The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 140
𓆰𓆪 Episódio 140 𓆰𓆪: Observando pelas Frestas
— …Hyung?
Sua mente ficou em branco. Lee Sayoung estava congelado no lugar como se estivesse pregado ao chão. Ele não conseguia respirar. Cha Eui-jae, ainda de mãos e joelhos, fitava os ossos que cobriam o chão.
— Isso não pode estar acontecendo…
Sua voz era fraca e vazia, soando quase atordoada. Era um tom que Lee Sayoung nunca havia ouvido antes, a ponto de ele mal conseguia reconhecê-la como a voz de Cha Eui-jae.
Logo, Cha Eui-jae cambaleou ao se levantar e começou a caminhar. As palmas das mãos e os joelhos das calças estavam manchados de branco pelas cinzas do chão. Sua expressão estava vazia, desprovida de qualquer emoção, exceto pelas lágrimas que continuavam caindo.
Ele está chorando. Cha Eui-jae está chorando.
A voz trêmula penetrou a névoa na mente de Lee Sayoung.
— Espera, se todo esse chão é feito de ossos…
Yoon Ga-eul se aproximou de um pequeno monte e varreu as cinzas acumuladas, revelando o que parecia ser costelas. Ela soltou um pequeno grito. Seus olhares se encontraram, cheios de ansiedade.
— Aqui, por aqui. Poderia ser… poderia ser tudo isso…
— …
Lee Sayoung virou a cabeça para seguir a figura que se afastava de Cha Eui-jae. Ele cambaleava em direção a algo. Seus movimentos pareciam estranhamente familiares.
O terreno aqui era irregular, com pequenos montes espalhados por toda parte. Se tudo isso fosse realmente ossos, como Yoon Ga-eul sugeriu… e se o comportamento de Cha Eui-jae fosse tão familiar quanto parecia… um mundo destruído, semelhante à Fenda do Mar Ocidental… e o único sobrevivente daquela fenda…
Cha Eui-jae.
Lee Sayoung gesticulou urgentemente para Yoon Ga-eul.
— Siga-o!
— O quê? Ah, certo!
Lee Sayoung começou a correr, perseguindo Cha Eui-jae, que agora estava bem à frente. Ele não podia deixar Cha Eui-jae sozinho. Ele tinha um forte pressentimento sobre isso. Estranhamente, quanto mais se aproximava da figura que se afastava de Cha Eui-jae, mais a ansiedade crescia. Lee Sayoung cerrou os dentes. Quando finalmente se aproximou dele, se viu parando. Diante deles se erguia o maior monte que haviam encontrado até agora, e ao redor dele estavam entrelaçados ossos lisos.
No topo do monte, um crânio enorme com a boca bem aberta era vagamente visível.
Cha Eui-jae fitava o monte de baixo para cima. Seu rosto, drenado de toda a cor, permanecia inexpressivo, salvo pelo fluxo interminável de lágrimas. Ele murmurou,
— Eu… fui tarde demais.
— Não, você não foi.
Lee Sayoung negou instintivamente. Mas Cha Eui-jae não estava ouvindo.
— Não… mesmo antes disso… havia tantos ossos aqui.
Seu murmúrio continuou. Implacavelmente.
— Matei o basilisco e tentei reunir os corpos dos companheiros… mas estavam todos misturados com os monstros, e não consegui encontrar todos. Os corpos estavam todos em pedaços.
Lee Sayoung também havia visto. O chão coberto de ossos, encharcado de sangue, sem distinção entre monstros e humanos, tudo emaranhado em uma bagunça horripilante. E no meio dos corpos espalhados e poças de sangue, havia alguém encolhido, encharcado de sangue, murmurando para si mesmo enquanto fitava alguns membros humanos dispostos à frente.
Cha Eui-jae.
…Eu?
Lee Sayoung contraiu o rosto e agarrou a cabeça. Parecia que o crânio estava se partindo ao meio. O mar de ossos coberto de cinzas brancas e o mar de ossos encharcado de sangue vermelho se sobrepunham e cintilavam diante dos olhos.
Ele nunca havia visto isso.
Mas havia visto.
Lee Sayoung se dobrou, agarrando a cabeça. Parecia que estava prestes a vomitar de tontura.
— Ugh…
— V-você está… está bem?
Enquanto isso, Cha Eui-jae deu mais um passo. Sua mão branca de cinzas se estendeu para tocar o monte. O ponto onde a palma tocou foi limpo, revelando o que estava escondido embaixo.
Eram todos ossos.
— Tudo estava misturado… Não conseguia distingui-los.
— J! Espera…
— Eu… tentei fazer algo, qualquer coisa. Mas no fim, não consegui salvar ninguém.
Cha Eui-jae ajoelhou diante do monte. Suas mãos trêmulas varreram as cinzas do chão. Misturados com os ossos de não-humanos estavam ossos humanos. Lágrimas claras caíam, gota a gota. Uma voz pequena e trêmula escapou de sua figura frágil.
— Fui tarde demais… e agora, todos estão assim…
Não.
— Tudo isso…
Não!
— É tudo culpa minha…
— Cha Eui-jae!
Seu nome penetrou os zumbidos nos ouvidos de Cha Eui-jae como um raio. Sobressaltado, Cha Eui-jae ergueu a cabeça e se virou para a voz que havia chamado seu nome. Lee Sayoung, agarrando a cabeça, o fitava. Seus olhos violeta ardiam de intensidade. No meio do mar de branco, eram as únicas coisas…
— Não diga algo tão estúpido.
— O quê?
Lee Sayoung gesticulou urgentemente para Yoon Ga-eul, que nervosamente andava de um lado para o outro atrás dele.
— Yoon Ga-eul. Olhe ao redor em busca de qualquer coisa incomum. Acho que esse lugar está conectado à Fenda do Mar Ocidental.
— Oh… certo! Vou te chamar se encontrar algo.
Yoon Ga-eul assentiu, depois fechou os olhos e os abriu novamente. Seus olhos começaram a brilhar intensamente com uma luz dourada. Antes de sair de seu lado, ela olhou para Cha Eui-jae uma última vez. Seu olhar era resoluto, como se dissesse que tudo ficaria bem.
O som de passos leves se afastou. Cha Eui-jae fitou o perplexo Lee Sayoung. Sem hesitar, Lee Sayoung ajoelhou em um joelho diante de Cha Eui-jae. Suas mãos grandes e quentes curvaram as bochechas e orelhas de Cha Eui-jae. Os choros que haviam ecoado ao redor se dissolveram no calor. Os lábios de Lee Sayoung se moveram.
Para de pensar nisso.
— Mas…
Hyung fez o seu melhor.
— Todas essas pessoas acabaram assim…
Olha para mim, Cha Eui-jae.
Seus olhos se encontraram. Nos olhos violeta de Lee Sayoung, Cha Eui-jae estava totalmente refletido. Seu polegar, escurecido pelas cinzas, gentilmente limpou as lágrimas dos olhos dele. Estava úmido. Só então Cha Eui-jae percebeu que havia estado chorando. O rosto de Lee Sayoung se aproximou. Sua testa roçou a de Cha Eui-jae, quente e macia. Seus lábios se moveram gentilmente.
Estou bem aqui.
O único que pode negar Cha Eui-jae,
é a pessoa que você salvou, que está de pé bem na sua frente.
Sayoung.
Está tudo bem.
Cha Eui-jae engoliu o soluço que subia em sua garganta. Suas testas se separaram, e logo depois, um calor reconfortante o envolveu como uma onda. Era o que havia ansiado. Cha Eui-jae envolveu os braços em torno do pescoço do calor e enterrou o rosto nele. Só então um pequeno soluço escapou.
Uma mão grande acariciou gentilmente as costas.
***
Fungando, Cha Eui-jae piscou os olhos inchados. Mesmo só de piscar, ele percebia como estavam inchados. De repente, uma mão apareceu em seu campo de visão, cobrindo os olhos. Cha Eui-jae murmurou,
— Estou bem agora.
— Claro que está.
— Não, sério. Já me acalmei.
— Então finja que estou fazendo isso porque quero.
— …
Cha Eui-jae ficou em silêncio. Uma risada suave fez cócegas em seus ouvidos. Justo então, passos leves se aproximaram, acompanhados de uma voz sombria.
— Sinto muito. Dei a volta por toda a área, mas não encontrei nada. É tudo apenas…
Sua voz foi morrendo, mas todos sabiam o que ela queria dizer. É tudo apenas cinzas e ossos. Yoon Ga-eul tossiu suavemente. Ao inspecionar mais de perto, seu pescoço estava úmido de suor frio, e sua aparência não estava boa. Cha Eui-jae perguntou,
— Ga-eul, você está bem? Está se sentindo mal?
— Ah, não… meu estômago está um pouco enjoado, mas é suportável.
Yoon Ga-eul não tinha muito tempo. Ela havia sido a primeira a ser arrastada para cá, havia vagado por esse lugar por mais tempo, e havia ficado separada de sua alma e corpo por mais tempo.
— …
— …Precisamos voltar rapidamente.
— Mas…
Yoon Ga-eul hesitou, olhando para o chão. Lee Sayoung, sentado ao lado dela, perguntou,
— Hyung, você se lembra da última coisa que matou nesse lugar?
— A última coisa que matei?
— Mesmo que esse lugar esteja conectado a um mundo destruído, ainda é um tipo de fenda. Naquele momento, teria seguido as regras do sistema. Se for o caso, deve haver um mestre da fenda. Precisamos matar o mestre para obter a pedra da fenda…
E abrir a fenda fechada. Cha Eui-jae removeu a mão que cobria os olhos e respondeu.
— Ah, isso seria…
Cha Eui-jae ergueu o olhar para o topo do monte. Mesmo depois de muito tempo desde sua morte, os ossos flexíveis que se enrolavam ao redor do monte ainda pertenciam a ele. O basilisco. Lee Sayoung, que também havia erguido os olhos para o monte, estreitou os olhos. Cha Eui-jae deu uma resposta breve.
— Enfiei uma espada na cabeça dele.
— Sério? Então vamos tentar enfiar de novo.
— O quê? Mas ele já está morto.
— Bem, temos que tentar algo. Precisamos voltar rapidamente. Que espada você usou? Qualquer espada serve?
— Não… Ainda tenho ela.
Cha Eui-jae sacou a Presa da Basilisco, que havia sido enterrada no canto mais profundo do inventário. A espada negra se contorceu em seu aperto como um peixe recém-capturado.
[“Presa da Basilisco” quer ter uma conversa]
[Pensamentos da Presa: Pensar que você me negligenciaria assim, está destinado a ser amaldiçoado!]
[Pensamentos da Presa: Você sabe quanto tempo faz desde que me tirou?]
[Pensamentos da Presa: Além de me negligenciar, você ainda colocou outras armas ao meu lado!]
[“Presa da Basilisco” parece um pouco solitária]
Então espadas também podem sentir solidão. Mas era verdade; fazia muito tempo desde a última vez que a havia tirado. Provavelmente desde a Exposição de Artesãos. Ele até havia usado uma lança quando lutou contra o golem.
“…Devo me sentir culpado?”
Com uma expressão levemente constrangida, Cha Eui-jae empurrou a espada em direção a Lee Sayoung. A presa se contorceu novamente.
[Pensamentos da Presa: Como ousas me passar para outra pessoa logo após finalmente me tirar! Está pedindo uma maldição!]
[Pensamentos da Presa: …Hã?]
O movimento inquieto em sua mão subitamente parou.
[Pensamentos da Presa: Mestre?]
↫。。⛧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki