The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 114
𓆰𓆪 Episódio 114𓆰𓆪: Curto
— Sim, Hyung.
Era uma voz suave e reconfortante. Mesmo enquanto esfregava a bochecha contra a mão de Cha Eui-jae, os olhos de Lee Sayoung estavam fixos nele. Nas pupilas escuras dele, a máscara preta de J estava refletida perfeitamente. Lee Sayoung, que havia estado fitando Cha Eui-jae em silêncio, selou o momento com uma voz gentil.
— Sou eu.
— … É realmente você?
Cha Eui-jae gaguejou. Para as primeiras palavras que conseguiu pronunciar, eram lastimáveis. Lee Sayoung piscou e então sorriu.
— É, cresci bem, não é? Ficou surpreso?
Ao contrário dele mesmo, Lee Sayoung estava sendo brincalhão. Cha Eui-jae só conseguia abrir e fechar a boca em silêncio.
“Como?”
“Você era uma cobaia?”
“Por quê?”
“Por que te levaram para lá?”
“Você sabia que eu era J?”
“Se sabia, desde quando?”
“Por que não me contou?”
Inúmeras perguntas surgiram e afundaram. Embora frequentemente engolisse palavras que queria dizer, era a primeira vez que tinha tantas coisas a dizer que não conseguia pronunciar uma palavra. Era impossível até mesmo escolher as palavras.
Lee Sayoung parou de esfregar a bochecha contra a palma de Cha Eui-jae e murmurou.
— O quê, você não acredita?
— …
Lee Sayoung torceu os lábios.
— Sou seu único sucesso, não sou?
》Único sucesso.《
— Você…
Baque, seu coração acelerou. Cha Eui-jae estremeceu como se tivesse sido atingido por um raio.
Ele pensava que era uma frase que nunca pensaria de novo. Além disso, nunca imaginou que a ouviria na voz de Lee Sayoung.
Ainda não parecia real. Em vez disso, uma sensação infundada de inquietação surgiu.
E se tudo isso fosse um sonho? E se tudo isso fosse apenas um mero delírio? E se ele estivesse confuso pelo cheiro de sangue que permeava o ar? Era como se o chão fosse ceder a qualquer momento, mergulhando-o em um abismo profundo.
J não acredita em milagres. Passou tempo demais na fenda para acreditar em milagres. Ver os restos de companheiros espalhados torna impossível acreditar. Conhecendo essa desolação, ele não podia esperar um milagre.
No entanto, apesar de tudo.
Na fenda do Mar Ocidental, J sonhou. Podia-se dizer que J em seus sonhos era mais feliz do que qualquer um. Acordar em uma cama macia e aconchegante, cumprimentar os pais, discutir sobre o café da manhã, conversar com a tia, fazer piadas com Jung Bin, e encerrar o dia contando ao menino o que havia acontecido naquele dia. A vida ordinária que ansiava mas nunca teve.
Quando abria os olhos, ainda estava cercado por um mar de sangue.
A esperança por um milagre foi sendo desgastada dia a dia. Cada vez que perfurava um monstro. Cada vez que não conseguia nem ouvir os gritos por socorro. Cada vez que encontrava vestígios do que costumavam ser seus companheiros.
Mesmo assim, J não perdeu seu último resquício de esperança. Ele se confortava e confortava os poucos companheiros que restavam, acreditando que de alguma forma conseguiriam sair vivos. Havia prometido. Não podia se tornar um mentiroso para o seu único sucesso. Aguentou apenas com esse pensamento.
O que finalmente quebrou o último resquício de seu espírito foi…
Encontrar a mão da tia.
— …
De repente, ele voltou à realidade. Cha Eui-jae fitou perplexo o jovem à sua frente. Era difícil acreditar que esse rosto limpo pertencia ao menino cuja pele era como bandagens. A mão que havia estado apoiada em sua bochecha se contraiu como se estivesse queimada.
Quando Cha Eui-jae tentou apressadamente retirar a mão, a mão negra que a cobria apertou. Uma voz gentil falou.
— Não, não é isso.
— O quê…
— Você tem algo mais a dizer, não tem, Hyung?
Outra mão negra se estendeu em direção ao seu rosto. Normalmente, ele teria desviado assim que a mão se movesse, mas Cha Eui-jae ficou parado, incapaz até de pensar em desviar. Logo, a mão grande cobriu sua máscara. Então, cuidadosamente, ela foi removida.
O ar frio tocou sua pele. Os olhos de Lee Sayoung se arregalaram ligeiramente antes de se estreitarem. A mão que havia coberto o rosto de Cha Eui-jae foi removida. Ao mesmo tempo, a mão de Cha Eui-jae caiu pesadamente.
Lee Sayoung murmurou.
— …Com um rosto assim.
— …
— Não há nada a ser dito.
Clang, o som da máscara batendo no chão de azulejos foi claro.
Simultaneamente, duas mãos negras se estenderam. Elas acariciaram as bochechas de Cha Eui-jae, assim como ele havia feito. O calor desconhecido do couro, aquecido pela temperatura corporal, pareceu estranho. Gentilmente, os polegares acariciaram seus olhos, como se manuseassem algo precioso.
— Você não pode ficar um pouco mais feliz, hã?
— …
O calor nas bochechas pareceu reconfortante, e Cha Eui-jae enterrou o rosto naquelas mãos grandes. Foi uma ação instintiva. Lee Sayoung soltou um pequeno suspiro.
— Não esperava essa reação.
— …
— Por que você parece estar prestes a chorar…
Só então Cha Eui-jae percebeu que seu rosto estava uma bagunça. Nem mesmo morder o interior do lábio conseguia suprimir as emoções que subiam.
Os milagres chegam apenas para aqueles que não os buscam? Depois de desistir de todos os desejos e entregar tudo, finalmente viu o que restava em sua mão. No vazio…
Seu único havia chegado até ele.
Como um milagre.
Incapaz de se conter, Cha Eui-jae estendeu os braços. Ele puxou o corpo sólido para um abraço. O corpo ficou rígido ao toque. Cha Eui-jae respirou fundo e expirou. Um cheiro adocicado o envolveu. Ao curvar a mão na parte de trás da cabeça, cabelos macios se entrelaçaram entre seus dedos.
Ele conseguia ouvir o batimento cardíaco do peito contra o seu e as respirações rápidas perto do ouvido. Ambos os corações batiam mais rápido do que nunca. Era o fato de que seus corações batiam em um ritmo semelhante que o fazia mais feliz.
Cha Eui-jae sussurrou com um rosto distorcido.
— Desculpa.
J sempre se perguntou o que deveria dizer quando voltasse.
No começo, a resposta não era difícil de encontrar. “Hyung voltou, você esperou, cumpri a promessa.” As palavras habituais. Palavras que podia dizer levemente sem nenhum peso. Mas quanto mais vagou na fenda, mais aquelas palavras alegres afundaram…
“ Tia!”
…e eventualmente se tornaram impossíveis de dizer.
O que restou em seu lugar foi…
— Desculpa pela demora.
— …
Culpa e…
— Desculpa por quebrar a promessa.
— …
— Desculpa por ter te feito esperar.
…Desculpas sem fim.
— Desculpa…
Lágrimas não vieram. Haviam secado há muito tempo. Ele sentiu a rigidez lentamente sair do corpo que estava segurando. Braços fortes se enrolaram em torno do seu pescoço.
Lee Sayoung expirou lentamente e baixou a cabeça. Sua bochecha macia e o cabelo tocaram o pescoço de Cha Eui-jae. Embora o peso pressionasse contra ele, ele não vacilou. Ficou firme, suportando todo o peso. Era seu fardo legítimo.
Uma voz, como um suspiro, ecoou em seu ouvido.
— Está tudo bem.
— …
— Porque eu cumpri a promessa.
Os dedos entrelaçados no cabelo macio de Lee Sayoung se contraíram. Ele se lembrou da cena na masmorra. Lee Sayoung, com um rosto pálido, sorrindo de forma torta. As palavras incompreensíveis.
— E se eu dissesse que tenho esperado por você?
O pedido egoísta que havia feito.
“ Você vai me esperar?”
Uma vez, quando estava encolhido entre cadáveres e sangue. Tentando pensar em outra coisa para não enlouquecer, o menino naturalmente veio à mente. E o fim desses pensamentos era sempre arrependimento. J se arrependia de ter feito tal promessa. Ele desejava não ter o prendido nem com um dedo.
Que inútil deve ter sido esperar por alguém que nunca voltaria.
Ironicamente, esse arrependimento salvou J. O arrependimento era a única âncora que o segurava, vagando sem rumo sem destino. Sem ele, bem, poderia ter se tornado parte do mar há muito tempo.
Naquele momento, lábios se moveram contra seu pescoço.
— Por que aqueles que deveriam se desculpar não o fazem, e aqueles que não deveria, o fez?
A voz, murmurada como uma maldição, logo recuperou seu tom gentil. Lee Sayoung esfregou a testa contra o ombro de Jae. O toque do cabelo fazia cócegas.
— Bem, você se atrasou… mas veio, não veio?
— …
— Você veio me encontrar.
— …
— Isso é suficiente.
Foi uma observação inesperadamente gentil. Cha Eui-jae não sabia como lidar com uma alegria assim. Tudo o que podia fazer era apertar o abraço em torno do corpo sólido. Diferente de suas memórias, desconhecido mas familiar, Lee Sayoung era, no fim das contas, seu menino.
Lee Sayoung era o único de Cha Eui-jae.
Eles ficaram ali, se abraçando em silêncio, ouvindo os batimentos cardíacos um do outro, como se fosse seu estado natural.
Cha Eui-jae deu tapinhas nas costas de Lee Sayoung e ergueu o olhar para o teto. No lugar da culpa que afundava, a raiva surgiu. Lee Sayoung havia sido cobaia do Prometeus. Mas quem ousou usar seu menino protegido como cobaia?
“Esses desgraçados…”
Naquele momento, Lee Sayoung, que estava aninhado contra ele, murmurou com uma risadinha.
— É melhor você não pensar demais, Hyung.
— O quê?
Cha Eui-jae respondeu com rispidez. Lee Sayoung deu uma risadinha.
— Seja puramente feliz. Só pense: “ele está vivo.”
O braço em torno de seu pescoço desceu para acariciar as costas dele. O toque desconhecido fez Cha Eui-jae ficar rígido. Lee Sayoung, que esfregava suas costas e omoplatas, sussurrou.
— O importante é que estou vivo…
— …
— …E que você voltou. Você veio me encontrar.
— …
— Isso é suficiente, não é? Você não acha?
Cha Eui-jae, que havia estado em silêncio, assentiu levemente em concordância. Lee Sayoung, que havia enterrado a cabeça no pescoço dele, a ergueu um pouco. Através do cabelo desgrenhado, seus olhos violeta brilhavam intensamente. No entanto, a pessoa que o segurava não viu isso. Âncoras sempre afundam fundo no mar.
Lee Sayoung murmurou.
— É, isso é suficiente.
Lee Sayoung cuidadosamente ergueu a cabeça e depositou um beijo na têmpora de Cha Eui-jae. Antes que pudesse sequer perceber, ele recuou. O olhar com que ele observava o jovem que o segurava estava cheio de afeição gentil. Mas ele não conseguia esconder as emoções que cintilavam por trás dessa afeição.
Lee Sayoung articulou em silêncio:
— Está tudo bem se você não souber de mais nada.
↫。。⛧ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki