The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 03.3
↫─Capítulo 03.3
Quando Lee Jaeha saiu do banheiro, já havia se passado um pouco de tempo. Ele, que fechava a porta do banheiro, arregalou os olhos assustado ao ver a silhueta humana de pé apoiada na parede oposta.
Era Jang Taegun, apoiado na parede com os braços cruzados.
— Por que… está agindo assim?
— Eu estava vigiando para ver se você estava tendo ânsia de vômito por achar repulsivo trocar saliva comigo.
Lee Jaeha assustou-se com aquela frase. Repulsivo. Nunca pensara em algo assim nenhuma única vez. Lee Jaeha aproximou-se de Taegun assustado. Nem sequer teve consciência de que se aproximara rápido. Com um rosto angustiado, disse a Taegun:
— Nunca fiz isso. É apenas porque o estômago ficou ruim por estar vazio o dia inteiro hoje.
Taegun, que erguera uma sobrancelha fixamente ao ver o tom apressado de Lee Jaeha, assentiu com a cabeça de qualquer jeito.
— Por que ficou tão sério de novo? Era brincadeira.
— …Realmente não é nada disso.
— Entendi. É que ficou com vergonha de o pau ter ficado duro e foi bater punheta sozinho, não é?
— …Também não é isso.
Taegun olhou para Lee Jaeha que firmara a expressão, riu baixo e deixou um beijo estalado na bochecha dele. Era um beijo igual a uma brincadeira de criança, como antes.
Lee Jaeha também não teve escolha senão desmanchar a expressão. Conseguiu impedir o sorriso que surgia, mas não pôde evitar que a vivacidade voltasse à expressão séria.
— Vamos comer. Eu também não comi.
— Eu pedi ao senhor Myungsoon para cuidar das refeições, por que não comeu?
Ficou preocupado por ele não ter comido nada até esta hora. Perguntou exibindo a testa levemente franzida. Taegun olhou de relance para Lee Jaeha e deu um sorriso largo. E então, usou de malemolência com um tom de voz que ele nunca ouvira na vida:
— Como o meu maridinho não aceitou nenhuma colherada, como eu comeria sozinho, porra? Pensei que na garganta desta esposa não entraria nada além do pau do maridinho, por isso fiz assim.
— Acho que o senhor pode passar fome.
Ficou meio chocado com a obscenidade dele e virou o corpo. Taegun seguiu rindo baixo e abraçou a cintura de Lee Jaeha.
Os dois Alfas caminharam mais alguns passos com os ombros alinhados. A cozinha estava silenciosa. Era porque já havia dito aos empregados para descansarem cedo. Mesmo não sendo um lugar onde esbarravam em pessoas e estando os dois sozinhos no ambiente interno, Taegun não desfez o braço que abraçava a cintura de Lee Jaeha e o conduziu para a cozinha.
Pensou que haveria restos de comida para dar aos visitantes, mas não havia. A salada de arraia picante, a salada de ostras e a carne de porco prensada pareciam ter acabado há muito tempo. Como o último pedido feito ao Hanmyung-gwan fora por volta das nove horas, passando da meia-noite agora, era natural não haver comida restante.
Havia algumas unidades de frutas rolando, mas a quantidade era extremamente pouca para encher a barriga de dois Alfas dominantes. No momento em que se preocupava com o que deveria dar para ele comer, Jang Taegun de repente vasculhou o armário e trouxe quatro pacotes de lámen.
— Onde conseguiu isso?
Lee Jaeha, que nunca comera lámen exceto na época em que esteve no exército, olhou fixamente para o que estava na mão de Taegun.
No exército era fácil encontrar na loja de conveniência interna, por isso teve bastante contato, mas após a dispensa as ocasiões de comer foram extremamente raras. Provavelmente Lee Jaeho ainda não comera lámen nenhuma única vez.
Estava pensando nisso quando Taegun disse de forma indiferente:
— O velho vivia agindo como se tivesse um gosto refinado, mas o paladar dele era totalmente vagabundo. Pensei que ele não conseguiria largar isso por ter sido o que comeu quando passava fome, e ainda está aqui.
Taegun, que falou assim, pegou habilidosamente uma panela esmaltada no armário. Lee Jaeha olhou para ele com os olhos um pouco aumentados e perguntou:
— Sabe cozinhar lámen?
Taegun respondeu de forma indiferente enquanto vasculhava o armário procurando algo, sem olhar para este lado:
— Também sei cozinhar bem o Jhapagetti.
Lee Jaeha não pôde deixar de soltar um riso nasalado com a resposta dele.
Lámen a esta hora da noite. Na época em que ficava de vigia no exército, ocasionalmente os oficiais descobriam a origem de Lee Jaeha e traziam lámen de copo na madrugada, mas, por ficar sem jeito diante dos colegas, não comia. Achando estranho por onde vazara sua origem que nem o general sabia, agira de forma um pouco mais obstinada com a limpeza.
Pensando assim, comer lámen como lanche noturno em uma hora avançada dessas também era a primeira vez. Como Taegun estava cozinhando o primeiro lámen de luto de sua vida para ele, de certa forma ficou com um sentimento indescritível.
Ficou de pé de forma incomumente aérea e rondou querendo ajudar em algo. No entanto, ele mesmo não sabia bem o que entrava e o que não entrava no lámen. Lee Jaeha hesitou por um bom tempo diante da geladeira antes de falar:
— Devo… pegar o ovo?
— Você gosta com ovo? Pegue, então.
Jang Taegun falou com um tom de quem não dava importância, mas a expressão com que olhou para trás para ver Lee Jaeha exibia um sorriso. Era uma expressão de quem achava interessante passar a conhecer aquele gosto dele. Como não tinha exatamente um gosto preferido em relação ao lámen, Lee Jaeha olhou de relance para a embalagem.
— …É que tinha um ovo bem no meio da foto ali, por isso falei.
Na foto impressa da embalagem do lámen, havia um ovo bem no meio exibindo a gema por cima. Parecia que nem todos cozinhavam colocando. Lee Jaeha não demonstrou mais nada, virou o corpo em direção à geladeira, esticou bem a cintura e olhou para dentro.
Nesse instante, assustou-se com a palma da mão que bateu em sua bunda e ergueu a cintura. O único que faria uma coisa daquelas em uma cozinha onde só havia os dois era Jang Taegun. Achou um absurdo e virou-se para trás lentamente.
— Por que bateu?
— Bati porque é lindo. É ranzinza sendo que não vai gastar nada.
Era a fala típica de um assediador. Lee Jaeha não pôde deixar de sorrir de tão estupefato. Taegun, que viu aquele sorriso, logo virou as costas, mas, a julgar pela bochecha levemente erguida que se via de lado, parecia que ele também sorria.
Ao descobrir aquilo, o sorriso surgiu mais uma vez. Não sabia o motivo, mas, desde que fora procurá-lo no hotel, Jang Taegun exalava uma atmosfera bastante confortável.
Parecia relaxado e parecia um pouco animado. Aquilo parecia bom. Mesmo nesse ínterim, Lee Jaeha não pensou em perguntar o motivo. Apesar de o peito ficar pesado de tão orgulhoso por vê-lo parecer relaxado.
— Por que está sorrindo?
Até Taegun, que falava assim, exibia uma voz misturada com riso. Lee Jaeha não respondeu e pigarreou à toa emitindo um “hm”, pegando o ovo.
Sem saber quando viera parar atrás, Taegun, que prendeu Lee Jaeha entre a geladeira e si mesmo, quase o abraçando por trás, olhou para dentro e disse:
— Pegue a cebolinha também.
Era uma voz em que se sentia uma manha sutil. Sendo que nunca pensara que conseguiria ouvir uma voz daquelas vinda dele. Como era um sentimento um pouco causador de cócegas, Lee Jaeha não respondeu desta vez também e pegou silenciosamente a cebolinha na gaveta de vegetais.
Como a senhora de Yangpyeong parecia ter limpado, a cebolinha estava bem organizada e guardada em um recipiente plástico. Quando entregou aquilo, Jang Taegun pegou uma tesoura. Como pareceu querer cortar a cebolinha com a tesoura, conteve-o e pegou a faca de cozinha e a tábua.
Taegun olhou de relance e falou como se perguntasse se havia necessidade de fazer aquilo:
— Com a tesoura é mais prático.
— Sim, eu sei.
Sabia, mas Lee Jaeha não funcionava bem daquela forma. Mesmo sabendo que havia um método prático, sentia-se confortável quando seguia o caminho correto. Apesar de saber claramente que seria apenas o que entraria no lámen e que cortar com a tesoura ou picar com a faca não faria grande diferença.
Lee Jaeha moveu a faca de cozinha silenciosamente, e o som de batidas ecoou sobre a tábua. Jang Taegun estava de pé ao lado do fogão onde colocara a panela esmaltada, olhando para Lee Jaeha com os braços cruzados.
Foi quando Lee Jaeha terminou de picar a cebolinha e organizava a tábua e a faca que Taegun abriu a boca:
— O senhor Lee Jaeha e eu talvez devessemos ter conhecido coisas assim primeiro.
— O que quer dizer com isso?
— O fato de você não gostar de usar tesoura quando cozinha, ou o fato de eu saber cozinhar pelo menos um lámen.
— ……
O som de fervura ecoou de cima da panela. Diferente das casas de hoje em dia que usam muito o fogão elétrico, a casa principal onde Jang Changsik residia ainda era um fogão que utilizava gás encanado.
A chama que ardia tendo o gás como combustível exibia uma luz azulada. Lee Jaeha olhou para aquilo e ficou curioso sobre com que tipo de olhos Jang Taegun olhava para si agora.
— ……
Diferente do esperado, era um olhar bastante dócil. A ponto de ser uma surpresa ele exibir olhos daqueles. Taegun desfez as mãos que cruzavam os braços, pegou o pacote de lámen e rasgou a embalagem de forma simples.
— Eu já sabia que você derrama tudo se eu apenas tocar no seu mamilo, mas não sabia que gostava de colocar ovo no lámen.
— Derrama… Nunca fiz isso.
Como a frase anterior foi de deixar um pouco tonto, Lee Jaeha negou prontamente. No entanto, parando para pensar, Taegun estava certo.
Os fatos que Lee Jaeha conhecia eram coisas que não passavam pela boca de Jang Taegun. Não dava para saber o que ele pensara e como passara a agir através daquela série de acontecimentos.
…Talvez estivesse tudo bem continuar assim. Surgiu esse pensamento. Se ele não quisesse o divórcio, não parecia haver necessidade de ir embora de propósito.
A intenção em relação ao divórcio fora pelo desejo de raspar até a última gota da Yooshin para entregar a Taegun. No entanto, seria aquilo o que Taegun queria de verdade?
Não sendo bobo, não era como se não soubesse o que eram as coisas que ele demonstrara gentilmente, vindo procurá-lo desde a madrugada inteira até trazê-lo de volta. Uma possibilidade brotou no coração de Lee Jaeha. Era a hipótese de que para Jang Taegun também não teria sido ruim viver com ele. No entanto, faltavam provas para aquela hipótese.
Lee Jaeha possuía uma forma de pensar bastante simples. Não que pensasse ser impossível Taegun amá-lo. Como o sentimento de inferioridade era fraco, também não era do tipo que pensava que não seria amado por alguém.
Em vez disso, era do tipo que precisava de provas claras também para os sentimentos. Por enquanto, Lee Jaeha decidiu adiar um pouco a decisão sobre o divórcio.
Fora uma decisão tomada olhando para as costas largas de quem estava de pé diante do fogão mexendo de qualquer jeito o conteúdo de dentro da panela com os hashis. Lee Jaeha separou as tigelas pequenas e as colocou sobre a mesa em ilha da cozinha.
Como Taegun não preparara as tigelas para as duas porções, pensara que comeriam pegando direto de dentro da panela como se fosse um ensopado.
Se a previsão de Lee Jaeha estava certa, Taegun colocou a panela esmaltada direto sobre o descanso de panela que fora colocado na mesa.
— Coma.
Os dois sentaram-se lado a lado. O vapor subiu da panela. Lee Jaeha sentiu a ponta dos dedos um pouco dormente. Estava passando por algo parecido com uma comoção.
Nos últimos anos, embora não tivesse percebido, parecia ter se sentido bastante solitário. Como era natural ninguém entender, Lee Jaeha chicoteava a si mesmo sempre que surgia aquele sentimento.
Chegava a esbravejar dizendo para não se arrepender por fazer o trabalho que precisava ser feito. Por pensar que aquela era a sua forma de amor, dedicou toda a força para tentar não olhar para trás. No entanto, no instante em que sentaram-se frente a frente assim, sentiu o esforço que fora acumulado como uma muralha desmoronar pelo próprio fato de ele ter feito algo para si.
Lee Jaeha sorriu de sua satisfação barata. Era algo que não fechava a conta. Receber como compensação apenas uma bocada de lámen em comparação ao trabalho que fizera. Mesmo assim, foi bom.
— Vou comer bem, senhor Jang Taegun.
Taegun, que servia a porção de Lee Jaeha sobre a tigela pequena, parou. Ele olhou para Lee Jaeha com olhos impossíveis de decifrar, mas, por estar coberto pelo vapor que subia da panela, foi difícil descobrir exatamente que significado estava contido naquele olhar.
Taegun levantou o corpo, talvez para entregar a tigela pequena onde separara o lámen. Ia dizer obrigado. Jang Taegun, que apoiou os braços abertos amplamente sobre a mesa em ilha de largura estreita, abaixou a cabeça e uniu os lábios aos de Lee Jaeha em um beijo estalado curto.
O beijo repentino foi igual ao que fizera diante do restaurante após tomarem o café da manhã. Antes mesmo de Lee Jaeha ter tempo de perguntar o que era aquilo, Jang Taegun já se sentara novamente no lugar, pegou os hashis com os dedos compridos e disse:
— O que está fazendo? O macarrão vai amolecer.
Era uma atitude descarada. Um sorriso fluiu diante da expressão confiante que não era a primeira nem a segunda vez que via. Deixando Lee Jaeha daquele jeito, Jang Taegun começou a comer o lámen.
Embora a tigela pequena separada para a porção dele tivesse esvaziado num instante, não houve som ao comer o macarrão. Taegun tocou os hashis na panela novamente e disse:
— Nesse ritmo, acho que vou comer tudo isso sozinho.
— Ah.
Só então Lee Jaeha também começou a comer. Contra as expectativas, o sabor estava bom. Sendo familiar da mesma forma colocando ou não o ovo, parecia que a partir de agora ele também colocaria o ovo sem falta sempre que comesse lámen.
Mesmo tentando comer bastante rápido para não perder mais para Taegun, ele já estava comendo a terceira tigela. Nesse momento, a senhora de Yangpyeong entrou na cozinha emitindo uma voz assustada:
— Nossa, deveriam ter nos chamado…
Para tranquilizá-la no constrangimento, Lee Jaeha acenou com a mão. Como foi difícil soltar as palavras por não ter engolido o que estava na boca, cobriu com a mão e disse lentamente:
— Está tudo bem. Vá descansar.
— Puxa vida, estão comendo sem nem um kimchi. Fiquem aí, vou pegar um pouco do kimchi de mostarda que eu mesma fiz.
Ela entrou correndo no cômodo dos fundos da cozinha onde a geladeira de kimchi fora colocada, sem dar tempo de ser contida, e trouxe o kimchi de mostarda lindamente servido em uma louça de bronze.
Não combinava muito para subir em uma mesa onde apenas a panela fora colocada desleixadamente, mas o kimchi de mostarda que a senhora de Yangpyeong dissera ter feito era bom por lembrar o sabor do que o mestre Jung da sua própria casa fazia.
— Parece que o Diretor de Divisão cozinhou para o Diretor.
Ela disse colocando também a água de chá de sementes de cássia que esfriara na geladeira sobre a mesa. A senhora de Yangpyeong, que dissera trabalhar há muito tempo na casa, parecia avaliar o ambiente em relação a Taegun um pouco menos que os outros empregados.
Taegun também não exibia sinais de estar de mau humor com a fala dela. A julgar pelo fato de ter dedurado Lee Jaeha para ela com uma atitude bastante descontraída.
— Esta pessoa disse ser a primeira vez que come lámen.
— …Não é a primeira vez.
Lee Jaeha murmurou sentindo-se um pouco sem jeito. Porque o fato de Taegun tratar a si diante de terceiros usando o termo “esta pessoa” parecia demonstrar que eles ainda continuavam interligados como casal. Além disso, por possuir um orgulho mínimo de ter vivido como elite, a reação que as pessoas exibiam ao dizer ser a primeira vez que comia lámen era sempre a mesma, o que também o deixava sem jeito.
Felizmente, a senhora de Yangpyeong pareceu não se importar e disse sorrindo com um rosto de pessoa boa:
— Como havia muitas coisas melhores, não deve ter havido necessidade de comer de propósito. Até o Diretor de Divisão se casar e ir morar fora, eu também ganhei algumas vezes, imagine. É que o Diretor de Divisão realmente cozinha muito bem o lámen.
A senhora de Yangpyeong falou até ali, disse para comerem bem e saiu da cozinha direto. Lee Jaeha mexeu na tigela pequena sem sentido e olhou para Taegun.
Taegun, que levou o copo de água servido pela senhora de Yangpyeong à boca, ergueu uma sobrancelha fixamente ao cruzar os olhos com Lee Jaeha.
Como parecia significar o motivo de estar olhando, Lee Jaeha balançou a cabeça. Porque houve algo de que se lembrou.
— …Aquela casa em Hannam-dong não era a casa onde o senhor Jang Taegun morava originalmente?
Pelas palavras da senhora de Yangpyeong, parecia com certeza que ele morara em Pyeongchang-dong até antes do casamento. Ele dissera claramente antes do casamento para entrar na casa onde ele morava. Ficou confuso pensando se ele a comprara para o casamento.
Após o kimchi de mostarda subir à mesa, o lámen acabou ainda mais rápido. Levantou-se para arrumar o que fora comido, mas Taegun segurou a panela e as tigelas pequenas em uma das mãos e tomou até a porção de Lee Jaeha.
Jang Taegun possuía mãos muito maiores que Lee Jaeha, cujas mãos eram do tipo pequeno em comparação ao tamanho do corpo. Enquanto Lee Jaeha ficou tenso achando curioso ele segurar aquilo tudo de uma vez, Taegun aproximou-se da pia e começou a lavar a louça rapidamente.
Como já havia arregaçado as mangas da camisa desde quando começara a cozinhar o lámen, o formato dos músculos de seu antebraço que pareciam firmes movendo-se era bem visível. A camisa não era pequena, mas sempre que ele movia o braço a região perto da omoplata ficava esticada.
Assim como cozinhara bem o lámen, era outro lado inesperado. Lavar a louça. Parando para pensar, também ganhara a refeição uma ou duas vezes quando moravam juntos. Como a organização posterior estava limpa, pensara que nesse meio-tempo os empregados haviam passado.
Olhando agora, surgiu o pensamento de que ele mesmo poderia ter feito a organização posterior diretamente. Sentindo que Lee Jaeha olhava intrigado, Taegun, que lavou algumas xícaras num instante, virou-se para trás.
Diante do olhar de quem parecia dizer para falar se houvesse algo para falar, Lee Jaeha moveu os lábios e acabou dizendo baixo:
— Parece que lava bem a louça.
— Vivi a vida de caçula de escritório por muito tempo.
Se dizia escritório, parecia ser o escritório da gangue. Jang Taegun disse com um tom de voz indiferente que, antes de entrar na faculdade, chegara a fazer serviços gerais morando e comendo direto no alojamento dos membros da organização.
Era incompreensível Jang Changsik fazer o próprio neto passar por aquele tipo de trabalho e fazê-lo viver totalmente fora. Até o pai dele. Lee Jaeha sentiu o contorno dos olhos ficar vermelho momentaneamente pela fúria em relação ao idoso já morto. Teve a sensação de que a febre fervia.
Por ser apenas algumas louças e uma panela, na roupa de luto de Jang Taegun, que nem usara a máquina de lavar louça, algumas gotas de água haviam espirrado e molhado. Lee Jaeha aproximou-se em silêncio e limpou aquilo com um lenço de papel.
Taegun olhou de cima para o Lee Jaeha daquele jeito e sorriu de canto:
— Atencioso.
— ……
Como Lee Jaeha não respondeu, Taegun ergueu levemente o queixo dele. Os dois olhos misturados com traços de riso brilhavam olhando para si.
Hoje era a primeira vez que ele exibia olhos daqueles. Brilhavam como se tivessem colocado uma obsidiana preta em uma água que corria limpa.
Por que exibia olhos daqueles? Chegava a parecer uma criança animada. Por que ele parecia subitamente feliz? Por sua vingança ter se completado finalmente hoje?
O fato de ter matado Jang Changsik com as próprias mãos não seria brincadeira. Qualquer que tenha sido o método utilizado por ele, o cortejo fúnebre do idoso falecido por ataque cardíaco está próximo. Assim que o funeral for concluído, a verdade arderá como cinzas no crematório. Porque o herdeiro direto e consanguíneo, Jang Taegun, não quisera a autópsia dele.
O falecido deixara no testamento o pedido para realizar um funeral com sepultamento, mas Jang Taegun parecia não querer aquilo. Jang Taegun conversara por mais tempo justamente com um dos advogados de consultoria de Jang Changsik entre os visitantes. Provavelmente alterou o conteúdo do testamento.
Além disso, alguns itens entrarão e outros sairão, sendo enterrados para sempre como um segredo que ninguém saberá. Lee Jaeha pensou incessantemente no que seria o que ele queria, mas não chegou a uma conclusão.
Enquanto Lee Jaeha tinha esses pensamentos, Taegun disse com um sorriso largo:
— Vamos escovar os dentes.
Embora tenha achado um absurdo a fala parecida com a de quem acalma uma criança, assentiu com a cabeça. Os dois escovaram os dentes lado a lado de pé no banheiro, tendo tirado apenas o paletó da roupa de luto. A gravata preta de Lee Jaeha fora empurrada para entre o terceiro e o quarto botão da camisa, e a gravata de Jang Taegun não era vista em lugar nenhum.
O riso surgiu sem querer diante da imagem de quem a tirara totalmente dizendo ser sufocante mesmo não vindo convidados. Jang Taegun alisava a cintura levemente inclinada de Lee Jaeha ou colava a própria virilha em sua bunda enquanto ele enxaguava a boca.
Sempre que o peso maciço tocava por trás, assustava-se a ponto de quase engolir a água da escovação. Lee Jaeha virou-se para trás e chamou o nome dele com gravidade:
— Senhor Jang Taegun.
— Desculpe. Foi só para encostar de leve. Eu disse que não estava com a intenção de enfiar agora.
Jang Taegun pediu desculpas por uma porcaria daquelas. Exibia uma expressão indiferente sem sequer sorrir, mas parecia sutilmente insatisfeito. A presença maciça que vinha tocar na bunda indicava que ele já estava ereto.
Seja por a sensação absurda ter se revelado na expressão, Jang Taegun franziu levemente a testa.
— Apenas aguente. Não é de hoje nem de ontem que fico no cio por você, vai ficar sério assim sempre?
Era uma exigência verdadeiramente descarada. Achou um absurdo e não respondeu, deixando a frente da pia. No entanto, teve o pulso segurado direto. Ele segurou Lee Jaeha que tentava sair do banheiro, ficou dando beijos estalados seguidos e, por fim, colocou a língua para revirar antes de soltar.
— Ah, Jang Taegun—
O tratamento de respeito “senhor” que vinha atrás foi esmagado pela língua grossa dele e desapareceu. Quando Lee Jaeha chamou o nome dele, Jang Taegun soltou um gemido abafado e alisou as costas de Lee Jaeha com a palma da mão. Chegou a apertar e soltar a bunda também.
Lee Jaeha o empurrou. Porque parecia que ia ficar ereto se continuasse assim. Teve medo de a parte de baixo ficar úmida novamente sem aviso.
Taegun deixou-se empurrar de bom grado por Lee Jaeha de forma incomum, mas arfou enterrando o rosto na nuca com os olhos caídos. Enquanto ele soltava respirações arfantes, Lee Jaeha fechou os dois olhos com força. Dedicou toda a força para tentar não se excitar, mas não foi fácil.
No final, Lee Jaeha também acabou abraçando a cintura de Taegun e apertando os braços. Por ser algo bastante desconfortável e às vezes doloroso quando recebia, Lee Jaeha nunca pensara em impor a característica de Alfa para Taegun nenhuma única vez, mas, apesar disso, não sendo ele mesmo um Ômega, surgiu o pensamento de que estava morrendo de vontade de recebê-lo.
A parte de baixo contraiu-se por si só. Como se estivesse acolhendo o pênis dele atrás. Queria tornar-se um só corpo com ele. A ponto de ser um pouco lamentável não conseguir fazer isso agora mesmo.
No final, os dois apenas se beijaram mantendo-se abraçados como adolescentes que ainda não sabem como usar o corpo. Quando saíram do banheiro, estavam com os lábios inchados. Lee Jaeha ficou um pouco sem jeito com aquilo.
Ia apenas sair, mas teve os dedos entrelaçados em um aperto de mãos. Ao olhar para trás, Jang Taegun franziu a testa.
— O que foi?
— …Não é nada.
Achou intrigante por ele reagir de forma afiada de forma incomum. Ao mesmo tempo, achou estranho ele não desfazer o aperto de mãos. Os dois Alfas acabaram indo em direção ao altar novamente mantendo os dedos entrelaçados.
A madrugada estava silenciosa por não haver visitantes. Os dois sentaram-se lado a lado apoiando as costas na parede do altar.
— Você precisa descansar um pouco.
— Está assim tão preocupado comigo?
Jang Taegun disse algo completamente diferente em resposta à fala de Jaeha. No entanto, Jaeha assentiu. Taegun encarou Jaeha fixamente.
Jaeha pensou que ele diria outra coisa brincalhona, mas Taegun desviou o olhar primeiro e ficou em silêncio. Jaeha apenas aceitou. Como ambos eram pouco falantes, mesmo que não houvesse conversa, era bom estarem com os ombros encostados.
Então, ele deve ter cochilado por um momento. O amanhecer estava chegando fracamente através das janelas. Ao abrir os olhos na madrugada do segundo dia de funeral, Jaeha sentiu que Taegun o observava na escuridão.
Como as luzes da sala de velório não podiam ser apagadas, Jaeha percebeu, de repente, que estava deitado em uma cama.
Jang Taegun estava deitado de lado, encarando Lee Jaeha, que também estava deitado de lado. Ele observava Jaeha com os braços cruzados.
Seus olhos profundos eram como um mar muito escuro, difícil de compreender. De repente, lembrou-se de que, na época em que o conheceu, pensou que seus olhos eram como um mar escuro.
Era o mesmo olhar daquele Jang Taegun. Como as ondas negras quebrando no penhasco onde as rosas rugosas floresciam… Jaeha entreabriu os lábios. Queria perguntar por que ele o encarava, mas estava tão cansado que não conseguiu articular as palavras.
Assim que pensou que dormiria um pouco mais e perguntaria depois, mergulhou no sono.
—
O segundo dia de funeral também passou sem grandes problemas. Como continuava a sentir um desconforto lá embaixo, Jaeha trocou de roupa íntima três vezes apenas no segundo dia.
Como não podia deixar Taegun sozinho para se ausentar, decidiu que agendaria uma consulta no hospital com a gerente Im assim que o funeral terminasse.
Mas, se algo incomoda nessa região, será que devo procurar um urologista?
Como ela era uma pessoa de sua inteira confiança, não era como se fosse embaraçoso falar sobre aquilo, mesmo ela sendo uma mulher beta, mas era um pouco vago descrever os sintomas.
Começou a pensar se deveria marcar a consulta ele mesmo. Ou então, bastaria pedir para conectarem a um hospital geral que não estivesse sob a influência de Yushin.
De qualquer modo, o segundo dia também foi bastante movimentado. Os visitantes entravam sem parar. Eles vinham principalmente para ver Taegun e, após notarem a presença de Jaeha, elogiavam-no, dizendo que, como esperado, o discernimento do diretor Lee Jaeha nunca falhava.
Como foi a coisa mais absurda que ouviu, não respondeu. Então, as pessoas passaram a elogiar a taciturnidade e o caráter de Lee Jaeha. Não tinha graça alguma.
De todo modo, pensando que eram pessoas necessárias para Taegun, ele conseguia cumprimentá-las com um aperto de mão. O local vivia cheio de visitantes que, ao passar por ele, alternavam olhares entre Lee Jaeha, que sorria levemente pedindo que seguissem bem, e Jang Taegun, que tratava as pessoas com uma atitude desinteressada.
Assim passou o segundo dia do funeral de Jang Changsik. Um funeral onde, curiosamente, ninguém dizia ao enlutado que desejava o descanso eterno do falecido.
E então, o último dia. O dia do cortejo fúnebre estava bem frio. Jaeha, que havia saído vestindo apenas um casaco leve, começou a pensar que deveria ter colocado mais roupas antes mesmo de subir ao cemitério da família Jang.
A montanha sem nome, localizada em Gyeonggi-do, não era fácil de subir. Não pela altura da montanha, mas porque, como ninguém cuidava dela, a trilha era extremamente estreita.
Além disso, a limusine quebrou no caminho de volta do crematório. Jang Taegun disse com aquele seu tom desinteressado de sempre:
— Parece que não podemos levar alguém que partiu cometendo pecados em um carro de luxo. Apenas coloque-o em um caminhão.
Como a sucessão de Janghan Construction passou naturalmente para Jang Taegun após a morte de Jang Changsik, não parecia haver ninguém que pudesse contrariar suas palavras. Embora todos tenham ignorado o comentário sobre descartar as cinzas como lixo insolúvel, fingindo que era uma piada.
No fim, as cinzas de Jang Changsik, guardadas em uma urna de porcelana branca, foram enterradas no cemitério. Era ao lado do túmulo de seu filho, que havia partido antes.
Enquanto os membros da organização cavavam a terra, Jang Taegun estava parado, mexendo em um cigarro que nem acendia. Pensando bem, seu casaco também era fino; ele não estaria com frio?
Jang Taegun bocejou longamente. Havia até lágrimas acumuladas nos cantos dos olhos.
— Cemitério da família, que nada. Onde é que uma família de gentinha teria um cemitério?
Como ele murmurou isso em um tom bastante audível, os executivos da Janghan Construction que acompanhavam o funeral ficaram visivelmente constrangidos. Ele perguntou a Jaeha, que estava ao seu lado:
— Ah, você prefere alguém de família tradicional como cônjuge?
Foi outra pergunta absurda. Jaeha não sabia como responder, então balançou a cabeça lentamente. Ele continuou, encarando Jaeha fixamente:
— Mesmo na sua visão, Lee Jaeha, eu não pareço vir de uma família nobre, certo? Onde já se viu um nobre com essa cara? Dá para ver de longe que é sangue de carniceiro.
Ele murmurava que devia ser descendência de carniceiro ou servo, e continuava sendo difícil encontrar uma resposta. Parecia que o mesmo valia para os executivos da Janghan, que ficaram todos em silêncio, como se estivessem com as bocas congeladas pelo frio.
O funeral terminou daquela forma. Como não havia parentes que precisassem se reunir após o funeral para dividir as condolências, bastava descer da montanha e voltar para casa.
Com o cigarro que ele estivera manuseando o tempo todo entre os lábios, Taegun agarrou o pulso de Jaeha. Assim que desceram da encosta, Jaeha teve que ser detido por ele. Taegun falou sem olhar para Jaeha, mas seu tom soava um tanto ansioso. Jaeha ficou confuso com a forma repentina e impaciente com que Taegun o arrastava.
— Pedi para enviarem alguém ao anexo para arrumar as malas, então vamos para casa.
— Casa…
Ele estava prestes a perguntar a qual casa se referia, quando sentiu, novamente, a sensação de umidade lá embaixo, que estava normal até a manhã.
Apesar do frio intenso, apenas aquela região estava quente e úmida. Jaeha, com o rosto congelado pelo frio, franziu a testa involuntariamente. Taegun, que o arrastava, olhou para trás e perguntou:
— Está desconfortável com algo?
— A-ah, não…
Por causa disso, nem houve tempo de perguntar onde era a casa. Jaeha entrou no banco de trás do carro dirigido por Jeonggil junto com Taegun.
Talvez por ter entrado no carro aquecido após passar o tempo todo no frio, sentiu um calor súbito subir pelo corpo. Percebendo a anomalia, Jaeha pensou que deveria ir ao hospital imediatamente.
Como o funeral havia acabado, talvez fosse melhor dar uma passada lá. O carro partiu do pé da montanha, percorreu brevemente uma estrada de terra e entrou direto na rodovia. Foi quando pensou que, ao chegar em Seul, deveria agendar o hospital pela gerente Im.
— Ugh…
Sentiu algo escorrer de repente lá embaixo. A ponto de ficar molhado entre as pernas. Confuso, olhou involuntariamente para Taegun, que estava sentado ao lado, e encontrou seus olhos baixos e carregados, que o observavam não se sabe desde quando. Ao encontrar aquele olhar, Jaeha prendeu a respiração.
— Jeonggil, pare o carro.
Ele disse, cerrando os dentes. Sem questionar, Jeonggil ligou a seta e estacionou no acostamento.
Antes mesmo que o carro parasse completamente, Taegun abriu a porta e desceu do banco de trás. Jeonggil fez o mesmo. Enquanto isso, Jaeha piscava os olhos, atordoado. Ele não conseguia entender a situação.
Pelo para-brisa, viu Taegun contornar rapidamente o capô. A porta do motorista se abriu novamente. Ele subiu no banco do motorista e, fechando a porta com força, disse:
— Coloque o cinto de segurança.
De repente, o carro começou a cheirar fortemente a jasmim. Jaeha, com olhos atordoados, apenas encarava Taegun sem conseguir fazer nada.
Taegun deu um soco no volante. O som que ecoou não parecia algo que pudesse vir de um punho humano. Ele olhou para o banco de trás novamente e disse:
— O cinto, coloque.
Sua voz era como se ele estivesse contendo algo, mastigando um palavrão. Com a mente nublada, Jaeha procurou o cinto de segurança como um robô lento recebendo uma ordem e, com dificuldade, afivelou-o.
Ao verificar isso, Taegun, sem dizer nada, olhou para frente, mudou a marcha e arrancou com o carro. O carro saltou tão bruscamente que o pescoço de Jaeha foi levemente puxado pela inércia.
Jaeha olhou para trás. Jeonggil, na estrada, estava com o braço estendido como se pedisse carona, com o polegar levantado. Um dos carros dos subordinados que os seguia parou no acostamento. Jaeha viu Jeonggil entrar naquele carro.
Contudo, logo em seguida, aquilo tornou-se um ponto minúsculo. O sedã em que Jaeha estava corria rápido demais.
O cheiro de jasmim, que florescia dentro do carro, espalhou-se intensamente. Jaeha não conseguia acreditar que algo continuava escorrendo entre suas pernas.
Por que isso estava acontecendo? Deveria ter ido ao hospital antes. O fato de ter perdido peso e massa muscular sem motivo deveria ter sido tratado como um sintoma de alguma anomalia, e não ter ignorado foi um erro fatal.
Sentia como se a febre baixa que teve no primeiro dia do funeral estivesse voltando. Seu corpo inteiro parecia ferver. Era completamente diferente de como se sentia durante o período de rut.
Aquela sensação de coceira entre as pernas não era totalmente nova, mas, daquela vez, era o período de rut. No Jaeha de agora, não se sentia nem um pouco o cheiro de freixo.
Enquanto Jaeha, em estado de pânico, formulava milhares de hipóteses e as descartava uma a uma, uma voz baixa e carregada surgiu do banco da frente.
— O que você fez quando encontrou Kim Ranhee?
— Apenas…
Estava prestes a dizer que apenas tomaram um chá. Seu corpo inteiro começou a coçar, e o sangue concentrado em seus mamilos os deixava tão sensíveis que ele não suportava. Como não podia coçá-los na frente de Taegun, Jaeha movia o tronco para que eles roçassem no cinto de segurança, sem nem perceber o que estava fazendo.
Taegun, que observava tudo aquilo pelo espelho retrovisor do banco do motorista, disse com uma voz áspera, como se arranhasse a garganta:
— Sente-se direito, Lee Jaeha. Não pense em brincar sozinho.
Jaeha, que despertou um pouco com a voz firme, percebeu que suas bochechas estavam queimando. Não apenas as bochechas, mas seu corpo todo estava quente.
Não era apenas uma febre baixa. Não devia ser um mal-estar comum, seu corpo estava muito estranho. Jaeha pensou em dizer para irem ao hospital, mas ficou sem saber para onde ir.
Se fossem a um hospital da linhagem de Yushin, seus passos certamente chegariam aos ouvidos de Lee Ik-hyung. Se soubessem que ele foi ao hospital no último dia do funeral, não sabia o que Lee Ik-hyung poderia fazer.
Sem nem perceber que estava respirando ofegante, Jaeha apertou as coxas inconscientemente. Sentiu que, com a pressão interna, mais líquido explodiu.
Encostando o rosto na janela fria do carro, Jaeha soltou um gemido. Taegun, ainda com a voz contida, disse:
— Vamos para casa. Tente aguentar. Não tenho a intenção de fazer isso com você em outro lugar.
Queria perguntar o que era esse “fazer isso”. Mas, no meio do caminho, sentiu como se sua razão estivesse se rompendo. Já não conseguia pensar em mais nada.
Sentia que, se abrisse a boca, soltaria um gemido. Ou talvez algum tipo de súplica.
*Alguém…*
Parecia que uma súplica crua escaparia.
*Faça alguma coisa, apenas…*
Jaeha apenas fechou a boca. Sua consciência se afastou. Cheirava a mar profundo. Aromas de flores vindos de algum lugar. Flores que só florescem em lugares áridos.
Diziam que eram flores que, na verdade, não conseguiam crescer em lugares ensolarados. Aquela era a rosa rugosa, o perfume de Jang Taegun. Jaeha conseguia sentir o cheiro do mar misturado ao perfume intenso de jasmim e o aroma da rosa rugosa.
Sua consciência se afastou um pouco mais, para muito longe.
— Lee Jaeha.
Jaeha.
Parecia que alguém o chamava, e ao mesmo tempo não. Jaeha fechou os olhos.
Naquele dia, Lee Jaeha enfrentou o primeiro cio de sua vida.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna