Things That Deserve To Die (Novel) - ↫─Capítulo ⚝ 96
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 96
Enquanto desciam a colina, algumas nuvens escuras começaram a se formar no céu limpo. A idosa ainda estava descascando alho no banco em frente à loja decadente. Ja-kyung pediu a carteira de Kang Il-hyeon emprestada. Ele tirou algum dinheiro da carteira e o entregou à senhora. As pálpebras caídas dela se arregalaram levemente enquanto ela levantava o olhar para Ja-kyung.
Ja-kyung ergueu um saco de alho e o sacudiu.
— Pelo alho.
A velha senhora encarou o dinheiro e o rosto de Ja-kyung como se não conseguisse ver as letras com clareza. Seus olhos enrugados se estreitaram. Ja-kyung sorriu e caminhou até o carro. Quando ele estava prestes a entrar no veículo, a idosa chamou Ja-kyung. Mas quando ele olhou, ela se aproximou e entregou a ele o dinheiro e duas bebidas.
— Você é o garoto que morava no andar de cima, certo?
Ja-kyung foi pego de surpresa e ficou sem palavras. Ela pegou o saco de alho de Ja-kyung e sorriu suavemente com o rosto enrugado.
— Não leve algo que você nem consegue comer.
— …
— Sua aparência brilhante continua a mesma de quando você era jovem.
Ela se virou e voltou para a loja depois de rir. Suas costas curvadas eram piedosas. Ele olhou para a bebida em sua mão. Ela se lembrava. Ela se lembrava de mim. Ja-kyung olhou para as costas curvadas da idosa com melancolia, então correu e rapidamente colocou o dinheiro no bolso dela.
— Isto é pelo pão.
Então ele correu de volta para o carro como se estivesse fugindo. Kang Il-hyeon ligou o motor e partiu, mas Ja-kyung notou a idosa parada, observando-o pelo espelho retrovisor. Algumas gotas de chuva começaram a cair do céu nublado, e o carro desceu pelo caminho de onde viera.
— No que está pensando?
Ja-kyung tirou os olhos do espelho retrovisor e olhou para Kang Il-hyeon.
— Estou me sentindo estranho.
— Por quê?
— Achei que seria terrível, mas não é tão ruim quanto eu pensava.
— Fico feliz.
Foi inesperado. Ja-kyung achou que Kang Il-hyeon diria todo tipo de coisa, mas isso foi tudo o que ele disse.
— Obrigado…
Depois de hesitar por um tempo, ele finalmente expressou sua sinceridade. Ele não teria ido tão longe sem ele. Felizmente, foi apenas uma chuva passageira e, após um breve aguaceiro, o céu clareou como sempre faz.
Eles dirigiram até a cidade e pararam para tomar algo em um café. O café estava lotado de pessoas devido à chuva repentina. Após pedirem e se sentarem perto da janela, a campainha tocou. Quando Ja-kyung tentou se levantar, Kang Il-hyeon levantou-se primeiro e foi ao balcão para pagar.
Ele voltou com uma bandeja de copos e estava inesperadamente estável. Ele provavelmente nunca tinha feito nada parecido antes. A atenção das pessoas seguia seus movimentos. Ja-kyung podia sentir os olhares das pessoas focados em Kang Il-hyeon no café barulhento.
Ele trouxe o copo e colocou um na frente de Ja-kyung.
— Beba.
Kang Il-hyeon deu um gole no expresso que pediu e fez uma expressão sutil.
— Como está?
Curioso sobre o gosto, Ja-kyung perguntou, mas a expressão de Kang Il-hyeon era sombria.
— Se fosse meu funcionário, eu o teria demitido imediatamente.
Após rir, Ja-kyung bebeu o suco de melancia à sua frente. Não era nem de longe tão bom quanto o suco feito pela cozinheira da casa, mas era bom o suficiente.
— Você realmente gosta de melancias.
— É delicioso.
— Quer largar seu trabalho e ir para o campo cultivar melancias?
Ja-kyung não conseguia dizer pelo olhar dele se ele estava brincando ou não.
— Você vai me pagar?
— Ficamos noivos, então não existe o seu dinheiro ou o meu dinheiro.
Ja-kyung ficou tão surpreso que quase cuspiu o suco. Ele olhou em volta para ver se alguém tinha ouvido. Noivos? Quando isso aconteceu? Ele está louco? Ele disparou lasers com os olhos, mas Kang Il-hyeon nem fingiu vê-lo. Ja-kyung mastigou o canudo com força com os dentes da frente enquanto Kang Il-hyeon lhe mostrava a foto esquisita de antes como prova.
— Depende de você. Você mentiu para mim de manhã dizendo que seríamos enterrados juntos ou algo assim.
— Quem disse que eu menti?
Ja-kyung bufou. Então era real? Ele o repreendeu para parar de brincar. Quem não saberia que era apenas para assustá-lo? Kang Il-hyeon fez uma ligação e apertou o viva-voz. Depois de um tempo, a voz de um homem veio do outro lado.
— Sou eu. Advogado Park.
— Sim, senhor. Aconteceu algo para estar me ligando diretamente?
— Sabe o que conversamos na semana passada? Como ficou aquilo?
Ah… A voz confusa de um homem chamado de advogado veio pelo receptor. O som estava difícil de ouvir, então Ja-kyung inclinou-se para frente e aproximou o rosto do telefone.
— Isso é… Porque existem muitos problemas legais e éticos.
— Advogado Park.
— Sim, senhor.
— Se fôssemos falar sobre leis, ética e coisas do tipo, por que eu pagaria muito dinheiro e contrataria um advogado? Não é verdade?
— Sim… o senhor tem razão.
— O que há de tão difícil em pedir para uma pessoa morrer com você?
Ele sorriu para Ja-kyung enquanto falava com o advogado. Para evitar ser visto, Ja-kyung mordeu um canudo e praguejou com a boca. Era real. Kang Il-hyeon considerou seriamente enterrar Ja-kyung ao seu lado, bastardo louco. Kang Il-hyeon encostou-se no assento e encarou Ja-kyung após o telefonema.
— Você ouviu?
— Vou fingir que não ouvi.
— Aceite seu destino.
— Não quero pensar que é meu destino ser pego e enterrado por um louco.
Kang Il-hyeon tinha uma expressão muito feliz no rosto quando Ja-kyung estava irritado. Havia inúmeras maneiras de expressar afeto. Ele desviou o olhar da janela para outra coisa. Então ele notou um cinema logo do outro lado da rua. O olhar de Kang Il-hyeon seguiu naturalmente.
— Quer ir assistir?
Ele assentiu sem pensar duas vezes. Parecia um momento perfeito para ir ao cinema e depois jantar. Era um dia comum para qualquer um, mas para os dois, que tinham que viver com a guerra todos os dias, era algo especial.
Felizmente, era meio-dia de um dia útil, então havia poucas pessoas lá dentro. Para entrar no Lion Theater, um guia disse para comprar um ingresso, pipoca e coca-cola. Eles entraram na sala após confirmar sua localização. Novamente, havia poucas pessoas. Ja-kyung colocou sua bebida no apoio de braço e pegou um pouco de pipoca.
Ja-kyung olhou ao redor da sala enquanto o anúncio passava por cerca de dez minutos. Surpreendentemente, muitos homens vieram sozinhos para assistir. Quando ele olhou de perto, notou que eles estavam sentados como estátuas de madeira. Aquilo o incomodou, então ele continuou encarando-os.
O filme começou após os anúncios, e o rosto do personagem principal apareceu na tela. Era um filme francês, e o panfleto dizia que era sobre o amor e a separação de amantes em um período de estagnação. Depois de algum tempo, a voz de uma mulher irritada pôde ser ouvida pela tela.
A mulher gesticulava descontroladamente e gritava insultos contra ele, mas o homem exausto estava ocupado demais recostado em sua cadeira e ignorando-a. Quando a mulher finalmente saiu sozinha, ela pegou uma garrafa de álcool e acendeu um cigarro. A mulher olhando pela janela tinha uma expressão solitária no rosto. Ja-kyung nem pensou em colocar a pipoca na boca enquanto assistia a um filme que era mais deprimente do que o esperado e, em vez disso, olhou para Kang Il-hyeon, que estava sentado ao seu lado.
Não importa como se olhasse, não era o gosto de Kang Il-hyeon. Ele não deveria ter pedido para assistir. Preocupado, Ja-kyung continuou olhando para ele e então Kang Il-hyeon se virou.
— O que foi?
Com as palavras sussurradas, Ja-kyung aproximou os lábios do ouvido dele.
— Está divertido?
— Não.
Ele sabia.
— Mas acho que está prestes a ficar interessante.
Ele exibiu um sorriso estranho e voltou sua atenção para o filme. Ja-kyung também tentou mergulhar no filme. A mão de Kang Il-hyeon, que estava no apoio de braço naquela hora, aproximou-se do balde de pipoca. Ja-kyung pensou que ele ia comer pipoca, mas em vez disso, ele deslizou para baixo e apalpou a coxa de Ja-kyung.
Quando Ja-kyung franziu a testa para ele, Kang Il-hyeon virou a cabeça e moveu os lábios silenciosamente. — Quero fazer isso. — Ja-kyung interpretou corretamente e puxou a mão com desgosto. A mão de Kang Il-hyeon deslizou como uma enguia antes de ele apertar o pau de Ja-kyung.
— Ah, fala sério!
Ja-kyung gritou inconscientemente, atraindo a atenção de todos no cinema. Ja-kyung mordeu o lábio e olhou para frente, então trocou olhares com os homens à sua frente, e sua expressão endureceu. Ele podia sentir um toque de ressentimento na maneira como eles desviaram o olhar.
Ja-kyung largou o balde de pipoca e tocou a perna de Kang Il-hyeon com o pé. Seus olhos se encontraram e Kang Il-hyeon inclinou a cabeça levemente para o lado. Os dois se levantaram ao mesmo tempo e saíram do cinema.
No momento em que entraram apressadamente no elevador e apertaram o botão do primeiro andar, a porta da sala de cinema onde estavam há pouco se abriu e outra pessoa saiu.
O elevador então fechou.
— Você viu aquilo?
Kang Il-hyeon perguntou e Ja-kyung assentiu.
Os homens sentados no cinema. Eles estavam vestidos com roupas comuns, mas Ja-kyung percebeu que eram do mesmo tipo que ele.
— Como você os reconheceu?
— Tinha um cara que parecia familiar.
— Então você tocou no meu pau de propósito?
— Não. Toquei porque eu quis tocar.
Claro que sim. Ja-kyung olhou para ele com uma expressão boquiaberta, e Kang Il-hyeon soltou uma risadinha.
Quando chegaram ao estacionamento subterrâneo, a porta do elevador se abriu e eles saíram para ir ao carro. Naquele momento, as portas dos carros próximos começaram a se abrir uma por uma, e pessoas saíram. Foi um movimento incomum. Os dois pararam e olharam em volta em busca de uma saída. Como esperado, eles montaram guarda em todos os lados para evitar que escapassem.
Eles não tinham escolha a não ser romper o cerco. Kang Il-hyeon entregou as chaves do carro para Ja-kyung enquanto caminhava para frente. Kang Il-hyeon então fez uma oferta inesperada a Ja-kyung após ele recebê-las.
— Vamos apostar quem chega ao carro primeiro.
Haa. Ja-kyung olhou para ele sem acreditar.
— Você realmente quer fazer isso nesta situação?
— Se eu vencer, hoje à noite você terá que usar uma cueca de renda com flores.
Ao vê-lo sorrindo maliciosamente, Ja-kyung rangeu os dentes. Ele disse — vamos ver. —
— Então, se eu vencer, posso foder o CEO Kang por trás?
— Faça o que quiser.
Ver Kang Il-hyeon tão confiante fez Ja-kyung querer fodê-lo ainda mais. Ja-kyung suspirou e puxou uma arma do cinto nas costas. Quando o carregador foi travado, a expressão de Kang Il-hyeon se distorceu.
— Que porra é essa, quando foi que você pegou uma arma? Isso não é trapaça?
— Se você acha que é injusto, vá buscar uma para você.
— Você…!
Após relaxar o pescoço de um lado para o outro, Ja-kyung saltou rapidamente.
— Eu vou primeiro. Cumpra sua promessa.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna