The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 139
𓆰𓆪 Episódio 139 𓆰𓆪: Observando pelas Frestas
— O restaurante de sopa da ressaca? De repente?
Lee Sayoung olhou para Cha Eui-jae com uma expressão perplexa. Yoon Ga-eul também o fitava com um rosto confuso. Mas Cha Eui-jae não estava em condições de responder. Ele estava segurando a cabeça nas mãos.
“Droga, como eu pude esquecer isso?”
Uma coisa era certa — era o relógio que ele tinha desde o primeiro momento em que despertou. Afinal, era um presente do sistema, dado ao primeiro indivíduo desperto!
Mas na época, não parecia especial, então ele apenas achava que o sistema distribuía lembranças.
“Merda, achei que era só para se exibir.”
Além disso, para alguém como Cha Eui-jae, que vivia uma vida agitada, um acessório que nem sequer era um item de alto desempenho era um luxo. Foi por isso que havia enfiado no inventário e…
Esqueceu completamente de sua existência. A vida tem sido muito agitada!
Então por que, depois de escapar da Fenda do Mar Ocidental, Cha Eui-jae estava usando o relógio que havia enterrado no inventário?
“Por que você fez isso?”
Não sei.
Mesmo quando se perguntou, não conseguiu chegar a uma resposta. Quando resolvia uma pergunta, outra surgia, uma após a outra. Estava enlouquecendo. Cha Eui-jae soltou um grito baixo.
Enquanto isso, a única pessoa que sabia por que precisavam ir ao restaurante de sopa da ressaca estava ocupada demais arrancando o próprio cabelo, então as outras duas não tinham ideia do que fazer. Só podiam observar. Mas não aguentavam ficar vendo-o se torturar.
Lee Sayoung estalou a língua suavemente e bateu as palmas propositalmente alto.
— Certo, vamos apenas presumir que precisamos ir ao restaurante de sopa da ressaca. De qualquer forma, temos que voltar.
— Hã?
— Há alguma forma de retornar ao mundo original?
Cha Eui-jae congelou no lugar, ainda agarrando a cabeça. O olhar de Lee Sayoung se aguçou.
— …Ah, você veio aqui sem descobrir isso? Assim mesmo?
— …
— Não é um pouco descuidado demais não ter nenhum plano? Garantir uma rota de fuga é o mínimo—
— …Me desculpa.
Ele murmurou um pedido de desculpas. Lee Sayoung, que havia estado repreendendo-o rispidamente, hesitou. Cha Eui-jae, cujo cabelo agora estava desgrenhado de tanto puxar, abaixou a cabeça profundamente.
— É culpa minha. Não esperava que você se envolvesse.
— …
— Se eu soubesse que isso aconteceria, não teria deixado você ser arrastado para isso…
Ver ele com a cabeça abaixada mexeu com algo em Lee Sayoung. Parecia uma dor surda perto do coração. Era a segunda vez que sentia isso, a primeira sendo quando Cha Eui-jae apareceu naquele estado miserável no Porto de Incheon.
Lee Sayoung cerrou os dentes e subitamente agarrou o braço dele. Cha Eui-jae o olhou com olhos arregalados. Nos olhos azuis brilhantes, Sayoung estava totalmente refletido.
Lee Sayoung murmurou através dos dentes cerrados.
— Não se desculpe.
— O quê?
— Não se desculpe.
Cha Eui-jae não havia feito nada de errado a Lee Sayoung. De forma alguma.
— Mas, mesmo assim…
Lee Sayoung estendeu a mão e desgrenhau o cabelo já bagunçado de Cha Eui-jae grosseiramente, o suficiente apenas para provocá-lo. Como esperado, Cha Eui-jae reagiu como o velho que era e agarrou a mão dele.
— Ei, o que você está—
— Yoon Ga-eul.
— Sim!
Ignorando as tentativas de Cha Eui-jae de afastar a mão, Lee Sayoung acenou com a cabeça em direção a Yoon Ga-eul.
— Você sabe alguma coisa?
— Hm, posso ter um momento para pensar?
— É tudo que você vai fazer?
— É melhor você pensar rápido.
Ignorando os dedos de Cha Eui-jae tentando empurrar sua mão, Lee Sayoung começou a arrumar o cabelo bagunçado.
— Parece que apenas nossas almas cruzaram para cá… Não seria bom permanecer separado dos corpos por muito tempo.
— …Ah, certo. Jung Bin também disse isso. Precisamos nos mover rapidamente.
— Hmmm… Ah! Então, talvez… J, naquela masmorra erodida…
— Hã?
Logo, o cabelo de Cha Eui-jae voltou à aparência original e arrumada. Não, estava um pouco diferente. Lee Sayoung estreitou os olhos. A cor do cabelo de Cha Eui-jae estava levemente mais clara. Como cabelo preto com tinta branca respingada.
Ou como se a cor tivesse desbotado.
— …
— Você mencionou para Hong Ye-seong-ssi que a reconstrução da masmorra foi causada por J.
— É isso mesmo.
— O que te fez ter tanta certeza disso?
— Há algo, mas…
Cha Eui-jae ficou sem palavras. Um fio de cabelo cinza-pálido caiu sobre o rosto.
— Quando você e eu vimos o fragmento, a masmorra reconstruída se parecia com um mundo que havia enfrentado a destruição. Assim como esse lugar.
— …
— Tive a sensação de que algo estava conectado. Se você sabe alguma coisa, por favor me conte. Pode ser a chave, J.
Um olhar inquieto roçou sua bochecha. O que o deixava tão ansioso? Era difícil saber. Lee Sayoung queria desenterrar a raiz da ansiedade dele. Expô-la completamente, lamber e devorar. Para que nunca mais se sentisse ansioso. Para que ele pudesse viver uma vida um tanto despreocupada, fazendo apenas o que quisesse.
Lee Sayoung sorriu deliberadamente para Cha Eui-jae, que o fitava. Então o induziu gentilmente.
— Por que não me conta?
— …
Cha Eui-jae coçou a cabeça e finalmente falou.
— …Desde que Yoon Ga-eul me mostrou o fragmento pela primeira vez, pensei que esse… mundo que havia enfrentado a destruição e a masmorra erodida… eram incrivelmente semelhantes à Fenda do Mar Ocidental. Não, eu poderia até dizer que são idênticos.
— …
— Quando Yoon Ga-eul mencionou a masmorra erodida, não recusei porque… só de ouvir falar me lembrava bastante da Fenda do Mar Ocidental.
Cha Eui-jae murmurou em voz baixa.
— São tão semelhantes… Não pode ser coincidência. Pensei que devia haver uma razão.
— …
Cha Eui-jae havia cerrado os punhos com força sem perceber. Seus punhos tremiam levemente.
— Então você está dizendo que a Fenda do Mar Ocidental, a masmorra erodida, e além disso… esse mundo que enfrentou a destruição poderiam estar todos conectados?
— …É. É só uma hipótese, porém.
— Se formos por essa hipótese.
Cha Eui-jae ergueu a cabeça. Lee Sayoung olhou ao redor.
— Então a causa da erosão pode estar aqui.
O homem de cabelo grisalho assentiu silenciosamente. Seu rosto outrora vibrante havia ficado pálido. Ele percebeu? Que todas as suas emoções estavam aparecendo no rosto. Lee Sayoung virou a cabeça para olhar para fora da parede.
No mundo que havia enfrentado a destruição, o sol nunca se põe. Há apenas luz do dia interminável. Se você ficar em tal lugar por tempo demais, vendo apenas o branco, seus olhos queimam. Como os de Nam Woo-jin. Se a Fenda do Mar Ocidental tivesse sido assim, era um milagre que os olhos de Cha Eui-jae não tivessem queimado. Lee Sayoung cruzou os braços e gesticulou em direção ao exterior com o queixo.
— Então vamos nos mover, assumindo que essa hipótese é verdadeira.
— …Você acredita em mim?
— Por que não acreditaria?
Lee Sayoung inclinou a cabeça em confusão.
— Afinal, o mundo virou de cabeça para baixo desde o Dia da Fenda, e minha alma foi arrastada para cá por alguma Masmorra Memorial ou seja lá o que for.
— Ah, certo. Também precisava falar com você sobre a Masmorra Memorial…
— Mais uma coisa?
Naquele momento, uma mão se ergueu fora do campo de visão dele. Por fim, Lee Sayoung olhou para baixo. Yoon Ga-eul os olhava de baixo para cima com uma expressão determinada.
— Com licença… sinto muito de verdade em perguntar, mas…
— Sim?
— …O que é uma Masmorra Memorial?
— …
— …
Os três trocaram olhares no ar. Era um momento em que precisavam organizar e compartilhar informações. Cha Eui-jae era uma pessoa muito boa, mas o problema era que ele pulava de forma imprevisível como uma bola de borracha. Era difícil dizer se ele conseguia ao menos gerenciar o trabalho do restaurante. Lee Sayoung arregaçou irritado as mangas brancas até os cotovelos.
— Todos saiam.
Um momento depois, os três estavam de pé em uma planície plana coberta de cinzas brancas macias. Para ser preciso, dois deles estavam de pé, enquanto Lee Sayoung estava agachado no chão, rabiscando algo. Depois de um tempo, Lee Sayoung soprou as cinzas das pontas dos dedos pretos e se levantou.
— …Para resumir.
O chão, coberto de cinzas brancas, estava cheio de letras escritas pelo dedo de Lee Sayoung.
— Não sabíamos, mas aparentemente o mundo enfrentou o fim duas vezes. Não apenas uma.
— Sim.
— Yoon Ga-eul só viu um fragmento até agora. E esse é…
O mundo onde Cha Eui-jae morreu. Lee Sayoung engoliu as palavras. Por que o Lee Sayoung daquele mundo deixou Cha Eui-jae morrer? O que ele estava fazendo enquanto alguém tão forte quanto Cha Eui-jae morria? Ele não conseguia entender.
E o que Lee Sayoung não conseguia se forçar a dizer, Cha Eui-jae disse facilmente demais.
— O mundo onde J morreu primeiro. Certo?
Soava horripilante. Lee Sayoung torceu os lábios. Uma leve cutucada tocou seu lado, mas ele a ignorou, cruzando os braços e fechando os olhos.
— Sim… é isso mesmo. Vi incontáveis fragmentos, mas nunca vi um mundo onde Hong Ye-seong-ssi e J existam juntos. Em todos eles havia apenas Lee Sayoung sobrevivendo. Mas há algo estranho nisso.
— O que é estranho?
— Por que é que… vamos chamá-lo de primeiro mundo por enquanto. Por que ninguém soube sobre ele? Em ambos os mundos, J reverteu o tempo usando o relógio, certo? Então por que há uma diferença?
— Também fico curioso sobre isso, mas aquele maldito Hong Ye-seong disse palavras estranhas e desapareceu.
— O relógio está no restaurante de sopa da ressaca, certo?
— Hã? É.
— Então temos que nos mover de qualquer jeito.
Se a misteriosa figura de capa é de fato o Lee Sayoung que perdeu Cha Eui-jae, aquela versão dele faria algo para prejudicar o vivo?
Nesse caso, não seria Lee Sayoung.
Isso era certo.
Devia haver uma razão pela qual Yoon Ga-eul foi trazida a esse lugar. Lee Sayoung abriu os olhos. Deve ser para guiar as ações de Cha Eui-jae. Ele definitivamente procuraria Yoon Ga-eul assim que recobrar os sentidos. Há algo por perto.
— Me sigam.
— Você descobriu alguma coisa?
— Talvez.
O som de dois pares de passos o seguiu. Com o olfato extremamente desenvolvido, não demorou muito para detectar um aroma estranho. Logo, em vez de uma superfície plana, o chão ficou irregular. A diferença de altura era extrema demais. Foi então que um grito veio de trás.
— Você está bem?
Cha Eui-jae agarrou o braço de Yoon Ga-eul quando ela quase tropeçou para a frente. Yoon Ga-eul mordeu o lábio e assentiu. Ela se abaixou e puxou o que a havia feito tropeçar.
Era um osso.
— …
Lee Sayoung varreu as cinzas do chão com o pé. Eventualmente, sob as cinzas, um crânio com a testa rachada apareceu, como se estivesse abrindo bem a boca.
— Isso é… Não, esse lugar… Espera, espera um minuto.
— J? O que foi?
A voz que murmurava estava tremendo incontrolavelmente. Um baque surdo foi ouvido quando alguém desabou no chão. Lee Sayoung rapidamente virou a cabeça.
Cha Eui-jae estava engatinhando, varrendo as cinzas do chão. Em todo lugar que sua mão se movia, incontáveis ossos eram revelados.
— Oh, oh…
Uma gota de água caiu sobre os ossos.
Cha Eui-jae estava chorando.
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki