The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 03
↫─Capítulo 03
Kang Donghyuk era um especialista em feromônios que havia acabado de abrir sua clínica em uma cidade na periferia do sul da província de Gyeonggi. Ele tinha tanto orgulho do hospital que havia montado com empréstimos bancários que, mesmo não fazendo atendimentos noturnos, costumava ficar sozinho ali até tarde da noite.
Também era comum ele abrir uma cerveja enquanto assistia a programas de entretenimento na enorme TV instalada na parede da sala de espera. Ele não tinha muita vontade de ir para casa. Natural de Gyeongsang, ele morava sozinho, mas como ainda não havia quitado o financiamento estudantil da faculdade de medicina, seu apartamento era extremamente pequeno.
Ele conseguiu abrir a clínica porque muitos bancos concediam bons empréstimos apenas com a apresentação da licença médica, mas ainda não tinha juntado dinheiro para comprar uma casa. O dinheiro que economizara até o período da residência havia sido investido na abertura do negócio.
Por isso, o abismo entre a clínica, que ele considerava esplêndida à sua maneira, e o seu próprio quarto era tão grande que ele evitava voltar para casa.
Naquele dia, Kang Donghyuk pretendia pedir algo simples para entregarem e deitar no sofá da sala de espera para assistir à TV.
Isso, claro, antes de o hospital ser invadido por uns brutamontes.
— Quer dizer que você não entendeu o que eu disse?
— N-não é isso, mas…
A invasão da pequena clínica de Kang Donghyuk por um homem careca, com uma estatura absurdamente alta e o físico do tamanho de uma montanha, acompanhado por outro homem, mais alto que Kang Donghyuk porém menor que o companheiro, e que possuía um olhar extremamente afiado, havia acontecido há vinte minutos.
Como alguém estava batendo na porta automática que já se encontrava fechada, Kang Donghyuk presumiu, naturalmente, que era a comida que havia pedido.
Mesmo quando a silhueta borrada de um homem enorme apareceu através do vidro opaco da porta automática, ele apenas pensou que a luz refratada fazia o entregador de capacete parecer gigante.
E não era para menos, o homem careca parecia ter facilmente cerca de dois metros de altura. Ele jamais esperaria que aquela fosse a estatura de um homem comum.
Assim que ele abriu a porta, os dois homens entraram implacavelmente na clínica de Kang Donghyuk.
— O-o-o-o que os senhores desejam?
— Quantas vezes você vai gaguejar? Viemos para uma consulta, então trate de se preparar.
O homem de olhar afiado disse a Kang Donghyuk com uma risadinha abafada. Kang Donghyuk entrou em pânico. Uma consulta? Ele correu os olhos discretamente em direção ao relógio e viu que eram nove da noite.
Percebendo o olhar dele, o homem de olhos afiados falou novamente:
— Ah, eu sei que está tarde, mas a situação é urgente, entende? Vamos pagar muito bem pela consulta, então se apresse e prepare as coisas. Como uma pessoa importante está vindo, vista aquilo lá, sabe? Aquele jaleco branco.
Kang Donghyuk hesitou por um instante, pensando se deveria chamar a polícia naquele exato momento.
O homem alto, que permanecia em silêncio, colocou sobre o balcão da recepção um envelope de papel branco que estava ligeiramente estufado nas costuras devido ao conteúdo volumoso dentro dele. Ele também fez um leve aceno com o queixo em direção ao envelope. Parecia um comando para abri-lo.
Kang Donghyuk engoliu em seco e o abriu. O peso era considerável e, embora estivesse desconfiado, o envelope estava completamente cheio de notas de cinquenta mil won. Kang Donghyuk engoliu a saliva.
— Ei, Myeongsun. Parece que o doutor ficou com vontade de trabalhar agora. Explique para ele.
O homem de olhar afiado deu uma risadinha ao ver o pomo de Adão de Kang Donghyuk saltar e se aproximou do purificador de água da clínica.
Em seguida, agindo como um paciente regular que frequentava aquele hospital há mais de dez anos, ele rasgou naturalmente um sachê de café solúvel que fora deixado para os visitantes, despejou-o em um copo de papel e o encheu com a água quente do purificador.
Kang Donghyuk olhou para o homem enorme com o olhar trêmulo e disse:
— S-sendo assim, o nome do paciente, o endereço e o número de registro de identidade…
O homem respondeu com uma expressão rígida em seu rosto severo e intimidador, sem suavizar o tom:
— Você só precisa atender a próxima pessoa que vai chegar, mas deve fazer de forma que não fiquem registros médicos ou de seguro de saúde. Como não haverá registro, você também não precisa saber o nome do paciente.
— Não, mas isso não faz o menor sen…
Foi no momento em que Kang Donghyuk tentou contestar a fala do homem. Afinal, não fazia sentido realizar uma consulta sem os dados pessoais do paciente.
— Ora? Por que não faz sentido? O pagamento é tão generoso que eu pensei que tudo isso fosse o adicional noturno do doutor. O diretor é tão competente assim? É a reencarnação de Hur Jun?
O homem que estava preparando o café solúvel ao longe começou a pressionar Kang Donghyuk, sem que ele percebesse quando havia se aproximado.
Kang Donghyuk sentiu vontade de chorar. Hur Jun é da medicina tradicional coreana… Se for para comparar, eu sou de Hipócrates…
— Não vai responder.
— S-Sim! Vou me preparar.
Encurralado por dois homens que visivelmente não pareciam pessoas comuns, Kang Donghyuk apenas assentiu com a cabeça.
“Tudo bem… As enfermeiras já foram embora, então basta eu manter a boca fechada.”
Ele pensou assim. Ao ver que eles usavam linguagem formal e mencionavam que uma pessoa importante estava vindo, passou pela sua cabeça a ideia de que o líder de alguma organização criminosa estava a caminho.
Qual seria a probabilidade de uma pessoa comum cruzar com um gângster na vida? Kang Donghyuk esperava pelo paciente que logo chegaria, tremendo metade por curiosidade sobre o motivo de um chefe de facção procurar uma clínica de feromônios e endocrinologia, e metade por medo de errar o diagnóstico e acabar tendo o hospital fechado pelas mãos dos criminosos.
No entanto, ao contrário do que Kang Donghyuk previra, quem entrou na sala de consulta foi um alfa de aparência limpa e serena.
— Olá.
— Ah, sim, sim… P-pode se sentar aqui.
Kang Donghyuk apontou para o sofá com a mão trêmula.
Se formos analisar, este homem também emanava uma aura inacessível, mas era completamente diferente do chefe de quadrilha que ele havia imaginado.
Ele vestia um terno casual elegante sobre uma malha branca de gola alta feita de um cashmere fino. Apesar das vestes bem alinhadas, seu porte físico forte e saudável se revelava discretamente, fazendo-o parecer alguém saído de um ensaio fotográfico.
Contudo, ele não transmitia a sensação de ter se produzido de propósito, parecendo menos uma celebridade e mais um civil extremamente bonito, algo raríssimo de se ver. Se fosse para adivinhar sua profissão, ele parecia alguém que geria grandes negócios. Havia uma tranquilidade que transbordava naturalmente de suas expressões e gestos.
O alfa de pele alva, com os cabelos castanho-claros elegantemente penteados para trás, possuía lábios de um tom rosa suave. Até mesmo aquela cor, que poderia parecer delicada demais, combinava perfeitamente com suas feições masculinas.
Enquanto o homem bonito, cuja fisionomia transmitia uma vaga sensação de severidade, entrava na sala de consulta com um leve sorriso e se sentava no mocho, Kang Donghyuk examinava sua aparência em um estado ligeiramente atordoado. Ele não pôde evitar fixar os olhos nele, sabendo que era uma falta de educação. Isso porque a outra parte era excessivamente bonita.
Ele abriu a boca com uma voz que não poderia ser descrita de outra forma senão como tendo uma excelente textura.
— Peço desculpas por vir em um horário tão tardio, doutor. Fiquei grato ao saber que compreendeu a situação.
Kang Donghyuk, que estivera distraído por um momento, só então percebeu que aquela saudação era direcionada a ele e respondeu balançando a cabeça exageradamente:
— Ah, sim, s-sim.
Diante de um pedido de desculpas e agradecimento que não eram excessivos, como um copo de água preenchido na medida certa, Kang Donghyuk ficou tão tenso que, ao concordar com a cabeça, sua voz acabou desafinando. Quando um som que parecia ter vindo de suas cordas vocais pressionadas saiu sem querer, ele tossiu falsamente, tentando se acalmar.
Uhum, mesmo enquanto ele limpava a garganta, o alfa diante dele permanecia sentado calmamente, com o mesmo rosto de antes, que parecia sorrir ou não. Kang Donghyuk soltou as palavras com a voz trêmula:
— Q-quais seriam os sintomas…
O homem, que sorria de forma extremamente sutil para criar uma atmosfera suave e evitar que Donghyuk ficasse tenso, retornou a um tom indiferente ao explicar seus próprios sintomas. Era uma voz desprovida de emoção, como se estivesse descrevendo o estado físico de outra pessoa.
— Parece que houve uma perturbação nos feromônios. Além do aroma característico do meu feromônio ter mudado, tive um período de febre alta com sintomas diferentes do período de rut.
— …O-ora, isso não seria possível…
O homem era visivelmente um alfa recessivo ou dominante. E parecia ter glândulas de feromônio robustas. Havia aspectos que podiam ser notados mesmo sem realizar exames.
Embora tivesse um físico esguio para um alfa, não havia como ele não ser um. A sensação de pressão que emanava sutilmente dele e alcançava até mesmo ele, que era um beta, era avassaladora. Era apenas uma intuição desenvolvida por ter encontrado mais alfas do que outros betas, mas pessoas que transmitiam aquela sensação eram, com base em sua experiência clínica, cem por cento alfas.
O homem, que permaneceu em silêncio diante da negação de Kang Donghyuk, colocou um frasco de medicamento sobre a mesa. Kang Donghyuk pegou o frasco.
Ele olhou fixamente para o objeto que Kang Donghyuk havia pego e disse:
— É um perturbador de feromônios. É um medicamento que está em pesquisa na Indústria Farmacêutica Yushin, e eu vinha ingerindo a longo prazo uma substância semelhante a esta, porém com efeitos um pouco menores.
Kang Donghyuk, que observava de forma hipnotizada o movimento daqueles lábios de boa textura, exclamou em um tom agudo, chocado com a fala dele:
— O quê?
Kang Donghyuk ajeitou os óculos e mergulhou em pensamentos. Havia muitos artigos de pesquisa sobre perturbadores de feromônios.
Substâncias que transformavam alfas em ômegas ou a conversão de ômegas em alfas eram temas tão polêmicos que eram considerados o último tópico de pesquisa da humanidade.
— Não, como você acabou ingerindo isso a longo prazo…
— …Foi algo que ingeri sem saber.
Mantendo uma postura estática ao dizer que havia ingerido sem saber e que o período parecia ter sido bastante longo diante da pergunta de por que vinha tomando aquilo por tanto tempo, o homem disse cautelosamente:
— A conversão de casta… para ômega é algo assim tão fácil?
— Não é fácil, mas… Primeiramente, precisamos fazer alguns exames. Também precisamos verificar a formação do útero através de um ultrassom. Por aqui, por fa…
Foi no momento em que ele ia guiar o homem até a sala de ultrassom. De repente, a porta da sala do diretor se abriu de par em par e mais um homem do tamanho de uma porta surgiu.
“É um alfa. E um alfa dominante puro.”
Kang Donghyuk ficou completamente intimidado com a presença dele assim que ele apareceu. Era um feromônio ameaçador, como se fosse esmagar e matar todos os machos que entrassem em seu território. Isso porque a energia de quem havia aberto a porta e entrado foi sentida como uma pontada até mesmo por ele, que era um beta.
Apenas um alfa dominante puro conseguia pressionar pesadamente a pele de um beta que sequer era capaz de sentir feromônios como os alfas ou ômegas. Além disso, ele emanava uma atmosfera que impossibilitava qualquer pensamento de que fosse uma pessoa comum.
Ele vestia uma camisa preta sem gravata e, por cima, um terno preto. Embora sua franja estivesse elegantemente penteada para trás, ele não parecia nem um pouco pacífico. Era de se perguntar como alguém conseguia parecer tão exuberante e perigoso vestindo roupas tão simples.
As sobrancelhas grossas e o olhar que parecia belo porém perigoso passavam a sensação assustadora de não haver limites para o quão cruel ele poderia se tornar.
E assim que ele entrou, um sorriso suave surgiu no rosto do alfa que antes parecia sorrir ou não.
“Não, como ele consegue sorrir mesmo vendo aquela atmosfera e aquela pressão…? Deve estar aguentando por ser um alfa dominante também. …Eu deveria ter devolvido o dinheiro.”
Kang Donghyuk arrependeu-se rapidamente, mas não havia nada que pudesse fazer. Naquele momento, o alfa abriu a boca de repente:
— É um médico homem?
Ele havia dito apenas uma frase, mas Kang Donghyuk percebeu imediatamente. Percebeu que o homem não havia gostado nem um pouco dele.
No lugar de Kang Donghyuk, que já havia terminado de se imaginar sendo jogado no mar de Incheon pelo simples e insignificante motivo de não ter agradado a alguém, o homem que estava sentado no mocho disse:
— Ele disse que vai fazer um exame de ultrassom. Espere um momento. Eu já volto.
Foram palavras simples, mas soaram carinhosas e afetuosas. Em direção a Kang Donghyuk, que olhava fixamente e sem perceber para o rosto sorridente e relaxado do homem bonito de feições serenas, o alfa de atmosfera severa disse:
— Este hospital não diz frases como “o acompanhante também pode entrar junto”?
— O-o acompanhante também pode entrar junto.
— Pois bem, vamos entrar juntos.
O alfa soltou um assobio e seguiu Kang Donghyuk para dentro da sala de ultrassom.
Como o espaço era projetado para ser apenas o suficiente para a máquina e a maca, a sala de ultrassom não tinha uma área muito grande, e a entrada dos dois alfas fez o local parecer mais cheio do que nunca, a ponto de faltar o ar.
Como aquela pressão que já era avassaladora agora era sentida em um espaço fechado e estreito, ele teve vontade de abandonar até mesmo o hospital, cujo empréstimo ainda não havia quitado, e fugir. Kang Donghyuk teve que se lembrar de que era o diretor e que ainda não havia pago o valor dos equipamentos médicos. Somente após mentalizar o valor restante do empréstimo várias vezes é que ele conseguiu se comprometer a fazer o atendimento rápido para mandá-los embora. Ele conseguiu finalmente abrir a boca após gaguejar algumas vezes para orientar sobre o procedimento do exame de ultrassom.
— S-Se deite na maca e, como preciso passar o gel de ultrassom no abdômen… Se puder levantar a camisa…
— Isso é alguma gracinha? Onde já se viu mandar levantar a camisa de um homem casado…
Kang Donghyuk ficou tão assustado com a voz grave que ecoou de repente que chegou a soltar um grito agudo. O que veio em seguida foi uma sensação de injustiça. Ele queria argumentar dizendo que o que lhe interessava não era o interior da camisa de um homem casado, mas sim a formação ou não de um útero, mas a única coisa que saía de sua boca era o som de sua respiração assustada.
Enquanto Kang Donghyuk tremia da cabeça aos pés, o homem de aparência serena deitou-se na maca com uma risadinha abafada.
— Taegun. Como você pode fazer uma piada dessas com o doutor?
O alfa chamado Taegun e Kang Donghyuk fizeram, simultaneamente, expressões que diziam “não é piada” e “não parece ser piada”, mas como o homem deitado na posição correta retirou a barra da malha de dentro da calça social, nenhum dos dois pôde continuar a conversa.
Kang Donghyuk calçou as luvas de procedimento com as mãos trêmulas e, enquanto espalhava o gel de ultrassom no abdômen do homem, disse:
— E-Está frio.
— ……
O homem não respondeu e nem sequer estremeceu. Como a máquina que havia sido desligada devido ao horário tardio concluiu a inicialização, o logotipo da empresa de equipamentos médicos que estava fixado na tela desapareceu, dando lugar à tela inicial.
O homem sobre a maca observava atentamente aquela tela vazia, e o alfa que permanecia de pé com os braços cruzados observava atentamente aquele homem.
Kang Donghyuk pensou em apenas uma coisa.
“Quero ir embora…”
No entanto, ele não podia externar aquilo. Kang Donghyuk baixou o transdutor com a mão trêmula, espalhou o gel lentamente no baixo ventre do homem e, em seguida, deslizou pressionando levemente enquanto observava a tela.
E quem olhava fixamente para a tela da mesma forma era o homem na cama.
— Ah, vejam só…
Como o médico demonstrou um tom de hesitação, Lee Jaeha, sem entender o que aquilo significava, desviou os dois olhos da tela que observava e olhou para ele.
Para Lee Jaeha, na tela aparecia apenas um objeto cinzento cheio de estática se movendo, então ele ficou curioso para saber o motivo daquela exclamação.
O médico ajeitou os óculos com o dedo indicador e murmurou:
— O-Ou se deve ao uso prolongado… Seu útero já foi formado.
— O quê?
Quem emitiu um som que parecia um rosnado diante daquela fala foi Jang Taegun. Ele olhou para o médico com as sobrancelhas franzidas. Sob o olhar prepotente, o médico de aspecto frágil começou a tremer violentamente.
Lee Jaeha soltou uma breve respiração e perguntou calmamente:
— O fato de o útero ter sido formado significa que eu… me tornei um ômega?
— Ah, n-não é isso. Se o útero está funcionando plenamente é uma questão secundária… Primeiramente, vamos examinar também a onda dos feromônios.
O médico puxou uma grande quantidade de lenços da caixa com a mão trêmula e os entregou a Lee Jaeha. Em seguida, usando um lenço que parecia ser de melhor qualidade, limpou a máquina meticulosamente e a colocou de volta no lugar.
No processo, as sobrancelhas de Jang Taegun se ergueram ligeiramente, mas Lee Jaeha balançou a cabeça para Jang Taegun como se pedisse para ele não fazer aquilo, e limpou a substância que estava em seu próprio abdômen.
Logo depois, o médico se levantou da cadeira, puxou um cabo e o conectou à máquina de ultrassom. Em seguida, esfregou um algodão com álcool no dedo indicador de Lee Jaeha.
— E-Este é o equipamento que nossa clínica adotou recentemente como o modelo mais avançado… É o Wolf Three, de fabricação alemã…
— Seja breve. Você não quer ir para casa?
Como Jang Taegun falou rascante e irritado, o médico sobressaltou-se novamente e, com a mão trêmula, esfregou repetidamente o algodão com álcool no dedo de Lee Jaeha.
— S-Se deixarmos uma gota de sangue aqui, a máquina analisa a onda de feromônios. Se for um alfa, mostra a onda de alfa; se for um ômega, mostra a onda de ômega. Isto só existe em hospitais universitários, mas como eu fiz um empréstimo emergencial desta vez…
— Não estou interessado.
Jang Taegun bateu levemente com seu grande punho no monitor da máquina de ultrassom. Para ele, aquilo não foi aplicar força, mas uma leve estática saltou no monitor. O médico deu um pulo para examinar o aparelho e, encolhendo-se novamente como um balão murcho sob o olhar de Jang Taegun, sentou-se no mocho, encaixou uma agulha na ponta do cabo que segurava e deu uma leve picada no indicador de Lee Jaeha.
— Vai picar um pouco.
— Porra, que palhaçada é essa de avisar que vai picar depois de já ter furado?
— Taegun, você pode esperar lá fora.
Jang Taegun irritou-se mais uma vez, mas calou-se diante da interrupção de Lee Jaeha. A julgar pelo aroma sutil de brisa marinha que emanava, ele parecia estar com raiva.
Naquela tarde, Jang Taegun já havia liberado feromônios ameaçadores ao lidar com Lee Ikhyung e Kim Ranhee. Seus feromônios ainda deviam estar impregnados nas roupas de Lee Jaeha. Afinal, ele permaneceu irritado durante todo o trajeto até ali no carro de Jang Taegun.
Lee Jaeha lembrou-se de qual expressão ele tinha e do que havia dito assim que entrou no carro após saírem da casa de Lee Ikhyung.
Dentro do carro, os feromônios de um alfa dominante oscilavam de forma perigosa. A casa de Lee Ikhyung era consideravelmente ampla, então parecia controlável, mas ao ficarem sozinhos em um espaço fechado, a oscilação intensa de seus feromônios tornou-se vívida.
Ele disse enquanto segurava o volante. Lee Jaeha observava o seu perfil.
— …Fico puto só de saber que você morou em uma casa de merda daquelas.
— ……
— Eu deveria ter te tirado de lá antes, porra. Enquanto eu achava que você era valioso demais para eu sequer tocar… Que merda, passei a vida agindo como um tremendo idiota.
A última frase ficou um pouco ambígua sobre a quem era direcionada. Lee Jaeha queria perguntar um pouco mais sobre o significado daquilo, mas como percebeu naquele momento que o sangue corria pela faixa enrolada na mão de Jang Taegun, eles foram direto para o hospital.
Após irem ao hospital e darem os pontos na mão dele, Jang Taegun disse algo incomum:
— Como eu ouvi o que você disse e me deixei ser arrastado até aqui mesmo explodindo de raiva a ponto de estourar a cabeça, você também vai a um lugar comigo.
Lee Jaeha assentiu com a cabeça. Mesmo que ele não precisasse dizer aquilo, não havia motivos para Lee Jaeha recusar o lugar para onde Jang Taegun queria ir.
Dessa forma, Jang Taegun pareceu telefonar para Myeongsun dizendo algo e, após estacionar o carro no estacionamento de um prédio e esperar por um longo tempo, eles subiram juntos para esta clínica.
Ele chegou a se perguntar se uma clínica particular faria atendimentos noturnos, mas pelo contexto, parecia que Jeonggil ou Myeongsun haviam forçado a realização da consulta através de intimidação.
Afinal, o homem que vestia o jaleco com o nome do diretor Kang Donghyuk bordado estava descalço, usando chinelos.
Foi uma sorte ele ter notado na placa antes de entrar que se tratava de um especialista em feromônios. Para Lee Jaeha, que estava prestes a entrar no hospital, Jang Taegun disse para ele ir na frente.
Lee Jaeha olhou para ele e perguntou:
— Você não vem junto?
Jang Taegun retirou um maço de cigarros do bolso do paletó sem dizer nada. Parecia significar que iria fumar um cigarro antes de vir, então Lee Jaeha olhou para ele e, quando ia se virar, teve seu pulso segurado e foi prensado na parede ao lado da porta de entrada da clínica, sendo beijado ali mesmo.
Foi um beijo apressado e implacável. Era uma ansiedade que não combinava com o homem que, mais cedo, havia arrastado Lee Ikhyung para pedir desculpas a ele e a Lee Jaeho.
Lee Jaeha soltou uma risadinha abafada e ergueu levemente a cabeça para que o seu alfa pudesse beijá-lo com um pouco mais de conforto. Ele também acariciou as costas dele.
Jang Taegun soltou um breve suspiro entre os dentes. O som de seu suspiro soou extremamente sensual. Quando afastaram os lábios, ambos estavam com as bocas avermelhadas e molhadas.
Ele disse com a voz baixa:
— …Vá entrando. Vou fumar só um e já vou.
— Vamos juntos.
— Você é desatento ou o quê? Não está vendo que meu pau tá duro? Vou acalmar isso aqui e já entro, então vá indo.
Diante daquelas palavras, Lee Jaeha assentiu com a cabeça, interrompendo o olhar que descia involuntariamente para o meio das pernas dele. Em seguida, entrou sozinho no hospital e dirigiu-se à sala de consulta.
Provavelmente, devido a questões de segurança, eles haviam forçado a abertura da porta do hospital que já estava fechada. Era fascinante como, mesmo sem ele dizer nada, Jang Taegun sabia com o que ele se preocupava.
Ele temia que algum boato vazasse, por isso selecionar um hospital era difícil, mas como Jang Taegun teria descoberto… Lee Jaeha relembrou o que acontecera antes de entrar na clínica e, franzindo as sobrancelhas novamente, olhou para Jang Taegun, que permanecia de pé com uma postura severa em um canto da sala de ultrassom.
— Agora, se esperar cerca de um minuto, o resultado vai sair.
O médico, apesar de ter gaguejado o tempo todo, parecia alguém que não estava tenso ao exibir a máquina. Assim como ele havia explicado com orgulho, o resultado saiu rapidamente, exatamente como quando ele fazia consultas em hospitais universitários.
O médico disse enquanto observava o resultado impresso no monitor:
— Ah, isso aqui também está ambíguo… Eu vou explicar detalhadamente na sala de consulta primeiro. O paciente pode se arrumar e me acompanhar em seguida.
— ……
— D-Desta vez, o acompanhante também pode vir junto…
O médico acrescentou as palavras após lançar um olhar furtivo para Jang Taegun. Jang Taegun sequer olhou para o médico; aproximou-se de Lee Jaeha, puxou uma grande quantidade daqueles lenços de alta qualidade que o médico havia limpado a máquina com cuidado anteriormente e os entregou a Lee Jaeha. Isso mesmo com o médico soltando um suspiro assustado.
No entanto, como o médico frágil não tinha forças para contestar, ele simplesmente deixou a sala de ultrassom silenciosamente em seguida. Lee Jaeha achou aquela situação um pouco absurda e, achando curioso ver Jang Taegun com cara de quem tinha muitas reclamações, aceitou os lenços, limpou as áreas onde o gel não havia sido removido e ajeitou as roupas.
Jang Taegun tomou os lenços usados da mão de Lee Jaeha como se os estivesse arrancando.
— Ah, eu mesmo posso fazer isso.
— ……
Jang Taegun não disse palavra alguma. Fazia muito tempo que ele não deixava de responder a Lee Jaeha, mesmo que fosse com alguma fala provocativa.
Lee Jaeha lançou um olhar furtivo para Jang Taegun e soltou uma risada contida quando ele se aproximou para arrumar sua camisa e o cós de sua calça.
— Não sou uma criança.
— Quem não sabe disso? Por que está rindo?
Ele falou como se estivesse rosnando e, em seguida, aproximou-se para morder levemente os lábios de Lee Jaeha antes de soltá-los, virando-se para ir primeiro à sala de consulta. Lee Jaeha também desceu completamente da maca, calçou os sapatos e o seguiu.
Ao entrarem na sala de consulta, o médico puxou dois mochos lado a lado e os ofereceu com as duas mãos. Provavelmente gesticulando para que Lee Jaeha e Jang Taegun se sentassem. Assim que Lee Jaeha se sentou, Jang Taegun chutou o mocho destinado a ele com força. O mocho com rodinhas deslocou-se emitindo um som barulhento e colidiu contra a parede, tombando. O médico exibiu uma expressão assustada e chocada, mas Lee Jaeha apenas pensou que ele havia feito aquilo porque não queria se sentar.
Ele olhou de relance para Jang Taegun, que permanecia irritado desde que saíram da casa de Lee Ikhyung, e segurou sua mão uma vez. Jang Taegun olhou discretamente para Lee Jaeha, mas não retirou a mão. Aos poucos, sua expressão severa foi se suavizando.
Diante da cena de um alfa enorme o suficiente para preencher a sala de consulta segurando a mão de outro alfa, o médico começou a suar frio enquanto lia os resultados dos exames:
— S-Se observarem esta onda aqui, esta parte coincide com a onda de um ômega, mas ainda não podemos afirmar com certeza que seja completamente a onda de um ômega…
O médico disse apontando com uma vareta para a tela que exibia as ondas na sala de consulta. Lee Jaeha tentou apertar a mão de Jang Taegun uma vez e soltá-la. A mão dele veio atrás e acabou entrelaçando os dedos, colocando as duas mãos unidas sobre o ombro de Lee Jaeha.
— Para simplificar, os senhores podem considerar que duas condições coexistem no momento: a conversão para ômega pode vir a acontecer, ou pode não acontecer.
O resumo da explicação do médico era o seguinte.
A conversão de casta de Lee Jaeha já estava correndo em direção a um certo nível de finalização, mas a interrupção repentina causada pela invasão do feromônio de um alfa dominante puro fez com que o corpo se lembrasse da competitividade como um alfa, extraindo o feromônio alfa para competir com o feromônio do outro alfa que vinha de fora.
Assim que ouviu aquelas palavras, Lee Jaeha soube que o feromônio do alfa dominante puro que havia invadido era o de Jang Taegun. Por isso, passou pela sua cabeça a ideia de que ele havia cuidado de seu período de rut por esse motivo. Afinal, Jang Taegun já sabia que Kim Ranhee o havia feito ingerir o medicamento de conversão de casta.
Pensar que ele havia se esforçado para mantê-lo como um alfa fez seu coração experimentar uma sensação estranha. Quando inclinou levemente a cabeça sobre a mão apoiada em seu ombro, ele ergueu apenas o indicador e deu uma leve cutucada em sua bochecha. Era uma brincadeira descontraída.
Ele parecia muito irritado, mas aceitar um pequeno contato físico em silêncio era gratificante. Além disso, o fato de ele ser um dominante puro era algo que ele não sabia, e descobrir aquilo hoje o deixou ligeiramente de bom humor.
O médico continuou a explicação:
— Como podem ver pela onda, a conversão para ômega está interrompida, mas os senhores devem considerar isso como algo mutável. Significa que, se estabelecer uma marca com um alfa dominante agora mesmo e receber o banho de feromônios do alfa parceiro, a manifestação como ômega pode ser ativada.
Portanto, significava que o feromônio alfa de Jang Taegun poderia tanto fazer Lee Jaeha passar pela conversão para a casta ômega quanto fazê-lo continuar vivendo como um alfa.
O médico, que estivera tremendo o tempo todo, pareceu resgatar seu profissionalismo original enquanto dava explicações e continuou em um tom calmo:
— Uma vez estabelecida a marca, o corpo que havia iniciado a conversão de casta passará a se reconhecer como um ômega que acolheu o seu alfa parceiro.
Marca.
Lee Jaeha prendeu a respiração involuntariamente diante daquela palavra.
Por que ele não havia pensado sobre a marca? Para começar, como se tratava da união extremamente nítida entre um alfa e outro alfa, ele jamais havia pensado sobre a marca que poderia acontecer entre um alfa e um ômega.
No entanto, o eco que aquela palavra trazia não era comum. Se ele se tornasse um ômega, seria capaz de estabelecer uma marca com Jang Taegun. Seu coração acelerou da mesma forma que no dia do pedido de casamento, quando pensou que seria bom mesmo se segurasse apenas a casca exterior dele.
— Precisamos observar mais. …Para começar, eu também não conheço a onda anterior do feromônio de rut do paciente… Se você se tornar um ômega, a gestação será possível. Já que o útero foi formado. No entanto, isto é apenas uma questão de possibilidade. Teoricamente falando, é o mesmo que dizer que uma esfera de aço com coeficiente de atrito igual a zero pode rolar eternamente sobre uma superfície que também possui coeficiente de atrito igual a zero.
O médico disse que, além de a gestação ser realmente difícil, mesmo se acontecesse, o banho de feromônios do alfa parceiro seria necessário continuamente.
Mesmo assim, continuaria sendo perigoso para a gestante, mas ele afirmou que, se não houvesse o banho de feromônios do alfa parceiro, o nível de perigo aumentaria ainda mais rápido.
— Você disse que… se fizermos a marca, é possível me tornar um ômega…
Ele perguntou tentando acalmar a voz ligeiramente trêmula. Uma marca com ele. Jamais havia pensado nisso.
Mesmo quando se relacionavam durante o período de rut sem qualquer troca emocional, a aliança no anelar esquerdo que ele usava era extremamente bem-vinda. A marca proporcionaria uma satisfação ainda maior do que aquilo.
Lee Jaeha sentiu as pontas dos dedos formigarem devido a uma tensão inexplicável. Ele olhou reflexivamente para Jang Taegun.
No entanto, não havia expressão no rosto de Jang Taegun. Não era nem mesmo aquele seu rosto de desdém habitual. Era uma página em branco, como se ele tivesse apagado completamente as emoções de sua face. Lee Jaeha, que se assustou por um instante com aquele rosto, olhou para o médico assim que ele recomeçou a dar explicações.
— Exatamente. Como o útero já está formado, os senhores podem considerar que devem escolher entre duas opções. Primeira: desistir de se tornar um ômega e continuar como agora, recebendo continuamente o banho de feromônios do alfa a cada período de rut para permanecer como um alfa. Segunda: com a intenção de se tornar um ômega, estabelecer a marca com o alfa para receber o banho de feromônios de quem se tornou o seu alfa parceiro, acelerando o crescimento do útero que havia sido interrompido para se manifestar completamente como um ômega. …Acho que os senhores podem escolher entre as opções acima.
Assim que o médico terminou de falar, o silêncio desabou sobre a sala de consulta.
Lee Jaeha olhou para Jang Taegun, que a essa altura já havia retirado a mão de seu ombro. Ele continuava com um rosto indecifrável.
De repente, ele se lembrou de quando o viu pela primeira vez. Os olhares que se cruzaram no ar e o fogo que se acendeu repentinamente dentro dele. Aquele dia em que enfrentou um rut repentino.
Como se parecesse que ambos haviam compreendido perfeitamente, o médico, que permanecera em silêncio, abriu a boca novamente:
— No entanto, mesmo se receber o feromônio do alfa parceiro através da marca, como você não nasceu originalmente como um ômega, pode perder todo o feromônio ômega que havia sido gerado no corpo ao passar pela gestação e pelo parto, voltando a ser um alfa. O problema reside nesta parte… O parto, por natureza, sobrecarrega o corpo humano ao extremo. Se o feromônio ômega que sustentou os dez meses for perdido em um estado que já está debilitado, a situação pode se tornar perigosa. Esta também é uma parte que exige obrigatoriamente o acompanhamento de uma clínica de obstetrícia.
Naquele momento, Jang Taegun, que permanecera de pé sem dizer nada o tempo todo, emitiu uma voz baixa e sombria:
— Levante-se.
— O quê?
— Não ouviu? Vamos embora.
Ele segurou o pulso de Lee Jaeha para fazê-lo se levantar. Como Lee Jaeha ficou preocupado com o fato de ele estar segurando com a mão machucada e tentou puxar o pulso para fora, ele o torceu com tanta força que um breve gemido quase escapou.
No final, Lee Jaeha foi arrastado pela mão de Jang Taegun e se levantou do assento. Como Lee Jaeha se levantou abruptamente, o mocho deslocou-se e emitiu um som ao tocar em algum lugar.
Com um rosto ligeiramente sem graça, ele curvou a cabeça para se despedir do médico. O médico gritou em direção a eles, que deixavam a sala de consulta, mantendo uma expressão tensa até o último momento:
— S-Se forem fazer a marca, precisam passar no nosso hospital! Medicamentos de receita são necessários para a marca!
E o som cessou logo em seguida. Isso porque a porta se fechou atrás de suas costas. Jang Taegun arrastou Lee Jaeha para fora sem dizer palavra alguma. Jeonggil e Myeongsun, que estavam sentados na sala de espera, correram rapidamente e apertaram o botão do elevador para eles.
Como o horário estava tardio e não havia visitantes no prédio, o elevador continuava parado no andar onde ficava a clínica.
Assim que a porta se abriu, Jang Taegun, que entrou puxando a mão de Lee Jaeha, disse a Myeongsun:
— Venham a pé.
Jeonggil e Myeongsun obedeceram acenando com a cabeça sem sequer perguntar o motivo. Seria mais prático irem juntos, já que de qualquer forma iriam para o estacionamento subterrâneo, então aquilo era estranho. No entanto, como Lee Jaeha tinha bom senso, ele não pôde acrescentar ali frases como “como vocês vão andar a pé neste inverno? Vamos todos juntos no elevador”.
Jang Taegun apertou imediatamente o botão B1 e fixou o olhar apenas no painel indicador. Ele parecia estar de mau humor de uma forma diferente de quando saíram da casa de Lee Ikhyung, mas não era possível saber o motivo de sua irritação.
…Seria por causa da conversa sobre a marca? Eu achei que seria algo realmente bom.
Talvez ele não queira ver um Lee Jaeha que se tornou ômega. A estrutura óssea básica não mudaria, mas se ele se tornasse um ômega, perderia muito mais músculos do que agora e suas linhas se tornariam mais esguias.
Passou brevemente pela sua cabeça a ideia de que, se as linhas que pareciam robustas por ter nascido como um alfa desabassem após se manifestar como um ômega, a aparência poderia não ser agradável. …Ele se perguntou o que faria se ficasse parecendo um poste de luz magricela. Será que ficaria muito feio… Lee Jaeha recolheu os lábios para dentro.
O fato de a expressão dele não ter sido boa ao ouvir a explicação sobre a marca o incomodava. Ele sentiu que precisava dizer algo e, quando ia abrir a boca, a porta do elevador se abriu com um sinal sonoro.
Jang Taegun desembarcou imediatamente e cruzou o local indo direto para o carro. Lee Jaeha ia segui-lo, mas viu Myeongsun e Jeong-gil abrindo as portas de outro carro para entrar.
Eles deviam ter descido correndo rapidamente pelas escadas de emergência. Quando Lee Jaeha olhou naquela direção, Myeongsun e Jeonggil curvaram as cabeças com expressões ambíguas. Lee Jaeha também fez uma leve reverência em direção a eles e voltou a seguir Jang Taegun.
No entanto, ele não olhou para trás, e aquilo trouxe uma certa lembrança à tona. Foi quando Jang Taegun se referiu a si mesmo perguntando se era um negócio fracassado. Observar as costas dele trazia a lembrança daquele momento, tornando a situação difícil de suportar.
Lee Jaeha o chamou para parar com uma postura apressada que não era de seu feitio:
— Taegun.
Jang Taegun parou no lugar, mas continuou sem responder. Lee Jaeha o chamou mais uma vez:
— Vamos conversar um pouco.
Ele queria saber o motivo de ele estar com raiva. O feromônio com aroma de sal marinho oscilava e tocava Lee Jaeha de leve. No entanto, apesar de ser um feromônio que oscilava daquela forma, não era ameaçador.
Lee Jaeha olhou de relance para trás. Myeongsun e Jeonggil já haviam entrado no carro e, como se achassem que não deveriam olhar para cá de forma alguma, pareciam ter reclinado os assentos para trás e desaparecido do para-brisa dianteiro do veículo. Era constrangedor ver os dois agindo de forma tão cautelosa diante dele e de Jang Taegun, mas mesmo assim, parecia que ele não deveria deixar Jang Taegun ir embora desse jeito.
Ele lembrava o quanto havia ficado triste ao deixá-lo ir embora daquela vez. Sentia-se melancólico e deprimido, mas como havia tarefas que precisava realizar, sempre sofria.
Na vida de Lee Jaeha, a existência chamada Jang Taegun era sem precedentes.
As obras de literatura clássica que lera desde a infância por uma questão de educação. Rainer Maria Rilke, os sonetos de Shakespeare, O Morro dos Ventos Uivantes e O Grande Gatsby, Simão e Paulo, Werther e Lotte.
A Carmen executada pela orquestra sinfônica que ele visitava de mãos dadas com sua mãe quando a temporada de Natal chegava, todos os hinos de amor que Puccini fazia ouvir.
Aquelas obras deixavam apenas uma leve emoção e partiam. Lee Jaeha considerava-se como uma imensa massa de água parada e silenciosa. Uma água onde maremotos não aconteciam e que, mesmo sob chuvas torrenciais, apenas aumentava de volume sem oscilar.
No entanto, para esse Lee Jaeha, Jang Taegun era uma onda. Se existiam dez mil tipos de amor para dez mil tipos de pessoas, para Lee Jaeha, Jang Taegun era aquele que, inteiramente sozinho, despertava dez mil tipos de emoções.
Somente após encontrá-lo é que Lee Jaeha compreendeu as composições de Puccini e compreendeu o amor de Gatsby. Por isso, até mesmo a tristeza que ele causava era adorável. Apesar disso, existem silhuetas de costas que a pessoa prefere nunca mais ver.
Lee Jaeha arrependeu-se de não tê-lo segurado daquela vez de uma forma que não combinava com ele, sentiu uma tristeza incomensurável e pensou piamente que gostaria de reverter a situação.
— …É por causa da marca? Sinceramente, eu quero fazer.
Portanto, ele queria ser um pouco mais sincero. O fato de ter confessado seu amor sem fazer cálculos também se devia a isso. Lee Jaeha continuava amando à sua própria maneira.
Diante disso, Jang Taegun, que soltou uma respiração violenta, virou-se e aproximou-se de Lee Jaeha.
Seus olhos estavam injetados de sangue.
— Marca?
— Sim… Claro que, do ponto de vista do Taegun, eu transformado em ômega… posso não ser algo familiar, mas…
Jang Taegun cortou a fala de Lee Jaeha abruptamente com uma voz violentamente baixa:
— Pare com essa conversa de merda. Por acaso eu pareço alguém que fica bitolado pelo seu buraco avaliando se você é alfa ou ômega?
Lee Jaeha calou-se. Jang Taegun costumava ter uma linguagem grosseira, mas não costumava falar daquela forma direcionando-se a Lee Jaeha. Havia momentos em que ele exagerava nas piadas obscenas, mas aquilo também acontecia apenas quando os dois estavam sozinhos. Ver que sua linguagem havia se tornado tão grosseira parecia significar que ele estava com muita raiva. O feromônio que oscilava pertencia a um alfa que abrigava fúria, mas continuava sem ser ameaçador. Apesar disso, era possível saber intuitivamente que ele estava extremamente irritado.
Se era assim, qual seria o motivo? O coração de Lee Jaeha também começou a se acalmar.
— Meça suas palavras.
Era uma advertência que ele costumava fazer às vezes para Lee Jaeho ou para seu antigo noivo. Para Jang Taegun, ele já havia dito quando ele fazia comentários obscenos pesados ou por se sentir em apuros e sem graça, mas nunca havia emitido uma voz baixa e calma dessa maneira.
Como se soubesse disso, faíscas pareceram saltar dos olhos de Jang Taegun.
— Enquanto ouvia aquelas conversas de merda lá dentro, você ficou sentado sem dizer nada, e agora vem me dizer para medir as palavras?
Lee Jaeha também começou a ficar irritado aos poucos. Ele queria fazer a marca, mas se a outra parte não quisesse, não havia o que fazer.
Se ele não quisesse, bastava dizer isso para ele. Como não compreendia o motivo de ele sentir tanta raiva, um feromônio baixo e calmo fluiu sem ele perceber.
Sentindo aquilo, Jang Taegun franziu o cenho e ergueu uma das sobrancelhas. Era uma expressão de leve perplexidade. Para ele, devia ser a primeira vez que via Lee Jaeha agir daquela forma. Ver aquela expressão dele fez Lee Jaeha pensar “ah, que droga” tardiamente. Ele teve que se esforçar para recolher o feromônio, temendo parecer ameaçador para Jang Taegun.
Ele não queria brigar. Liberar feromônios agora serviria apenas para provocar um alfa dominante puro. Ele esperava que Jang Taegun não considerasse seu feromônio dessa maneira.
Como havia recebido treinamentos desse tipo continuamente ao longo do seu crescimento, era raro dispersar feromônios devido a oscilações emocionais, então aquilo foi um fracasso. Diante da pessoa que ele queria proteger e cuidar, aquilo também causou uma leve vergonha.
Assim que o feromônio de Lee Jaeha se acalmou rapidamente, a expressão de Jang Taegun relaxou um pouco e, soltando um estalo com a língua e franzindo o cenho, ele vasculhou o interior do paletó para retirar o maço de cigarros. Ele colocou um cigarro entre os lábios e disse, sem sequer acender o fogo:
— Conversa fiada essa de marca.
Devido ao objeto que segurava entre os lábios, a pronúncia saiu ligeiramente abafada, mas aquelas palavras atingiram Lee Jaeha em cheio. Seu coração, que ele havia se esforçado para acalmar, experimentou uma nova onda de emoção.
— …Se não gosta, basta dizer, por que precisa ser tão sarcástico?
— Quem disse que não gosta? Isso aqui te parece uma questão de gostar ou não gostar?
— Então por que sua atitude está assim desde antes? Por acaso eu ameacei me enforcar e morrer se o Jang Taegun não fizesse a marca comigo?
Diante das palavras de Lee Jaeha, Jang Taegun o encarou de cima a baixo com o cigarro entre os lábios. Lee Jaeha soltou um breve suspiro.
Ele não deveria ter falado daquela maneira. Como a mãe dele havia partido no final era algo que Lee Jaeha sabia melhor do que ninguém. Por ter sentido um coração indescritivelmente ansioso, Lee Jaeha moveu os lábios e continuou a fala:
— O que quero dizer é…
— Ah, quer dizer que você tem certeza sobre a marca?
— …O que você disse?
— Eu não sei de onde veio essa certeza de merda. Porque eu não tenho certeza de nada.
Aquelas palavras fizeram um fogo subir repentinamente de suas entranhas. Lee Jaeha considerou aquilo uma reação que não combinava em nada com ele, mas era difícil conter a raiva.
Não tem certeza? Então o que foi tudo o que fizemos até agora? Ele sentiu vontade de questionar imediatamente, mas o motivo de não fazer aquilo era porque, em um estado de emoções intensificadas, qualquer palavra dita serviria apenas para gerar mal-entendidos.
No entanto, até mesmo aquilo acontecia apenas porque um fio de razão continha os impulsos de Lee Jaeha, então palavras gentis como “estamos com os ânimos exaltados agora, então vamos nos acalmar e conversar” não saíram.
Na verdade, não era como se ele próprio tivesse certezas. Ele apenas queria se unir a ele.
A primeira reação que ocorre durante a marca é a transferência das memórias fundamentais direcionadas à outra parte para o parceiro.
O momento em que passou a amar o outro, aquele exato momento em que desejou estar com ele para sempre, transfere-se para o parceiro e surge como um sonho.
A reação que poderia ocorrer em seguida era o compartilhamento das emoções extremas experimentadas pelo parceiro da marca. Quando o parceiro da marca estivesse em perigo, eles compartilhariam o pavor sentido no momento da morte. Quanto mais intensa fosse a emoção, mais facilmente se transferia para o outro.
Lee Jaeha queria gravar Jang Taegun dentro de si dessa maneira. Ele necessitava da sensação de estar conectado a ele.
Naturalmente, se após a marca a pessoa passasse um determinado período sem ver o parceiro ou se ficasse separada fisicamente e deixasse de receber os feromônios do outro, passaria a experimentar um sofrimento extremo. Todos os anos, o sofrimento de quem sentia falta do parceiro falecido da marca a ponto de segui-lo na morte era um tema debatido socialmente como a Síndrome de Yeonriji. No entanto, para Lee Jaeha, até mesmo aquele inconveniente parecia adorável.
Além disso, Lee Jaeha já havia experimentado a dor proporcionada pelo amor. E aquilo ao longo de vários anos. Portanto, mesmo que doesse, ele queria doer após gravá-lo inteiramente dentro de si.
Ele não queria retornar àquele período em que se machucava novamente a cada manhã apenas com a suposição de que poderia não ser nada para ele.
Lee Jaeha, que não queria prolongar a conversa de forma humilhante, estendeu a mão com um olhar friamente calmo.
— Jang Taegun, me dê a chave do carro.
— …O quê?
Jang Taegun franziu o cenho como se pedisse para ele não irritá-lo. Lee Jaeha aproximou-se sem dizer muitas palavras e enfiou a mão diretamente no bolso superior do paletó dele. Jang Taegun sempre guardava a chave do carro no bolso esquerdo, e Lee Jaeha, que conhecia aquele seu hábito insignificante, retirou o objeto assim que o tocou. Assim que segurou a chave do carro na mão, Lee Jaeha abriu a porta do motorista daquele sedã, subiu e apertou o botão de partida.
Através do espelho retrovisor lateral, o alfa que cuspia o cigarro que segurava e olhava fixamente nesta direção foi refletido. Lee Jaeha, com a janela do motorista abaixada, desengatou a marcha, girou o volante para movimentar o carro e disse:
— Jang Taegun, pegue uma carona no carro do Myeongsun.
Em seguida, subiu a janela e pisou fundo no acelerador. No estacionamento mantinha-se a velocidade de 10 km/h, mas ele não tinha cabeça para aquilo.
Havia poucas vezes na vida em que ele havia sentido tanta raiva. Lee Jaeha sempre gostara de seu temperamento silencioso e calmo como a superfície de um lago sereno. No entanto, quem causava ondulações naquela superfície era sempre Jang Taegun.
Através do espelho retrovisor interno, ele olhou para o homem que o encarava fixamente com as duas mãos na cintura. Um arrependimento repentino surgiu.
…Eu deveria não ter ficado com raiva. No entanto, simultaneamente ao surgimento desse pensamento, a fúria se acalmou e uma mágoa indefinida preencheu o espaço.
Sem parar, ele seguiu direto para Hannam-dong. O carro correu rapidamente e entrou no estacionamento que cada unidade utilizava de forma independente. Lee Jaeha, que pretendia se deitar em sua cama assim que se lavasse após retornar para casa, percebeu que Jang Taegun ainda não havia entrado e, soltando um estalo com a língua, dirigiu-se ao quarto dele.
Durante o período em que esteve fora, os funcionários pareciam ter recebido o item; a cama que haviam comprado juntos fora entregue. Ver aquilo tirou dele a vontade de ir para o seu próprio quarto.
Isso acontecia ainda mais porque Jang Taegun havia dito para passarem a dormir juntos no quarto dele a partir de agora. Ficar trancado dormindo sozinho em seu próprio quarto após ouvir aquelas palavras o deixava preocupado.
Ele não sabia o motivo de ele estar tão irritado, e embora ele próprio também estivesse furioso, parecia que adormecer em quartos separados em momentos como esse não era uma boa escolha.
Todas as brigas que Lee Jaeha havia travado assemelhavam-se a combates. Por não ter tido experiências travando brigas amorosas dessa maneira, ele não sabia qual era a resposta correta. Mesmo assim, deixar Jang Taegun, que logo entraria, e ir para o seu quarto sem querer sair não era o que desejava. Além disso, Lee Jaeha não estava na idade de ficar emburrado como uma criança.
Por isso ele havia se dirigido ao quarto dele; assim que entrou, seu coração se estabilizou gradualmente sob o feromônio dele que podia ser sentido ali. Lee Jaeha, que soltou um suspiro e deitou-se na cama nova, acabou adormecendo surpreendentemente rápido, talvez por conta disso.
O motivo de ter acordado novamente quando estava prestes a mergulhar em um sono um pouco mais profundo foi porque uma leve vibração continuou sendo sentida repetidamente. Enquanto vibrava sobre o console emitindo um sinal sonoro e imediatamente antes de o celular despencar devido à vibração, Lee Jaeha o amparou mesmo com os olhos semicerrados.
Em seguida, incapaz de abrir os olhos por um momento devido à luz que saltou na tela de cristal líquido, ele conseguiu finalmente verificar de quem era a ligação recebida.
— …Alô.
Lee Jaeha atendeu a ligação com a voz baixa e acomodou novamente o corpo no travesseiro. Um suspiro baixo escapou naturalmente de seus lábios.
Que horas são, pensou ele, enquanto a voz familiar fluía do outro lado do receptor.
— A esposa fica perambulando na rua até essa hora e você consegue dormir?
No lugar da mão que colava o celular próximo à orelha, ele cobriu os olhos com o antebraço oposto e respondeu de forma desleixada:
— Eu estava dormindo bem e acordei.
— Que mágoa. Nós brigamos pela primeira vez hoje e você vai simplesmente dormir sem comemorar?
Uma risadinha escapou diante daquelas palavras. Lee Jaeha, que removeu o antebraço apoiado e massageou o rosto, percebeu que estava sorrindo e piscou os dois olhos, achando a si mesmo lamentável.
Em seguida, abriu a boca lentamente:
— …Por que a pessoa que se casou está na rua a esta hora?
Ouviu-se um leve som de respiração. Pelo visto, ele parecia estar fumando. O som límpido de abrir e fechar a tampa de um isqueiro Zippo também foi ouvido mantendo uma certa distância.
— Eu briguei com o marido e fugi de casa.
— ……
— Mas o marido não me procura e vai dormir primeiro sozinho.
— …Que maldade. Quem é?
Ouviu-se o som de uma risada do outro lado do receptor. Ele sentia falta da fumaça cinzenta do cigarro que devia estar misturada ao vento frio e do som da risada que fluía cortando aquela fumaça.
Lee Jaeha ergueu o tronco. Sentia saudades dele.
— Eu não pude entrar porque tive um problema. Liguei para você não entender errado, pois não saí de casa por estar com raiva.
Ele experimentou uma sensação de leve aperto na garganta. Eu deveria não ter brigado. A marca era algo que não precisava ser feito. O sentimento de amar Jang Taegun jamais havia mudado uma única vez. Mesmo após o fluxo de um longo período, apenas pelo fato de não se divorciar dele, Jang Taegun também retribuiu ao coração de Lee Jaeha de forma mais do que suficiente.
E… Lee Jaeha olhou para o armário embutido de grandes dimensões posicionado no lado da parede daquele quarto escuro de Jang Taegun. Em algum lugar ali estava exatamente aquela caneta-tinteiro que Lee Jaeha havia lhe entregado há alguns anos. Ela estava guardada preciosamente dentro de um estojo de vidro, retirada como se ele a visualizasse constantemente.
Embora não tivesse ouvido palavras especiais vindas dele, como o amor de Lee Jaeha não possuía grandes ambições, a mera existência da caneta-tinteiro guardada dentro do estojo de vidro o fazia se sentir recompensado de forma mais do que suficiente.
Pensar dessa forma fez o tempo parecer precioso.
— …Você disse agora há pouco que fugiu de casa.
— Não me pressione. Eu estou me esforçando porque estou atento ao seu humor.
Risadas fluíram continuamente diante daquela fala. Ele continuou resmungando. Com o cigarro entre os lábios, ele reclamou também dizendo que havia ligado primeiro como um sinal para ser perdoado, mas que o outro não sabia interpretar.
Lee Jaeha respondeu acompanhado de uma risada suave:
— O trabalho está puxado? Quer que eu vá até aí?
Jang Taegun permaneceu em silêncio por um momento diante daquelas palavras. Um som de respiração saiu como se fosse expelido e, logo em seguida, uma voz insinuante foi ouvida.
— …Quer fazer sexo por telefone em comemoração à nossa reconciliação?
Incapaz de conter-se mais, ele soltou uma grande gargalhada. Entre as palavras de Lee Jaeha que ria, Jang Taegun disse:
— É sério, por que está rindo? Eu vou abaixar as calças.
Parecia ser um local ao ar livre, então como ele pretendia abaixar as calças. Lee Jaeha balançou a cabeça primeiro, mesmo sem Jang Taegun poder ver.
— Venha após terminar o trabalho. Ou eu mesmo posso ir. Você não veio porque tinha um assunto urgente.
Jang Taegun emitiu um som com a garganta. Após um breve silêncio, ouviu-se novamente o som do atrito da pedra do isqueiro Zippo. Parecia ter colocado mais um cigarro entre os lábios.
— Por enquanto, acho que vou ficar um pouco ocupado, mas como pretendo dormir em casa…
— ……
— Não vá a lugar nenhum e durma no meu quarto.
Lee Jaeha soltou uma risadinha abafada e disse:
— Eu já estou no quarto do Taegun agora.
Diante disso, um silêncio um pouco mais prolongado se estabeleceu e Jang Taegun disse com a voz baixa:
— Ficou meio duro. Sexo por telefone não rola mesmo?
Haha, a risada explodiu novamente. Ouviu-se a reclamação dele perguntando por que ria se era sério. Lee Jaeha não respondeu e apenas continuou rindo.
Falar com ele ao telefone sentindo o aroma de seu feromônio no quarto dele. Ele não sabia como seria a estabilidade proporcionada pela marca, mas pensou que aquilo também não era ruim.
—
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna