The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 04
↫─Capítulo 04
— Olá, irmãozinho! Meu nome é Mo Jeonggil!
— Que porra é esse bandido? Ugh, é, olá. Não fale comigo. Você parece assustador pra caralho.
Ele estava caminhando em direção à academia depois de estacionar o carro na garagem subterrânea quando a porta se abriu. Ele se perguntou o que era, apenas para ver Lee Jaeho entrando no elevador no primeiro andar.
Jaeho ergueu as sobrancelhas ligeiramente, depois as abaixou. O estacionamento tinha bastante espaço, então era estranho para alguém que nunca pegava transporte público aparecer no primeiro andar.
“Hã? Ele chegou aqui primeiro?” Jaeha pensou, mas Jeonggil não respondeu. De alguma forma, reconhecendo os dois homens que não tinham semelhança um com o outro, Jeonggil curvou-se profundamente a partir da cintura para Jaeho.
Jaeho, prestes a entrar no elevador, estremeceu com a aparição repentina de Jeonggil. “Ah, droga, você me assustou…” Ele deu tapinhas no peito, parecendo genuinamente assustado.
Jaeha não prestou atenção nos dois homens, olhando em vez disso para o painel do elevador que exibia os números dos andares subindo. Com um sinal sonoro, as portas se abriram primeiro, mas Jaeho ainda parecia horrorizado.
Ele correu como quem se esquiva de uma vespa voadora, pressionou-se bem ao lado de Jaeha e falou em uma voz estranhamente baixa.
— Ei, ei. O que há com aquele cara? Por que você está andando com um tipo tão incomum? Qual é a dele? E os olhos dele são meio… Hã? Ei, olhe para ele. Por que ele está olhando para mim desse jeito? É estranho.
— Seja legal. Ele é colega de trabalho de seu cunhado.
— O quê? Cunhado?
A mandíbula de Jaeho ficou bem aberta como se pudesse cair, apesar de seus resmungos. Jaeha achou a cena divertida e riu baixinho.
Atrás deles, Jeonggil estava oferecendo um elogio estranho:
— O seu irmão também luta boxe bem? Vocês, irmãos, são bastante impressionantes.
Quando ele não o seguiu, Jaeho se virou. Exatamente como Jaeho havia dito, os olhos de Jeonggil o olhavam de um jeito um pouco estranho. Como descrever…
“Hmm, eles parecem meio… brilhantes.”
Se você quisesse falar de um jeito bom, era como um brilho, mas não havia como falar disso de um jeito sem parecer estranho.
Ele estava encarando Jaeho como uma conta de vidro brilhante que continuava reluzindo o tempo todo. Mesmo se você tentasse dizer que era apenas porque ele estava feliz em vê-lo, não conseguia.
Ficando parado e observando-os, Jaeho disse que sentiu arrepios, escovou o antebraço e correu direto para a academia primeiro.
Jaeha virou-se para olhar para Jeonggil. Jeonggil estava encarando a entrada por onde Jaeho havia passado, exibindo aquele mesmo sorriso ligeiramente maníaco.
“…Ele realmente está em um estado um pouco peculiar…”
No momento em que Jaeha pensou isso, Jeonggil de repente perguntou a ele. Ainda fixo na entrada, ele disse:
— O seu irmão mais novo não tem namorada, certo? Ele não deveria ter uma.
— Hmm, eu não tenho muita certeza.
Ele respondeu que não sabia porque realmente não sabia, mas algo parecia ligeiramente estranho. Jaeha inclinou a cabeça, então, incapaz de se atrasar por mais tempo, entrou na academia ele mesmo.
Depois de uma saudação protocolar ao proprietário da academia, que parecia bastante desapontado ao vê-lo depois de tanto tempo, Jaeha conduziu Jeonggil a um assento primeiro.
— Para você, Sr. Jeonggil, treinar pode parecer brincadeira de criança. Gostaria de tomar uma xícara de café primeiro?
— Não. Eu apenas assistirei os dois daqui.
Jeonggil respondeu com um sorriso amplo e bobo.
Seus olhos eram afiados, mas quando ele mantinha a boca fechada, tinha uma aparência limpa. Aquele sorriso bobo fazia a harmonia entre seu rosto e seu sorriso parecer bastante bizarra.
Jaeha olhou para Jeonggil e inclinou a cabeça. Vendo o quanto ele estava gostando, ele se perguntou se ele era um fã de artes marciais. Seu punho cerrado parecia tão duro quanto pedra, sugerindo que ele não era estranho a lutas, o que era surpreendente.
Pensando que gostar de rolar no ringue e assistir a lutas de boxe eram coisas diferentes, Jaeha pisou no ringue.
Jaeho, que havia saído do vestiário primeiro, apertou as luvas e perguntou.
— Sério, ele vai ficar nos encarando lá daquele jeito…? Os olhos dele são estranhos, sabe?
— O que você quer dizer com os olhos de outra pessoa são estranhos?
Jaeha, respondendo categoricamente como se estivesse dando bronca em um estudante rude do ensino fundamental, apertou suas luvas também. Enquanto o gerente se aproximava para explicar que era uma luta de quatro rounds, os dois colocaram seus protetores de cabeça.
O primeiro round foi para Jaeha. A postura de Jaeho vacilou a partir de um jab leve. Depois disso, Jaeha acertou ganchos consecutivos para acumular pontos.
O segundo round foi para Jaeho, e Jeonggil, que estava sentado, de repente se levantou e aplaudiu descontroladamente.
Os aplausos foram tão altos e barulhentos que até Jaeho, que estava sorrindo com seu protetor bucal, olhou surpreso e murmurou com a voz arrastada:
— Que porra é essa? Você não está de brincadeira, certo?
Os rounds subsequentes foram todos vencidos por Jaeha. Mesmo assim, o gerente elogiou Jaeho.
— Sr. Jaeho, o senhor agora tirou rounds de seu hyung e melhorou a passos largos. O diretor deve ficar atento.
— De fato.
Enquanto Jaeha ria ao remover seu equipamento, Jaeho ao seu lado ficou em silêncio com o rosto vermelho.
Seu rosto parecia o de um estudante problemático do ensino fundamental recebendo elogios do professor na frente de seus pais no dia de observação estudantil.
Achando aquilo divertido, ele riu baixinho e estendeu a mão para a toalha pendurada na rede, mas uma mão de repente disparou.
— Uau, vocês dois são realmente incríveis.
Jeonggil entregou a toalha, sua admiração clara. Embora tenha dito “vocês dois”, seu olhar permaneceu fixo em Jaeho.
A essa altura, era impossível não notar. É por isso que aquilo o intrigava.
Ao contrário da mãe de Jaeha, um tipo alto e esguio apesar de ser uma Ômega mulher, Kim Ran-hee era mais delicada. Ela era pequena e tinha traços muito delicados.
Por causa disso, Lee Jaeho também tinha um porte pequeno e esguio para um alfa. Mesmo assim, ele não parecia um ômega.
Embora ele fosse recessivo, a dominância física conferida pelos genes alfa não era completamente ocultada.
Jeonggil também era um alfa. Um dominante, ao que parecia. Ele não podia ter 100% de certeza sem confirmação, mas ele carregava marcas distintas de dominância.
Embora mais baixo que Jaeha, ele irradiava uma certa energia até sorrir. Quando ele sorria, seus olhos se enrugavam, fazendo-o parecer inocente. No entanto, quando ele mantinha a boca fechada, podia-se sentir as ruas em que ele havia vivido.
Então ele não poderia ser um Ômega. Jaeha se perguntou por que ele havia desenvolvido um interesse em Jaeho.
Incapaz de se lembrar de já ter se apaixonado por um Alfa ele mesmo, Jaeha pensou que perguntar seria rude e apenas inclinou a cabeça em confusão. O olhar de Jeonggil ao entregar a toalha a Jaeho era divertido.
“Os olhos dele parecem estar brilhando.”
Dizer que pareciam ligeiramente marejados poderia na verdade ser a parte rude. Os olhos de Jeonggil estavam brilhando enquanto olhava para Jaeho. Jaeha sorriu para si mesmo diante daquela cena.
Enquanto isso, os dois ainda estavam discutindo.
— Com licença, senhor. Desculpe, mas ele disse para você não falar comigo?
— Sim senhor. Primeiro, limpe o suor com isso, jovem mestre.
Para alguém que foi instruído a não falar, sua resposta pareceu surpreendentemente casual. A expressão de Jaeho também ficou estranha, como se ele sentisse o mesmo.
Preocupado que Jaeho, com sua língua afiada, pudesse xingar se ficasse ali por mais tempo, ele o puxou para longe.
— Lave-se e vá para casa imediatamente esta noite. Certifique-se de colocar gelo antes de dormir.
— …Eu sou uma criança?
Jaeho resmungou, mas deslizou pela abertura que Jaeha segurava na corda da rede. Os dois entraram no vestiário, trocaram de roupa e tomaram banhos rápidos.
Enquanto Jaeha, atento tanto à conveniência do professor quanto à sua própria, optou por convidá-lo para casa diretamente, Jaeho preferiu alugar a academia inteira.
Antes do casamento, ele poderia tê-lo repreendido por incomodar os clientes, mas não pressionou Jaeha mais sobre o aluguel da academia. Se fosse para a casa da família com o ringue de treino corria o risco de trombar com Kim Ran-hee, o que seria um grande incômodo.
Graças a isso, apenas os dois estavam no chuveiro. Lee Jaeho tentou fazer uma brincadeira jogando água no meio do caminho, mas Jaeha não reagiu e se lavou rapidamente. Ele queria que Jeonggil e o treinador pudessem ir para casa rápido.
No final, embora tivessem entrado no chuveiro juntos, Jaeha terminou de tomar banho muito mais rápido.
— Ei, seu idiota! Vamos sair juntos!
Perguntando-se o que sair junto tinha a ver com ser injusto, Jaeha ignorou o comentário amuado de Jaeho e saiu primeiro. Ele trocou de roupa e sacudiu o cabelo grosseiramente para secar.
Sua franja, geralmente bem penteada para trás com pomada, agora caía úmida sobre a testa após a lavagem. No espelho, o Alfa parecia um pouco mais jovem do que sua idade.
Parecia estranho colocar o terno de volta com o cabelo molhado, mas Jaeha abotoou os punhos ordenadamente. Momentos depois, Jaeho apareceu correndo também.
— Apresse-se e vista-se. Todos estão esperando.
— …Não, eu paguei para alugar este lugar pelo dia. Não posso nem tomar um banho decente…?
Jaeha não respondeu. Ele não estava ouvindo as palavras de Lee Jaeho.
De acordo com Jeonggil, Taegun se atrasaria novamente hoje, então, se eles fossem para casa, suas horas de trabalho provavelmente terminariam mais ou menos no mesmo horário.
Ele apressou Lee Jaeho com outro olhar e, embora Jaeho resmungasse, ele trocou de roupa.
A água pingava do cabelo de Jaeho, então ele colocou uma toalha sobre ele. Ele checou o relógio e saiu.
Jeonggil, que estava por perto conversando com o gerente, virou a cabeça rapidamente para olhar para eles.
Seus traços já se assemelhavam vagamente aos de um Doberman, e agora suas orelhas pareciam se erguer. Jaeha riu baixinho e disse:
— O Jaeho ainda está se trocando. Ele sairá em breve.
— Não, parece que este cavalheiro aqui está impressionado com as habilidades de boxe do Jaeho. Ele tem falado sobre o Jaeho sem parar desde mais cedo. Embora eu diga no entanto que o seu gancho é mais pesado, Sr. Jaeha.
O gerente olhou para Jeonggil com uma expressão intrigada. Jaeha apenas sorriu levemente e esperou com eles por Jaeho. Logo depois, Lee Jaeho saiu, e os três homens saíram da academia lado a lado.
Quando Jeonggil entrou no elevador com ele, Jaeho, que estava desconfiado, rapidamente apertou o botão do primeiro andar repetidamente, dizendo que ia descer primeiro. Jaeha não o impediu, adivinhando que o cara que estava reclamando sobre tomar uma cerveja depois do treino estava na verdade planejando ir para casa sem fazer alarde.
Foi mais ou menos na hora em que eles estavam descendo para o estacionamento subterrâneo com Jeonggil. Jaeho recebeu uma ligação. Jaeho deslizou a tela, um pouco intrigado.
— O que houve?
— Droga, acho que meu carro foi rebocado. Eu o pego amanhã. Deixe-me na casa dos meus pais.
— Você estacionou na estrada principal de novo?
— Não, é só… Ah, você vai me dar uma carona ou não?
— Apenas desça primeiro.
Jaeha observou Jeonggil, que havia movido o carro, sair e ficar ao lado da porta traseira.
Ele deve ter percebido que Jaeha conversava com Jaeho. Seu rosto geralmente calmo e composto estava agora estranhamente transformado com aquele sorriso bobo novamente. Jaeha percebeu pela primeira vez que algumas pessoas ficam melhores sem sorrir.
— Acho que preciso deixar meu irmão na casa dos meus pais.
— Eu ficaria grato.
…Por que ele estava grato?
Enquanto Jaeha inclinou a cabeça em confusão, as portas do elevador se abriram e Jaeho saiu, com o rosto um pouco corado.
No momento em que saiu, Jaeho gaguejou uma desculpa.
— Não, eu só queria estacionar lá brevemente… Todo mundo estaciona lá, você sabe…
Jaeha se enrijeceu e virou-se para olhar para seu meio-irmão. Jaeho estremeceu sob aquele olhar. Em uma voz desprovida de emoção, Jaeha perguntou a ele:
— O que você disse que aconteceria se fizesse isso de novo no ano passado?
— Você disse que pegaria todas as chaves do meu carro e me mandaria com um motorista…
No início do ano passado, uma foto se tornou um tema quente entre as pessoas nas festas de Ano Novo. Ela mostrava o carro esportivo do alfa mais jovem de alguma família chaebol sendo rebocado.
Foi o incidente em que um Lee Jaeho bêbado, tendo estacionado seu carro em qualquer lugar, foi rebocado e depois agiu de forma descarada.
As pessoas que viram a foto não sabiam quem ele era no início, mas depois começaram a reconhecê-lo como Lee Jaeho da Yooshin.
Havia também um vídeo mostrando a Lamborghini, estacionada bem no meio de Apgujeong, em uma zona proibida para estacionar, sendo rebocada por um caminhão de reboque que havia vindo para cumprir a lei, enquanto o proprietário gritava a plenos pulmões.
Foi um vídeo que incendiou as redes sociais. Na época, o escritório de estratégia da sede da Yooshin estava em estado de emergência tentando fazer com que aquela foto fosse retirada.
Este foi o período em que Lee Jaeha estava distribuindo dinheiro pelo submundo de Yeouido para garantir a desregulamentação governamental para novos empreendimentos.
Não fosse por esse barulho, as regulamentações relaxadas teriam apresentado uma oportunidade de ouro para lançar o novo negócio com segurança. Mas o conversível de seis cilindros de Lee Jaeho explodiu essa chance em pedacinhos.
Lee Jaeha impôs um toque de recolher a Lee Jaeho e ameaçou que, se algo assim acontecesse de novo, ele confiscaria as chaves do carro e o faria pegar um motorista particular para todos os lugares.
Mais tarde, Kim Ran-hee até se desculpou com Jaeha em nome de Jaeho, dizendo que estava sendo muito severo e pedindo que o perdoasse agora.
Relembrando aquela época, Lee Jaeho franziu a testa e protestou com uma voz cheia de queixa:
— Droga, aquele é apenas um lugar onde todo mundo estaciona! Até o gerente da academia disse que apenas deixa o carro da academia lá quando está com pressa! Nem é um lugar onde as patrulhas de fiscalização de estacionamento passam!
Conhecendo a tendência de Jaeha de verificar cada desculpa, Jaeho não parecia estar mentindo de propósito. Jaeha estreitou os olhos e ficou pensativo por um momento.
De qualquer forma, era tarde demais agora. Ele poderia apenas enviar alguém para encontrá-lo amanhã.
— Entre primeiro.
— Sim, por favor, entre. Que tipo de babaca — quero dizer, que tipo de funcionário público faz o seu trabalho tão bem… O senhor deve estar chateado.
Jeonggil acalmou Jaeho gentilmente. Incapaz de se livrar de seu lado infantil, ele esqueceu sua desconfiança anterior e subiu no banco de trás com um “Merda…” diante das palavras de Jeonggil.
Mesmo assim, ele considerou natural que Jeonggil abrisse a porta para ele, um comportamento que gritava garoto rico e mimado.
O pensamento de ter que mover aquele item para o novo lugar fez Jaeho se sentir ligeiramente sobrecarregado. Quando Jeonggil deu a volta no porta-malas e abriu a porta oposta para ele, ele deu um leve aceno com a cabeça e entrou.
Logo depois que Jeonggil sentou-se no banco do motorista, o carro saiu suavemente do estacionamento subterrâneo. Como a casa da família ficava em Gangbuk, eles tinham que cruzar a ponte.
Parecia que eles estavam indo em direção à Ponte Gayang, pois Jeonggil mudou de faixa. Ele olhou para o espelho retrovisor e fez uma ligação para algum lugar.
Os olhos de Jaeho se arregalaram. Como alguém acostumado a ser conduzido por motoristas, o próprio ato de o motorista usar um telefone celular parecia incompreensível para ele.
Mas Jaeha sentiu algo estranho e virou-se para olhar para trás. Nesse momento, Jeonggil falou com a pessoa que havia atendido a ligação.
— Estou tentando entrar na Ponte Gayang, mas parece que temos um rabo. Estou planejando seguir para o norte do rio por enquanto.
— O quê? O que está nos seguindo?
Jaeho perguntou a Jaeha. Jaeha não respondeu, continuando a olhar atentamente para a traseira através do vidro traseiro do carro.
Seul não ficava escura nem à noite, e não estava chovendo, mas o veículo de trás estava com os faróis altos acesos.
Os faróis de LED eram tão brilhantes que ele não conseguia sequer distinguir a placa de licença. Parecia um veículo modificado, uma van de 8 lugares, nada menos.
Jeonggil, que havia acabado de encerrar a ligação, falou com Jaeha.
— Sr. Lee, não há necessidade de se preocupar. Eu irei para o norte do rio por enquanto.
— …Sim.
— Que porra… O que é isso…?
Lee Jaeho olhou para trás como Jaeha havia feito, depois agarrou o encosto de cabeça do banco dianteiro e olhou em volta freneticamente, mas não pareceu encontrar nada de incomum.
Então, uma luz forte inundou o espelho retrovisor. Dois sedãs haviam saído de trás da minivan e agora colavam na traseira do sedã que Jeonggil estava dirigindo, ocupando as três faixas.
Jeonggil, que havia olhado para trás através do espelho retrovisor, franziu a testa.
Foi a primeira vez que o viu franzir a testa, mas ele não parecia feroz; em vez disso, havia uma borda afiada nele, como uma lâmina bem temperada. Se Taegun era uma espada larga, pesada e grande, Jeonggil era como uma faca militar com dentes cravados em sua espinha.
— Hmm, não podemos ir para o norte do rio. Melhor pegar a Gangbyeonbuk-ro. Vocês dois colocaram os cintos?
Jeonggil perguntou com um sorriso irônico. Jaeha, ainda com o cinto afivelado, deu um tapinha no cinto sobre o próprio peito enquanto Jaeho continuava perguntando alto o que estava acontecendo.
— O que… o que é? Quem são essas pessoas, hein?
Jaeho viu isso e afivelou seu próprio cinto. A ansiedade se infiltrou em seu rosto enquanto ele perguntava o que estava acontecendo. Jaeha suspirou brevemente e disse a Jeonggil.
— O reboque também não foi coincidência, foi?
— Sim, parece que sim.
O rosto de Jaeho ficou pálido com a resposta de Jeonggil.
— O quê?! Então onde está o meu carro?! Aquele era o carro que a mamãe me comprou por trabalhar tanto na empresa!
Jaeho rangeu os dentes enquanto falava. Seu grito de “Meu carro!” foi tão fora de contexto que chegou a ser cômico.
Enquanto isso, o sedã em que estavam costurava pelas brechas entre os outros carros e entrava na Gangbyeonbuk-ro.
Com poucos carros indo em direção ao norte na província de Gyeonggi, Jeonggil pisou fundo no acelerador com entusiasmo no momento em que saíram da rotatória.
Embora não fosse o conversível de seis cilindros de Jaeho, o carro que Jaeha vinha usando tinha um motor muito bom. O sedã preto, rugindo como uma fera, apostava corrida pela Gangbyeonbuk-ro.
Era uma sorte que o horário tardio da noite significasse menos carros, mas o problema era que isso também tornava mais fácil para os caras atrás perseguirem eles.
Jeonggil, que vinha tentando mudanças de faixa extremamente afiadas entre os carros, manobrou em direção à faixa mais distante, mudou a marcha e então simplesmente engatou a marcha ré.
— Hã? O quê?!
Lee Jaeho olhou para trás surpreso. Jaeha fez o mesmo. Felizmente, nenhum carro vinha vindo atrás deles.
As minivans e os sedãs que os perseguiam na faixa adjacente devem ter entrado em pânico, pisando fundo nos freios. Os carros atrás deles buzinaram.
Jeonggil esticou o braço direito sobre o encosto de cabeça do banco do passageiro, virou o corpo para trás e segurou o volante apenas com a mão esquerda enquanto encarava o vidro traseiro.
Durante isso, Jeonggil pegou o olhar de Jaeho e piscou. Vendo isso, Lee Jaeho ficou horrorizado.
— Seu… seu… seu bastardo louco?!
O carro que dirigia naquela faixa, talvez assustado pelo sedã dando marcha ré, desviou para a faixa adjacente. No entanto, o carro imediatamente atrás, aparentemente sem notar o sedã de Jaeha, entrou em pânico e buzinou alto.
O carro que dirigia em linha reta tentou pisar fundo nos freios, mas parecia tarde demais. O espaço entre os dois carros diminuiu para menos da largura de uma mão. O outro carro buzinou mais uma vez.
Em meio ao buzinar de estourar os ouvidos, Jeonggil virou o volante bruscamente para a direita.
Os corpos de Jaeha e Jaeho foram jogados com força para a esquerda. Para evitar que o pescoço de Jaeho quebrasse, Jaeha apoiou a mão na nuca dele.
O carro avançou para a rampa de saída que levava para fora da periferia de Seul. Com outro rugido, o carro acelerou de forma explosiva.
— Caramba, porra, caramba, meu coração, ugh-!
Jaeho, que estava olhando para trás e viu que quase colidiram com um carro que vinha em direção oposta, arfou em choque. As palmas das mãos de Jaeha também estavam suadas.
Jeonggil assobiou. Mesmo com o banco traseiro balançando daquele jeito, Jeonggil riu baixinho. Pensando que tinham ganhado alguma distância, os movimentos de sua mão no volante foram suaves.
Jeonggil piscou pelo espelho retrovisor e disse.
— Eu dirijo há 18 anos. Vocês dois podem relaxar.
Lee Jaeho estreitou os olhos em descrença, então perguntou com a voz tensa.
— …Quantos anos você tem?
— Trinta e dois este ano.
Jaeho abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas seu rosto ficou pálido de choque e ele se calou. Ele olhou para trás uma vez, depois perguntou a Jeonggil.
— …O que foi aquilo agora há pouco?
— Ah, não precisa se preocupar. O hyung imaginou que algo assim poderia acontecer, então colocou eu e Myeong-soon posicionados perto do gerente, se antecipando para esse tipo de problemas. Eu já relatei isso para o meu hyung também.
O tom de Jeonggil fazia parecer que não era grande coisa, então Jaeha pensou: Ah, é mesmo? Ele tinha pensado que estavam na periferia de Seul, mas parecia que tinham realmente entrado no norte da província de Gyeonggi.
Estando perto de uma cidade nova, apenas as estradas eram pavimentadas e o desenvolvimento era escasso, deixando as ruas desertas.
Jeonggil virou-se para Jaeho, piscando novamente enquanto dizia que o levaria para casa agora. Lee Jaeho gritou com Jeonggil para prestar atenção na estrada.
Em meio à confusão, Jaeha puxou o telefone, deslizou a tela e pressionou o nome de Jang Taegun. O toque não tinha nem terminado de soar algumas vezes antes de ele atender imediatamente.
— Você está a caminho?
Era uma voz profunda e ressonante. Ele se lembrou da primeira vez que ouviu aquela voz. Aquele momento em que pensou que era como uma chuva torrencial.
Mesmo diante da pergunta simples se estava a caminho, Jaeha sentiu um lugar profundo em seu peito ressonar, como se ele também tivesse finalmente encontrado um lar para onde voltar.
Ele já tinha tido um lar antes. A casa onde seu avô que o estimava e sua mãe amorosa tinham vivido. Mas eles tinham deixado o lado de Jaeha cedo demais. Nesse sentido, já fazia muito tempo que aquilo tinha deixado de parecer um lar.
Mas agora, Lee Jaeha finalmente tinha um lugar para onde voltar. Aquele pensamento tocou em algum lugar profundo dentro dele.
Jaeha mordeu o lábio, depois respondeu simplesmente. Naquele breve momento, ele lutou para não deixar sua voz, que tinha embargado em sua garganta, traí-lo.
— …Sim.
— Se o Mo Jeonggil dirigir feito merda, me diga logo. Eu faço ele bater a testa na tampa de uma garrafa e fazer flexões.
— Não, não. Ele está indo muito bem.
Um Jaeha desnorteado respondeu apressadamente. Olhando inconscientemente para o espelho retrovisor, ele viu Jeonggil, alheio ao que seu chefe tinha dito, sorrindo docemente com um rosto inocente.
Percebendo que não podia simplesmente fazê-lo fazer flexões sem motivo, Jaeha mudou de assunto.
— O Diretor Jang está bem?
— Eu cheguei em casa e não consegui encontrar meu marido em lugar nenhum. Como pode estar tudo bem?
Seu tom indiferente e monótono o chamando de marido, foi tão engraçado que Jaeha não pode conter o riso.
Ouvindo aquela risada, a pessoa do outro lado da linha perguntou: “Você está rindo?” Aquilo causou cócegas, fazendo-o morder o lábio. Jaeha conseguiu dizer.
— Eu irei para casa imediatamente. Jeonggil está dirigindo muito bem…
— Sim. Corra para casa. Se você se atrasar, o Jeonggil vai ganhar mais uma pancada por minuto.
— Ugh, chefe! Mesmo dirigindo a 100, vai levar 40 minutos para chegar aí!
Jeonggil deve ter ouvido aquela última parte também, porque soltou um grito assustado. Ele parecia desnorteado, provavelmente porque tinha que deixar Jaeho em algum lugar ao longo do caminho.
Jaeha riu baixinho, virando a cabeça. Quando viu Lee Jaeho ao seu lado encarando-o com um olhar de ‘isso é uma palhaçada’, ele limpou a garganta e deixou os cantos de sua boca caírem ligeiramente.
— Se você estiver cansado, pode ir dormir um pouco.
O tom indiferente e a conversa desencontrada pareciam ter o objetivo de aliviar sua tensão, então Jaeha apenas riu. Quando ele riu sem responder, Jang Taegun também ficou quieto antes de adicionar rapidamente: “Anda logo.”
Jaeha remoeu aquela única palavra. Depois disso, a ligação terminou, mas Jaeha nem percebeu que estava sorrindo.
— Ei, Diretor Jaeha, você está se rachando de rir agora mesmo, não está? Assustador pra caralho. Um cara que mal ri uma ou duas vezes por ano.
Diante das palavras de Jaeho, Jaeha cobriu a boca ligeiramente, com os braços apoiados na base da janela.
Foi quando aconteceu. Algo brilhou no espelho retrovisor.
— Hmm, persistentes para caralho, hein? Certo?
Jeonggil parecia ter notado também, rindo baixinho enquanto falava. Jaeho virou-se surpreso.
Era uma van de modelo diferente da de antes. Os dois sedãs seguidos atrás eram os mesmos.
Eles tinham ficado à espreita em áreas diferentes, mas quando Jeonggil desviou para a estrada externa, os mais próximos pareciam ter colado na traseira dele. Eles pareciam determinados.
— …É a Myeongwon?
— Sinto muito, Diretor. Os detalhes serão explicados pelo chefe quando o senhor voltar para casa hoje.
Isso significava que Jeonggil não podia falar. Jaeho olhou para trás novamente sem responder.
Graças à distância que tinham colocado entre eles, os faróis eram visíveis longe na distância. Mas desta vez, não havia estrada externa para deslizar como antes.
A estrada no meio da noite estava bastante deserta. A esta hora, com quase nenhum carro passando, os semáforos de três tempos apenas piscavam suas luzes amarelas.
Onde nenhum carro viajava, pedestres certamente também não estariam caminhando. Havia uma calçada, mas era uma estrada de quatro faixas onde até mesmo isso era irregular e quebrado.
Ele pensou que se cometesse um erro, poderia acabar morto sem testemunhas. Quer Jeonggil sentisse aquele pressentimento também ou não, o som do motor roncando alto cresceu de forma alarmante.
Era um bom carro; mesmo quando a velocidade do motor aumentava, a carroceria geralmente permanecia livre de vibrações. Mas a aceleração foi tão abrupta que um tremor sutil atingiu os assentos.
— Segurem firme, vocês dois.
Jeonggil cuspiu as palavras mais rápido do que antes, com menos compostura. Ele viu Lee Jaeho, com o rosto desprovido de cor, segurar a alça acima da janela traseira com força. Jaeha também segurou a estrutura da janela.
Os carros perseguidores começaram a acelerar também. Embora a velocidade fosse impensável para uma estrada regular, que nem era uma rodovia nacional, Jeonggil não parou.
Depois de dirigir em linha reta por cerca de 5 quilômetros sem parar, o cruzamento finalmente surgiu à vista.
Se eles fossem direto, seria a Segunda Estrada da Liberdade. Seria melhor dirigir em uma estrada regular onde pudessem pelo menos garantir testemunhas.
Jeonggil parecia estar planejando outro truque. Medindo a distância até os veículos perseguidores através de seu espelho retrovisor, ele pisou fundo nos freios, parecendo virar à direita, então de repente acelerou em linha reta à frente novamente.
Pisar no acelerador mandou a parte superior do corpo de Jaeho voando para a frente. Exatamente quando Jaeha esticou o braço para pará-lo e olhou para trás,
— Que porra.
Jeonggil xingou em um tom afiado, raro.
O sedã, que vinha simplesmente correndo em alta velocidade, agora estava de frente para um caminhão que tinha avançado o sinal vermelho no cruzamento. O caminhão, virando à esquerda, não tinha visto o sedã indo em linha reta e estava avançando sem desacelerar.
Jeonggil puxou o volante com força. Mesmo no caos, ele esterçou bruscamente para a direita para proteger o banco traseiro, fazendo com que o lado do motorista colidisse contra o canteiro central primeiro. O carro balançou violentamente.
Squeeeeeek! O som de marcas de frenagem se gravando no pavimento ecoou. Jaeha apoiou o braço esticado em direção a Lee Jaeho, evitando que a parte superior do corpo dele fosse jogada completamente para fora.
Um baque alto veio de trás, balançando violentamente seus corpos. A van que os perseguia tinha batido neles. O veículo, que mal tinha começado a desacelerar, girou violentamente no lugar devido ao impacto em seu para-choque traseiro.
O sedã, viajando a uma velocidade considerável, girou em um amplo arco, saltou sobre a barreira da calçada e colidiu contra uma árvore de rua antes de parar. A árvore estilhaçou o espelho lateral do motorista e amassou o para-lama acima da roda.
Jaeha, que tinha enfiado rapidamente o braço entre a testa e o vidro da janela para evitar que este esmagasse seu rosto, foi o primeiro a recuperar a consciência. Ele viu que o airbag tinha disparado no banco da frente. Jeonggil parecia inconsciente.
O caminhão assustado também fez um som de parada, mas antes disso, ele viu figuras escuras saindo dos veículos traseiros uma após a outra.
Clang, clang — o som de tacos de alumínio batendo no asfalto ecoou. Um dos homens acenou com a mão para o motorista que tinha pulado para fora do caminhão em choque. Assistindo a isso, Jaeha esticou o braço e deu tapinhas na bochecha de Lee Jaeho.
— Lee Jaeho, Jaeho.
— Ugh, ah…
Jaeho parecia ter perdido brevemente a consciência. Jaeha tentou não sacudi-lo para acordar, mas conforme os homens começaram a se aproximar, sua ansiedade o fez sacudir Jaeho sem querer.
Felizmente, Jaeho rapidamente voltou a si, aparentemente ileso.
— Que porra é essa, você… Ai…
— Acorda, Jaeho.
Jaeho pareceu retomar os sentidos lentamente diante da voz sem emoção de Jaeha. Ele sabia melhor do que ninguém como era o som da voz de seu meio-irmão irritado.
Jaeha fez o som de desafivelar o cinto. Assustado, Jaeho olhou para fora. Seis tinham saído da van, quatro de cada um dos sedãs — quatorze no total.
Jaeho engoliu seco.
— O-O que nós fazemos…!
— …Isso não é vidro blindado, então eles provavelmente vão continuar batendo na janela até sairmos.
Depois de dizer isso, Lee Jaeha procurou rapidamente no chão por seu telefone. Ele o segurou em sua mão, como se sentisse o calor após sua ligação com Jang Taegun.
Se ele o tivesse colocado no bolso interno do paletó do terno, não teria caído no chão e se perdido neste caos. Jaeha correu as pontas dos dedos pelo chão enquanto dizia a Jaeho para ligar para a polícia.
Jaeho pegou o telefone com as mãos trêmulas e discou rapidamente para o 112.
— Uh, alô, aqui, na frente do Túnel Geonalsan, na estrada principal… Ah, porra, se nada tivesse acontecido, eu estaria ligando?! Tem bandidos por todo lado aqui, está me ouvindo? Agora mesmo, eles estão balançando tacos de beisebol e…
Exatamente quando Jaeho estava explicando a situação, o carro deu um solavanco para trás. Alguém pisou no para-choque, subiu no porta-malas e no teto, e então começou a quebrar o para-brisa de cima para baixo.
CRASH, BOOM-. O som de vidro rachando e estilhaçando ecoou claramente. Assustado, Jaeho deixou cair o telefone.
Jaeha tentou se lembrar dos últimos dígitos do número de telefone de Jang Taegun. O número que ele nem sequer tinha memorizado estava invulgarmente claro em sua mente, mas os últimos dígitos revelaram-se difíceis de lembrar.
Então, com uma rachadura afiada, a janela traseira do lado de Jaeho se estilhaçou.
Cacos de vidro pendiam frouxamente do quebra-sol. O homem balançou o taco novamente, depois enfiou a mão pelo buraco abaixo e puxou a maçaneta.
Depois de abrir a porta trancada mais duas vezes, a trava finalmente cedeu. Puxar a maçaneta duas vezes para abrir a porta do carro era uma das opções.
Foi o momento em que ele decidiu que precisava comprar um carro que não destrancasse a menos que pressionasse o botão de controle remoto do banco da frente.
— Aaah-!
Jaeho foi arrastado para fora através da porta aberta do carro pelo agressor. Antes que Jaeha, que xingou silenciosamente para si mesmo, pudesse pular para fora através de sua própria porta para perseguir o Jaeho arrastado.
A porta de Jaeha abriu também, e seu pescoço foi agarrado. Baque! A parte inferior de seu corpo colidiu contra o chão primeiro.
Então ele foi arrastado para baixo. Lee Jaeha tentou resistir, raspando o chão com os calcanhares de seus sapatos, mas foi inútil. O agressor, segurando seu pescoço, mantinha a vantagem posicional.
Alguém mais se aproximou do lado do motorista e forçou a porta bastante amassada a abrir. Squeak — o som de metal dobrado se esmigalhando mais uma vez. O agressor desafivelou o cinto de segurança do Jeonggil inconsciente e o arrastou para fora.
Vendo isso, Jaeha agarrou o braço que segurava seu próprio pescoço, dobrou os quadris para trás e atingiu o lado do pescoço do agressor com o pé esquerdo.
— Gah!
Com um estalo, o joelho do agressor cedeu. Seus olhos reviraram, sugerindo que ele tinha perdido a consciência.
Sem mais hesitação, Jaeha saltou para a frente, desferindo um gancho na mandíbula do homem que arrastava Lee Jaeho para longe.
Sua habilidade era boa o suficiente para ter sido recrutado como um atleta amador. Mesmo que esses caras fossem profissionais, ele não era alguém para ser subestimado. Um golpe na mandíbula pode causar uma leve concussão. O cara que arrastava Jaeho foi nocauteado completamente também.
— Ugh, pesado-!
O cara cujo joelho cedeu desabou sobre Jaeho. Assustado, Jaeho rolou o cara inconsciente para o lado e levantou-se rapidamente.
Sem olhar para trás, Jaeha contou rapidamente os capangas restantes. O que arrastava Jeonggil estava agora olhando para cá.
Ainda restavam doze deles. Os que estavam acabando de sair do sedã e reunindo ferramentas estavam inclinando a cabeça, encarando para cá.
— Cuide do Sr. Jeonggil.
— Hã, e você, hyung?
O hábito de apenas chamá-lo de “hyung” em emergências permaneceu inalterado. Jaeha tirou o paletó do terno e puxou a gravata para baixo. Com um som de deslize como uma cobra se movendo, ele enrolou firmemente a gravata afrouxada em torno de seu pulso.
— O telefone de Jeonggil está no paletó dele. Contate o Diretor Jang.
— Sim, vou ligar…
Jaeho estava tremendo, mas também estava tentando adotar uma postura, por mais desajeitada que fosse. Ele não podia enfrentar todos os caras empunhando ferramentas, mas não ia apenas ficar parado e aceitar aquilo.
Jaeha soltou um breve suspiro. Era um contra muitos, e como se avançar em bando fosse a resposta óbvia, os homens começaram a avançar.
Jaeha não esperou; ele avançou primeiro. Seus sapatos rasparam contra o asfalto, fazendo um som irregular. Por um momento, ele desejou não ter tirado os tênis esportivos que tinha usado na academia.
Ainda assim, ter se livrado do paletó do terno permitiu que seu punho se estendesse de forma mais suave. A potência concentrada em seus músculos do dorso transferiu-se diretamente através de seu ombro, braço, antebraço, pulso e punho para seu oponente.
A força para retrair rapidamente o punho foi controlada por seus músculos peitorais. No momento em que tensionou e expirou bruscamente, os olhos de seu oponente reviraram e ele caiu.
— Esse bastardo—!
Vendo três de seus companheiros caírem em seguida, os outros começaram a ficar alterados. Eles eram os que tinham seguido o sedan de Jaeha a partir da academia de boxe, mas pareciam pensar que o hobby de Lee Jaeha era apenas alguma ostentação de filhinho de papai rico.
Lee Jaeha não suportava fazer as coisas moderadamente. Uma vez que começava, ia até o fim. Fosse estudando, nos negócios, natação e boxe, ele nunca sabia quando parar.
Graças a isso, ele se destacava em tudo acima da média. Ultimamente, o problema era que seu amor por Jang Taegun tinha se tornado esse tipo de obsessão.
Emoções que deveriam ser mantidas sob controle para evitar perder o juízo ou parecer patético tinham cruzado a linha. Sua natureza focada, obsessiva, não parecia ser uma característica particularmente boa quando se tratava de amor.
No entanto, esse tipo de foco parecia ser bastante compatível com o boxe. Afinal de contas, podia ser aplicado diretamente ao combate real como este.
— Seus merdas, o que vocês estão fazendo com esses tacos! Apenas batam nele, rápido!
Entre os capangas,parecia haver um que embora carente de coragem, tinha algum bom senso pois dizia as palavras certas. Depois que três de seus companheiros foram atingidos em rápida sucessão, os outros, congelados em choque, finalmente pareceram perceber que estavam em maior número e que eles próprios estavam segurando tacos.
Mas o taco balançando em direção a Jaeha nunca era mais rápido do que o punho de um atleta profissional. Usando a cintura como um pivô, Jaeha abaixou sua postura, depois saltou, estendendo rapidamente o braço para atingir a mandíbula do oponente.
Atingir apenas a articulação da mandíbula inferior desloca o osso maxilar e induz tontura. Jaeha planejava usar apenas essa técnica por enquanto. Era a maneira mais rápida de tirar a consciência de um oponente.
O treinador Park campeão de boxe tinha sugerido uma vez que ele tentasse Muay Thai também, até mesmo colocando-o com um lutador de Muay Thai da mesma academia. Mas não se adequou à sua personalidade tão bem quanto o boxe, então ele desistiu. Mesmo dentro dos esportes de combate, a disciplina do boxe servia melhor a Lee Jaeha.
Mas enfrentando a morte após apenas alguns meses de prática, o chute veio naturalmente. Ele atingiu a mandíbula do cara da frente, girou e imediatamente estendeu a perna para descer com força sobre a clavícula de outro oponente. Com um estalo, o oponente perdeu a consciência.
— Ah, porra, que merda é essa-!
Os poucos restantes pegaram rapidamente seus tacos novamente. Eles tinham claramente baixado a guarda, assumindo que o cara que se curvava na mesa de escritório era algum jovem mestre rico de uma família chaebol.
O descuido deles tornou-se uma forma de defesa de Jaeha. Ele tinha que reduzir o número deles rapidamente.
Jaeha trabalhou seu jogo de pés no boxe. Para aqueles que atacavam por trás, ele estendeu a perna para trás, usando seu longo alcance para atingir o ponto vital entre a nuca e a clavícula.
— Gah!
Alguns desabaram gritando, outros foram nocauteados completamente sem proferir um som. Ele derrubou mais quatro em um instante. Sirenes fracas começaram a soar ao longe.
Os homens, aparentemente ansiosos, seguraram seus tacos com força. Olhando para Jaeho, viu que ele vasculhava o paletó do inconsciente Jeonggil.
Ao vê-lo pegar o telefone, Jaeha deu um soco na mandíbula de um agressor que o atacava novamente, recuperando seu equilíbrio, quando viu alguém levantando um taco se aproximando de Jaeho por trás.
Lee Jaeho, aparentemente preocupado em desbloquear o telefone, parecia não perceber que havia alguém atrás dele.
— ……!
Jaeha cerrou o maxilar e correu em direção a eles. Decidindo que a ação era mais rápida do que gritar “Saia do caminho”, ele se jogou para a frente sem hesitação.
O taco estava caindo em direção à cabeça de Jaeho. Ele envolveu seus braços em torno de Jeonggil e Jaeho como se os protegesse, e ouviu-se um som de estalo. Pareceu estranho, como se tivesse quebrado os ossos de outra pessoa.
— Hyung!
Irritou-o mais uma vez que ele apenas o chamasse de hyung quando estava desesperado. Antes que a dor forte pudesse se instalar completamente, Lee Jaeha perdeu a consciência.
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna