The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 03.2
↫─Capítulo 03.2
Alguns dias se passaram.
Jang Taegun, exatamente como havia dito, retornava fielmente a Hannam-dong para buscar o sono. Na maioria das vezes, ele saía sem completar cinco horas ou se levantava sem ter descansado sequer duas horas em alguns momentos.
Ele sentia curiosidade sobre qual assunto o mantinha assim, mas apenas esperou calmamente.
O difícil era esperá-lo em locais onde ele não podia ser visto; esperá-lo no assento ao lado dele não era tão doloroso. Além disso, se Jang Taegun não contava, ele considerava que devia haver um motivo plausível para isso.
Ele entrava de madrugada apenas para buscar um sono breve, mas mesmo assim abraçava Lee Jaeha o tempo todo e não o soltava. Em alguns dias, o peito dele estava colado às suas costas enquanto o abraçava, e em outros dias, ele era puxado para dentro dos braços dele usando o braço dele como travesseiro.
Ocasionalmente, ele acordava Lee Jaeha adormecido para fazer carícias leves. Não chegava a evoluir para o sexo. Como ele precisava sair após dormir poucas horas, Lee Jaeha o detinha todas as vezes por achar que aquilo não seria bom para o cansaço dele.
Após isso acontecer várias vezes, um dia Jang Taegun disse com a voz ligeiramente irritada:
— Vai criar teia de aranha no meu pau.
Como ele esfregava e chupava, fazendo tudo exceto a penetração, achar que ele falava daquela forma era um absurdo e ao mesmo tempo engraçado, então quando Lee Jaeha depositou um beijo em sua bochecha, ele avançou e mordeu o pescoço de Lee Jaeha.
Sempre que isso acontecia, se ele acariciasse as costas dele com a palma da mão como se pedisse para ele apenas retornar ao lugar original, as mordidas agressivas se acalmavam antes que ele percebesse e ele passava a depositar beijos em vários locais.
E hoje, Lee Jaeha, que passara um período esperando por ele continuamente, também ganhou outro compromisso. Isso porque Lee Jaeho solicitou um encontro. Lee Jaeha não recusou o pedido do meio-irmão para que ele reservasse um tempo. Havia também uma voz incrivelmente desanimada para o padrão de Lee Jaeho, e o fato de ter saído daquela forma naquele dia o incomodava.
O local agendado para o encontro era um café não muito distante da vila de Hannam-dong.
Recentemente, graças ao fato de ter desfeito todas as malas na casa de Jang Taegun, foi fácil encontrar roupas para vestir e sair. Mesmo assim, tratava-se apenas de uma calça jeans e um moletom com capuz que ele costumava vestir sempre que ia se exercitar, cobertos por um casaco estilo terno casual. Ele queria vestir uma jaqueta acolchoada se possível, mas como fazia muito tempo que a havia adquirido, o aspecto parecia desgastado demais.
Na verdade, ele sequer conseguia saber se era uma roupa antiga ou não. Apesar de os funcionários a terem lavado bem, o fato de restarem vestígios de desgaste o fazia apenas supor que a aquisição daquela roupa havia ocorrido há bastante tempo. O guarda-roupa de Lee Jaeha, que não recebia a interferência da gerente Im, estava se tornando cada vez mais uma bagunça. A sorte era que, graças ao tom majoritariamente acromático das roupas, mesmo combinando de forma estranha, o conjunto parecia aceitável devido à sua estatura e porte físico.
No entanto, aos olhos de Lee Jaeho, que vestia-se bem e gostava de moda, aquilo parecia não ser o caso. Lee Jaeho, que reconheceu o moeton com capuz de Lee Jaeha, franziu o cenho assim que o viu entrar no café:
— …Você deveria jogar essa roupa fora. Já não faz mais de dez anos?
— O assunto.
Realmente fazia mais de dez anos. Lee Jaeha não demonstrou e apenas murmurou internamente. Quando ia se sentar, ele ergueu uma das sobrancelhas ao notar que havia uma xícara de café apenas diante de Lee Jaeho. Pensando que deveria pedir a sua também, ele ia chamar o funcionário, mas Lee Jaeho disse com uma leve pressa:
— …Se eu pedisse… antecipadamente…
— ……
— Fiquei com medo de você não consumir, hyung.
O rosto de Lee Jaeho, que falava daquela forma, havia se tornado vermelho. Com o rosto avermelhado até a parte de trás das orelhas, ele chamou o funcionário e pediu o café no lugar de Lee Jaeha. Lee Jaeha observou o perfil do meio-irmão.
O período em que Kim Ranhee vinha misturando substâncias na água potável ou nas refeições de Lee Jaeha era consideravelmente longo. Ela era uma mulher que merecia elogios por uma única coisa: a persistência. Não deve ter sido fácil misturar substâncias nas refeições esquivando-se do olhar do doutor Jeong, demonstrando cautela.
Lee Jaeho parecia estar relembrando aquilo. Lee Jaeha, que observava o meio-irmão de cabeça baixa e avermelhado, dobrou o braço apoiado na mesa para massagear o queixo antes de dizer:
— Você veio pedir desculpas no lugar de sua mãe, não é?
— ……
Lee Jaeho calou-se firmemente. Exibia uma expressão de quem teve o interior exposto sem restrições. Lee Jaeha soltou uma risadinha abafada, encostou as costas no encosto da cadeira e, ao receber o café trazido pelo funcionário, agradeceu brevemente.
Lee Jaeho continuava movendo os lábios timidamente. Os cantos dos olhos avermelhados indicavam que ele havia passado várias noites em claro.
Lee Jaeho sempre fora assim. Durante as férias de inverno, por querer brincar com Lee Jaeha, ele estragava as malas do irmão que ia para um acampamento de esqui na Suíça sem autorização ou fazia rabiscos na coleção de livros de romance que o irmão reunia. Sempre que era questionado sobre o motivo de fazer aquelas travessuras, ele ficava com os olhos avermelhados e calava-se firmemente.
Ele sabia do próprio erro, mas a aceitação era difícil. Se ele passasse dos limites, Lee Jaeha esperava e, apenas nos dias em que ele não pedia desculpas até o fim, ele o espancava.
Quando ele cresceu e passou a rebelar-se bastante, Lee Jaeha o amarrava e o espancava, o que o fazia sossegar um pouco. Pensando naquelas coisas, Lee Jaeha bebeu o café em silêncio. Pensando bem, ele não conhecia a preferência de café de Jang Taegun. Quando estava pensando que deveria perguntar a ele uma hora dessas, Lee Jaeho abriu a boca:
— …Mesmo que a minha mãe seja uma assassina… Eu não posso ser o primeiro a abandoná-la.
Lee Jaeho também sabia. Sabia que, em comparação com o pai que o espancava como a um cachorro a qualquer momento e sem motivo, o meio-irmão que aplicava punições de forma limpa apenas quando o erro era evidente era muito mais maduro. Sabia que, em comparação com a mãe que dizia pela frente “naturalmente o nosso Jaeha é o dono da Yushin” e por trás dizia a Lee Jaeho que a Yooshinera dele, Lee Jaeha, que sempre geria com um rosto silencioso, era muito mais justo.
Apesar disso, a mãe contribuiu para muitas coisas de Lee Jaeho. Embora pudesse ser uma figura pessimamente ruim para Lee Jaeha, o fato de o objetivo final da ambição dela ser Lee Jaeho não mudava.
Aquilo era algo inevitável. Lee Jaeho não poderia tomar a iniciativa de abandonar a mãe. Em vez disso…
— Me desculpe, hyung.
No motivo de ela ter passado a viver daquela forma, Lee Jaeho também estava incluído. Ele carecia de maturidade e reflexão, mas não carecia de consciência.
Lee Jaeho conhecia o cúmplice dela melhor do que ninguém. O cúmplice dela era ele próprio. Sendo assim, o arrependimento pelo crime do cúmplice também deveria partir dele.
Lee Jaeha, que observava esse Lee Jaeho fixamente, disse:
— Eu sabia que você falaria dessa forma.
— ……
— E falar dessa forma também traz um certo alívio.
Lee Jaeha imaginava que Lee Jaeho pediria desculpas a ele. Ele não seria a única figura daquela casa a praticar o arrependimento? Ele apenas deixava de concluir as tarefas para brincar, mas a natureza de Lee Jaeho não era má.
Lee Jaeha pousou a xícara de café que segurava e abriu a boca:
— Então o que é, você está pedindo para eu perdoar a sua mãe?
— ……
Lee Jaeha soltou um breve suspiro. Lee Jaeho agora tremia completamente da cabeça aos pés. Exibia exatamente a mesma expressão de quando bagunçou a mala de esqui do irmão e quebrou os óculos de proteção. Um rosto de quem sabe que errou a ponto de não ousar buscar o perdão.
Observando aquilo fixamente, continuou a fala:
— Não há o que perdoar ou deixar de perdoar. Mesmo que eu não me vingue, dada a personalidade de sua mãe, ela viverá de forma suficientemente infeliz.
— ……
— Para mim, isso basta. O fato de que ela viverá infeliz pelo resto da vida.
Somente então Lee Jaeho ergueu a cabeça. A calmaria retornou à sua fisionomia avermelhada, mas as lágrimas acumuladas nos cantos dos olhos haviam aumentado de tamanho.
— Obrigado, erg, eu vou fazê-la se arrepender…
— Sei.
Lee Jaeha acreditou apenas pela metade. Arrependimento dada a personalidade de Kim Ranhee. Não era uma tarefa fácil. Após quebrar os óculos de esqui, Lee Jaeho passara a noite inteira sofrendo. Devido ao sentimento de culpa direcionado ao irmão. No entanto, aquelas eram coisas que não existiam em Kim Ranhee ou Lee Ikhyung.
Pelo contrário, se existiam em Lee Jaeha, era o motivo. Devido a isso, era difícil para Lee Jaeha ignorar completamente Lee Jaeho. O fato de ele ser um irmão que se assemelhava a ele até certo ponto.
Lee Jaeha assentiu levemente com a cabeça e Lee Jaeho disse com um rosto um pouco mais aliviado:
— …Eu posso pagar o almoço?
— Esqueça. Como estão as coisas na agência ultimamente? Soube que abriram o capital.
— Ah, isso, desta vez um drama foi exportado para o exterior…
Somente então ele exibiu um rosto radiante. Diante da fala de que montaria uma agência para ele experimentar, ele inicialmente demonstrou satisfação, mas parece que vinha conciliando com as tarefas do setor de eletrônicos atento ao humor de Kim Ranhee.
Pensando que por ser assim foi fácil para ele desestruturar a empresa, ele não aplicou sermões por ele parecer entusiasmado. Como disseram que a empresa estabelecida há pouco tempo havia aberto o capital mesmo recebendo o suporte do capital, parecia que ele possuía algum talento para aquele lado.
Como começou a achar incômodo ouvir Lee Jaeho tagarelar mais, ele se levantou. Lee Jaeho perguntou mais uma vez, atento ao humor do irmão, se ele não iria almoçar antes de ir. Lee Jaeha disse com uma voz ligeiramente desdenhosa, exatamente como Jang Taegun costumava fazer:
— Vou almoçar com a sua cunhada.
— …Nossa, esse tratamento agora virou definitivo mesmo.
Lee Jaeho falou como se estivesse um pouco farto e, com os olhos avermelhados pelo choro, dirigiu-se ao seu carro estacionado diante do café. Ao ver que os olhos que choraram estavam inchados, passou pela sua cabeça a ideia de que aquele sujeito e ele eram realmente irmãos.
Como continuava sem talento para o estacionamento paralelo, ele havia estacionado cruzando a linha demarcatória e, como parecia que o carro da frente havia estacionado extremamente próximo por um espírito de retaliação, exibia uma expressão de choro enquanto retornava para a frente daquele veículo para verificar o número de celular.
Pensando que a permanência traria incômodos, ele se despediu brevemente e retornou à vila. Sem passar em casa, retirou o carro do estacionamento e dirigiu-se diretamente ao escritório de Jang Taegun.
Ficou na dúvida sobre em qual local ele estaria entre a sede da Janghan e o local comumente chamado de escritório, e acabou decidindo que deveria ir primeiro à sede da Construtora Janghan.
Ele não fez contato de propósito. Isso porque desejava ver a reação de surpresa.
Pensando se seria bom fazer contato com Myeongsun, ele retirou o celular e viu que a bateria estava no limite por não ter feito o carregamento antes de dormir à noite. Como não havia saído com o carro que possuía o cabo de carregamento e sim com outro veículo, não pôde carregar no carro. Como pretendia apenas ver o rosto dele e sair caso ele estivesse ocupado, dirigiu-se diretamente à sede.
Disseram que a sede da Construtora Janghan estava prestes a passar por uma mudança de prédio no próximo ano. Ele havia ouvido dizer que a escala havia crescido consideravelmente nesse meio-tempo, acelerando os preparativos para a mudança de prédio.
O estacionamento também era descrito como estreito, mas felizmente restavam vagas quando Lee Jaeha chegou. Lee Jaeha, que subiu do subsolo, dirigiu-se à recepção.
Somente então a vestimenta causou incômodo. Ele arrependeu-se pensando que deveria ter vindo vestindo pelo menos um terno casual, mesmo que não fosse formal, e transmitiu a mensagem à recepcionista:
— Sou Lee Jaeha. Vim ver o diretor Jang Taegun.
A recepcionista arregalou os olhos. Não era um rosto que desconhecia com quem o diretor da Janghan havia se casado. Ele pensou que poderia poupar o trabalho de chamar Myeongsun ou Jeonggil.
A recepcionista passou imediatamente pela recepção, aproximou seu cartão de segurança e abriu o caminho para Lee Jaeha. Quando ele sorriu acompanhado de uma reverência como forma de agradecimento, os olhos dela se arregalaram mais uma vez. Aparentemente, ela o achava fascinante. Coçando a nuca por pensar se a vestimenta estava tão estranha assim, ele subiu no elevador que acabara de chegar e ia apertar o botão do último andar, onde ficava o escritório de Jang Taegun.
A porta do elevador não havia se fechado completamente e, através daquela fresta, avistou alguém familiar passando. Era Jang Taegun.
Lee Jaeha assustou-se e apertou primeiro o botão de abertura do elevador. Quando ia projetar o corpo para fora do elevador, houve alguém que chamou Jang Taegun antes de Lee Jaeha.
— Taegun.
Tratava-se de um ômega de estatura alta e que transmitia uma sensação esguia. Lee Jaeha o encarou fixamente. Onde o teria visto. Havia uma sensação familiar. Lee Jaeha franziu o cenho.
E naquele exato momento a porta se fechou. Bem no instante em que Jang Taegun pareceu olhar em direção ao elevador onde Lee Jaeha estava. Por ter apertado o último andar primeiro, dentro do elevador que subia sem interrupções, ele pensou distraidamente sobre o ômega que acabara de ver.
Onde o teria visto… A memória estava borrada. Sem conhecer o seu íntimo, o elevador subiu velozmente e o expeliu acompanhado de um sinal sonoro. Diante do escritório desprovido de dono, Lee Jaeha continuou se esforçando para relembrar aquele ômega.
—
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna