Winter Field (Novel) - . ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02.3
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02 – Noite de Núpcias Tardia
Pt. 03
Rensley se ergueu lentamente. Ao sentar-se, apoiando as costas no travesseiro, viu o rosto preocupado da aia-chefe Samlit.
— Tudo bem, Rensley?
— Sim, estou bem…
Morreu em batalha.
Embora não tivesse conseguido brandir espada ou escudo direito, caiu durante o combate, e cair em combate ainda é cair em batalha. Rensley bebeu o chá medicinal que a senhora lhe ofereceu e engoliu a frustração junto.
Seu desafio de tentar novamente no dia seguinte foi naturalmente cancelado. A noite anterior parece ter sido mais pesada para o corpo do que ele imaginava; ao acordar, Rensley sentia a cintura pesada e o corpo todo dolorido, mal conseguindo se mexer.
O lugar que mais doía era, como não poderia deixar de ser, a parte de trás onde ele havia forçado a entrada de algo grande demais. Na noite anterior, parecia até que estava melhor, mas ao acordar, a dor pulsante o atormentava. Com uma febre incomum, seu corpo estava completamente sem forças.
Felizmente, o banquete comemorativo da cerimônia de admissão havia sido realizado antes do feriado, então não havia treino da ordem de cavaleiros hoje. Se tivesse que faltar ao treino por causa da dor após o ato sexual, mesmo que inventasse outra desculpa, a vergonha seria insuportável.
— Você deve ter se divertido tanto no banquete que pegou essa gripe terrível. Eu pensava que Rensley era uma pessoa forte.
— Eu sou forte… Mas tudo, no começo, pode ser difícil…
— Mas não é a primeira vez que vai a um banquete, não é?
A senhora, que desconhecia os fatos, fez uma pergunta inocente.
Pela manhã, Rensley, ao acordar, escapuliu do lado do grão-duque e se vestiu. Quando Gizel, acordado pelo movimento, perguntou para onde ia, Rensley disse que era melhor voltar para seu quarto para não levantar suspeitas, e antes que ele pudesse detê-lo, subiu no dispositivo de teletransporte.
Já estava se sentindo mal, e o dispositivo só piorou a sensação de enjoo. Exausto, Rensley se jogou na cama da grã duquesa. Depois de resistir um pouco, percebeu que não adiantava ficar só deitado e puxou a corda ao lado da cama. Graças a isso, a senhora Samlit trouxe o remédio.
— Não conte a Alteza. Não quero que se preocupe.
— Se a grã duquesa está doente, o grão-duque deve saber.
— Ele está ocupado. Não é nada grave.
— A Alteza está em audiência agora. Talvez venha te visitar quando terminar?
— Diga que estou dormindo. Assim ele não virá.
Foi vergonhoso ter implorado para fazer, e depois ter que baixar a cabeça por estar com dor, e se ele descobrisse que estava de cama… só de pensar, dava vergonha.
— Já comeu e tomou o remédio, agora durma um pouco. É um remédio bom, a febre vai baixar logo.
— Não se preocupe. Uma gripe dessas, depois de dormir, já estou bom.
— Pelo jeito você está bem forte, não deve estar tão doente assim. Se precisar de algo, não hesite em chamar.
A aia-chefe deu o aviso e saiu. Rensley puxou o cobertor, cobriu-se e ajustou o travesseiro.
Sozinho, a noite anterior voltava à sua mente. O fracasso na cama às vezes rende história, mas o de ontem não daria nem para ser motivo de piada. Era uma vergonha que não poderia contar a ninguém.
Deitado, pensando bem, havia muitas coisas que ele havia deixado passar. Na noite anterior, levado pelo clima, até deixou escapar que amava o grão-duque, mas no final, não recebeu nem uma resposta parecida… Rensley franziu levemente a testa. Afinal, aquilo significava que o grão-duque não tinha nenhum sentimento desse tipo por ele. Beijar, concordar em consumar as núpcias, era apenas seu dever e respeito pela pessoa com quem estava casado; essa era a essência do que ele dissera.
“Mas, para alguém que só faz isso por dever, ele não foi bem ativo?”
Inclinando a cabeça, logo mudou de ideia. Se ele não tinha repulsa por sexo entre homens, não havia razão para ser passivo. Ele era o rei. Carregava muitas responsabilidades, mas, em troca, era a pessoa mais poderosa do reino, capaz de exercer todo esse poder.
Nunca ouvira falar de um rei que não fizesse o que queria no quarto. Já ouvira histórias de reis que tomaram criadas como amantes só porque gostaram de sua aparência quando carregavam baldes de água. Gizel também poderia, por um simples e momentâneo interesse, ter se envolvido ativamente com Rensley.
“Que seja. Ainda estou apenas um pouquinho interessado, certo? Eu sei que isso vai acabar quando a verdadeira grã-duquesa chegar.”
Forçando-se a manter o orgulho, as sobrancelhas de Rensley se franziram. Ele era um homem comum. Não entendia muito bem a mente de alguém que nunca sentira curiosidade sexual.
E se apaixonar por alguém cujo coração não se conhece era, francamente, uma estupidez.
O que despertou Rensley, que havia adormecido novamente, foi o som do fogo.
Parecia que novas lenhas haviam sido colocadas na lareira; o fogo, que havia diminuído, estalou e subiu. Provavelmente, perto da lareira, o pó dourado estava sendo espalhado. Meio adormecido, Rensley sentiu isso e abriu os olhos. O quarto, que estava claro quando ele tomou o remédio, agora estava escuro. Dormira mais do que pensava. Gemendo, ergueu-se e a toalha molhada caiu de sua testa.
— Senhora, parece que o remédio está fazendo efeito. Pode me ajudar a trocar de roupa? Suei e quero trocar.
— Sim.
Rensley, que resmungava sem nem abrir bem os olhos, se assustou com a voz que respondeu e se endireitou. O homem de capa preta que estava perto da lareira se aproximou.
— Alteza, por que está aqui…
— Disseram que você estava dormindo, então entrei para esperar até acordar. Posso ler meus livros aqui também.
Ele pegou a toalha da bacia sobre a mesa de cabeceira. Então, observou Rensley em silêncio.
— A aia-chefe me disse que o senhor Malocen não estava bem. Que estava com febre.
— Ah, sim. Ontem fiquei muito tempo no estábulo… acho que peguei um resfriado. O senhor também não se preocupou comigo no estábulo ontem? Disse que não era bom ficar muito tempo no frio.
O pano embebido em água morna, nem quente nem fria, tocou a nuca de Rensley, que tagarelava como se estivesse dando desculpas.
Gizel, sem responder, limpou o corpo de Rensley. Envolvendo-o com o cobertor para que não perdesse calor, tirou sua roupa, limpou o suor frio das costas e do peito, e vestiu uma nova camisola. Rensley, sentado quieto como uma boneca, admirou-o com um atraso.
— Alteza… o senhor também é bom em cuidar dos doentes. Não há nada que não saiba fazer.
— Meu pai ficou doente por muito tempo. Embora houvesse enfermeiros, às vezes eu mesmo cuidava dele.
Gizel colocou um travesseiro atrás das costas de Rensley, já vestido, e lançou-lhe um olhar severo. Sentindo-se repreendido sem ter feito nada de errado, Rensley fechou a boca. Gizel suspirou levemente.
— Parece que o senhor Malocen tem uma constituição frágil.
— O quê?
Frágil? Ele, frágil? Era a primeira vez que ouvia isso. Em Cornia, Rensley era famoso por ter um corpo forte, sendo o único que não adoecia quando todos os outros pegavam doenças.
— Da outra vez, também teve febre. Naquela ocasião, pensei que fosse apenas sensibilidade a remédios, mas vendo-o ficar de cama, é porque você tem uma constituição naturalmente fraca.
— De jeito nenhum! O senhor me viu durante o teste de admissão, viu como fui corajoso.
— Habilidade com a espada e equitação são coisas diferentes de saúde. Entre soldados e cavaleiros, há muitos que adoecem com frequência. Acho melhor não tentarmos mais o que fizemos ontem.
Rensley moveu os lábios algumas vezes, mas não conseguiu pensar em um contra-argumento convincente. Acabou apenas suspirando.
— Entendi. Na verdade… doeu tanto que não quero fazer de novo.
— Que bom.
— É melhor que o senhor consuma as núpcias quando se casar de verdade com a grão-duquesa.
Sem perceber, sua voz baixou. Rensley puxou lentamente o cobertor que havia escorregado até suas coxas.
— Desculpe, Alteza. Ainda estou cansado, vou dormir mais um pouco.
— Espere um momento.
Mesmo com a resposta um tanto ríspida, Gizel não pareceu se ofender. Ele apenas colocou a mão na testa de Rensley, acariciando-o aqui e ali, examinando seu corpo.
— O senhor não é médico, Alteza. Sabe como tratar?
— Chamou um médico?
— Como seria apenas uma gripe leve, pedi à senhora Samlit que me trouxesse um bom remédio.
— Entendo que para o senhor Malocen seria difícil contar ao médico o que aconteceu ontem.
Claro. Contar a um médico o que fez para pegar uma gripe? Melhor esperar a febre baixar sozinha, mesmo que demore alguns dias. Gizel pareceu pensar por um momento e então encontrou seu olhar novamente.
— Posso dar uma olhada na parte de trás do senhor Malocen?
— O quê…? Agora…?
Disse que não faríamos de novo, e agora isso?
Com os olhos arregalados diante das palavras incompreensíveis daquele homem imprevisível, logo veio uma explicação racional.
— Pode ser que a febre seja por causa de uma lesão na parte de trás.
— Não! Está tudo bem. Não me machuquei. Está perfeito. Eu mesmo verifiquei.
Rensley respondeu batendo com as costas da mão nas bochechas quentes. Ontem, ele mesmo verificou com a mão. Não estava rasgado nem aberto. Como havia uma dor surda, deve ter inchado um pouco, mas isso passaria com o tempo.
Assim como não queria ver um médico, também não tinha a menor intenção de agora mostrar o traseiro para o nobre grão-duque por causa de uma dor que o tempo curaria.
— Se descansar por um dia, melhora rápido. Não se preocupe.
Então, Gizel se virou para encará-lo diretamente. Com o rosto inexpressivo, ele disse:
— Está com vergonha?
—…Só estou dizendo que não é algo que precise de tratamento.
Rensley também conseguiu responder com compostura. Após um breve silêncio, Gizel, que estava sentado ao seu lado, levantou-se.
— Entendo. Descanse. Parece que hoje só consigo irritar o senhor Malocen.
— Não é isso…
Ele pensou que não tinha percebido. A voz de Rensley perdeu a força imediatamente. Só queria reclamar um pouco, mas parece que exagerou. Antes que ele fosse embora, acrescentou rapidamente:
— Não fiquei irritado. Como eu ousaria… Se pareci rude, desculpe-me.
— Todos ficam mais sensíveis quando estão doentes. Eu sei bem. Descanse. Preciso ir ao laboratório por um tempo, mas se precisar de algo, chame alguém a qualquer hora.
— Sim…
Ele só pôde assentir obedientemente.
No entanto, Gizel não se virou imediatamente. Depois de dizer que iria embora, ficou parado por um momento, depois se inclinou e puxou o cobertor um pouco mais para cima. O cobertor quente cobriu os ombros de Rensley cuidadosamente.
Enquanto ele se endireitava e se virava para ir embora, Rensley não fechou os olhos e apenas olhou para o teto da cama.
Enquanto piscava silenciosamente, ouviu o som da porta se fechando. Agora que tinha o dispositivo de teletransporte, ele poderia ir e vir sem usar as escadas, mas quando visitava publicamente o quarto da grã-duquesa, ele não usava magia. Como havia rumores de discórdia entre o grão-duque e a grã-duquesa, fosse intencional ou não, era uma escolha sábia.
Rensley fechou os olhos e tentou dormir. A menos que os efeitos colaterais do remédio o perturbassem, ele era do tipo que dormia assim que deitava a cabeça, tendo pouca relação com a insônia. Hoje, com o corpo cansado, dormiria ainda mais rápido.
—…Ufa…
Mas hoje não era esse tipo de dia. Depois de um bom tempo com os olhos fechados, Rensley suspirou e abriu as pálpebras. Era melhor estar com dor física do que ter algo pesado na mente; com preocupações, o sono não vinha. Rensley, que se revirava, acabou se sentando.
Pensando bem, era perfeitamente natural que o grão-duque não quisesse se unir a ele, e não era algo para ficar emburrado ou reclamar. Descontou sua frustração no senhor a quem deveria servir, e ainda foi repreendido. Como se uma espinha estivesse presa em algum lugar do peito, não importava a posição em que se deitasse, era desconfortável. Assim, talvez passasse a noite em claro.
“Vou pedir desculpas direito e aliviar isso.”
Rensley se levantou da cama. Embora estivesse doente, era apenas uma gripe leve. O remédio que a senhora Samlit lhe dera parecia ser bom, pois sua febre havia baixado bastante em comparação com a manhã, e a dor também melhorara. Não havia grande dificuldade em se mover.
Levantou-se, vestiu um roupão e foi em direção ao dispositivo de teletransporte. Como sabia o destino do grão-duque, não precisava perguntar a ninguém.
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↫─✧Continua….
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna