The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 110
𓆰𓆪 Episódio 110 – Curto 𓆰𓆪
Bip, bip, bip… O alarme soou alto. J abraçou cuidadosamente o menino, colocando o mínimo de força possível nos braços. O menino, aninhado em seu abraço, tossia intermitentemente.
O cheiro de sangue persistia. J acariciou gentilmente a espinha proeminente do garoto. O corpo dele, reclinando-se impotentemente contra J, parecia estranhamente leve, e seu batimento cardíaco, embora fraco, era rápido, como se provasse que ainda estava vivo.
“Ele está vivo.”
Eu o salvei. Salvei essa criança.
J reafirmou a verdade surpreendente. Só então seu corpo, que antes estava tenso, relaxou. Ele suspirou. O corpo do menino, que havia acabado de parar de tossir, se contraiu. Parecia que ele sabia que havia feito algo errado. No entanto, J não estava com vontade de ficar bravo. Graças a esse menino, ele mal havia recobrado os sentidos.
“Por que morrer? Você tem que viver até o fim…”
Só assim poderia continuar vivendo com essa criança teimosa, auto afirmativa e muito ativa. J suspirou mais uma vez, um suspiro bem mais longo desta vez. A mão ensanguentada do menino soltou cautelosamente a gola de J, que pressionou a bochecha contra o alto da cabeça do garoto e murmurou:
— Está doendo?
— …
— Deve estar doendo… Por que você fez isso de repente?
Como sempre, nenhuma resposta veio. Mas, com o passar do tempo, J conseguia encontrar respostas nas pequenas reações do garoto.
Respirações claramente difíceis e um corpo tremendo. Um menino que havia aprendido a suportar em vez de dizer que estava com dor. J deu tapinhas nas costas dele. O calor contra seu corpo era reconfortante.
— Você pode fazer qualquer coisa… mas não me assuste assim. Entendido?
— …
— Os médicos vão chegar em breve. Aguenta só mais um pouco.
— …
O menino, que estava ouvindo em silêncio, de repente balançou a cabeça. Então, como se tentasse escapar do abraço, ele começou a empurrar o peito de J. Sobressaltado, J agarrou o braço dele.
— O que foi? Por quê?
— …
— Você não quer ver os médicos?
A resposta foi ambígua. Não parecia que ele gostava ou não gostava particularmente deles. Em momentos como esses, era melhor fazer uma nova pergunta. Depois de revirar os olhos por um momento, J esfregou a bochecha contra o alto da cabeça do garoto e perguntou de forma brincalhona:
— Ou você só quer ficar comigo?
A cabeça sob sua bochecha começou a acenar vigorosamente. Foi uma reação tão clara que o surpreendeu. Ele fitou o menino com uma expressão aturdida. Então um sorriso floresceu atrás da máscara. E esse sorriso se transformou em uma gargalhada num instante.
— Haha! Ah… sério.
O menino começou a se mexer como se tentasse escapar dos braços de J, que apressadamente o abraçou com mais firmeza e o acalmou.
— Espera, espera. Não estou rindo de você. É sério.
— …
— …Ahem, ahem. Aguenta.
J tirou do inventário um frasco de líquido azul-céu opaco. O líquido se arrastava dentro do frasco como se tivesse vida própria. Era um pedaço de gosma que havia pegado depois de ver caçadores brincando com aquilo. Ele achou que seria um bom brinquedo para uma criança, mas parecia ter encontrado um novo uso.
Ele arrancou um pedaço e jogou em direção à fresta da porta. O pedaço de gosma bateu na fresta com um estalido e lentamente se expandiu, vedando completamente a pequena abertura. Com ela grudada assim, seria difícil para qualquer um abrir a porta.
“Já que estou nisso…”
Ele arrancou outro pedaço pequeno e jogou na câmera de segurança no teto. O pedaço se contorceu e envolveu toda a câmera. J bateu palmas.
— Certo… Agora ninguém pode entrar. Satisfeito?
— …
— Honestamente, você é mesmo trabalhoso.
Sua voz, que soava como uma repreensão, estava cheia de afeto inegável. O menino se inclinou mais perto. As partes superiores de seus corpos se pressionaram. Provavelmente agora o garoto conseguia sentir o batimento cardíaco de J. Ele deu tapinhas nas costas do menino e, sem pensar, deixou escapar algo que não pretendia dizer.
— …Vou ficar ausente por um tempo.
— …
— Bem, desta vez pode demorar muito. Nem sei quanto tempo vai ser…
Uma mão que mal conseguia segurar qualquer coisa agarrou sua camisa com desespero. J fitou aquela mão por um momento antes de perguntar.
— …Você está me dizendo para não ir?
O menino assentiu lentamente. Como seria ótimo se pudesse. Honestamente, J também não queria entrar na confusão. No passado, teria entrado imediatamente ao receber ordens. Sem qualquer julgamento, só fazendo o que mandavam. Sem considerar a própria vida. Mas a razão pela qual ainda estava aqui era…
Ele ergueu um pouco a máscara que cobria todo o rosto. Embora ainda tivesse uma aparência jovem, uma mandíbula afiada, que indicava que agora era um homem adulto, foi revelada.
— Me dê sua mão.
— …
Ele guiou a mão que agarrava sua camisa até o próprio rosto. Assim que os dedos tocaram sua pele nua, eles se contraíram como se queimassem. J deu uma risadinha suave.
— Toca direito.
— …
— A gente prometeu, lembra? Disse que deixaria você tocar. Bem, este é meu rosto, não uma máscara…
— …
— Você não estava curioso?
Com seu encorajamento gentil, os dedos que haviam congelado no lugar roçaram cautelosamente sua bochecha. J fechou os olhos e ofereceu o rosto tranquilamente. A hesitação foi derretendo enquanto seus dedos continuavam a se mover, deslizando da bochecha até o queixo e parando no lábio inferior. Os lábios de J se curvaram levemente para cima. Ele deliberadamente abriu a boca e perguntou.
— Por que parou?
— …
Os dedos, sobressaltados, saltaram de seus lábios. O movimento cauteloso divertiu J, tornando difícil conter seu lado brincalhão. Afinal, as reações eram interessantes. Então ele disse de forma provocadora.
— Você é a primeira pessoa a tocar meu rosto assim.
Aqueles dedos, que estavam tocando seu rosto, pararam de repente. J gentilmente pressionou a bochecha contra a palma da mão do menino. O calor encontrou ainda mais calor. A temperatura corporal humana era reconfortante. Era prova de vida. Os lábios de J se moveram ligeiramente.
— …Vou voltar.
Ele sabia. As chances de retornar eram extremamente baixas. A possibilidade de encontrar sobreviventes lá dentro também era mínima. Mas tinha que ir. Todo mundo queria que ele fosse. Eles queriam que J entrasse na misteriosa fenda e a eliminasse.
Como heróis sempre fizeram. Porque um herói deve ser assim.
J concordou com os desejos deles. Tinha que salvar quem pudesse. Nenhuma razão era necessária para salvar pessoas. Já que ele próprio pensava assim, ninguém podia detê-lo.
“…Exceto você.”
J olhou para seu único ser. O rosto do menino estava ligeiramente distorcido. Parecia que ele poderia chorar em breve. Como era egoísta pedir a alguém que esperasse por uma pessoa que talvez nunca voltasse.
Mesmo assim.
Ele se permitiu esse pequeno egoísmo. Com cuidado, revelou seu coração.
— Você vai me esperar?
Não houve resposta. O menino retirou a mão da bochecha de J. Claro. Era compreensível. Justo quando J estava prestes a fechar os olhos.
— …
O menino estendeu o dedo mindinho.
***
Na verdade, o que aconteceu na fenda do Mar Ocidental está turvo. Mesmo quando tenta se lembrar, apenas cenas curtas e fragmentadas vêm à mente.
Ele lembrava de ter pensado que a visão de cinzas brancas puras, caindo como neve, era bela, mas, antes mesmo de terminar esse pensamento, viu sangue espirrando sobre aquelas cinzas brancas.
Matar monstros, encontrar partes dos corpos de caçadores que haviam entrado antes, assistir companheiros caçadores serem despedaçados por monstros, ouvir os gritos por socorro, os choros, os sons inumanos, as últimas palavras da tia morrendo…
Cavar pilhas de corpos para ao menos recuperar um membro, enfiar uma presa na cabeça de um basilisco apenas para ser recebido por um silêncio mortal…
“E então acordei no lixão.”
Cha Eui-jae sorriu com amargura e jogou as sacolas que segurava na pilha de lixo. Ele tirou as luvas de plástico e passou a mão pelo cabelo sufocante.
“Dizem que, se você está sob estresse demais, apaga partes da memória. Suponho que foi isso que aconteceu comigo. É só minha própria especulação. Aquele lugar era o inferno.”
Sim, aquele lugar era um caldeirão de vida e morte.
Atraindo inúmeras vidas e as aprisionando, deixando apenas um sobrevivente…
Depois de perceber que aquele lugar era um caldeirão de vida e morte, Cha Eui-jae parou de tentar juntar suas memórias fragmentadas. Ele apenas repetia os nomes e rostos daqueles que não conseguiu salvar.
Mesmo que o corpo de Cha Eui-jae estivesse lá fora, J parecia permanecer naquele caldeirão. Cavando entre os cadáveres dos companheiros, vagando pelo vazio, esperando por sobreviventes. Lembrando daqueles que não conseguiu salvar.
Segurando a determinação e a promessa de salvar todos. Sozinho.
“E agora…”
Ele havia finalmente escapado daquele caldeirão.
Cha Eui-jae caminhou sem hesitação. Uma luz alaranjada e quente cintilava de um restaurante de sopa para ressaca. Diante da robusta porta de ferro fechada estava algo brilhante. Era um hóspede bem-vindo. Cha Eui-jae sorriu amplamente.
— Kkokko!
— Coó?
A galinha de cerâmica se virou ao som de sua voz. Carregando uma caixa do tamanho de uma cabeça humana nas costas, Kkokko pulava no lugar.
— Cooó!
Ao mesmo tempo, o celular no bolso do avental de Cha Eui-jae tocou. Era uma mensagem. O remetente era…
[010-XXXX-XXXXX: Seu pedido chegou. Por favor, verifique o arquivo em anexo.]
Um Pequeno Milagre, Seo Min-gi.
↫。。⛧ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki