Toxic Affair (Novel) - Episódio 111
Capítulo 111 ── ⋆⋅☆⋅⋆
“……”
— Não há nada que você possa fazer agora. Só tem que rezar para que a cirurgia corra bem.
Diante das palavras firmes de Sang-gyun, Chahyun desmoronou contra o prédio, como se tivesse desmaiado.
Até mesmo Sang-gyun, sua única esperança, dizia que não havia nada mais que pudesse fazer.
Yeonwoo estava dentro daquele hospital. Ele nem sequer podia ver o rosto dele por causa de uma simples parede entre os dois, e era impossível dizer que precisava salvar Yeonwoo.
A sensação era de que toda a esperança a que vinha se apegando estava evaporando e deixando seu corpo. Antes que percebesse, foi esmagado por uma impotência tamanha que não lhe restavam forças nem para mover um dedo.
Não havia jeito. Realmente. Chahyun se lembrou da última imagem de Yeonwoo.
A fisionomia repleta de dor, desprovida de qualquer vestígio de sangue, e as pontas dos dedos trêmulas. O fato de que a última coisa que Yeonwoo agarrou com sua mão manchada de sangue assim que recuperou vagamente a consciência não foi ele, mas um médico que nunca tinha visto antes, foi o que mais feriu Chahyun.
Até o momento em que entrou na sala de cirurgia, Chahyun não teve permissão para ver nem um vislumbre dos olhos de Yeonwoo.
— Haa.
Sang-gyun suspirou pelo alto-falante ao ouvir Chahyun soluçar baixinho.
— Baek Chahyun.
“……”
— Venha para Seul primeiro.
Chahyun não respondeu e rangeu os dentes com força. Ele encarou o ar com o olhar vago.
— Não fique aí, venha para Seul agora mesmo.
— Por que eu iria?
Chahyun mal abriu a boca para responder.
— É o seu casamento hoje.
Chahyun piscou os olhos de forma vaga, como se estivesse ouvindo a palavra casamento pela primeira vez.
— Você tem que assumir a responsabilidade pelo que escolheu. Vai jogar seu casamento fora só porque o estado do Yeonwoo é ruim?
Casamento? Escolha? Ele não sabia o que nada daquilo significava agora. Chahyun não conseguia mais ouvir nada.
Chahyun, que no fim das contas não respondeu, desligou o telefone. Então, o Secretário Lee, que estava esperando ao seu lado, pegou o aparelho de volta.
— Chefe, o senhor precisa receber tratamento primeiro.
Chahyun permaneceu sentado, imóvel como alguém que não conseguia ouvir nada.
Diante de seus olhos, a imagem residual vermelha da placa ‘Em Cirurgia’ que tinha acabado de ver ainda piscava. Yeonwoo coberto de sangue vermelho vivo, e os lábios de Yeonwoo dizendo que não o conhecia. Nada se apagava e tudo continuava surgindo em sua mente.
— Se o senhor recusar tratamento aqui, deve ir a outro hospital. Há um sangramento considerável na sua cabeça e nos seus ombros. Se continuar assim…
— Já chega.
— Chefe.
— Vou esperar até que a cirurgia do Yeonwoo acabe, então, Secretário Lee, por favor, volte para Seul.
Chahyun respondeu com uma voz contida. O Secretário Lee, que estava de pé ao lado dele enquanto este permanecia sentado no chão, olhou para Chahyun com uma expressão preocupada.
A entrada do pronto-socorro estava fechada e, a julgar pela atmosfera que acabou de presenciar, não parecia que aceitariam Chahyun como paciente.
Se ele se acalmasse e pedisse, talvez o tratassem, mas não havia a menor chance de Chahyun ser tão dócil. Ele certamente causaria um escarcéu novamente assim que entrasse no hospital e seria expulso.
Contudo, ele estava num estado que, aos olhos de qualquer um, parecia necessitar de tratamento urgente. Afinal, não havia um único lugar em seu corpo que estivesse ileso.
O Secretário Lee hesitou e disse a Chahyun:
— …Por favor, espere um momento.
Então ele se virou e voltou alguns minutos depois. Com lenços umedecidos e uma bolsa que nunca tinha visto antes.
— Primeiro, limpe o sangue.
Mas Chahyun não reagiu desta vez também, como alguém que não tivesse ouvido nada.
Seus olhos injetados de sangue ainda estavam cheios de lágrimas, e sua expressão era seca, como se desprovida de emoção. Ele estava determinado a não se mover a menos que Yeonwoo saísse da sala de cirurgia.
O Secretário Lee limpou a testa de Chahyun com o lenço que trouxera, de onde o sangue ainda escorria aos poucos. Era um ferimento na cabeça, então ele não conseguia ver em detalhes o quão grave era, mas ver seu rosto inteiro encharcado de sangue seco daquele jeito, definitivamente não era um ferimento leve.
— Ah. E esta parece ser a bolsa que o Sr. Hong Yeonwoo carregava. Eu a encontrei enquanto limpava o sangue do carro…
— A bolsa do Yeonwoo?
Chahyun, que tinha estado imóvel como uma pedra o tempo todo, finalmente reagiu. Ele imediatamente estendeu a mão para a bolsa que o Secretário Lee segurava. Ele pegou algo que parecia uma bolsa de pano cinza que os monges usariam.
Parecia que Yeonwoo a carregava nas montanhas e a deixou cair no carro quando chegou ao hospital e ele o carregou para fora.
Chahyun abriu a bolsa apressadamente. Dentro havia um envelope contendo dinheiro, um celular antigo e um livro de contos de fadas desgastado.
Chahyun, que o tirava de lá, pausou ao ver a capa com uma criança soprando bolhas de sabão.
Era um livro que Chahyun também conhecia. Afinal, era o mesmo livro de contos de fadas que ele tinha comprado por impulso, sem pensar muito, no passado.
Chahyun encarou vagamente o livro com sujeira nas bordas, e então o apertou com força. Pensar que isso saiu da bagagem de Yeonwoo, que esteve se escondendo dele por semanas, evitando-o.
O interior de sua garganta ficou quente. Como se tivesse engolido uma bola de fogo, uma dor ardente lacerou seus órgãos e se espalhou por todo o seu corpo. Ele simplesmente não conseguia suportar esta situação.
Ele não conseguia mais segurar ou engolir o choro. As lágrimas que escorriam por suas bochechas caíram na capa desbotada do livro.
Ele pensou que aquele fosse o fim da bagagem que Yeonwoo tinha, mas ainda restava algo na bolsa.
Chahyun estendeu a mão e tirou um pedaço de papel preto.
“……”
Era a foto do ultrassom de Saebyeok.
As pupilas de Chahyun tremeram impotentes. Ele reajustou a foto com cuidado e a encarou.
Mas sua visão estava embaçada pelas lágrimas que se acumulavam, e ele não conseguia ver nada. Chahyun, que fechou os olhos com força e os abriu novamente, olhou por um longo tempo para a criança na foto “que tinha crescido muito mais do que ele se lembrava”, agora com a visão limpa outra vez.
Então, os sapatos de Saebyeok deixados na vila vieram naturalmente à sua mente. O momento em que os escolheu com Yeonwoo na loja de departamentos, e a voz, a expressão, o riso e a temperatura corporal de Yeonwoo quando se surpreendeu ao sentir o primeiro movimento fetal… Inúmeras memórias surgiram esporadicamente em sua cabeça como fogos de artifício.
Tudo o que ele não pôde proteger já havia deixado suas mãos. E foi o próprio Baek Chahyun quem provocou esta situação.
Não havia nada que não fosse sua culpa, desde Yeonwoo não ter tido escolha senão viver no Templo da Nuvem Carmim, ter que fugir para as montanhas com a perna machucada sabendo que era perigoso e até o fato de Yeonwoo ter sido empurrado para o fim da fila de prioridade na sala de cirurgia.
Porque ele pensou que a posição de cônjuge não era nada. Porque ele próprio abandonou o lado de Yeonwoo mesmo tendo a oportunidade, ele acabou onde estava agora.
Chahyun, que esteve tocando vagamente as pequenas mãos e pés de Saebyeok na foto com o polegar por um longo tempo, de repente percebeu que até aquilo estava manchado com o sangue de suas mãos.
Assustado, ele tentou tardiamente apagar as manchas de sangue na foto. Mas isso só fez com que se espalhassem mais, e ele não conseguiu restaurar a foto ao seu estado limpo original.
Ele lutou por alguns minutos, arfando, mas as manchas de sangue que uma vez mancharam o papel não saíam.
Chahyun, que esteve lutando por alguns minutos, impotente as colocou sobre o colo.
Seria melhor se ele não tocasse neles novamente. Não, ele não deveria ter tocado neles em primeiro lugar.
— Secretário Lee.
— Sim, Chefe.
Chahyun chamou o Secretário Lee, que ainda estava ao seu lado, e ergueu a cabeça para dizer-lhe para levar aquelas coisas de volta ao carro.
Mas, através do vidro transparente dentro do prédio, ele viu uma enfermeira espiando Chahyun e esticando o pescoço. Ela se assustou quando fez contato visual com Chahyun e gesticulou algo com a boca.
— Chefe?
“……”
A cirurgia de Yeonwoo poderia ter terminado?
Assim que Chahyun estava prestes a se levantar, o cheiro de incenso de repente passou pela ponta de seu nariz. Era um incenso misturado com cheiro de terra molhada e casca de árvore que seria queimado em um templo.
Ao mesmo tempo, um monge vestindo túnicas budistas parou em frente ao pronto-socorro. A enfermeira, com um traje incomum, abriu a porta que tinha sido temporariamente trancada por causa de Chahyun com uma expressão confusa.
— Como o senhor chegou aqui?
Ela ainda estava desconfiada de Chahyun, que estava sentado perto da entrada.
— Existe um paciente chamado Jo Sung-ju aqui? Ou existe um paciente chamado Hong Yeonwoo?
A testa de Chahyun se franziu diante da pergunta do jovem monge que ele ouviu fracamente em seu ouvido. Ao mesmo tempo, ele tateou a parede e se levantou.
— Talvez, qual é a sua relação…
— Eu sou o responsável por Hong Yeonwoo.
— …O quê?
A expressão de Chahyun se contorceu ferozmente com a palavra responsável de Yeonwoo.
— Ah! O senhor poderia vir por aqui um momento? Havia algo que queríamos discutir…
— Quem é você? Por que você é o responsável do Yeonwoo?
Chahyun tentou se aproximar do monge de forma ameaçadora. Mas a área ao redor de sua cabeça, de onde o sangue ainda fluía, latejou, e de repente sua visão estremeceu.
Na brecha em que Chahyun hesitou, a enfermeira gesticulou para que o monge entrasse rapidamente e trancou a porta do pronto-socorro novamente.
Chahyun, que segurava a testa, tentou dar um passo como se os estivesse perseguindo, mas os pertences de Yeonwoo em seus braços caíram no chão. O livro de contos de fadas e a foto do ultrassom de Saebyeok também.
— Não.
Chahyun se assustou e reflexivamente se curvou para recolhê-los.
— Chefe!
Mas o corpo de Chahyun não conseguiu mais superar a tontura e desabou no chão. Desta vez, a visão trêmula se inverteu completamente.
— Cough.
Como se a dor de cabeça que ele vinha tentando ignorar estivesse engolindo sua cabeça inteira, uma sensação pungente, como ser espetado por agulhas, cortou cada canto de seu cérebro.
Chahyun tentou se levantar novamente segurando-se no asfalto, mas seu corpo não o obedecia. O Secretário Lee correu rapidamente e o apoiou, mas foi em vão.
— Chefe, o senhor está bem?
— Ugh…
Ele tentou responder que sim, mas apenas um gemido animalesco saiu de sua boca. E sua visão foi gradualmente embaçando.
Chahyun arregalou os olhos e fez força para reter a consciência. Ele tinha que ver Yeonwoo saindo da sala de cirurgia. Ele tinha que checar com seus próprios olhos.
Ele se concentrou desesperadamente nos livros e fotos espalhados à sua frente e murmurou para si mesmo.
Mas seu corpo já tinha atingido o limite. Antes que alguns segundos se passassem, sua mente ficou fraca num instante, como se estivesse sendo sugada para um redemoinho.
Uma escuridão profunda cobriu Chahyun.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna