Things That Deserve To Die (Novel) - ↫─Capítulo ⚝ 95
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 95
A empolgação do encontro desapareceu momentaneamente enquanto o carro de Kang Il-hyeon se dirigia para um lugar cada vez mais estranho já faz um tempo. Ele dirigiu para fora do centro de Seul e entrou em um local comumente conhecido como favela, mas depois a estrada tornou-se tão estreita que eles tiveram que parar e descer no meio do caminho.
Ja-kyung, que saiu do carro, parou ao encontrar uma pequena loja de conveniência de esquina em frente ao bairro. Diante da loja em ruínas, uma senhora curvada de cabelos grisalhos estava sentada em um banco descascando alho. A idosa levantou a cabeça diante da visita de estranhos. Ao ver a grande verruga ao lado do olho dela, Ja-kyung recuou, sobressaltado.
— Precisa de alguma coisa?
A audição dela não parecia muito boa, então sua voz era alta. A memória de Ja-kyung rapidamente voltou ao passado. Naquela época, a fome era algo cotidiano, e ele costumava visitar a loja para roubar pão porque não aguentava a fome. Ele era pego e apanhado, mas a tia de um dono de loja particularmente generoso protegia Ja-kyung e secretamente lhe dava pão ou leite. E ela também tinha uma grande verruga ao lado do olho.
Enquanto Ja-kyung recuava, sentiu uma mão quente em suas costas. A mão então subiu para descansar em seu ombro. Ja-kyung se virou e encarou Kang Il-hyeon.
— Aqui é…
— Você se lembra?
— Como você soube?
— Existem muitas maneiras de saber.
Ja-kyung ficou sem palavras. Ele olhou ao redor do bairro mais uma vez. As escadas que ele subia e descia enquanto entregava drogas quando criança, e os espaços onde se escondia das surras de seus pais, ainda eram os mesmos. Ja-kyung não estava pronto para subir e apenas ficou parado ali, mas Kang Il-hyeon estendeu a mão.
— Você quer ir ver a casa onde morava?
— …
— Diga-me se você se sentir desconfortável. Podemos voltar.
Ja-kyung ficou em silêncio. Depois de deixar a Coreia, ele nunca mais quis colocar os pés aqui. Mas, à medida que começou a se estabilizar, às vezes ficava curioso. Como aquele lugar teria mudado? A casa em que morou ainda existiria? Ele poderia encontrá-la se tentasse, mas não conseguia se obrigar a procurá-la. Mas agora que tinha vindo aqui, não era tão assustador quanto pensara.
Enquanto ele estava perdido em pensamentos, Kang Il-hyeon entrou na loja e saiu com dois sorvetes. A voz abafada de um homem vinha de dentro enquanto ele passava o cartão. Ele tirou a embalagem e entregou um para Ja-kyung. Ja-kyung o pegou distraidamente, e Kang Il-hyeon já estava dando uma mordida em seu sorvete de morango.
A cena de Kang Il-hyeon comendo um sorvete de 1.000 won era tão desconhecida quanto o cabelo grosso de Wang Han. Ele falou com ele carinhosamente com o sorvete de sabor morango na boca.
— Quer subir?
Ele estendeu a mão, e Ja-kyung olhou para ela fixamente antes de se afastar. Kang Il-hyeon o seguiu e segurou sua mão. Parecia estranho dois homens grandes subirem a ladeira de mãos dadas, então Ja-kyung continuava tentando se soltar, mas eles acabaram subindo o morro de mãos dadas.
Havia pichações em ambos os lados do beco com respingos de tinta vermelha, e havia idosos sentados relaxando pelo caminho. Conforme continuavam subindo a ladeira íngreme, Kang Il-hyeon pareceu ficar com calor e tirou o paletó, pendurando-o no braço.
As escadas onde o homem caiu para a morte e a casa onde o velho Wang morava ainda estavam todas lá. O coração de Ja-kyung apertou à medida que mais memórias antigas vinham à tona em sua mente. Fosse por falta de força ou por algum outro motivo, seu passo tornava-se cada vez mais pesado.
Quanto mais perto chegava da casa, mais curta ficava sua respiração, e ele não conseguia dar mais nenhum passo. Como suas mãos estavam suadas, ele as soltou e as esfregou na calça várias vezes.
— Quer voltar?
Ja-kyung balançou a cabeça silenciosamente em resposta à pergunta de Kang Il-hyeon. Ainda assim, já que tinha chegado tão longe, estava curioso. Ja-kyung respirou fundo e demoradamente em frente à porta de ferro azul firmemente fechada. Sentia como se fosse ser agarrado pelo cabelo e pisoteado no rosto no momento em que a abrisse.
Sentia como se sua mãe morta fosse gritar com ele com seu rosto demoníaco e dilacerar seu corpo com suas unhas fantasmagóricas. Parecia que seu pai terrível ia batê-lo com um taco de golfe em um acesso de raiva. Ele não conseguia se obrigar a dar um passo, e apenas mal encostou a mão na porta.
Sentia um frio arrepiante. Enquanto abria lentamente a porta com um som de rangido, Ja-kyung parou de repente. O quintal da frente da casa estava cheio de flores. Era óbvio que alguém tinha se esforçado muito para cuidar daquilo. A casa inteira estava limpa e passava uma sensação aconchegante.
Ja-kyung agarrou o braço de Kang Il-hyeon e o puxou.
— Vamos embora… deve ter alguém morando aqui.
Kang Il-hyeon fingiu não ouvir e foi se sentar na varanda, tirando um cigarro do bolso e acendendo-o antes de dar tapinhas no lugar ao seu lado, fazendo sinal para Ja-kyung se sentar.
Ja-kyung olhou ao redor e entrou cautelosamente.
— Deve haver alguém morando aqui.
— Não, não há.
Não importa como se olhasse, era óbvio que alguém morava ali. Não estaria tão limpo de outra forma. Ja-kyung nem conseguia imaginar que aquela era a casa em que viveu. Parando para pensar, havia rosas vermelhas subindo por todas as paredes.
Kang Il-hyeon se aproximou dele e colocou um cigarro em sua boca enquanto ele se sentava cuidadosamente no chão.
Ele então caminhou sobre o piso de sapatos e deitou-se na coxa de Ja-kyung.
— Oh, é confortável.
Ja-kyung exalou uma longa lufada de fumaça de cigarro e olhou ao redor da casa. A casa havia mudado tão drasticamente que ele se perguntou se era realmente a sua casa. Ficava no topo da colina, então sentar na sombra era bastante agradável. O vento soprava e resfriava o suor em sua testa, fazendo-o sentir-se vivo.
Ja-kyung, que estava olhando o quintal, olhou para trás. Viu uma porta firmemente fechada. Lá dentro, ainda parecia que sua mãe estava tendo casos com estranhos. Depois de olhar fixamente, ele baixou o olhar e olhou para Kang Il-hyeon, que fechou os olhos e mal se movia.
— Você está dormindo?
— Não.
— Isso… como você encontrou este lugar?
Kang Il-hyeon abriu os olhos. O rosto de Ja-kyung refletia-se em seus olhos lânguidos.
— Descobri por acaso quando estava procurando por você depois que você fugiu no ano passado.
No ano passado… Olhando para as lindas flores no canteiro e na parede, Ja-kyung suspeitou se Kang Il-hyeon teria feito aquilo. Kang Il-hyeon sentou-se e fez contato visual com Ja-kyung com uma expressão levemente séria.
— Estava vazia há muito tempo e coberta de poeira. Dizem que é mal-assombrada, então ninguém morou nela ou tocou nela.
— …
— Eu estava curioso para saber como você era quando jovem.
Kang Il-hyeon parou de falar e lembrou-se daquela época. Itens domésticos bagunçados, produtos para adultos e uma pequena quantidade de drogas espalhadas pelo quarto, garrafas vazias de álcool e cartas de baralho.
— Eu me perguntei se tinha vindo ao lugar errado, porque não havia vestígios ou coisas de quem cria uma criança.
Ja-kyung mordeu o lábio inferior. Não poderia haver nada disso, para começar.
— Pelo amor de Deus, se eles te deram à luz, deveriam ter tirado pelo menos uma foto. Você não acha?
As únicas roupas de criança que Kang Il-hyeon conseguiu encontrar foram alguns trapos. Não estavam desgastadas pelo tempo, eram daquele jeito desde o início. Não havia brinquedos, cadernos ou utensílios de escrita em lugar nenhum. Kang Il-hyeon rangeu os dentes com ódio nos olhos.
O nariz de Ja-kyung ficou ardido ao ver Kang Il-hyeon tomar as dores dele. Quando Ja-kyung tentou ignorar, dizendo a si mesmo que tudo aquilo estava no passado, Kang Il-hyeon levantou-se e caminhou até o canteiro de flores. Ele pegou um cigarro e fumou, então Ja-kyung pensou que ele estava fazendo aquilo para relaxar, mas Kang Il-hyeon entrou no canteiro e quebrou as flores que floresciam aqui e ali, uma por uma.
Ja-kyung franziu a testa.
— Por que você está colhendo as flores que estão perfeitamente boas?
Kang Il-hyeon fingiu não ouvir e continuou se curvando e carregando-as lentamente pelo quintal. Usando roupas largas, fumando um cigarro e segurando uma flor colhida aleatoriamente, ele lembrava a Ja-kyung um personagem vilão de um certo filme.
Parecia que ele estava prestes a tirar uma arma do bolso e atirar. Em vez de uma arma, ele estendeu uma flor. Quando Ja-kyung permaneceu imóvel, Kang Il-hyeon apagou o cigarro no chão e sorriu brilhantemente.
— Um consolo para você que cresceu sem ser amado quando criança.
Ah, por que esse homem era assim? Ja-kyung respirou fundo, e foi então que sentiu o cheiro. O cheiro de álcool. O cheiro de maquiagem pesada. O cheiro de cigarros. O cheiro de sêmen fétido. O cheiro de sangue. As vozes de seus pais gritando que nunca deveriam ter tido um filho como ele.
Ja-kyung manteve os olhos fixos no chão e não conseguia levantar a cabeça. Seu nariz ardia e seus olhos estavam quentes.
— Querido. Você pode pegar antes que meu braço caia?
Diante da piada dele, Ja-kyung levantou a cabeça. Em vez de seus pais abusivos, havia um homem bonito estendendo uma flor com um sorriso charmoso. O perfume das flores era tão forte que deixou sua cabeça tonta. Kang Il-hyeon tirou o celular e sentou-se bem ao lado dele.
Kang Il-hyeon ligou a câmera sem dizer uma palavra. Era estranho ver a si mesmo na câmera sentado lado a lado com Kang Il-hyeon.
— O que você está fazendo?
— Tirando uma foto.
Ja-kyung saiu do seu transe. Ele tentou fugir porque não gostava daquilo, mas foi pego e forçado a tirar a foto. A expressão de Ja-kyung na foto estava artificial. Kang Il-hyeon olhou desaprovadoramente.
— Porra. Saiu como se eu fosse o único que estivesse gostando.
Ja-kyung riu inconscientemente da reclamação infantil. Kang Il-hyeon olhou para o rosto sorridente de Ja-kyung, então puxou a nuca dele e engoliu seus lábios. Sua língua deslizou para dentro da boca aberta, percorreu o revestimento pegajoso e depois se afastou.
Depois disso, Kang Il-hyeon o abraçou apertado e acariciou suas costas e sua cabeça com sua mão grande.
— Obrigado por crescer bem.
A garganta de Ja-kyung apertou. Era o tipo de coisa que você geralmente só ouve dos seus pais. Ja-kyung enterrou os olhos no ombro de Kang Il-hyeon. Sentia que ia explodir em lágrimas.
— De agora em diante, eu te darei todo o amor que você precisar.
Foi bom ouvir a confissão sussurrada suavemente.
Se não fosse por aquela última frase, teria sido mais memorável.
— Se você receber isso de outra pessoa que não seja eu…
Kang Il-hyeon parou de falar e Ja-kyung segurou a respiração.
— Então seremos enterrados juntos neste jardim de flores, você entende?
Ja-kyung levantou a cabeça e franziu a testa, Kang Il-hyeon pressionou a cabeça de Ja-kyung de volta para descansar em seu ombro e deu tapinhas em suas costas para acalmá-lo. Bom garoto, está tudo bem.
Diferente de suas palavras assustadoras, sua voz era carinhosa como sempre.
Se era uma confissão ou uma ameaça, Ja-kyung não sabe dizer.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna