra. Sogra. O que a senhora vai querer? O que tem de gostoso perto daqui? Quer que eu segure alguém que está passando na rua para perguntar? Ah, é que estou sem celular e não posso pesquisar. A senhora sabe que não estou fazendo isso para pedir o celular emprestado, né? A senhora sabe que não estou apelando para a pena ao dizer que estou sem celular e não posso nem falar com o Saebyeok, né?
Teria sido melhor se ele não tivesse dito nada…
— Sogra, o que a senhora vai querer comer? Tem algo que tenha vontade de comer?
— Eu não tenho nada em mente… E você, genro Gong?
— Caramba… A palavra genro Gong, a sonoridade e o ritmo são perfeitos demais, não acha?
O que ele está falando… A senhora Lee ouviu os elogios intermináveis de Gong Pyeonghwa com o rosto um tanto cansado.
— É como se fosse uma ponte ligando a mim e a senhora, quando a senhora me chama de genro Gong, eu finalmente me torno uma flor.
O sentimental Gong Pyeonghwa ficou comovido com as próprias palavras e mergulhou profundamente na emoção.
— Pois… sim…
Será que o seu filho gostava desse lado dele? Ou gostava dele apesar desse lado?
Pelo menos no sentido de não dar espaço para a pessoa se sentir solitária, ele era sólido.
— Sogra, então o que nós vamos comer? Vamos comer algo que dê preguiça de fazer em casa. O que acha de fritos ou peixe cru ou algo desse tipo?
— Acho que não vai fazer bem para a saúde…
— Mas comida coreana… Eu já não tenho mais volta.
O que não tem volta. Diante da expressão séria de Gong Pyeonghwa, a senhora Lee achou que houvesse algum problema com a comida coreana.
— Se não for a comida da sogra, a comida coreana já não parece comida coreana para mim. Tem o mesmo gosto da comida que eu comia na Koreatown. Sinto que não é esse o sabor. É um grande problema. Com certeza.
Que absurdo, sério.
Mas não era desagradável. Se não por outra coisa, ela sentia alívio ao pensar que ele faria o seu filho viver com um sorriso no rosto.
— Eu realmente queria saber, a família inteira não come fast-food ou produtos instantâneos?
Gong Pyeonghwa, cuja vida quase nunca esteve livre de condimentos químicos, achava estranhos aqueles cardápios compostos puramente por temperos naturais.
Desde a época do colégio ele achava que Saebyeok não tinha experimentado quase nada do mundo, e vendo agora, parecia uma tradição de família.
— Não chega a ser tanto, é que o Saebyeok tinha alergias tão graves que acabamos prestando muita atenção ao que comíamos, e acabou ficando assim.
Ao descobrir finalmente que a família inteira comia comida com baixo teor de sódio e natural por causa de apenas um Shin Saebyeok, Gong Pyeonghwa decidiu refletir.
“O nosso Byeok cresceu recebendo muito amor. E eu fui lá e o engravidei de primeira. Corrompi completamente o aluno exemplar que seguia o cardápio à risca.”
Gong Pyeonghwa declarou o dia de hoje como o dia da expiação e da reflexão, e decidiu respeitar a sogra que deu à luz o Shin Saebyeok.
— Entendi. Então tudo bem comer fora, certo? A senhora consegue comer coisas bem apimentadas? Tipo lula refogada apimentada.
— Sim. Eu como.
— E pés de galinha?
— …
Ela nunca tinha provado pés de galinha.
— Hummm. O que comer. Sogra, a senhora realmente não tem nada que queira comer? Não é todo dia que essa oportunidade aparece! Aquela comida que é difícil de comer sozinho, mas que você estava com vontade! Não tem?
Talvez por ter envelhecido e mudado de paladar, ou simplesmente por ter perdido o entusiasmo, as preferências da senhora Lee haviam sumido e ela não conseguia dar uma resposta clara e direta.
— Pergunte para o sogro.
— Sim?
— Sabe, o Saebyeok faz isso. Ele sabe que eu gosto de comer batata frita com sorvete por cima e sabe o tamanho do frango que eu prefiro quando comemos frango frito, mas ele mesmo não sabe do que gosta.
Ao contrário do que parecia, Saebyeok não gostava muito de comida saudável. Entre sanduíche e hambúrguer, ele preferia hambúrguer, e também gostava de fritos.
— A senhora pode não saber, mas o sogro talvez saiba. Quer apostar? Eu aposto que o sogro sabe…
As únicas coisas que ele podia apostar eram o cartão do sogro e a cueca que estava vestindo.
— Vou apostar o cartão do sogro.
— …
Porque apostar o cartão do meu marido.
— Sogra… que tal uma chance de contato?
— Chance de contato?
— Sabe, mesmo que eu não possa me comunicar diretamente com o Saebyeok, eu deveria saber o que ele comeu hoje, se a Isul está bem, não acha? Então, uma chance de contato! Não uma ligação, mas uma mensagem. Esse tanto não tem problema, tem? Por favor? Por favor? Por favor? Soooogra…
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna