The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 09
↫─Capítulo 09
— Ugh, hmph…
Ele teve que lutar para não gemer.
Mas a sensação do membro pressionando, embora focado unicamente em penetrar suas paredes internas, estimulava Jaeha de forma constante, apesar de tudo.
— …….
Jang Taegun soltou um suspiro curto. Jaeha apertou os olhos com força.
Sem qualquer preliminar. Um estava curvado sobre a mesa, o outro empurrando o pênis no buraco exposto.
Não havia carícias. Nada para facilitar a entrada do enorme pênis. Mesmo a primeira estocada pareceu uma intrusão forçada em um lugar seco.
Apesar disso, Jaeha teve que sufocar o gemido que ameaçava escapar. Ele precisava fazer isso, para provar a natureza do relacionamento deles.
“Mesmo se você e eu formos estranhos, eu cuidarei do seu cio. Você, nascido naquela casa nobre, conhece a razão melhor do que ninguém.”
Jaeha havia acenado levemente com a cabeça. Tudo o que Jang Taegun dizia era verdade.
Tendo entrado em um casamento de conveniência, trazer um filho concebido com outro era uma clara quebra de contrato, minando a confiança mútua.
Consequentemente, nos círculos empresariais, tais casamentos normalmente envolvem advogados lidando até mesmo com esses aspectos de intimidade. Eles são registrados em cartório.
— Jang Taegun e Lee Jaeha não podem ter contato com mais ninguém além de um ao outro durante o casamento.
Isso estava explicitamente estipulado no contrato. Assim, Jaeha estava agora na posição de ter que se submeter ao seu parceiro, que havia se tornado um estranho.
Sem quaisquer carícias, sem qualquer toque terno, o ato que deve ocorrer entre a genitália e o orifício estava acontecendo agora mesmo na suíte mais luxuosa deste hotel.
Jaeha fechou os olhos embaçados. Lamentavelmente, apesar da secura do relacionamento, Lee Jaeha sentia tudo de forma muito intensa.
Ele não sabia por que, mas hoje, também, sua parte traseira estava completamente encharcada.
Apoiando a parte superior do corpo sobre a mesa da sala conectada à suíte, Jaeha pressionou as bochechas coradas contra a superfície de mogno. A cada som úmido, ele fazia uma careta, oprimido pela vergonha.
— Ha…! Ugh…
— …….
Jang Taegun soltou uma respiração sufocada, mas, fora isso, permaneceu completamente em silêncio.
Durante o sexo, ele sempre proferia palavras tão cheias de desejo que Jaeha queria fugir, mas hoje ele não havia dito uma única palavra. Ele empurrava o pênis para dentro e para fora sem dizer nada, fazendo Jaeha se sentir cada vez mais ansioso em vez disso.
Ele simplesmente pressionava firmemente contra o centro da coluna de Jaeha para evitar que a parte superior de seu corpo se levantasse, movendo os quadris implacavelmente.
No entanto, Jaeha entendia por que ele agia assim. Ter que cuidar de um cônjuge que, depois de alguém passar por tantos problemas para resgatá-lo, declarou que não queria mais viver com ele e sim viver como um estranho. Era um elemento que exigia compreensão.
O problema era o próprio Lee Jaeha. Apesar de movimentos tão simples, ele sentia aquilo de forma mais intensa do que qualquer um.
— Huh…
Um som de algo molhado ecoou. Ele não sabia por que, mas sua parte traseira estava completamente encharcada. Cada vez que suas bochechas coradas roçavam contra a mesa de mármore, Jaeha se perguntava se um alfa podia ficar molhado daquela forma também.
A ponta inchada, como uma maçã, empurrava direto para dentro.
Cada vez que roçava contra as paredes internas ardentes, o pênis de Jaeha contraía-se com tanta força que quase batia na mesa. Quando era pressionado contra algum ponto profundo e acariciado suavemente, os dedos de seus pés se curvavam, tornando a situação insuportável.
— Huh, ah, ugh…
Morder o lábio não era suficiente; suprimir os gemidos era uma tortura. Apesar de este ser um ato seco e punitivo, seu períneo inchou muito.
Na entrada do buraco de Jaera, o som de um pau empurrando o local extremamente molhado ecoava alto.
O pênis de Jang Taegun era não apenas grande, mas também de formato irregular.
Logo abaixo da glande, ele diminuía drasticamente, fazendo com que o corpo do membro inchasse de forma espessa no meio, enquanto a parte que se conectava aos pelos pubianos era ligeiramente mais fina. Uma ranhura estava claramente esculpida abaixo da glande e, na ponta, inchada como uma semente de maçã, uma esfera estava inserida.
Seu tamanho já substancial, adornado com essa modificação, garantia que cada investida contra as paredes internas estimulasse os pontos de prazer mais profundos sem falhar. Era quase demais.
Também produzia muito fluido. Cada vez que as paredes internas se contraíam, esguichava um líquido espesso e pegajoso lá dentro. Embora não fosse sêmen, o volume era tão grande que às vezes escorria pela junção, vazando para fora.
Aquele fluido então se misturava com o líquido seminal que fluía de trás, escorrendo pela coxa de Jaeha ou respingando na virilha de Taegun.
Significava que os sons de sucção e líquidos nunca cessavam. Cada vez que Jaeha ouvia aqueles sons, sua mente ficava turva.
— Huh…
Ele sentiu lágrimas brotarem. A conta inserida no membro de Jang Taegun raspava implacavelmente o ponto de clímax de Jaeha. Às vezes, empurrado profundamente, ele pulsava como se estivesse urinando. Cada vez, o ponto de clímax esmagado entregava um prazer supremo a Jaeha.
O problema era que, ao contrário de antes, seu coração não estava à vontade; um frio se instalou em seu peito. Parecia um pouco triste, também.
Jang Taegun devia permanecer sem saber de todos os esforços de Lee Jaeha. Era algo inevitável.
A mãe de Jang Taegun foi arruinada por causa da Yooshin. Mesmo ao se casar com seu inimigo, Jang Taegun exigiu apenas uma coisa: que Lee Jaeha abrisse mão de todo o poder da sua família.
Embora não conseguisse compreender totalmente suas intenções, Jaeha sabia que aquela era a sutil gentileza de Jang Taegun.
Era natural que ele nutrisse ressentimento em relação à Yooshin, então seu objetivo provavelmente era derrubar a família chaebol.
Deve ser por isso que ele disse a Jaeha, que o havia pressionado para o casamento, para abrir mão do poder da Yooshin.
Também significava não lutar desesperadamente para se segurar a um castelo em ruínas.
A pessoa que encarregada de uma investigação sobre o incidente de Ilmal havia enviado um relatório diferente. Disseram que a Yooshin, tendo perdido seu gestor, entraria em colapso facilmente, então fizeram Jaeha se afastar da gestão.
Não estava errado. Tembém era verdade que a gentileza residia ali.
Pelo menos, era assim que Jaeha via. Sempre que pensava naquela gentileza, Jaeha caía na ilusão de que realmente tinha o coração de Taegun.
Mesmo sabendo que não podia ser verdade, parecia que Taegun tinha afeto por ele.
Então Jaeha pensou que abalar as engrenagens internas da Yooshin pelo bem dele era uma satisfação pessoal.
Ele não podia apresentar algo que era meramente satisfação pessoal para ele. Demonstrações unilaterais de emoção apenas provocam o desagrado do outro.
Mas pensar que estava suportando esse relacionamento apenas para manter os termos estipulados no contrato de um casamento estratégico o fazia se sentir um pouco mais calmo.
Sua pélvis agarrada doía. A coxa dura que pressionava contra suas nádegas não diminuía o ritmo como costumava fazer. Sua pélvis e o cóccix pareciam prestes a se estilhaçar. Fisicamente, o corpo de um Alfa não foi feito para receber algo por trás.
Aquela dor peculiar abalou Jaeha. Não de forma avassaladora, apenas o suficiente para fazê-lo se sentir melancólico. Mas Lee Jaeha aguentou. O pensamento de que estava conectado assim, o deixava feliz e fazia seu membro pulsar de prazer.
Até ele pensava que estava além da salvação. Suprimindo seus gemidos, ele enterrou as unhas na mesa de mármore novamente, cravando-as até que a pele por baixo ficasse branca. Seus olhos estavam abertos, mas a sensação do ápice fez com que tudo diante dele ficasse completamente branco. Ele não teve escolha a não ser morder o lábio.
— Ugh, hmm…
— ……
Os feromônios de Jang Taegun pairavam pesados e estagnados. Ele não parecia feliz. Jaeha não conseguia compreender exatamente por que Taegun estava bravo. Ele só podia adivinhar.
Jaeha logo percebeu que fazia quase um ano desde que se casaram. Na próxima quinta-feira seria o primeiro aniversário de casamento deles.
Naquele dia, Lee Jaeha queria dar a Taegun um pequeno presente. O presente provavelmente estava amadurecendo muito bem em alguma sala de promotoria na Procuradoria do Distrito Central de Seul a essa altura.
Ele não podia dizer que o havia preparado, mas, independentemente disso, era o único presente que podia dar a Taegun pelo aniversário deles.
Ele não tinha planejado se encontrar antes disso, mas sua condição física parecia muito alterada. Jaeha se arrependeu de ter colocado aquela cláusula no contrato.
Ele a havia assinado sem pensar duas vezes, simplesmente porque o advogado explicou que era uma cláusula obrigatória para um acordo pré-nupcial.
Ele não precisava de ninguém além de Jang Taegun, e não importava se Taegun violasse aquela cláusula.
O amor de Lee Jaeha às vezes era bastante cego e egoísta; desde que pudesse amar Taegun, ele não se importava com o que Taegun fazia ou para onde ia.
Lee Jaeha não tinha consciência dessa contradição dentro de si, e ela havia voltado para assombrá-lo hoje sob a forma desta derrota. Jaeha pensou sobre isso, suprimindo um gemido enquanto a sensação de prazer era avassaladora.
— Jaeha.
Aquela foi a primeira vez que Taegun falou com ele desde que empurrou seu pau profundamente dentro dele por trás. Jaeha instintivamente apertou os músculos das nádegas, como se respondesse àquela voz.
Como se implorasse por mais palavras. Jaeha sentiu-se loucamente envergonhado por seu coração se expressar dessa maneira, com o pescoço ficando carmesim. Seu estado agitado apenas apertou ainda mais a parte inferior de seu corpo.
Jang Taegun estalou a língua.
— …Mesmo enquanto estou dentro de você, Jaeha, não consigo decifrar o que se passa nessa sua cabeça.
— Huh, ah…
— Jaeha.
Taegun abaixou o corpo e mordeu o pescoço de Jaeha. Ele mordeu até o colarinho da camisa, de modo que uma metade parecia dormente e pesada, e a outra metade, afiada.
Por dentro, Jaeha podia sentir o membro de Taegun pulsar. Mais líquido espirrou em algum lugar contra suas paredes internas. Mesmo não sendo sêmen, o interior ficou quente e ardente. O objeto espesso avançava implacavelmente lá no fundo, pressionando contra seu abdômen e fazendo-o sentir vontade de gritar. Jaeha arquejou e sufocou, sem perceber que estava revirando os olhos.
— Huh, espera, só… Hiiik, ah…!
— Espera o quê? O que você quer? Você bagunçou minhas roupas e é tão desavergonhado.
— Não, não, hh… Huh, hic…!
— Então o que não pode ser feito? Me diga.
— Huh? Jaeha. Me diga. O que não pode ser feito? Ou me diga o que pode ser feito.
Ele sussurrou, com os lábios pressionados contra o lóbulo da orelha de Jaeha. Infelizmente, Lee Jaeha já estava além da razão, dominado pela sensação de prazer.
Seu pau havia inchado por conta própria, redondo e tenso. Parecia pronto para gozar, pois estava no cio. Mas a glande inchada, incapaz de entrar em qualquer lugar, apenas contraía-se no ar.
Jaeha tentou abaixar a mão para segurar o próprio pênis. Desde o seu primeiro cio, ele sempre o estimulava obrigatoriamente para liberar o calor. Esse hábito havia surgido inconscientemente.
Mas a tentativa terminou em fracasso. Taegun agarrou o pulso de Jaeha.
— Eu sou algum vibrador empurrando isso na sua bunda, Senhor Jaeha? Tentando resolver seus negócios sozinho enquanto seu marido está aqui?
— Huh, por favor, ah, sim, heeik… Ah-!
— Você gosta mesmo, hein? Diga e eu vou te devorar.
Taegun segurou os quadris de Jaeha com firmeza e empurrou o membro profundamente para dentro novamente. O ponto de prazer inchado lá dentro foi estimulado, expandindo-se em uma protuberância redonda.
Quando a conta presa na glânde raspou o lugar ligeiramente macio e roliço, Jaeha gemeu de agonia, incapaz de fechar a boca. Ele lutava pelo ar, com os quadris se movendo. Como se tentasse cravar o próprio membro em algo.
A mão de Taegun deslizou para a frente, tateando o pênis de Jaeha como se para verificar. Era um gesto desprovido de afeto, apenas um meio de confirmar algo.
Jaeha apertou os olhos com força. Ele não conseguia suportar a sensação constante de seus olhos revirarem.
— Tentando dar um nó? Onde? Foi você quem engravidou aquela beta mais cedo, não foi?
— Huh, ah, não, hwaa… hic… não,
— Então o que é isso?
Seus genitais foram agarrados, e a mão se moveu como se estivesse ordenhando uma vaca, fazendo os joelhos de Jaeha fraquejarem.
Jang Taegun não mostrou misericórdia. Ele segurou os quadris dele, levantou-o completamente e bateu a parte inferior de seu corpo contra a dele sem restrições. O som de carne batendo contra carne era alto. Veias saltavam ameaçadoramente no baixo ventre de Jang Taegun, onde seu pênis se conectava.
— Você ainda não vai falar, hein?
— Ahh, hmm, ah…!
Ele queria afastar as mãos do pênis dele, mas as pontas de seus dedos não conseguiam reunir força. As unhas curtas de Jaeha deslizaram inutilmente pelos nós dos dedos de Jang Taegun.
Ele empurrou profundamente para dentro dele mais uma vez, e então moveu os quadris violentamente. A saliência elevada dentro dele era esmagada repetidamente pelo movimento do pau, cuja glande ficava presa ali.
Jaeha arquejou, com a boca aberta, incapaz até de expirar. Dentro do quarto, os cheiros de jasmim e rosa se entrelaçavam como flores desabrochando, densos e emaranhados.
De longe, parecia o rugido das ondas. Mas tudo aquilo era apenas o delírio de Lee Jaeha.
* * *
— Acorde. Coma e noite a durmir.
Alguém o estava acordando. O toque era rude, mas não agressivo. Jaeha mal conseguiu abrir as pálpebras inchadas e pesadas.
A primeira coisa que viu foi a luz branca e pálida emitida pelas lâmpadas embutidas no teto do quarto de hotel. Ele lutou para despertar sua consciência oscilante.
Alguém estava desligando uma luminária grande e saindo do quarto. Quem…? Jaeha pensou atordoado, e então se sentou assustado.
— Ugh…
Mas então, como se o músculo eretor da espinha e os pequenos músculos profundos de sua pélvis tivessem travado, ele não conseguiu reunir força nenhuma e simplesmente desabou de lado. Jaeha arquejou em busca de ar, com o rosto enterrado no travesseiro.
A dor fazia parecer que sua pélvis estava se partindo. Seu períneo e traseiro queimavam intensamente.
Só então Jaeha se lembrou do que havia acontecido com ele. Reflexivamente, ele virou a cabeça em direção ao relógio digital no console da cabeceira. 4h08 da manhã. Jaeha fechou os olhos tontos.
Ele estava vestindo apenas um roupão. Não tinha memória de tê-lo colocado, então Jang Taegun deve tê-lo vestido. Julgando pelo fato de seu corpo não parecer pegajoso, Taegun provavelmente o havia limpado ele mesmo. Jaeha mordeu o lábio.
Nesse momento, Taegun empurrou um carrinho com uma bandeja para dentro. Mesmo movendo-se de forma rígida, estranhamente, o som do tilintar dos pratos sobre ela não era audível. Só quando sentiu o cheiro de carne assada e manteiga é que Jaeha sentiu fome.
— …… .
Jaeha não sabia o que dizer e manteve a boca fechada. Taegun, aparentemente desinteressado em Jaeha, puxou a bandeja, colocou-a ao lado da cama, depois trouxe a cadeira do quarto para o lado e se sentou.
— Coma.
— …… .
Jang Taegun disse indiferente. Jaeha olhou de relance para a expressão dele. Estava tão completamente desinteressada que Jaeha não conseguia sequer começar a adivinhar o que ele estava pensando.
Era um rosto que misturava tédio e indiferença perfeitamente. Sem perceber, Jaeha colocou a língua para fora e lambeu o lábio inferior nervosamente.
— Eu disse para comer.
— …Sim. Diretor Jang…
— Eu vou comer também. Este é o nosso jantar de aniversário.
Lee Jaeha, que estava prestes a segurar o garfo prateado, congelou completamente. O pensamento de que o aniversário era na semana seguinte fez sua pele arrepiar, enviando um calafrio por sua espinha. Um jantar de aniversário? Ele não esperava que ele se lembrasse de algo assim.
Jang Taegun espetou uma almôndega de tamanho exato com a faca, depois a levou direto à boca e mastigou.
Ele usava apenas calças sociais, com a fivela aberta, de modo que o contorno de suas cuecas box pretas e o volume de seu pênis na coxa ficassem claramente visíveis. Seus pés estavam descalços.
Jaeha sentiu a garganta secar por um momento, então fechou a boca. Ele não podia perguntar nada.
Então Taegun continuou em seu tom indiferente.
— Sair de casa está bem.
— …… .
— Mas você vai passar o seu Rut comigo.
— …… .
— No ano que vem, no nosso aniversário, provavelmente teremos uma refeição como esta novamente. Tenho trabalho na próxima semana, então hoje era a única opção. Usei seu nome, Lee Jaeha, para fazer a cozinha nos servir, então termine tudo.
— Ah…
Jaeha soltou um leve suspiro sem perceber. Então… aquele pensamento cruzou sua mente. Enquanto ele contraiu os lábios, Jang Taegun falou irritado, como se estivesse descontente.
— Você manteve a boca bem fechada mesmo quando eu disse para falar o que queria, então estou apenas seguindo o jogo com isso.
— ……
— Não sei que diabos há de tão bom naquele lugar, mas não exagere e volte pra casa.
Seu tom de aviso era baixo e contido. Jaeha queria dizer que não era bem assim, mas acabou não dizendo nada.
Vendo Jaeha sem sequer dar um aceno de cabeça, Jang Taegun falou novamente.
— Planeja dar sua resposta no ano que vem?
— …Eu já disse que não vou voltar.
Jang Taegun atirou a faca na bandeja. A ponta ornamentada tilintou contra a porcelana, produzindo um baque pesado.
— O que isso deve significar? Só porque o Senhor Lee Jaeha diz isso, eu tenho que escutar? Você não me parece o tipo que serve silenciosamente ao marido. Que peculiar.
— Não se preocupe com o Rut. É um problema com o qual posso lidar sozinho—
— Ah, mas lidar com isso sozinho não me agrada, meu querido marido.
Mais uma vez, o cheiro pesado de sal marinho preencheu o quarto. Era o cheiro puro das ondas, intocado pelo aroma de oleandro. Parecia que tinha acabado de encontrar uma tempestade.
Dominado pelos feromônios pesados que o pressionavam, Jaeha mordeu o lábio antes de abrir a boca.
— Aniversários… bem, já que os outros estão observando, provavelmente é melhor que seja assim. De qualquer forma, eu também não quero o divórcio por enquanto.
— Por enquanto? Não me faça rir. Se você realmente quiser, corte minha mão direita e use-a para assinar os papéis do divórcio.
— …Diretor Jang.
Jaeha pensou que tinha que dizer algo. Algo que pudesse convencer Jang Taegun. Mas nenhuma palavra saiu.
Este momento, em que ele oferecia uma refeição como uma espécie de presente de aniversário, parecia loucamente precioso, mas também algo que ele não deveria possuir.
Simultaneamente, ele se perguntava como ele podia fazer isso comigo. Sua mãe e seu pai viveram infelizes por causa da Yooshin. Mesmo assim, como ele podia me tratar desse jeito…
Jaeha colocou os talheres que segurava sobre a mesa de cabeceira e cobriu a boca e o queixo. Ele queria esconder o rosto inteiro, mas aquele era o seu limite.
Observando Jaeha assim, Taegun soltou um curto suspiro.
— Coma mais.
— ……
— Coma. Conversaremos mais tarde.
Jang Taegun pegou seu próprio garfo primeiro, levantando a comida descuidadamente enquanto falava. Jaeha observou em silêncio, depois pegou seu garfo novamente.
No quarto de hotel, às 4 da manhã, o tilintar dos talheres continuou por um tempo depois disso. Nenhuma outra voz foi ouvida, no entanto.
A refeição de aniversário continuou em silêncio.
A excitação que antes havia surgido tinha escoado como uma maré vazante. Jaeha sentia-se leve, mas ligeiramente letárgico, um estado que era absurdo, mas que deixava um gosto amargo em sua boca.
O pensamento de que havia passado este período de cio com ele, e que todos os cios futuros também seriam passados com ele, era ao mesmo tempo angustiante e satisfatório. Essa dupla emoção fazia a cabeça de Jaeha girar.
Sua cabeça parecia quente, como se estivesse sofrendo de febre. Jaeha lentamente pousou os utensílios.
O homem, com a parte superior do corpo nua e a fivela de suas calças sociais aberta, curvou-se, suas costas exibindo uma longa e grande cicatriz, e pegou um maço de cigarros no console.
Ele se movia como um predador espreitando em silêncio. Jaeha aproveitou o momento em que ele se virou para olhar totalmente para as costas dele.
Se estivessem em seu relacionamento habitual, Jaeha poderia ter abraçado as costas do homem. Uma vez que a penetração fechasse a distância entre eles, não deixando lacuna entre o homem e si mesmo, Jaeha poderia ter usado a desculpa esfarrapada de que as costas dele eram a única coisa que restava para se agarrar, e o abraçado.
Era decepcionante, mas pensar que aquilo nunca foi realmente seu o deixava um pouco entorpecido.
Ele olhou fixamente para as costas largas do homem mais uma vez, querendo fixar um pouco mais daquela imagem em suas retinas antes que o tempo passasse. A visão daquelas costas imensas se curvando despertou algo em um canto do coração de Jaeha.
O corpo do homem não exibia tatuagens, daquelas geralmente encontradas em um ou dois membros de uma organização. Em vez disso, havia apenas uma longa cicatriz diagonal que se estendia de sua omoplata direita até as costelas esquerdas.
A ferida acima de seu abdômen, sofrida no início do casamento, parecia não ter deixado rastros, mas a antiga cicatriz em suas costas permanecia firme.
Além dessa, havia muitas cicatrizes menores. O ciclo de cio de Jaeha durava cerca de cinco meses, e ele não sabia quando ocorreria o Rut de Taegun. Portanto, ele não teria outra chance de ver aquela longa cicatriz até a próxima oportunidade.
Então o homem virou as costas, com um cigarro preso entre os lábios. Jaeha olhou de relance para a placa de proibido fumar colocada organizadamente na outra mesa.
— Estou apenas segurando, apenas segurando. Sem sermões.
— …Eu não disse nada.
Jaeha negou com um sentimento de resignação. O homem, que o mantinha entre os lábios, puxou-o para baixo com seus dedos longos e ásperos e deu a Jaeha um sorriso irônico.
— Não, diga. Aquele moleque estava agindo errado de novo, do nada. Vá em frente, diga algo, qualquer coisa.
— Um moleque…
Jaeha não sabia o que negar, então moveu os lábios antes de fechar a boca novamente.
Taegun, que vinha observando Jaeha de braços cruzados, segurava um cigarro partido perfeitamente ao meio. Jaeha olhou de relance para ele antes de se levantar de seu assento.
— Eu deveria ir.
— ……
Taegun não disse nada. Jaeha levantou-se da cama, com a frente do roupão aberta. No momento em que seus pés tocaram o chão, uma dor surda o atingiu. Ele franziu a testa levemente ao se levantar, prestes a sair do quarto, quando ouviu Taegun estalar a língua bruscamente atrás dele.
Ele caminhou à frente e agarrou o pulso de Jaeha. O pulso capturado parecia quente.
— Eu vou te levar lá, então apenas diga. Apenas diga “eu não quero”, “não preciso”. Tente dizer qualquer uma dessas coisas. Eu vou te trancar e te usar como meu buraco pessoal.
— ……
— Não me importa que pensamentos inúteis correm por essa sua maldita cabeça bonita. Eu vou apenas te preencher inteiramente com o meu esperma. Tente dizer mais uma palavra. Não, na verdade, que tal vivermos assim? Felizes juntos.
Jaeha tentou libertar o pulso. O aperto em seu pulso capturado era implacável, desprovido de qualquer consideração. Ele nunca havia experimentado esse tipo de opressão física por parte de Jang Taegun antes.
Embora ambos fossem Alfas, a diferença na força bruta era palpável. Jaeha ficou ligeiramente chocado. Ele havia presumido que, se apenas medissem forças, seriam parecidos ou que ele poderia ser ligeiramente mais forte, mas ele não conseguia mover o braço de jeito nenhum. Seu pulso capturado latejava, e o sangue sumia da ponta de seus dedos, deixando-as brancas.
— …Diretor Jang.
Mas, ao contrário de suas palavras, quando Jaeha o chamou, Jang Taegun imediatamente afrouxou o aperto e soltou o pulso. Jaeha mordeu o lábio e esfregou o pulso que havia sido seguro com a mão livre. Uma sensação surda permaneceu. Era o resultado de ter sido seguro com tanta ferocidade.
Jang Taegun parecia pronto para passar direto por Jaeha e sair do quarto primeiro.
— Não estou pedindo para você vir para o inferno comigo. Estou apenas acompanhando você até a saída, Senhor Lee Jaeha. Apenas coloque algumas roupas e saia.
Então ele saiu direto do quarto. Deixado para trás, Jaeha piscou vagamente, com os olhos arregalados. Ele estava exausto? Ele parecia completamente esgotado.
Jaeha havia aprendido com sua própria mãe como as pessoas se tornam aterrorizantes quando estão desgastadas e exaustas. Às vezes, ele até agia como sua mãe ele mesmo.
Pessoas desgastadas e exaustas deixam de se importar com os outros. Elas agem como se as feridas, a dor, até mesmo a felicidade e a alegria da outra pessoa não fossem da conta delas.
Então aquele cansaço e exaustão se espalham para a outra pessoa também. Jaeha segurou a respiração, incapaz de se mover por um momento, com medo de que Taegun estivesse naquele estado.
Era tolice. Fora ele quem havia trazido à tona a separação primeiro.
Mas, no fundo, Jaeha havia ficado satisfeito quando Taegun lhe mostrou aquele olhar descontente naquela época. E agora, trazendo à tona os termos do contrato enquanto cuidava do cio.
Mas neste relacionamento, Jaeha tinha algo a priorizar acima de sua própria felicidade. Em algum momento, isso havia se tornado um imperativo absoluto.
Desmantelar o reino sob seus próprios pés pedaço por pedaço e deitá-lo aos pés de Taegun em vez de um tapete. Ele desejava isso mais do que sua própria felicidade.
No final, Jaeha vestiu as calças de terno de fabricação italiana com a sensação de estar vestindo um trapo. A aurora ainda não havia chegado, e nenhum som vinha do homem lá na sala de estar.
Jaeha de repente se perguntou o que ele estava fazendo lá fora sozinho. Mas ele rapidamente percebeu que tal curiosidade não lhe era permitida.
Suas papilas gustativas pareciam amargas. Como um minúsculo organismo realizando fotossíntese com apenas um fiapo de luz solar, como musgo espremido entre as rochas, ele se alegrou com a refeição de hoje.
A contradição dilacerava Jaeha. Pela metade, ele vestiu uma camisa social e fingiu estar bem.
Por enquanto, essa era a máscara de Lee Jaeha.
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna