The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 01
↫─Capítulo 01
* Alguns anos depois
— A Yooshin Fire foi vendida para a Haesung Life. A Yooshin Fire Insurance comercializou seguros do tipo poupança que garantiam altas taxas de juros projetadas, não conseguindo conter uma grande margem negativa secundária, e expandiu seus investimentos em ações, empréstimos imobiliários e títulos estrangeiros, falhando em recuperar as perdas decorrentes de investimentos de alto risco. Especialistas apontam a falta de capacidade de gestão de ativos como a causa da queda da Yooshin Fire. Informou Kim Hyun-jin.
— Yooshin Electronics falha em atrair o projeto Millennium New Deal.
— Mais uma vez em apenas dois dias de negociação… Yooshin Electronics quebra nova mínima histórica.
— A queda da família real, investidores individuais debandam em massa da Yooshin.
Notícias semelhantes circulavam por toda parte.
No entanto, o fato de tais notícias estarem em destaque era algo do ano passado, e agora a situação havia se tornado muito mais grave do que naquela época.
A grande empresa Yooshin, que antes tinha a reputação de ser um navio de guerra capaz de acomodar a todos, virou coisa do passado. Somente depois que os funcionários a bordo receberam suas indenizações um após o outro e pularam primeiro, a diretoria tardiamente percebeu a crise e se atrapalhou.
Não deixava de ser algo genuinamente estúpido.
— Como você pôde fazer isso comigo?!
— …Lee Jaeha. Tinha mesmo que ser assim?
O grito de Kim Ranhee e o ressentimento de Lee Jaeho passaram de relance como o som do vento. Ele chegou a ser chamado à casa principal e receber um banho de água fria, além de olhares gélidos de seu meio-irmão.
Lee Jaeha, em todas as vezes, olhava para a mão de Lee Jaeho pousada no ombro pequeno de Kim Ranhee e dava as costas.
Houve também uma vez em que levou um tapa de Lee Ikhyeong. Essa foi a primeira vez que Lee Ikhyeong agrediu Lee Jaeha diretamente.
Depois disso, Lee Ikhyeong chamava Lee Jaeha frequentemente. Quando ele se ajoelhava de bruços no escritório, seu pai, incapaz de conter a fúria, entrava e golpeava as nádegas de Jaeha com um ferro 10 de golfe.
Como era incômodo resistir, ele simplesmente suportava. Se era chamado, corria sem hesitar, apanhava e voltava. Estava mais para pagar com o corpo por ser incômodo dar muitas explicações.
Ele também pensava que aquele era o preço por ter apunhalado grandiosamente pelas costas o pai, que tentava ocultar uma fortuna na casa dos trilhões como garantia para a velhice. De qualquer forma, havia o cálculo de que, se Lee Ikhyeong não encontrasse um lugar para descontar sua raiva, ele poderia estender as mãos para Lee Jaeho ou Kim Ranhee, que moravam com ele, ou talvez até para Jang Taegun.
Embora Lee Ikhyeong agisse como se tivesse pensamentos complexos, ele era um homem bastante simples e desprezível, pertencente àquela laia para quem bastava ter um lugar onde descarregar a fúria imediata.
Como esperado, após dar algumas surras em Jaeha, ele passou a viver afogado no álcool. Às vezes Jaeha ainda era chamado, mas a frequência diminuiu drasticamente em comparação a antes. Até para bater em alguém é preciso ser diligente. Lee Ikhyeong era um homem deficiente em vários aspectos.
Mesmo naquele estado embriagado como um alcoólatra, ele tentava de alguma forma reverter a situação, chegando a pedir ajuda à família de sua ex-esposa, mas como vivia praticamente com os laços cortados desde que a mãe de Jaeha, Han Heeyoung, ficara daquela forma, não foi uma tarefa fácil.
Como não era um pedido de ajuda feito pelo próprio Lee Jaeha, a família materna de Jaeha ignorou o apelo de Lee Ikhyeong. A família biológica de Kim Ranhee era consideravelmente abastada, mas o tamanho de seus ativos não era grande o suficiente para ajudar uma grande empresa que cambaleava.
A Yooshin desmoronou assim, lentamente. Porém, com certeza.
Como tinha um tamanho originalmente enorme, o navio chamado Yooshin ainda estava em condições de zarpar. No entanto, a água vazava pelo fundo do navio e o convés estava apodrecendo.
A menos que fosse desmantelado agora para retirar apenas a madeira que ainda não apodreceu e transformá-la em uma balsa, naquele ritmo ele se reduziria a um navio fantasma que era apenas gigante. Se não afundasse, já se poderia considerar uma sorte por si só.
A vitória alcançada por Lee Jaeha, que transformou a Yooshin daquela forma, foi uma vitória miserável. Sem nenhum lugar onde pudesse se orgulhar dela.
Nos primeiros anos após a separação, o período de cio de Alpha vinha rigorosamente a cada cinco meses. Contudo, nos últimos dois anos, o cio de Lee Jaeha ocorreu apenas duas vezes. E, mesmo assim, limitou-se a uma febre que ferveu por um dia e logo sumiu.
Nem sequer parecia que os feromônios estavam saindo. Só mais tarde ele percebia que aquilo havia sido o cio.
Ele pensou em ir ao hospital, mas como a letargia havia se intensificado recentemente, não havia nada que chamasse sua atenção além do trabalho. Ele estava ainda mais ocupado por estar desmantelando, um a um, os recursos humanos que havia utilizado para a queda da Yooshin.
O cio reduzido chegou a parecer, pelo contrário, conveniente. Pois os casos em que Jang Taegun procurava Lee Jaeha tornaram-se raros.
— Janghan Construction pratica gestão capaz de crescimento conjunto com empresas parceiras.
— Janghan Construction assina contratos para o complexo próximo à estação, .
— Janghan Construction acelera o passo rumo à .
Ele também obteve seu próprio espólio. Pois a Janghan estava agora entrando adequadamente no escalão das grandes empresas.
Jang Taegun, que assumiu o cargo de diretor executivo, teve uma atuação formidável. A ponto de ser incompreensível por que haviam deixado um homem daqueles andando por aí agindo como um gângster no início.
Além disso, pequenas colheitas se sucederam. Lee Ikhyeong, incapaz de suportar a pressão arterial elevada, foi levado às pressas para o Hospital Geral Yooshin.
Não saiu nos jornais, mas, de acordo com as fontes de informação de Lee Jaeha, uma ambulância deixou a residência de Seongbuk-dong às 21h03. Enquanto ouvia a notícia do falecimento de seu pai, que para ele soava como uma notícia de vitória, Jaeha serviu e bebeu bebida alcoólica em um copo de bacará.
Naquele dia, recebeu uma ligação de um número desconhecido. A outra parte, que permaneceu em silêncio sem dizer uma única palavra, desligou o telefone antes de passar dos 20 segundos. Provavelmente era Lee Jaeho. Jaeha não se deu ao trabalho de ligar de volta.
Eles não tinham provas materiais. Provas materiais de que Lee Jaeha havia destruído a Yooshin.
Era algo natural. Nos últimos anos, Jaeha havia se empenhado para que tudo o que ameaçasse a Yooshin pudesse retornar como mérito da divisão de negócios de construção sob o comando de Jang Taegun.
Fez com que o projeto de reconstrução do complexo habitacional de Gangseo-gu, que a divisão de construção da Yooshin C&T deveria ter atraído, fosse conquistado pelo lado da Janghan, ou desviou a concessão da obra de melhoria do solo do Aeroporto Internacional de Gimhae para que ficasse como a cota da Janghan.
E não foi apenas na divisão de construção, o mesmo ocorreu em outras áreas.
Na época em que Jaeha estava na Yooshin Electronics, ele soube que a tecnologia que estava sendo desenvolvida sob a sua aprovação havia sido cancelada devido às atuais dificuldades financeiras da Yooshin.
Tendo como base a tecnologia que fora cancelada, Jaeha vazou informações para que ela pudesse ser introduzida no sistema de automação de complexos de apartamentos. Nessa parte, foi necessário buscar consultoria técnica. Através da indicação de um colega de faculdade, ele convidou um pesquisador formado na faculdade de engenharia da mesma universidade e, após fazê-lo assinar um termo de confidencialidade, expôs a referida tecnologia e fez com que ele extraísse uma base sem falhas jurídicas a partir dela.
Assim, ele vazou a tecnologia, que restava apenas na forma de códigos básicos, para o lado da Janghan. Jang Taegun seguiu exatamente a intenção de Lee Jaeha.
A equipe de desenvolvimento de tecnologia da Janghan Construction obteve sucesso em expandir e, ao mesmo tempo, detalhar o sistema de automação dentro do complexo.
Como resultado, a marca de apartamentos da Janghan Construction, ‘Yeonbichae’, alcançou o feito de ficar em primeiro lugar no Índice Nacional de Satisfação do Cliente.
Além disso, ele vazou muitas informações e fez um trabalho de bastidores para que a Janghan pudesse possuir as ações da Yooshin C&T.
Jang Taegun estava pisando cuidadosamente nas diretrizes que Lee Jaeha havia estabelecido. Jaeha achava aquilo divertido. Pensou que aquilo era o vínculo entre ele e o outro, de quem já não ouvia sequer a voz há bastante tempo. Embora fosse um tanto unilateral, Lee Jaeha cultivou um amor que se satisfazia mesmo com aquilo.
O que ele desejava era apenas uma coisa. Que o outro pensasse que havia destruído a Yooshin com as próprias mãos. Como os recursos humanos empregados para fazer as coisas acontecerem dessa forma realizavam apenas tarefas fragmentadas e isoladas, eles não conseguiam deduzir o que estavam fazendo.
Integrar as informações que eles coletavam era algo feito única e exclusivamente por Lee Jaeha.
Dessa forma, ele orientou as coisas para que os bens roubados da Yooshin fossem espalhados na Janghan e servissem de nutrientes.
Mesmo enquanto fazia isso, ele abalava o interior da Yooshin. Na época de seu mandato como diretor, ele se encontrava e fazia lobby com os executivos que o seguiam, sacudindo a organização a partir de dentro. Jaeha fez com que eles vendessem suas ações.
Também se encontrou separadamente com suas tias de segundo grau. Nascidas sob os irmãos de seu avô, embora fossem Alphas dominantes, perderam o posto de chefe da Yooshin para Lee Ikhyeong apenas pelo motivo de pertencerem a uma linhagem colateral.
Elas sempre viveram afiando suas facas. Bastou avisar às assassinas preparadas que a hora havia chegado. Em breve, elas compraram as ações dos executivos que haviam sido preparadas nos bastidores sob o nome de primos de terceiro grau de Jaeha.
Eram todas subsidiárias essenciais da Yooshin. Como aquilo já era assunto do ano passado, por volta deste ano elas teriam aumentado seu poder a ponto de interferir na gestão.
Diz-se que mesmo que um homem rico faleça, a herança dura três anos, mas, aos olhos de Lee Jaeha, a Yooshin estava caminhando em direção ao abismo. Seria difícil se levantar dali.
O número de subsidiárias, que chegava a 113, diminuiu significativamente, restando atualmente apenas 34. E mesmo essas estavam se dispersando em pedaços devido ao fato de as tias de segundo grau terem se levantado como um enxame de abelhas.
As tias que nasceram como Alphas ficaram indignadas com o fato de Lee Ikhyeong, que não era melhor do que elas, ter herdado as subsidiárias essenciais da empresa e se tornado presidente.
Como elas assumiram os pequenos negócios que o avô havia concedido como se fizesse caridade e os desenvolveram até agora, elas teriam, na verdade, uma habilidade de gestão melhor do que a de Lee Ikhyeong.
Embora 34 subsidiárias ainda fossem um número considerável, era diferente da época em que a Yooshin, no tempo do avô, havia estabelecido um império sólido mesmo com 62 subsidiárias. Para começo de conversa, a expansão comercial excessiva de Lee Ikhyeong também era o maior ponto fraco.
Lee Jaeha apenas coçou o lugar que precisava ser coçado. Sem hesitar.
Lee Jaeho, que apareceu certo dia, segurou Jaeha choramingando e foi embora sem dizer uma única palavra. Nem sequer perguntou a Lee Jaeha por que ele havia feito aquilo.
Como havia convicção íntima, mas não havia provas materiais, parecia que ele não queria proferir palavras de suspeita. Lee Jaeha estalou a língua mentalmente, pensando por um instante em como ele era ingênuo.
No entanto, aquilo foi o fim. Lee Jaeha não tinha arrependimentos nem sentimentalismos por ter arruinado a família com as próprias mãos. Nem mesmo o menor alívio por ter liquidado o que precisava ser feito.
O tempo passou dessa forma e amanhã seria, num piscar de olhos, o aniversário de casamento de três anos completos desde que Jang Taegun e Lee Jaeha começaram como um casal.
— Gostaria de fazer uma reserva.
Porém, infelizmente, amanhã seria o último aniversário deles.
O próprio Lee Jaeha ligou diretamente para reservar o restaurante. Era exatamente o mesmo lugar onde havia pedido o outro em casamento.
Assim que o número de Jaeha apareceu, o gerente naturalmente transferiu a ligação. Ele perguntou a Jaeha com um tom de voz gentil o horário, o número de pessoas e a presença de alergias. Ele hesitou antes de responder.
— Não tenho restrições e… duas pessoas virão.
O gerente logo sorriu e repetiu: “Sim, duas pessoas”. Jaeha recolheu os lábios e assentiu levemente com a cabeça. Mesmo sabendo que não havia como o outro ver.
Na verdade, mesmo fazendo a reserva daquela forma, não havia expectativas. Como fazia bastante tempo que o relacionamento deles havia se desgastado completamente, ele considerava natural que Taegun não viesse. Foi por esse motivo que sentiu um certo constrangimento ao dizer que o número de reservados era para duas pessoas.
A ganância, que originalmente já não existia, desapareceu por completo como se tivesse sido castrada. Fora extirpada de um lado do coração como se tivesse entrado e saído de uma sala de cirurgia.
Portanto, ele não achava que o outro apareceria naquele lugar. Mas como não podia deixar de falar, notificou o local e o horário do compromisso através de Myeongsun.
Mesmo se Taegun não viesse, ele tinha a disposição de passar a noite ali relembrando os acontecimentos passados. Embora não tivesse reservado um quarto, haveria uma suíte reservada para VIPs ou um quarto de luxo.
De qualquer forma, era a vitória de Lee Jaeha. Ele queria comemorar aquilo. Como havia obtido sucesso em cortar o tornozelo do gigante, decapitar esse gigante era a cota de Jang Taegun.
Enfraquecer o poder da Yooshin ao máximo para que ele não se ferisse foi o objetivo de Lee Jaeha nos últimos anos. Estava tudo bem se ele não viesse. Parecia que não seria insuficiente comemorar a vitória sozinho.
Após encerrar o jantar sozinho, ele pretendia passar cerca de uma noite ali e, depois de fazer o check-out no dia seguinte, procurar uma casa para morar fora de Pyeongchang-dong.
Como era de se esperar, nenhuma resposta veio de Myeongsun. “Sei como é”, pensou ele, mas por outro lado sentiu um gosto amargo. Ele saiu de casa esforçando-se para não pensar nisso.
Sempre que chegava exatamente nesta estação, seu coração ficava desolado. Mesmo tendo passado pela mesma estação várias vezes, continuava assim.
Ao chegar ao restaurante reservado e deixar o carro com o manobrista, Jaeha pensou em comprar flores, mas desistiu. Pois um Alpha hospedando-se sozinho em um quarto de hotel carregando um buquê de flores pareceria extremamente suspeito.
Como alguns repórteres estavam em sua cola recentemente, talvez fosse melhor ser cauteloso. Ele não sabia o que tentavam cavoucar, mas não seria algo bom nem para ele, nem para Jang Taegun. Mesmo que fosse o caso dele, aquele período era extremamente importante para Taegun, então ele não queria causar ruídos.
No ano passado, a posição da Janghan Construction no ranking empresarial saltou para o 32º lugar. Pensando na época em que nem sequer figurava entre as 100 primeiras, era possível saber o quanto Taegun havia se esforçado. Como queria comemorar aquilo mesmo que sozinho, solicitou ao restaurante que preparasse um champanhe. Era a mesma variedade que haviam consumido no casamento.
Não era algo absurdamente caro a ponto de fazer soltar um suspiro, mas também não deixava a desejar, de modo que parecia bastante apropriado para beber sozinho.
Sua imagem refletida na parede do elevador não estava nada mal. Como estava perdendo peso gradualmente, ele temeu que sua expressão parecesse um pouco mais afiada do que antes, mas a sensação de que suas linhas haviam se tornado misteriosamente mais finas era tudo.
Como era um rosto que via todo santo dia, ele não percebia muito bem, mas sempre que saía assim e se olhava no espelho, havia muitos pontos que sentia de forma renovada.
Não era que a massa muscular tivesse diminuído, mas vendo que a circunferência da cintura reduzira e que a cor dos mamilos e a cor do órgão genital mudaram a ponto de ser perceptível, parecia ser algum tipo de influência hormonal ou de feromônios, mas não havia certeza.
Ele também deveria fazer um exame no hospital a respeito disso, mas os repórteres estavam em sua cola, sabe-se lá onde ouviram os boatos, tornando a ida ao hospital difícil e, acima de tudo, era realmente incômodo.
Sua mente estava no estado de “se for assim, que seja, se for assado, que seja”. Se estivesse com uma doença terminal, então bastaria morrer. Nos últimos anos, Lee Jaeha sentia-se como se estivesse submerso abaixo da superfície da água, com as coisas boas ou ruins tornando-se borradas.
A partir de certo dia, Jaeha vinha mantendo um estado emocional um tanto entorpecido. Mesmo sorrindo, não parecia que estava sorrindo; mesmo triste, não parecia que estava triste.
Enquanto olhava fixamente para a própria imagem na parede do elevador do hotel, a porta se abriu e um Omega hesitou antes de embarcar. Quando Jaeha lhe deu espaço, ele inclinou levemente a cabeça.
— Ah, me desculpe.
— Tudo bem.
Um cheiro adocicado vinha do Omega. Jaeha, que estava encostado calmamente na parede do elevador, sentiu um desconforto inédito ao sentir aquele aroma. Não chegava a ser grave, mas era incômodo o suficiente para fazer sua testa franzir levemente.
Por exemplo, era a sensação de Lee Jaeho tentando encostar os lábios em sua bochecha pedindo um beijo, por assim dizer. Era uma repulsa que não dava para expressar em palavras. Na infância, quando recebeu galanteios de um Alpha que o confundiu com um Omega ao ver sua aparência, ele havia sentido uma sensação semelhante.
Era um sentimento parecido com o incômodo que se pode sentir em relação a um semelhante. Embora ele não soubesse por que havia se colocado na mesma linha de igualdade como semelhante com um Omega que via pela primeira vez na vida.
Como não podia demonstrar abertamente repulsa a um desconhecido, ele pressionou firmemente com o polegar o espaço entre as sobrancelhas que havia se franzido de leve e olhou para frente mais uma vez.
A porta se abriu e Jaeha, descendo no andar do restaurante, caminhou direto. Até que ouviu uma voz o chamando por trás.
— …Ei, com licença!
— …Está falando comigo?
Jaeha girou a cabeça lentamente e levou o dedo indicador para baixo do queixo. Era um gesto perguntando se haviam chamado por ele.
Diante daquele movimento suave, o Omega, que mantinha o botão de abrir do elevador pressionado com firmeza, moveu os lábios e disse:
— Bem, por acaso você está namoran-
Foi bem quando ele falou até ali.
Um homem de grande porte bloqueou o espaço entre eles, embarcou no elevador e, daquela forma, estendeu a mão parecendo pressionar o botão de fechar.
A porta, que estivera aberta por um longo tempo, fechou-se em seguida. Através do vão da porta se fechando, viu-se o Omega olhando com uma expressão atônita para o homem encorpado que acabara de subir no elevador.
— …O que foi isso?
Jaeha murmurou sem perceber. Porque as costas do homem que apareceu de repente e entrou no elevador eram extremamente familiares.
Inclinando a cabeça, Jaeha voltou a caminhar pisando no tapete macio do corredor.
Na entrada do restaurante, um funcionário estava presente. Era o gerente do restaurante. Antes que Jaeha dissesse seu nome, o gerente, reconhecendo seu rosto, cumprimentou-o silenciosamente e o guiou ao lugar.
A sala privativa reservada era exatamente o mesmo lugar de alguns anos atrás. O serviço do restaurante era satisfatório. Mesmo pensando que era um pouco melancólico, era porque ele queria se sentar naquele lugar mais uma vez. Ele também pensou que, já que Taegun não viria mesmo, que mal haveria.
O gerente recebeu o sobretudo de Jaeha com uma atitude natural, como se sempre tivesse feito aquilo. Jaeha agradeceu brevemente. O gerente, sabendo que ele era um homem de poucas palavras, não puxou mais assunto, puxou a cadeira para ele e deixou a sala.
Seu coração começou a palpitar aos poucos. Jaeha esforçou-se para manter aquela palpitação e animar o ambiente. Ele já havia escolhido o menu com antecedência. Era exatamente o mesmo curso de jantar formal que havia comido com ele naquele dia.
Como estava extremamente nervoso na época, não conseguia se lembrar do sabor. Com um sentimento sereno, Jaeha decidiu experimentar hoje qual era o sabor do que havia comido naquele dia.
Ele também tentou se lembrar do que havia sido servido como amuse-bouche. Como apenas escolhera o curso de jantar formal e não ouvira a explicação do gerente sobre o que seria servido, ele se esforçou para tentar lembrar sozinho.
No entanto, o mundo é um lugar que nem sempre flui conforme a nossa vontade.
Toc, toc.
No momento em que o gerente bateu à porta mais uma vez, Jaeha sentiu uma tensão repentina. Sua cabeça se voltou lentamente em direção à porta de onde veio o som das batidas. Aquele tempo pareceu lento como a eternidade.
Pois, embora pudesse ser apenas a batida do atendente trazendo o pão de entrada, ele sentia repetidamente como se algo estivesse inflando e explodindo dentro de seu peito.
Naquele momento, Lee Jaeha não sabia. Quem estava atrás daquela porta. Ele nem sequer tinha grandes expectativas. Porque o amor dele não necessitava de tais expectativas.
Mas ele sentiu. Quem era que estava atrás daquela porta. Que não era o funcionário retornando com um prato.
Por essa razão, o destino poderia fazer sentido.
Passo, passo. Junto com o som dos passos ecoando suavemente sobre o tapete, o aroma de rosa-rugosa invadiu como uma torrente. Assim como as ondas que quebram em um penhasco íngreme entregam as pétalas caídas de rosa-rugosa.
— Atrasei um pouco. Porque vim depois de pegar uma certa mosca.
Os dois olhos de Lee Jaeha se arregalaram. Aquele que entregava o sobretudo ao gerente que entrou logo atrás, com uma atitude elegante, era sem dúvida…
— Mas por que essa expressão de novo depois de me convidar? Quer que eu vá embora?
Era Jang Taegun.
—
No momento em que ele entrou, sua respiração parou por um instante.
Sentiu as consciências que preenchiam todas as células esvaírem-se de repente e retornarem. Jaeha recolheu os lábios.
Lentamente, muito lentamente, retornou o pensamento de que precisava recuperar a lucidez.
Enquanto Lee Jaeha organizava os pensamentos, Jang Taegun, com uma atitude descompromissada, desabotoou o último botão do paletó do terno e sentou-se à frente de Jaeha.
Ele tinha que recuperar a lucidez obrigatoriamente naqueles poucos segundos em que o gerente, que entrou junto, recebeu o sobretudo de Taegun e saiu desejando que passassem um momento agradável.
Parecia que os pensamentos iam explodir dentro de sua cabeça. Ele também precisava pensar na razão pela qual Jang Taegun viera àquele lugar.
Nos últimos dois anos, o cio de Lee Jaeha ocorrera apenas duas vezes. Significa que eles se encontraram apenas duas vezes. Como uma dessas vezes nem sequer pareceu um cio, as relações sexuais que os dois compartilharam foram curtas.
Durante esse tempo, Jang Taegun não disse nada a Lee Jaeha. Eram estritamente atos para aliviar a febre do cio.
Aquilo ocorria, unilateralmente, apenas no período de cio de Lee Jaeha. Jaeha não sabe como transcorria o período de cio de Jang Taegun.
Embora Jang Taegun nunca tivesse dito isso com a própria boca, Jaeha sabe que ele é um Alpha extremo dominante. Ouvira dizer que o cio de um dominante extremo é ainda mais terrível. Apesar disso, Jaeha não tinha conhecimento sobre de que maneira Jang Taegun aliviava o período de cio.
Aquele que havia controlado o cio de Lee Jaeha mencionando o contrato não procurava Jaeha em seu próprio período de cio. O coração que guardava uma ponta de expectativa perdia a pista em cada uma dessas ocasiões e ficava vagando.
Por conta disso, Lee Jaeha tinha que pensar, agora mesmo e naquele lugar, na razão pela qual o outro havia vigiado seu cio e na razão pela qual se sentara diante daquela mesa.
E então, o pensamento parou naturalmente.
Hoje, talvez, ele pudesse falar em divórcio para ele.
A cor do rosto de Jaeha, que não previra aquela situação, empalideceu em um instante. Sentiu como se o chão do restaurante, coberto pelo tapete macio, estivesse subindo em sua direção para cobri-lo. Jaeha conteve a náusea.
Foi então.
— Por que você está nesse estado?
Junto com o aroma suave de rosa-rugosa e de ondas, Jang Taegun estendeu o braço.
Ele colocou a mão sob o queixo de Jaeha e o ergueu levemente. Daquele que estava com o corpo inclinado em sua direção enquanto apoiava-se na mesa, Jaeha não conseguia ler absolutamente nada.
Se nem a máscara que costumava usar sempre ele conseguia usar, ler a mente do outro era ainda mais impossível. Jaeha franziu o cenho, mas logo em seguida recompôs a expressão e abriu a boca.
— …Não é nada.
— Você saiu mesmo estando doente?
Como aquela voz parecia de alguma forma impregnada de preocupação, Jaeha teve que conter o riso de escárnio que tentava escapar sem perceber. Era um deboche direcionado a si mesmo.
Felizmente, antes que chegasse o momento em que Jaeha precisasse responder a ele inventando alguma desculpa, o funcionário entrou após uma batida na porta.
— Como aperitivo, temos xerez de origem espanhola. Caracteriza-se por um aroma intenso de nozes.
O funcionário explicou com uma voz sem oscilações e um tom suave e, após servir o xerez nas taças dos dois, retirou-se.
Sobre a mesa foram colocados itens simples para abrir o apetite, como presunto prosciutto e salame. Sem sequer pensar em olhar para o carpaccio que veio acompanhando, Jaeha virou a bebida imediatamente.
Jang Taegun encostou os lábios na taça enquanto observava Jaeha. Continuava sendo um olhar obsessivo. Contudo, Jaeha desviou o olhar. Ouviu-se o som de alguém soltando um riso abafado. Provavelmente era Jang Taegun.
…Por que ele estava rindo? Sentia como se os nervos periféricos estivessem queimando. Diante da sensação de formigamento nas pontas dos dedos, ele teve que descer a mão para baixo da mesa, fechar o punho e abri-lo novamente.
Até que um tempo considerável passasse e o garçom trouxesse o próximo prato, não houve nenhuma palavra entre os dois. Chegou a ficar um pouco quente dentro da sala. Teria o teor alcoólico do xerez sido consideravelmente forte? Embora não fosse fraco para bebidas, ele ficou confuso ao sentir o calor.
O funcionário preencheu a taça vazia com uma atitude elegante e colocou uma taça nova para o vinho que combinava com o amuse-bouche.
— É ova de salmão com sabor realçado por uma emulsão feita de saquê e vieira de Ulleungdo.
A sala ficou preenchida mais uma vez apenas pelo som dos talheres tilintando. Assim que o funcionário, que servira na taça o vinho branco com aroma de pão recém-assado, saiu, Jaeha ficou com a sensação de que teria uma indigestão.
Pensando em beber nem que fosse álcool, ele estendeu a mão para a taça de vinho, e Taegun puxou a taça de Jaeha de leve para o seu lado.
— Você não sabe o que acontece se beber e tiver uma indigestão.
Era um tom de voz como se estivesse lidando com uma criança. Jaeha recolheu os lábios. Embora fosse dono de uma personalidade que não se irritava facilmente, ele se sentira provocado sem perceber. No entanto, logo em seguida Jaeha pegou a taça de vinho como se nada tivesse acontecido e levou a borda da taça aos lábios.
O pensamento de que, mesmo agindo de forma desafiadora, não sabia por que fizera aquilo veio logo atrás. Era um comportamento que não combinava com ele. Ele hesitou enquanto inclinava a taça em direção aos lábios. Desejou que aquele movimento sem fluidez não fosse descoberto.
O vinho que girava na ponta dos lábios tinha o aroma tostado de pão assado. Como o amuse-bouche ainda não terminara, parecia ter o propósito de abrir o apetite.
Parecia também que precisava de uma bebida com teor alcoólico um pouco mais forte. Pensou que, quando o funcionário entrasse na próxima vez, deveria pedir para trazer um brandy destilado de cidra.
— Pois é. É bom ver você desobediente depois de tanto tempo.
Ao ver Jaeha daquela forma, sentiu que Taegun soltou um riso abafado. Em sua visão periférica, viu o canto da boca dele subir de leve.
Jaeha teve que se esforçar bastante para não voltar o olhar para ali. Desejou que o outro não visse sua agitação. Embora parecesse ter falhado.
Com que pensamento Jang Taegun teria vindo a este lugar, afinal? Se ele realmente estivesse pensando em divórcio… se fosse isso, Lee Jaeha ainda não estava psicologicamente preparado.
Havia algo que ele precisava fazer ao lado do outro por mais um tempo. Mesmo que a muralha da Yooshin, que era uma fortaleza sólida, tivesse desmoronado, aquela fortaleza não havia sumido completamente varrida por uma tempestade de areia, não é? Ainda haveria trabalho a fazer. O que eu tenho que fazer ao lado de Jang Taegun…
Tendo pensado até ali, Jaeha percebeu que estava procurando desesperadamente um pretexto para permanecer ao lado de Taegun.
Era uma história que não fazia sentido. A separação dos dois vinha durando tanto tempo quanto a vida de casados deles. Exceto por cerca de três meses após a cerimônia de casamento, Lee Jaeha estivera o tempo todo afastado de Jang Taegun. E pensar que estava obcecado dessa forma para permanecer ao lado dele. Sendo que, na verdade, ele nunca esteve no lugar ao lado dele. Jaeha soltou uma risada vazia.
Naquele momento, veio do lado oposto uma voz em um tom de quem joga as palavras no ar.
— Não podemos rir juntos?
Jang Taegun deu um leve toque com o indicador sobre a toalha de mesa de cor creme. Ele olhava para Jaeha apoiando o cotovelo na mesa e escorando o queixo na mão.
Era uma imagem que violava claramente todas as etiquetas de mesa que Lee Jaeha conhecia. Sentiu como se aquela imagem estivesse se gravando na retina com uma nitidez dolorosa. Jaeha moveu os lábios com dificuldade.
— …Não sabia que o senhor teria tempo.
— Que história é essa depois de chamar a pessoa?
Jang Taegun respondeu com desinteresse e pediu água morna ao funcionário que acabara de entrar. Quando o funcionário que saíra para o corredor retornou trazendo uma jarra de prata e encheu a taça de água morna, ele a empurrou daquela forma e a colocou diante de Jaeha.
Viu-se que a toalha de mesa foi empurrada de leve pelo descanso da taça. Jaeha olhou fixamente apenas para aquilo e não tocou na taça.
Em contrapartida, desistiu da taça de brandy que decidira por impulso. Por que será que um sentimento de rebeldia surgiu por algo insignificante e se abrandou com um copo de água? De repente, pensou que tudo aquilo não combinava com ele.
Fechando e abrindo mais uma vez a mão que continuava a formigar, Jaeha tocou na comida. Era uma espécie de linguagem dizendo para não puxar assunto, pois estava focado na refeição.
Embora não fosse o prato principal, carne foi servida. Era confit de pato-real. Quando ele raspava a pele crocante com a faca, produzia um som áspero. No entanto, Lee Jaeha pensou, também desta vez, que não conseguia saber que sabor de fato aquelas iguarias tinham.
Agindo assim, não ficava igualzinho àquele dia em que fizera o pedido? Jaeha percebeu de repente o quanto amava o Alpha diante de seus olhos. Era uma vida em que, até ele aparecer, ele nem sequer sabia o que era o tédio. Como o que lhe fora dado era imensamente superior ao dos outros, ele considerava que o correto na vida era abrir mão das pequenas coisas.
Para um Lee Jaeha daquele tipo, quão estimulante havia sido Jang Taegun? Tudo o que ele fizera ao entrar em sua vida foi puramente esplendoroso, mesmo que por pouco tempo. Se recebeu algo, deve retribuir. O homem diante de seus olhos era uma existência que ele não achara que seria capaz de encontrar durante toda a sua vida.
Não havia decidido que daria tudo até o último dos últimos momentos? De qualquer forma, as únicas coisas que tinham significado na vida de Lee Jaeha eram desse tipo.
E, em sincronia com essa decisão, o prato principal surgiu.
— É steak de costeleta de cordeiro jovem. Foi adicionado um sabor refrescante com molho lemon beurre blanc, e o senhor pode saborear acompanhando com o alho-poró cozido em caldo de galinha logo abaixo do steak.
O funcionário retirou o prato vazio que estava sobre a mesa com movimentos elegantes e colocou o prato que fora levemente aquecido no forno. Era steak de costeleta de cordeiro.
— Tenham uma boa refeição.
O funcionário falou polidamente com a mesma voz sem oscilações, curvou-se de leve e deixou a sala daquela forma.
Não se ouviu sequer o som da porta se fechando, mas a sensação de que restara apenas os dois com Jang Taegun dentro daquela sala veio de forma nítida. Jaeha não teve outra escolha senão pegar a faca, apesar do apetite reduzido.
Ele firmou sua decisão. Sentia que, se não falasse agora, jamais conseguiria colocar para fora da boca. Talvez o amor de Lee Jaeha se completasse ao deixar Jang Taegun ir.
Em comparação com a avaliação alheia, Lee Jaeha tinha, na verdade, uma vida sem grandes méritos. Como prova disso, ele estava prestes a exigir o divórcio exatamente no dining do hotel onde havia pedido seu cônjuge em casamento.
Era um momento em que o champanhe que havia encomendado tornava-se sem sentido. Não era um lugar para comemorar nada. De repente, veio o pensamento de que o aniversário de casamento se tornaria o aniversário de divórcio. Sentiu como se o confit de pato que havia engolido tivesse ficado totalmente entalado no esôfago.
— Por que está comendo tão pouco? Naquela época também foi assim.
A fala de Jang Taegun surgiu de repente. Quando seria aquela época? Estaria ele também se lembrando do dia em que fizera o primeiro pedido de casamento aqui?
…Contudo, aquilo não era o importante. Por um lado, sentia o coração aliviado. A Yooshin era uma lâmpada diante do vento, e Jang Taegun alcançaria o objetivo pretendido. O amor de Lee Jaeha estava encontrando um fim nada mau apenas por realizar o desejo de Jang Taegun.
Em vez de permanecer à força ao lado dele sem ter nada e restando apenas a carcaça, o correto agora era parar.
— Estou comendo. Coma… diretor Jang.
Jaeha balançou a cabeça de leve e ergueu novamente o garfo banhado a prata, mas logo em seguida seu ânimo foi quebrado e ele voltou a dar apenas pequenos goles na bebida. Não sabia como introduzir o assunto. Não sabia que o momento de falar sobre o fim chegaria tão rápido assim.
Na verdade, a conclusão do plano em que vinha trabalhando arduamente nos últimos anos necessitava do divórcio dos dois. Lee Jaeha calculou as coisas que Jang Taegun ganharia com o divórcio entre os dois. Como se tentasse tirar consolo daquilo.
No entanto, mesmo tendo recordado tais coisas, as palavras não saíam facilmente. Ele moveu os lábios várias vezes antes de dizer:
— Acho que… já chega por aqui.
Com a voz de Jaeha, um silêncio pesado se instalou dentro da sala, que estava silenciosa, mas onde se ouvia ocasionalmente o som do impacto dos talheres.
Jang Taegun, que encostava os lábios na taça de vinho, recuou o tronco para trás e recostou-se no encosto. Mantendo ainda uma das mãos sobre a mesa, batucava na toalha de mesa de cor creme com o indicador. Durante o tempo em que estiveram distantes, será que as cicatrizes nas costas da mão haviam aumentado? Sem perceber, ele passou a observar atentamente.
Jang Taegun, como se não soubesse para onde o olhar de Lee Jaeha estava vagando, falou com uma voz na qual não se podia encontrar um vestígio sequer de emoção.
— Como não parece que você encostou em nada na comida, não deve ser uma conversa para encerrar a refeição.
— ……
— Então o que seria esse “já chega”?
Jang Taegun elevou os lábios elegantes e sorriu. Jaeha achou que não deveria desviar mais o olhar, então o encarou de frente. Usando uma máscara bastante familiar.
A sala privativa do dining do hotel continuava no mesmo lugar, parecendo ter mudado e não ter mudado. Por conta disso, Jaeha não pôde deixar de refletir sobre os últimos anos e sobre si mesmo.
Após o casamento, sempre que chegava o aniversário anual, ele reservava este lugar. Embora não fossem um casal afetuoso a ponto de comemorar até o aniversário um do outro, o jantar do aniversário de casamento eles sempre passavam juntos.
Ver-se na condição de ter que exigir o divórcio justamente em um dia como esse significava que tinha uma vida sem nenhum mérito superior à dos outros, não era? Teria sido mais fácil falar se tivesse menos posses, por outro lado.
Imaginar a frase “eu te amo” voando em linha reta e alcançando Jang Taegun era fácil. Porque aquilo era apenas uma imaginação.
No entanto, o nosso mundo é feito de matéria incessante. É um mundo em que a imaginação é sem significado. Por essa razão, Jaeha não conseguiu dizer a Jang Taegun para largar tudo e vir para o seu lado.
Se fosse assim, se não fosse conseguir dizer tais palavras, o correto era terminar aqui, por outro lado.
— O nosso casamento.
— ……
— Estou dizendo que já chega.
Depois de colocar as palavras para fora, surpreendentemente não foi ruim. Não houve a sensação de desabar. Embora não desse para saber o que aconteceria amanhã, foi uma sorte não ter se abalado muito, pelo menos agora, neste momento. A máscara que estava usando também não se quebrou.
Jaeha molhou a garganta mais uma vez com a bebida. Não veio resposta de Jang Taegun, sentado do lado oposto. Ao olhar para ele, Jang Taegun limpou o canto da boca com o guardanapo de linho e deu um sorriso largo. A qualidade daquele sorriso não era nada boa.
Esforçando-se para acalmar uma das sobrancelhas que ameaçava erguer-se com aquele sorriso, ele esperou com paciência pelas próximas palavras do outro.
— Divorciar para fazer o bem de quem?
Contando apenas em anos, já fazia quatro anos que viviam como marido e marido. Mesmo assim, Jaeha pensou que não sabia nada a respeito de seu cônjuge.
Ele olhava para Jaeha mantendo um dos olhos semicerrados. Como sabia que aquele era o hábito que ele demonstrava sempre que acendia um cigarro, percebeu de repente que Jang Taegun queria acender um cigarro agora.
Pensando bem, ele conhecia os hábitos corriqueiros que o outro demonstrava a ele, mas não sabia do que ele gostava e com o que ele sorria.
Significava que, portanto, também não sabia por que ele dizia aquelas palavras. Quem se beneficiava do divórcio na situação atual era Jang Taegun.
Para a Yooshin, resta agora apenas o trabalho de ser desmantelada pelos primos de Lee Ikhyeong, que rangeram os dentes obstinadamente. Eles estão ardendo na intenção de dividir a empresa em pedaços como magarefes que empunham facas muito bem afiadas.
Portanto, agora era o momento ideal para o divórcio. Se o divórcio consensual fosse concretizado, Jang Taegun ganharia o direito de partilhar, como parte do divórcio consensual, as parcelas da herança de Lee Jaeha que os remanescentes da Yooshin, incluindo Lee Ikhyeong, jamais conseguiriam ter.
Entre elas, está a maior parte das ações da Yooshin. Jaeha queria dar aquilo a Taegun. Na realidade, o fim deste plano não continha outra coisa senão o divórcio.
No entanto, de repente veio o pensamento de que o que Jang Taegun desejava talvez fosse outra coisa. Pois os feromônios de Jang Taegun, que ouviu as palavras sobre o divórcio, oscilaram grandemente.
“No plano dele não constava o divórcio comigo?”
Não havia como ser isso.
Os passos de Jang Taegun eram claros. Ele atacou alguns parlamentares que davam cobertura à Yooshin e expandiu suas forças absorvendo e integrando as construtoras que forneciam propinas a eles.
Ele cortou todas as linhas de fundos diretos e indiretos e as linhas de poder que entravam para a Yooshin. Lee Jaeha também costumava ajudar vazando informações apropriadas em sincronia com esses passos de Taegun.
É claro que Jaeha também não deixara de desconfiar das intenções de Taegun. Embora pensasse que a razão pela qual ele se casara consigo era obviamente por vingança, não dava para definir com certeza absoluta.
Por conta de uma outra possibilidade que talvez existisse. Contudo, por mais que vasculhasse, não havia outra razão além daquela para Jang Taegun aceitar o pedido de casamento de Lee Jaeha.
Enquanto Lee Jaeha cogitava furiosamente várias hipóteses e as deletava em seguida, do lado oposto da mesa sentava-se um Alpha que causava uma sensação de estranheza, como se um animal carnívoro usasse uma faca em vez de caninos.
Ele falou para Jaeha como se desse um aviso:
— Sei que você faz a cabeça funcionar bem. Isso também tem seu charme.
Pensando que as palavras dele eram pesadas desde há pouco, olhou calmamente para ele, e Taegun soltou um riso abafado.
— O máximo que essa cabeça boa conseguiu conceber foi apenas a fuga?
Quem é que está fugindo?
Jaeha franziu o cenho. Aquilo em que ele vinha se empenhando há anos não era uma fuga, mas um desfecho. Se tivesse realmente fugido, este lugar teria se tornado um lugar onde o champanhe realmente combinaria, por outro lado.
Enquanto Jaeha suportava uma leve sensação de humilhação, Jang Taegun ergueu a faca banhada a prata de forma simples usando apenas o indicador e o médio.
— Se fosse para divorciar.
A faca limpa foi cravada com força sobre a costeleta de cordeiro jovem.
— Eu nem teria me casado.
Jaeha abriu com dificuldade os lábios que se moveram.
— O diretor Jang também deve saber. Manter mais este casamento não tem significado e…
Taegun falou sem sorrir naquele estado:
— Por acaso eu sou o diretor executivo do senhor Lee Jaeha? Nós frequentamos a mesma empresa?
— …O tratamento não é o importante agora.
— Então, caralho, eu não consigo entender de jeito nenhum o que é que é importante.
Os feromônios do Alpha, que estavam espalhados de forma tênue desde há pouco, assumiram uma feição cada vez mais feroz. Sentiu como se o cheiro de ondas agitadas por uma tempestade estivesse envolvendo até as suas canelas.
Ficou cada vez mais impossível compreender esta própria situação. Lee Jaeha pensou se por acaso não havia estabelecido a hipótese de forma errada desde o início.
O que Jang Taegun desejava era de fato a queda da Yooshin. O ponto final para a queda da Yooshin são as ações da Yooshin que Jang Taegun receberá através do divórcio com Lee Jaeha.
No entanto, por que parecia que ele estava recusando o divórcio? Jang Taegun desejava a queda da Yooshin e, ao mesmo tempo, não desejava o divórcio com Lee Jaeha.
Ou seja, por quê? Jaeha estava confuso. E, de repente, a esperança brotou ali dentro. Será que ainda havia um papel que eu deveria desempenhar?
Contudo, simultaneamente, as relações sexuais até agora vieram à mente. Aquelas relações que não continham nenhum afeto, aquele tempo em que ele ficava esperando por ele tolamente dentro do quarto após terminar os preparativos.
Eles usavam quartos separados e não procuravam um ao outro exceto por eventos, e esse relacionamento vinha se mantendo por anos.
Como não haveria afeto entre eles, para quem até o momento de deitar pertencia à obrigação, a demonstração de desagrado diante da exigência de divórcio era provavelmente devido à vantagem de poder que Lee Jaeha possuía.
Jaeha sentiu de repente uma decepção por ter que dizer tais palavras com a própria boca, mas não teve remédio senão começar a falar. Não era uma decepção pelo fato de o outro não o amar. Era a decepção que sentia por não restar muito mais a dar a ele a partir de agora.
— …Sei o que o diretor Jang está pensando. Mas agora acho que não há nada que eu possa dar ao Sr.. A Yooshin não está em um estado intacto e eu já estou na condição de quem perdeu até o vínculo que existia.
Taegun fitou Jaeha por um tempo com uma expressão vazia. Jaeha não pôde desviar o olhar.
— Senhor Lee Jaeha.
— ……
— Eu pensava que o senhor era apenas uma pessoa de poucas palavras, mas não sabia que tinha talento até para piadas sem graça.
— Diretor Jang.
— Quer dizer que quem viveu encaixando no seu buraco por quatro anos fui eu, mas com que porra de diretor executivo você andou dando a bunda para não conseguir desapegar desse tratamento e fazer esse escândalo? O cônjuge do senhor Lee Jaeha sou eu ou é um dos diretores executivos espalhados pela rua?
Estava confuso. Mesmo em meio a isso, os feromônios que estavam ferozes como se fossem arrebatá-lo exalavam um aroma desfalecido, como uma rosa-rugosa que murchou tarde após esperar pelo período.
Jang Taegun levantou-se, abotoou o último botão do paletó e, apoiando as duas mãos na quina da mesa, inclinou o tronco em direção a Jaeha.
O olhar de Taegun oscilou afundando em escuridão. Jaeha pensou de repente que era a primeira vez que Jang Taegun olhava para ele com aquele tipo de olhar.
— Eu gosto de viver chamando você de querido, de meu bem. Não pense em outra coisa. Como tenho um compromisso, vou me levantar primeiro, então faça a refeição completa antes de ir.
Jaeha queria segurá-lo. Queria perguntar a real intenção das palavras que ouvira. No entanto, ele já havia girado o corpo que parecia uma grande montanha e aberto a porta da sala.
Sem tempo para segurar de forma alguma, Jang Taegun deixou a sala.
Dessa forma, naquele dia ele teve que retornar para casa deixando para trás uma refeição constrangedora, uma saciedade em vão e a resposta sobre o divórcio que não obteve.
Três dias depois disso, o avô de Taegun, Jang Changsik, faleceu.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna