Winter Field (Novel) - . ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02.7
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02 – Noite de Núpcias Tardia
Pt. 07
Em Oldenlant, o som da lenha queimando na fogueira desperta as pessoas, em vez de pássaros ou insetos. Como quando acordou da soneca da tarde, desta vez também foi o som do fogo que fez Rensley abrir os olhos lentamente. Seus cílios, que tremiam como se farfalhassem algumas vezes, finalmente se ergueram por completo.
Em vez de se levantar imediatamente, virou a cabeça. Sobre seu corpo nu deitado na cama, algo quente e macio estava cobrindo-o. Só quando se sentou lentamente é que percebeu que era a capa do grão-duque. A capa do soberano sobre si o assustou, e Rensley chamou o dono da peça.
— Alteza.
Ao ouvir a voz de Rensley, o homem que estava diante do jarro de água virou a cabeça. Vestindo apenas um roupão escuro, mais leve do que o normal, Gizel encontrou o olhar de Rensley.
— Não se levante.
Gizel aproximou-se da cama. Em suas mãos, uma grande bacia de água e uma toalha limpa. Colocando-a sobre a mesa de cabeceira, ele olhou para Rensley.
— Como está o corpo?
— Estou bem. Nada demais… nngh…
A mão tocou sua bochecha. Era um gesto como se fosse verificar sua temperatura, mas só isso fez Rensley gemer involuntariamente. Seus olhos estavam levemente vermelhos. Ele percebeu que os vestígios do ato sexual ainda não haviam deixado seu corpo. Parece que não dormiu tanto quanto pensava.
Assim que o ato terminou, sem retirar o membro, a segunda rodada começou. Rensley estava experimentando o orgasmo por penetração pela primeira vez. Ele achava que teria mais controle do que seu parceiro, que também era novato, mas o prazer desconhecido o tornara impotente.
O segundo orgasmo foi mais intenso que o primeiro, e o terceiro, mais intenso que o segundo. Quando a terceira onda o atingiu, enquanto estava por trás, ele esqueceu sua posição de vassalo e o empurrou com força. Gemendo alto, implorou para que parasse.
Agora tinha certeza. Gizel Zibedad na cama era um tirano, sem sombra de dúvida. Ele sussurrava pedindo desculpas, mas não parava. Puxando os ombros de Rensley, que chorava, ele penetrou ainda mais violentamente, e só depois de molhar seu interior mais uma vez é que o soltou.
A última memória antes de dormir foi ter soluçado impotente em seus braços, sem forças, e fechado os olhos. Enquanto Rensley relembrava esses momentos, Gizel, um pouco sombrio, disse:
— Desculpe. Eu devia ter tido mais paciência.
— Não precisa se desculpar. O senhor também é humano, e é difícil conter-se diante de um novo mundo.
Embora internamente o chamasse de tirano, Rensley, como um veterano compreensivo, estendeu a capa que o cobria. Já era vergonhoso tê-la deixado cair no chão, e agora a estava usando em seu corpo sujo, sem se lavar. Sentia-se como se estivesse, involuntariamente, desafiando a autoridade real. Mas Gizel estava tranquilo.
— Não está frio aqui, mas se a temperatura corporal baixar, é perigoso. Continue coberto.
— Não posso. Como ousaria…
— Há algum problema em a grã-duquesa usar a roupa do grão-duque? Deite-se de novo.
Ele mergulhou a toalha que trouxera na água. Puxou a capa novamente até os ombros de Rensley e, levantando apenas a parte de baixo, limpou a parte interna das coxas. Rensley juntou as pernas rapidamente.
— Está tudo bem.
— Não há banheira no laboratório. Mesmo que vá se lavar no quarto, é melhor fazer uma limpeza rápida aqui.
— Eu mesmo me limpo. O senhor não precisa fazer isso.
— Quem decide o que eu faço ou não sou eu.
— Se o senhor diz isso, não tenho o que dizer…
Ele já sabia que Gizel tinha uma personalidade teimosa. Se isso era uma ordem real, então era uma ordem real. Rensley não resistiu mais e entregou as pernas aos seus cuidados. A pomada derretida e os fluidos, misturados sem distinção, manchavam suas nádegas, coxas e abdômen. Gizel limpou-os com cuidado para não machucar a pele, mas logo franziu a testa.
— O sêmen não sai facilmente só com água. Melhor subir e tomar um banho direito.
Com aquela expressão excessivamente séria, Rensley não pôde deixar de rir.
— Não precisa ter tanta pressa, Alteza. Não é veneno. Não é de outra pessoa, é do meu corpo e do seu; não precisa agir como se tivesse tocado em sujeira.
Ao ouvir isso, a expressão de Gizel se suavizou. Pareceu sorrir levemente e então envolveu Rensley na capa novamente. Ele se preocupava mais com a capa que ia se sujar do que com o próprio corpo, que podia ser lavado.
— Vou me vestir. A capa vai ficar suja, então tire-a.
— Já que não é sujeira, qual o problema? É só lavar.
Claro que a roupa do rei também é lavada, mas essas palavras tão mundanas não combinam com a majestade de um soberano.
Percebendo que não adiantava reclamar, Rensley ficou em silêncio, e Gizel lhe trouxe água para beber. Depois de matar a sede, Rensley descansou um pouco, e o laboratório, onde ninguém falava, ficou silencioso.
— O corpo está bem?
A voz de Gizel quebrou suavemente o breve silêncio. Rensley, ainda com a capa, levantou-se da cama rapidamente. Deu alguns passos e sorriu.
— Como pode ver, estou ótimo. Ainda assim, um membro da ordem de cavaleiros não pode se mostrar tão fraco.
Na verdade, ele estava surpreso. Embora sua cintura e pernas estivessem fracas, o corpo escondido pela capa tremia ligeiramente. Era um cansaço diferente do que sentia quando estava de cama por causa da febre e da dor.
Mas isso melhoraria com descanso. Ele forçou um sorriso, mas logo se sentiu exausto; Gizel, que estava sentado ao lado da cama, também se levantou.
— Alteza!
E então ele ergueu Rensley, capa e tudo. Surpreso, o chamou, mas ele não respondeu. Quantas vezes já eram com essa? A menos que estivesse usando o dispositivo mágico, não parecia que ele se acostumaria a se locomover sem os pés no chão.
Antes que pudesse pedir para ser colocado no chão, Gizel, com Rensley no colo, sentou-se na poltrona onde passava muito tempo. Rensley, naturalmente, sentou-se em seu colo. Para não sobrecarregá-lo, ele se ajeitou, dobrando os joelhos, e o repreendeu:
— Alteza, sou um cavaleiro que deve servi-lo, não alguém que deve ser protegido por você. Se continuar assim, vai ser um problema.
— Mas agora você não está aqui como cavaleiro, está?
— Por que não? O papel de grã-duquesa é temporário, mas serei cavaleiro para sempre. Imagine se o senhor torcer o pulso, o pé ou a cintura ao me levantar, eu que sou um homem robusto. E ainda por cima, na minha presença. O comandante certamente perguntaria o motivo do ferimento, e se eu dissesse que foi por carregar Malocen, ele me trataria como um verme indigno de ser cavaleiro.
Gizel o observava com uma expressão sutil, entre impassível e divertida. Será que ele tinha dito algo errado? Tagarelando demais, era fácil dizer bobagens, então Rensley fechou a boca.
A mão de Gizel pousou sobre sua cabeça. Como seus cabelos estavam bagunçados, como um ninho de pássaro, por ter ficado deitado tanto tempo, ele os alisou lentamente, como se os arrumasse.
— Você pretende continuar como cavaleiro do castelo do grão-duque no futuro?
— Claro! Desde sempre quis ser cavaleiro.
— Mesmo depois que a nova grã-duquesa chegar?
— Servirei também a grã-duquesa, e quando nascer o herdeiro entre vocês dois, seja príncipe ou princesa, protegerei a todos. Nessa altura, já terei tirado a placa de aprendiz.
Depois de responder com entusiasmo, Rensley, assim que terminou, lançou um olhar de relance.
— Mas até lá, o senhor vai passar bons momentos comigo, combinado?
— Sim. Entendi, agora sente-se.
Um sorriso leve surgiu nos lábios de Gizel. Rensley retribuiu o sorriso com um sorriso tímido e, resignado, inclinou-se ligeiramente contra ele.
Gizel, com um olhar observador, fixou os olhos em Rensley e, baixando um pouco a voz, fez outra pergunta.
— Você não disse antes que, quando a nova grã-duquesa chegasse, iria viajar?
— Naquela época, eu ainda não era cavaleiro. Além de ser uma grã-duquess falsa, não tinha nada para fazer aqui; se tiver que sair desse lugar, terei que partir para encontrar outra coisa, não tenho escolha.
Rensley ergueu o olhar. As duas grandes sombras das pessoas sentadas perto da lareira se fundiam e se projetavam até o teto. A silhueta cinzenta e suave balançava lentamente, como uma folha de capim submersa.
Como muitas crianças, para Rensley, as sombras dançantes eram um velho brinquedo. Passou inúmeras noites imaginando todos os seres do mundo nas sombras projetadas pela luz das velas. Animais, plantas, lugares que só ouvira em histórias, formas que só vira em livros, pessoas que nunca conhecera, tudo isso.
— Mas é verdade que tenho muito interesse em aventuras. O mundo é tão grande, seria uma pena morrer sem poder pisar em lugares que não sejam os de sempre. Antes, por não ter condições, eu desistia, mas agora não… Fico curioso para saber como Ivet está se saindo em algum lugar desconhecido. Quando éramos crianças, costumávamos olhar mapas e livros juntos e sonhar. E o senhor? Às vezes tira férias ou viaja? Sei que é difícil para um rei se deslocar, mas por causa da diplomacia, às vezes precisa visitar outros países.
Gizel não respondeu imediatamente. Seu silêncio continha a hesitação de um contador de histórias decidindo qual conto contar a uma criança. Mas Rensley não era mais uma criança; ao contrário de quando era pequeno, não o apressou e esperou que ele falasse. A boca de Gizel se abriu lentamente.
— Quando chega a primavera… às vezes, deixo o castelo.
— Primavera?
— Sim. Na primavera, as coisas além da muralha entram em hibernação. As criaturas normais hibernam no inverno, mas elas param suas atividades na primavera e no verão. Nessa época, os guardas que estavam na muralha retornam a Roudequen. Quando a comandante Frida, a comandante da guarda, volta ao castelo, eu também posso me ausentar. Mas ainda falta muito para a primavera.
— As férias do senhor, então. Nesse caso, me leve junto.
— Talvez.
Gizel o puxou para mais perto. Rensley o abraçou, aproveitando. O colo do rei do norte era largo, firme e quente; a capa que envolvia seu corpo nu era macia e tinha o cheiro do vento das planícies secas.
Seja por dever de cônjuge, por afeição humana, ou porque o prazer recém-descoberto era irresistivelmente bom… Por qualquer motivo que fosse, ele era imensamente gentil com Rensley, e ele não tinha intenção de desperdiçar aquele momento doce com preocupações sem resposta.
Se o fim é inevitável, o melhor é aproveitar cada momento como se fosse o último. Envolto apenas em coisas quentes e aconchegantes, Rensley, como se estivesse contando um sonho que tivera na noite anterior, fechou os olhos e sussurrou vagamente.
— Na verdade, já pensei em, se tivesse a oportunidade, ir a Cornia com o senhor. Mas eu não posso mais voltar para lá, então não vai acontecer.
— Você quer voltar para Cornia?
— Não quero dizer que quero morar lá. Mas não poder ir e não ir são coisas diferentes. Ainda assim, é o lugar onde nasci e cresci, às vezes sinto falta. O rei decidiu tudo tão de repente que não pude nem me despedir dos meus amigos.
Envolto no calor, sentiu falta do frio. Do mar onde mergulhava sob o sol quente, dos momentos em que secava o corpo molhado na areia branca com as ondas quebrando, da sombra das florestas densamente verdes e da água gelada dos vales profundos.
— Não me importo com o resto, mas sinto falta de alguns ingredientes difíceis de encontrar para cozinhar e de não poder mergulhar. Especialmente em Cornia, usamos muito tomate na culinária, mas aqui não dá para encontrar tomate fresco… E eu nado muito bem. O senhor sabe nadar?
— Não. Nunca nadei.
— Se um dia formos para um lugar quente de férias, eu ensino você. Mais uma vez, serei seu professor.
Quando a voz de Rensley se tornou um murmúrio, a de Gizel ficou baixa e suave.
— Senhor Malocen, está com sono.
— Não estou.
— Vamos subir e dormir. Desculpe por ter te incomodado enquanto estava doente.
— Não estou doente, e o senhor não me incomodou. Foi muito bom, Alteza…
Gizel, em resposta, deu-lhe alguns beijos leves e, mais uma vez, o levantou no colo. Rensley pegou as roupas que havia tirado e pensou que deveria ir para o quarto andando, mas a verdade é que estava com sono. Já que a noite tinha sido assim, Rensley fingiu que não percebia e, pelo menos por hoje, decidiu se apoiar em seus braços.
Como no estábulo, num piscar de olhos, os dois estavam de volta ao quarto do grão-duque. Imediatamente colocado na banheira, Rensley, cochilando, sentiu as mãos que lavavam seu corpo com água quente e espuma de sabão. Ser servido no banho por um rei, que blasfêmia e luxo. Sentindo-se culpado, Rensley, como uma boneca de banheira, sentou-se quieto e, lutando contra o sono que insistia em fechar seus olhos, ergueu-os para olhar para Gizel.
Depois de lavar Rensley completamente, Gizel, como se tivesse deixado o próprio banho para depois, enxugou-o. Vestiu-o com um roupão macio e o deitou na cama.
Ao contrário da cama improvisada do laboratório, a cama do quarto do grão-duque tinha cortinas grossas ao redor, como paredes. A luz da lareira, que iluminava os rostos dos dois como se fosse dia, aqui ficava distante. O rosto de Gizel, escondido na escuridão, não era bem visível para Rensley. O homem, que estivera em silêncio, como se fosse desejar boa noite, chamou-o baixinho.
— Senhor Malocen.
— Sim.
— Obrigado por ter dito que me ama.
—…Sim.
— Por não poder retribuir as mesmas palavras… desculpe.
Rensley riu baixinho. O grão-duque, que era preciso e claro em tudo, era particularmente ambíguo nessa questão. Teimosias inconsistentes, que pareciam bobagens plausíveis, mas, pensando bem, não eram simples.
Mesmo que ele sentisse um pingo de sentimento semelhante por ele, não poderia torná-lo sua verdadeira grã-duquesa. O casamento de um rei é diferente do das outras pessoas. Ele estava em uma posição muito alta para simplesmente se deixar levar por um romance. Rensley já imaginava por que aquele homem direto não dava uma conclusão exata.
— Não precisa afirmar isso para que eu não me iluda. O senhor também não pense demais. Espero que, depois desta noite, até que se case novamente, possamos passar bons momentos juntos. Fui eu quem pediu, então não se preocupe com o resto.
—…É difícil entender o coração do senhor.
Ao ouvir isso, Rensley não pôde deixar de rir.
— Quem é difícil de entender é o senhor. Acho que não há ninguém tão simples quanto eu neste mundo.
Chega. O que é o amor, afinal? É apenas uma excitação passageira que se tornará uma boa lembrança com o tempo. Não era a primeira vez que conhecia alguém que ocasionalmente tocava seu coração. Naquela época como agora, Rensley não tinha a intenção de dar peso a esse sentimento.
A dor momentânea que fazia o coração pulsar, o vazio breve como se o vento soprasse dentro do peito, são como efeitos colaterais de se deixar levar pelo sentimento amoroso. Rensley Malocen não era tolo o suficiente para arruinar tudo por causa de uma dor dessas.
Olhe para si mesmo primeiro. Se ele mudasse de atitude e pedisse que ele se tornasse sua verdadeira grã-duquesa, suportando todas as provações?
Rensley hesitaria. Diante de ameaças à vida, ele resistia, mas diante de sentimentos profundos, talvez fugisse. Rensley Malocen, que tinha fama de ser leviano na Praça Celestine, não era feito para carregar o título de companheiro de um soberano.
Certa vez, enquanto se preparava para o teste de admissão, ele pensou que, com sorte, poderia encontrar um bom parceiro e constituir família. Mas a silhueta ao seu lado que ele imaginava vagamente naquela época… também não era Gizel Zibedad.
— Durma bem, Alteza.
Depois de dizer que não podia retribuir as mesmas palavras, ao desejar boa noite, Gizel, sem hesitar, puxou Rensley para seus braços.
Rensley deixou os outros pensamentos de lado e fechou os olhos. A voz baixa e gentil que respondia “durma bem”, o peso dos braços que o abraçava e o calor aconchegante. Pelo menos por enquanto, isso era o suficiente.
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↫─✧ Fim do Capítulo.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna