Winter Field (Novel) - . ₊ ⊹ Capítulo 01.3
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 01 – O boato sobre o casal de grão-duques
Pt. 03
A cerimônia de ingresso na Ordem realizada no dia seguinte foi muito diferente do que Rensley tinha imaginado.
Por se tratar da cerimônia de ingresso de uma Ordem que protegia o soberano, ele tinha imaginado um clima solene e sério. Como o exame oficial de ingresso já tinha terminado havia tempo, e a cerimônia de ingresso do grupo também já deveria ter sido realizada, sentiu-se até um pouco culpado por causar transtorno a tantas pessoas por realizarem outra cerimônia só para ele.
— Mais três cervejas aqui!
— Mais três coxas de frango também!
— Da próxima é você que dança comigo.
Mas, a partir do momento em que começou a festa de comemoração pela cerimônia, todo esse sentimento de culpa se evaporou por completo. O barulho animado martelava seus ouvidos o tempo todo.
Depois de terminada a cerimônia de ingresso, a Ordem se mudou para o salão de festas dos convidados e, desde o começo da tarde até agora, já passada a hora do jantar, continuavam sem parar a comer, beber, dançar e cantar numa festa longa e animada. Fazia tempo que Rensley não aproveitava uma festa assim, e desde há um bom tempo já estava ocupado demais rindo alto.
Claro que também houve uma parte solene. Depois de terminar o treino do dia, o comandante Anton Sorel reuniu toda a Ordem. Diante da tribuna ao norte, com a bandeira bordada com a besta invocada, o brasão da família real Zibedad, à esquerda, e a bandeira da Ordem com o símbolo do raio bordado, à direita, ele chamou o nome de Rensley, e os cavaleiros ergueram as lanças bem alto. Rensley andou por baixo do teto formado pelas lanças dos cavaleiros, ficou diante do comandante Sorel, trocou a saudação de cavaleiro e, por fim, escreveu ele mesmo seu nome no livro de registro da Ordem.
Não soube dizer se era sempre assim ou se era porque se tratava de uma cerimônia breve realizada apenas para uma pessoa, mas o Grão Duque não compareceu. Uma mulher que dançava e se divertia com os cavaleiros o repreendeu em tom de brincadeira.
— E se aparecer de repente uma horda de monstros invadindo, o que vocês vão fazer?
— Já teve alguma vez que a gente não conseguiu barrar essas coisas?
Um cavaleiro se gabou, e todos falaram animados, um por cima do outro. Em Oldenrant, não era preciso ser nobre para se tornar cavaleiro, e não havia distinção entre homens e mulheres. A afirmação do Grão Duque de que desperdiçar talento não era o modo de Oldenrant não fora um mero discurso vazio para ajudar Rensley a entrar.
Por isso mesmo, as pessoas que se divertiam junto no salão de festas também não se limitavam aos nobres, e o ambiente não era de formalidades rígidas. Várias pessoas que estavam hospedadas no castelo principal de Raudken vinham sem cerimônia e se juntavam à festa.
Como havia muita gente, mesmo sem músicos profissionais, pessoas que sabiam tocar instrumentos se revezavam, e a música não parava nunca. Depois de todos comerem até se fartar e ficarem um tanto bêbados, as perguntas das pessoas se sucediam, uma disputando com a outra.
— Rensi, as canções da Cornia são diferentes das daqui, né?
— São diferentes. Quer que eu cante uma?
— E a dança? A dança também é diferente?
— A dança também é diferente. Quer que eu ensine? Vou subir aí.
Diante dessas palavras, as pessoas aplaudiram. Gritando que ia ensinar uma dança da Cornia, Rensley subiu na mesa em que a refeição já tinha acabado.
— Eu! Dance comigo!
— Ren, comigo também!
Então, algumas das mulheres que assistiam também esticaram os braços apressadamente, dizendo que queriam subir. Rensley, fazendo suspense de propósito, puxou pelo braço e ergueu Tia, a ajudante com quem trabalhava junto na cozinha. Ela riu alto e se agarrou a Rensley. Segurando as mãos e a cintura, os dois ficaram bem próximos.
— Pronto, assim. Um, dois, três.
Tarará, tarará, tan. Cantarolando a melodia com a boca enquanto movia os pés, ela também ficou animada e acompanhou os passos de Rensley. Usando a mesa como palco para se mover para os lados, ninguém os repreendeu por falta de educação. O som de pratos batendo tilintantes, as risadas das pessoas e o som de palmas ecoavam ruidosamente pelo salão de festas.
— Que bonito!
— Rensi, é só arranjar uma boa mulher aqui mesmo e casar logo!
Em meio ao burburinho das pessoas, os movimentos de Rensley se interromperam de repente. Por causa da palavra “casar”, mencionada apenas de brincadeira, um frio percorreu suas costas de repente.
As risadas das pessoas, o som dos instrumentos do salão de festas, o tilintar dos copos batendo — coisas que até há pouco o deixavam com o ânimo elevado, tudo pareceu ficar distante de repente. Enquanto ele ficava parado, sentindo uma espécie de tontura, sem se mexer de repente, Tia, que dançava com ele, perguntou preocupada.
— Ren, você está bem? Bebeu demais?
— É, ah… desculpa. Acho que agora o álcool está começando a fazer efeito.
Rensley balançou a cabeça rapidamente e sorriu.
— Desculpa! Acho que estou meio bêbado. Alguém pra dançar no meu lugar!
— Ah, Ren! Que covardia!
Quando a dança parou de repente, Tia e os espectadores reclamaram, mas os bêbados novamente se ofereceram, um disputando com o outro. Batendo palma com uma dessas pessoas, Rensley desceu da mesa e saiu do salão de festas. Tia, que reclamava dizendo que ele era covarde, logo começou a rir de novo e dançar com o novo protagonista. Rensley vestiu o casaco e disse a Stan:
— Vou tomar um ar.
— Toma cuidado pra não pegar resfriado.
Dando as costas para o barulho, ele caminhou por um tempo até chegar perto da porta de entrada do castelo principal, onde já se sentia um vento frio mesmo a certa distância. Rensley encostou o rosto ruborizado na porta gelada.
Talvez por fazer tanto tempo, tinha se empolgado demais com a festa. Mesmo tendo conseguido viver como um Rensley Malocen comum, ainda não podia se descontrolar demais, mas, uma vez animado, não conseguia se controlar direito.
Ao tomar o vento frio, pareceu que a lucidez voltava. Rensley olhou para o céu noturno cheio de estrelas e soltou o hálito algumas vezes. A luz das estrelas vista do norte era ainda mais nítida e fria.
Era uma paisagem bonita, mas o brilho prateado e gelado parecia deixá-lo ainda mais com frio, então ele voltou o olhar para a janela da cozinha, que ainda estava com a luz acesa. De tanto beber e mal tocar na comida, sentia certa fome. Rensley se aproximou da cozinha e abriu a porta. A chefe de cozinha Reina já tinha saído, mas alguns cozinheiros que ficaram para a festa dos cavaleiros ainda estavam trabalhando.
— Boa noite. Posso ajudar em alguma coisa?
— Ai, Ren. Você já é membro da Ordem, não é? Não precisa mais fazer trabalho de cozinha.
— Ainda assim. Vocês estão trabalhando até tarde por causa da Ordem, não é mesmo? A comida no salão de festas já acabou toda. Vou fazer rapidinho e levar lá.
— Tá, tá. Se você fizer isso, a gente agradece.
As pessoas no salão de festas já estavam num clima de terem comido o suficiente, só bebendo, mas ninguém suspeitava de nada.
Rensley percorreu a bancada da cozinha sem que os outros cozinheiros percebessem, procurando e reunindo ingredientes que pudesse usar. Por acaso havia frango pré-assado. Ao provar um pouquinho, notou que ainda não tinha sido temperado com aquela marinada horrível de especiarias.
Rapidamente separou uns pedaços de frango e derreteu manteiga numa frigideira funda. Refogou um pouco de bacon, depois colocou a carne também, fritando até a superfície ficar bem crocante. Quando o cheiro apetitoso começou a se espalhar, adicionou de uma vez cenoura, chalota e cogumelo, refogando tudo junto. Ao temperar com sal, o cheiro adocicado dos legumes cozidos na gordura se somou, e a água na boca não demorou a vir.
Faltava tomate de novo hoje, uma pena, mas não tinha jeito. Rensley despejou um pouco de caldo de osso de frango sobre os ingredientes, abriu uma garrafa de vinho de cozinha e derramou também na frigideira, deixando o líquido cobrir bem o fundo. Não esqueceu tomilho, alecrim e folha de louro também.
Originalmente, teria que cozinhar em fogo baixo por bastante tempo para ficar realmente saboroso, mas hoje ele decidiu diminuir a ambição. Estava com fome, e se ficasse tempo demais parado diante do forno também chamaria a atenção dos outros cozinheiros. Rensley transferiu o frango, já reduzido na medida certa, para um prato grande. Pegou também garfo e faca.
— Então já vou levar!
— Tá bom, Rensi. Parabéns por entrar na Ordem. Se estiver com fome, apareça sempre que quiser.
— Obrigado a todos. Volto de novo.
Depois de fechar a porta da cozinha e sair para o corredor, seus passos ficaram apressados. Com o cheiro do frango recém-preparado, seu estômago roncava, roncava, cada vez mais insistente, mas Rensley não tocou nem a ponta dos dedos na comida.
Podia voltar assim para o salão de festas e deixar os colegas da Ordem experimentarem, mas… o fato é que, depois de tanto tempo cozinhando, a pessoa que veio à sua mente foi outra. Tinha se gabado dizendo que faria muitas comidas gostosas mesmo depois de passar no exame de cavaleiro, mas até agora não tinha tido oportunidade.
“Será que ele está no laboratório hoje também? Ou no quarto?”
De qualquer forma, agora podia entrar e sair sem se preocupar com os olhares dos outros. Rensley primeiro se dirigiu ao laboratório. Talvez fosse o clima animado que a festa lhe trouxera, ou o leve efeito do álcool, mas, diferente de ontem, quando mal conseguia encarar os olhos dele, agora sentia uma coragem crescente, como se pudesse tratá-lo normalmente, como sempre.
Embora tivesse coberto o prato, com receio de que a comida derramasse ou se espalhasse, desceu as escadas com cuidado e bateu de leve na porta. Mas nenhuma resposta veio de dentro.
Já tinha acontecido antes de abrir a porta do laboratório sem resposta e encontrar o Grão Duque dormindo lá dentro. Pensando que talvez fosse o caso de novo, tentou empurrar a porta, mas, hoje, ao que parecia, o lugar estava realmente vazio, pois a porta estava trancada.
Rensley ficou parado por um instante, segurando a maçaneta. Sabia que aquele laboratório subterrâneo não era um espaço exclusivo do Grão Duque, e que, durante o dia, era um lugar parecido com um escritório por onde vários magos transitavam. Mesmo assim, a situação de a porta estar trancada parecia peculiarmente estranha. Parecia que tinha se enganado, achando que era um local de encontro confortável com ele, sempre aberto para si mesmo mesmo tarde da noite.
Mesmo sem ninguém olhando, Rensley riu sem jeito, como se estivesse se sentindo observado, e voltou a subir as escadas.
“Se não está no laboratório, deve estar no quarto. Já deve ter acabado de jantar, então ainda não deve estar dormindo. Como normalmente ele come pouco, isso aqui deve ser suficiente.”
Ao chegar ao andar mais alto da torre principal, um guarda ajeitou a lança e barrou o caminho de Rensley.
— O que deseja?
— Sou Rensley Malocen, da Ordem. Gostaria de ver Vossa Alteza por um instante.
— Vossa Alteza já se recolheu para o quarto. Se quiser vê-lo, precisa da autorização do comandante Sorel.
— Ah, membros da Ordem não podem ver Vossa Alteza?
— Ver livremente sem autorização só é permitido a partir do mordomo-chefe para cima.
Rensley assentiu e virou-se.
Pensando bem, quantas pessoas ao todo fazem parte só da Ordem? Se até aprendizes como ele pudessem encontrá-lo livremente sempre que quisessem, isso causaria um grande problema de segurança.
O motivo pelo qual, até agora, tinha conseguido encontrá-lo livremente era porque se escondia atrás do vestido e do véu, fingindo ser a Grã Duquesa. Rensley Malocen, sem ser a Consorte, não podia encontrar o soberano deste país sem a permissão de pessoas de alto escalão — era, literalmente, apenas mais um morador de Raudken. Exatamente a posição que Rensley havia desejado e pedido.
No fim, arrastando os pés de volta ao próprio quarto, Rensley colocou o frango sobre a mesa e puxou uma cadeira para se sentar. Estava com fome, teve até o pensamento passageiro de comer tudo sozinho.
— Ah, é verdade.
O dispositivo de teletransporte mágico!
Rensley se lembrou do presente do Grão Duque, construído em um canto do quarto e coberto por um pano. Ainda não tinha usado nenhuma vez, mas justamente agora tinha vindo uma boa oportunidade.
Mas será que estava tudo bem usá-lo a qualquer hora só porque precisava? Se fosse uma porta, ao menos daria para bater, mas esse dispositivo nem tinha porta…
Refletiu por um instante, mas Rensley pegou o prato e se aproximou do dispositivo. Se fosse preciso pedir permissão toda vez, provavelmente não teria sido instalado desde o início. Foi o próprio Grão Duque Gizel quem disse para usar à vontade, então decidiu deixar a preocupação de lado.
Tirou da gaveta o pingente com a pedra mágica de acionamento que ele tinha preparado. Ao ficar em frente ao dispositivo, ficou um pouco preocupado com o estado do frango, no qual tinha empregado sua habilidade depois de tanto tempo.
“Será que, ao passar por esse dispositivo, a comida não vai ficar toda bagunçada… não deve ter efeito colateral assim, né?”
Segurando firmemente o prato com a tampa, ele aproximou o pingente do dispositivo. Uma sensação como a de cair de um lugar alto tomou seu corpo inteiro num instante.
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↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna