The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 03
↫─Capítulo 03
Lá fora, parecia amanhecer. Jaeha piscou os olhos pesados e sem resposta. Mesmo na escuridão do quarto, aquela luz fraca por si só fazia seus olhos doerem como se fossem esfaqueados.
Ele se lembrava de chorar quase incontrolavelmente no final.
Não eram lágrimas de tristeza; lágrimas fisiológicas escorriam por seu rosto. Parecia agonizante, como se cada orifício em seu corpo estivesse vertendo fluido transparente.
Ele nem sequer conseguia se lembrar de adormecer, então devia ter perdido a consciência em algum momento. Seu corpo não parecia pegajoso. Pensar em Taegun lavando-o enquanto ele jazia inconsciente daquela forma fez com que ele se sentisse tonto por um momento.
— Durma mais.
A voz era infinitamente abafada.
Junto com aquela voz, Jaeha pôde sentir o aroma de flores de loendro flutuando dos penhascos costeiros.
Feromônios não são detectados pelo olfato; eles se apegam a toda a pele, e as células olfativas meramente os reconhecem primeiro. Jaeha sabia que agora estava imerso nos feromônios de Taegun.
Alfas geralmente não têm escolha a não ser serem cautelosos com os feromônios de outros alfas. Isso vale até mesmo para os humanos modernos que vivem na civilização.
Este domínio instintivo não é diferente de sentir fome. Jaeha, também, sempre achara os feromônios de outros Alphas desagradáveis.
Seus feromônios eram sempre agressivos e, mesmo sabendo que Jaeha era um Alfa dominante, eles constantemente buscavam derrubá-lo à menor oportunidade. Aquele desejo presunçoso de conquistá-lo, apegando-se a ele, era enfurecedor.
Lee Jaeha não era do tipo que ostentava sua dominância, mas isso não significava que tolerava a insolência alheia.
Ele sabia, puramente por julgamento racional, que ser subestimado nunca era uma coisa boa.
Mas os feromônios de Jang Taegun eram de alguma forma diferentes. Eles davam-lhe a sensação de estar submerso em um lugar onde apenas o céu e o mar existiam.
Não o corpo inteiro, apenas a sensação de flutuar na superfície. Aquele mar poderia engoli-lo por inteiro, ou tirar todo o ar restante em seus pulmões e empurrar espuma em suas narinas até que ele não conseguisse respirar. No entanto, parecia que estava aninhando Jaeha suavemente, fazendo-o flutuar em sua superfície.
Por quê? Por que os feromônios de Taegun poupavam Jaeha? Ele se viu perguntando. Jaeha abriu a boca, então perguntou em uma voz mal audível.
— Meus… feromônios… Como… eles parecem para o Diretor Jang?
Até mesmo fazer aquela única pergunta doeu em sua garganta. Poderia ter sido porque ele estivera ofegando como se estivesse gritando, apesar de geralmente viver uma vida quieta onde não falava muito.
Ou talvez fosse o ar escapando pela fresta entre sua traqueia e as cordas vocais enquanto tentava abafar um gemido, deixando sua garganta em carne viva. De qualquer forma, sua voz estava severamente rouca, ao contrário do habitual.
Em vez de responder à pergunta de Jaeha, Taegun enterrou o rosto na nuca dele. Parecia a progressão natural das coisas, dado que ele já o segurava por trás.
Jaeha estava sentindo o peso de seus antebraços enquanto ele o puxava com firmeza contra sua cintura. Pesado e sufocante, mas distintamente quente. O zumbido fraco do ar-condicionado do teto podia ser ouvido.
Ele não parecia propenso a responder. Tendo esperado por uma resposta, Jaeha abandonou sua expectativa. O pensamento cruzou sua mente de que ele já poderia ter adormecido.
Mas então, ainda com os lábios pressionados contra a nuca dele, ele continuou falando. Antes que o som alcançasse suas orelhas, ele sentiu as vibrações primeiro, emanando das ondas sonoras que se dividiam através de seus lábios ricamente texturizados e se fixavam na parte mais saliente de sua coluna cervical. O senso de tato de Jaeha substituiu sua audição. Era a sensação que Jang Taegun havia despertado nele primeiro.
— Sr. Jaeha, seus feromônios são mais fortes aqui.
Taegun estendeu a mão, passou pelo pênis de Jaeha e pressionou firmemente logo abaixo de seu escroto. Era o seu períneo. Só então Jaeha percebeu que não estava usando nenhuma roupa íntima. Agora ele podia sentir algo pesado pressionando contra suas coxas.
Parecia duro como osso e espesso, mas parecia desesperado para se enterrar no espaço entre seus ossos. Estava até ligeiramente quente.
Jaeha tentou se mover, então congelou, prendendo a respiração. Ele pôde perceber Taegun rindo baixinho.
— Não vou mais tocar em você. Eu tenho que sair logo, e se eu coloca-lo de volta agora, duvido que o doce buraco do Sr. Jaeha vá me deixar sair.
— Isso é…
Eu queria dizer que aquilo não era verdade, mas nenhuma palavra saiu.
Ergui as mãos e enterrei o rosto no colchão. Fiquei feliz pelo quarto escuro esconder meu rosto corado dele.
—Seus feromônios, hein. Se eu mencionasse isso agora, meu pau não ia abaixar.
— ……
— Sempre posso fazer o Myeong-soon dirigir e me masturbar no banco de trás. Se você gosta que seu marido saia por aí e mostre o pau dele, apenas diga.
— Não, não.
Jaeha, sobressaltado com a sugestão de Taegun masturbando-se no banco de trás enquanto Myeong-soon dirigia, instantaneamente perdeu qualquer desejo de ouvir mais. Sua voz saiu ainda mais profunda enquanto respondia apressadamente em choque.
— Não agite as coisas. Apenas durma. Quando eu te disser para dormir.
Era um tom que implicava que ele estava sendo tolerante, mas Jaeha estava se comportando mal. Ele às vezes tratava Jaeha como uma criança sem noção. Embora ele na verdade tivesse a mesma idade de Jaeho. Jaeha riu baixinho e encolheu os ombros.
Por trás, ele ouviu um suave “Ooh”, seguido por uma leve mordida no pescoço que rapidamente se soltou.
Apesar do sexo selvagem deles, Jang Taegun nunca tocava em áreas não cobertas pelo colarinho da camisa de Jaeha. Ele parecia atento ao fato de que Jaeha ainda tinha que ir trabalhar. Aqueles pequenos atos de ternura eram o que ele gostava.
Através de olhos sonolentos, o cenário do quarto escuro embaçou. O sono desceu como uma cortina. Jaeha pensou ter apenas fechado os olhos por um momento.
A luz forte o irritou, e quando abriu os olhos novamente, percebeu que era manhã. Taegun, que sempre dormia no quarto de Jaeha hoje em dia, parecia estar se lavando rapidamente no banheiro desocupado.
Jaeha sentou-se e saiu da cama, apenas para perceber que estava completamente nu. Ele instintivamente se cobriu, depois descartou como inútil e afastou a mão.
Havia marcas de mordidas minúsculas demais na parte interna de suas coxas. Sua própria tentativa de escondê-las parecia ridícula.
Jaeha apenas agarrou rapidamente suas calças de moletom e as vestiu. Não vendo sua camiseta pendurada no cabide improvisado, ele saiu do quarto como estava.
Olhando para o relógio, passava um pouco das 6h da manhã. Jaeha espreguiçou-se, relaxando os músculos, e direcionou-se para a cozinha. Ele queria alimentá-lo com algo antes de mandá-lo embora.
Ele abriu a geladeira, tentando afastar seu estado atordoado.
A parte interna de suas coxas doía. O reflexo do encontro selvagem da noite passada parecia estar lentamente se abatendo sobre ele. Provavelmente era cedo demais para o ácido lático se acumular. Afinal, eles haviam continuado com aquilo até tarde da noite.
Jaeha apoiou-se contra a porta da geladeira, espiando o interior, tentando despertar seu cérebro sonolento, quando uma voz veio de trás dele.
— Parece que você está se mudando para cá.
— Ah…
Sobressaltado, ele virou-se, suas costas se enrijecendo em um curto solavanco. Naquele momento, Taegun adiantou-se e beliscou o mamilo de Jaeha. Era o que ainda trazia marcas de mordida.
O ponto que havia sido esfregado até ficar em carne viva foi beliscado com bastante força, mas produziu uma dor estranha e prazerosa. Ele nunca sonhou que um órgão com o qual nunca se importara na vida pudesse dar uma sensação tão estranha.
— Ugh…
— Por que está deixando isso para fora? Você quer que eu chupe?
— …Não é nada disso.
Mesmo ele negando, ele ignorou as palavras de Jaeha, estendeu o braço, pegou uma garrafa de água da prateleira da geladeira e disse.
— Eu também estou ocupado. Você acha que seria bom se seu marido não ganhasse nenhum dinheiro e apenas ficasse agarrado ao peito do Sr. Jaeha a manhã toda, incapaz de se organizar?
… Bem, não era exatamente ficar agarrado a isso, mas ele me fez desejar que ele ficasse em casa e passasse tempo comigo em vez de ir trabalhar.
Mas eu não podia dizer aquilo, então hesitei e não respondi. Naquele momento, Taegun estendeu o braço por trás de Jaeha e puxou uma garrafa de água da prateleira da geladeira.
Como seu braço estava estendido quase como se fosse me abraçar, nossos peitos se tocaram brevemente antes de se afastarem.
Taegun olhou para baixo, para o rosto de Jaeha, abriu a tampa da garrafa de água e, sem quebrar o contato visual, pressionou os lábios contra o bocal e bebeu.
Observando seu pomo de Adão subir e descer e sua garganta se mover, Jaeha percebeu que estivera encarando-o e rapidamente desviou o olhar, mordendo o lábio.
Vendo-o assim, Taegun riu baixinho.
— Você está babando.
Ele mal conseguiu não cair naquela provocação. Sentindo-se ligeiramente injustiçado por ser provocado, Taegun pressionou seus lábios úmidos contra o leve vinco entre as sobrancelhas de Jaeha antes de se afastar.
Ele deu alguns passos em direção à porta da frente, depois virou-se como se estivesse se lembrando de algo.
— Quando você sair, pegue um carro dirigido por Myeong-soon ou Jeonggil.
— Ah, sim. Estou fazendo isso agora.
— Bom menino. Seu marido vai ganhar dinheiro e já volta, então espere pacientemente. Vamos ver se você se emociona hoje como fez ontem à noite.
— ……
Jaeha não respondeu àquele comentário, apenas uniu os lábios com firmeza. Taegun riu baixinho e dirigiu-se à porta da frente. Ele começou a segui-lo para se despedir, mas percebeu que não estava usando camisa e desistiu.
Logo depois, o som da porta da frente se fechando ecoou.
* * *
— Sr. Lee, o senhor está aqui!
Talvez por estarem na frente da empresa, Jeonggil não usou aquele título estranho de “cunhado”. Pensando que era uma sorte, Jaeha riu baixinho e retribuiu a saudação.
— Sim, Sr. Jeonggil. Boa noite.
— Ouvi dizer que o senhor vai à academia com seu irmão mais novo hoje.
Jaeha assentiu. Lee Jaeho havia insinuado que queria treinar juntos, então ele concordou.
Se ele apenas fizesse a promessa e não a cumprisse, Jaeho iria reclamar e atormentá-lo por três noites e quatro dias. Isso seria mais irritante, então era melhor apenas fazer a vontade dele.
Jeonggil abriu a porta traseira para Jaeha entrar, sorrindo amplamente.
O estacionamento subterrâneo dos executivos ainda estava bastante cheio. Era cedo, então ele parecia ser o único saindo do trabalho.
Justo quando estava prestes a entrar no carro, Jeonggil, que estava sorrindo, encarou fixamente um ponto em algum lugar. Sua expressão se enrijeceu e seus olhos pareciam lâminas afiadas, transmitindo uma sensação arrepiante.
Ele estava olhando atentamente para algum canto do estacionamento com os olhos estreitados.
As vagas do edifício da sede eram bastante espaçosas, então o estacionamento também era grande. Por causa disso, embora o local onde o carro de Jaeha estava estacionado ficasse muito, muito longe da parede, parecia que ele estava encarando intensamente algo além daquela parede.
— O que foi?
— …Nada. Apenas uma coisinha.
Jeonggil não respondeu depois disso. Jaeha não o pressionou por mais informações e entrou no carro.
Jeonggil fechou a porta do carro para ele. Antes de dar a volta no capô para sentar-se no banco do motorista, Jaeha também encarou o local para onde Jeonggil estava olhando momentos antes.
Nada era visível. Embora houvesse cantos escuros, o estacionamento subterrâneo, condizente com o edifício da sede, era bem iluminado, sem pontos sem luz.
“O que ele viu?”
A pergunta permaneceu brevemente, mas desapareceu quando Jeonggil entrou no carro e anunciou alegremente:
— Vamos lá!
O carro deslizou suavemente para fora do estacionamento.
* * *
A vida de Jang Taegun era insignificante.
As finas cicatrizes que cobriam as costas de sua mão davam testemunho disso. Se ele tivesse vivido uma vida respeitável, tais ferimentos nunca teriam surgido.
As manchas de sangue ainda visíveis nas cicatrizes já curadas também serviriam como prova de sua vida.
Jang Taegun não se importava que a guimba do cigarro manchasse sua mão suja de sangue. Ele mordeu a ponta e tragou o filtro com força suficiente para deixar suas bochechas encovadas.
Cada vez que a brasa vermelha e brilhante queimava, as sobrancelhas de Taegun instintivamente se estreitavam. A sala, iluminada por luzes halógenas, estava encharcada do sangue derramado de alguém.
Taegun arrastou uma cadeira de metal dobrável, sentou-se e jogou a guimba do cigarro na poça de sangue. Um chiado ecoou. A brasa se apagou.
O único sobrevivente, com os olhos já inchados e fechados, não conseguia sequer abri-los, babando saliva tingida de sangue. Por um momento, Taegun se perguntou como ele conseguia aguentar. Não era simpatia ou piedade; estava mais próximo de uma preocupação de que o saco de papel que ele segurava pudesse rasgar antes de chegar ao destino.
Taegun puxou um lenço do bolso interno do paletó do terno e limpou o sangue. Já estava pegajoso e seco, tornando difícil de limpar, mas o lenço já estava sujo de qualquer maneira. Taegun o jogou na pilha de guimbas de cigarro.
Eu vi Lee Jaeha carregando um por aí, então comprei algumas folhas e experimentei, mas são como lenços descartáveis — usa uma vez e joga fora.
Da próxima vez, devo roubar os do meu marido e carregá-los por aí. Então eu não pensaria em usar apenas uma vez e jogar fora.
— Myeong-soon, traga aquilo aqui.
Myeong-soon, que estava de pé atrás dele, puxou uma pasta de documentos do peito. Taegun a pegou, cruzou as pernas e sentou-se, recitando como um ceifador chamando o nome do falecido três vezes.
— Primeiro dia do primeiro mês, primeiro dia do terceiro mês, primeiro dia do quinto mês. Sr. Choi Cheol-ho, que visitou o Cassino Myeongwon um total de três vezes.
— Diretor Jang, Diretor Jang, apenas me escute. Aquilo foram apenas instruções do Presidente…
O homem estendeu a mão trêmula, tentando agarrar o cós da calça de Taegun, mas a tentativa falhou.
— Aah!
A palma maciça de Myeong-soon desceu impiedosamente no ponto onde a orelha encontrava a bochecha, mandando-o de cara no chão coberto de sangue e sujeira.
O homem ficou imóvel por um tempo, incapaz de recuperar o foco. Ele ofegava por ar. Jang Taegun puxou outro cigarro, colocou-o entre os lábios e olhou para o relógio.
Ele não o acendeu, apenas abriu e fechou a tampa do isqueiro Zippo.
— Hmm — Taegun resmungou, olhando para Myeong-soon e perguntando: — Ele foi para a academia de boxe?
— Sim. Ele acabou de entrar.
— Realmente me irrita como ele é popular com os caras. E o nosso Myeong-soon, ele apenas sorri como um idiota sempre que ele está por perto. Certo?
— Não, senhor. Eu apenas acho que os dois ficam bem juntos…
— Você fala muito bem. E daí se gostamos um do outro? Você me deu à luz? Está agindo como se estivesse orgulhoso do seu filho casado ou algo assim.
Myeong-soon riu baixinho do tom indiferente de Taegun. Era uma risada inocente que não se encaixava na situação.
O homem estirado no chão, ainda gemendo, agora chorava lágrimas depois que o tapa de Myeong-soon deslocou sua mandíbula.
Taegun tirou o cigarro da boca e abaixou-se. Myeong-soon aproximou-se, agarrou o cabelo do homem e o forçou a ficar ereto.
— Ugh, ugh… Diretor Jang…
— Sim. Se me chamou, fale.
— Agora, Diretor Jang…
— Mas por que me chamar tão afetuosamente de novo? É assustador para alguém que já é casado.
Taegun colocou o cigarro na boca do homem e abriu a tampa de seu isqueiro Zippo. O isqueiro, mostrando sinais de uso considerável, tinha um corpo lacado e uma borda com detalhes dourados, sua superfície ligeiramente marcada por arranhões.
Com um estalo claro, a tampa se abriu, seguida pelo chiado da pedra do isqueiro girando.
O homem, incapaz de recusar o cigarro, prendeu-o entre os lábios inflexíveis. Ele fungou, depois tragou com força a ponta para acendê-lo.
Assim que a chama pegou, Taegun endireitou as costas. Ele então voltou a folhear a pasta de arquivos.
— Diga-me com o que você gastou aquele dinheiro por lá, depois que os garotos da Myeongwon sugaram tudo do cassino.
— Diretor Jang, eu realmente… eu realmente não fiz isso…
O homem juntou as mãos, implorando profusamente, e então deixou cair com um baque o cigarro que havia recebido.
O cigarro atingiu o chão encharcado de sangue e chiou até se apagar, exatamente como a guimba que ele havia jogado antes.
Depois de implorar com as mãos juntas, o homem, parecendo desistir, gemeu e estendeu a mão, agarrando-se mais uma vez ao cós da calça de Taegun. Ouvindo atentamente suas palavras arrastadas, não passavam de súplicas por sua vida.
— Myeong-soon, corte os colhões do Cheol-ho primeiro. Ele tem uma esposa, então por que está sempre se agarrando a você? O Cheol-ho é um pervertido?
Quando Myeong-soon respondeu, “Sim, chefe”, e pegou a serra de arco, o homem recuou em choque, depois bateu a cabeça com força contra o chão.
— Jang-sil, Jang-siljang, eu realmente, ugh… Eu, eu não fiz isso sozinho. Por favor, acredite em mim, tudo bem?
Taegun, que estivera apoiado no encosto da cadeira, endireitou o corpo que antes estava frouxo. Então, ele sorriu, coçando levemente a curva da sobrancelha com a ponta do polegar.
Quando um homem passa dos quarenta, ele tende a considerar natural agir com arrogância, inflando-se e levantando a voz, mesmo que não tenha nada para sustentar isso. Choi Cheol-ho aqui não era diferente.
Ele estava mais ou menos na posição de irmão mais novo de Jang Chang-sik. Não um irmão de sangue, mas mais como um irmão de organização.
Choi Cheol-ho, o gerente da filial da empresa de construção, havia sido arrastado para cá hoje por Jang Taegun por algum motivo.
Choi Cheol-ho, antecipando a rigidez de Jang Taegun, provavelmente havia aumentado sua equipe de segurança. Mas eles eram apenas capangas moles, que nunca haviam segurado uma faca.
Este era um trabalho que Myeong-soon poderia ter feito sozinho. Ele sabia que Jeonggil faria um escândalo por ele não tê-lo trazido à cena, mas ele não achava que seu irmão precisasse vir também. Na verdade, Choi Cheol-ho foi colocado de joelhos diante de Jang Taegun antes mesmo do sol se pôr.
Até então, ele ainda estaria cheio de bravata. Depois de levar alguns golpes, e ver tudo o que havia arrastado como sua parede defensiva ser esfaqueado com facas de cozinha até que nem parecessem mais pedaços de carne, só então ele perderia o juízo e se agarraria às pernas das calças do alfa de outra pessoa.
— Que porra é essa? Eu pensei que o nosso Hyung Cheol-ho estava agindo sozinho, por isso continuei me esquivando todo esse tempo.
O tom de Taegun era genuinamente decepcionado. Seu rosto sem emoção não revelava nada, mas suas palavras e entonação eram inegavelmente sinceras.
Choi Cheol-ho sabia que aquela expressão no rosto de Taegun era genuína.
Jang Han-yong, o filho de Jang Chang-sik, e até mesmo o próprio pai de Taegun haviam morrido de repente. Choi Cheol-ho sabia exatamente quem era o responsável por isso. Jang Han-yong parecia não saber, ou talvez estivesse apenas vagamente desconfiado, mas quando ele começou a perceber algo, a transição de poder para Jang Taegun já estava bem avançada. A verdade foi ocultada pelos executivos da organização que estavam avaliando suas opções.
Esse foi o erro. Ele deveria ter relatado isso a Jang Chang-sik imediatamente naquela época.
Ele havia se preparado porque sabia desde aquele momento que Jang Taegun não era alguém para ser subestimado. No entanto, foi fácil demais para Jang Taegun encontrar Choi Cheol-ho e intimidá-lo — um momento de descuido? Dificilmente. A atitude de Jang Taegun era totalmente imperturbável.
Eu nem pensei que fosse tão sério quando ele mandou meu pai para o túmulo. Eu apenas pensei: “Ah, ele é um filhote de tubarão afinal; você não pode mudar aquilo com o que nasceu.” É por isso que eu apenas engoli as ordens de Jang Chang-sik sem reclamar.
— Eu, eu vou te dar tudo. Quero dizer, eu vou resolver as coisas com o Presidente, certo…?
— Hyung Cheol-ho.
— É, sim, Diretor Jang… Eu, eu estou com o Presidente…
A essa altura, ele calculou que era melhor abrir o jogo com o que sabia e sobreviver, mesmo que isso significasse sacrificar um braço ou dois. Sua esposa e filhos já haviam deixado o país, então ele pensou que só precisava sair vivo dali.
Isso significava trair Jang Chang-sik, mas escapar em segurança das garras desse tigre bem na sua frente parecia mais importante.
Vendo os olhos determinados de Choi Cheol-ho, Taegun riu baixinho.
— Vocês dois são próximos para caralho, por que tentar se separar? Então não foi você, Sr. Cheol-ho, quem fez o acordo com a Myeong-won, mas o Presidente, certo?
Choi Cheol-ho assentiu ferozmente. Todos na Janghan Construções sabiam que Jang Chang-sik mantinha Jang Taegun em uma coleira curta, fazendo-o girar como um pião.
Ele era um talento que havia se formado em um departamento de engenharia civil bastante prestigiado na região metropolitana, supostamente para desenvolver um olhar para plantas de construção. No entanto, desde os seus dias de estudante, eles o arrastavam por canteiros de obras, fazendo-o segurar canos e pés de cabra em vez de canetas.
Naquele submundo implacável onde facas voavam, eles o forçaram a lutar o melhor que podia sem sequer lhe dar uma faca. E Jang Taegun era uma fera que havia escalado seu caminho a partir daquele mesmo fundo.
Embora ele ainda fizesse favores para o seu avô, lidando com tarefas menores como limpar zonas ou executar reintegrações de posse, qualquer um com bom senso sabia que ele estava construindo silenciosamente seu poder nos bastidores.
Choi Cheol-ho também sabia disso. Mas ele não esperava enfrentá-lo assim, bem diante de seus olhos. Sua guarda esteve baixa por muito tempo.
Ele não era nem mesmo um órfão que ele havia pego e criado, mas era o único parente de sangue, um alfa dominante ainda por cima, e ainda assim não recebia o respeito devido. Assistindo a Jang Taegun, as pessoas diriam que sua reputação era exagerada, que um garoto não podia fazer nada, que ele precisava de mais experiência em campo. Eles o usariam como assunto para conversas, misturando-o com suas bebidas e tagarelice.
Não era apenas Choi Cheol-ho. Este era o reino de Jang Chang-sik. Todos que se alimentavam das migalhas que caiam daquele reino olhavam para baixo para Jang Taegun.
De repente, olhando para trás, eles viram que a fera havia crescido tanto quanto uma casa, mas ainda assim riam descuidadamente, pensando que ela ainda estava presa a uma coleira.
Aquela fera não pode entrar na casa. Ela foi treinada para não fazer isso, não foi?
A complacência começava assim. Embora soubessem que aquela fera, apesar de seu treinamento repleto de abusos, nunca havia diminuído sua força.
Quando o nome de Jang Chang-sik saiu da boca de Choi Cheol-ho, Taegun riu baixinho.
…Por que ele estava rindo? Ele poderia sobreviver? Isso era algo que ele já sabia, ou algo que ele ainda não havia compreendido?
Ele nunca havia olhado para isso seriamente, nunca havia investigado a fundo, então não tinha ideia de como a fera raciocinava ou que tipo de métodos de caça ela usava.
Choi Cheol-ho queria tanto viver que estava morrendo de medo. Mas a fera inclinou a cabeça e disse algo inteiramente diferente.
— Então, quando é que essa luta de boxe vai acabar?
Myeong-soon, que estava de pé atrás dele, deu um passo à frente e respondeu.
— Deve terminar em breve. Jeonggil perguntou se deveria enviar uma foto dele lutando boxe. O que devo dizer a ele?
— O que há para fazer? Myeong-soon, você acha que seu hyung usaria uma foto dessas pra se masturbar? Diga ao Jeonggil que arrancarei os olhos dele se tirar uma foto do meu marido.
Jang Taegun respondeu com um tom exasperado, depois bocejou amplamente. Limpando o canto do olho com o polegar como se lágrimas estivessem surgindo, ele olhou para baixo para Choi Cheol-ho como se de repente percebesse: Ah, certo, isso ainda não acabou. Então ele sorriu.
— Eu sou recém-casado, então estou tentando voltar para casa mais cedo hoje em dia. O Myeong-soon tem que ir comigo, então você conversa com eles, Hyung.
Ele se levantou lentamente da cadeira, abotoando a parte inferior do colete, e chamou os membros da organização que estavam atrás dele.
Eles assentiram e se aproximaram, arrastando Choi Cheol-ho para fora.
Desnorteado, Choi Cheol-ho olhou em volta. Alguém estava despejando cimento e água em um tambor, depois misturando com um martelo de madeira.
— Certo então, Diretor Jang.
— Myeong-soon, o que você está fazendo? Ligue o motor primeiro, hein?
— Sim, senhor.
Taegun o apressou impacientemente, e Myeong-soon, que estava esperando, saiu rapidamente do armazém abandonado e dirigiu-se ao sedã estacionado do lado fora.
— Cuide-se, hyung — vozes dispersas chamaram.
As luzes halógenas dentro do armazém estavam todas brilhando sobre Choi Cheol-ho, cegando-o para que ele não pudesse ver as figuras no canto. Pelas vozes, parecia que havia quatro ou cinco pessoas lá dentro.
O rosto de Choi Cheol-ho ficou pálido. Mesmo em meio ao caos, as costas de Jang Taegun se afastando ficaram gravadas claramente na retina de Choi Cheol-ho.
— Jang… Jang, Diretor!
A figura não respondeu, saindo da sala. A porta se fechou com força atrás dele.
Dentro do armazém abandonado e fechado, um grito ecoou, depois parou abruptamente.
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna