Winter Field (Novel) - . ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02.4
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02 – Noite de Núpcias Tardia
Pt. 04
Ao acionar o dispositivo, uma tontura vertiginosa o envolveu imediatamente.
Rensley quase caiu ali mesmo. A sensação de seu corpo, prestes a desabar, parar no ar era dez vezes mais estranha do que a tontura.
Gizel, que o havia imobilizado à distância com magia para evitar que caísse, aproximou-se apressadamente. Ajudando Rensley, cujo corpo estava endurecido como se estivesse paralisado, a se levantar, perguntou:
— O que aconteceu de repente? Quando o corpo não está bem, é melhor não usar o dispositivo.
— Desculpe. Usei esta manhã e achei que estaria bem…
Antes de pedir desculpas de verdade, teve que pedir desculpas de novo. Enquanto Rensley engolia a amargura, Gizel o carregou praticamente nos braços até a lareira. Sentou Rensley na poltrona que sempre usava para ler e perguntou novamente:
— O que houve?
Rensley o observou de relance e soltou as palavras que havia preparado.
— Há pouco… me desculpe, Alteza. Fui muito rude no quarto. Pensando bem, acho que cometi um grande erro, e vim incomodá-lo para pedir desculpas formalmente.
— Não ouvi nada que merecesse um pedido de desculpas específico.
Respondendo assim, Gizel assentiu. Por alguma razão, ele parecia satisfeito com a situação.
— Mas foi bom. Eu estava prestes a subir ao seu quarto.
— O quê? Por quê…?
Gizel foi até a longa mesa e parou. A mesa, coberta de reagentes, ervas, pedras mágicas e outros itens, já era familiar a Rensley. Foi naquela mesa que ele havia feito a poção para se tornar um gênio durante a preparação para o teste de admissão, e também o neutralizante para os efeitos colaterais.
Será que ele tinha ido ao laboratório para fazer remédio, e não por outros assuntos de estado? Ele pegou um frasco redondo e achatado e o estendeu a Rensley. Talvez fosse um remédio especial do grão-duque, ainda mais eficaz do que o chá medicinal que a senhora Samlit lhe dera.
— Achei que se não tratasse diretamente a ferida, o corpo não se recuperaria facilmente, então fiz uma pomada. Além disso, o senhor Malocen é membro da ordem de cavaleiros e precisa montar a cavalo; se a parte de trás não sarar rápido, atrapalhará o treinamento. Você sabe que tenho bastante conhecimento em magia e farmacologia. Será muito mais eficaz do que tomar um remédio receitado às pressas sem consultar um médico.
Ele não conseguia entender imediatamente o que ele dizia. Rensley o observou, atordoado, e então filtrou algumas palavras em sua mente.
Ferida… Pomada…?
Rensley sorriu amplamente.
— Ha ha ha! Eu lhe disse que a parte de trás está perfeita, mas o senhor está muito preocupado. Mesmo assim, agradeço por se importar. Vou levar para o quarto e aplicar.
— Como é na parte de trás, deve ser difícil aplicar sozinho. Vou aplicar para você.
— Não! Eu mesmo faço!
Sua voz se elevou naturalmente. Rensley se levantou da poltrona num pulo.
Bem, ele achou que tinha se levantado. O corpo de Rensley ainda estava sob o efeito da magia de paralisia de Gizel, que o havia impedido de cair. Por mais que tentasse se apoiar nos braços da poltrona e se erguer, ele apenas se movia ligeiramente, e suas nádegas não se separavam do assento. A fala de Rensley se acelerou.
— Alteza, eu consigo fazer. Juro que não é difícil. Olhe meus braços. São longos o suficiente, não são? E tenho mãos perfeitamente funcionais. Aplicar uma pomada nas costas é algo que posso fazer muito bem. Então, por favor!
— Pare de se debater. Preciso ver qual é o estado para poder tratar, não é?
— Não está sangrando nem rasgado. Isso é completamente desnecessário. Ah!
O corpo de Rensley, que estava sentado, foi erguido. Gizel o havia pegado no colo com facilidade. Meu Deus. Lembrou-se reflexivamente do dia em que, vestido com o traje de casamento da grã-duquesa, ele o carregou escada acima. Embora a posição em que o carregava fosse diferente, a vergonha era a mesma. Rensley queria cobrir o rosto, mas agora nem conseguia mexer as mãos.
— Alteza, me coloque no chão…
Gizel o colocou em uma cama improvisada ao lado da poltrona. Parecia ser a cama que ele usava para dormir no laboratório de vez em quando.
Não era tão grande quanto a cama do quarto, e não tinha cortinas ao redor, mas estava coberta por várias camadas de cobertores e peles bem tratadas, sendo macia, aconchegante e quente. Como ficava no subsolo, não havia correntes de ar, e perto da lareira, o calor chegava diretamente, sendo mais quente do que se estivesse com cortinas.
Deitado de bruços na cama, Rensley tentou desesperadamente se mover, mas seus membros apenas se contraíam levemente; era impossível até mesmo rolar ou engatinhar como uma criança. Isso é um absurdo. Rensley rangeu os dentes com raiva.
— Não sabia que o senhor era um tirano assim. Retiro meu pedido de desculpas.
— Eu disse que meu pai ficou doente por muito tempo. Foi quando aprendi: ouvir tudo o que o paciente diz e cuidar dele ao mesmo tempo é impossível. Às vezes, é preciso forçar um pouco o tratamento.
— Eu disse que não preciso de tratamento!
— Como o senhor Malocen pode saber disso? Você não é médico, é?
Apesar da resistência não tão resistente de Rensley, Gizel simplesmente fez o que queria. Rensley sentiu vividamente a bainha de seu roupão ser levantada até as costas, suas calças e roupas íntimas serem puxadas para baixo, expondo sua pele nua. Já que o corpo estava paralisado, não seria melhor se a mente também estivesse? Ele não conseguia se mover, mas a sensação era tão vívida que a frustração aumentava.
— Ah!
Ao sentir a mão grande abrir suas nádegas sem cerimônia, Rensley soltou um grito involuntário.
Seu rosto e todo o seu corpo esquentaram num instante. Na noite anterior, eles haviam se mostrado completamente nus. Lavaram-se um ao outro, tocaram-se e rolaram na cama juntos.
Naquela época, não sentiu vergonha, mas agora a vergonha era insuportável. O grão-duque estava vestido como sempre, com as roupas impecáveis, enquanto ele estava deitado de bruços na cama, com as nádegas expostas como uma criança.
Imaginar sua expressão de leitura fixada em sua parte de trás fez seu rosto queimar. Um leve suspiro seguido por uma voz grave veio de trás de suas costas.
— Eu sabia.
— O… o quê…?
— Aqui não é apenas pele, é uma parte que se conecta ao interior do corpo. Mesmo uma simples inflamação pode deixar alguém de cama, e como essa área está inchada, seu corpo não melhorou o dia todo. Se reduzirmos o inchaço e a febre na parte de trás, seu estado geral vai melhorar.
— O senhor está certo. Entendi. Já entendi. Vou aplicar a pomada eu mesmo…
— Acho que preciso aplicar um pouco mais para dentro, então espere.
Gizel ignorou as palavras de Rensley e se afastou por um momento. Era uma chance de fugir, mas, mais uma vez, seu corpo traiu sua vontade e permaneceu imóvel como uma pedra.
Ouviu-se o som de água, como se ele estivesse lavando as mãos, e os passos de Gizel se aproximaram. Sua mão elegante ergueu o frasco de pomada que havia deixado. A voz do paciente, como a de um prisioneiro implorando por sua vida, tornou-se suplicante e ansiosa.
— Alteza, por favor. Deixe-me fazer isso.
— Os olhos do senhor não estão na ponta dos dedos, estão?
— Usando um espelho, olhando no espelho, ah…!
Rensley não conseguiu continuar. O dedo untado com a pomada espessa não lhe deu mais trégua e finalmente tocou suas costas.
A sensação do toque de outra pessoa em seu local íntimo fez sua pele se arrepiar instantaneamente. Em vez de dizer algo, Rensley cerrou os lábios com força para conter a sensação de humilhação.
O dedo escorregadio e untado com pomada esfregava e acariciava lentamente suas costas, e uma sensação semelhante a cócegas se espalhava da ponta dos dedos para todo o corpo, como um fio de água. A mão que se movia delicadamente fazia sua cintura se contrair.
Ele quase abriu a boca algumas vezes, mas se conteve. Com a ponta dos dedos, que agora conseguia mover um pouco, arranhava a pele abaixo enquanto exercia paciência. Mas seu corpo já estava tenso, e como não conseguia ver Gizel atrás de si, a ansiedade fazia com que seus glúteos se contraíssem cada vez que seus dedos mudavam de posição.
— Relaxe. Sua parte de trás está se contraindo.
— Nngh, não diga isso…
A vergonha que ele mal conseguia controlar transbordou novamente. Rensley enterrou o rosto na cama, como se estivesse com o nariz enterrado, e fechou os olhos.
Pense que ele é um médico. Como ele disse, ele é um médico. Eu sou o paciente. Pensando apenas que é uma situação em que, por mais vergonhosa, preciso mostrar a ferida…
— Vou aplicar um pouco mais para dentro.
— Hnn…!
— Não contraia. Relaxe.
O dedo, novamente generosamente untado com pomada, tentava entrar mais fundo. Rensley contraiu o corpo reflexivamente, e Gizel, como se o acalmasse, acariciou suas costas com a outra mão. Era um toque como se acariciasse um animal assustado.
Com aquele toque, a tensão diminuiu um pouco, e Rensley, que tinha mantido a boca fechada rangendo os dentes, finalmente falou. Sua respiração, que já estava ofegante, se misturava a cada palavra que soltava.
— Al… Alteza. Agora está bem… Não está doendo, haah, não está doendo. Já chega.
Era verdade. Como era um remédio feito por ele, diferente dos feitos por médicos comuns, o efeito parecia vir rapidamente, e a dor estava diminuindo rapidamente.
— Se está preocupado em aplicar a pomada dentro do corpo, fique tranquilo, é um remédio que pode ser usado até em feridas profundas. Se tratar por dentro, vai sarar mais rápido. Não é um método de tratamento comum até para crianças, absorver o remédio por essa via? Agora, relaxe um pouco.
Os apelos desesperados de Rensley não surtiram nenhum efeito em Gizel. Ele se inclinou sobre as costas de Rensley e empurrou os dedos para dentro. Assim como o enorme membro untado com óleo havia entrado sem dificuldade, os dedos untados com pomada também não encontraram resistência para penetrar.
— -Ngh, nngh…!
Não dava para ver, mas pareciam ser o dedo médio e o anular. Os dois dedos deslizaram para dentro pela parte de trás que se contraía.
—…Ah…
— Isso. Está aguentando bem.
Eram apenas dois dedos. Não era nada comparado ao falo de carne que ele havia recebido na noite anterior. Quando o objeto estranho entrou na parte de trás inchada, uma dor aguda o atingiu, mas ao mesmo tempo, a sensação do remédio aliviando a dor também se misturava. Talvez a vergonha tivesse ultrapassado o limite. Rensley já não conseguia pensar em mais nada. Com os olhos meio abertos, piscava lentamente, olhando apenas para o padrão da pele que via. Sua visão estava normal, mas o padrão parecia turvo em alguns momentos.
A dor havia passado, mas agora outro problema surgia. A sensação estava mudando de cor. Ontem, doía apenas, mas os dedos acariciando seu interior eram uma sensação extremamente… estranha.
Seus dedos, que aplicavam a pomada na parte interna próxima à entrada, saíram e, depois de se untarem generosamente, penetraram novamente. Desta vez, foi mais fundo.
— Vou aplicar mais uma vez.
Os dedos que espalhavam a pomada acariciaram suavemente a parede interna. A pomada espessa parecia ter derretido com o calor do corpo; cada vez que ele movia os dedos, o som ficava mais líquido do que antes. Rensley, que antes se debatia dizendo que não, agora estava quieto como uma pessoa diferente; Gizel, achando estranho, perguntou com uma voz um tanto surpresa:
— Senhor Malocen, está bem?
—…Sim, estou bem…
Rensley não conseguiu terminar a frase. No momento em que os dedos que preenchiam suas costas deslizaram por um ponto na parede interna, uma sensação elétrica e cortante percorreu seu baixo-ventre. Embora tenha passado rapidamente, foi intensa o suficiente para que sua visão se embaçasse por um instante. Parando por um breve momento, ele soltou a respiração ofegante que não conseguia esconder.
— Hah, ah…!
Com a respiração mais forte, a mão que tocava seu interior parou. Uma nova pergunta veio:
— Está doendo muito?
Rensley não respondeu imediatamente, apenas ofegou. Não sabia o que responder. Se estava doendo? Não doía… ou será que isso era dor?
— Senhor Malocen.
Enquanto ele ficava em silêncio, o outro repetia seu nome. Rensley lambeu os lábios secos pelo calor.
—…Um pouco.
— Deve ter se machucado por aqui.
Os dedos deslizaram para fora. Até essa sensação agora era diferente de antes. A simples sensação de corpo estranho que percorria seu interior estava se transformando em algo quente e insuportável que revolvia seu estômago a cada movimento dos dedos.
Os lábios e o queixo de Rensley tremiam de forma sutil e misteriosa. Seu coração acelerava, seu corpo esquentava. Diante do prenúncio de uma sensação que ele mal compreendia, não conseguia decidir o que fazer.
— Nngh…
Quando os dedos entraram novamente, seus ombros, que estavam parados, se contraíram. As partes do corpo que antes não obedeciam quando ele queria se mover, agora queriam se agitar mesmo quando ele queria ficar quieto. Rensley, que rabiscava e brincava com a pele, começou a apertá-la com mais força.
Os dedos longos, com uma boa quantidade de pomada, esfregaram exatamente a parte que Rensley disse que doía. Por causa da pomada, a textura era escorregadia, e o movimento, sem força, era suave, mas era justamente por isso que era mais angustiante.
Ufa, ufa. A respiração, que ele tentava controlar, se descontrolava. Se pudesse tapar a boca, seria bom, mas não conseguia mexer as mãos. Apenas as pontas dos pés de Rensley, que estavam fora do campo de visão de Gizel, se curvavam e se esticavam lentamente.
— Se doer, me diga. Acho que preciso aplicar mais pomada.
Em vez de responder, Rensley rangeu os dentes. Enterrou o rosto na pele e tentou se controlar de alguma forma. Mordeu a pele com os dentes.
“Não, não, não. É ilusão. Eu posso aguentar.”
Mas cada vez que seus dedos pressionavam o interior, deslizavam suavemente e voltavam, uma sensação estranha o inundava como água. Incapaz de suportar a sensação que não parava de subir, Rensley, que até então retinha a respiração e abafava os gemidos, soltou um grande suspiro.
— Haa…! Alteza, Alteza…!
Finalmente, uma voz que mais parecia um choro escapou. A voz grave de Gizel o acalmou com um tom amável:
— Aguente mais um pouco. Já está terminando.
— Não consigo aguentar… hnn, por favor… me solte agora…
— Entendo. Vou desfazer a magia de contenção. O tratamento está quase no fim.
No mesmo instante em que a mão de Gizel saiu, Rensley foi libertado do feitiço que o imobilizava. Seu corpo, agora livre, mais uma vez não obedeceu à vontade do dono.
— Ah, ha, aaah…!
Ele amassou a pele com mais força. O corpo, que antes apenas se contraía levemente, tremeu violentamente, como se esperasse por isso, movendo os quadris e as costas. Uma pequena sombra apareceu e desapareceu em suas costas, representando o prazer que ele sentia.
Tampou a boca com uma das mão, mas já era tarde. Rensley, soltando gemidos incontroláveis, tremeu por um bom tempo. Graças à posição de bruços, pôde evitar o olhar do outro, mas sentiu claramente seu membro ereto ficar viscoso e molhado.
— Nngh, haa…
Tomara que seja um sonho.
───── ✧ ─────
↫─✧Continua….
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna