Toxic Affair (Novel) - Episódio 155
Capítulo 155── ⋆⋅☆⋅⋆
Aqui, outra oportunidade foi concedida. Chahyun, que até então só havia dado a Yeonwoo reparações indesejadas e desculpas vazias, recebeu a chance de pedir perdão com sinceridade.
Naturalmente, o homem astuto que ele era pretendia agarrar essa oportunidade por todos os meios necessários.
Chahyun respirou fundo, lutando para suprimir a sensação intensa que se agitava em seu estômago. Em seguida, olhou para Yeonwoo com olhos mais sinceros do que nunca e abriu a boca.
— Se eu pudesse voltar ao que éramos antes, faria qualquer coisa para consertar.
— ……
— Eu não deixei de me arrepender nem por um único momento desde aquele dia. Sinto muito, de verdade.
O silêncio reinou por um momento. Yeonwoo percebeu que o nó próximo à raiva que carregava dentro de si havia se acalmado consideravelmente com o tempo.
Ainda não o havia perdoado por completo, mas queria largar o fardo de desejar odiá-lo.
Depois de morder o lábio inferior várias vezes, Yeonwoo assentiu.
— …Tudo bem. Por hoje, chega.
Não era tão revigorante quanto esperava, mas ainda assim era uma fala necessária para Yeonwoo. A partir daquele momento, ele decidiu desapegar-se do passado de vez. Teve a intuição de que não levaria tanto tempo quanto imaginava.
Depois de respirar fundo, Yeonwoo engoliu em seco. Em seguida, abriu os lábios para fazer a Chahyun uma pergunta que vinha guardando há algum tempo.
— Então…
Não entendia por que se sentia tão envergonhado e nervoso com algo assim. Sentindo o ritmo cardíaco acelerar, Yeonwoo evitou encarar os olhos de Chahyun e acrescentou:
— Você não vai se casar com mais ninguém, vai?
As sobrancelhas de Chahyun franziram instantaneamente com aquilo. Para ele, essa pergunta parecia um pouco fora de contexto naquele momento, mas pelo visto não para Yeonwoo.
— Isso é pergunta que se faça? É claro que…
Chahyun fez uma pausa, sem palavras.
— É claro que não vou.
Sentia-se infinitamente patético e enojado com seu antigo eu, que havia descartado essa coisa óbvia com tanta leviandade.
Diferente dele próprio, que continuava apodrecendo em meio a emoções turvas, Yeonwoo sorriu pela primeira vez desde que Chahyun acordou, parecendo satisfeito com aquela única frase.
— Que alívio. Então, agora é o suficiente.
O coração de Chahyun se apertou diante daquele sorriso puro e desprovido de artifícios.
********
Yeonwoo estava perdido em pensamentos enquanto organizava o café. Era o dia da alta de Chahyun.
Ele havia visitado o hospital todos os dias sem falhar, passando o tempo com Chahyun como se nada estivesse errado, mas se perguntava se era de bom tom aparecer logo no dia em que ele receberia alta. Afinal, Chahyun não lhe pediu para ir.
Além disso, Chahyun ainda parecia visivelmente tenso toda vez que Yeonwoo entrava em seu quarto. Ele havia decidido perdoá-lo por completo, mas isso não significava que a relação deles voltaria a ser íntima da noite para o dia. Ainda havia lacunas que precisavam ser preenchidas entre os dois.
Yeonwoo suspirou ao conferir o celular. Queria que Chahyun o procurasse primeiro em momentos assim. Como conseguia não enviar sequer uma mensagem de texto?
— Ah? Younghwan-ssi.
Nesse exato instante, Yeonwoo avistou Younghwan passando em frente à cafeteria e o cumprimentou. Younghwan, que carregava uma porção de ingredientes em ambas as mãos enquanto falava ao telefone, entrou direto na cafeteria.
— Ei, espera um segundo. Te ligo de volta depois.
Younghwan encerrou a chamada rapidamente e se aproximou do balcão.
— Hyung. Já vai fechar?
— É. Vai buscar mais suprimentos de novo?
— Pois é. Mas por que você fechou de repente alguns dias atrás?
— Surgiu uma urgência. Ah, é verdade. Sobre aquele musical que eu mencionei da última vez…
Yeonwoo limpou a garganta e lançou um olhar cauteloso a Younghwan. Vinha pensando em recusar o convite direito havia um tempo, mas agora que o momento havia chegado, não sabia como agir.
— Acho que não vou poder ir ao musical, afinal.
— …Eu já imaginava.
Younghwan suspirou e respondeu com calma. Em seguida, coçou a nuca, parecendo sem jeito.
— Não é só desta vez, mas daqui em diante…
— Ah, hyung. Eu entendo perfeitamente.
— Sério? Desculpa.
Yeonwoo tossiu sem graça. Felizmente, a expressão de Younghwan não estava tão sombria. Aquela era uma de suas qualidades.
— Eu ainda posso vir ao café?
— Os clientes são sempre bem-vindos.
Younghwan assentiu e abriu um sorriso brilhante.
— Então eu volto da próxima vez.
Ele acenou e saiu apressado da cafeteria. Assim que Younghwan sumiu completamente de vista, Yeonwoo pegou os materiais de limpeza novamente. Estava prestes a retomar o que fazia quando sentiu um vazio e checou o celular por hábito.
No entanto, havia chamadas perdidas e mensagens. Todas eram de Chahyun.
[Hoje é o dia da minha alta, você vem?]
[Por favor, hyung]
— Há.
Yeonwoo soltou uma risada nasalada.
Ficou irritado por Chahyun enviar aquelas mensagens tão tarde, justamente quando o café estava prestes a fechar, mas não pôde evitar sorrir. Seu humor, que estava morno há pouco, melhorou rapidamente.
Yeonwoo terminou o fechamento às pressas e foi direto à creche buscar Seoyun.
O motivo de conseguir sorrir com tanta facilidade agora era o fato de ter percebido algo muito claro durante os dias em que Chahyun esteve hospitalizado.
A decepção e a raiva que sentira em relação a Chahyun não haviam desaparecido por completo, mas Yeonwoo ainda o amava demais.
Ironicamente, o momento em que compreendeu isso com mais força não foi quando se separou de Chahyun, nem quando tiveram aquela relação impulsiva. Ele conseguia suportar e racionalizar as outras coisas de alguma forma, mas quando viu Chahyun desmaiar diante de seus olhos, sentiu como se o mundo estivesse desabando.
Embora não tenha demorado muito para Chahyun recobrar a consciência, ele foi tomado pelo pavor extremo de que o outro talvez não acordasse. O médico repetia várias vezes que os exames mostravam que não havia risco de ele não despertar, mas Yeonwoo se sentia no inferno a cada minuto e segundo.
Em contrapartida, quando Chahyun abriu os olhos novamente, o mundo em ruínas se restaurou por completo como se fosse uma mentira. Era incrível, mas ele jamais queria passar por aquilo de novo.
Yeonwoo de repente se pegou pensando: se não aguentava nem um dia de Chahyun inconsciente, como o próprio Chahyun havia se sentido enquanto ele estava desacordado e internado no passado?
Eu ainda não suporto ver você desmaiar toda vez que fecho os olhos.
Mas ele sentia que sabia a resposta sem precisar perguntar diretamente. Era algo curioso. Antes, ele não conseguia se identificar em nada com as palavras de Chahyun, mas agora parecia entender perfeitamente. E, no fim das contas, Yeonwoo ainda continuava preocupado com o pescoço do outro.
Por isso, Yeonwoo decidiu perdoar Chahyun, que provavelmente havia permanecido em um inferno ainda mais profundo e por muito mais tempo.
Enquanto caminhava carregando Seoyun rumo ao quarto de hospital de Chahyun, o corredor estava barulhento. Yeonwoo estranhou ao ouvir vozes familiares se alternando e apressou o passo.
Seoyun pareceu curioso com o alvoroço e incentivou Yeonwoo balançando os bracinhos para cima e para baixo.
— Não, veja bem, dá no mesmo se ele tiver alta agora ou daqui a uma hora, então por que essa pressa toda?
A voz de Sang-gyun ecoava de dentro do quarto de Chahyun.
— Qual é o sentido de não deixar o cara ir embora mais cedo se ele vai ter alta hoje de qualquer jeito?
— Você acha que os procedimentos do hospital dependem de você, seu imbecil? O médico responsável precisa dar a ordem de liberação. Só espera.
— Resolve isso logo aí, hyung.
— Eu não sou o médico assistente do Baek Chahyun, como é que eu vou resolver? Achei que ele estivesse meio deprimido, mas o cara ressuscitou…
Os dois falavam tão alto que a conversa inteira vazava para o corredor. A enfermeira que aguardava na porta do quarto avistou Yeonwoo com atraso e abriu um sorriso radiante. Ela trocou olhares com ele, bateu na porta e entrou direto.
— Paciente Baek Chahyun. Seu marido chegou. E o médico responsável acabou de autorizar a alta…
— Marido?
— Marido?
As duas vozes se sobrepuseram e ecoaram ao mesmo tempo.
Yeonwoo hesitou um segundo antes de entrar no quarto. E deu de cara com Chahyun, que estreitava os olhos como se tivesse ouvido algo desagradável.
— Ah, sou eu mesmo.
— Hong Yeonwoo?
— Quando você desmaiou e foi internado, me perguntaram qual era a nossa relação, então eu disse que era seu marido porque era uma emergência… Foi exagero demais?
Yeonwoo também havia se esquecido disso e só se lembrou graças às palavras da enfermeira. Sang-gyun balançou a cabeça em sinal de descrença.
— Ugh, esse desgraçado também… Ei, some daqui logo.
Ele acenou rudemente em despedida e saiu do quarto. Chahyun já havia organizado todos os seus pertences, de modo que o interior estava impecável. Estava pronto apenas para pegar as malas e sair.
— Ele realmente vai ter alta.
Yeonwoo murmurou para si mesmo. Em seguida, deu uma olhada no pescoço de Chahyun por puro reflexo. Vendo que a gaze estava limpa e sem nenhum traço de sangue, parecia que ele não havia voltado a mexer ou arrancar o curativo.
— Mas para onde vamos?
Chahyun, que recebeu Seoyun dos braços de Yeonwoo com total naturalidade, perguntou. Em vez da expressão insatisfeita de instantes atrás, os cantos de seus lábios estavam agora levemente curvados para cima.
Yeonwoo ponderou a pergunta, perdido em pensamentos.
Ficou tão feliz com a notícia da alta que nem sequer havia pensado para onde iriam…
— Hmm. Temos que ir para casa.
— Casa, tipo…
— É claro que para a casa onde eu e o Seoyun estamos.
A resposta escapou por conta própria antes que pudesse raciocinar. Diante disso, os olhos de Chahyun se arregalaram levemente. Os olhos de Seoyun, que o encarava, também se abriram em espanto.
— Está falando sério?
Os dois piscaram com a exata mesma expressão, aguardando a próxima frase de Yeonwoo.
Estaria sendo precipitado demais? Yeonwoo hesitou por um segundo, sentindo-se acuado pelo peso daqueles dois pares de olhos fixos nele.
Mas não podia mandar Chahyun de volta para aquela casa terrível novamente. Tampouco poderia sugerir que ele ficasse em um hotel.
Portanto, o correto era irem para a casa dele. Embora ainda houvesse muitas arestas complicadas para resolver entre os dois…
— É. Vamos voltar. Para a nossa casa.
Afinal, o lugar ao qual Chahyun pertencia era ao lado dele e de Seoyun. Disso, Yeonwoo tinha certeza.
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Fim da História Principal ⛧°
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna